A melhor maneira que a gente tem de fazer possível amanhã alguma coisa que não é possível de ser feita



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Encontro04.08.2016
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“A melhor maneira que a gente tem de fazer possível

amanhã alguma coisa que não é possível de ser feita

hoje, é fazer hoje aquilo que hoje pode ser feito. Mas

se eu não fizer hoje o que hoje pode ser feito e tentar

fazer hoje o que hoje não pode ser feito, dificilmente

eu faço amanhã o que hoje também não pude fazer”.

Paulo Freire
PROGRAMA PARCERIA NA CONSTRUÇÃO DE UMA CULTURA DE PAZ NO AMBIENTE ESCOLAR
Vera Lúcia Acayaba de Toledo1

1. Parceiros do Programa Caminhando Juntos; 2. Dos Princípios Acordados entre os Parceiros; 3. Do Programa;

4. Dados Estatísticos; 5. Considerações Finais.


  1. PARCEIROS DO PROGRAMA CAMINHANDO JUNTOS

Nossa atuação em parceria, com o esforço de todos na busca de soluções comuns e consensuais, trocando informações, cedendo e quebrando paradigmas, viabilizou construir espaços e tempo de paz.

Enfrentar e combater esse fenômeno da violência nas escolas, que muitas vezes começa dentro de casa e em locais que deveriam acolher, proteger e socializar as pessoas, é uma tarefa que somente poderá ser cumprida pelo trabalho em equipe, somando esforços, diminuindo diferenças, chamando o processo de corresponsabilidade dos atores, e multiplicando os resultados.

Dessa forma podemos alcançar uma educação libertadora, crítica, proativa, em que a escola se destaca como parceira e totalmente útil para a transformação social.
II- DOS PRINCÍPIOS ACORDADOS ENTRE OS PARCEIROS

Ao enfrentar a situação de violência nas escolas públicas da comarca de São Bernardo do Campo, decidimos nós Parceiros ter uma visão sob o ponto de vista integral, enfocando a escola em sua complexidade, e visualizando todos os problemas como uma oportunidade de aprender e de nos tornarmos mais fortes. E ainda lutando como guerreiros, imbuídos com sentimentos e pensamentos positivos, fé, muita fé, carinho, e com compromisso e responsabilidade.

Neste contexto, criamos condições de desenvolver um trabalho em parceria sério, adequado, persistente, com reflexões, diálogos, ações e justiça, e que efetivamente proporcionasse o reconhecimento e aceitação da diversidade, a desconstituição das crenças limitadoras, e a mudança de consciência e comportamento, fatores essenciais e hábeis à transformação educacional e social.

Esta parceria de órgãos governamentais, organizações da sociedade civil, setor privado e Universidades, na consecução das ações, potencializou recursos humanos, físicos, tecnológicos e sociais para promover a garantia dos direitos das crianças e adolescentes estampadas na Constituição Federal, no Estatuto da Criança e do Adolescente e na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, e permitiu desenvolver metodologias criativas, efetivas e acessíveis.

Apresentamos a seguir dez PRINCÍPIOS que efetivamente embasaram e nortearam as atividades dos Parceiros.
1º) ACREDITAR – FAZER ACONTECER E TRANFORMAR SIGNIFICA ENFRENTAR PROBLEMAS COM OTIMISMO E ESPERANÇA.

Controlados pelos sentimentos negativos, de medo e de receio, pensamos que os problemas são insolúveis, e colocamos em perigo o êxito das ações profissionais, e até mesmo o sucesso da nossa própria vida. Eles nos fazem sentir que estamos dentro de um túnel sombrio, sem notar a luz do fim desse túnel e sem ver a saída.

As soluções aparecem quando podemos perceber a complexidade do fenômeno nas suas diferentes facetas e ter uma visão positiva de enfrentamento da questão. Ela nos permite enxergar os caminhos a serem trilhados com êxito e sucesso e eliminar sentimentos negativos.

Portanto, a forma como pensamos e agimos está diretamente ligada às nossas chances de obtermos uma ação concretamente válida e eficaz.

E a foi e está sendo a musa inspiradora e propulsora dos nossos trabalhos.

2º) RESPEITAR - CRIAR CONDIÇÕES PARA REALIZAR EXIGE SINTONIA E HARMONIZAÇÃO NA PARCERIA.

A confiança, o equilíbrio, o bom senso, o respeito, a persistência, o compromisso, e principalmente a responsabilidade, foram e são fatores embasadores da realização do nosso objetivo proposto.



3º) REFLETIR – MEDITAR PARA APRENDER E CONSEGUIR ACHAR AS SOLUÇÕES.

Necessidade de empreender ações para a reflexão, visando a tomada de consciência para a integração e compreensão dos problemas apresentados.

Realizamos várias reuniões para esta finalidade.

4º) SENSIBILIZAR E ENVOLVER - INCUTIR NO CORAÇÃO E NA ALMA A VONTADE CONCRETA DE MUDAR.

Necessidade de causar um impacto mais significativo, que requer um pensamento e uma reflexão que ultrapassem as bordas do evidente e introduza alguma suspeita naquilo que vivemos e acreditamos, fortalecendo, desta forma, nossa autonomia.

Nós, Parceiros, efetuamos várias ações para que educadores, alunos, famílias, Poder Público e sociedade em geral se sensibilizassem para a importância de implementar uma cultura de paz no ambiente escolar, visando um olhar de uma maneira nova para as mesmas coisas.

5º) OUVIR, DIALOGAR, PENSAR E VIVER A ESCOLA COMO ESPAÇO COLETIVO – A ESCUTA E O DIÁLOGO SÃO A ESSÊNCIA PARA UMA EDUCAÇÃO COM QUALIDADE, QUE SE REALIZA POR MEIO DA ÉTICA DA SOLIDARIEDADE.

A escuta dos educadores, alunos, dos agentes da rede de atendimento, dos técnicos, dos operadores do Direito, dos Professores das Universidades, enfim, da sociedade civil como um todo, e a interação entre os Parceiros, proporcionou a colheita de material suficiente para preparar as ações do Programa e o material pedagógico informativo necessário à distribuição nas escolas públicas.



6º) AMAR – BASICAMENTE AS AÇÕES HUMANAS SÃO MOTIVADAS EM SEU NÍVEL MAIS PROFUNDO POR UMA ENTRE DUAS EMOÇÕES: MEDO OU AMOR.

O amor é a energia natural que põe em movimento a máquina da experiência humana, a energia que expande, move, revela, leva-nos a ficar e partilhar, mostra a afeição, acalma, liberta e cura. O medo é a energia que restringe, paralisa, retrai, leva-nos a fugir e esconder-se, fere, sufoca, oprime, irrita e critica.

Nós, Parceiros, escolhemos AMAR, e experimentaremos a glória suprema de vencer.

7º) DIAGNOSTICAR - NECESSIDADE DE ANÁLISE DA SITUAÇÃO E MAPEAMENTO PARA O ÊXITO DE QUALQUER PROGRAMA.

De início foi realizado diagnóstico da situação das escolas públicas, e a análise do quadro global fundamentou a elaboração do Programa.



8º) AGIR, OUSAR E PRIORIZAR – DEIXAR DE DIZER: Ah, lamento, mas não tenho tempo para estas coisas...

Nós, Parceiros, durante o início do Projeto (agosto de 2.007) até o presente momento (2.010), portanto, há três anos, estamos continuadamente e persistentemente agindo, ousando e priorizando as ações para concretizar efetivamente os direitos e garantias de nossas crianças e adolescentes, obedecendo o Princípio da PRIORIDADE ABSOLUTA preconizado na Carta Magna e no Estatuto da Criança e do Adolescente.

Achamos tempo...

9º) FISCALIZAR – AÇÃO NECESSÁRIA AO ÊXITO DE TODO PROGRAMA.

O Programa tem como instrumento um Inquérito Civil instaurado na Promotoria de Justiça da Infância e Juventude de São Bernardo do Campo, que é um procedimento administrativo investigatório a cargo do Ministério Público, destinado a colher elementos de convicção para que o próprio órgão ministerial possa identificar se ocorre circunstância que enseje eventual propositura de ação civil pública. E também tem como finalidade colher elementos que permitam o acordo e a tomada de compromissos de ajustamento, ou a realização de audiências públicas e emissão de recomendações pelo Ministério Público.

Este Inquérito Civil instaurado perante a Promotoria da Infância de São Bernardo viabilizou o acordo entre todos os Parceiros, a elaboração do Programa e a execução das ações, evitando o não cumprimento das normas estatuídas na Constituição Federal e no Estatuto da Criança e do Adolescente.

10º) CONCRETIZAR - É A FINALIDADE DE TODO PROGRAMA.

A execução do Projeto iniciou-se em agosto de 2.007 e tem o prazo até final de 2.011 para a consecução de todas as metas acordadas.

Posteriormente a este prazo, pretendemos estar diante de uma situação de cumprimento das normas estatuídas na Lei Maior e no Estatuto da Criança e do Adolescente.


  1. DO PROGRAMA




  1. PROCEDIMENTO DE IMPLEMENTAÇÃO DO PROGRAMA


A Promotoria de Justiça da Infância e Juventude de São Bernardo do Campo constatou a existência de número excessivo de alunos que praticavam atos infracionais de pequeno potencial ofensivo nas escolas públicas, muitos com reincidência, revelando menor eficácia na execução das medidas socioeducativas em meio aberto, e ainda, a inocuidade do grande número de Boletins de Ocorrência lavrados nas Delegacias. Diante deste fato, a Promotoria de Justiça instaurou em 10 de agosto de 2.007 um Inquérito Civil para colheita de elementos visando enfrentar e solucionar esta questão.

Em seguida, foram realizadas várias reuniões organizadas pela Promotoria de Justiça na Casa dos Advogados de São Bernardo do Campo, com todos os órgãos atuantes na Infância e Juventude, e ainda organizações da sociedade civil, setor privado e Universidades, objetivando envolvê-los e sensibilizá-los, e foi acordado de forma unânime atuar em parceria para viabilizarmos ações para a construção de uma cultura de paz no âmbito escolar.

Para tanto, foram colhidos dados apresentados pela Diretoria de Ensino, Secretaria Municipal de Educação, Conselho Tutelar, Fundação Criança e Polícias Civil e Militar, anexados aos autos do Inquérito Civil, e após foi realizado diagnóstico, apurando a natureza dos atos infracionais de pequeno potencial ofensivo mais frequentes praticados nas escolas públicas das redes estadual e municipal, o número em cada estabelecimento de ensino, e as causas destas práticas, proporcionando elementos hábeis para a atuação adequada.

Em reunião na data de 30 de novembro de 2.007, na Casa dos Advogados de São Bernardo do Campo, foi apresentado pela Promotoria de Justiça da Infância e Juventude, como sugestão, o PROGRAMA em espécie, que foi aprovado pelos Parceiros, e após, na reunião realizada na data de 29 de fevereiro de 2.008, foi o PROGRAMA aperfeiçoado por todos os Parceiros presentes na reunião.




  1. OBJETIVO – PRODUTOS – ATIVIDADES

O OBJETIVO do PROGRAMA é a redução, no mínimo, de 40% do número de atos infracionais de pequeno potencial ofensivo praticados por crianças e adolescentes no ambiente escolar, de agosto de 2.007 até final de 2.011, apurando-se estes dados através de levantamentos efetuados pela Diretoria de Ensino, Secretaria Municipal de Educação, Conselho Tutelar, Fundação Criança e Polícias Civil e Militar.

Tem como PRODUTOS: 1) serviços de acompanhamento psicossocial, assistência à saúde e jurídico, e ações sociais complementares para garantia dos direitos das crianças e adolescentes, a curto prazo; 2) rede de atendimento integrada e capacitada, apta a disponibilizar informações, mediar conflitos e utilizar o fluxo de forma adequada para acionar a rede; 3) sociedade sensibilizada para as situações de conflitos familiares e violências relacionadas a crianças e adolescentes; 4) laços familiares, comunitários e escolares retomados; 5) instrumentos de gestão e controle implantados.

São várias as ATIVIDADES do Programa, e as principais são: 1) envolver e sensibilizar os educadores e diversos agentes da rede com reuniões; 2) capacitar os educadores e agentes da rede para identificação, mediação e encaminhamentos dos casos em tela; 3) definição de fluxo de atendimento; 4) encaminhamento do aluno pela própria escola para a rede municipal de atendimento de acordo com sua necessidade e de sua família, e a resolução do conflito na própria escola, diminuindo os casos de lavraturas de Boletins de Ocorrência na Delegacia; 5) tratamento do aluno na plenitude de suas necessidades, no que tange às causas que deram origem à violência, bem como sua inserção em programas recreativos e culturais; 6) realizar palestras nas escolas por todos os Parceiros, visando o conhecimento pelos alunos do Estatuto da Criança e do Adolescente; 7) preparar material pedagógico para os profissionais de educação; 8) preparar a família para exercer o seu papel protetivo; 9) promover ações para a integração família, escola e comunidade; 10) publicações de resoluções pelo Conselho Municipal dos Direitos das Crianças e Adolescentes, estabelecendo as diretrizes da política e do fluxo de atendimento; 11) criar uma sistemática de monitoramento e avaliação por todos os Parceiros e pela sociedade civil; 12) divulgação de desempenhos e resultados.




  1. BUSCA DAS CAUSAS QUE DERAM ORIGEM À PRÁTICA DO ATO INFRACIONAL PELO ALUNO

Pela análise dos casos encaminhados pelas escolas para a rede de atendimento do Município, vislumbra-se que realmente estamos no caminho certo para evitar práticas de condutas indisciplinadas ou infracionais pelos alunos nos estabelecimentos de ensino.



Os motivos da indisciplina ou da conduta infracional podem ser extrínsecos à escola, tais como conflitos familiares, carências sociais, situação de violência doméstica ou sexual, dificuldades relacionadas a questões psicológicas ou psiquiátricas, hiperatividade (transtorno do déficit de atenção), baixo rendimento escolar do aluno ou dos pais, e neste último caso reflete no filho, que não é incentivado ao estudo, a própria constituição física ou intelectual do aluno, envolvimento do aluno com drogas ou com tráfico de entorpecentes, questões pertinentes ao entorno da escola, dentre outros.

Mas também podem estar relacionados com a não aceitação do professor pelo aluno, sobre seus métodos de ensino ou sobre as estratégias de relação na aula, que causam a desmotivação do aluno e, em consequência, atos de indisciplina e violência, que por vezes não são mais do que chamadas de atenção ao Professor.

Ainda pode advir do assédio moral na escola (bullying), que corresponde à violência entre os alunos, consubstanciada basicamente em uma série de agressões como xingamentos, apelidos, fofocas, empurrões, ofensas físicas, que ocorrem com frequência contra uma criança ou um adolescente. São condutas violentas reiteradas e intencionais e que causa rejeição de ordem social da criança ou adolescente considerado diferente ou inferior, privando-o de participar e de existir.

Neste caso a criança ou adolescente vítima do bullying pode apresentar súbita perda de interesse por atividades promovidas pela escola, isolamento dos demais alunos na sala de aula e no recreio, queda nas notas, falta às aulas de forma recorrente sem apresentar justificativas adequadas, preferência pela companhia de adultos, pesadelos e dificuldades para dormir, raiva e irritabilidade, ferimentos físicos inexplicáveis, rejeição à escola, apresenta sinais que indicam tristeza, depressão e ansiedade, expressa em sua face medo, angústia ou algum tipo de resposta que não possa verbalizar ou explicar.

E ainda deixam de dizer aos adultos que são vítimas de bullying por várias razões: temem que nenhuma atitude será tomada ou que a situação fique ainda pior; não querem ser “dedo-duro” ou “entregar” alguém; estão constrangidos, sentem vergonha ou sentem medo do agressor; não querem que os pais se preocupem com eles. Daí a importância de saber detectar este fenômeno.

Portanto, a análise destas causas, proporcionando seu enfrentamento e tratamento, aliada a outras medidas já mencionadas, e principalmente a implementação da dinâmica da mediação na escola, que propicia a prática do diálogo, são medidas que necessariamente devem ser adotadas e que são objeto do Programa em espécie.


  1. MEIO ALTERNATIVO PARA RESOLUÇÃO DE CONFLITOS


É um meio alternativo porque o objetivo é a resolução do conflito através da inserção do aluno na rede de atendimentos integrada e capacitada, de forma imediata, sem burocracias, tratando do adolescente com um olhar diferenciado para as diversas variáveis que interferem no ambiente escolar, com o escopo de se tornar desnecessária a lavratura do Boletim de Ocorrência na Delegacia e a conseqüente aplicação da medida sócioeducativa na Justiça da Infância e Juventude, salvo casos de atos infracionais graves que exijam os trâmites legais normais, ou atos infracionais de natureza leve, mas que a situação que o norteia exija igualmente o procedimento previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente.
E) PRINCIPAL INOVAÇÃO DO PROGRAMA
Consiste no encaminhamento do aluno pela própria escola, logo após a prática do ato infracional, atendendo ao FLUXO elaborado e entregue a todos os estabelecimentos de ensino, municipais e estaduais, mediante o preenchimento de uma FICHA DE ENCAMINHAMENTO DO PROGRAMA, contendo a identificação do aluno, nome dos pais, endereço e telefone, dados da Escola, nome da escola, endereço, ano/série, período, Professor, Responsável pela Unidade, motivo do encaminhamento, com breve relato da situação, e dados do encaminhador, com nome, cargo ou função e telefone para contato.

Em resumo, é colocar em prática os ditames estampados no Estatuto da Criança e do Adolescente, propiciando situação capaz de auxiliar a criança ou o adolescente a superar os conflitos e demais dificuldades apresentadas.

Esta ação citada já está sendo executada pelos estabelecimentos de ensino desde 15 de dezembro de 2.007, quando foi em reunião entregue o material pertinente à Diretoria de Ensino e à Secretaria Municipal de Educação.
F) FATORES QUE ESTÃO PROPORCIONANDO O ÊXITO DO PROGRAMA

1º) a instauração de Inquérito Civil pela Promotoria de Justiça a Infância e Juventude para viabilizar a execução e fiscalização do Projeto;

2º) a articulação e mobilização efetuada pela Promotoria de Justiça da Infância e Juventude;

3º) a aceitação e comprometimento de todos os membros da Força-Tarefa;

4º) o trabalho em parceria, com o esforço de todos na busca de soluções comuns e consensuais;

5º) o encaminhamento do aluno para a rede de atendimentos de acordo com a sua necessidade e de sua família, e outras questões pertinentes, e a resolução do conflito na própria escola, diminuindo os casos de lavraturas de Boletins de Ocorrência na Delegacia;

6º) tratamento do aluno na plenitude de suas necessidades, no que tange às causas que deram origem à violência, bem como sua inserção em programas recreativos e culturais;

7º) acompanhamento necessário da família;

8º) tratamento do educador (em sentido amplo), em sendo a violência reflexo de um ato por ele praticado, o qual também será inserido na rede para o devido acompanhamento;

9º) o conhecimento proporcionado aos profissionais de educação dos órgãos componentes da rede de atendimentos de São Bernardo do Campo, e o fluxo para acionar a rede desde o momento da prática do ato infracional no âmbito escolar;

10º) a realização de reuniões para envolver e sensibilizar os diversos agentes da rede de atendimentos e os educadores;

11º) realizações de palestras nas escolas pelos Parceiros;

12º) a produção de material pedagógico para os educadores;

13º) ações para sensibilização da sociedade civil para as situações de risco ou vulnerabilidade da família, de violências relacionadas a crianças e adolescentes, demanda psicossocial, e outras.

14º) a rapidez e celeridade de todas as ações do PROGRAMA, obedecendo os PRINCÍPIOS DA PROTEÇÃO INTEGRAL E PRIORIDADE ABSOLUTA das crianças e adolescentes, estampados no artigo 227, “caput”, da Constituição Federal e artigo 4º do Estatuto da Criança e do Adolescente.


  1. AÇÕES REALIZADAS E EM ANDAMENTO

Foram realizadas diversas reuniões com os profissionais de educação para o envolvimento e sensibilização, bem como para apresentação do Programa, dos órgãos da rede de atendimentos do Município e do FLUXO de encaminhamento do aluno à rede.



A Diretora de Ensino e a representante da Secretaria Municipal de Educação também fizeram reuniões com os Supervisores, Orientadores e Diretores, fornecendo mais explicações relacionadas ao FLUXO citado, visando que as transmitissem aos Professores.

Foram designados representantes de todos os órgãos componentes deste Programa para comporem a COMISSÃO REPRESENTANTE DA FORÇA-TAREFA.

A Secretaria de Desenvolvimento Social e Cidadania, como apoio, elaborou e executou uma Ação eficiente de preparação de 300 (trezentos alunos) alunos para o exercício adequado da Cidadania, com Certificado, alunos estes de Escolas que apresentaram um maior quadro de violência, implementando a ação de protagonismo infantil.

O Conselho Tutelar executou encontros menores de educadores das escolas públicas estaduais para explicitações sobre o Programa em tela, inclusive com o comparecimento dos Parceiros nos próprios estabelecimentos de ensino.

Já foi aumentada a ronda escolar nas escolas estaduais e municipais que apresentaram maior número destas incidências, pela Guarda Civil Municipal e Polícia Militar.

A Polícia Civil, através do Delegado Seccional designou dois Delegados de Polícia para acompanhar e auxiliar o Projeto, e participar de todas as reuniões, e ainda mantém um atendimento especializado quando solicitados nas escolas, somente sendo necessário para tanto os Diretores das Escolas informarem informalmente que se trata de caso da Força-Tarefa.



A Polícia Militar igualmente designou representantes dos dois Batalhões de Polícia Militar Metropolitano (do 6º e 40º), para a mesma finalidade, e vem auxiliando da mesma forma com atendimento especializado e prioritário.

A Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo tem cedido o auditório para a realização das reuniões.



A UNIVERSIDADE METODISTA DE SÃO PAULO
No evento realizado na Universidade Metodista de São Bernardo do Campo, na data de 09 de março de 2.009, no período das 08:00 às 18:00 horas, compareceram 600 (seiscentos) profissionais de educação, lotando o auditório nobre desta Entidade, com apresentação de palestras, e de diagnósticos e atividades já realizadas, e cada pessoa presente preencheu uma ficha de avaliação sobre o evento, que foram analisadas nas próximas reuniões, visando aprimorar os trabalhos desenvolvidos.

A Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo tem cedido o auditório para realização de reuniões.

Os Parceiros conseguiram patrocinadores para auxiliarem na produção do material pedagógico e nas demais ações do Programa.

Estão sendo produzidos um CADERNO FACILITADOR e VÍDEOS para serem entregues aos profissionais de educação e funcionários de todas as escolas públicas municipais e estaduais de São Bernardo do Campo, contendo explanações sobre o Programa, casos práticos e normas relativas ao tema em tela, bem como a relação dos órgãos componentes da rede de atendimentos, com endereços e telefones, e o fluxo para acionar esta rede.

A Comissão da Força-Tarefa tem também representantes dos alunos, que são ouvidos sobre todas as questões que auxiliam os trabalhos desenvolvidos.

A OAB local tem cedido a Casa dos Advogados para a realização das reuniões e também pretende colaborar com palestras nas escolas, e indicações de patrocinadores para apoiarem o Projeto.

A DEFENSORIA PÚBLICA ofereceu como apoio a confecção de 15.000 (quinze mil) exemplares do CADERNO FACILITADOR referido, que está sendo elaborado pela Comissão da Força-Tarefa e pela Universidade Metodista de São Paulo, que será apresentado em um evento a ser realizado na Escola Superior do Ministério Público.

A ESCOLA SUPERIOR DO MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULO, como apoio, confeccionará a reprodução dos VÍDEOS para todas as escolas públicas de São Bernardo.

As próximas etapas do PROGRAMA são as PALESTRAS a serem realizadas nos estabelecimentos de ensino públicos pelos Parceiros, direcionadas aos alunos e famílias e, em seguida, a implementação da mediação nas escolas.

E são várias outras ações que estão sendo encetadas.



  1. DADOS ESTATÍSTICOS

Em São Bernardo do Campo, existem 71 (setenta e uma) Escolas Estaduais, com 83.700 alunos, e 185 (cento e oitenta e cinco) Escolas Municipais (creches, ensinos infantil e fundamental), com aproximadamente 75.897 alunos.

A comarca tem aproximadamente um milhão de habitantes.


  1. CONSIDERAÇÕES FINAIS


Nós, Parceiros do Programa, ouvimos o lamento dos corações dos alunos crianças e adolescentes em situação de risco. Vimos a busca de suas almas. Sabemos o quanto eles têm desejado amor, carinho e atenção. Na alegria e na tristeza clamaram por nós. Constantemente fizeram súplicas a nós.

Vamos em frente, vamos lutar como guerreiros que somos e encontraremos um modo de responder-lhes. Usaremos todo o Universo para isso.

Nós lhe falaremos e eles nos ouvirão. Nós os procuraremos e eles nos acharão.

Então nós lhes mostraremos que sempre estivemos presente.

Sempre !
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
CHALITA, Gabriel. Pedagogia da Amizade. Bullying: o sofrimento das vítimas e dos agressores. São Paulo: Editora Gente, 2.008.

BEANE, Allan L. Proteja seu filho do Bullying. Impeça que ele maltrate os colegas ou seja maltratado por eles. Rio de Janeiro: Editora Best Seller Ltda., 2.009.

BEAUDOIN, Marie-Nathalie, TAYLOR, Maureen, Bullying e Desrespeito: como acabar com essa cultura na escola. Porto Alegre: Artmed Editora S/A, 2.006.

SILVA, Ana Beatriz Barbosa. Bullying: Mentes Perigosas nas Escolas. Rio de Janeiro: Editora Objetiva Ltda., 2.010.



SILVA, Ana Beatriz Barbosa. Mentes Inquietas – TDAH – Desatenção, Hiperatividade e Impulsividade. Rio de Janeiro, Editora Objetiva, Ltda., 2.010.


1 Promotora de Justiça da Infância e Juventude da comarca de São Bernardo do Campo - SP



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