A minha vida como pessoa cega e com implante coclear



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Encontro26.07.2016
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A minha vida como pessoa cega e com implante coclear

 

Sei que há muitos cegos com problemas auditivos. Assim, gostaria de falar um pouco da minha vida como pessoa cega e, a partir de 2006, com implante coclear focando principalmente a minha experiência com o implante coclear.


Nasci em 1964. Devido provavelmente à rubéola de minha mãe, nasci com o nervo ótico morto. Dos 5 aos 14 anos estudei numa escola especializada na educação de alunos cegos e amblíopes – o Centro Infantil Helen Keller - do qual conservo muito boas recordações. Nesta escola aprendia várias coisas que me permitem ter hoje uma vida bastante autónoma: Braille, dactilografia e locomoção com bengala.
Aos 14 anos, e porque aprendo muito bem, continuei os estudos numa escola comum sendo apoiado por um professor especializado na deficiência visual.
Depois de terminar o ensino secundário consegui emprego na Fundação Sain na parte dos serviços administrativos. Lá permaneço até hoje.
Eu sou uma pessoa muito teimosa isto é, procuro ultrapassar as dificuldades que a vida me tem oferecido ao longo destes anos primeiro como pessoa cega e depois como surdocego.

 

A Deficiência Auditiva



 

Aos 8 anos de idade, devido ao sarampo,  comecei a perder a audição. A perda auditiva tem-se vindo a agravar ao longo dos anos por isso, aos 20 anos comecei a usar um aparelho auditivo e mais tarde dois aparelhos. Não obstante as enorme dificuldades que a deficiência auditiva provoca a qualquer pessoa acrescidas do facto de eu ser totalmente cego, sempre procurei ser o mais autónomo possível.


Em 2006 fui declarado como clinicamente surdo do ouvido esquerdo tendo-se dado início ao processo conducente ao implante coclear.

 

O Implante Coclear



 

Sem querer entrar em aspectos técnicos que em nada ajudam os desconhecedores destas coisas, direi, muito genericamente, o seguinte: o implante coclear é um dispositivo que é "metido" na cabeça na altura da orelha, cuja função é estimular a cóclea a fim de que esta possa transmitir o som ao cérebro.


o implante coclear é constituído por 2 partes: a parte interna que, como já disse, está dentro da cabeça, e a parte externa que é constituída por um aparelho muito semelhante a um aparelho auditivo comum. Este aparelho está preso à orelha como qualquer aparelho auditivo. Ele termina num íman que está fixo à cabeça. Este íman liga as duas partes do sistema, parte interna e parte externa.

 

O som dado pelo implante coclear não é, de maneira nenhuma, um som normal como não o é o som dado por um aparelho auditivo comum. É preciso determinação e força de vontade para habituar o cérebro a este som que lhe é estranho.


Eu fiz, e ainda faço, reabilitação auditiva. Os resultados perante o implante dependem de cada pessoa. Há pessoas que não se conseguem adaptar a este som.

 

A minha vida com o implante coclear



 

Escrevo este artigo em outubro de 2008. Posso dizer que a minha vida é totalmente diferente com o implante. Posso ouvir no telefone, ouvir rádio, falar por microfone no computador e, o que é mais importante, conversar com as pessoas no meu dia-a-dia. Os resultados têm sido tão bons que pretendo fazer também o implante no outro ouvido. O implante coclear é feito em Portugal em vários centros hospitalares: Hospital de Santa Maria, Hospital da Cuf, estes dois em Lisboa, e no Hospital dos Covões em Coimbra onde eu o fiz.



 

José António Patalona - msn, só para chat: antoniopatalona@hotmail.com



Pd:

Desde 14-12-2011 estou implantado do ouvido direito tendo muito bons resultados.


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