A Ministério da Graça



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SACERDOTE
Deus nos elegeu para sermos profetas a fim de confessarmos o seu Nome. Também nos elegeu para sermos sacerdotes a fim de oferecer a nossa vida a Ele como sacrifício vivo de gratidão.76 Servir como sacerdote quer dizer exercer um ministério da graça (Mc. 10:44,45).
a) Ministério da Graça
No Velho Testamento, sacerdotes eram chamados para serem uma bênção e para abençoar o povo. Eram os abençoadores profissionais. Instrumentos na reconciliação entre Deus e os homens e dos homens entre si. Com a vinda do Cordeiro de Deus a sombra da lei ceremonial terminou e as oferendas de cordeirinhos cessaram (Heb. 10:14), mas a função de ajudar na reconciliação não terminou. Somos cooperadores de Deus também neste ministério da graça (1 Cor. 3:9; 4:2). Em primeiro lugar, verticalmente, dos homens com Deus, proclamando como embaixadores: Em nome de Cristo, rogamos que vos reconcilieis com Deus (2 Cor. 5:20), ou levando um amigo para conhecer também o Senhor Jesus como seu Salvador pessoal (Jo. 1:42).

Em segundo lugar, reconciliação horizontal dos homens entre si, isto é ajudar na obra de espalhar graça para refreiar o avalanche da desgraça. Um dos instrumentos mais poderosos nesta área é o ministério de perdão: ser pacificador, instrumento do perdão numa escala menor ou maior. Até reconciliação entre grupos ou povos em hostilidades, se for possível. A terrível limpeza étnica em Kóssovo é um exemplo daquilo que acontece quando, entre povos, não há reconciliação. Os Sérvios foram massacrados pelos Turcos durante séculos; nunca houve paz propriamente e o problema eclodiu de novo no fim do século 20. Povos, famílias e indivíduos precisam da graça. O argumento mais forte em favor de graça é a única alternativa, um mundo de desgraça; o argumento mais forte em favor de perdão é a alternativa, um estado permanente de im-perdão... Se não tiver perdão, o passado monstruoso pode acordar da hibernação a qualquer momento para devorar o presente, e também o futuro.77 O trabalho de pessoas como William Wilberforce, William Booth, Martin Luther King e Nelson Mandela tem dimensões mundiais.78 São poucos que foram chamados para ajudar naquele nível, mas todos podemos, como formigas, carregar pedrinhas do tamanho de um grão de areia para diminuir essas altas tensões sociais, e sangrar um pouco de veneno da história, ajudando em projetos como Dorcas, Boaz ou Lucas (nomes excelentes para sempre lembrar da dimensão diaconal).79

Nestas tensões altas e baixas, freqüentemente, o único remédio é o perdão, porque não tem como desfazer o estrago. Desgraça causa rixas entre mãe e filha, filho e pai, irmão e irmã, entre tribos e raças. Sem intervenção, as rixas formam fendam de desgraça e contra ela há somente um remédio: a frágil ponte de cordas do perdão ... Perdão é um ato anti-natural; ... sempre há tensão entre perdão e justiça, e, muitas vezes, perdão parece injustiça. Porque o pastor luterano Bonhoeffer tentou amar seus inimigos nazistas e orar por eles? Ele mesmo respondeu: Deus ama seus inimigos; esta é a glória do seu amor, como todo discípulo de Jesus sabe. Somente graça pode derreter desgraça. Porém, a primeira e freqüentemente a única pessoa a ser curada pelo perdão é a pessoa que perdoa ... Continuando, Philip Yancey, um dos editores da revista Christianity Today, conta da visita do famoso teólogo Karl Barth à universidade de Chicago. Perguntaram a ele: Dr. Barth qual a verdade mais profunda, que o senhor aprendeu durante seus estudos? Sem hesitar, Barth respondeu com um cântico infantil: Jesus me quer bem, a Bíblia assim o diz.80

Infelizmente, porém, muitos têm tendência agostiniana somente em teoria (vivendo de graça), mas na prática são pelagianos (fazendo eu mesmo). Da minha própria experiência me lembro que alguém havia me insultado quando ainda estudante de teologia. Mal podia continuar estudando porque percebi que um calo se formava ao redor da minha alma. Lutei para me livrar, mas não consegui. Clamei ao Senhor, porque sabia que daquele jeito ia perder minha vocação de missionário. Então, alguém me deu o conhecido livro de Roy Hession, A senda do Calvário e um cartão vindo de Ruanda, do interior da África que dizia Não eu, mas Cristo (Gal. 2:20).81 Reconheci que o único jeito de sair daquela situação era eu morrer com Cristo, porque a minha velha natureza não queria perdoar de jeito nenhum. E coloquei minha mão sobre a promessa do Senhor: Não eu, mas Cristo. E pouco a pouco voltei a andar, como um reconvalescente. Cada vez tinha de voltar àquele cartão, mas ajudou, e graças a Deus, Ele me tirou do burraco e pude continuar meu preparo para o ministério. E agora sei que quando Deus nos colocar no pilão é para o nosso bem (Sal. 119:71; Rom. 8:28). Pode gritar, mas agüente, irmão. Pois, qual é o seu ponto nevrálgico? Você não quer perdoar mesmo? Lembre-se que, às vezes, as pessoas que nos ofendem não o fazem conscientemente. E nós mesmos ofendemos outros sem o perceber! (Luc. 23:34). Você está contando ainda quantas vezes perdoou? Ah, se pensar em 70x7 já deve ter perdido a conta, não é? Por outro lado é ótimo perdoar muitas vezes, porque assim se aprende a arte mais nobre. Como diz o velho adágio educacional: a ação é a mãe do costume, até o costume se tornar a mãe da ação. Não tem nada de ruim com costumes, desde que sejam bons (Luc. 4:16). Procedem de boas atitudes. Com razão Martin Luther King nos lembrou que perdão não é somente um ato ocasional isolado, mas uma atitude permanente.

Além deste ministério de perdão e reconciliação, há também outros aspectos no ministério da graça, como por exemplo o nosso dever sacerdotal para com os necessitados, o ministério diaconal (Prov. 29:7). O pastor presbiteriano R.C. Sproul formulou este dever de uma maneira interessante. Convém discernir: a) Os que são pobres por causa da preguiça; estes precisam de admoestação (como Prov. 6:6; 2 Tes 3:10). b) Os que são pobres por causa de acidentes, doença, calamidades, etc. Estes precisam da nossa assistência. c) Os que são pobres porque são explorados por patrões ou governos. Eles precisam da nossa defesa. d) Finalmente, os que são pobres por vontade própria, para poder dar mais a outros. Estes merecem nossa aprovação.82 De fato, o trabalho diaconal tem muitos aspectos, como curativo e preventivo, individual e coletivo, pessoal e estrutural, e para tudo isto carecemos de sabedoria do Alto. Mais ainda, precisamos de um preparo especial na graça para nosso trabalho na área de perdão, de misericórdia e de outras expressões do ministério da graça. Deus quer nos preparar para sermos usados como sacerdotes, como instrumentos para reconciliação e misericórdia, como ministros da graça.
b) Ministros da Graça
Mas como podemos aprender a sermos cooperadores com Deus? A mesma pergunta podia ser feito sobre a tarefa de profeta e rei, mas vamos verificar como Deus preparava seus obreiros para a tarefa sacerdotal. Em Levítico 8 e 9 achamos a descrição da consagração de Arão e dos seus filhos para o sacerdócio. Poderíamos dizer que ali temos uma série de quadros que nos mostram claramente quais as lições que devemos aprender na escola dos abençoadores. Todos queremos receber uma bênção, mas o Senhor quer nos ensinar que há algo mais precioso ainda: ser uma bênção (At. 20:35). De fato o Senhor nos elegeu para fazer de cada um de nós um vaso de bênção para outras pessoas (Gen 12:3; 1 Ped. 2:9). A fim de entendermos como ser uma bênção seguiremos os passos principais na ordenação dos abençoadores profissionais no Velho Testamento, os sacerdotes.

O primeiro passo é a purificação (Lev. 8:22,23). Depois de imolar um carneiro, Moisés tomou um pouco do sangue e aplicou-o no seu irmão Arão, primeiramente na ponta da orelha dele, depois no polegar da mão direita e finalmente se abaixou e aplicou-o no dedo maior do pé direito. Em seguida fez a mesma coisa nos seus quatro sobrinhos. O que Deus queria dizer com isto? A orelha é como se fosse uma das portas da nossa alma. Precisamos do sangue do Cordeiro nestas portas para purificar o que está lá dentro, mas também para nos avisar: o que você permite entrar por esta porta? Quem quer ser uma bênção deve cuidar-se e dizer às vezes: Não quero ouvir isto. Agora, o ouvido é como um representante para todos os nossos sentidos, um pars pro toto. Como o ouvido foi coberto, assim também os outros sentidos devem ficar debaixo do sangue do Cordeiro: cuidado para não se contaminar! É como o apóstolo nos avisa: Tendo, pois, ó amados, tais promessas, purifiquemo-nos de toda impureza, tanto da carne como do espírito (2 Cor. 7:1). Isto é muito importante para quem foi eleito para ser uma bênção, pois como poderíamos ser uma bênção sem esta purificação? Imagine só, já viu uma enfermeira atar uma ferida de mãos sujas? Somente daria uma infecção pior. Portanto, a minha alma diz: Amém, Senhor, quero ser um vaso de bênção!

O segundo passo na consagração dos abençoadores é a dedicação. Prestemos atenção ao quadro pintado em Levítico (8:26-28). Moisés mandou trazer dois cestos, um com carne, o outro com bolo. Pediu que Arão e seus filhos estendessem as suas mãos, e colocou nelas um pedaço de carne e em cima disto um bolo. Em seguida, mandou erguer tudo para os céus e movê-lo diante do Senhor. Não deixe cair, senão o nome do Senhor seria blasfemado por nossa causa, a igreja de Deus sofreria muito, e nós mesmos perderíamos nosso ministério (embora talvez pudéssemos continuar no ofício por causa de uma panelinha de política eclesiástica).83 Finalmente Moisés tomou as dádivas das mãos deles e colocou tudo no altar. Percebemos o significado? Para sermos uma bênção Deus mesmo coloca os dons em nossas mãos. Os dons são diferentes, um mais salgado, outro mais doce, mas distribuido como Ele acha melhor e, então, cada um sirva conforme seu dom. Não fiquemos com inveja dos dons dos outros, nem desanimados quando sentimos falta de um certo dom. Você é responsável pelos dons que tem, não pelos dons que não tem. Porém, nosso dom deve ser colocado no altar; nunca será a nossa propriedade particular, mas é dom de Deus. Por isso deve ser devolvido a Ele. Assim o apóstolo Paulo diz: O que tens tu que não tenhas recebido? (1 Cor 4:7). E é claro que os dons devem ser colocados no altar, pois como poderíamos ser uma bênção se o alvo fosse auto-glorificação? Somente atrapalharia a bênção! E a minha alma diz: Amém Senhor, quero ser um vaso de bênção!

O terceiro passo na preparação dos abençoadores é a unção (Lev. 8:30). Desta feita, Moisés tomou um vaso com óleo precioso para aspergí-lo nos vestes sacerdotais dos seus parentes. Mas antes de aplicar o óleo, respingou um pouco de sangue naquela roupa limpa e em seguida aplicou o óleo. O significado é muito claro: aquela roupagem oficial simboliza o privilégio destes pecadores-salvos servirem como cooperadores de Deus, mas, uma vez vestido com ela, até aquela roupa precisa ser purificado e untado com aquele óleo precioso. Lavado pelo sangue e depois perfumado pelo Espírito Santo! Lembremos da ordem, pois o óleo vai onde o sangue já foi. Como Paulo disse: Somos o bom perfume de Cristo. Mas quem é suficiente para estas coisas? (2 Cor. 2:15,16; Zac. 4:6). Ninguém, pois de nós mesmos a nossa vida espalha um cheiro desagradável. Mas Ele nos lava e depois nos perfuma para sermos abençoadores. E a minha alma diz: Amém, Senhor, quero ser um vaso de bênção!

O quarto passo na preparação dos abençoadores profissionais é diferente; é a meditação. Agora Moisés mandou eles sentarem perto da porta do santuário, estudar tudo o que o Senhor lhes disse e por sete dias alimentar-se com a Palavra de Deus (Lev. 8:35). Sem dúvida, podiam interromper seus estudos, mas tinha de ser durante uma semana, de certo para treinar o bom costume de ler a Palavra de Deus diariamente. Treinar para focalizar a atenção na vontade de Deus, porque é Ele somente que nos diz como seremos uma bênção. Como Paulo disse aos despenseiros dos mistérios de Deus: Não ultrapasseis o que está escrito (1 Cor. 4:2,6). Pois como seríamos uma bênção sem isto? As nossas palavras seriam vazias se não fossem alimentadas com a graça do Senhor. E a minha alma diz: Amém, Senhor, quero ser um vaso de bênção!

Revendo os quatro passos na consagração dos sacerdotes percebemos que são como quatro classes da escola primária para os cooperadores escolhidos por Deus (1 Cor. 3:9a): purificação, dedicação, unção e meditação. Pergunte a si mesmo: Em que classe estou? Sempre estou repetindo o primeiro ano? Será que não consigo levantar os dons diante do Senhor, ou não quero soltá-los para serem colocados no altar? Almejo receber a unção do Espírito Santo, mas não quero o sangue purificador? Estou relaxando na minha alimentação diária com a Palavra de Deus? Ainda estou surpreso que não sou uma bênção? Sim, Senhor, quero ser um vaso de bênção. E Deus o fará (Lev. 9:23,24). Aqui e agora, no tempo e no lugar em que vivemos. Quem não quer ser uma bênção aqui e agora, não o será em nenhum tempo e nenhum lugar. Sim, Senhor, aqui e agora.84


+ Faze me vaso de bênção, Senhor,/ vaso que leve a mensagem de amor.

+ Eis me submisso, ao teu serviço/ eu me consagro, bendito Senhor!

(Hinário Evangélico 180; At. 20:35).
REI
Deus nos escolheu para sermos profetas, sacerdotes e reis. Com este último ofício estamos chegando perto do plano original do nosso Criador: o Rei Soberano escolheu a nós, Adão e Eva e seus descendentes, de todas as suas criaturas, para sermos vice-reis e rainhas, e nos colocou na terra para cultivar e guardá-la (Gen. 2:15). O Rei dos reis nos confiou o mandato sobre o planeta azul. Que honra, que responsabilidade!

Sabemos o que aconteceu, a não ser que rejeitemos a informação que nossos antepassados nos contaram sobre aquela loucura inicial, que sempre consideravam como uma queda (Gen. 3). De fato, somos filhos de Adão e filhas de Eva, honra suficientemente grande para que o mendigo mais miserável possa andar de cabeça erguida, e também vergonha suficientemente grande para fazer vergar os ombros do maior imperador da terra.85 O grande mentiroso havia insistido que para eles seria o maior progresso (Gen. 3:5), mas quanta dor e quanto choro resultaram daquilo, tanto para eles mesmos como para todos nós. Se não quisermos aceitar essa informação primordial, ficaremos titubeando como lagarticha saindo de uma sopa primitiva, sempre nos perguntando: Quem somos nós, de onde viemos, para onde vamos? Se fosse assim, a filosofia mais sensata seria o nihilismo mesmo, que não tem normas a não ser a glorificação do bruto poder. Mas lá no fundo do nosso ser há uma lembrança indelével que nem sempre era assim, e que existem parámetros melhores para nos orientar e que um dia tudo será melhor (Rom. 2:15; At. 3:20).86


a) Base
Para nos chamar de volta, Deus enviou seu Filho (como nosso Profeta-Mór, nosso Sumo-Sacerdote e nosso Eterno Rei) e o Espírito Santo para trabalhar em nossos corações. É que Ele quer o homem, seu vice-rei, de volta cooperando no reino de Deus.87 Assim parece que os ofícios de profeta e sacerdote são muletas majestosas para colocar o rei caido em pé novamente. E na medida que reconhecemos Deus como nosso supremo Rei, seremos vice-reis melhores.

Reconhecer a Deus como nosso rei em tudo. Com muita razão Abraham Kuyper disse: Não há um centímetro quadrado sobre o qual o Cristo não diz: É meu!88 Reconhecer a soberania de Deus é o começo para entrar nos eixos de novo. Ele carrega a coroa suprema, e nós, coroas menores, derivadas. Inicialmente havia somente um vice-rei na terra, Adão, o chefe da família, que era no mesmo tempo o rei sobre toda a tribo humana. Na medida que a vida ficou mais complexa, houve desdobramento de responsabilidades. O núcleo continuou sendo a família e os ataques contra ela são ataques contra a cellula mater da sociedade. Mas além da família dá para distinguir muitas áreas. As mais básicas são a igreja, a sociedade e o estado. Em cada setor há um vice-rei. Na família são os pais, na igreja é o conselho, na sociedade é o patrão e no estado é o governo.

Claro, por outro lado há sempre ainda o diabo que continua estragando a obra de Deus. Como Lutero disse, ele é o macaco de Deus, e tenta imitar tudo. Ele não muda as estruturas necessariamente, mas injeta seu veneno dentro dessas estruturas. Deus, porém, não retirou a sua lei, e na medida que obedeçemos essa lei do Senhor seremos felizes.



Há uma escala que indica a influência da lei do Senhor na vida. Quanto mais os vice-reis obedecem ao Senhor, naquela medida haverá mais felicidade. O rei Davi nos dá um exemplo que o caráter do vice-rei sempre devía ser pastoral. E este pastor-rei sabia que obedecer a lei do supremo Rei é o segredo da felicidade: Bem-aventurados ... os que andam na lei do Senhor (Sal. 119:1). Os pais obedecendo ao Senhor transformam o seu lar um pouco num paraíso, mas quando vão contra a vontade dEle vira um inferno. E a igreja, quando os lideres se afastam de Deus, ela se torna quase uma igreja do anti-cristo.89 No emprego e no estado é a mesma coisa. E, no mundo em geral, a conscientização de como o homem pode ser tirano sobre a própria natureza pede uma ecologia sadia.90 Negar esta raiz do universo em Deus Rei, Criador e Sustentador, invariavelmente leva a falsos deuses e a muitas lágrimas.91


b) Pessoal
O ponto de partida da nossa vida é que Deus nos criou com um alvo. A primeira pergunta do Catecismo de Westminster indaga por este alvo da nossa vida. E a resposta é: O alvo supremo do homem é glorificar a Deus. Como podemos fazer isto? Só cantando? Nem sempre cantando, mas tudo o que se faz, fala e pensa deve ser orientado pela vontade de Deus. Aprender a obediência é coisa preciosa. A oração infantil antes das refeições bem podia ser: Senhor, abençoe esta comida, e ensina me a fazer a Tua vontade. Amém.92 Não precisamos matar a nossa vontade, mas precisamos aprender querer o que Deus quer (Sal. 40:8). A vontade de Deus foi resumido pelo Senhor Jesus nas palavras conhecidas: Amarás o Senhor teu Deus ... Amarás o teu próximo ... (Mat. 22:37-40). É a mesma vontade divina já embutida no Paraiso, promulgada no monte Sinai e recapitulado pelo apóstolo Paulo: O amor é o cumprimento da lei (Rom.13:10). O Espírito Santo quer cumprir esta lei na vida dos crentes (Rom. 8:4). Ele mora no centro da sua vida, no coração dele, que é como o templo para o Senhor (1 Cor. 6:19,20). Deus quer encher esse templo, e fomos escolhidos para servir como diáconos no próprio templo do Senhor conforme as normas do Senhor, o supremo legislador!

A lei do Senhor é a bússula nas encruzilhadas da vida. Quem não gosta da lei de certo está se lembrando unicamente que ela condena o pecador (Rom. 3:20). Mas o começo dos Dez Mandamentos reza: Eu sou o Senhor teu Deus que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão (Ex. 20:2). Ele nos libertou do poder do diabo, e agora nos orienta como viver uma vida nova (Ef. 5:8). Durante a segunda guerra mundial havia muitos presos políticos nos porões nazistas. Quando alguém era liberto pela resistência, ele podia ser orientado como fugir a Portugal e recebia muitas instruções específicas. Eram orientações para não cair de novo nas garras do inimigo. Seria loucura se o ex-preso dissesse: Que chato, na prisão eu não podia fazer isso e aquilo, e agora vocês vêm me amolar com outras proibições. Ao contrário, ele ficaria até grato pelas indicações para uma vida em liberdade. Assim, depois do Senhor nos libertar das garras do maligno, Ele nos dá instruções para não ser presos novamente. É que a lei tem duas funções: uma é mostrar nos os nossos pecados para que fujamos ao Salvador (Gal. 3:24), outra para nos orientar na estrada da vida nova, pois a lei do Senhor é norma para a nossa gratidão (Rom. 8:4). Tudo a fim de que sejamos cada vez mais renovados segundo a imagem de Deus até que, depois desta vida, alcancemos o objetivo, a saber: a perfeição.93

Sabemos, então, que os mandamentos do Senhor são orientações gerais para que andemos como justos nesta peregrinação.94Não tentemos achar orientações específicas por horóscopo ou leitura de mão, pêndulo ou consulta a mediuns, etc. É uma contaminação espírita que Deus condena (Deut. 18:10-12; Is. 8:19,20). Se já fêz, confesse-o para se livrar deste laço do adversário (2 Cor. 7:1; 1 Jo. 1:9). Por outro lado, precisamos de ter cuidado em dizer: Foi Deus que me mandou fazer isto ou aquilo especificamente. Não nego que o Senhor, às vezes, nos fala assim, mas, em geral, Ele nos orienta pela Escritura, por superiores e pelas circunstâncias (At. 8:26,40). Lembremos-nos que o Espírito Santo nunca guia contrário à Palavra de Deus. Se alguém insistir nisto, quero lembrar-te que o diabo se transforma até em anjo de luz (2 Cor. 11:14) e poderá soprar no ouvido por exemplo que adulterar seria uma experiência enriquecedora. Nada! Vai embora Satanás. Graça não é uma licença para pecar, muito pelo contrário. Por gratidão pela salvação da perdição queremos fazer a vontade do nosso Pai celestial! Por cima, sabemos que é para o nosso próprio bem, pois o segredo da felicidade é obediência, e obedecer é melhor do que o sacrificar (1 Sam 15:22).95 Fazemos, então, a vontade do Senhor com alegria (1 Cor. 10:31; Sal. 119:54).

Com alegria e sem resmungar (Fil. 2:14; Rom. 14:17,18), pois resmungar abre uma fresta para a tentação pelo diabo (Heb. 12:15). O diabo tenta cada um diferentemente, mas sempre procura inverter a vontade de Deus. Para uns dinheiro96 não diz nada, para outros é uma cilada medonha. Então, seja sábio no uso do crédito (1 Tim 6:9). Para uns glória não tem atração, outros voam na sua direção como insetos para a chama de uma vela. Então, não procure louvor dos homens (Jo. 12:43). Para uns sexo não constituiu tentação, outros tem sua mente contaminada com ele. Então, evite filmes pornográficos (1 Cor. 15:33). Qualquer que seja nosso ponto nevrálgico, o maligno mina aquele ponto para nos fazer tropeçar. Por isso, como disse minha mãe, coloque o maior número de soldados no ponto mais fraco. Cada um sabe intimamente o que devia fazer e o que devia evitar para não tombar na cilada do mentiroso. Se não o fizer, o problema é seu, meu amigo. Mas querendo ficar em pé, lembre-se que leitura diária da Palavra de Deus e oração baseada naquela Palavra é essencial para uma vida sadia. Pelas Escrituras o Espírito Santo nos ensina a orar e diz: Ore comigo: Guardo no coração a tua Palavra para não pecar contra Ti. Amém (Sal. 119:11; 51:10).97

Agora, a leitura bíblica diária numa hora silenciosa não significa isolar-se num canto para evitar contato com o mundo; nada de escapismo. Uma refeição com Bíblia e oração prepara nos para um dia cheio de atividades conforme o provérbio francês: Retirar para melhor saltar. Reforçados pelo Senhor, saimos para o trabalho no meio deste mundo turbulento na paz do Senhor para sermos aquilo ao qual Ele nos predestinou, ser uma bênção cada um na sua própria vocação (Mat. 5:16; 1 Cor. 7:20). Sempre, em primeiro lugar ganhando os nossos colegas para o Salvador, mas também, juntos procurando transformar o ambiente do trabalho mais conforme a vontade do Criador (Mat. 5:13). Somos profundamente gratos pelo imenso trabalho de evangelização pelos irmãos pentecostais e o rápido crescimento da Palavra no nosso Brasil e na América Latina, mas o movimento evangélico em geral precisa de um pouco de fertilizante com o ensino reformado que Deus quer nos usar como instrumentos de transformação em todas as áreas da vida integralmente.98 Não dá para explicar, mas, como alguém já disse: prefiro transmitir graça do que explicá-la.99



Desde que o Rei dos reis destinou a nossa vida para sermos uma bênção, o evangelho da graça deve inundar a nossa vida pessoal para poder passar esta graça para outros e as nossas igrejas sejam mais comunidades da graça. Não deixe que Satanás roube a graça da sua vida! Obedeça a Deus e diga não ao perturbador. Diga não ao mau exemplo, pois não seguirás a multidão para fazeres mal (Ex. 23:2).

Diga não à sua irritação e não fique longe do Senhor por causa dos outros. Ninguém se beneficia com aquilo, só você fica amargurado. Diga não também ao não-perdoar, quem sabe de um pecado cometido há muito tempo, ou até por alguém que já faleceu. Perdoa para não deixar um quisto de desgraça na sua vida que fica inflamando e infectando seu coração (Heb. 12:15; Mc. 11:25). É podridão dos ossos, igual a inveja (Prov. 14:30). Quando eu era pequeno, nossos vizinhos brigaram como gato e cachorro; e papai falou que era porque de noite nunca pediam perdão (Ef. 4:26). Perdoe, e, depois, deixe mesmo. Corrie ten Boom disse que perdão é um lago com uma plaquinha: Proibido pescar! Jogado lá dentro, não se recupera jamais (Miq. 7:19).

Mas, quando você anda com Deus, e apesar disto aparentemente tudo está saindo errado e nada dá certo? Quando você está desanimado e não percebe a mão de Deus guiando você? Nas Igrejas Reformadas é costume ler uma forma antes da Santa Ceia. Diz que o Senhor Jesus bradou: Meu Deus, porque me abandonaste para que nós nunca fôssemos abandonados por Deus! E você se lembra talvez da poesia famosa pela D. Margaret Powers? Num sonho, ela viu na praia o trilho da sua vida andada com Deus, sempre as pegadas dEle ao lado dela. Mas durante um período muito difícil da sua vida percebeu que havia um par de pegadas somente. Perguntou: Senhor, Tu me deixaste? O Senhor respondeu: Minha filha, Eu te amo e nunca te deixaria. Durante seus dias de tentação e sofrimento, quando você observou somente um par de pegadas na areia, foi então que Eu carregava você.100 De fato, muitas vezes temos de reconhecer com Jacó: Deus está neste lugar e eu não sabia (Gen. 28:16).

Às vezes, o tentador cochicha: Vale a pena ser firme até o fim? Porque você não faz compromissos? Diga novamente: Vai embora, Satanás, porque está escrito que temos de obedecer a Deus mais do que aos homens (At. 5:29). Lembre-se do que o crente General MacArthur falou depois da segunda guerra mundial: Anos enrugam sua pele, mas renunciar seus ideais enruga sua alma. Quando a pressão se aliviar um pouco, você conseguirá lembrar-se que existem até três motivos fortes para sustentar a barra. Em primeiro lugar para que o nome do Senhor não seja blasfemado por minha fraqueza (1 Tim. 6:1). Em segundo lugar para não atrapalhar os outros peregrinos (Sal 69:6). E, em terceiro lugar, que privilégio, para que eu receba a coroa, não aqui, mas na glória, a fim de colocá-la aos pés do Senhor (Ap. 4:10). Daí entenderemos mais ainda porque o pastor Jonathan Edwards observou: Graça é somente glória iniciada, e glória é somente graça aperfeiçoada.101 Foi por causa disto que Keith Green cantou: Ajuda-me a não procurar uma coroa, porque minha recompensa é dar glória a Ti!102

E quando finalmente o inquietador incomoda você sobre o fim da sua vida? Deixe o assunto na mão do Doador da vida, e diga em voz alta: Nas tuas mãos estão os meus dias (Sal. 31:15). Também, deixe seus queridos descansar na paz do Senhor e nem que estejam em coma, cante para eles da maravilhosa graça.103 E, no fim, apesar de nós mesmos e apesar do acusador, o alvo de Deus será alcançado: Transformados na sua própria imagem! (Rom. 8:29; 2 Cor 3:18).

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