A música na educaçÃo infantil e sua contribuiçÃo para o desenvolvimento infantil



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Nívea Dias Bastos




A MÚSICA NA EDUCAÇÃO INFANTIL E SUA CONTRIBUIÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO INFANTIL

Rio de Janeiro/ RJ

2013

N


ívea Dias Bastos

A MÚSICA NA EDUCAÇÃO INFANTIL E SUA CONTRIBUIÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO INFANTIL

Monografia apresentada junto ao curso de Pedagogia da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), como requisito parcial para a conclusão do curso de graduação em Pedagogia.


Orientadora: Profa. Dra. Adrianne Ogêda Guedes

Rio de Janeiro/ RJ

2013

N


ívea Dias Bastos


A MÚSICA NA EDUCAÇÃO INFANTIL E SUA CONTRIBUIÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO INFANTIL

Monografia apresentada junto ao curso de Pedagogia da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), como requisito parcial para a conclusão do curso de graduação em Pedagogia.


COMISSÃO EXAMINADORA


Profa. Dra. Adrianne Ogêda Guedes

(Orientadora)

Prof. Dr. Marcio da Costa Berbat

Rio de Janeiro, de agosto de 2013.

Dedicatória

Dedico este trabalho aos meus pais, João Batista R. Bastos, Maria José Dias Bastos e a todos que me deram apoio durante todo esse tempo em que ele foi executado.


A

gradecimentos

Este é o momento de agradecer à minha orientadora, Profa. Dra. Adrianne Ogêda Guedes, pela disposição em me ajudar durante este trabalho. Aos meus irmão e amigos, pelo apoio e contribuições de sempre. E, em especial, aos meus pais pelo amor incondicional que sempre recebi.

B


ASTOS, Nívea Dias. A música na Educação Infantil e sua contribuição para o desenvolvimento infantil. 2013, 49 fls. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Pedagogia). Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), 2013.


RESUMO

O presente trabalho aborda sobre o trabalho com a música na Educação Infantil, considerando a música como produção artística e cultural e que como linguagem que permite a criança expressar-se e comunicar-se através da mesma e de diferentes formas: gesticulando, cantando ou brincando com a sonoridade de objetos e animais. Dando atenção, também, como a música contribui para o desenvolvimento infantil, principalmente nas esferas cognitiva, psicomotora e sócio afetiva, uma vez que um dos objetivos da Educação Infantil é o desenvolvimento integral da criança a partir de atividades lúdicas. E a música, nesta perspectiva, se apresenta como atividade lúdica através de brincadeiras cantadas e músicas folclóricas, que contribuem para o desenvolvimento integral da criança e para promoção e apropriação da cultura pela mesma. Esta monografia foi desenvolvida a partir de pesquisa bibliográfica, onde foram analisados documentos oficiais e publicações de autores que trabalham com o tema de musicalização.



Palavras - chaves: Música; Educação Infantil; Processo de musicalização

S

UMÁRIO



Introdução 8



  1. Compreendendo a Educação Infantil 11

1.1 - Educação Infantil e a educação estética 12

1.2 – Arte e Educação: O uso das múltiplas linguagens na Educação Infantil 15




  1. A presença da música na Educação Infantil 20

    1. – Música e Cultura 22

    2. – Jogos e brincadeiras cantadas 26

    3. – A criança e a música 29

    4. – O processo de musicalização na Educação Infantil 33



  1. A contribuição da música para o desenvolvimento infantil 36

    1. – A música e o desenvolvimento cognitivo 36

    2. – A música e o desenvolvimento psicomotor 38

    3. – A música e o desenvolvimento sócio afetivo 41


Considerações Finais 44
Referências 46

Introdução

Este trabalho foi idealizado com o objetivo de entender o trabalho com a música a sala de aula da Educação Infantil e como a mesma contribui para o desenvolvimento das crianças. Por esta perspectiva, este trabalho tem objetivo de valorizar e explorar a música como produção cultural e linguagem.

Para desenvolvimento deste trabalho foi utilizada como metodologia de investigação a pesquisa bibliográfica a fim de evidenciar o papel da música na Educação Infantil e como a mesma contribui para o desenvolvimento infantil, uma vez, que a música é produto histórico e cultural da sociedade.

Foram analisados documentos oficiais referentes à Educação Infantil e autores que trabalham com musicalização, onde se expõem propostas com o trabalho com a música voltado para as crianças pequenas. Entre os documentos oficiais analisados em busca de uma proposta para o trabalho com a música, o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (RECNEI, 1998) serviu como principal instrumento para o desenvolvimento desta pesquisa, pois oferece a diretriz para o trabalho com a música, e ainda, as diretrizes para o atendimento e o desenvolvimento integral da criança. E ainda, as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (DCN, 2010) a fim de compreender melhor os objetivos da Educação Infantil e a sua estrutura. No referencial teórico referente à área musical, foram selecionados autores como: Brito e Stravacas, que abordam sobre a presença da música no ambiente escolar e como esta vem sendo apropriada pelas crianças, bem como sua importância para a formação das mesmas. Uma vez que a música mexe com o corpo e a mente das crianças, contribuindo também, para o processo de socialização das mesmas.

Segundo o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (1998),

A integração entre os aspectos sensíveis, afetivos, estéticos e cognitivos, assim como a promoção de interação e comunicação social, conferem caráter significativo à linguagem musical. É uma das formas importantes de expressão humana, o que por si só justifica a sua presença no contexto da educação, de um modo geral, e na educação infantil, particularmente. (p.45)


Sob esta perspectiva, este trabalho tem por objetivo apresentar a música como produto histórico-cultural e como linguagem, a qual é usada como forma de comunicação e expressão de sentimentos a idéias, além de se tornar um instrumento pedagógico que permite às crianças construírem conhecimentos acerca da mesma. Pois ela é carregada de cultura e de referencias sociais, sobre formas de costumes, crenças ou períodos históricos (como a ditadura e o tropicalismo, por exemplo), ou seja, traz em suas melodias as marcas da sociedade. Que são representadas, também, em suas brincadeiras, nos jogos, brincadeiras de roda ou nas onomatopéias presentes em suas brincadeiras de faz de conta.

É importante destacar que esta dissertação propõe o trabalho com a música na escola de Educação Infantil não com o objetivo de formar musicistas, mas de tornar as crianças sensíveis à música como produto cultural e valorização da mesma. Enxergando a música como linguagem a qual permite à criança se desenvolver integralmente, pois ela estimula de forma lúdica a motricidade, a expansão do vocabulário e a socialização, este último através de brincadeiras musicais coletivas como as cantigas de roda.

Afinal, a música constitui-se como produção artística e que como linguagem que permite a criança expressar-se e comunicar-se de forma natural e espontânea, e que integra os aspectos sensíveis, estéticos e cognitivos permitindo a criança relacionar-se com o mundo.

Desta forma, a presente monografia compõe-se de três capítulos. O primeiro intitulado “Compreendendo a Educação Infantil”, traçando os objetivos da Educação Infantil para o desenvolvimento integral da criança tendo como eixos norteados os princípios estéticos da sensibilidade, da criatividade, da ludicidade e da diversidade de manifestações artísticas e culturais em sua proposta pedagógica. De modo, a estimular a interação das crianças e que o trabalho seja desenvolvido de forma lúdica, possibilitando as mesmas construir conhecimento através de experiências sensoriais e promovendo o contato com as diferentes formas de linguagem, como a música.

Onde a promoção de experiências sensoriais se dará pro meio da educação estética, cujo objetivo é desenvolver a sensibilidade da criança por meio de seus órgãos sensoriais, promovendo as crianças pequenas suas primeiras aprendizagens, através de uma experimentação lúdica do mundo e que será compartilhado através das linguagens. Quanto ao uso das diferentes linguagens na Educação Infantil, este tem por objetivo possibilitar as crianças diversas formas de comunicação e expressão, sejam por meio, da música, de desenhos, ou corporalmente. Para o desenvolvimento deste capítulo foi-se trabalhado com documentos oficiais do governo federal referentes à Educação Infantil e alguns autores que trabalham com os temas de linguagens, artes, estética e a própria Educação Infantil como: as DCNs (2010), os RCNEI (1998), a LDB (1996), Barbosa (2009), Duarte Júnior (2000), Farina (2007) e outros.

O segundo capítulo, “A presença da música na Educação Infantil”, se refere ao uso da música na sala de aula da Educação Infantil e como ela é incorporada à rotina escolar, apresentando a música como produção cultural e que pode ser representada de diferentes formas, seja por cantigas de ninar, as onomatopéias nas brincadeiras de faz de conta, pelas músicas folclóricas de cada região brasileira ou, em especial, os jogos e as brincadeiras cantadas como as cantigas de roda promovendo o resgate das mesmas, uma vez, que sua característica de ação coletiva permite a socialização das crianças de forma espontânea. Este capítulo, ainda, aborda a questão de como a criança se apropria da música e se relaciona com ela, apresentando o processo de musicalização como forma de tornar as crianças mais sensíveis à escuta musical e a apropriação da mesma como cultura. Entendendo que pela musicalização estará despertando nas crianças o gosto pela música e favorecendo o desenvolvimento integral da mesma. Desta forma, este capítulo foi desenvolvido dialogando com os seguintes autores: Stravacas (2008), Lima (2007), Cunha (2001), Iazzetta (2001), Souza (2010), Oliveria (2001), Lopes (2005), Araújo (2013), Benedette (2009), Clementin (2007), Brito (2003) e mais uma vez com os Referenciais Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (RCNEI, 1998).

Já no terceiro capítulo, “A contribuição da música no desenvolvimento infantil”, considera a contribuição da música para o desenvolvimento cognitivo, psicomotor e sócio afetivo, uma vez, que o objetivo da Educação Infantil é o desenvolvimento integral da criança até os seis anos de idade, em seus aspectos físicos, psicológicos, intelectual e social. (LDB, 1996, art.29) Nessa perspectiva, este capítulo apresenta como a música influencia o desenvolvimento das áreas citadas, porque cantando a criança trabalha a sua concentração, a memória, o corpo e a sua coordenação motora, além de contribuir para a expansão do vocabulário e sua integração social a partir de brincadeiras cantadas de características coletivas. Para a fundamentação deste capítulo foram usadas obras de autores como Stravacas (2008), Pinto (2009), Ferreira e Rubio (2012), Wazlavicz e Camargo (2006) e outros.

Logo, este trabalho foi idealizado com o objetivo de entender o verdadeiro trabalho com a música na sala de aula da Educação Infantil e como a mesma contribui para o desenvolvimento das crianças. Desta forma, este trabalho tem por objetivo valorizar e explorar a música na durante as atividades e enxergar como a mesma contribui para o desenvolvimento infantil.


Cap. 1 - Compreendendo a Educação Infantil
Há um tempo que vem sido reconhecida a importância da Educação Infantil para o desenvolvimento infantil, em especial, devido as suas contribuições para as áreas motoras, afetivas e para a socialização das crianças.

A Educação Básica do sistema educacional brasileiro, atualmente, é composta por três blocos de formação: a Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio, de trajetória obrigatória compreendida dos quatro aos 17 anos de idade.

Embora o direito a educação seja assegurado constitucionalmente, educação, direito de todos e dever do Estado e da família (CF, 1988, art. 205) ela ainda não foi universalizada e o acesso a Educação Infantil apresenta dificuldades ainda maiores, devido ao seu déficit na oferta de vagas nas redes públicas de ensino. Mesmo apresentando uma oferta maior de vagas e um vasto surgimento de escolas de Educação Infantil de esfera privada, mais de um milhão crianças de 4 a 5 anos de idade ainda se encontram fora da escola.1

A Lei de Diretrizes e Base para Educação, Lei 9.394/96, define em seu art. 29 a Educação Infantil como:

primeira etapa da educação básica, tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade, em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, complementando a ação da família e da comunidade.

Onde todo o trabalho pedagógico deverá ser avaliado seja por observação, registros ou documentações específicas, porém, sem o objetivo de promoção, mesmo para o acesso ao ensino fundamental. (art. 31, LDB/ 96)

As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (2010) vão um pouco mais além ao definir a Educação Infantil:
“Primeira etapa da educação básica, oferecida em creches e pré-escolas, às quais se caracterizam como espaços institucionais não domésticos que constituem estabelecimentos educacionais públicos ou privados que educam e cuidam de crianças de 0 a 5 anos de idade no período diurno, em jornada integral ou parcial, regulados e supervisionados por órgão competente do sistema de ensino e submetidos a controle social.” (BRASIL, 2010, p. 12)
As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (2010), definem ainda, os princípios éticos, políticos e estéticos como norteadores para o trabalho com as crianças. E as escolas de Educação Infantil deverão garantir em sua proposta pedagógica sua função sociopolítica e pedagógica, possibilitando as crianças vivências com outras crianças e adultos, que através dos processos de socialização e interação contribuirão para a ampliação do conhecimento e construção da sua subjetividade em atividades lúdicas que visam desenvolver as áreas motora, afetiva, cognitiva, lingüística, ética, estética e sociocultural.

Sua proposta curricular terá como eixos norteadores as interações e a brincadeira, que deverão garantir experiências que promovam o conhecimento através de experiências sensoriais e que ofereçam condições para as crianças entrarem em contato com as diferentes formas de linguagens, permitindo as mesmas expressarem-se de diferentes formas: gestual, verbal, plástica, dramática e musical. Incentivando a curiosidade, o questionamento e atividades coletivas. Promovendo o relacionamento e a interação das crianças com diversificadas manifestações de música, artes plásticas e gráficas, cinema, fotografia, dança, teatro, poesia e literatura. (BRASIL, 2010, p. 26)


1.1 - A Educação Infantil e a educação estética
A resolução CEB (Câmera de Educação Básica) n. 1/ 99 que institui as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil, define os princípios estéticos da sensibilidade, da criatividade, da ludicidade e da diversidade de manifestações artísticas e culturais, como um dos fundamentos norteadores da proposta pedagógica da Educação Infantil. Apresentados através das linguagens oral, gráfica, cênica, plástica e musical. Ficando claro, que os objetivos de aprendizagem da Educação Infantil são as práticas sociais e a aquisição das linguagens. Porém, o conceito de estética presente nas DCNs (2010) requer uma maior compreensão.

A estética, é o ramo da filosofia que estuda o belo e as emoções despertadas no homem pelo mesmo. Segundo Matos (s/a, p.2), a palavra estética vem da palavra grega aísthesys, que significa sentido, sensibilidade. Portanto, estética é a filosofia da sensibilidade e não da beleza.

Deste modo, no que se refere à Educação Infantil, educar para a estética é educar pelos sentidos, de modo, a aprimorar e refinar os mesmos.

Segundo Castilho e Fernandes (2007), por meio da educação estética se pode despertar a sensibilidade, perceber e organizar os estímulos do exterior e as funções globais do corpo. (p.1) Ou seja, a educação estética visa à formação integral da criança em seus aspectos sensíveis e cognitivos, proporcionando uma aprendizagem mais ampla e significativa, que se pode ser alcançada por meio do trabalho com arte, de modo a desenvolver as potencialidades da criança e sua capacidade de ouvir, observar e sentir o que está a sua volta. Promover a experiência estética é permitir à criança aguçar a sua percepção da cultura a qual está inserida, e ainda, oferecer as mesmas o contato com diversas expressões culturais.

A educação estética oportuniza uma experiência que não é uma simples manifestação da sensibilidade desconectada da sociedade, mas que sintetiza um conjunto de relações significativas e universais; propicia a oportunidade de interpretar os elementos das linguagens artísticas e preparar a criança para romper as fronteiras da sua vida cotidiana. É fundamental para a formação da criança, busca a interação com a vasta gama de textos e imagens, sons e movimentos, tanto no espaço da escola como fora da escola, de maneira a possibilitar a apreensão e compreensão da cultura na sua totalidade e a socialização do saber em arte. Esse processo de revelar e construir nosso olhar, audição e movimentos, de apontar novos significados e sentidos. (CASTILHO e FERNANDES, p. 11, 2007)
O educador ao proporcionar um contato com as diferentes produções culturais e suas diferentes representações permitirá a criança compreende-las e dialogar com elas potencializando o seu desenvolvimento e a sua aprendizagem. Pois a estética ocupa-se com a experiência sensível e a qualidade da percepção das diferentes linguagens expressivas, propondo ainda, uma formação mais ampla e sensível. Explorar a estética na Educação Infantil, portanto, é permitir a criança desenvolver a sua sensibilidade, tornando-a capaz de sentir a si e o mundo de maneira integrada, a partir da promoção de diversas experiências sensíveis à criança por meio da arte e das diversas linguagens. Pois, o trabalho com a estética na Educação Infantil se dá por meio da arte e da exploração das diversas linguagens a qual a arte se expressa.

Para Santini e Vasconcellos (2011, p.548), essas aproximações estéticas podem ocorrer de modo mais natural na Educação Infantil se as abordagens transcorrem, inicialmente de forma lúdica. Afinal, é brincando que a criança desenvolve a capacidade de simbolizar e então, representar o mundo a partir de imitações, por jogos simbólicos, por desenhos e pelas as outras várias linguagens. Pois, brincando, através da ação lúdica, que as crianças reproduzem as regras e comportamentos que conhecem como também, expressam suas sensações e sentimentos. Conforme afirma Barbosa (2009, p.31) citado por Santini e Vasconcellos (2011, p.548) a compreensão do mundo da criança pequena se faz por meio de relações que estabelece com as pessoas, os objetos, as situações que vivencia pelo uso de diferentes linguagens expressivas.

Trabalhar com a estética é contribuir para o desenvolvimento da sensibilidade, pois a criança entra em contato com o mundo através dos sentidos, pelo tato, pelo olfato, o paladar, a visão e a audição. Ou seja, as primeiras significações de mundo se dão pelo corpo e sua sensibilidade, ou melhor, por aquilo que foi captado sensivelmente.

Para Duarte Júnior (2000, p.169) movemo-nos entre as qualidades do mundo, constituída de cores, odores, gostos e formas, interpretando-as e delas os valendo para nossas ações. Compreende-se aqui, que as ações cotidianas se dão a partir das impressões sensoriais proporcionadas pelo mesmo. Logo, é importante desenvolver a sensibilidade sobre o mesmo. O dicionário de língua portuguesa em uma de suas definições para sensível diz sensível: que recebe facilmente as sensações externas. (FERREIRA, 2010, p. 693) A partir desta definição, pode-se dizer que educar pela estética, no sentido de educar sensivelmente, pelos sentidos, é educar para compreender as impressões sensoriais que se tem a partir das experiências de mundo.

Assim como diz Duarte Júnior (2010, p.192), é preciso despertar e treinar a sensibilidade, a atuação dos sentidos na vida que se vive. Pois o homem se apropria do mundo a partir do que sente sobre o mesmo. Assim como a criança faz na fase sensória motora, a qual passa conhecer o mundo através das suas ações sobre o mesmo, principalmente através das suas ações sensitivas como o tatear, as percepções visuais do ambiente, as percepções auditivas, etc. Ou seja, conhecendo o mundo através dos sentidos, por exemplo: no tato conhecem-se as diferentes texturas, no olfato o aroma, na visão as diferentes cores e pelo paladar os diferentes gostos.

Na Educação Infantil, trabalhando-se com a proposta da educação estética, é preciso promover uma aprendizagem onde a criança explore os seus sentidos e a sua percepção de mundo, pois desta forma, estará estimulando as sensações tidas pelas crianças, desenvolvendo o autoconhecimento, o reconhecimento e compreensão das sensações despertadas, aguçará os sentidos e as diversas formas de expressão por meio das linguagens.

Para Barbosa (2009), uma linguagem implica as ações de construir significado, possibilidade de comunicação, capacidade de expressar-se e produção de um saber. As práticas sociais são composições de linguagens. (p. 83). Ou seja, linguagem aqui se refere ao compartilhamento de sentido e comunicação de significado, pelas ações corporais e relações interpessoais. São ações que permitem as crianças construírem conhecimento através de experiências sensoriais promovidas a partir de uma experimentação lúdica do mundo, essas experiências estéticas permitirão a criança estabelecer novas relações culturais através da interação com outras crianças, adultos e o ambiente.
“hoje, o termo linguagem vem sendo utilizado socialmente para referir diferentes manifestações e expressões culturais, científicas e da vida cotidiana. (...) Neste sentido, as linguagens são saberes da ação: simbólicos, expressivos, científicos, artísticos e tecnológicos que demonstram a capacidade humana para falar, escrever, manipular, expressar e produzir um número ilimitado de pensamentos e experiências” (BARBOSA, 2009, p.84)
O uso das linguagens permite, então, o desenvolvimento da sensibilidade, da criatividade, da imaginação e da expressão, a construção do conhecimento e da subjetividade. Fica claro, que a formação estética, através das linguagens, visa à formação global da criança através de ações lúdicas que promoverão uma visão de mundo mais sensível e o desenvolvimento da autonomia para pensar e agir sobre o mesmo. Afinal a aprendizagem é um processo ativo que está vinculado às experiências, interesses e emoções da criança.
1.2 - Arte e educação: o uso das múltiplas linguagens na educação infantil
Ao pensar na relação arte e educação é preciso compreendê-la para que a apropriação da mesma ofereça oportunidades significativas de experiência estética e de caráter dialógico, ao tantos sujeitos contemplados. (LEITE, 2008, p.35) Ou seja, a educação dos sentidos por meio da arte, permite a ampliação do conhecimento, uma vez que a mesma, é uma fonte de conhecimento. Por meio dela e das diferentes linguagens dar-se a criança a liberdade de expressar o que pensa, sente e age sobre o mundo, num movimento constante de troca. Já que as produções artísticas permitem um diálogo aberto e amplo sobre as experiências estéticas vividas, uma vez que são únicas e cheias de significado para aquele que a contempla.

O próprio conceito de arte deixa clara a sua relação direta com as experiências estéticas e como ambas se influenciam e se completam.

O termo arte vem do latim e significa técnica ou habilidade para criação de valores estéticos, sintetizando emoções, sentimentos e cultura, e se apresenta de formas variadas (música, pinturas, dança, teatro, literatura). (Conceito de arte (1), Revista Literária, 2013)
E ainda, pode-se definir arte por,

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