A música na educaçÃo infantil e sua contribuiçÃo para o desenvolvimento infantil



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atividade humana  ligada a manifestações de ordem estética (beleza, equilíbrio, harmonia, revolta), feita por artistas a partir de percepção, emoções e ideias, com o objetivo de estimular esse interesse de consciência em um ou mais espectadores, e cada obra de arte possui um significado único e diferente. (...) A arte apresenta-se através de diversas formas como, a plástica, música, escultura, cinema, teatro, dança, arquitetura etc. (Conceito de arte (2), Dicionário on-line).
Ambos os conceitos apresentados falam sobre valores estéticos e como a arte se apresenta através das produções artísticas como a música, que é uma produção cultural representada por uma diferente forma de linguagem. Cabe então, a escola, compreender esse processo de produção cultural, pois está diretamente ligada a produção e promoção cultural, assim como a manutenção e reprodução da mesma. Atualmente, a formação do sujeito contemporâneo está vinculada com a arte, o corpo e a subjetividade do mesmo, uma vez que as relações de contato sensorial e as emoções são sensações que surgem e circulam entre os corpos afetados de diferentes formas (FARINA, 2008, p.97).

Ao pensar no processo de formação, tem-se que compreender que a formação do sujeito não se dá apenas no ambiente escolar, mas tudo aquilo que vivemos e aprendemos cotidianamente tem vital importância, pois nesses processos, gera-se um conjunto de maneiras não só de fazer, mas de entender as coisas em nossa vida cotidiana. (FARINA, 2008, p.99) Desta forma, pode-se compreender que a formação estética do sujeito se dá por meio das imagens existentes em seu cotidiano sejam elas visuais, metafóricas, musicas, etc., já que ao agir sobre elas configura-se a experiência estética, que se constitui do conjunto de experiências sensíveis e conscientes. Essas imagens do cotidiano que possibilitam uma tomada de consciência e produz nova sensibilidade e maneira de pensar, atuam também sobre seus princípios, podendo orientar ética e politicamente seu comportamento. Então, essas imagens que compõe o cotidiano e interferem na realidade constituem os modos de ver, escutar e tocar o que nos afeta sensitiva e intelectualmente, e produzir conhecimento com eles. (FARINA, 2008, p.102) Pela percepção dessas imagens dá-se sentido as relações que se tem com o cotidiano, uma vez que perceber é uma ação sensível que se concretizam fisicamente em gestos, olhares e no perfil do sujeito. Numa ação de interpretação com do meio na relação com seu próprio corpo, constituindo consciência da realidade. Para Farina (2008, p. 103), as práticas estéticas interferem em nossa percepção, em nosso corpo e em nossas formas de entender o que nos acontecem.

No ambiente escolar é importante promover coerência entre arte e os projetos pedagógicos devido à complexidade das propostas estéticas a elas intrínsecas e não atuar sobre com o objetivo de convertê-las a uma dimensão institucional para alcançar propósitos de instrução ou regulação de nossas experiências. Mas, favorecendo a produção de novas formas de sentir e entender as experiências que o sujeito vive no corpo, permitindo a produção de novas imagens e novos processos de formação. Sem mobilizar formas de comportamento, mas como marco de ação e pensamento que partisse da prática, intervindo e participando na realidade inspiradas em práticas estéticas.

A arte é uma forma de comunicação e expressão apresentada por meio da música, literatura, das artes plásticas e outras representações. Ou seja, ela pode ser expressa por diferentes linguagens. Porém, na comunicação artística o importante é a forma como a comunicação está sendo feita, esta sendo compreendida como tudo que na comunicação você percebe através dos sentidos. (MENEZES e RAMOS, 2005, p. 18) Na música, por exemplo, é tudo o que se ouvem, os sons, o ritmo e o silêncio em pausas. Logo, é preciso pensar a arte como processo constitutivo do processo educativo, pois a atividade artística é propulsora da expressão, de desenvolvimento da criatividade e do espírito crítico. (MACHADO, p.4)

É preciso entender que o objetivo da Educação Infantil é atender às necessidades biopsicossociais da criança, de modo a contribuir para a formação de seres criativos, críticos e participantes da vida social.

Para Machado,

Se considerarmos que o desenvolvimento de uma criança se faz de forma global, através da ação, do movimento, da experiência e da criatividade, concluiremos que na educação pré-escolar o aluno precisa movimentar-se, usar seus sentidos, pensar e interagir com outras crianças. (p.4)
Percebe-se aqui a necessidade do profissional da Educação Infantil possibilitar uma atmosfera onde as crianças poderão enriquecer as experiências com o mundo e a desenvolver a sua capacidade de expressão, a criatividade, e ainda, conhecerem o próprio corpo e distinguirem as diferentes formas, cores, o ritmo e o espaço. Pois é preciso estar atento às emoções e sentimentos da criança, e proporcionar o aprimoramento de sua percepção e deixá-la expressar-se espontaneamente.

Trabalhar com a arte na Educação Infantil, é possibilitar às crianças explorarem e utilizar livremente com os diversos materiais disponíveis e trabalhar com as diferentes técnicas. Estimulando às crianças a explorarem as diversas cores, formas, texturas, sons, ritmos e o movimento. Ou seja, pelo trabalho de expressão artística permite-se o desenvolvimento da percepção auditiva, o conhecimento do corpo, a organização espacial, a coordenação motora, a concentração motora, a concentração da atenção, o controle respiratório, o ritmo, a criatividade, a expressão corporal, etc. (MACHADO, p.9)

A ludicidade, a autonomia, as múltiplas linguagens e a autoria são eixos fundamentais para se trabalhar com crianças pequenas, numa perspectiva de formação artístico-cultural mais plural, porém, é preciso que os educadores entrem em contato, também, com as múltiplas linguagens, uma vez que se compreende o mundo através das mesmas, pois estas são carregadas de contexto, sentido e significação.

Quanto ao uso das linguagens na Educação Infantil remete-se aos aspectos característicos da linguagem infantil: imaginação, ludicidade, simbolismo e representação. Onde toda e qualquer forma de linguagem possibilita a criança diversas formas de comunicação e expressão. Mas, para isso, é preciso dar a mesma acesso a especificidades de cada linguagem para que possa desfrutar de todas reconhecendo as particularidades de cada uma delas.

O trabalho com as múltiplas linguagens na Educação Infantil, ocupa lugar fundamental, pois elas cumprem o papel de mediador nas relações sociais existentes no espaço da Educação Infantil. Ou seja, o uso das linguagens possibilita as crianças interagirem com a sua cultura, a natureza e entre elas mesmas.

Entende-se por linguagem:

A capacidade humana de compartilhar significados que nos constitui e possibilita elaborar e partilhar a vida com os outros, apropriando-se da cultura, produzindo-a e transformando-a. Estrutura-se por meio de múltiplas formas: a linguagem oral, gestual, plástica, visual, o brincar, a linguagem musical, escrita, virtual, etc. (FARIA, 2007, p. 62)
Na Educação Infantil, deve-se entender que a partir das várias formas de linguagem as crianças compartilham significados em suas relações cotidianas e ainda apropriam-se do rico acervo cultural. E compreender que as diferentes linguagens são diferentes formas de comunicação e por elas a criança e os adultos interagem com o mundo traçando significados ao mesmo, a partir das relações estabelecidas.

É na fase do 0 a 6 anos, que a criança começa o seu desenvolvimento expressivo e comunicativo, utilizando de diferentes linguagens. Diante disso, o trabalho na Educação Infantil deve proporcionar às crianças o contato com as diferentes representações da linguagem, pois desta forma, estarão ampliando as suas capacidades de expressão e comunicação.

Ao familiarizar-se com os mais variados tipos de linguagem, representados pela literatura, teatro, televisão, música, ilustração, dentre outras, possibilitamos a criança expressar-se de diferentes formas, assim como, apropriarem-se de sua cultura nas mais diferentes representações. Logo, o trabalho com as múltiplas linguagens na Educação Infantil contribui para analise das diferentes formas de expressão, afinal, as linguagens são carregadas de intenções, que estão diretamente ligadas à sociedade a que se vincula.

A Educação Infantil tem por objetivo a formação da criança em sua totalidade, desta forma, em relação à apropriação das múltiplas linguagens, é fundamental que o professor medeie à relação da criança com os diferentes tipos de linguagem, entendendo que cada tipo oferece características específicas. (VITÓRIA, 2003, p.7) Nesta perspectiva, é importante que o professor disponibilize os mais variados recursos para que a criança se familiarize com os variados tipos de linguagem, para que assim, possa expressar suas idéias e sentimentos. Estimulando assim, o desenvolvimento e o reconhecimento das múltiplas linguagens, seja ela, artística, corporal, musical, oral, escritas ou outras, como forma variada de comunicação com o mundo.

Para Vitória (2003),

Trata-se, portanto, de oferecer aos alunos diferentes recursos de expressão, explorando cada um deles a partir das especificidades que deles decorrem. Quem sabe, dessa forma, a produção das crianças possam se agregar à produção cultural já existente, iniciando-se, assim, uma interlocução significativa entre o que já existe e o que podemos criar/ressignificar. (p. 8)


O que se pretende é o desenvolvimento das linguagens, de forma que possibilitem meios de se expressar mais abrangentes, possibilitando assim, uma leitura de mundo mais significativa, se relacionado e interferindo no mesmo a fim de produzir conhecimento. Afinal, todo trabalho elaborado e produzido numa sala de aula de educação infantil deverá produzir significado para criança.

Cap. 2 - A presença da música na Educação Infantil

A música é uma arte universal que há milhares de anos os povos utilizam para se comunicar e está presente na vida do ser humano antes mesmo do seu nascimento. O homem é um artista que, no seu processo de criação, elaborou combinações de som e silêncio e as transformou em música. (STRAVACAS, 2008, p. 24)


As escolas do antigo Egito, da Suméria e da Grécia tinham como eixo central o ensino da escrita, da matemática e das artes. E a arte era considerada um componente curricular importante. Segundo Lima (2007, p.21)

Na antiga Grécia, por exemplo, a música era um componente curricular tão importante como à leitura e a literatura, Na Idade Média também se verifica esta presença. Mesmo no século XX, desenho artístico, desenho geométrico, música, canto orfeônico, solfejo faziam parte dos currículos de escolas públicas, inclusiva no Brasil.


Hoje no que se refere à música no contexto da Educação Infantil, ela vem atendendo a vários propósitos: a formação de hábitos, atitudes e comportamentos (representadas pelas músicas que determinam à rotina como lavar as mãos, guardar brinquedos, escovar os dentes, etc.), a memorização de conteúdos (canções para aprender e conhecer as vogais e numerais), a realização de apresentações relativas a datas comemorativas, ou ainda, ao uso de bandinhas onde se visa desenvolver a motricidade, a audição e o ritmo. Porém, trabalhando desta forma, observa-se uma defasagem entre as demais áreas de conhecimento, pois essas atividades, algumas vezes, deixam de dar espaço as atividades de criação e percepção dos sons, logo, as atividades voltadas para a música se transformam em ações de reprodução e imitação de gestos corporais. Desta forma, percebe-se uma apropriação da música com fins de reprodução e não uma linguagem cujo conhecimento se constrói. (RCNEI, 1998, p. 47)

Por esta perspectiva, este trabalho tem por objetivo discorrer como a música é trabalhada na sala de aula de Educação Infantil, sob quais objetivos e de que maneira a música é apresentada às crianças. Discutindo as formas como ela aparece na sala de aula da educação infantil, quais conteúdos musicais são trabalhados, sejam eles a bandinha, expressão corporal, brincadeiras, jogos, objetos sonoros, rodas cantadas, músicas de rotina ou confecção de instrumentos musicais com sucata, formas distintas de oferecer as crianças o contato com música. A música pode ser um instrumento de colaboração para a aprendizagem e para um melhor desenvolvimento da criança, pois nos permite uma integração com outras áreas e mantém um contato estreito e direto com as demais linguagens expressivas (movimento, expressão cênica, artes visuais, etc.). (RCNEI, 1998, p. 49)

A música é uma linguagem expressiva e muitas vezes deixam de se explorar as suas múltiplas possibilidades, sendo, desta forma, trabalhada de forma mecanicista. Um trabalho restringido a decorar letras e a repetir gestos indicados pela professora, logo, é preciso compreender que o trabalho com música deve ser considerado como meio de expressão e conhecimento, dentro de um processo lúdico, que possibilita a percepção, a expressão e a comunicação.

Ouvir música, aprender uma canção, brincar de roda, realizar brinquedos rítmicos, jogos de mãos, etc., são atividades que despertam, estimulam e desenvolvem o gosto pela atividade musical, além de atenderem a necessidades de expressão que passam pela esfera afetiva, estética e cognitiva. Aprender música significa integrar experiências que envolvem a vivência, a percepção e a reflexão, encaminhando-as para níveis cada vez mais elaborados. (RCNEI, 1998, p.48)


Ao se trabalhar com música tem-se que possibilitar um ambiente de descobertas a partir do fazer musical e não apenas cantar musiquinhas nas festividades ou melodias específicas para que determinem à rotina do dia, mas também, compor, improvisar, explorar o seu corpo como instrumento musical, conhecer, manipular, classificar, registrar, identificar, escutar sons e musicas tocar, mover-se no espaço (...) enfim, produzir e pensar música. (CUNHA, 2001, p. 68)

O trabalho com música possibilita construir conhecimento, pois ela é presença constante em nossas vidas e na nossa cultura e nos proporciona transformações, determina condutas e constrói conceitos, servindo a todos como meio de expressar sua sensibilidade, criatividade e transmite valores éticos e estéticos. Pela música transmitimos nossos sentimentos, alegres ou tristes, nossas idéias e sensações. É uma arte que permite ao educando construir conhecimentos e desenvolver seu potencial criativo e crítico na interação que estabelece com o mundo. (STAVRACAS, 2008, p.2)

Na história brasileira, a música como arte, marca períodos e certas manifestações culturais como o tropicalismo, a ditadura e o modernismo, períodos marcados por transformações sociais e culturais.

Nas legislações brasileiras, como os Referenciais Curriculares Nacionais para a Educação Infantil, já garantem e valorizam a presença da música nas salas de aula da educação infantil no processo de ensino-aprendizagem. Afinal, a música, é uma arte que contribui para a formação integral da criança, para Stravracas (2008),

é uma linguagem que permite a criança expressar-se e comunicar-se de forma espontânea e natural, possibilitando-lhe a integração entre aspectos sensíveis, estéticos e cognitivos, atribuindo-lhes significados que permitirão relacionar-se com o mundo e entender-se como parte dele. Nesta relação com o mundo, a criança se desenvolve socialmente à medida que interage, dialoga e aprende a lidar com as diferenças. (p.3)

Logo, podemos compreender que a música é um elemento de formação da criança que permite a comunicação, a interação e o diálogo. É uma atividade que permeia a cultura infantil e que possibilita as crianças experiências ricas e cheias de emoção e criatividade, ações que estimulam o desenvolvimento infantil.



2.1 - Música e Cultura

A música é presença marcante em nossas vidas e se constitui numa das mais ricas e difundidas atividades culturais. Ao se trabalhar com a música como forma de produção cultural é preciso compreender o conceito de cultura e como se produz cultura. O dicionário define cultura como o complexo dos padrões de comportamento, das crenças, das instituições, das manifestações artísticas, intelectuais, etc. (FERREIRA, 2010, p. 213).

Menezes e Ramos (2005) definem cultura como o mundo transformado pelos seres humanos. Nesta perspectiva, entende-se por cultura todas as transformações do homem em suas diferentes formas de agir sobre o mundo, sejam elas materiais ou em formas de conhecimento. Considerando, que toda produção cultural, seja ela material ou não, são carregadas de significados dados pelo homem, pois ela é permeada pelos referenciais sociais, apresentando desta forma, o seu caráter social. Afinal, o que chamamos de cultura são representações sociais de costumes, crenças e tradições, que caracterizam um determinado tempo ou grupo social. É preciso, portanto, desconstruir a cultura como acúmulo de conhecimento, mas como forma de se agir sobre o mundo através da interação e compartilhamento de comportamentos, valores e crenças.

A cultura pode ser entendida como patrimônio da sociedade e que precisa ser preservada e transmitida, pois ela permite tanto a permanência como mudanças. E são pelas transformações no mundo, sejam elas materiais ou nas formas de agir, que a cultura se constitui.

Uma das propostas da Educação Infantil é proporcionar às crianças as mais diversas experiências, pois cada uma vive em grupo social distinto e apresentam diferentes valores e crenças que são trazidas pelas crianças à escola, ou seja, elas vêem munidas de conhecimentos prévios.

E para se proporcionar aprendizagens verdadeiramente significativas para as crianças é preciso levar em conta toda a bagagem cultural da mesma, pois é durante o processo de construção da aprendizagem que as crianças podem estabelecer relações entre novos conteúdos e os conhecimentos prévios (conhecimentos que já possuem) usando para isso recursos de que dispõem. Esse processo possibilitará a elas modificarem seus conhecimentos prévios, matizá-los, ampliá-los ou diferenciá-los em função de novas informações, capacitando-as a realizar novas aprendizagens, tornando-as significativas. (RCNEI, v. 1, 1998, p. 33)

Ao planejar o seu trabalho, o professor, portanto, deverá considerar as experiências sociais de seus alunos, que nas crianças pequenas são expressas através de brincadeiras e pequenas falas, pode-se também, criar situações intencionais nas quais elas sejam capazes de explicitar seus conhecimentos por meio das diversas linguagens a que tem acesso. (RCNEI, v.1, 1998, p.33)

Afinal, é pela socialização que a transmissão e o compartilhamento da cultura acontecem. E a Educação Infantil, um ambiente socializador, permite a apropriação, preservação e a transformação da cultura, pois a cultura é produzida coletivamente de acordo com valores de um determinado tempo e sociedade, portanto, existem várias culturas. E a escola deve proporcionar as crianças entrar em contato com as diferentes manifestações culturais, e ao permitir este contato permitirá as crianças identificarem as diferenças regionais que compõem cada comunidade. E este trabalho pode se dá através da música, trabalhando com canções e danças regionais, pois cada região apresenta diferentes manifestações culturais e pela música pode se visualizar tal fato. A música,

está presente em todas as culturas, nas mais diversas situações: festas e comemorações, rituais religiosos, manifestações cívicas, políticas etc. (...) Nesses contextos, as crianças entram em contato com a cultura musical desde muito cedo e assim começam a aprender suas tradições musicais. (RCNEI, v.3, 1998, p.47)
A linguagem musical permite a criança expressar-se e integra-se socialmente. Ela é produto histórico cultural, que se articula com valores de diferentes povos e épocas, e com a própria contemporaneidade. Ao ser produzida, ela é influenciada diretamente pela organização social e econômica, traduzindo as atitudes e valores culturais de um povo ou nação, carregada de conhecimento e tradição popular, pois toda a nossa produção cultural é influenciada pelo seu contexto social. A música permite se trabalhar as diversas produções culturais com a criança e se apresenta, também, como forma de se compreender e se apropriar da mesma, ou melhor, ela é um produto cultural, que reflete a cultura, pois a produção artística reflete o panorama cultural de certo momento. (IAZZETTA, 2001, p.3)

A música está em todos os lugares, seja na rádio, televisão, nas ruas, em casa etc., por isso, é preciso estar atento como a criança se apropria dela, pois por trás da mesma estão diversas experiências humanas que precisam ser escutadas com atenção para a sua compreensão, Iazzeta (2001, p.25) diz, cada música é produto de uma determinada época, de um determinado conhecimento, de um determinado contexto. Ela como produto cultural contribui na formação da criança e permite a vinculação de informação, transmissão de conhecimento, da história, das tradições, de valores, influência cultural das mais valiosas (Idem, 2001, p.25).

O uso da música no ambiente escolar permite ao aluno apreciar e refletir sobre a produção regional, nacional e internacional das músicas ouvidas por eles considerando o contexto histórico, social e geográfico, observando a sua diversidade. Já que os músicos são agentes historicos-sociais, pois em suas músicas, algumas vezes, nos transmitem questões do seu cotidiano. Assim como a composição de algumas músicas por Chico Buarque, no período da ditadura militar, composições de cunho político, que serviram de sinal de alerta político na situação que se passava o país, várias de suas composições marcaram época e fazem história. O uso da música permite ao aluno compreender todo o produto cultural histórico em evolução, e sua articulação com as histórias do mundo, valores e finalidades que foram atribuídas a ela por diferentes povos e épocas.

As instituições de Educação Infantil devem oferecer diferentes tipos de experiências culturais. Para se proporcionar o contato com as diferentes culturas através da música, é preciso compreender que ela se apresenta em diferentes formas, por exemplo, músicas infantis, músicas religiosas, músicas para dançar, música instrumental, vocal, erudita e popular, músicas cívicas. (SOUZA, 2010, p.97) Cada uma delas com intencionalidades e características distintas, ou seja, a produção musical também se dá de forma diferenciada, ela sofre as mais diversas influencias. Pois pela música se vêem expressadas ideias, sentimentos e os valores culturais. Os tipos de músicas ouvidas pelas crianças em suas casas devem ser respeitadas, porém é fundamental proporcionar a elas o contato com outros tipos de música que não apenas as que elas já conhecem. Ao perceber as diferentes formas de manifestação musical, as crianças passam a compreender, que através da mesma encontram-se diferentes identidades culturais. Portanto, o professor da Educação Infantil ao proporcionar o contato da criança a uma gama maior de gêneros e estilos, estará proporcionando as mesmas expandirem seu universo musical e fortalecerá traços culturais já existentes e também poderá fazer com que entendam e respeitem os gostos e a cultura de outras pessoas (SOUZA, 2010, p.101), pois a música permite a transformação e integração social. A Educação Infantil é marcada por essa pluralidade de culturas, portanto, o seu trabalho deve possibilitar o convívio e o acolhimento às diferentes expressões e manifestações das crianças e suas famílias, valorizando e respeitando a diversidade. E este acolhimento, poderá ser proporcionado pela música.

O Trabalho com a arte na Educação Infantil, aqui representada pela música, permite a aproximação da cultura com a educação formal. Daí a importância da musicalização na Educação Infantil, colocar a criança em contato com a cultura artística/ musical desde pequena. (OLIVEIRA, 2001, p.102) Logo, ao se trabalhar com a música com objetivo de apropriação e aproximação de diferentes identidades culturais, devem se considerar as músicas que fazem parte do universo infantil como as cantigas de roda. Para Oliveira (2010),

As cantigas de roda, que além de fazer parte da cultura, fazem parte também do universo infantil. Além das cantigas de roda, outras músicas infantis retratam o universo das crianças, incentivam a criatividade, as brincadeiras, que são necessárias no processo de desenvolvimento da criança. No entanto, não devemos restriguir o nosso trabalho às músicas infantis, porque contamos com vasto repertório musical de qualidade que pode ser conhecido pelas crianças. (p.102)


Outras referências de transmissão de cultura por meio da música na Educação Infantil são as parlendas, os jogos cantados, as brincadeiras ritmadas, etc., que em geral são manifestações folclóricas e que assumem as diferentes formas das diversas regiões brasileiras.

A música e o brincar relacionam-se constantemente, pois são fontes de cultura e apresentam-se como forma de preservação social e histórica. Neste contexto, a escola tem papel importante no processo de preservação cultural, pois é ela quem oferecerá subsídios para que a criança potencialize seus conhecimentos e veja sentido na sua aprendizagem. (STAVRACAS, 2008, p.5) Ela é fonte de cultura, de lazer, de arte e educação, pois é carregada de vivências e traz consigo a identidade de povos e suas tradições.


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