A música na educaçÃo infantil e sua contribuiçÃo para o desenvolvimento infantil



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2.2 - Jogos e brincadeiras cantadas
Existe uma ligação entre a música e o brincar na Educação Infantil, ambos podem ser apresentados como manifestações culturais e representações da realidade, que são muitas vezes transmitidos pela tradição oral. As manifestações artísticas, como a música, podem oferecer inúmeras oportunidades de brincadeiras, que favorecem as brincadeiras coletivas e permitem um relacionamento maior entre as crianças.

Porém, é também preciso compreender o papel do brincar na Educação Infantil, sendo este o meio de interação da criança com a realidade. Ou seja, é pelo brincar que as crianças pequenas passam a conhecer, compreender e a se expressar no mundo. O ato de brincar, também, é carregado de intenções, sejam elas, o de reprodução social ou o da promoção e produção da cultura, pois pelas brincadeiras permite-se enxergar traços de um determinado tempo, um determinado contexto histórico, as marcas da sociedade, compreendendo desta forma, como as crianças se relacionam com o meio que estão inseridas. Para se perceber as intenções do brincar é preciso compreender a cultura lúdica envolvida durante todo o processo, já que pelo brincar são traduzidas as imagens do mundo criadas e recriadas pelas crianças.

É brincando que as crianças estabelecem regras e comportamentos compartilhados por elas, sendo eles compreendidos como cultura lúdica, ou seja, a capacidade da criança de compreender e conferir significados a realidade pela brincadeira, pelo lúdico. Ao produzir regras para as suas brincadeiras e ao atribuir significados a sua realidade, a criança também produz cultura, a cultura lúdica. Entende-se, portanto, como cultura lúdica, a construção de significados pelas crianças, conferidos pelas as suas ações e relações estabelecidas pelo meio ao qual está inserida. Desta forma, percebe-se que a produção da cultura lúdica se dá a partir da socialização e compartilhamento de brincadeiras, sejam elas, brincadeira de roda ou jogos, que mostram toda a transmissão de cultura, pois essas brincadeiras valorizam a socialização e a produção coletiva.

Percebe-se, portanto, que o brinquedo e as brincadeiras são produções culturais e históricas, pois transmitem valores e costumes de uma época. Para se compreender o brinquedo é necessário olhar para a cultura a qual a criança está inserida, pois os brinquedos e as brincadeiras são representações simbólicas da realidade, são construções culturais, assim como a música, e assumem uma função lúdica. E é pela ação do brincar que as crianças desenvolvem e constroem seu pensamento, sua lógica, sua forma de ver o mundo. (LOPES, 2005, p.45)

Vygotsky emprega ao termo brinquedo todo o ato de brincar, atividade onde as crianças se apresentam capazes de simbolizar. E durante o ato da brincadeira as crianças expressam seus sentimentos de alegria, tristeza, frustração e as conquistas realizadas tudo a partir da relação que se estabelece com o brinquedo e a brincadeira. São meios significativos de interação da criança com a realidade é um jeito particular de se ver o mundo. A brincadeira se apresenta como uma forma das crianças pequenas se socializarem, compreenderem e se expressarem no mundo.

As brincadeiras de roda e os jogos infantis são exemplos de brincadeiras que valorizam a socialização e permitem o resgate de brincadeiras coletivas, como as trocas de aprendizagens que se dão de maneira coletiva. E a escola de Educação Infantil, portanto, deve valorizar a socialização e o resgate de espaços coletivos onde se produz a cultura infantil através de jogos e brincadeiras que favorecem o compartilhamento de experiências. Logo, é preciso se pensar num trabalho voltado para o lúdico e para as artes, e a música permite isso, através do resgate de cantigas de rodas que podem ser aliadas no processo de ensino-aprendizagem. O uso das cantigas de rodas no ambiente escolar, assim como fora dele, contribui para a formação sócio-cultural das crianças, pois elas são carregadas de cultura.

As cantigas de roda são canções populares que fazem parte do folclore brasileiro. É uma brincadeira caracterizada pela sua coletividade, onde várias crianças brincam de mãos dadas cantarolando músicas com letras de fácil compreensão e marcadas pela cultura de diferentes regiões, seja na letra ou nas melodias das canções. Elas têm características bem definidas como as letras simples, de fácil memorização, as rimas, as repetições e os trocadilhos, transformando a música em brincadeira.

Essas canções estimulam o imaginário infantil, pois muitas vezes trabalham com prosopopéias. Para Araújo (2013), faz com que a atenção da criança fique presa à história contada pela música, o que estimula a imaginação e a memória. São os casos das músicas “A barata diz que tem”, “Peixe vivo” e “Sapo cururu”. Ou ainda, abordam diferentes temas como o amor, o medo e a violência, por exemplo, “Atirei o pau no gato”, ou a contação de histórias engraçadas por meio da música. Como a música é uma produção cultural e histórica ela pode sofrer alterações, como a música “Atirei o pau no gato”, que existe um versão “politicamente correta”. Percebe-se, então, que a música se adapta a realidade das pessoas que a cantam. Porém, é preciso compreender que ao serem compostas, o compositor vive uma determinada realidade.

Por ser transmitida oralmente as cantigas de roda constituem-se como cultura popular, pois retratam diferentes lugares. E através delas, diz Araújo (2013), pode-se conhecer costumes, cotidiano das pessoas, festas típicas do local, brincadeiras, paisagens, flora, fauna, crenças, dentre muitas coisas. Ou seja, permite-se conhecer e valorizar a cultura de diferentes grupos sociais e regiões, assim como resgatar brincadeiras esquecidas, mas cheias de representações culturais.

Outros jogos e brincadeiras musicais da cultura infantil são os acalantos e as parlendas. Os acalantos, ou cantigas de ninar, são umas das primeiras formas da criança entrar em contato com a apreciação musical.

Cacterísticos da primeira fase da vida da criança. Os acalantos são entoados pelos adultos para tranqüilizar e adormecer bebês e crianças pequenas. São brincadeiras rítmico-musicais com que os adultos entretêm e animam as crianças, como “Serra, serra, serrador, serra o papo do vovô”, e suas muitas variantes encontradas no país afora, que é cantarolando enquanto se imita o movimento do serrador. (RCNEI, 1998, p. 71)
Já as parlendas, são caracterizadas pelas rimas sem a música. Essa brincadeira ritmada se baseia na verbalização, permitindo às crianças repetirem, inventarem e reinventarem palavras. Devido a sua fácil memorização, elas são utilizadas, algumas vezes, para fixar ou ensinar algo como nomes e números. É o caso da parlenda “Um, dois, feijão com arroz”. Uma parlenda com rimas bem humoradas e que brincam com a sonoridade das palavras, onde se trabalha com a sequência numérica.

Nas parlendas e nas brincadeiras de roda a música, a poesia e a dança estão integradas o que permite a criança entrar em contato e compreender as características do som, como o silêncio e a própria música. Ao perceber o contraste entre o som e o silêncio a criança desenvolve a expressão corporal, a concentração, a disciplina e a atenção. (RCNEI, 1998, p. 72)

Por isso, ao possibilitar um maior contato com as artes, as brincadeiras e a própria música, a criança terá mais condições de vivenciar novas situações de aprendizagem, pois nessas situações ela descobre e conhece o próprio corpo e como utilizá-lo para se expressar e se comunicar com o mundo. (LOPES, 2005, p.42) As brincadeiras e jogos se apresentam como fonte de promoção e incorporação de elementos musicais, já que muitas brincadeiras musicais praticadas pelas crianças trabalham com o ritmo e permite improvisações.

Os jogos e os brinquedos musicais envolvem todo o processo de gesticulação, a movimentação do corpo, o canto, a dança e até o faz de conta.

Brincar de roda, ciranda, pular corda, amarelinha etc. são maneiras de estabelecer contato consigo próprio e com o outro, de se sentir único e, ao mesmo tempo, parte de um grupo, e de trabalhar com as estruturas e formas musicais que se apresentam em cada canção e em cada brinquedo. (RCNEI, 1998, p. 71)
Durante as brincadeiras pode-se observar a musicalidade infantil sendo expressa pelas crianças, através das cantigas enquanto brincam ou fazendo os sons referentes a determinados objetos, como acompanhar com sons o movimento do carrinho, dançando, dramatizando, conferindo significado aos objetos sonoros ao seu redor. Utilizando-se de objetos sonoros, instrumentos musicais, imitando as “vozes” dos animais permite-se a criança a começar compreender e enriquecer diversas experiências musicais. E por essas ações possibilita a criança a discriminar sons graves de agudos, curtos de longos, fracos de fortes, porém de maneira contextualizada. Assim como jogos, instrumentos musicais confeccionados pelas crianças, materiais que produzem sons, etc., podem servir de meios para explorar a memória auditiva das crianças.

Pelas brincadeiras com música se oferecem oportunidades de expressão livre, porém necessita de um suporte cultural, pois ao conhecer e entrar em contato com as novas formas de música e danças as crianças em suas brincadeiras as recriarão. Para isso, é preciso enriquecer a cultura artística das crianças dispondo do conhecimento cultural sobre as artes, pois a partir delas as crianças podem recriá-las em suas brincadeiras, agora, se o conteúdo cultural da criança é pobre em referências, sua expressão também será. (BRASIL, 2012, p.50)


2.3 – A criança e a música
Encontra-se a música em diversas situações do dia-a-dia, desta forma, a criança entra em contato com a cultura musical e daí se inicia de maneira espontânea o processo de musicalização infantil. Demonstrada muitas vezes a partir de canções cantaroladas pelas crianças e brincando de fazer música com diferentes materiais que encontram ou com as partes de seu corpo.

As primeiras formas de apropriação da música pelas crianças são expressas pelas conquistas vocais e corporais, a partir da entonação de um maior número de sons, reproduzindo refrões, onomatopéias, a exploração de gestos sonoros, como bater palmas, pernas e pés, especialmente depois da conquista da marcha, a capacidade de correr, pular e movimentar-se acompanhando a música (RCNEI, 1998, p. 51). É uma fase caracterizada pela exploração de objetos sonoros de maneira intuitiva e afetiva, integrando-as em suas brincadeiras e jogos.

Todo o processo de musicalização intuitiva se inicia após as crianças ouvirem músicas tocadas em seu ambiente familiar, canções cantadas por adultos ou após participarem de brincadeiras cantadas, a partir de então se inicia uma tentativa de imitação e resposta aos estímulos sonoros oferecidos. É nessa relação que as crianças estabelecem e constroem um repertório que lhes permitem iniciar uma forma de comunicação por meio dos sons. (RCNEI, 1998, p.51)

Por isso, o trabalho a partir da música com crianças pequenas, tem por objetivo desenvolver a capacidade de ouvir, perceber e discriminar eventos sonoros diversos, fontes sonoras e produções musicais; brincar com a música, imitar, inventar e reproduzir criações musicais. (RCNEI, 1998, p.55) Permitindo a produção musical da criança a partir do silêncio e de sons produzidos vocalmente e de diversos materiais sonoros, interpretando musicas e canções, e ainda através da participação de jogos e brincadeiras cantadas e ritmadas. Por esta perspectiva observa-se que a prática musical das crianças pequenas ocorre por meio de atividades lúdicas.

É cantando, produzindo sons vocais por meio da imitação ou sons corporais, como bater palmas, ou ainda dançando com as crianças que o professor da educação infantil contribui para o desenvolvimento da atenção e percepção das mesmas.

São nos primeiros anos de vida da criança que a mesma começa a compreender a linguagem musical e aprende a ouvir sons e reconhecer a diferença entre eles. E na Educação Infantil o trabalho com a música deve estar envolto a brincadeiras musicais, pois é brincando que as crianças desenvolvem e exercitam suas habilidades como: o desenvolvimento da coordenação motora, pela exploração do corpo (em sua totalidade ou em partes separadas), vivenciando os movimentos corporais através da música, desenvolvendo a memória musical e permitindo a expansão do vocabulário a partir de canções curtas e de fácil memorização, desenvolvendo também, a percepção auditiva, a capacidade de se concentrar e imitar.

Para Clemetin (2007),

O contato ainda que prematuro da criança com a música constitui, portanto, o ponto de partida para o desenvolvimento da musicalização na escola. Além disso, o exercício da expressão musical cumpre um importante papel no desenvolvimento infantil, pois contribui para o despertar do modo de perceber, sentir, pensar e expressar, atuando tanto na esfera cognitiva quanto na esfera afetiva e estética das crianças. (p.27)


Ao se trabalhar com a música, nesta perspectiva, é preciso considerar o nível de desenvolvimento da criança quanto à capacidade de percepção das mesmas. Pois, a partir deles se dará o processo de estimulação musical, enriquecendo as experiências e conhecimentos musicais das crianças. Assim, a educação musical estará realmente cumprindo o seu devido papel que é o de contribuir para a formação integral da criança. (CLEMENTIN, 2007, p.27) Mas sem que fique restrita a reprodução e imitação de canções e sim um trabalho voltado para criação, interpretação e até mesmo ouvir as mais diversas canções, cantigas de roda, ninar, as brincadeiras cantadas, assim como o trabalho com parlendas que brincam a sonoridade das palavras e as rimas.

O trabalho com a música ainda permite explorar a cultura popular, divulgando a mesma, permitindo conhecer novas canções, brincadeiras populares e o folclore de cada região. Pois a produção musical de cada região brasileira é muito rica e dispõe de um vasto material para o desenvolvimento do trabalho com a música com as crianças. O contato das crianças com as produções musicais diversas deve prepará-las para compreender a linguagem musical como forma de expressão individual e coletiva, e como maneira de interpretar o mundo.

Por estar em constante contato com a música em seu cotidiano a criança acaba apropriando-se da mesma de maneira espontânea, assim como constrói a sua identidade musical, a partir a sua vivência cotidiana com a música. Para Benedetti (2009), essa apropriação espontânea acontece devido à imersão da criança nas práticas musicais cotidianas de sua família (num primeiro momento) e depois, no universo musical de sua comunidade e da sociedade como um todo. Ou seja, o primeiro contato com a música se dá no espaço familiar e conforme for se socializando com outras pessoas e fora do ambiente familiar seu universo musical também vai se expandido, devido à presença da música em ambientes sociais tais como a escola, a igreja, parques infantis, shoppings e outros. Porém, a forma com que cada criança se apropria da música se dá de maneira diferencia. Ela sofre influência direta de suas famílias, devido às estimulações musicais oferecidas a partir das práticas sociais da mesma.
Se a família tem o hábito de freqüentar algum culto religioso semanalmente, seu universo musical cotidiano irá incluir as músicas desses cultos. Se os pais fazem parte de alguma prática musical comunitária (uma banda, um coral, uma escola de samba, uma roda de choro, entre outras), esse hábito irá se refletir na configuração do universo musical cotidiano da criança. (BENEDETTI, 2009, p.65)
Contudo, a presença da música os mais diversos ambientes, a estimulação musical pela família e a veiculação sonora a partir de rádios, televisão, filmes e a própria internet, contribuem para a formação dos gostos, preferências e da identidade musical das pessoas. (BENEDETTI, 2009, p.65). Compreende-se, portanto, que a construção da preferência musical se dá a partir de interações sociais através de hábitos de escuta. Ou seja, a identidade musical é uma construção social.

Ao propor o trabalho com a música na Educação Infantil, é preciso que seus objetivos não sejam de formar musicistas, mas de ampliar e potencializar as vivências musicais das crianças, pois desta forma, estará possibilitando às crianças as mais variadas escutas e de se relacionar com a música.

É preciso, também, romper com a idéia de se usar a música como entretenimento e mero ornamento (tal fenômeno é visto no ambiente escolar através das festividades escolares). Mas um trabalho feito de forma crítica e consciente, onde se compreenda o que está sendo representado pela música e não um trabalho onde se reproduz à música acriticamente. É preciso que as crianças compreendam a música não apenas como forma de diversão, onde acabam por se apropriar e consumir a música de forma superficial. Mas consumi-la de forma critica e reflexiva, de forma que passem a enxergar as semelhanças e diferenças das diferentes manifestações musicais da humanidade, em diferentes épocas, regiões e culturas, (BENEDETTI, 2009, p.78) e revelando, desta forma, um leque de conhecimentos musicais.

Ao se trabalhar com música, por tanto, é preciso que as instituições de educação infantil respeitem o nível de desenvolvimento da criança e as diferenças socioculturais. Priorizando o desenvolvimento da comunicação e expressão por meio da linguagem musical permitindo a exploração de materiais sonoros e a escuta de obras musicais, refletindo sobre a mesma e compreendendo-a como produção cultural, e como importante forma de compreender e respeitar o mundo.


2.4 – Processo de musicalização na Educação Infantil
Ao iniciar o trabalho com música na Educação Infantil, sem que este tenha por objetivo formar músicos, mas tornar às crianças sensíveis a ela e apropriar-se da mesma como produção cultural, é preciso compreender o conceito de musicalização.

Define por musicaliazação, o processo do conhecimento que tem por objetivo:

despertar e desenvolver o gosto musical, favorecendo o desenvolvimento da sensibilidade, criatividade, senso ritmo, do prazer de ouvir música, da imaginação, memória, concentração, atenção, autodisciplina, de respeito ao próximo, da socialização e afetividade, também contribuindo para uma efetiva consciência corporal e de movimentação. (BRESCIA apud CHIARELLI e BARRETO, 2005, p.3)
Ou seja, o objetivo da musicalização é possibilitar a criança condições de desenvolver a percepção e a sensibilidade musical a partir do resgate cultural e da valorização da música. De modo, que auxilia na construção do conhecimento e pode contribuir para o exercício da cidadania. (CABEÇAS, 2010, p.9)

Para Brito (2003, p.41),

O modo como às crianças percebem, aprendem e se relacionam com os sons, no tempo-espaço revelam o modo como percebem, aprendem e se relacionam com o mundo quê vem explorando e descobrindo a cada dia.
Enxergando a música como produção cultural, onde se manifestam a organização social e a própria história, é enxergá-la como valioso instrumento na Educação Infantil, pois permite que por meio dela a criança se expresse e construa a sua identidade. Pois, a musicalização proporciona a criança não apenas resgatar e entrar em contato com a sua cultura, mas permite que ela desenvolva uma sensibilidade para a música, atribuindo significados ao material sonoro adquiriu. Percebe-se, portanto, que a musicalização permite a criança expressar-se de maneira integral, cantando e gesticulando, trabalhando, desta forma, como a oralidade e a motricidade, e ainda estará demonstrando a sua identidade cultural.

Porém, o processo de musicalização deve ser planejado a fim de promover o bom desenvolvimento das crianças, seja na esfera cognitiva, física ou culturalmente. E não se torne apenas um trabalho mecânico de repetições de gestos, sem a compreensão dos mesmos ou ainda como instrumento de organização da rotina escolar, através de músicas que determinam a hora de guardar os brinquedos, de lanchar, da saída, da história e afins. Musicalizar é mais que isso, é proporcionar a criança construir conhecimentos e se desenvolver integralmente por meio da música.

Para Brito (2003, p.17),

Perceber gestos e movimentos sob forma de vibrações sonoras é parte de nossa integração com o mundo em que vivemos: ouvimos o bater dos martelos, o ruído de máquinas, o motor de carros ou motos, o canto dos pássaros, o miado dos gatos, o toque do telefone ou o despertador, ouvimos vozes e falas, poesia e música.


Afinal, as crianças estão em permanente contato com inúmeras informações sonoras e por elas são atribuídos significados e sentimentos. Ou seja, a música como um todo, exerce funções sociais, pois permite a expressão emocional, o prazer estético, o divertimento, a comunicação, a representação simbólica, a reação física e até mesmo rituais religiosos. Portanto, percebe-se a contribuição da musica na formação integral do ser.

Weigel citado por Cabeças (2010, p.13) afirma que,

todos os aspectos do desenvolvimento estão intimamente relacionados e exercem influência um sobre os outros a ponto de não ser possível estimular o desenvolvimento de um deles sem que ao mesmo tempo, os outros sejam igualmente afetados.
Compreende-se então, que ao se trabalhar com a música o profissional da Educação Infantil não estará restringindo-se apenas ao aspecto musical, mas estará trabalhando em concomitância com os aspectos cognitivos, motor e psicológico da criança, promovendo o desenvolvimento integral da mesma. Porém, as atividades de musicalização deverão ser atividades musicais lúdicas voltadas para o trabalho da linguagem musical aberta a criatividade e visando o pleno desenvolvimento infantil.

A Educação Infantil tem por objetivo, promover o desenvolvimento motor, cognitivo e a socialização, e a música permitem se alcançar todos esses objetivos. Outro objetivo da Educação Infantil é o trabalho através do lúdico e mais uma vez a música está presente, através das brincadeiras do universo infantil.

Para Cabeças (2010, p.19), as atividades musicais dentro da educação infantil devem acontecer de forma lúdica, ou de maneira, que a criança brincando, possa ao mesmo tempo, estar aprendendo e estimulando os sentidos e se tornando sensível musicalmente.

Portanto, a proposta da musicalização é inserir a criança no mundo musical, de modo que a mesma desenvolva seu senso musical, a sua sensibilidade, expressividade, o ritmo e o seu “ouvido musical”. Por isso, no processo de musicalização é preciso considerar as produções musicais espontâneas da criança, por exemplo, os sons que emitem durante suas brincadeiras, pois por eles as crianças estão se expressando. Por esta perspectiva, observa-se a necessidade de se trabalhar a musicalização ludicamente, apresentando a música por meio de jogos e brincadeiras, histórias, dramatizações, enfim atividades que motivem a participação de todos. E por elas estimular a atenção da criança aos sons do ambiente, aos sons corporais e ao ritmo, desenvolvendo seu “ouvido musical”.

Atividades como a bandinha rítmica permite a criança compreender o conceito de ritmo, a partir do manuseio de instrumentos musicais, pois por eles as crianças poderão explorá-los, percebendo suas diferenças e transformando o movimento sonoro em outras possibilidades. (STRAVACAS, 2008, p.55) Pois através de instrumentos de percussão ou instrumentos feitos de sucata, a criança experimenta produzir diferentes sons com diferentes materiais, desenvolvendo a sua percepção auditiva, a sensibilidade ao ritmo e estimula a criatividade, a partir da construção de novas possibilidades sonoras. Possibilitando, também, o desenvolvimento motor, a audição e o domínio rítmico. Proporcionando as crianças diferentes formas de produção sonora, torna-se possível o desenvolvimento da escuta sensível e ativa das crianças, de modo que elas passem a explorar seu universo sonoro com mais atenção, analisando, comparando os sons e identificando as diferentes fontes sonoras.

O uso da música contribui para o trabalho pedagógico de diferentes formas, proporcionando um ambiente alegre e receptivo, oferecendo um efeito calmante após períodos de atividades mais agitadas e ainda pode ser usada como um recurso no processo de ensino-aprendizagem. Trabalhando com músicas relacionadas de acordo com o conteúdo a ser trabalhado, tornando a aula mais dinâmica e atraente às crianças.

Contudo, é importante lembrar que a musicalização na escola tem por objetivo proporcionar a abertura de canais sensoriais, facilitando a expressão de emoções, ampliando a cultura geral e contribuindo para a formação integral do ser. (CHIARELLI e BARRETO, 2005, p.6)

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