A música na educaçÃo infantil e sua contribuiçÃo para o desenvolvimento infantil



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Cap. 3 – A contribuição da música para o desenvolvimento infantil
As crianças entram em contado com a música e diversas melodias desde seus primeiros momentos de vida e também na Educação Infantil. Ela, utilizada como ferramenta pedagógica em sala de aula possibilita o desenvolvimento das áreas cognitivas, psicomotoras e sócio afetiva, ou seja, contribui para o desenvolvimento integral da mesma. Porque ao cantar a criança trabalha a sua concentração, a memória, o corpo e a sua coordenação motora, além de contribuir para a expansão do vocabulário e sua integração social a partir de brincadeiras cantadas de características coletivas.
3.1 – A música e o desenvolvimento cognitivo
A criança constrói seu conhecimento a partir dos diversos estímulos de seu dia – a – dia, permitindo a mesma oportunidade de viver novas experiências e situações desafiadoras. Ao estimulá-la pela música oferece à criança diversos estímulos e fontes sonoras as quais deverão ser percebidas pelas crianças através da audição, que a partir de então começará a discriminar diferentes sons, ritmos, tonalidades, intensidade e etc.

A criança entra em contato com os sons desde a gestação, ao escutar os batimentos cardíacos de sua mãe, e permanece em contato após seu nascimento. Ela constrói seu conhecimento musical a partir da interação com o ambiente e da exploração das diversas fontes sonoras, elaborando desse jeito conceitos musicais por meio de experiências concretas.

Segundo a Teoria Cognitivista de Piaget,

a criança se desenvolve a partir da elaboração das suas estruturas mentais, o que ocorre à medida que ela aprende e estabelece novas formas de construção do seu conhecimento. A criança está em constante interação com o meio e, para que possa desenvolver-se de forma mais completa, constrói e organiza o mundo que a cerca, atribuindo significados para novos conhecimentos e aprendendo com as experiências vividas. (STRAVACAS, 2008, p.77)


A Educação Infantil, diante disto, permite essa interação constante da criança com o meio além de permitir o contado com diferentes manifestações culturais, entre elas a música, e as diferentes produções sonoras que permitirão a mesma elaborar novas estruturas mentais, desenvolvendo-se cognitivamente. Pois a criança, sujeito da sua ação e construtora do seu conhecimento, desenvolve suas potencialidades, levantando hipóteses, refletindo e refazendo suas estruturas mentais. (STRAVACAS, 2008, p.78) E a música aqui, se apresenta como fonte prazerosa de novos estímulos a qual permitirá a criança modificar e transformar suas estruturais mentais.

Ao proporcionar diversas experiências musicais à criança, a escola estará proporcionando a ela desenvolver a sua concentração, a percepção, a memória, inclusive sua motricidade, elementos fundamentais para a construção do conhecimento e formação da criança, além de permitir a mesma assimilar o ambiente ao qual está inserida.

Para Stravacas (2008, p.79),

Sendo a criança o agente de seu próprio desenvolvimento, é fundamental que a Educação Infantil crie situações em que o educando possa construir seu conhecimento, num processo de ação sobre o ambiente, analisando-o, compreendendo-o e colocando sua capacidade interpretativo como elemento de aperfeiçoamento, para a partir daí elaborar suas estruturas mentais, crescendo e se desenvolvendo de forma integral.


Afinal, a música desenvolve na criança sua sensibilidade, sua concentração, a socialização, o equilíbrio, o ritmo e sua discriminação auditiva. A música, portanto, constitui-se como elemento importante para o desenvolvimento da criança.

Para Rosa (s/a, p.2), a música,

É historicamente construída e desenvolvida como parte da fala e em interação com as necessidades sociais de comunicação e o desenvolvimento dos aparelhos fonador e auditivo. Por isso, a música é necessária, tanto no desenvolvimento das relações sociais como na maturação da criança. Faz parte do desenvolvimento da humanidade e da criança.
Pois a criança constrói seu conhecimento a partir da interação com o ambiente e dos conhecimentos construídos anteriormente. Em relação ao desenvolvimento da linguagem oral, a música contribui para a expansão do léxico da criança.

Na aprendizagem da linguagem oral, os circuitos do córtex auditivo, responsáveis pelos sons que formam as palavras, são conectados quando a criança tem por volta de um ano de idade. Quanto mais palavras ouvir nessa idade, mais o seu vocabulário vai aumentar, o que torna necessário que o adulto converse e cante muito com a criança. (STRAVACAS, 2008, p.75)


Desta forma, é importante lembrar que a criança se desenvolve cognitivamente a partir de suas interações com o meio e trocas sociais as quais por meio da linguagem e por jogos de regras, a mesma enriquecerá suas estruturas cognitivas e passará a assimilar e interpretar o mundo a sua volta. E a música como linguagem e produto histórico cultural e, por que não, um jogo contribuirá para o desenvolvimento integral da criança e para a construção do conhecimento.
3.2 – A música e o desenvolvimento psicomotor
As atividades musicais oferecem inúmeras oportunidades para que a criança aprimore sua habilidade motora, aprenda a controlar seus músculos e mova-se com desenvoltura. O ritmo tem um papel importante na formação e equilíbrio do sistema nervoso. Isto porque toda expressão musical ativa age sobre a mente, favorecendo a descarga emocional, a reação motora e aliviando as tensões. Qualquer movimento adaptado a um ritmo é resultado de um conjunto completo (e complexo) de atividades coordenadas. Por isso atividades como cantar fazendo gestos, dançar, bater palmas, pés, são experiências importantes para a criança, pois elas permitem que se desenvolva o senso rítmico, a coordenação motora, fatores importantes também para o processo de aquisição da leitura e da escrita. (CHIARELLI e BARRETO, 2005, p.3)
Na Educação Infantil é comum ver as crianças cantando sozinhas ou com suas professoras, acompanhados muitas vezes por movimentos gestuais durante as canções, tais movimentos trabalham com a coordenação motora ampla e fina das crianças e ainda, proporcionam um ambiente mais alegre e prazeroso.

Ilari (2003) citado por Pinto (2009, p. 13) afirma que a prática do canto acompanhada pelo gesto parece auxiliar no desenvolvimento de diversos sistemas cerebrais, como os responsáveis pela orientação espacial e motora, além de proporcionar o desenvolvimento social, uma vez que a criança relaciona-se com outras crianças e adultos.

Logo, as atividades musicais realizadas através do canto, colaboram para o desenvolvimento motor a partir de atividades propostas que trabalham com a musculatura dos braços, das pernas, dos pés, das mãos e dos dedos das crianças.

É importante salientar que o trabalho com a motricidade é um dos objetivos da Educação Infantil, a qual permite as crianças, aos poucos, tomarem controle de seu corpo a partir de novas experiências com o mesmo, pulando, engatinhando, correndo, brincando livremente, enfim, utilizando o seu corpo de diferentes maneiras. Assim como a música , o movimento é uma linguagem a qual as crianças se expressam e comunicam, manifestando-se também de diferentes maneiras como a dança, o jogo, as brincadeiras, as práticas esportivas, etc., nas quais se faz uso de diferentes gestos posturas e expressões corporais com intencionalidade. (RCNEI, v.3, 1998, p. 15)

Nesta perspectiva, se faz necessário proporcionar as crianças um ambiente rico em estímulos corporais, pois conforme afirma o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (1998),

O trabalho com o movimento contempla a multiplicidade de funções e manifestações do ato motor, proporcionando um amplo desenvolvimento de aspectos específicos da motricidade das crianças, abrangendo uma reflexão acerca das posturas corporais implicadas as atividades cotidianas, bem como atividades voltadas para a ampliação da cultura corporal em cada criança. (RCNEI, 1998, v.3, p. 15)


Ao que se refere aos objetivos da Educação Infantil para o desenvolvimento da motricidade, são definidos as seguintes capacidades as quais as crianças deverão desenvolver:

• familiarizar-se com a imagem do próprio corpo;

• explorar as possibilidades de gestos e ritmos corporais para expressar-se nas brincadeiras e nas demais situações de interação;

• deslocar-se com destreza progressiva no espaço ao andar, correr, pular etc., desenvolvendo atitude de confiança nas próprias capacidades motoras;

• explorar e utilizar os movimentos de preensão, encaixe, lançamento etc., para o uso de objetos diversos.

• ampliar as possibilidades expressivas do próprio movimento, utilizando gestos diversos e o ritmo corporal nas suas brincadeiras, danças, jogos e demais situações de interação;

• explorar diferentes qualidades e dinâmicas do movimento, como força, velocidade, resistência e flexibilidade, conhecendo gradativamente os limites e as potencialidades de seu corpo;

• controlar gradualmente o próprio movimento, aperfeiçoando seus recursos de deslocamento e ajustando suas habilidades motoras para utilização em jogos, brincadeiras, danças e demais situações;

• utilizar os movimentos de preensão, encaixe, lançamento etc., para ampliar suas possibilidades de manuseio dos diferentes materiais e objetos;

• apropriar-se progressivamente da imagem global de seu corpo, conhecendo e identificando seus segmentos e elementos e desenvolvendo cada vez mais uma atitude de interesse e cuidado com o próprio corpo. (RCNEI, 1998, v.3, p. 26)


E encontra-se nos objetivos citados acima, a música representada através da dança e porque não nas brincadeiras, pois muitas vezes as brincadeiras envolvem o canto e o movimento, permitindo as crianças à percepção rítmica, a identificação de partes do seu corpo e o contato físico com outras crianças. As músicas da cultura infantil como cantigas e brincadeiras de roda, permitem esse contato corporal e auxiliam também o desenvolvimento da expressividade.

É preciso entender que através dos diversos movimentos corporais a criança passa a tomar consciência de seu corpo. Pois a criança é um ser ativo que está em constante movimento, seja brincando ou explorando o ambiente, e a partir da prática de cada movimento realizado que ela vai intensificando sua coordenação e ganhando domínio do próprio corpo. (FERREIRA e RUBIO, 2012, p.4)

Os movimentos corporais são as primeiras formas de linguagem que a criança adquire, por isso, é fundamental proporcionar as crianças diversas situações em que exploram os seus movimentos e desta forma desenvolvam a sua motricidade. Essas ações deverão ser lúdicas, divertidas e animadas. E a música, nesta perspectiva, se apresenta como uma atividade divertida e que provoca fascínios as crianças pequenas, seja cantando ou através da apreciação musical, ela desperta nas crianças a alegria e a vontade de dançar, de cantar, desenvolvendo sua capacidade corporal, expandindo seus movimentos, percebendo seu espaço, sua delimitação, a percepção de si mesma e dos colegas. (FERREIRA e RUBIO, 2012, p.7) Afinal, a música é também uma linguagem que provoca alegria a todos, que marca determinadas situações, e ainda, pode representar determinados períodos históricos. É uma arte admirada por todos.

A criança se identifica com a música de uma maneira muito natural e espontânea, aliando a mesma em várias de suas ações, em especial, nas brincadeiras, que provocam alegria e aprendizagens ao mesmo tempo. A música aliada ao trabalho com a psicomotricidade, essa cujo objetivo é trabalhar com os movimentos corporais a fim de contribuir para a tomada de consciência do corpo, apresenta-se como instrumento importante no desenvolvimento corporal.

A Educação Infantil tem por objetivo desenvolver a criança integralmente, é preciso, portanto, ter o compromisso de proporcionar as crianças atividades que a trabalhem por completo, tanto fisicamente, quanto cognitivamente, sem esquecer é claro, da socialização. A música faz parte da cultura infantil e toda brincadeira é acompanhada de novas aprendizagens, desta forma, é preciso valorizar as diversas fontes sonoras do cotidiano infantil inclusive em suas brincadeiras. É preciso compreender também, que as brincadeiras musicadas também são fontes de sonoras que estimulam a criança se movimentar utilizando todo o seu esquema corporal, seja pulando, girando, batendo pés, batendo as mãos ou ainda segurando as mãos de outras crianças para brincar de roda.

Para Ferreira e Rubio (2012, p.10),

O corpo em desarmonia com o movimento encontra na música o seu próprio alinhamento, a prática musical exige do corpo uma resposta, um dialogo, que responda as suas batidas ritmadas. Esse sentir musical obriga o corpo a se movimentar, e através do bem estar musical à mente estimula o corpo para o movimento naturalmente, trabalhando membros inferiores e superiores, acionando o cognitivo, no cantar e no dançar ao mesmo tempo, realizando funções duplas, tornando o cérebro ativo e receptivo, desenvolve a escuta musical, utilizando a percepção auditiva para fazer com que o corpo balance ao ritmo musical.
Desta forma, é importante proporcionar a criança diversas atividades musicais, principalmente em forma de brincadeiras, pois assim ela se apresenta como um instrumento rico que contribui para o desenvolvimento motor da criança, já ela permite as crianças executarem diversos movimentos. Brincadeiras como “Estatua”, de característica ativa, proporciona as crianças trabalharem com seu movimento corporal e a sua percepção concomitantemente, além de permitir as mesmas a aprenderem a controlar o seu corpo, como nos momentos que deverão ficar parados sem mexer. Assim como,

(...) participar de brincadeiras de roda ou de danças circulares, como “A Galinha do Vizinho” ou “Ciranda, Cirandinha”, favorecem o desenvolvimento da noção de ritmo individual e coletivo, introduzindo as crianças em movimentos inerentes à dança. Brincadeiras tradicionais como “A Linda Rosa Juvenil”, na qual a cada verso corresponde um gesto, proporcionam também a oportunidade de descobrir e explorar movimentos ajustados a um ritmo, conservando fortemente a possibilidade de expressar emoções. (RCNEI, v.3, 1998, p.31)


Entende-se, portanto, que a música e o movimento são linguagens presentes na Educação Infantil, que são trabalhadas com o objetivo de permitir as crianças as mais diversas experiências, e trabalhando-as de forma integrada, proporcionam as mesmas o desenvolvimento da percepção, do equilíbrio e o auto conhecimento. Já o trabalho de expressão corporal, tem por objetivo permitir a criança conhecer o próprio corpo e suas capacidades motoras e expressivas, vistas como instrumentos de comunicação que podem ser alcançadas através da música.
3.3 - A música e o desenvolvimento sócio afetivo
Para pensar na relação música e afetividade na Educação Infantil é preciso compreender o conceito de afeto. E no dicionário encontram-se as seguintes definições: sm. 1. Afeição, amizade, amor; 2. Objeto de afeição. (FERREIRA, 2010, p.21) Nesta perspectiva, no âmbito da Educação Infantil, pode-se entender por afetividade as relações de amizade e carinho existentes entre as próprias crianças ou entre a professora e as mesmas. E porque não, nas outras diversas relações existentes, como por exemplo, a relação de afeto com brinquedos e até mesmo com determinada música. Já, para Wallon, o termo afeto se refere à capacidade humana de ser afetado positivamente ou negativamente tanto por sensações internas e externas. (SALLA, s/a, p.3) Ou seja, Wallon confere ao termo afeto, os estímulos e interações da criança com o meio que despertam na mesma sensações boas ou ruim, que permitirão o desenvolvimento de suas potencialidades. Porém, os dois conceitos podem ser atribuídos à música, uma vez, que como linguagem e produto histórico expressa diversos sentimentos e emoções como o carinho, o medo, o amor, a frustração, sensações boas ou ruins.

Como se pode observar, Wallon (1968) defende que, no decorrer de todo o desenvolvimento do indivíduo, a afetividade tem um papel fundamental. Tem a função de comunicação nos primeiros meses de vida, manifestando-se, basicamente, através de impulsos emocionais, estabelecendo os primeiros contatos da criança com o mundo. Através desta interação com o meio humano, a criança passa de um estado de total sincretismo para um progressivo processo de diferenciação, onde a afetividade está presente, permeando a relação entre a criança e o outro, constituindo elemento essencial na construção da identidade. Da mesma forma, é ainda através da afetividade que o indivíduo acessa o mundo simbólico, originando a atividade cognitiva e possibilitando o seu avanço. São os desejos, as intenções e os motivos que vão mobilizar a criança na seleção de atividades e objetos. Para Wallon (1978), o conhecimento do mundo objetivo é feito de modo sensível e reflexivo, envolvendo o sentir, o pensar, o sonhar e o imaginar. (LEITE e TASSONI, s/a, p.5)


A relação da afetividade e música, portanto, se dá a partir do momento que a música é usada com objetivo de permitir a criança se expressar e se desenvolver por completo, pois muitas vezes, ao se relacionar com a música a criança, ou até mesmo o adulto, expressam suas emoções que causam algumas vezes bem-estar ou mal-estar aos mesmos. Pois ao se relacionar com a música são articuladas diversas dimensões: o afeto, os desejos, as vontades. Afinal, a música faz parte da cultura e a ela são conferidos diferentes significados, e a criança ao se relacionar com a mesma despertará diferentes emoções e sentimentos, ou seja, esses significados se darão de acordo com a experiência musical vivida, seja ela boa ou ruim. Nesta perspectiva, para Wazlawicz e Camargo (2006, p. 4), a música tem significado ao sujeito na medida em que se vincula à experiência vivida, passada ou presente, e quando proporciona aproximar o “vivido” aos sentimentos e emoções, para conferir-lhes significados. Ou seja, o significado para a música se dará de acordo com as atividades sociais vividas e ao contexto cultural.

O trabalho com a música na Educação Infantil, muitas vezes se dá com as músicas da cultura infantil como as cantigas de ninar, as parlendas e as brincadeiras de roda. Conforme já mencionado anteriormente as brincadeiras musicais de característica coletiva, como as cantigas de roda, permitem as crianças se socializarem, estimulando a participação das mesmas e a cooperação entre elas, desenvolvendo assim o conceito de grupo. Além é claro, que a música como linguagem, permite as crianças se expressarem e demonstrarem seus sentimentos, liberando suas emoções, corporalmente ou oralmente.

Cantando ou envolvida em atividades musicais coletivas, a criança sente-se integrada e passa a compreender a necessidade de cooperação com as demais crianças, além de contribuir para a sua comunicação, para o desenvolvimento motor e a capacidade de se relacionar socialmente, uma vez, que um dos objetivos da Educação Infantil é trabalhar com a socialização com fins de vencer o egocentrismo infantil. Estimulando as brincadeiras de roda, a professora está estimulando também o aprendizado de certas regras sociais, e ainda, dando as crianças à oportunidade de vivenciar de forma lúdica situações de perda, de escolha, de decepção, de dúvida, de afirmação. (NOGUEIRA, s/a. p.113) Afinal, a música proporciona a criança, e nos adultos também, uma gama de sentimentos.

Quem não se lembra de quando era pequenino, de ter dados às mãos pra muitas outras crianças, ter formado uma imensa roda e ter brincado, cantado e dançado por horas? Quem pode esquecer a hora do recreio na escola, do chamado da turma da rua ou do prédio, pra cantarolar a Teresinha de Jesus, aquela que de uma queda foi ao chão e que acudiram três cavalheiros, todos eles com chapéu na mão? E a briga pra saber quem seria o pai, o irmão e o terceiro, aquele pra quem a disputada e amada Teresinha daria, afinal, a sua mão? E aquela emoção gostosa, aquele arrepio que dava em todos, quando no centro da roda, a menina cantava: “sozinha eu não fico, nem hei de ficar, porque quero o ...(Sérgio? Paulo? Fernando? Alfredo?) para ser meu par”. E aí, apontando o eleito, ele vinha ao meio pra dançar junto com aquela que o havia escolhido... Quanta declaração de amor, quanto ciuminho, quanta inveja, passava na cabeça de todos. (ABRAMOVICH apud NOGUEIRA, s/a, p.113)


Essas e outras cantigas de rodas tratam bela e ludicamente temas como o amor, a tristeza, a saudade, enfim, diversos sentimentos. Desta forma, é importante reconhecer a cultura infantil no processo de ensino-aprendizagem, pois a ela é conferido um caráter sócio afetivo que irá se apresentar como mola propulsora durante o mesmo.

Considerações Finais
Ao longo deste trabalho discorreu-se, sobre a importância do trabalho com a música voltado para a valorização da cultura e como forma de socialização, enxergando também, a sua contribuição para o desenvolvimento infantil de forma plena. Mas, principalmente, como linguagem que exprime e retrata idéias, os costumes, os sentimentos e as condutas sociais. Considerando o relacionamento da criança com a música e como ela se apropria da mesma, pois a música não representa apenas uma forma de expressão e integração da criança com a sociedade, por ela a criança entra em contato com as diferentes produções culturais e se apresenta também, como um elemento importante no processo educativo que possibilita o desenvolvimento das habilidades cognitivas e motoras, além da capacidade de se socializar, contribuindo desta forma, para a formação integral da criança.

É nesta perspectiva, que se encontra a música como proposta de trabalho na Educação Infantil, nos documentos oficias como o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (RCNEI), considerando a sua contribuição para o desenvolvimento infantil. Pois a música é uma linguagem,

que se traduz em formas sonoras capazes de expressar e comunicar sensações, sentimentos e pensamentos, por meio da organização e relacionamento expressivo entre o som e o silêncio. (...) A integração entre os aspectos sensíveis, afetivos, estéticos e cognitivos, assim como a promoção de interação e comunicação social, conferem caráter significativo à linguagem musical. É uma das formas importantes de expressão humana, o que por si só justifica sua presença no contexto da educação, de um modo geral, e na educação infantil, particularmente. (RCNEI, 1998, v.3, p, 44)
Desta forma, foram apresentadas neste trabalho às diversas formas como a criança se relaciona com a música em seu cotidiano, afinal, ela está em contato permanente com a música em seu meio, nas rádios, na televisão, nos sons produzidos pelos brinquedos, o cantar dos passarinhos, as buzinas dos carros, as sirenes das ambulâncias, etc., iniciando de forma intuitiva e espontânea seu processo de musicalização. E na escola, permitindo o trabalho com a música, ela passa a ter acesso outras possibilidades musicais, a partir da exploração de diversos materiais sonoros como sucatas, os instrumentos musicais e o som produzido pelo seu próprio corpo, através de atividades ritmadas que permite serem trabalhados a diferenciação de timbres em baixos e agudos, e até mesmo o silêncio.

A música também se relaciona com o brincar, pois brincando a criança desenvolve a sua capacidade de simbolizar, e desta forma, compreende e confere significados a sua realidade pela brincadeira, além é claro que contribuir para a socialização das mesmas e apropriar-se da música de uma maneira muito natural e espontânea. Expressada através de canções cantaroladas, dançando, brincando com as diferentes formas de produzir sons com o seu corpo, explorando de maneira intuitiva e afetiva. Desta forma, o trabalho com a música visa desenvolver a capacidade da criança de ouvir e discriminar sons distintos e explorar as diferentes fontes sonoras e produções musicais, permitindo a ela expressar-se e comunicar-se de forma alegre e criativa.



Enfim, o trabalho com a música possibilita atingir o objetivo da Educação Infantil, o desenvolvimento integral da criança até os seis anos de idade, em seus aspectos físicos, psicológicos, intelectual e social. (LDB, 1996, art.29). Afinal, a música além de linguagem a qual a criança e o adulto se comunicam e expressam, também é fonte cultura e um produto histórico e social. Ou seja, ela possibilita várias aquisições à criança, sejam nas esferas cognitiva, lingüística, afetiva, psicomotara, social ou ainda, como fonte de conhecimento acerca da cultura brasileira por meio de jogos, brincadeira e canções folclóricas. Aprimorando também, suas habilidades motoras e de outras linguagens as quais entra em contato na Educação Infantil.
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