A multiculturalidade



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Encontro08.01.2020
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  • Curso: Técnico/a de Informação e Animação Turística
  • UFCD: CP4 – Processos Identitários
  • A Multiculturalidade: contextualização
  • Fenómenos migratórios para a Europa.
  • Portugal por tradição país de emigração, a partir da década de 90 passou a ser sobretudo um país receptor de imigrantes.
  • Imigrantes provenientes sobretudo das ex-colónias e do Brasil – em parte devido à proximidade entre os países, língua etc..
  • Mais recentemente os cidadãos de Leste Europeu.
  • A Multiculturalidade: contextualização
  • Desta forma, Portugal têm-se tornado cada vez mais multicultural, onde as pessoas interagem diariamente com diferentes grupos étnicos, culturais, diferentes percepções ou visões, costumes, tradições etc.
  • Esta nova realidade cria novos desafios e novas questões a todos nós:
  • por um lado, pela necessidade de adaptação a novas visões, culturas, costumes, ideologias etc.;
  • por outro, pela necessidade de respeitar e lutar pela não descriminação.
  • A Multiculturalidade: contextualização
  • Hoje em dia fala-se em todo o lado sobre luta pela não-discriminação e pela necessidade da justiça social.
  • A discussão do conceito de justiça social, por sua vez, está directamente relacionada com o conceito de cidadania, que por sua vez se baseia nas questões fundamentais como a igualdade e a universalidade.
  • Perante a Constituição da República Portuguesa (CRP), todos os indivíduos são iguais perante a lei.
  • A Multiculturalidade: contextualização
  • A cidadania visa por sua vez garantir a efectivação destes direitos e deveres que todos os cidadãos possuem ou deveriam possuir.
  • No entanto, e apesar de todos estes princípios, as nossas sociedades continuam a ser espaços de injustiças, sobretudo em relação às minorias, aos desfavorecidos, às mulheres etc.
  • (Rex, 1995, Cit. in Araújo e Pereira, 2003).
  • Conceitos Associados à Multiculturalidade
  • Estereótipo
  •  
  • Ideias preconcebidas, que regra geral não se verificam na prática, e que generalizam frequentemente uma imagem negativa acerca de determinada pessoa, acontecimento ou comunidades (Mª José Casa Nova Acime).
  • Modos de pensar estereotipado – são processos de pensamento que envolvem categorias rígidas e inflexíveis (A. Giddens, 1993).
  • Uma mulher, que acabou de comprar uma chávena de café e cinco bolachas de chocolate, sentou-se numa mesa em frente à loja, de frente para um homem desconhecido que estava sentado na mesma mesa. Depois de provar o café, tirou uma bolacha do pacote.
  • Assim que começou a comer, o homem pegou no pacote e tirou uma bolacha.
  • Paralisada de raiva, silêncio e descrença, a mulher comeu a primeira bolacha e pensou no que fazer depois. Será que imaginou o que ela tem a certeza de ter visto? Teria ele coragem de fazer isso novamente? Finalmente quando a curiosidade passou, tirou uma segunda bolacha do pacote. Confiante, o homem também tirou outra bolacha, estampando um sorriso enorme no rosto, enquanto comia.
  • “O Enigma das Bolachas”
  • Só a certeza de ter um autocontrole impecável a impediu de protestar contra este ladrão de bolachas. Afinal, a arrogância deste homem era extraordinária, e ele não parecia um mendigo, vestido de fato e gravata.
  • Já que sobrava apenas uma bolacha, ela engoliu a que tinha e foi novamente ao pacote. Mas ele foi mais rápido. Com um sorriso radiante, e ainda nenhuma palavra, partiu a bolacha que sobrava ao meio e ofereceu-a à mulher. Totalmente descontente, com um olhar de indignação, levantou-se, pegou na sua grande mala e foi rapidamente em direcção ao carro. No carro até deixou escapar uma pequena ofensa dos seus lábios, enquanto procurava as chaves na mala. Os seus dedos encontraram, ao lado das chaves, o seu pacote de bolachas fechado!
  • “O Enigma das Bolachas”
  • Comentário:
  • A mulher sofreu uma mudança abrupta na visão de seu próprio comportamento, como uma extensão do seu engano na situação das bolachas.
  • A sua interpretação, neste caso, levou a uma série de julgamentos errados. A base sobre a qual fazemos julgamentos, o ideal sobre o qual medimos o comportamento humano é o nosso modelo.
  • Assim como a mulher desta história descobriu, os nossos paradigmas não são necessariamente correctos, já que são possíveis diferentes pontos de vista sobre o mesmo acontecimento, as pessoas vivem de acordo com modelos individuais.
  • “O Enigma das Bolachas”
  • Conceitos Associados à Multiculturalidade
  • Etnia
  •  
  • Valores culturais e normas que distinguem os membros de um dado grupo dos outros grupos.
  • Um grupo étnico caracteriza-se por os seus membros partilharem uma consciência distinta da sua identidade cultural, que os separa dos outros grupos à sua volta.
  • Virtualmente, em todas as sociedades as diferenças étnicas estão associadas a diferenças de poder e riqueza. (A. Giddens, 1993)
  • Conceitos Associados à Multiculturalidade
  • Etnocentrismo
  •  
  • Tendência para privilegiar os valores e as normas do grupo de pertença e para o eleger como modelo de referência, com a desvalorização e a adopção de sentimentos negativos em relação às outras etnias. (Barrette, Gaudet, Lemay, 1996).
  • Comportamento habitualmente associado à recusa da diversidade cultural, sinónimo de intolerância e xenofobia, fonte de racismo e de discursos moralizadores.
  • Conceito Associados à Multiculturalidade
  • Preconceito
  • Ideias preconcebidas acerca de um indivíduo ou grupo, que dificilmente se alteram mesmo face a nova informação (A. Giddens, 1993).
  • Conceito Associados à Multiculturalidade
  • Cultura
  • É “um fenómeno dinâmico e aberto, influenciado por inúmeras pressões e factores, incluindo os individuais (Jarvis, 1995).
  • Corresponde a uma estrutura complexa e interdependente de conhecimentos, de códigos, de representações, de regras formais ou informais, de modelos de comportamento, de valores, de interesses, de aspirações, de crenças, de mitos. (Perotti, A., 1997, p.48).
  • Conceito Associados à Multiculturalidade
  • Definição de cultura (cont.)
  • Este universo realiza-se nas práticas e nos comportamentos diários: usos de vestuário, culinários, modos de habitat, atitudes corporais, tipos de relações, organização familiar, práticas religiosas (Perotti, A., 1997, p.48).
  • Conceito Associados à Multiculturalidade
  • Definição de cultura (cont.)
  • Cultura profunda aspectos não perceptiveis da cultura como sentimentos, emoções, atitudes e regras para interacção. Não são visíveis, a nível superficial e não são ensinados. Traduz-se nas formas de estar, nos conceitos com que apreendemos e “lemos” o mundo à nossa volta”.
  •  
  • Cultura de superfície aspectos visíveis da cultura como a gastronomia, o vestuário, o artesanato.
  • Conceito Associados à Multiculturalidade
  • Conceito Associados à Multiculturalidade
  • Aculturação
  • Mecanismo de mudança social desencadeada pelo estabelecimento de um contacto contínuo ou repetido, directo ou indirecto, entre culturas diferentes.  
  • A aculturação provoca, ao mesmo tempo, a perda, a aquisição, a substituição e a reinterpretação das características culturais das populações em presença. (Barrette, Gaudet, Lemay, 1996).
  • Multiculturalidade
  • Há Pessoas que estranham os “diferentes”…..
  • Multiculturalidade
  • Esquecem-se que elas próprias são diferentes através dos olhos dessas pessoas (Spier, 1991).
  • Etapas de desenvolvimento da Convivência Intercultural
  • 1 - uma melhor compreensão da cultura do outro;
  • Tentar compreender os hábitos, os costumes, as ideologias, os valores, as crenças do outro, respeitando e tentar não sobrepor a sua cultura ao mesmo, mas sim fazer com que ambas possam coexistir.
  • Ouellet, 1991
  • Etapas de desenvolvimento da Convivência Intercultural
  • 2 - desenvolver a capacidade de comunicação;
  • Os grandes conflitos surgem, regra geral, pela falta de comunicação que existe entre as pessoas.
  • A nossa tendência é, não raras vezes, fazermos julgamentos apriorísticos (estereótipos) sobre as pessoas sem sequer falarmos ou termos interagido com ela.
  • Ouellet, 1991
  • Etapas de desenvolvimento da Convivência Intercultural
  • 3 – ter uma atitude mais adaptada ao contexto intercultural;
  • Conscientes da diversidade cultural existente devemos agir em conformidade, respeitando o outro, interagindo com o outro e repensar as nossas formas de agir.
  • Ouellet, 1991
  • Etapas de desenvolvimento da Convivência Intercultural
  • 4 - desenvolver a capacidade de interacção e participação social;
  • Os grandes conflitos surgem, regra geral, pela falta de comunicação que existe entre as pessoas.
  • A nossa tendência é, não raras vezes, fazermos julgamentos apriorísticos (estereótipos) sobre as pessoas sem sequer falarmos ou termos interagido com ela.
  • Ouellet, 1991
  • Estratégias de Desenvolvimento da Comunicação Intercultural
  • Estratégias de desenvolvimento da Comunicação Intercultural
  • Desenvolver a capacidade de escutar;
  • Não raras vezes, fazemos julgamentos errados sem sequer darmos a possibilidade de ouvir o outro, de escutar o que este tem para dizer, de ouvir outro ponto de vista.
  • • Verificar as Percepções;
  • Associada ao ponto anterior, passa pela nossa capacidade de escutar e tentar entender a percepção do outro, o seu ponto de vista.
  • Hoopes, cit. in Ouellet, 1991
  • Pedir «feed-back», ou seja ouvir a opinião do outro
  • Isto é questionar o outro sobre o que pensa. Pedir que este dê o exponha o seu ponto de vista.
  • Resistir à tentação de fazer julgamentos apressados;
  • Directamente associado à noção de estereótipo. O que mais fazemos no nosso dia-a-dia é estereotipar as pessoas com quem nos cruzamos.
  • Hoopes, cit. in Ouellet, 1991
  • Estratégias de desenvolvimento da Comunicação Intercultural
  • Aceitar riscos;
  • Isto é, dar o beneficio da dúvida.
  • Dar uma oportunidade ao outro e uma oportunidade a nós próprios
  • Hoopes, cit. in Ouellet, 1991
  • Formas de Discriminação: Racial e de Género
  • Igualdade entre Homens e Mulheres: uma verdade ou falsa realidade?
  • A força da Cultura/Sociedade
  • Sobretudo até meados da década de 70, à mulher sempre foi atribuído o papel de cuidar dos filhos, enquanto que o homem seria a força de trabalho.
  • A linha do Direito antigo conferia ao homem um certo poder sobre a esposa, que desaparece apenas, do ponto de vista legal, com a revisão constitucional de 1978.
  • Mas será que desapareceu mesmo?
  • A força da Cultura/Sociedade
  • Do ponto de vista legal sim.
  • No entanto, as mudanças sociais e culturais são difíceis. A tendência que se tem verificado é a de uma relativa igualdade entre homens e mulheres, aos vários níveis.
  • Hoffman, 2004
  • Formas de Discriminação Género
  • Directa: discriminação entre homem e mulher ao nível da remuneração ou pelo simples facto da mulher pretender engravidar negar-lhe o acesso ao emprego.
  • Ex.
  • para o mesmo cargo e mesma funções homens e mulheres recebem salários diferentes.
  • Formas de discriminação Género (cont.)
  • Indirecta: Associação a determinados factores, aparentemente neutros, como forma de distinção entre homens e mulheres.
  • Ex.
  • A associação de determinado tipo de benefícios a critérios como o estado civil ou a situação familiar, assim como a noção de chefe de família ou de principal fonte de rendimento.
  • Discriminação Racial?
  • Conceito de Raça (Munanga, 1999)
  • Etimologicamente, o conceito de Raça surge do Italiano “Razza”, que por sua vez deriva do Latim “Ratio” que significa sorte, categoria, espécie.
  • Na história do conceito de raça, este foi primeiramente aplicado na Zoologia, na Botânica e na Biologia, para classificação das plantas.
  • Na Latim Medieval, o conceito de raça passou a designar-se descendência, linhagem, ou seja, um grupo de pessoas que descendem de um ancestral comum.
  • No Séc. XVIII a cor da pele foi considerada como entre as chamadas raças: Raça Branca, Negra e Amarela.
  • Ora, a cor da pele é definida pela concentração de Melanina. Também a cor dos olhos e do cabelo é definida pela concentração de melanina.
  • Uma maior concentração de Melanina, determina a pele mais escura, olhos e cabelo mais escuros e vice-versa.
  • Conceito de Raça (cont.)
  • Conceito de Raça (cont.)
  • Se os Naturalistas do Séc. XVIII e XIX se tivessem limitado a classificar em categorias os seres humanos, não teriam causado nenhum problema à Humanidade.
  • O problema é que estes começaram a Hierarquizar as Raças.
  • Assim, os indivíduos de cor “Branca” foram considerados superiores, em função das suas características morfológicas (cor de pele mais clara, forma do nariz, do crânio etc.)
  • Conceito de Raça (cont.)
  • Esta Hierarquização levou ao aparecimento em especial no Séc. XX da RACIOLOGIA.
  • Contrariamente a qualquer disciplina ciêntifica, esta disciplina não procurou explicar a questão da variabilidade humana.
  • Mas sim, e tendo um carácter ,muito doutrinário, serviu para legitimar e justificar os sistemas de dominação racial.
  • Esta corrente expandiu-se, e teve o seu auge, com o Nazismo.
  • Conceito de Raça (cont.)
  • Assim, o conceito de Raça de hoje em dia, nada tem que ver com o conceito originariamente, muito ligado à Biologia.
  • Deste modo, o Conceito de Raça surge como uma construção social, ideológica e política, baseado na dominação e poder.
  • Conceito de Racismo
  • Surge por volta de 1920.
  • “Atitude preconceituosa ou discriminatória em relação a indivíduo(s) de outra(s) raça(a)” (Munanga, 1999).
  • Conceito de Discriminação Racial
  • Hoje em dia não falamos em “Racismo” mas sim, em Discriminação Racial.
  • Entende-se por discriminação racial qualquer distinção, exclusão, restrição ou preferência em função da raça, cor, ascendência, origem nacional ou étnica, que tenha por objectivo ou produza como resultado a anulação ou restrição dos direitos e liberdades do outro (ACIME).
  • Alguns actos de Discriminação Racial:
  • A recusa de acesso a locais públicos ou abertos ao público
  • A recusa ou limitação de acesso a estabelecimento de ensino público ou privado
  • A recusa ou limitação de acesso aos cuidados de saúde prestados em estabelecimentos de saúde públicos ou privados
  • Alguns actos de Discriminação Racial:
  • O impedimento ou limitação ao acesso e exercício normal de uma actividade económica por qualquer pessoa singular ou colectiva
  • A adopção por entidade empregadora de prática que no âmbito da relação laboral discrimine um trabalhador ao seu serviço
  • Insultos, ofensas verbais, gestos discriminatórios etc.
  • A produção ou difusão de anúncios de ofertas de emprego, ou outras formas de publicidade ligada à pré-selecção ou ao recrutamento, que contenham conteúdos discriminatórios.
  • “O racismo começa quando a diferença, real ou imaginária, é usada para justificar uma agressão. Uma agressão que assenta na incapacidade para compreender o outro, para aceitar as diferenças e para se empenhar no diálogo”.
  • Mário Soares


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