A noiva Chantageada



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A Noiva Chantageada

(Dante’s Blackmailed Bride)

Day Leclaire



Os Dante 01

Severo Dante e seus irmãos sempre fizeram pouco dos rumores sobre o "Inferno", um desejo explosivo que dominaria os homens da família no instante em que vissem suas almas gêmeas...

Até que ele conheceu Francesca Sommers, e ficou atordoado frente a uma avassaladora atração mútua. Uma estrela em ascensão em uma empresa rival, Francesca é a designer de uma fantástica coleção de jóias que pode arruinar os planos de Severo para a reconstrução do império dos Dante. Só existe um meio de evitar o fracasso total: forçá-la a se tornar sua designer... E sua noiva... Até a ardente paixão arrefecer. Contudo, pode ser impossível controlar as chamas do "Inferno"...
Digitalização: Simone R.

Revisão: Bruna C.
Querida leitora,

Nesta edição de Harlequin Dueto, Os Dante, de Day Leclaire, trazemos duas histórias sobre uma família cujos integrantes têm suas vidas guiadas pela paixão.

Em A noiva chantageada, Francesca Sommers se apaixo­na por Severo Dante, o presidente da maior concorrente da empresa em que trabalha. Afinal, é impossível resistir a ele, ou ao desejo que os consome...

Em A esposa roubada, Caitlyn Vaughn se envolve com seu chefe, Lazzaro Dante, sem saber que, na verdade, o ho­mem que faz seu coração acelerar é Marco Dante, o irmão gêmeo dele. Mas Marco não pretende desistir dela, mesmo que precise tomá-la do irmão!



Equipe Editorial Harlequin Books
Prólogo

Ele se recusava a perder. Mas se recusava, sobretudo, a per­mitir que qualquer coisa, ou pessoa, atrapalhasse a reconstrução do império da família Dante.

Severo Dante lutava para manter o controle tranqüilo que ca­racterizava o seu modo de lidar com os negócios enquanto pen­sava nos irmãos. Achava mais difícil do que o de costume manter-se impassível naquele momento, talvez porque as decisões que estavam por vir afetariam o futuro de todos eles. Ainda que a paixão fosse à característica associada à imagem dos Dante, o diretor da companhia não poderia jamais permitir que a emoção sobrepujasse a razão. A verdade é que muitas coisas dependiam de sua habilidade para lidar com os bastidores dos negócios.

Enquanto outros possuíam a criatividade para engastar uma infinidade de pedras preciosas nas alianças mais cobiçadas do mundo, Sev contava com a lógica e o empreendedorismo neces­sários para recolocar a corporação Dante na posição respeitável e próspera que já havia ocupado. Pelo menos esse fora o plano até então...

Sev deu as costas para a vista panorâmica do centro de São Francisco e encarou os irmãos.

— Toda a situação me parecia ideal para que conseguíssemos comprar a Timeless Heirlooms e transformá-la em mais uma das empresas da corporação Dante... Mas o que diabos pode ter dado errado? — perguntou.

Os gêmeos da família, Marco e Lazzaro, exclamaram em uníssono:

— Eles têm um novo designer — explicou Marco.

— Que parece ter revitalizado os negócios — Lazz continuou.

— Quem é esse designer? Como se chama? De onde sur­giu? — Para a frustração de Sev, nenhum dos dois respondeu à pergunta. — Precisamos descobrir imediatamente. A Timeless Heirlooms pertencia a nós até a morte de papai nos forçar a vendê-la. Agora que consegui consolidar a posição financeira da Dante, quero a Timeless de volta imediatamente!

— Talvez devêssemos reconsiderar a ideia de comprar a Ti­meless — Marco redargüiu. — Como voltamos a ser internacio­nais, preferiria competir com eles e destruí-los. Parece-me que já fomos cuidadosos demais. Penso que devemos ir em frente e expandir a nossa produção para além do mercado de alianças e retomar outros setores que já foram nossos... Não apenas jóias clássicas, mas todo o tipo de brincos, braceletes, colares... Até mesmo tiaras, se existir uma demanda!

Sev balançou a cabeça negativamente:

— Ainda é muito cedo. Precisamos de uma coleção realmen­te espetacular para que possamos nos erguer, mas não temos essa coleção ou sequer uma campanha de marketing adequada. Por outro lado, quando comprarmos a Timeless, todo o merca­do será nosso automaticamente. E, quando nos consolidarmos, poderemos escolher nosso próximo objetivo. Algo ainda maior e mais ousado. — Voltou-se para Lazz. — Qual é a melhor ma­neira de encontrarmos esse novo designer?

—A Timeless apresentará sua coleção de primavera. — Lazz conferiu suas anotações. — Será amanhã à noite. Os Fontaine mostrarão seus últimos modelos de jóias e os designers também estarão presentes. E um deles em especial parece estar chaman­do muita atenção. Quando soubermos quem é esse designer, poderemos investigar o seu passado e descobrir seus pontos fracos.

Um brilho apareceu nos olhos de Marco.

— Melhor ainda, podemos tirá-lo dos Fontaine. Seria de grande valia para a Dante. Então, depois que comprarmos a Ti­meless Heirlooms, ele poderá voltar a fazer o que faz agora; projetar peças modernas, mas com visual clássico. — Havia um quê de impetuosidade em suas palavras. — Só que ele fará isso para os novos donos da Timeless: nós.

— Essa é, de fato, uma possibilidade. — Sev pensou mais um pouco. — Acho que será muito suspeito se nós três formos até a exposição da Timeless. Lazz, você ficará encarregado de conseguir as informações das quais precisamos. Marco, você é uma pessoa bastante sociável e irá comigo ao evento. Vou falar diretamente com os Fontaine.

— E eu usarei meu charme natural para saber das últimas fofocas. — Marco sorriu.

— O pior é que ele está certo — Lazz disse. — Nunca con­segui entender por que todas as mulheres voltam os olhares para Marco e me deixam de lado. Afinal, somos exatamente iguais.

Uma batida na porta interrompeu a contenda que se travava entre os dois irmãos desde os tempos em que ainda eram muito pequenos. Era Nicolò, o irmão mais novo. A família lhe atri­buía à merecida fama de sempre conseguir resolver os proble­mas mais diversos e a verdade era que Nic possuía a habilidade de dar conta dos maiores dilemas, sempre com idéias criativas. Gostava de dizer que, para ele, não havia problemas, apenas soluções.

— Primo avisou-me para vir — disse, referindo-se ao avô, a quem chamavam somente pelo primeiro nome. — Ele achou que pudessem ter alguma tarefa para mim.

Sev assentiu.

— Quero que trabalhe com Lazz. Ele lhe explicará o que já está decidido sobre a Timeless Heirlooms. Talvez precisemos de suas soluções inovadoras em um futuro próximo.

Nic inclinou a cabeça e o gesto refletiu tanto o seu interesse quanto a sua determinação.

— Farei isso imediatamente. Sev cruzou os braços e disse:

— Quando papai morreu e nós descobrimos que estávamos à beira da falência, tivemos que tomar decisões desagradáveis...

Você teve que tomar essas decisões — Lazz interrompeu. — Você foi forçado a vender todas as empresas que eram subsi­diárias da corporação Dante.

— Sim. Só vendendo as empresas secundárias foi possível sanear os negócios principais e recomeçar. — Sev olhou para cada um dos irmãos. — Foi uma longa estrada de volta, mas finalmente estamos em posição de reconquistar tudo o que per­demos. Não permitirei que nada impeça isso. Já concordamos que devemos retomar primeiro o setor de jóias tradicionais, com a Timeless Heirlooms. Se esse novo designer é nosso único obs­táculo, temos que achar uma maneira de trazê-lo para o nosso lado. — A expressão de Sev ficou séria. — Ou de tirá-lo do mercado definitivamente.


Capítulo Um

Francesca Sommers lançou um olhar crítico para o suntuoso salão de festas do Le Premier, o único hotel cinco estre­las de Nob Hill, e esforçou-se para controlar a ansiedade que a acometia. Em pouco mais de vinte e quatro horas, aconteceria a primeira exposição das suas jóias. Àquela altura, ainda não conseguia acreditar na própria sorte. Agradecia aos céus pela oportunidade de trabalhar com Tina e Kurt Fontaine e de ter as suas criações expostas na coleção de primavera da Timeless Heirlooms.

Como se sentisse a apreensão de Francesca, Tina aproximou-se e a abraçou.

— Acho que já está na hora de parar de se preocupar — disse. — As suas peças serão o grande sucesso da noite. Você vai ver. Não estou querendo desprezar o talento e a habilidade de Cliff e Deborah, os dois são bons designers, mas será a sua coleção que deixará todos babando. É o equilíbrio perfeito entre a elegância romântica e a atração imortal pelo clássico; exatamente a marca de nossa companhia!

Francesca conseguiu relaxar um pouco, mas sorriu em retri­buição ao elogio.

— Tem certeza de que não quer dizer que é antiquado? — perguntou, rindo.

Tina levantou uma sobrancelha escura, que conferia um ar decidido aos seus traços exóticos e sentenciou:

— Peças de época sempre foram à especialidade dos Fon­taine. Estamos em vantagem na volta desse estilo à moda. Você vai ver. A apresentação de amanhã nos lançará em direção ao sucesso.

— Chamar a atenção de Juliet Bloom é o que realmente nos lançaria em direção ao sucesso. Por acaso ela respondeu ao nos­so convite?

— Sim. O agente dela entrou em contato conosco. Ela ainda está fora do país, gravando o seu último filme, mas enviará alguém para representá-la. E descobri que seu próximo filme será mais um de época. Se a representante gostar do que vir... — Tina deu de ombros. — Fizemos tudo o que pudemos. O resto cabe ao destino e a essas peças maravilhosas que você criou.

Kurt entrou no salão e Tina pediu licença para se juntar ao marido. Francesca fingiu ocupar toda a sua atenção com cada uma das vitrines que estavam sendo montadas, mas, na verdade, analisava seus patrões ansiosamente.

Tina, a brilhante e criativa dona da Timeless Heirlooms, era totalmente diferente do marido, com quem tinha um casamen­to de quase trinta anos. Uma mulher pequena, morena e cheia de energia, que vivia os dias cheia de atividade, enquanto Kurt levava a vida com tranqüilidade. Sem dúvida, Kurt era um dos homens mais bonitos que Francesca já conhecera e a sua beleza nórdica e fria era o extremo oposto das feições quentes e latinas da esposa. Ainda que fosse o diretor de operações da Timeless, seu trabalho consistia, de fato, em apoiar Tina e garantir que os negócios da empresa estivessem sendo feitos da maneira cor­reta. Com seu comportamento calmo e reconfortante, sempre conseguia fazer as duas coisas, mesmo em períodos mais estressantes e frenéticos, como aquele que vivam.

Francesca juntou as mãos e pensou que, de fato, a Timeless Heirlooms precisava mais do que nunca do equilíbrio de Kurt. Apesar das tentativas dos Fontaine de manter os funcionários sem saber do que estava acontecendo, Francesca ouvira boatos sobre as dificuldades financeiras da empresa. Naquele momen­to, estavam todos contando com ela, ou melhor, com suas cria­ções, para ajudá-los a retomar as forças no instável mercado de jóias. Assim, Francesca dedicara-se de corpo e alma ao trabalho, proporcionando aos Fontaine o que poderia produzir de melhor com seu talento e suas habilidades. Mas seria o suficiente?

Francesca sempre desejara trabalhar para uma das empresas pertencentes à família Dante; isso daria a ela a oportunidade de crescer na carreira e ver suas criações ganharem vida. Mas, quando os Fontaine compraram a Timeless, uma razão diferente a levou a se candidatar ao emprego. Um motivo que manteve guardado em seu coração.

Trabalhar na Timeless lhe daria a oportunidade de conhecer seu pai.

Os planos de Sev para a noite da exposição dos Fontaine pareciam perfeitos... Até o momento em que a viu.

Por alguma razão inexplicável, ela chamou sua atenção no instante em que entrou no salão e aquele simples olhar foi como um raio vindo do céu, poderoso e ardente. Os olhos dela bri­lhavam como um barco solitário na escuridão do mar. Todos os planos de negócios, todas as idéias a respeito da compra da Timeless, de descobrir quem era o novo designer e contratá-lo desapareceram da mente de Sev. No lugar disso tudo, havia ape­nas um pensamento, absoluto:



Conquistar aquela mulher.

Ela estava em meio a um grupo de pessoas e era como um cisne dourado rodeado por pardais. Tudo nela era graça e ele­gância clássicas, a própria personificação do lema da Timeless Heirlooms: jóias que combinam o passado com o presente. É verdade que conhecia muitas mulheres lindíssimas, mas alguma coisa em Francesca o cativou profundamente. Um desejo inces­sante envolveu-o por completo, como uma teia indestrutível que jamais cederia, por mais que ele lutasse para se libertar. Por uma fração de segundo, Sev esqueceu o motivo que o levara até ali ou o que pretendia fazer. Em vez disso, sentiu-se compelido a atender àquele instinto primordial. E teria feito exatamente isso, caso Marco não houvesse puxado o seu braço no momento em que se afastava.

— Ei! Aonde pensa que vai? Os Fontaine estão do outro lado do salão. — Marco olhou na mesma direção que Sev e sorriu, imediatamente entendendo tudo. — Bella, não?

— Sim.


Essa única palavra, recheada de desejo, deixou claro o estado emocional em que se encontrava e Sev balançou a cabeça em uma tentativa de dissipar o feitiço que o envolvia. Que diabos estava acontecendo? Nunca nada o fizera perder a concentração daquela maneira. Nunca nada estivera entre ele e os seus negó­cios. Nada. Nem mesmo uma mulher deslumbrante cuja presen­ça exercia a mesma atração do canto de uma sereia.

Marco ajeitou o terno antes de falar.

— Como minha missão é me misturar aos convidados en­quanto você vê que tipo de informação os Fontaine estão dis­postos a revelar, creio que a moça em questão está na minha lista. — Bateu suavemente nas costas do irmão. — Parece que você está sem sorte hoje, Sev.

Ao pensar que o irmão poderia se aproximar daquela mulher, Sev ficou irado. Logo Marco, que era o mais sedutor dos quatro e que podia conseguir qualquer mulher com um simples olhar! Marco, que aproveitava ao máximo todas as mulheres para, em seguida, descartá-las sem a menor cerimônia! Não... Não tinha o direito de se aproximar do seu cisne dourado!

Mais uma vez, os desejos de Sev soaram como uma ordem em seu cérebro:

Conquiste aquela mulher!

— Ela, não — ordenou. — Fique longe dela.

Sev estava tão atordoado que se surpreendeu com o fato de que ainda conseguia falar com alguma coerência, considerando a compulsão que o tomara e o levara a reagir de uma maneira que destoava de suas atitudes normais. Ainda assim, Marco pa­recia não entender.

— Não é justo — protestou. — Por que não deixamos a moça decidir por si mesma qual de nós a agrada?

Sev simplesmente se virou e encarou o irmão.

— Ela, não — repetiu.

Marco levantou as mãos, a expressão bem-humorada desapa­recendo de seu rosto.

— Está bem, está bem. Mas, se essa mulher se aproximar de mim, não vou dispensá-la. Nem mesmo por você.

Severo cerrou os punhos e precisou de todo o autocontrole que possuía para não esmurrar o irmão.

— Se ela se aproximar de você, mande-a vir até mim. Marco franziu o cenho.

— Você já conhece essa mulher? Tem alguma história com ela? Sabe que eu não me meto com as mulheres dos meus irmãos. Pelo menos até que terminem com elas. — Ele voltou a sorrir. — Mas parece que as coisas não estão acabadas entre vocês, não é?

— Não estão acabadas. Na verdade, nem começaram. — O olhar de Sev se fixou na mulher. — Ainda. Estou apenas reivin­dicando o que pertence a mim. Está claro ou terei que esmurrá-lo até que entenda?

— Não está nada claro. Reivindicando? Esmurrar? — Mar­co franziu ainda mais o cenho. — Por acaso perdeu o juízo? Nunca falou assim por causa de nenhuma mulher. O que deu em você?

Sev inspirou lentamente enquanto tentava tirar a mulher da cabeça, mas não obteve muito sucesso. O que dera nele? Marco estava certo. Nunca reagira assim a nenhuma mulher. Nada nem ninguém antecediam os seus negócios. Mas bastou mais uma olhada em direção à loira para que todo o seu raciocínio desse lugar mais uma vez às violentas ondas de desejo ardente, que o preencheram com uma enorme urgência de ir até lá, de seduzi-la. Sem se importar com coisa alguma. O sentimento encobria todo o resto, arraigado em sua alma e esticando poderosos tentáculos que se prendiam a cada pedaço dele e se recusavam a soltá-lo.

— Ei! Acorde! — Preocupado, Marco estalou os dedos em frente ao rosto de Sev. — Por que não vamos logo conferir os designs novos antes de agirmos? Precisamos saber com o que estamos lidando.

— É uma boa ideia — Sev conseguiu responder.

Mesmo com o braço de Marco sobre seu ombro, Sev pre­cisou de todo o seu autocontrole para conseguir dar as costas à loira e se afastar. A cada passo, sentia a areia movediça do desejo o engolindo. Não importava o quanto se distanciava, ele ainda conseguia senti-la de todas as maneiras, e este sen­timento o deixava desconfortável, mais do que gostaria de admitir.

A coleção de primavera estava exposta sobre belos cortes de seda e os irmãos passaram muito tempo estudando as peças. Al­gumas modelos também circulavam pelo salão, com a beleza natural destacada pelo brilho de diamantes e outras pedras colo­ridas. Enquanto Marco flertava com as modelos, Sev observava as vitrines, ainda esperando que a loira fosse em sua direção. Como a vira usando um dos conjuntos da coleção, concluiu que devia ser também uma modelo, pois tinha o corpo perfeito e o rosto de feições impecáveis. Mas ela não se aproximava, e ele não sabia se deveria se sentir aliviado ou incomodado.

Quando Marco encerrou a conversa com uma ruiva lindíssi­ma, que estava desfilando com um conjunto de três milhões de dólares, voltou para perto de Sev.

— Não entendo... Nenhuma das jóias que vi até agora seria suficiente para salvar a Timeless da falência — disse, em voz baixa. — Essas jóias não passam de uma repetição de tudo o que já foi feito.

— Não, nem todas... Essa, por exemplo, não.

Sev parou em frente a uma vitrine que se destacava pela simplicidade. As jóias expostas ali não precisavam de qualquer decoração luxuosa para se destacar porque a sua beleza se projetaria de qualquer forma. Uma combinação de diamantes, ouro branco e azeviche formavam um conjunto elegante e sofistica­do como já não se via mais. Mesmo assim, cada uma das jóias desprendia uma atmosfera de romantismo... Era como se quem recebesse o colar, o anel ou o bracelete estivesse, na verdade, recebendo uma promessa de amor e devoção eterna.

De repente, uma imagem da mulher loira usando aquele con­junto invadiu sua mente. Visualizava os contornos delicados do colar sobre a pele ainda mais delicada do seu pescoço e o seu porte natural salientado pela beleza dos brincos, que pendiam das orelhas no formato clássico e simples de uma gota. Ficariam perfeitos nela, especialmente se complementados pela pele clara e suave e uma cobertura simples de seda preta.

— Ah, droga. É a primeira peça que eu vejo do trabalho des­se designer. É exatamente o que eu tinha em mente para nossa expansão — Marco disse. — Agora, sim, temos um problema.

Na verdade, estavam com mais de um problema, já que, se Sev não conseguisse voltar a se concentrar nos planos da empresa, poderiam dar adeus à ideia de comprar a Timeless Heirlooms.

— Descubra quem desenhou essas jóias e passe a informação para Lazz e Nic — ele instruiu. — Falarei com os Fontaine. Talvez consiga descobrir algo de útil.

Ou talvez ele devesse ir até a cozinha, pegar um balde de gelo e tentar apagar o ardor que o consumia. Que diabos! Como aquela mulher conseguira fazer aquilo com ele?

Marco fez uma careta:

— O que quer que você descubra, é bom que seja útil, porque tenho o pressentimento de que eles não precisam mais vender a Timeless.

Infelizmente Sev sabia que o irmão estava certo. Ainda assim, a conversa com os Fontaine foi proveitosa. Soube que haviam contratado três novos designers com o propósito de revitalizar a Timeless. Era óbvio que tinham algum negócio grande planeja­do para o futuro e qualquer que fosse o trato estavam certos de que os projetaria no mercado.

De qualquer modo, Sev captou uma ponta de desespero que Tina não conseguiu disfarçar bem. Apesar do sucesso da noite a empresa continuava vulnerável. Ele só precisava descobrir a fonte dessa vulnerabilidade para explorá-la.

Foi até o fundo do salão, onde grandes portas se abriam para uma vista estonteante para a cidade de São Francisco. A leve brisa ainda carregava um pouco do frio do inverno, mas ele se sentiu aliviado pelo contraste com o ar quente e perfumado do salão. Sev tirou o celular do bolso e ativou o comando de voz.

— Lazz — disse.

Alguns segundos depois, a chamada foi completada.

— Sev? — respondeu Lazz enquanto digitava em um com­putador; como sempre, fazendo várias coisas ao mesmo tempo. — Acabei de falar com Marco.

— E?


Lazz suspirou antes de responder.

— Vocês estão na mesma festa. Por que sou eu quem está fazendo a comunicação entre os dois?

— Quer realmente que eu responda?

— Certo, certo. Marco já conseguiu o nome de dois dos três novos designers para você. Clifton Paris e Deborah Leighton. Agora está tentando descobrir quem é o terceiro, mas todos es­tão mantendo o mistério. Ele acha que é porque pretendem fazer um grande anúncio com relação a esse último designer.

— O que quer dizer que esse é o que procuramos.

— Provavelmente. Marco disse que há uma negociação es­pecial que a Timeless está prestes a fechar, também envolvendo esse novo designer.

— Os Fontaine disseram o mesmo. Marco sabe sobre o que é a negociação ou qual é o designer?

— Na verdade... Sabe, pelo menos em parte. Parece que estão prestes a vender as jóias para uma atriz muito famosa.

Sev tentou ser paciente.

— Existem muitas atrizes famosas, Lazz. Precisamos saber qual delas está interessada nas jóias.

— Ainda não sei. Mas, pelos boatos, é das de primeiro esca­lão. Se conseguirem alguém como Júlia Roberts, Nicole Kidman ou Juliet Bloom será algo imenso para eles. E isso acabará tanto com a necessidade de vender a empresa quanto com a nossa possibilidade de competir com eles no mercado.

Sev fez uma careta pela observação demasiadamente precisa do irmão.

— Preciso descobrir de quem se trata e retardar a negocia­ção. Dê essa tarefa a Nicolò.

— Farei isso agora mesmo.

— Também precisaremos de um detetive particular. Ligue para aquele que contratamos no ano passado, Rufio, e peça para que comece imediatamente a investigar a vida dos dois desig­ners que Marco já identificou. Em seguida, ligue para Marco, e diga que quero saber o terceiro nome o mais rápido possível. Fale para ele me avisar assim que souber.

— Certo.


Sev desligou o telefone e o guardou. Era hora de se preparar para a segunda parte do plano. Para o seu alívio, a reação à loira parecia ter abrandado. Já se passavam mais de cinco minutos sem que a imagem dela invadisse sua mente e o desconcertasse.

Ao menos era o que pensava até o momento em que a mu­lher apareceu na porta e olhou-o diretamente nos olhos. Por um momento, chegou a pensar que tinha ido procurá-lo, como se a atração subliminar entre os dois a houvesse empurrado até ali. Só então percebeu que os olhos dela ainda não haviam se ajusta­do à escuridão que o ocultava. Ele quase resmungou. Ela sequer conseguia vê-lo. Mas será que era capaz de senti-lo? Duvidava disso, pois sabia que a sua imaginação era vítima da insanidade que o dominava.

Ela usava um vestido simples e belo. O lilás do tecido complementava perfeitamente o conjunto de jóias que usava sem dúvida outro trabalho do designer misterioso da Timeless. O colar era constituído por uma tira fina de prata, traba­lhada com diamantes e ametistas, que pendia do seu pescoço. Um par de brincos do mesmo material adornava suas orelhas delicadas.

Com um suspiro de alívio, ela saiu para a varanda com a sua beleza cheia de estilo e sofisticação. A luz do salão às suas costas revelou uma silhueta curvilínea, feminina e perfeita que quase fez Sev cair de joelhos. Os seios fartos e volumosos da­vam uma definição fantástica ao corte do vestido.

Ela caminhou até a balaustrada e admirou a vista, esfregando os braços desnudos para se proteger do frio. Sev, por sua vez, descobriu que não conseguia se mover. A parte racional de seu cérebro ordenava que voltasse ao salão para dar cabo da tarefa daquela noite, mas um desejo premente abafava aquela pequena voz de sanidade. Era como se naquele momento estivesse completamente reduzido aos instintos. E o instinto exigia que possuísse aquela mulher de corpo e alma.

Os instintos dela pareciam estar em sintonia com os dele, pois ela levantou a cabeça, como se sentisse o cheiro no ar. Em seguida, virou-se exatamente na direção dele, os olhares se en­contrando.

— Eu estava esperando por você — ele disse.

Francesca congelou, seus sentidos se apurando em uma rea­ção instintiva de luta ou fuga. Não conseguia entender como havia percebido a presença daquele homem. Em um segundo, achava que estava sozinha e, no instante seguinte, ela o sentira de maneira totalmente intuitiva.

Ela o encarou e o ar lhe fugiu dos pulmões. Os cabelos ne­gros e o terno escuro se misturavam ao breu, como se o seu cor­po fosse parte da noite. Apenas os olhos se destacavam brilhan­do como ouro contra a escuridão infinita. Como se percebendo a apreensão dela, ele saiu da escuridão e foi até a luz, para que ela pudesse vê-lo melhor.

A altura dele a impressionou. Tinha em torno de 1,90m, com um corpo imponente e as pernas compridas e fortes. Desde a infância não se sentia assim tão pequena perto de outra pessoa. As feições aristocráticas e exóticas do rosto masculino eram salientadas pela luz ambiente. Que os céus a ajudassem! Não conseguia se lembrar da última vez em que vira um homem tão belo.

Mas alguma coisa a atordoou ainda mais do que a sua apa­rência: o turbilhão emocional que ele causava. Nunca reagira a ninguém dessa maneira antes. E nunca experimentara uma sen­sação física tão intensa e incontrolável. No instante em que o homem se postou à sua frente, sentiu-se indefesa, algo que lhe era completamente estranho. A intensidade absoluta do próprio desejo a chocou de tal maneira que apenas conseguiu encarar o homem quando ele lhe ofereceu a mão.

— Você estava esperando por mim? — conseguiu finalmente perguntar. — Por quê?

— Notei-a assim que cheguei e estive esperando que pudés­semos nos conhecer. Meu nome é Severo, mas pode me chamar de Sev.

— Sou Francesca Sommers. — Quando tocou a mão que Sev a oferecia, deu um pulo para trás. — Meu Deus! O que foi isso?

— Parece eletricidade estática. — Ele parecia igualmente surpreso.

Francesca já sentira eletricidade estática antes. Quem nunca experimentara aquele pequeno choque? Na verdade, lembrava-se de que quando era criança brincava com os seus colegas de esfregar as meias no tapete antes de saírem correndo um atrás do outro, tentando usá-las para dar choques nos amigos. Mas aquela pequena descarga de eletricidade não tinha nada a ver com aquilo.

Francesca esfregou a palma da mão no quadril, mas, após aquele primeiro calor trocado entre os dois, a sensação mudou. Era um efeito novo e desconhecido...

— Talvez devêssemos tentar de novo — disse Sev. Francesca deu um passo para trás.

— Eu acho melhor não...

Os lábios de Sev se contraíram.

— Eu sinto muito, mas não sei por que e nem como esse choque aconteceu. Você tem certeza de que não podemos tentar mais uma vez? — Ele estendeu a mão. — Prometo que, se algu­ma coisa ruim acontecer, ficarei longe daqui em diante.

Francesca ainda hesitou por um instante, mas acabou tocan­do a mão estendida.

— Até aqui, parece que está tudo bem.

A sensação anterior não se repetiu verdade. Mas em seu lu­gar aconteceu outra. Era como se uma parte do corpo de Sev houvesse irremediavelmente se misturado ao corpo de Frances­ca por meio daquele simples aperto de mãos... Alcançando os recônditos dos seus corações.

Francesca lutou para se libertar do próprio atordoamento.

— Então... O que o trouxe à apresentação, Sev? Você é um comprador?

— Não exatamente. Ainda que fosse gostar muito de possuir um conjunto como o que você está usando. Será que posso vê-lo mais de perto?

Estavam apenas a pouco mais de meio metro de distância. O passo que ele deu em direção a ela encurtou aquela distância para meros centímetros e intensificou a reação dela a Sev. Inspirando profundamente, ela virou a cabeça para o lado, para que ele pudesse ver melhor a criação dela, enquanto rezava em silêncio para que aquele momento não se prolongasse por muito tempo. Ansiava por escapar para a relativa segurança das sombras que os cercavam. Mas, quando as mãos dele tocaram a curva do seu pescoço suavemente, não demorou a descobrir que escapar era a última coisa que desejava. Era como se os dedos dele deixassem um rastro de fogo nos lugares em que a tocavam.

— Impressionante. Absolutamente impressionante.

De início, o comentário pareceu bem simples, mas um caráter lírico europeu o permeava, preenchendo-o com um sabor es­trangeiro. Eram como os versos prosaicos de uma ópera italiana. Como o odor das vinícolas no verão da Toscana.

Sem conseguir se conter, sussurrou o nome do homem que a inflamava. A resposta de Sev veio na forma de um movimento apaixonado. Abraçou-a com força e os seus corpos se uniram. Francesca tocou com suavidade as ondas grossas do cabelo dele enquanto ele passava as mãos pelo seu quadril e pela sua coluna, inundando-a com os mais profundos anseios

Os lábios se tocaram levemente. Uma, duas vezes. Até que finalmente uniram-se em um beijo ardente e perfeito.

Foi como se a essência dele lhe houvesse penetrado até os ossos, ainda que não fosse o suficiente para aplacar a sua ânsia.

— Não estou entendendo — Francesca disse. — Acabamos de nos conhecer e não consigo tirar as mãos de você.

— Eu também não sei explicar. — O desejo transparecia na expressão faminta dele. — Mas está acontecendo e, agora, tudo o que importa é o que estamos sentindo agora. E, felizmente, isso é algo fácil de se resolver.

Sim. Por sorte, eles poderiam consertar esta aterradora reação e fazê-la desaparecer.

— Certo. Vamos dar um jeito nisso.

Severo a segurou pela mão antes de dizer:

— Vamos.

— Como assim? — Ela resistiu quando ele a puxou, não que tivesse adiantado, pois ele simplesmente a arrastou. — Vamos aonde?

— Vou pegar um quarto aqui mesmo no Le Premier e pas­saremos a noite juntos, resolvendo isso. De manhã prosseguire­mos com as nossas vidas, satisfeitos.

Francesca esforçou-se para pensar com clareza.

— Isso é loucura!

Severo, um homem que acabara de conhecer a preenchera com uma paixão que nunca experimentara antes, e agora sugeria que passassem a noite juntos. Mas parecia ter desconsiderado um ponto importante antes de fazer a proposta.

— Eu não sou esse tipo de mulher. Ele sequer reduziu o passo.

— Geralmente, eu também não sou esse tipo de homem. Mas, por você, estou disposto a abrir uma exceção.

Fosse outra a situação, ela teria achado o comentário dele divertido. Sem o calor do abraço dele, o ar frio de São Francisco a ajudou a recobrar uma parte do bom-senso e ela se libertou dele.

— Espere! Espere um minuto.

— Acho que não tenho um minuto para esperar — ele res­pondeu. E um sorriso doce realçou a sua beleza masculina. — Trinta segundos servem?

Ela levou as mãos ao cabelo, desfazendo o pequeno coque elegante que lhe tomara tanto tempo para fazer, poucas horas atrás. Havia uma razão para que não fosse com ele. Uma razão muito boa, ainda que mal conseguisse se lembrar.

— Não posso ir com você. Tenho que voltar lá para dentro. Tenho... Tenho compromissos. — Isso; compromissos. Compro­missos relacionados a... Ela suspirou. Por que não conseguia se lembrar? —Acho que tenho que fazer algo importante.

Sev olhou perplexo, para o salão.

— Eu também. — Seus lábios se esticaram em outro sorriso encantador que ela achou irresistível. Mudou completamente a aparência dele, transformando-o de um homem austero em al­guém que ela gostaria muito de ter como amante. — Como você não me conhece, talvez não goste do que vou dizer, mas, no mo­mento, não dou a mínima para obrigações ou compromissos ou o que quer que devesse estar fazendo ou dizendo ou pensando. Tudo o que me interessa agora é achar o quarto mais próximo.

— Não sei se...

Ele passou o braço em torno dela, puxando-a para perto. As mãos dela se encontraram com o poderoso peito de Sev. Tudo nele a seduzia. Seu olhar, o profundo calor de sua voz, a cálida sensação de seu corpo contra o dela...

— Talvez isso a convença.

Ele abaixou a cabeça mais uma vez e a beijou. Se antes o beijo trocado fora lento e delicado, agora dava lugar a uma ânsia selvagem.

As mãos de Francesca subiram e agarraram os largos om­bros de Sev. Ela conseguia sentir o quanto ele se continha e descobriu que desejava libertar aquele poder todo. Como seria o abraço dele quando não mais se contivesse. O pensamento a fez gemer.

Ele com certeza ouviu o pequeno som, porque se retesou e exibiu um misto de desejo e determinação. O beijo se aprofun­dou. Ele a queria, e mostrava isso em cada beijo. Se estivessem em outro lugar, Francesca teria feito algo completamente desconhecido para ela; teria se rendido à sedução dele e se entregado na mesma hora.

Nunca experimentara uma atração como aquela em seus vin­te e seis anos. Como poderia duvidar ou questionar qualquer coisa? A necessidade de estar com aquele homem era o que fala­va mais alto. O lugar dela era naqueles braços. Ela queria o que apenas ele poderia oferecer. Mais do que isso, queria retribuir tudo o que Sev a oferecia. Como se percebesse que as defesas dela desmoronavam, ele levantou a cabeça e fitou-a com seus olhos negros.

— Venha comigo — ele insistiu e ofereceu-lhe a mão. — Ar­risque Francesca.

Como poderia recusar? Sem mais uma palavra, entrelaçou seus dedos nos dele.


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