A origem da educaçÃO Árabe no paraná



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A ORIGEM DA EDUCAÇÃO ÁRABE NO PARANÁ

Wanessa Margotti Ramos Storti

Universidade Federal do Paraná

wanessastorti@yahoo.com.br

Palavras-chave: cultura escolar, imigração árabe, educação.

O tema desse artigo é a história da Escola Islâmica do Paraná, fundada em 1969, em Curitiba. Sua relevância para o campo educacional se refere à necessidade explicativa de concepções educacionais sobre a cultura escolar árabe em Curitiba. Apesar de esta escola possuir relação direta com imigrantes árabes muçulmanos que, ao chegarem ao Brasil, sentiram necessidade de continuar a divulgar sua tradição, a religião islâmica não será o objetivo principal desta dissertação. Ela, porém, é um dos elementos culturais que compõe a construção da representação da comunidade em Curitiba.



Objetivos

O objetivo desta pesquisa reside na compreensão da ação deste grupo na criação de uma escola em Curitiba, e problematizar as manifestações e construções que identificam traços culturais escolares em uma instituição privada que se fundamentava na manutenção de valores e costumes trazidos pelos antepassados, uma vez que a instituição foi criada por eles. A escola passou a ser, para a comunidade, um dos centros de sua sociabilidade.



Metodologia

Ao tomar os recentes debates que entendem a história da escola como um campo de pesquisa e obedecendo aos procedimentos da investigação histórica, ao trato com as fontes, à sua análise e à interpretação, o uso de documentos como regimentos, leis, livros de professores, esses itens tornam-se ferramentas para a compreensão de sua estrutura física e simbólica. Como afirma Viñao Frago (2000), o aparecimento, o uso, a transformação e o desaparecimento desses objetos, são reveladores das práticas educacionais e suas mudanças.

Por tratar de uma escola fundada por imigrantes árabes, tornou-se necessária a contextualização de sua chegada ao Brasil, e particularmente, em Curitiba. Desvinculados daquela imigração destinada às lavouras do interior paulista e dos Estados do Sul nas primeiras décadas do século XIX, os imigrantes árabes ligaram-se aos ofícios urbanos e comerciais, sobretudo o de mascate como uma forma de sobrevivência. Em 1895, os árabes representavam 90% dos mascates oficialmente listados em São Paulo (TRUZZI, 2007). Portanto, torna-se importante compreender como se deu o processo de inserção do grupo no território de recepção, entendendo as negociações que os imigrantes e seus descendentes fizeram ao longo desta trajetória em relação aos elementos identitários de ordem familiar, comunal e religiosa. Através dos relatos obtidos, várias famílias que ajudaram na construção da Sociedade Beneficente Muçulmana do Paraná, ao chegarem à Curitiba, no início da década de 1950, tiveram como primeira fonte de renda o trabalho de mascate de tecidos, perfumes e flores.

A preservação da identidade cultural era importante para aqueles que permaneciam ligados à comunidade sírio-libanesa ou mantinham laços com o território de origem.

Deve-se levar em consideração que o conceito de “família” no mundo árabe é um tanto diferente em relação ao conceito ocidental. Sua organização se dá em três níveis, sendo o primeiro deles a família “nuclear” ou “conjugal”, formada pelo casal e seus filhos; no nível seguinte encontra-se um conceito mais abrangente, a família grande, que reúne sob um mesmo teto três gerações, sendo constituída por avós, pais e filhos e considerada por alguns estudiosos da imigração árabe como a mais importante unidade familiar por ter, entre outras atribuições, a de controlar o comportamento e o matrimônio de seus membros. (HAJJAR, 1985)

No início, o grupo árabe islâmico que residia no Brasil organizou sociedades beneficentes e centros de juventude, e posteriormente, locais de culto. A intenção era promover formas de solidariedade entre os membros e compartilhar suas tradições com as novas gerações.

Para a prática da religião muçulmana não havia um ambiente propício após a chegada dos primeiros imigrantes. O primeiro motivo era a ausência de uma rede de templos muçulmanos que permitisse a realização das orações conjuntas e festejos religiosos. (NASSER, 2006). A Sociedade Beneficente Muçulmana de São Paulo foi criada em 1929 e serviu durante os primeiros anos de sua fundação até 1950, como centro de celebração religiosa em seu salão, quando mais tarde tal responsabilidade passa a ser da Mesquita Brasil, a primeira do país.

O marco institucional da presença islâmica em Curitiba foi a criação da Sociedade Beneficente Muçulmana do Paraná, cuja ata de fundação é datada de 28 de julho de 1957. Segundo Nasser (2006),

as festividades religiosas e as orações congregacionais das sextas-feiras realizadas nas residências de um dos membros da colônia. Nos três primeiros anos de funcionamento, enquanto se manteve na Rua do Rosário, a sede da Sociedade era utilizada apenas para reuniões sociais. (NASSER, 2006, p. 111).

Com o crescimento da comunidade foi necessário um local maior para a acomodação de todos. Após três anos, a sede da Sociedade foi transferida para a Rua Kellers, número 473, no Alto São Francisco, que passou a servir para reuniões e encontros dos muçulmanos e seus rituais religiosos.

Os primeiros árabes de fé islâmica que chegaram em Curitiba instalaram-se no centro da cidade, como a Praça Tiradentes, onde já havia intenso comércio. Perseguiam a autonomia de gerir seu próprio negócio, ainda que fosse para realizar o trabalho de mascate. Eles mascateavam pelas zonas rurais, mas fixaram-se, sobretudo na capital, inicialmente em cortiços, moradias populares com cômodos para alugar, onde se aglomeravam famílias inteiras em um espaço reduzido. À frente a loja, aos fundos a casa para a família.

Entre o final da Primeira Guerra Mundial e o início da década de 1920, imigrantes muçulmanos vindos especialmente do Líbano – que à época do Império Otomano não era nação independente, mas conformava, junto à Síria, Jordânia e Palestina a província denominada Biladi Cham, ou “Terra de Cham” – começaram a se instalar, de forma tímida, em Curitiba. Estes indivíduos que, como apontamos anteriormente, não constituíram, pela sua pequena quantidade, uma leva de imigrantes, foram importantes na fundação de uma primeira rede de sociabilidade islâmica na cidade, conformando uma estrutura étnica muçulmana que vai permitir a recepção e a inserção dos imigrantes que chegaram vinte ou trinta anos depois (NASSER, 2006, p.35).

Já estava previsto no estatuto da Sociedade Beneficente Muçulmana do Paraná, em 1957, a abertura de uma escola com o objetivo de manter a tradição islâmica e a língua árabe para os imigrantes que moravam na cidade.

O crescimento da comunidade e o nascimento dos filhos e netos em um ambiente não islâmico despertaram entre os mais velhos o receio de que a cultura árabe muçulmana se perdesse. A escola se constituiria, então, ao lado da família, em mais um espaço de afirmação e preservação da cultura dos antepassados, no qual se daria a transmissão da tradição islâmica ao longo das gerações futuras. (NASSER, 2006, p. 114).

Passaram-se 12 anos entre a fundação da Sociedade até a inauguração da Escola Islâmica do Paraná, em 1969. A adaptação à nova terra e a estruturação da comunidade árabe foram elementos primordiais para o projeto escolar.

Para compreender de que maneira esse projeto tornou-se realidade e entender as origens, manutenção e fechamento desta escola, as principais fontes para esta pesquisa são os documentos escritos e relatos dos professores e dos administradores da própria instituição. O arquivo documental da escola é formado por dezessete livros catalogados, contendo registros de chamadas, atas de reuniões, compras da escola, registro de notas, livro ponto, entre outros. Os registros escolares dos quatro anos de existência da instituição estão contidos nestes livros, alguns com mais informações que outros. Além disso, a planta arquitetônica do edifício da Sociedade datada de 1963 mostrou que no projeto inicial da construção da sede estava assinalado o espaço para uma instituição de ensino. A importância de se trabalhar com documentos originais é relevante para o historiador, apesar de estarem envolvidos em um cenário social determinado.

Para entender o quadro da imigração árabe muçulmana em Curitiba e observar as relações com a Sociedade, ajuda à pesquisa a consulta dos Livros de Registro de Naturalização (Arquivo Público do Paraná). Nestes há informações como nome dos imigrantes, região de origem, idade, data de concessão da naturalização e, em alguns registros, o seu endereço à época da naturalização. Também contribuem nas análises as atas das reuniões da Sociedade Beneficente Muçulmana do Paraná e o Estatuto da entidade.

Acerca da produção historiográfica que trata da imigração árabe no Brasil, esta se concentra no estado de São Paulo. Dois outros trabalhos, que relatam a chegada dos imigrantes no Paraná e, em Curitiba, são: Siqueira (2002) trabalhou com a trajetória dos árabes desde a chegada à capital paranaense e a fundação do Clube Sírio-Libanês do Paraná, importante local de encontro da comunidade, e a dissertação de Nasser (2006), que teve como objeto de pesquisa a chegada dos árabes-muçulmanos no Estado e seus desdobramentos, como a criação da Sociedade Beneficente Muçulmana do Paraná, da mesquita e do cemitério islâmico.

Quando se trata da imigração árabe muçulmana, os pesquisadores deste tema enfrentam a escassez de fontes, talvez por terem como objeto um grupo minoritário.

Posteriormente, a atual presença muçulmana não foi objeto de estudo no campo da análise das religiões do Brasil. Podemos encontrar apenas alguma menção à chegada de contingentes de árabes muçulmanos no contexto de trabalhos sobre imigração árabe. Trata-se apenas de indicações, pois esses mesmos trabalhos assinalam que, nas diferentes ondas de imigração árabe para o Brasil, os grupos de árabes-muçulmanos foram muito minoritários, já que em todas essas etapas houve amplo predomínio de imigração de árabes-cristãos. (OSMAN, 1998, p. 17).

Além dos trabalhos comentados, os jornais circulantes na época e os arquivos da Secretaria de Educação do Paraná (SEED) são de importância a esta pesquisa. Contudo um obstáculo é a ausência de documentação sobre a Escola Islâmica do Paraná na SEED. O único registro encontrado trata da segunda escola islâmica1 inaugurada em 2003, sediada no mesmo local da anterior.

Para Le Goff (1992), a revolução documental é a possibilidade de novas produções serem validadas enquanto fontes de pesquisas. Essa afirmação pode englobar a impressa, uma vez que ela faz parte da construção de um modo de pensar e de perceber a realidade. O uso de jornais pode ser considerado uma ampliação para a pesquisa historiográfica, fazendo parte desta revolução documental. A imprensa caracteriza uma sociedade, evidenciando seus modos de observar o mundo e a si mesma. Para Vieira (2007):

A produção da matéria jornalística, apoiada em processos conscientes e/ou inconscientes de seleção do que deve ser considerada notícia, tem a força de tornar coisas visíveis ou invisíveis, de criar efeitos de verdade e de objetividade sobre mitos e/ou de conferir plausibilidade a posições absurdas. (Idem, p.17)

Para isso, arquivos de jornais encontrados na Biblioteca Pública do Paraná durante o período da pesquisa foram analisados. Assim como a ausência de documentos na SEED, não há fontes da imprensa curitibana sobre o tema proposto. O período pesquisado englobou os anos de 1957, com a fundação da Sociedade Beneficente Muçulmana do Paraná, de 1968, que antecede a fundação da escola, de 1969, ano de inauguração da mesma e de 1972, ano de sua extinção. Foram selecionados três jornais do Estado para a pesquisa: Gazeta do Povo, Estado do Paraná e Diário do Paraná. Em nenhum dos três, nessas datas estipuladas, foram encontradas informações sobre as realizações do povo árabe na capital paranaense. Essa lacuna documental, tanto nos jornais quanto na SEED pode revelar o isolamento da comunidade na cidade. Não há vestígios da sua presença na mídia impressa do Estado e nem na parte educacional, fazendo com que a divulgação da escola ocorresse apenas para o pequeno grupo formado pelos imigrantes. Apesar de estar inserida em um contexto maior, como a cidade de Curitiba, a comunidade árabe não se fazia perceber como parte integrante do funcionamento do município.

Para buscar as informações que dão suporte as análises, além de consultar os documentos e registros da Sociedade Beneficente Muçulmana do Paraná, depoimentos de alunos e funcionários da escola na época foram utilizados.

Com o aumento de pesquisas feitas com base na fonte oral, este tipo de pesquisa passou a constituir um importante instrumento de conhecimento do passado que muitas vezes não é possível fazer através de outros documentos. O passado é resgatado pela memória, pelos lugares de memória e pela identidade de um grupo (BURKE, 1992). A escola, objeto da pesquisa, torna-se um lugar de memória, que constrói e fortalece o vínculo daqueles que por ali passaram e, consequentemente, reforça as características coletivas de seus participantes. A memória, com o objetivo de retornar ao passado, daquilo que foi esquecido, auxilia na construção do estudo da História da Educação. São histórias de gente que, como todo mundo, convenientemente apagam da lembrança o que não lhe interessa, construindo uma memória que ao historiador cabe elucidar.

Nora (1993) questiona onde guardar essa memória, e em qual lugar as pessoas irão buscá-la? Para isso são produzidos elementos, como lugares de memória para que se possa identificar um povo, um grupo. A construção desses locais é baseada em um jogo de forças, onde se tenta “inventar” uma tradição.

Apesar de sua importância histórica, a memória tem limitações, como qualquer outra fonte histórica, uma vez que não se trata de uma ação isenta, imparcial ou que esteja imune à ação do tempo. Precisa-se, com isso, buscar a autenticidade das datas, locais e eventos, levando o pesquisador a uma nova etapa, na qual ele verificará os dados obtidos oralmente com as informações contidas nos livros, atas, arquivos e documentos.

A trajetória desta pesquisa mostra elementos referentes à memória e a forma pela qual ela mantém em primeiro plano o ideário cultural e religioso do grupo objeto de estudo. A reflexão acima sobre os diferentes usos da memória torna-se importante uma vez que além das fontes documentais, será utilizada a fonte oral como base da pesquisa.

Problemática

Os documentos aqui reunidos tornaram possível formular questões iniciais: como esta escola de origem árabe muçulmana conviveu em uma sociedade majoritariamente católica? Cumpria a função de complemento de uma educação formal que visava à demanda do grupo étnico-religioso e de sua própria comunidade? Por que funcionou por um curto espaço de tempo, já que foi a primeira experiência da comunidade árabe paranaense?

A história da imigração muçulmana para o Brasil confunde-se com a história da colonização do país. Os primeiros imigrantes de fé islâmica a aportar em terras brasileiras chegaram aos porões dos navios negreiros que traziam escravos africanos para trabalhar a terra. (NASSER, 2006).

Para os imigrantes muçulmanos, a religião era tão importante quanto a identidade nacional. Os chefes religiosos muitas vezes têm funções seculares e são os responsáveis em manter a comunidade unida. A instituição religiosa teve um papel central na vida do imigrante, já que mantinha a ligação com a pátria, sendo um refúgio dos problemas da vida no Brasil. Na celebração dos cultos, a comunidade se reunia para conversar e trocar experiências.

Os árabes são a espinha dorsal do Islã. Eles foram os primeiros a serem abordados nos versos da revelação, pois eles são a essência do Islã. Você tem que lembrar que o profeta do Islã era um árabe da tribo árabe mais respeitada, e que a constituição do Islã foi revelada em uma linguagem puramente árabe. (AL-BAZZAZ, 1954, p. 211).

Como afirma Lamb (1999), a província do Paraná no século XIX, “manteve em destaque os empreendimentos de incentivo à imigração de trabalhadores europeus” (1999, p. 01). Mas, o Paraná também foi território escolhido pelos imigrantes sírios e libaneses. Balhana, Machado, Westphalen (1969) afirmam que os imigrantes sírios e libaneses chegaram ao estado a partir de 1890. No entanto, a chegada de um maior número de sírios e libaneses aconteceu no início do século XX com o desenvolvimento da economia cafeeira. A atuação dos imigrantes ocorreu nas fímbrias do sistema econômico, realizando comércio a miúdo. Por terem origem urbana, o sucesso deles foi no estabelecimento em cidades, participando de atividades comerciais ou industriais.

Essa chegada de imigrantes ocorreu tanto por um processo de migração interna, com contingentes vindos de outros estados como São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso entre outros, como externa. Entre os anos de 1872 a 1921 não foram registrados processos de naturalização, mas para o período compreendido entre 1922 a 1940, foram realizadas quinze naturalizações de sírios e quatro de libaneses. De acordo com dados do IBGE, em 1940 havia 1.516 sírio-libaneses no Paraná, sendo 961 homens e 555 mulheres. (SIQUEIRA, 2004).

O impacto do momento da chegada e os primeiros olhares sobre o país e a cidade, evidenciaram a importância da existência de uma rede prévia de indivíduos pertencente ao mesmo grupo, construindo suas primeiras sociabilidades.

O primeiro marco institucional da presença islâmica em Curitiba foi a criação da Sociedade Beneficente Muçulmana do Paraná, cuja ata de fundação é datada de 28 de julho de 1957. Ela tinha como fim:

a) Unir os muçulmanos brasileiros e seus descendentes ajudando os necessitados, préviamente julgados pela comissão nomeada pela Diretoria, da conveniência dêsse auxílio ou não;

b) Fundar e administrar uma escola que ensine árabe e português, inclusive religião muçulmana;

c) Construir uma Mesquita em Curitiba, e mantê-la;

d) Adquirir terreno num dos cemitérios da Capital, para os muçulmanos e seus descendentes;

e) Estabelecer pelo convívio social, fraternal aproximação entre os sócios; e adaptar ao ambiente, especialmente, àqueles oriundos dos países árabes e muçulmanos, como nações amigas que são;

f) Estabelecer relações de sociabilidade e cooperação, bem como correspondência com sociedades congêneres do país e exterior;

g) Proporcionar aos seus sócios e familiares dêstes, diversões sociais e desportivas, bem como reuniões de carácter cultural, artístico e literário;

h) Criar e manter uma biblioteca científica e literária notadamente de assuntos árabes e brasileiros;

i) Promover ou patrocinar exposições de arte ou concertos musicais ou outras iniciativas que correspondem com seus fins culturais, recreativos e beneficentes;

j) Promover ou participar de solenidades de carácter cívico e patriótico por ocasião das datas festivas do país e acontecimentos dignos de serem festejados. (ATA DA FUNDAÇÃO, 1957).

Situada numa sala na sobreloja do imóvel localizado à Rua do Rosário, número 14, no centro da cidade, foi o primeiro espaço oficial da comunidade. (NASSER, 2006). O espaço era provisório, sendo a residência de um imigrante, como já fora citado anteriormente. A idéia era a de arrecadar dinheiro da comunidade para que um local definitivo fosse construído.

As gerações de árabes muçulmanos que chegaram à capital a partir de 1970 encontraram, portanto, uma cidade de feição marcadamente urbana e industrial, com amplo setor de serviços e comércio bem estabelecido, atividade a qual elas se dedicaram preferencialmente. A região central foi o local de instalação dos imigrantes árabes muçulmanos. No centro da cidade, havia comércio árabe, sendo que as famílias moravam nos fundos das lojas. A concentração populacional nestas regiões as tornava importantes mercados consumidores, favorecendo investimentos na atividade comercial, à qual vão se dedicar. (NASSER, 2006). Os bairros mais centrais, localizados em torno do Centro Histórico, caracterizavam-se como um espaço em torno do qual continuaria a gravitar a vida política, burocrática e cultural da cidade.

A precariedade das instalações levou a mobilização da comunidade, para coleta de recursos em Curitiba e comunidades muçulmanas de outras regiões, como Paranaguá e Ponta Grossa. A inauguração da nova sede da Sociedade aconteceu em 1964 e passou a se situar na Rua Kellers, número 473, no Alto do São Francisco. No local havia uma casa de madeira, onde foi instalada a secretaria da Sociedade e começaram a ser oficializados os ritos religiosos. Mais tarde, em 1972 a mesquita foi inaugurada, em outro endereço, porém próximo, Rua Kellers 383.

De 1954 a 1983, foram naturalizados segundo dados obtidos no Arquivo Público, 62 imigrantes árabes muçulmanos que passaram a residir em Curitiba. A maioria era proveniente do Líbano (49), seguidos pela Síria (cinco), Jordânia e Transjordânia (três de cada local), Turquia e Jerusalém (um de cada local). Não foram encontradas informações que relatassem com precisão sua chegada, sendo possível somente identificar os seus processos de naturalização. Constam informações sobre os endereços, as datas de nascimento e a data em que foi efetuada a naturalização. Percebeu-se, através dos endereços dos imigrantes, a preferência dessas famílias pelas regiões centrais da cidade.

No Estatuto da Sociedade Beneficente Muçulmana do Paraná estava prevista a abertura de uma escola com o objetivo de manter a religião islâmica e a língua árabe para os imigrantes que moravam na cidade. É necessário, com isso, levar em consideração todos os atores envolvidos no processo educacional da instituição, observando suas influências e elementos capazes de fazê-la distinguir-se das demais. A partir dessas informações, uma realidade é construída, tendo como personagens principais os professores, diretores, alunos e a comunidade a qual pertence. A cultura e os propósitos educativos de cada sociedade influenciam na concepção e concretização da identidade e da missão educativa das organizações educacionais.

A Escola Islâmica do Paraná foi fundada contando com cerca de 60 alunos, todos descendentes da comunidade.

Escola Islâmica do Paraná, com sede em Curitiba, Paraná, à rua Dr. Kellers nº. 473, pelo Decreto do Governador do Estado do Paraná sob nº. 13697, de 31/12/68, registrada sob o nº. 968 em 21/01/69, Cadastro Geral de Contribuinte de Ministério da Fazenda Nacional sob nº. 76677871. Curitiba, 01 de janeiro de 1970. (LIVRO PONTO, 1971).

Esse registro está presente no Diário Oficial do dia 31 de dezembro de 1968, como citado no trecho, afirmando que:

O governador do Estado do Paraná, no curso das atribuições que lhe confere a Constituição Estadual;

Considerando os artigos 40 e 42 do Sistema Estadual de Ensino2 (Lei nº. 4978, de 5 de dezembro de 1964), e

Considerando que o estabelecimento de ensino atendeu as exigências da Resolução nº. 38/67, do Conselho Estadual de Educação,

Decreta:

Art. 1º - É concedida, em caráter confessional e pelo prazo de 2 anos, a partir do próximo ano letivo, autorização par funcionamento do Curso Primário da Escola “Islâmica do Paraná”, desta Capital, que terá como entidade mantenedora a Sociedade Beneficente Muçulmana do Paraná.

Art. 2º - A escola autorizada a funcionar por êste Decreto deverá observar o que lhe fôr aplicável, os preceitos da legislação estadual de ensino;

Art. 3º - Êste Decreto entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.

Curitiba, em 31 de dezembro de 1969, 147º da Independência e 80º da República.

(aa) Paulo Pimentel

Cândido Manuel M. Oliveira (DIÁRIO OFICIAL, 31/12/1968, p.6).

A sua mantenedora era a Sociedade, que arrecadava dinheiro de seus sócios, além de cobrar uma taxa mensal dos alunos. Alguns alunos não pagavam essa taxa, sendo encaminhados pela SEED.

A escola atraiu alunos oriundos de Curitiba, Rio Negro, Ponta Grossa, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Santos, Toledo e Antonina. Havia também alunos do Líbano, Egito, Jordânia e Paraguai, que chegaram na escola durante o ano letivo e ingressavam nas turmas, mesmo com idades superiores à média da classe.

Dentre as disciplinas ministradas, o ensino da Língua Árabe aparece nos documentos somente no ano de 1971, mas, segundo entrevistas com ex-alunos, ele sempre foi ministrado. A hipótese de, por serem filhos de imigrantes, os alunos já dominassem o árabe, não foi confirmada. A língua era vista como algo difícil de ser aprendida, por mais que, muitas vezes em casa, fosse o idioma dos pais.

A figura dos pais aparece como um elo entre o que se aprendia na escola e o que se via em casa, como uma forma de perpetuar as suas origens. Os pais mostravam-se presentes nas festividades e reuniões escolares. Além da língua, acreditavam que as aulas de religião também serviriam como uma ligação com a terra natal.

A disciplina de Religião é observada somente no boletim de um aluno, encontrado no interior de um dos documentos pesquisados, e não nos livros de registro. Essas aulas eram voltadas para o ensino do Islamismo, base da criação da Sociedade e da vida social da comunidade, constando inclusive no nome da escola.

É possível analisar que os alunos que iniciaram em 1969 no 1° ano, continuaram matriculados em sua maioria na escola. Havia o desejo de crescer junto à escola, criando vínculos de amizade e mantendo as tradições vivas.

Os registros dos alunos estão presentes em um só livro, contendo os quatro anos da escola. Como será visto mais adiante, essa estrutura irá se modificar, tornando-se mais completo os dados cadastrais dos alunos. Esse fato acompanhou o próprio desenvolvimento da escola. A pouca experiência nos registros pode ser evidenciada, mesmo no seu quarto e último ano de funcionamento, ainda havia falhas nas documentações, como faltas de dados de alunos, de reuniões, livros em branco. Os livros de registros dos alunos são os que se apresentam de maneira mais completa.

Esses livros de registros de chamadas eram divididos da seguinte maneira: número do aluno, nome da professora, classe, número da matrícula, quantidade de alunos presentes e ausentes, eliminados, matriculados, total, freqüência e observações. Nessas observações estavam registradas a quantidade de meninos e meninas de cada sala. O primeiro livro de registro inicia-se no dia três de março de 1969, provavelmente primeiro dia do ano letivo, segunda-feira. Cada professora era responsável pelo seu livro, constando seu nome da capa do mesmo. Em 1969, eram cinco professoras, divididas nas classes de Jardim de Infância, de 1º a 4º ano.

É possível perceber, pelo sobrenome das professoras, uma minoria de origem árabe, ao contrário dos sobrenomes dos alunos. Esse fato é relevante por levantar duas hipóteses: a da não prioridade em optar por funcionários desta etnia ou pela escassez de profissionais da educação da etnia árabe na cidade. Mesmo quando relatados os demais participantes da escola, não foi evidenciada essa característica.

Em 1971 aparecem, junto à chamada, as disciplinas e notas adquiridas pelos alunos. Em cada mês, o aluno era avaliado com uma nota. Essas notas levavam em consideração duas fases: uma que era baseada no conhecimento aprendido durante o mês e outra na participação do aluno durante as aulas, sendo distribuída em comportamento, aplicação e comparecimento. As disciplinas ministradas eram: Português, Matemática, Estudos Sociais, Árabe, Conhecimentos Gerais e Ciências Naturais. Raros eram os casos onde um aluno apresentava notas baixas, estando a grande maioria acima da média.

As classes com as diferenças nas faixas etárias podem mostrar a tentativa de inserção do aluno na escola. Por pertencerem em uma comunidade minoritária na cidade, não havia o interesse em buscar a educação fora dela. As experiências que cada aluno trazia, vindo fora do país ou de outras cidades, falando uma língua estrangeira, colocava cada discente como parte importante para os imigrantes. Eles seriam os responsáveis pela continuação dos valores da etnia na cidade.

A Escola Islâmica do Paraná, como já fora citado anteriormente, estava apta para oferecer ensino primário. A partir de março de 1971, criou-se o Ginásio Muçulmano Nossa Senhora de Fátima, com atividade no ensino secundário. As duas modalidades de ensino eram mantidas pela Sociedade, localizadas no mesmo terreno, mas tem suas funções educacionais separadas, como professores, organização curricular e reuniões. Isso é evidenciado através do Livro Ata de 1971, com a convocação de professores para uma reunião.

Escola Islâmica do Paraná

Aviso nº. 09

Senhores professôres

Comunico-lhes que haverá reunião dos professores da Escola Islâmica do Paraná, no dia 11 de novembro de 1971, às 16 horas, para tratarmos de assuntos referentes à prova final.

Para os professôres do Ginásio Muçulmano Nossa Senhora de Fátima, a reunião será dia 12, sexta-feira próxima, às 13h30 hs, para discussão de horário para as provas finais.

Agradecemos antecipadamente seu comparecimento na reunião.

Curitiba, 10 de novembro de 1971.

O nome do ginásio chama a atenção pelo fato de sincronizar duas tradições religiosas: cristã e muçulmana. Fátima é a quinta filha do Profeta Maomé com Khadija. Ela é tida como exemplo de pureza e moral. Sua adoração é grande especialmente entre os xiitas, já que era a mãe de Husain Ibn Ali – um dos líderes do xiismo, o ramo minoritário do Islã.

Assim como a Virgem Maria alcançou aquela alta posição que comprova o Alcorão, anuncia-se, à divina seleção, ser a senhora das mulheres de sua época e a infalibilidade, similar à Senhora Fátima, a filha do profeta Maomé, tem essa posição. Ela também é a líder das mulheres, porém de todas as épocas. O sagrado Alcorão e a tradição profética, ambos confirmam que a Senhora Fátima também tem aquele status alcançado pela Virgem Maria. (AL-FURATI, 2006, p. 15)

A Senhora Fátima é, para os muçulmanos, uma das principais autoridades divinas, porque ela recebeu a visita do Arcanjo Gabriel e é quem Deus escolheu, purificou e engrandeceu toda a nação islâmica.

O ginásio permaneceu em funcionamento por dois anos, apresentando somente turmas de quintas séries, sendo chamado de 1º série ginasial. Por mais que tenha durado por dois anos, não chegou a apresentar turma de 6º série, o que pode demonstrar a saída dos alunos para outras instituições de ensino ou a não oferta dessa série.

As disciplinas do ginásio eram divididas em: Português, Matemática, História, Ciências, Educação Moral e Cívica3, Geografia, Educação Física, Inglês, Organização Comercial. Talvez essa disciplina tenha surgido com o objetivo de encaminhar os alunos para a vida comercial, atividade principal de seus pais e familiares. Com isso, surge a “necessidade de pensar a relação da escola com as outras instituições responsáveis pela socialização da infância e da juventude, principalmente com a família, a Igreja e o mundo do trabalho” (FARIA FILHO, 2007, p. 206).

A disciplina de Educação Moral e Cívica estava de acordo com o Decreto Lei 869/68, tornando-a obrigatória no currículo escolar brasileiro a partir de 1969, juntamente com a disciplina de Organização Social e Política Brasileira (OSPB) no Ensino Médio. O ensino deveria envolver toda a escola e a comunidade, na realização de eventos cívicos, como desfiles e comemorações relacionadas a datas e “heróis” nacionais. “Lições sobre família, escola, pátria, nação, religião, trabalho, virtudes cívicas e morais, heróis e símbolos nacionais, segurança e desenvolvimento.” (ALMEIDA, 2009). O interessante é o fato de a escola ter uma confessionalidade de prática muçulmana, diferente da que se referia a lei.

A primeira turma da 5º série ginasial era pequena, com apenas dois meninos e sete meninas. A escola, nessa época, já apresentava sinais das primeiras crises de seu funcionamento, com a diminuição de alunos e por discussões entre os membros da Sociedade, criando dois grupos distintos: de um lado aqueles que queriam manter a escola funcionando mesmo com problemas financeiras e estruturais; e de outro aqueles que não viam na escola uma realização concreta da comunidade.

Em 1971, os funcionários da escola se reuniram para discutir os reflexos da Escola Moderna na educação e outros temas da escola.

Aos vinte e quatro dias do mês de abril de mil novecentos e setenta e um, às treze horas e trinta minutos, no pátio do Ginásio Muçulmano Nossa Senhora de Fátima, reuniu-se o côrpo docente do aludido ginásio, na presença do Administrador Geral do ginásio e representante da Sociedade Beneficente Muçulmana do Paraná, entidade mantenedora do referido ginásio, sr. Cheik Mohamad Hussan El Din, sob a presidência da senhora diretora Sônia Márcia Hey Sauki e na presença dos seguintes professôres: Walli Loeffler, Rosemeri Juck, Leila Hannuck, Youssef Rochid e Gilberto Grácia Pereira. Aberta a sessão, a senhora diretora discorreu sôbre assuntos gerais da Escola Moderna, consultando o corpo docente sôbre suas posições acerca da nova escola. Prosseguindo a reunião, foram abordados os seguintes temas: apuração do rendimento escolar, criação do Grêmio Estudantil, criação da Associação de Pais e Mestres, assistência à biblioteca, comemorações relativas ao Dia das Mães, problemas concerventes à situação da sala de aula da primeira série e nôvo horário. O senhor cheik Mohamad Hussan El Din, Administrador Geral, comprometeu-se melhorar a situação e localização da sala de aula, da primeira série, no menor espaço esforço de tempo possível. Nada mais tendo a tratar, a senhora diretora encerrou a sessão, de que eu, Gilberto Grácia Pereira, secretário “ad-hoc”, lavrei a presente ata, que assino com a senhora diretora e o corpo docente, depois de lida e aprovada.

Curitiba, 24 de maio de 1971. (LIVRO DE AVISOS, 1971).

Observa-se a importância da figura do “Administrador Geral”, responsável pelos problemas estruturais da escola. A criação do Grêmio Estudantil pode suscitar a idéia de uma representação discente feita por alunos muito jovens ainda, uma vez que o aluno, na época, mais velho tinha 16 anos, com a maioria entre 12 e 13 anos.

Esse livro de avisos, que integra os anos 1971 e 1972, traz informações sobre datas comemorativas, horário das reuniões, consultas médicas, uso obrigatório do avental para os professores, férias, calendário escolar. Segundo o regimento interno, só eram aceitas as justificativas médicas baseadas nas consultas com o médico representante da escola, Dr. Ali Zraik. Porém, não existe nenhum aviso sobre o possível fechamento da escola, sugerindo que foi uma decisão tomada somente no final do ano de 1972, após o encerramento do ano letivo.

O ano de 1972 marcou o fim da escola, com a sua documentação acabando em dezembro, com o término do ano letivo. Seria possível levantar três hipóteses sobre as possíveis causas desse fim. 1. A dificuldade na adaptação à lei 5692/71; 2. A fundação da Mesquita, local onde a comunidade poderia reunir-se e praticar a sua religião; 3. Desentendimentos entre a comunidade. Essa terceira hipótese é evidenciada nas entrevistas feitas com os protagonistas da escola.

Os desentendimentos entre os próprios membros da comunidade levou a escola à ruína. Percebe-se nesses relatos, um certo ar de tristeza quando o fechamento da escola é lembrado. O sonho era o de continuar com a instituição de ensino até os dias de hoje, contando até mesmo com o ensino superior. Essas lembranças permeiam os seus atores e fazem-nos desejarem uma nova chance, como a criação de uma nova escola.



Considerações finais

Devido à fragilidade e escassez das fontes sobre a imigração árabe no Brasil e o funcionamento da Escola Islâmica do Paraná, estas se tornam pedras preciosas quando encontradas. Nas instituições escolares, o que se observa é o desejo de poucos de preservar a documentação. Ocorre o silêncio da instituição, onde é preciso muito trabalho do pesquisador em resgatar essa memória.

Aspectos como a frequência escolar, os conteúdos curriculares, os rituais escolares, devem ser discutidos para explicar determinados fenômenos educacionais de constituição histórica. As instituições de ensino mostram suas particularidades, mesmo fazendo parte de um contexto geral. Na escola pesquisada, é refletido em sua filosofia as influências do ideário cultural e religioso de seus fundadores. A doutrina islâmica fundamenta o ensino, guiando a estrutura e o espaço ao qual a escola pertence.

Para a comunidade estudada a escola seria, e ainda é, um local que vai além do processo ensino-aprendizagem. Caracteriza-se por um instrumento de agregação de valores árabe muçulmanos, sendo um desejo de retomada da história dessa comunidade na cidade. Este estudo revela que a noção de enraizamento e de pertencimento faz parte dessa comunidade na capital paranaense. A importância da manutenção da tradição e da religiosidade trazida pelos imigrantes faz com que os descendentes partilhem o sistema ideológico mesmo fora de seu local de origem. A cultura escolar da instituição traz um sistema de concepções herdadas, expressas em formas simbólicas, como o ensino da língua e da religião, por meio das quais os homens comunicam, perpetuam e desenvolvem o seu conhecimento e as atitudes perante a vida.



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_____________________. Livro ata, 1971.

_____________________. Livro de avisos, 1971.

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