A origem do homem e a pre-historia como o "homem" se transformou em homem



Baixar 28.12 Kb.
Encontro01.08.2016
Tamanho28.12 Kb.

Vestibular1 – A melhor ajuda ao vestibulando na Internet

Acesse Agora ! www.vestibular1.com.br




A ORIGEM DO HOMEM E A PRE-HISTORIA

COMO O "HOMEM" SE TRANSFORMOU EM HOMEM

Há 70 milhões de anos, começou a idade dos mamíferos. Pequenos animais foram, depois de milhares de anos, abandonando o chão e se adaptando às árvores. Da evolução desses seres, surgiram os primatas e depois os antropóides. Quando parte desses primitivos seres começou a fazer o lento caminho de volta para o chão, o "homem" dava seu primeiro sinal de formação.

A REVOLUÇÃO DE CHARLES DARWIN

Como o homem surgiu na Terra? Qual a origem do planeta em que habitamos? Essas são perguntas que sempre estiveram presentes na mente do homem em todas as épocas. Todos os povos criaram mitos procurando responder a essas indagações. Em 1650, um pensador religioso inglês, baseado nas crenças judaico-cristãs, chegou à conclusão, sem nenhum critério científico, de que o homem havia sido criado no ano de 4004 a.C.


No século XIX, as descobertas arqueológicas destruíram explicações como essa. E foi nesse mesmo século, rico em pesquisas, que Charles Darwin publicou seu livro A origem das espécies. A partir de anotações feitas em uma viagem de navio pelo mundo (183 1-1836) e de estudos sobre tais anotações, Darwin formulou a teoria da mutação das espécies. Observou que. por meio da mutação, as espécies se adaptam ao meio natural, geram criaturas diferentes de si mesmas e dão origem a novas espécies. Concluiu, então, que algumas espécies se extinguiam dando lugar a outras:
esse processo seria o da seleção natural.
Mais tarde, Darwin estendeu essa teoria para o surgimento do homem, classificando-o como descendente dos antropóides. A comunidade científica e outros setores da sociedade opuseram-se a essa conclusão, pois não podiam admitir que o homem branco, superior". descendesse de macacos.
Na verdade, sabe-se hoje que o homem é parente do macaco e não seu descendente.
As descobertas de Darwin foram muito importantes, mas não definitivas, pois as pesquisas continuam, até hoje. lançando sempre novas luzes sobre as origens do homem.

OS NOSSOS ANCESTRAIS

A mais antiga espécie de hominídeo foi o Australopithecus, que surgiu no sul da África há cerca de 3 milhões de anos. Este nosso provável ancestral tinha algumas características semelhantes ao homem modernoe criou o primeiro instrumento.
Quando um dos nossos ancestrais passou a andar sobre dois pés (bipedismo), isso o deixou com as mãos livres para fazer e usar objetos. O trabalho com as mãos foi sofisticando a sua capacidade de manipular, estimulando o crescimento do seu cérebro e a sua capacidade intelectual. O fato de o homem fabricar seus instrumentos dotou-o de cultura, diferenciando-o dos animais.

A PRÉ-HISTÓRIA E SUA DIVISÃO EM PERÍODOS

Para a historiografia tradicional, há uma divisão entre Pré-História e História. A Pré-História inicia-se com o surgimento do homem, estendendo-se até o aparecimento da escrita, por volta de 4000 a.C., quando se iniciaria a História propriamente dita. Essa divisão é criticada pela moderna historiografia e pela antropologia.
No entanto, ela é útil, pois facilita a localização dos períodos no tempo. A própria Pré-História é subdividida nos seguintes períodos:
- período da pedra lascada ou Paleolítico (paleo = antiga + lítico = pedra), que vai de 600.000 anos atrás até aproximadamente 10000 a.C. Nesse período, o homem primitivo utilizava-se de lascas de osso ou de pedra para matar animais ou desenterrar raízes;
- período da pedra polida ou Neolítico, que se estende desde os fins do Paleolítico até 4000 a.C. aproximadamente. Nesse período, o homem já elaborava mais seus instrumentos, polindo as pedras e paus para transformá-los em armas e utensílios.

PALEOLÍTICO: ANTIGA IDADE DA PEDRA OU IDADE DA PEDRA LASCADA

No período Paleolítico, o homem era principalmente caçador e coletor: caçava animais para se alimentar e produzir vestimentas com suas peles para se proteger das intempéries; coletava frutos e raízes para complementar sua alimentação.
Nesse período, há cerca de 200.000 anos, vários grupos de seres humanos, ou seja, portado-
res de cultura, já ocupavam grande parte do Velho Mundo. Eram grupos do homem de Neandertal. considerado o primeiro Hoino sapiens (homem com inteligência): tinha a abóbada craniana do mesmo tamanho da de um homem atual, posição do corpo ereta, braços levemente maiores que os do homem moderno, fronte pouco desenvolvida e uma saliência óssea entre a testa e as órbitas oculares.
Já conhecia o fogo e demonstrava os primeiros sinais de uma linguagem articulada.
No período entre 40 e 18.000 anos atrás, o homem atingiu grande desenvolvimento cultural. Nessa época, o homem de Cro-Magnon, que difere do homem de Neandertal por ser mais alto e possuir a testa mais desenvolvida, já havia surgido e acumulado uma imensa experiência cultural.
O homem de Cro-Magnon produzia seus instrumentos com o sílex, uma pedra duríssima cujas lâminas ele utilizava como facas. Ele já pertencia a nossa espécie, isto é, era um Humo sapiens sapiens.

NEOLÍTICO: NOVA IDADE DA PEDRA OU IDADE DA PEDRA POLIDA

Entre o final do Paleolítico e o início do Neolítico, houve um período que grosseiramente poderíamos chamar de transição: o período Mesolítico.
A passagem do Mesolítico para o Neolítico deu-se entre 15 e 10000 a.C. Nessa fase, a Terra começava a adquirir suas características atuais, com o fim da última era glacial. As regiões temperadas foram ficando mais quentes e as regiões mediterrâneas, mais secas. Surgiram florestas nas regiões temperadas da Europa, enquanto ao sul formaram-se áreas secas e desérticas. No norte da África, o processo de ressecamento foi mais intenso, mas permitiu a formação do vale do rio Nilo, que, com seu regime de cheias e vazantes, tornou-se local favorável à sobrevivência. Fenômeno semelhante ocorreu na Mesopotâmia (Tigre e Eufrates), Índia (Indo) e China (Amarelo). Estavam criadas as condições que geraram a grande revolução da Pré-História: a Revolução Agrícola ou Neolítica.
O homem foi abandonando a vida de caçador e coletor e começou a cultivar cereais e a domesticar animais. As primeiras formas de agricultura se deram pelo cultivo de tubérculos, frutas e hortaliças. A domesticação de animais parece ser resultado do hábito de os caçadores trazerem filhotes de animais selvagens para seus filhos. O pastoreio talvez tenha surgido da domesticação de animais por lavradores, que deles se valiam para alimentação (leite e carne), vestuário (peles) e como força de tração (para puxar objetos pesados ou arar a terra).
O desenvolvimento das forças produtivas no Neolítico libertou o homem da absoluta dependência da natureza. Com a expansão da agricultura, saiu em busca de terras férteis, disseminando a Revolução Neolítica (Agrícola).

A CULTURA DO NEOLÍTICO: VIDA E SOCIEDADE



Segundo pesquisas arqueológicas, as primeiras manifestações de transformação do Paleolítico para o Neolítico deram-se no Oriente Médio, onde atualmente se situam Israel (Palestina), Síria, Líbano, Iraque (antiga Mesopotâmia) e Irã.
Costuma-se dizer que durante a maior parte do período Paleolítico o homem viveu na selvageria. Mas, durante o Neolítico, o homem deu mais um passo em direção à civilização: organizava comitivas e cooperativas, formas bárbaras de vida sociativa. Por isso dizemos que viveu na barbárie.
No período Neolítico, a terra, os rebanhos e os instrumentos de trabalho eram de propriedade de toda a comunidade.
Não havia distinção social entre os membros do grupo: todos trabalhavam e o produto era consumido igualmente por todos. Havia somente uma divisão sexual do trabalho: as mulheres teciam, cuidavam das plantações e faziam cestos, enquanto os homens cuidavam dos animais e construíam casas e paliçadas. A necessidade de se defender levou à formação de grupos sociais mais complexos: as tribos.
Uma das grandes invenções do período Neolítico foi a cerâmica, que melhorou a qualidade da alimentação do homem primitivo: com os potes de cerâmica, era possível armazenar alimentos, ou cozinhá-los misturados, aproveitando melhor suas qualidades. Também teve início a construção de casas de barro, junco ou madeira. Os instrumentos eram ainda feitos de pedra ou osso, mas recebiam um acabamento: eram polidos na areia, até adquirir formas mais úteis e harmoniosas.
O homem do Neolítico cultuava deusas da fecundidade, relacionando-as à semeadura e à colheita. Também cultuava os mortos, como indicam descobertas arqueológicas de vasilhas e vestimentas encontradas em tumbas (cerimonial de enterro).
No final do Neolítico (5000-4000 a.C.). o homem abandonou os instrumentos de osso e pedra e passou a utilizar metais moles, como o cobre, que podiam ser trabalhados a frio. Começou aia Idade dos Metais. Quase simultaneamente, no Egito, surgiram os primeiros registros escritos. Estava nascendo a civilização.

A PRÉ-HISTÓRIA NA AMERICA
Como vimos no capítulo anterior, o homem surgiu na África. Depois, ocupou a Europa, a Ásia, a Oceania e a América.
Ao chegar à América, o homem já era da espécie Sapiens. sapiens. De fato, não foram encontrados aqui fósseis de outras espécies de Homo. Todos os fósseis humanos encontrados têm menos de 15.000 anos. Isso indica que a espécie humana teria chegado ao continente em época relativamente recente.
Todavia, ainda não se conseguiu esclarecer com precisão como e quando isso teria ocorrido.
O fato é que a espécie humana ocupou praticamente todo continente, se adaptando aos mais variados ambientes naturais: florestas equatoriais, regiões muito frias e muito quentes, altas montanhas e planícies, planaltos áridos, áreas costeiras.
A América, prolongando-se, praticamente, de um pólo ao outro, apresenta as mais variadas latitudes, climas, coberturas vegetais etc.
Nesse ambiente variado, o homem criou diversas formas de organização social. Encontrou soluções para problemas singulares de sobrevivência. Quando os europeus aqui chegaram, há quase
500 anos, encontraram um mosaico de povos e culturas. Alguns já tinham atingido o estágio civilizatório, organizando impérios e erguendo cidades. Isso significa que, desde a chegada de primitivos caçadores nómades até a denominada descoberta da América pelos europeus, as sociedades que se desenvolveram no continente percorreram caminhos culturais próprios. A agricultura, por exemplo, uma das mais fundamentais descobertas do homem, surgiu na América de forma independente. O mesmo se pode dizer da cerâmica, da tecelagem e de muitas outras conquistas culturais.


A ORIGEM DO HOMEM AMERICANO

Já há alguns anos, a hipótese mais aceita para a origem de homem americano tem sido a asiática. Os primeiros grupos de caçadores pré-históricos teriam chegado à América, procedentes da Ásia, atravessando o estreito de Bering.


No último período glacial, havia, segundo os geólogos, um desnível de mais de 100 metros em relação ao nível atual do mar. Vale dizer que o Alasca era ligado à Sibéria, permitindo a passagem de animais e homens de um continente para o outro por terra firme.

Ocorre, porém, que esse mesmo frio, formando imensas geleiras continentais, manteve bloqueado o caminho para o sul entre cerca de 27.000 e 13.000 anos atrás.

Por volta dessa última data, a região a leste das Montanhas Rochosas, na América do Norte, já estava povoada por exímios caçadores, conhecedores de uma eficiente técnica no preparo de artefatos de pedra (cultura de Clóvis). Essas técnicas liticas seriam semelhantes às usadas na Sibéria, indicando a procedência desses primitivos povoadores.

Todavia não está descartada a hipótese de migrações anteriores à referida glaciação. Em favor dessa teoria, existem artefatos mais primitivos do que os da denominada cultura de Clóvis, referida acima, com datas, indicadas pelo carbono 14, mais antigas.

Novos métodos de investigação têm permitido levantar dados e questões que, sem negar a hipótese da origem asiática do homem americano, apontam um quadro mais complexo no processo de povoamento da América.
O professor Walter A. Neves, do Departamento de Biologia da Universidade de São Paulo e do Departamento de Ecologia do Museu Paraense Emilio Goeldi, publicou, no número 86 da revista Ciência hoje, um artigo no qual faz um balanço dos atuais conhecimentos sobre a questão da origem do homem americano e do processo de povoamento da América.
Esses conhecimentos estão baseados em métodos diferentes, permitindo o cruzamento de resultados para se verificar até que ponto eles apontam na mesma direção e o que podem significar as conclusões divergentes.
As informações deste texto estão, principalmente, baseadas no referido artigo.

Os códigos genéticos

Os estudos sobre a composição genética dos indígenas americanos, realizados desde a década de 1950 e se tomando cada vez mais sofisticados, apontam para uma origem exclusivamente asiática do homem americano. Segundo esses mesmos estudos, a ocupação teria ocorrido no sentido norte-sul.

As línguas

As pesquisas sobre o mesmo problema a partir da comparação linguística dos indígenas americanos são bem mais antigas, pois não precisaram esperar a descoberta do ADN. No final do século XIX, já se tentou classificar e agrupar essas línguas.
Vários métodos classificatórios e comparativos deram resultados também muito diversos.
Todavia, em 1960, foi publicado um resultado de pesquisa concluindo que todas as línguas indígenas americanas, com exceção de duas (Nadene e Aleuta-Esquimó), pertencem a um único "estoque lingüístico", denominado de Ameríndio. Isso significaria que todas essas línguas tiveram uma origem comum.
Um estudo mais recentes (década de 1990) mostrou como se comportam as línguas no processo de diversificação que sofrem ao longo do tempo.
Combinando os resultados desses dois estudos, pode-se chegar à conclusão de que o homem teria entrado na América há cerca de 50.000 anos. Só assim se explicaria a diversidade lingüística dos indígenas americanos.
Todavia, se todas essas línguas não pertencerem a um mesmo estoque lingüístico, seria necessário pelo menos 20.000 anos de trocas constantes com a Sibéria para se explicar tamanha diversidade.
Aceitando a existência de um maior número de estoques lingüisticos e estudando a distribuição deles pelo território americano, chegou-se à hipótese de que a América começou a ser ocupada há 30 ou 35.000 anos. Os diversos estoques linguísticos apontariam ainda para uma origem circumpacifica do homem americano. A ocupação do continente teria sido feita principalmente pela costa oeste da América do Norte.
Dessa forma, ou teríamos três correntes migratórias, representadas pelos três estoques linguísticos referidos (Ameríndio, Aleuta-Esquimó e Nadene), ou várias migrações, resultando em um maior número de estoques linguísticos.

Os sítios arqueológicos

As pesquisas arqueológicas deram origem a conclusões bem mais controvertidas e polêmicas.


As datações obtidas nos diversos sítios arqueológicos na América do Sul atestariam a presença humana no subcontinente há pelo menos 12.000 anos. Alguns sítios recuam mais ainda essa data.
Mas uma revisão recente dos 24 sítios arqueológicos da América com datas superiores a12.000 anos revelou a fragilidade dessas datações e das conclusões sobre a presença do homem em datas tão recuadas.
O exame dos sítios apresentou o seguinte quadro:
Datações Presença Humana
Precárias Questionável
Precárias Inquestionável
Inquestionável Questionável

Inquestionável Inquestionável/relação entre elas questionável

Inquestionável Evidências culturais escassas

Conclusão: não se encontrou um sítio com datas superiores a 12.000 anos onde a presença humana fosse inquestionável.


Isso colocou a já mencionada cultura de Clóvis, na América do Norte, como a mais antiga do continente (cerca de 12.000 anos). Pelo menos a mais antiga devidamente comprovada.
Mas escavações realizadas a partir de 1975 na Pensilvânia fizeram essa data recuar em pelo menos 3.500 anos. A presença humana e as datações estão fora de dúvida.
A indústria lítica encontrada é diferente e mais primitiva do que a de Clóvis.

Os dentes e a forma dos crânios



O estudo de dentes de indígenas americanos, do presente e do passado, permitiu aos estudiosos chegarem a uma conclusão semelhante a dos
lingüistas que definiram três migrações para a América a partir do Nordeste da Ásia.
Por outro lado, um estudo da morfologia craniana de esqueletos humanos pré-históricos da América do Sul mostrou que os primitivos habitantes do subcontinente apresentam mais semelhanças biológicas com os habitantes autóctones do Pacifico Sul do que com os da Ásia.
O que concluir disso?
Os próprios autores do estudo (um deles o autor do artigo citado acima, do qual extraímos os principais dados deste texto) se mostram cautelosos. Os antepassados do homem americano teriam vindo da Oceania, corno já afirmava Paul Rivet na década de 1940'?
Os referidos autores preferem outra explicação. Duas correntes migratórias teriam partido da Ásia Oriental; uma tomou o rumo sul e atingiu a Austrália, há cerca de 40.000 anos; outra chegou à América em época ainda a ser determinada.
Por que, então, não existem semelhanças biológicas mais significativas dos primitivos habitantes da Austrália e da América com os mongolóides da Asia? Porque, quando ocorreram essas duas migrações, "a gênese e a fixação da morfologia mongolóide na Ásia" ainda não teria ocorrido.
É fácil perceber que a hipótese nascida do estudo da morfologia craniana não se harmoniza com as derivadas dos estudos com dentes e códigos genéticos, pois estes últimos apontam para uma origem exclusivamente siberiana.
Somada às divergências das conclusões dos estudos lingüísticos, essa diversidade de hipóteses parece indicar um processo de povoamento bastante complexo do continente americano.


Bibliografia: Pedro,Geraldo - "História da civilização ocidental" editora FTD.


Compartilhe com seus amigos:


©principo.org 2019
enviar mensagem

    Página principal