A pedagogia de projetos e a educaçÃo ambiental na escola uma experiência autor: Declev Reynier Dib-Ferreira



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A PEDAGOGIA DE PROJETOS E A EDUCAÇÃO AMBIENTAL NA ESCOLA -

UMA EXPERIÊNCIA
Autor: Declev Reynier Dib-Ferreira

Publicado na Revista Ambiente e Educação, v.7: 105-114, 2002 – Editora da Furg – Rio Grande - RS



RESUMO

Este artigo apresenta o projeto de educação ambiental da Escola Municipal José de Anchieta. Ela se situa nas cercanias do lixão da cidade, em uma localidade de baixa renda, na região do Morro do Céu, bairro do Caramujo, em Niterói, Estado do Rio de Janeiro. Fazemos uma breve descrição das atividades desenvolvidas, fazendo um paralelo com noções de Educação Ambiental e da Pedagogia de Projetos apresentada na literatura. Concluímos com os erros e acertos decorrentes de nossa experiência de mais de três anos de atividade, os obstáculos que enfrentamos e uma análise do que devemos fazer para sanar as dificuldades.

Palavras-chave: Educação Ambiental, Projetos, Meio Ambiente, Escola

SUMMARY

This article presents the Environmental Education project at José de Anchieta school. This is a public school located near the city garbage deposit in a poor area at Morro do Céu, Caramujo, in Niterói, Rio de Janeiro estate. Through a brief description of the activities developed we drew a parallel between the Environmental Education and the Projects Pedagogy found in the literature. At the end we described what did and didn’t work well throughout our experience in more than three years and the obstacles we had to face. There is also na anlysis of what we have to do to overcome the dificulties with all the teachers participation and the need of having more time available to work on the project.

Key words: Environmental Education, Projects, Environment, School

INTRODUÇÃO

Após a Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente, em Estocolmo, 1972, a questão ambiental vem tendo grande repercussão mundial, sendo discutida ainda nesta conferência, a educação para o meio ambiente. Em 1975 temos o I Seminário Internacional sobre Educação Ambiental, em Belgrado, onde estão explicitadas suas metas e objetivos, determinando, por exemplo, que esta deve ser contínua, multidisciplinar e integrada dentro das diferenças regionais, entre outras características (Guimarães, 1995: 17-18). De lá para cá, diversos outros encontros internacionais e experiências em diversos países vêm sendo realizados visando a implantação deste tipo de educação.

Porém, o mundo e a sociedade contemporânea estão passando por uma série de modificações estruturais que nos obrigam a reavaliar aquilo que estamos fazendo em educação, tentando alinhar este esforço à realidade que existe fora da instituição acadêmica (Litto, 1999), podendo, a nosso ver, esta reavaliação ser estendida à educação para o meio ambiente. Estas mudanças, que acontecem tanto dentro quanto fora da escola, constituem um desafio para repensar esta instituição, no intuito de tentar responder a essas modificações que estão sofrendo as representações, os valores sociais e os conhecimentos disciplinares (Hernández, 1998: 27).

Ao acreditar na necessidade da educação ambiental para a conscientização da população e uma consequente mudança nos rumos de nossa História, buscamos caminhos para implementar tal concepção de educação em nosso cotidiano escolar. É o que viemos fazendo ao longo de mais de três anos na escola em que trabalhamos.

Venho, neste artigo, propor uma reflexão sobre a Pedagogia de Projetos aplicada à Educação Ambiental na busca de uma prática reflexiva, renovadora e transformadora da realidade dentro e fora da escola, traçando um paralelo com o trabalho que viemos realizando.

A ESCOLA

A Escola Municipal José de Anchieta situa-se na região do Morro do Céu, ao lado do lixão da cidade, o que faz com que vários alunos e familiares trabalhem ou já tenham trabalhado no local, separando materiais para vender ou até mesmo comida para própria alimentação. O Morro do Céu situa-se no Caramujo, bairro com deficiências de infraestrutura básicas, como saneamento, e em que a população é constituída em sua maioria, de baixo poder aquisitivo (Niterói, 1996). Na implantação deste vazadouro de lixo não houve nenhum estudo prévio ou instalação de infra-estrutura adequada para a disposição de mais de 500 toneladas de lixo diárias. Nada foi feito visando a minimização dos efeitos negativos sobre o meio ambiente e sobre a população (Dib-Ferreira, 2001: 21; Sisinno, 1995: 19). Ainda existem, porém, na região, áreas de vegetação, segundo Sisinno (1995: 47), do tipo capoeirão, sendo uma floresta secundária bem desenvolvida, com aspecto de mata virgem, altura mediana a alta. Antigas funcionárias testemunharam as modificações no bairro, assim como ex-alunos, muitos dos quais, agora mantém seus filhos na escola.

Por conta dessas características, a questão ambiental sempre foi uma preocupação constante na escola. Alguns professores e professoras promoviam e promovem eventos e atividades esporádicas, trabalhando principalmente porém, em sala de aula e, de certa forma, desconectadas com o resto da escola.

A PEDAGOGIA DE PROJETOS

Diversos trabalhos e textos têm sido produzidos sobre a Pedagogia de Projetos como novas reflexões acerca da cognição humana, também dentro do ensino de ciências e meio ambiente. Na busca de novos caminhos nos processos de ensino/aprendizagem, procurando-se adaptar aos novos rumos da sociedade, esta concepção tem seu espaço cada vez mais expandido e estabelecido.

A discussão sobre Pedagogia de Projetos, segundo Leite (1996: 25), se iniciou no começo do século passado e ganha forças nas últimas décadas, impulsionada pelas reflexões sobre o papel da escola nesses novos tempos, sua função social e o significado de suas ações para os alunos. Apresenta-se hoje como uma concepção de posturas pedagógicas, indo além de ser apenas uma forma de atrair os alunos à aprendizagem, o que não deixa de ser uma de suas vantagens. Mas além disso, ela objetiva superar a artificialidade da escola, essa distância que existe entre a realidade e o que é ensinado dentro de suas paredes, aproximando-a o mais possível da realidade e vida do aluno (Bomtempo, 1997: 6).

Desta forma, o trabalho com projetos procura partir de onde vive o aluno e do que ele sabe para alcançar seus objetivos, na apreensão de conceitos, valores e reflexões críticas, na busca da transformação da realidade existente.

Hernández (1998: 27) também associa os projetos de trabalho como “uma concepção de ensino, uma maneira diferente de suscitar a compreensão dos alunos sobre os conhecimentos que circulam fora da escola e de ajudá-los a construir sua própria identidade”. Mais uma vez aparece a importância da relação entre o que é ensinado e a vida real, além dos muros da escola.

Em nosso caso, a noção de projetos está ligada com a apresentada por Signorelli (Projetos Didáticos, 2001: 2A) quando perguntado o que significa trabalhar com projetos: “Significa das aos alunos a oportunidade de aprender a fazer planejamentos com o propósito de transformar uma idéia em realidade”, buscando, segundo Scarpa nos diz no mesmo artigo (idem), a aprendizagem de procedimentos de estudo, seleção e pesquisa, além do desenvolvimento de responsabilidades, expressões de opiniões e escolhas.



A EDUCAÇÃO AMBIENTAL

Os processos pedagógicos relativos à educação ambiental caracterizam-se, principalmente, na participação. A participação é um aprendizado, cabendo à educação ambiental resgatar valores humanos como solidariedade, ética, respeito pela vida, honestidade, responsabilidade, entre outros. Desta forma, irá favorecer uma participação responsável nas decisões de melhoria da qualidade de vida, do meio natural, social e cultural.

As atividades de educação ambiental devem possibilitar aos educandos oportunidades para desenvolver uma sensibilização aos problemas ambientais, propiciando uma reflexão a respeito desses problemas e a busca de soluções. Essas atividades de sensibilização devem ser um caminho para tornar as pessoas conscientes de quão importantes são as suas atitudes. Sensibilizar é cativar os participantes para que suas mentes se tornem receptivas às informações a serem transmitidas.

Levamos em consideração, em nossa prática de educação ambiental, em acordo com Neves & Tostes (1992: 10), que meio ambiente tem a ver com as condições de vida das pessoas: lixo, água encanada, lazer, educação, saúde e que envolve toda a nossa concepção atual de sociedade e desenvolvimento. Desta forma, como citado por Mauro Guimarães (1995: 14), a educação ambiental apresenta-se como um processo educativo que requer a participação das pessoas na construção de uma melhor qualidade de vida, podendo ser um agente dos processos de transformação social, promovendo conhecimento dos problemas ligados ao ambiente, vinculando-os a uma visão global.


A EXPERIÊNCIA DA ESCOLA

Buscamos nas noções apresentadas acima brevemente, a base para nosso trabalho na escola. Consideramos ainda, como apontado na cartilha “Educação Ambiental” (Lobato, 2000: 3), que esta deve se apresentar como um tema transversal, por ser uma preocupação de toda a escola e da comunidade onde está inserida, e ainda, que deve estar presente em todos os níveis e modalidades do processo educativo, de maneira formal e não-formal.

Assim, em 1999, devido à necessidade crescente de realizarmos atividades que envolvessem toda a Escola, elaboramos um projeto de educação ambiental que passou a fazer parte do Projeto Político Pedagógico, de forma a estar implicitamente associado à realidade de nossa escola, possibilitando utilizar a concatenação da questão do meio ambiente com as características da comunidade.

Em minha monografia de especialização (Dib-Ferreira, 2001), pesquisei as mudanças ocorridas na comunidade e na região do Morro do Céu após a instalação do vazadouro de lixo da cidade. A pesquisa se baseou em entrevistas com moradores e outras pessoas ligadas ao problema, além de observações locais. Durante o trabalho, reforçando a necessidade do projeto de educação ambiental, ficou claro a importância que os trabalhos com projetos têm dentro da escola, objetivando na comunidade escolar (alunos, pais, professores, demais funcionários), o desenvolvimento de um conhecimento e uma consciência e visão crítica acerca do local em que vivem, buscando uma maior participação na resolução de seus problemas ambientais e sociais.

Diversas atividades foram e são desenvolvidas com a participação, em menor ou maior grau, de toda a Escola. O projeto vem, ao longo dos anos de trabalho, mudando para se adequar melhor aos objetivos, utilizando recursos como excursões, cursos, palestras, artes, teatro, poesias.

Nas atividades e trabalhos desenvolvidos, embora muitas vezes o número de crianças envolvidas diretamente seja pequeno (cerca de 20 alunos), buscamos sempre a melhor forma de abranger o maior número de pessoas. Mesmo assim, em conversas com as demais professoras e professores da escola, estes se sentiam afastados do projeto, apesar de diversos alunos de suas turmas estarem envolvidos, o que nos levou a remodelar as atividades buscando uma maior participação.


Na fase em que estamos, após várias tentativas e buscas de uma melhor maneira de trabalhar, procuramos desenvolver o que chamamos de “sub-projetos” (projetos diferenciados, mas que giram em torno das questões principais: meio ambiente e sociedade), além de atividades pontuais. Todos têm o apoio e o trabalho de mais de um professor, em diversas áreas. Cada um dos trabalhos tem seus objetivos próprios, mas que se agrupam formando um todo.




Sub-projetos

- Maquete da Região. Com o apoio do professor de Geografia, no intuito de fazê-los conhecer melhor o local onde vivem, sua geografia, suas mudanças e problemas ambientais, um grupo de alunos está construindo uma maquete da região do Morro do Céu, utilizando material reutilizado. Esta ficará como acervo da escola e poderá ser utilizada por qualquer professor ou professora que a queira utilizar em sala de aula.

- História da Escola. Coordenados pelo professor de História, um grupo de alunos está pesquisando e escrevendo a História da escola, na intenção de fazê-los conhecer a trajetória do local onde estudam. Esta será resgatada através de entrevistas com antigas funcionárias, professoras, diretoras, além de ex-alunos. De resultado final teremos um pequeno livro produzido no computador, que será divulgado para o maior número de pessoas possível.

- Oficina Arte com Lixo. Voltada para o aproveitamento de materiais reutilizáveis, de forma a estimular a sensibilidade dos alunos, com produção de peças de arte e utilitárias. Procuraremos ter o apoio da professora de Artes para que este trabalho entre em sala de aula, indo além da oficina e dos alunos que dela participam. Faremos também toda a cenografia da oficina de teatro.

- Oficina de Teatro. Dentro da temática do Teatro do Oprimido (idealizada pelo diretor Augusto Boal), um grupo de alunos está escrevendo e ensaiando uma peça com estréia prevista para junho. Esta peça tem como tema a escola e alguns problemas vividos por eles, tais como a sujeira e a depredação do espaço escolar, o conflito entre alunos, entre outros.

- Projeto Flora Local. Alunos irão coletar amostras de árvores e plantas da região para a confecção de uma coleção (herbário), que irá ser identificada junto ao jardim botânico da cidade e servirá para fazermos um levantamento da flora local, identificando espécies nativas e exóticas.

- Coleta Seletiva. Galões de lixo coloridos foram doados pela Companhia de Limpeza Urbana de Niterói (Clin). Outros, menores, estão sendo produzidos por alunos para serem colocados nas salas. Os funcionários de limpeza receberam informações de como proceder, e um grupo de alunos ficará responsável pela promoção e divulgação do trabalho, de sala em sala, aos outros colegas.

- Caminhantes. Grupo de alunos que faz caminhadas ecológicas regulares, acompanhados por um guia e professores de diversas áreas que queiram participar. Com isso os levamos a conhecer lugares que, provavelmente, não o fariam em outras circunstâncias. Fizemos duas no final de 2001, quando iniciamos, e estamos agora em conversações com uma empresa de ônibus para o empréstimo de um veículo para continuarmos o trabalho, contando este ano, com o apoio da professora de Educação Física.

- Jardim Interno. Há um espaço aberto, dentro da escola, no qual um grupo de crianças está transformando em um jardim, com um viveiro de mudas, plantas ornamentais, medicinais, uma pequena horta, compostagem e minhocário. Aos poucos estamos conquistando o apoio das pessoas, ao ponto de alguns funcionários trazerem de casa mudas de plantas para o local. As crianças responsáveis pelo jardim também entram em sala para divulgar o trabalho, pedir contribuições (vasos, sementes, terra) e solicitar ajuda a mantê-lo limpo.

- Concurso de Poesias. Em conjunto com as professoras da Sala de Leitura e com tema sobre meio ambiente, natureza e afins, promovemos, no final de 2001, um concurso de poesias que envolveu toda a escola, com diversas inscritos e solenidade de premiação. O sucesso entre as crianças foi tanto que muitas delas (que tenham ou não participado) vieram pedir para que se repetisse este ano, o que acontecerá no segundo semestre, tornando-se talvez, permanente, ganhando novas roupagens, com temas correlatos e apoio das professoras de português com trabalhos em sala de aula.

- Jornal “Fala Zé”. Com a participação das professoras de português, lançamos um jornal com notícias sobre meio ambiente e a escola, com matérias feitas por alunos e professores. Por problemas para reproduzi-lo, a produção não pôde ser tão regular quanto queríamos, mas este ano estaremos lançando o quinto número.
Como podemos perceber, todo o trabalho está voltado para diversos assuntos, porém interligados com os grandes temas centrais - os problemas socio-ambientais da escola e da comunidade envolvida. Nota-se também, o esforço para promover atividades interdisciplinares, envolvendo professores de diversas áreas em sua realização. Alguns projetos estão em pleno andamento, outros em fase de implantação. Cada um tem o seu planejamento individual, suas etapas a serem percorridas, seus objetivos.

CONSIDERAÇÕES FINAIS


Partindo da idéia citada por Azevedo (1999: 72), de que a escola é um espaço definido e significativo, onde as relações ensino/aprendizagem, interpessoais e profissionais necessitam de mudanças; e com a noção da qual partilhamos, apresentada por Pedrini (1998: 32), de que o que causa a degradação ambiental é, dentre outros motivos, a falta de educação ambiental, desenvolvemos este projeto com a convicção de suscitar mudanças, tanto dentro da aprendizagem escolar, quanto comportamentais e de consciência em relação ao papel de cada um na busca de uma melhor qualidade de vida.

Temos que salientar que essas mudanças devem ser de valores, muito mais profundas do que simplesmente a transformação local e pontual de um problema. Para isso, quando salientamos em nossas atividades a resolução de problemas, a utilizamos como um tema gerador de discussões, não como a atividade-fim, conforme noção apresentada por Layargues (1999), buscando essa práxis reflexiva no desenvolver dos projetos.

Assim, o projeto de coleta seletiva, por exemplo, não será limitado apenas à separação pura e simples do lixo produzido, mas gerará discussões na escola, reflexões acerca da geração dos resíduos e do destino final, com palestras e outros trabalhos relacionados com o tema, que será complementado com a busca de uma maior sensibilização através da oficina de arte com lixo.

Outro exemplo está no jardim, no qual terá espaço uma produção de mudas de árvores de mata atlântica, que serão utilizadas para doação à comunidade e plantio na e pela própria escola, juntando-se a isso o trabalho em sala de aula sobre a importância desse ecossistema e as causas da degradação do mesmo. Complementando o trabalho, a pesquisa sobre a flora do local e a maquete da região darão uma visão geral ao público-alvo da situação atual da mata que existia no local e do histórico desta degradação. Este histórico, por sua vez, terá respaldo através da pesquisa da história da escola, que abrangerá certamente, a comunidade e o local onde a escola se insere.

As causas da degradação ambiental e dos problemas sociais locais vão assim, se delineando aos olhos das pessoas envolvidas com os projetos. Pretendemos com isso, suscitar muito mais do que a mudança comportamental mecanizada, mas uma mudança baseada nos “porquês” dos acontecimentos, o que gera a prevenção dos mesmos.

Por outro lado, a experiência de três anos atuando nos revelou alguns obstáculos que temos que superar em um trabalho deste tipo dentro de uma escola. Em primeiro lugar ficou patente a necessidade de tempo livre. Geralmente os professores trabalham em mais de uma escola e com todo o tempo ocupado com a sala de aula. Isso dificulta qualquer ação que se queira realizar em educação ambiental. Um trabalho deste tipo necessita de professores com tempo disponível para atuar, também, fora de sala de aula.

Percebemos igualmente, após determinado tempo de trabalho, que houve falha na comunicação e envolvimento dos demais professores. Isso fez com que não se envolvessem e não contribuíssem de forma significativa com as atividades. Cremos que o mesmo se aplica aos demais servidores.

Desta forma, uma das condições que consideramos importante para o sucesso e alcance dos objetivos, é uma equipe de professores, ou um professor responsável pelo projeto, que articule as atividades, faça as ligações com os demais professores, divulgue as atividades, enfim, que movimente toda a engrenagem, pois o sucesso de um trabalho deste tipo depende da participação de todos na escola. Isto é facilitado se esta equipe, ou se este professor, tiver algum tempo livre para atuar fora da sala de aula.

A forma que buscamos, com sucesso, para melhor desenvolver as atividades, sanando os problemas aparentes, foi o trabalho com a metodologia de projetos. As suas características, tais como a interdisciplinaridade, a utilização de situações-problemas como tema gerador das discussões, o planejamento das etapas, o esforço compartilhado por todos na busca e no alcance do produto final, entre outras, faz com que diminuam as dificuldades e as distâncias que existem entre os integrantes da comunidade escolar. O uso dos projetos traz a vantagem de, dentro de uma única situação-problema, existirem diversas formas de abordagem, podendo o trabalho ser pulverizado pelos diversos professores atuantes, sanando as dificuldades de tempo e envolvimento dos mesmos, do mesmo modo que cria uma cooperação na busca de um objetivo em comum.

Por fim, temos que lembrar que a educação ambiental é um processo e, como tal, não deve ser interrompida no primeiro obstáculo. Os resultados vêm a médio ou longo prazo, através de atividades que sucedem atividades que, com o tempo, envolvem a todos em sua volta, desenvolvendo uma consciência crítica de respeito ao próximo e ao meio ambiente.



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