A plataforma Organizacional dos Comunistas Libertários



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A Plataforma Organizacional dos Comunistas Libertários

(Makhno, Mett, Arshinov, Valevski, Linski)


e o Debate entre Nestor Makhno e Errico Malatesta

Plataforma Organizacional dos Comunistas Libertarios

Dielo Trouda - 1926

(Makhno, Mett, Arshinov, Valevski, Linski)



Em 1926 um grupo de anarquistas russos exilados na França, o grupo Dielo Trouda (A Causa dos Trabalhadores), publicou este panfleto. Não surgiu de nenhum estudo teórico, mas de suas experiencias na revolução russa de 1917. Eles contribuiram para a desintegração da velha classe dirigente, paticiparam no florecimento da autogestão dos trabalhadores e camponeses, compartilharam o otimismo existente acerca de um novo mundo de socialismo e liberdade... e viram tudo isso ser subtituido pelo Capitalismo Estatal e pela ditadura do partido Bolchevique.



Prefacio, Alan MacSimóin (WSM, 1989)
Prefacio

Em 1926 um grupo de anarquistas russos exilados na Francia, o grupo Dielo Trouda (A Causa dos Trabalhadores), publicou este panfleto. Não surgiu de nenhum estudo teórico, mas de suas experiencias na revolução russa de 1917. Eles contribuiram para a desintegração da velha classe dirigente, paticiparam no florecimento da autogestão dos trabalhadores e camponeses, compartilharam o otimismo existente acerca de um novo mundo de socialismo e liberdade... e viram tudo isso ser subtituido pelo Capitalismo Estatal e pela ditadura do partido Bolchevique.

O movimento anarquista russo exerceu um papel importante na revolução. Na época existiam cerca de 10.000 anarquistas ativos na Russia, sem incluir o movimento liderado na Ucrania por Nestor Makhno. Haviam pelo menos quatro anarquistas no Comitê Militar Revolucionario (dominado pelos bolcheviques), que tomou o poder em Outubro. E, mais importante que isso, os anarquistas estavam envolvidos nos comites de fabricas que surgiram logo apos a revolucao de fevereiro.

A base destes eram os locais de trabalho, eleitos por assembleias massivas de trabalhadores, e tinham como função supervisionar a fábrica e coordenar-se com outros locais de trabalho no mesmo ramo de industria ou regiao. Os anarquistas foram particularmente influentes entre os mineiros, estivadores, padeiros e exerceram um importante papel na Conferencia nas Comissoes de Fábrica por toda a Russia, que se reuniram em Petrogrado quase ao final da revolucao. Eram estes comites os quais os anarquistas viam como base para uma nova autogestao que se implantaria atraves da revolucao.

Sem embargo, o espirito revolucionario e a unidade de outubro não durou muito. Os bolcheviques ansiavam por suprimir todas aquelas forças da esquerda as quais viam como um obstáculo para exercer o poder do "partido único". Os anarquistas e alguns outros na esquerda criam que a classe trabalhadora seria capaz de exercer o poder atraves de suas proprias comunidades e sovietes (conselhos de delegados eleitos). Os bolcheviques não. Propuseram que os trabalhadores ainda nao podiam tomar o controle de seu proprio destino, dessa forma os bolcheviques tomariam o poder como uma "medida provisoria" durante o "periodo de transicao". esta falta de confianca nas habilidades das pessoas comuns e a tomada autoritaria do poder conduziu à traição dos interesses da classe trabalhadora, como tambem de todas suas esperanças e sonhos.

Em abril de 1918 os centros anarquistas de Moscou foram atacados, 600 anarquistas encarcerados e dezenas deles acabaram mortos. A desculpa foi de que os anarquistas eram "incontrolaveis". Seja lá o que for que queriam dizer com isso, o certo é que simplesmente se negaram a obedecer aos líderes bolcheviques. .

A razão real foi a formação das Guardas Negras, que haviam sido criadas para lutar contra as brutais provocações e abusos da Cheka (predecessores da KGB)

Os anarquistas deveriam decidir o que fazer. Uma seção trabalhava com os bolcheviques, e se uniram a eles, todavia quando existia preocupacao quanto à eficiencia e à unidade contra a reação - Outra seção lutou duramente para defender os avanços da revolucao contra aqueles que seriam uma nova classe dominante, como corretamente vislumbravam.  O movimento Makhnovista na Ucrania e o levante do Kronstadt foram as últimas batalhas importantes. Em 1921, a revolução anti-autoritaria já estava morta. Sua derrota teria profundas e duradouras consequencias para o movimento internacional de trabalhadores.

Havia a esperança dos autores de que esse desastre nao ocorresse novamente. Como contribuicao, eles escreveram o que ficou conhecido como "A Plataforma". A qual encherga as licoes do movimento anarquista russo, seu fracasso em constituir uma presenca dentro do movimento da classe trabalhadora, suficientemente grande e efetivo para se contrapor a tendencia bolchevique e outros grupos politicos em impor-se a si mesmos sobre a classe trabalhadora. Constitui um guia que a grosso modo sugere como os anarquistas devem organizar-se, em resumo, como podemos chegar a ser efetivos.

Trata-se de verdades bastante simples, é ridículo uma organizacao composta por grupos com definicoes contraditorias e mutuamente antagonistas ao anarquismo. É necessario estabelecer formalmente um acordo por meio de políticas expressas por escrito, o rol participantes, a necessidade de estabelecer comissoes e metodos de trabalho; o tipo de estrutura que resulte em uma organizacao democratica, grande e efetiva.

Quando foi publicada pela primeira vez recebeu o ataque das personalidades mais conhecidas na época, tais como Enrico Malatesta e Alexander Berkman. Foram acusados de estar "a um só passo dos bolcheviques" e de intentar um "Anarquismo bolchevique". Esta reação exagerada deveu-se em parte à proposição de criar uma União Geral de Anarquistas. Os autores não explicaram claramente como seria a relação entre esta organização e os outros grupos de anarquistas fora dela, nem que nada impedia que organizações anarquistas distintas trabalhassem juntas em publicações que compartilhassem posições e estratégias comuns.

Não consiste, como tem sido colocado tanto por seus detratores como por alguns de seus adeptos ultimamente, em um programa para "afastar-se do anarquismo em direção ao comunismo libertario". Os dois termos são completamente interelacionados. Foi escrito para ressaltar o fracasso dos anarquistas russos em sua confusão teórica; tanto quanto em sua falta de coordenação a nivel nacional, desorganização e incerteza política. Em outras palavras, carecia de efetividade. Em suma, longe de fazer um compromisso com politicas autoritarias, buscava a necessidade vital de criar uma organização que combinasse um efetivo ativismo revolucionario com os principios fundamentais do anarquismo.

Não é um programa perfeito agora, e tampouco o foi em 1926. Tem debilidades. Não explica algumas de suas ideias com suficiente profundidade, pode-se argüir que não cobre em absoluto alguns tópicos importantes. É bom não esquecer o documento é um pequeno panfleto e não uma enciclopedia de 26 volumes. Os autores deixam bastante claro em sua introdução que não se trata de nenhum tipo de "Biblia". Não é uma análise ou programa completo, é uma contribuição ao necessário debate - um bom ponto de partida.

Para que não reste qualquer tipo de dúvida de sua relevancia hoje em dia, deve ser dito que as ideias básicas de "A Plataforma" são preponderantes entre as idéias do movimento anarquista internacionalmente. Os anarquistas buscam mudar o mundo para melhor, e este panfleto nos leva em uma direção onde podemos encontrar algumas das ferramentas necessarias para cumprir esta tarefa.



Alan MacSimoin, 1989

Tradução: Alvimar Bessa
mail: projetoperiferia -A- ig.com.br

Introdução Histórica, Nick Heath (AF, 1989)
Introdução Histórica



NESTOR MAKHNO e PIOTR ARSHINOV juntamente com outros anarquistas russos e ucranianos em Paris, publicaram a excelente Dielo Trouda bimensalmente a partir de 1925. Consistia em uma revista anarco-comunista teórica de muito boa qualidade. Anos antes, quanto ambos foram encarcerados na prisão Butirky em Moscou, tiveram a ideia de publicar uma revista desse estilo. Agora a estavam colocando em pratica. Makhno escreveu um artigo quase em todos os números durante o curso de tres anos. Em 1926 se uniu ao grupo IDA METT (autor da denuncia contra os bolcheviques chamada: "A Comuna Kronstadt"), que a pouco tempo havia conhecido na Russia. Naquele ano tambem viu a publicação de "Plataforma Organizacional".

A publicação da "Plataforma" foi encarada com ferocidade e indignação por muitos no movimento internacional anarquista. O primeiro a atacar foi o anarquista russo Voline, à época tambem na França, e fundador com Sebastião Faure de "Síntese", que buscava justificar uma mescla de anarco-comunismo, anarco-sindicalismo e anarquismo individual. Junto a Molly Steirner, Fleshin, e outros, escreveu uma réplica dizendo que "sustentar que o anarquismo é apenas uma teoria de classes é limitá-lo a um único ponto de vista".

Sem desanimar, o grupo Dielo Trouda fez em 5 de fevereiro de 1927 um convite a uma "conferencia internacional", onde ocorreria uma reunião preliminar no dia 12 daquele mesmo mes. Estavam presentes nesta reunião - fora o grupo Dielo Trouda 0 um delegado da Juventude Anarquista Francesa (Odeon); um Búlgaro, Pavel, enquanto individuo, um delegado do agrupamento anarquista polaco, Ranko, e outro polaco enquanto individuo, alguns militantes espanhois, entre os quais Fernández, Carbo e Gibanel; um italiano, Ugo Fedeli; um chines, Chen; e um frances, Dauphin-Meunier, todos como individuos. A primeira reunião foi realizada em um pequeno quarto atraz de um café parisiense.

Foi criada uma comissão provisoria, composta por Makhno, Chen e Ranko. Uma circular foi enviada a todos os grupos anarquistas em 22 de fevereiro. Foi convocada uma conferencia internacional que teve lugar em 20 de abril de 1927, em Hay-les-Roses - perto de Paris - no cinema Les Roses.

Alem dos que vieram na primeira reunião, havia um delegado italiano que apoiou a "Plataforma", Bifolchi, e outra delegação italiana do periódico "Pensiero e Volontà", Luigi Fabbri, Camillo Berneri, e Ugo Fedeli. Os franceses tiveram dois delegados, um de Odeon, favoravel à "Plataforma", e Severin Ferandel.

Foi colocada a seguinte proposta:



  1. Reconhecer a luta de classes como o aspecto mais importante da ideia anarquista;

  2. Reconhecer o Anarco-Comunismo como a base do movimento;

  3. Reconhecer o sindicalismo como o principal método de luta;

  4. Reconhecer a necessidade de um 'Sindicato Geral de Anarquistas', baseado na tática e unidade ideologica, e na responsabilidade coletiva;

  5. Reconhecer a necessidade de um programa positivo para realizar a revolução social.

Depois de uma grande discussão algumas modificações foram agregadas à proposta original. Todavia, não deu tempo de fazer mais nada pois a policia invadiu o local, prendendo todos os presentes. Makhno quase foi deportado, só não o foi graças a uma campanha iniciada por anarquistas franceses. A proposta de criar uma Federação Internacional de Anarco-Comunistas Revolucionarios havia sido desbaratada, mesmo alguns daqueles que participaram na dita conferencia recusaram dar-lhe alguma autoridade.

Outros ataques à "Plataforma" vieram de Fabbri, Berneri, do historiador anarquista Max Nettlau, seguidos de Malatesta, o conhecido anarquista italiano. O grupo Dielo Trouda replicou com "Uma Resposta aos Confusionistas do Anarquismo", seguido de uma declaração de Arshinov sobre a "Plataforma" em 1929. Arshinov, decepcionado pela maneira com que se reagiu à idei da "Plataforma", voltou à URSS em 1933. Foi acusado de "tentar restaurar o Anarquismo na Rusia", sendo executado em 1937, durante as purgas estalinistas.

A "Plataforma" falhou em estabelecer-se em nível internacional, mas afetou alguns movimentos:

Na França, a situação foi marcada por uma serie de divisões e fusões, os "Plataformistas" por algumas vezes chegaram a controlar o movimento anarquista, enquanto que em outras ocasiões se viram forçados a dispersar-se e formar seus proprios agrupamentos. Na Italia, os simpatizantes da "Plataforma" criaram o pequeno "Unione Anarco Comunista Italiano', o qual rapidamente entrou em colapso. Na Bulgaria, a discussão sobre formas de organizar-se provocou a reconstrução da Federação Anarquista Búlgara (F.A.C.B.) sobre uma "plataforma concreta" "para uma organização anarquista específica, permanente e estruturada" "baseada nos principios e táticas do comunismo libertario". Todavia, os "Plataformistas" da linha dura se negaram a reconhecer a nova organização e a denunciaram em seu periódico semanal "Prouboujdane", antes dela entrar em colapso pouco tempo depois.

De forma similar na Polonia, a Federação Anarquista da Polonia (AFP) reconheceu que se há de derrubar o capitalismo e o estado atraves da luta de classes e da revolução social, criando uma nova sociedade baseada em conselhos de trabalhadores e camponeses, e uma organização construida sobre a unidade teórica, embora negando a "Plataforma" ao considerar que tinha tendencias autoritarias. Na Espanha, ocorreu, conforme Juan Gómez Casas descreve em "Organización Anarquista - La Historia de la F.A.I.": "O anarquismo espanhol estava preocupado em como resgatar e incrementar a influencia que teve desde que a Internacional chegou à Espanha". Os anarquistas espanhois não tinham naquela época preocupações sobre sair do isolamento, ou de competir com os bolcheviques. Na Espanha, a influencia bolchevique era ainda pequena. A "Plataforma" dificilmente poderia afetar o movimento espanhol. Quando se criou a Federação Anarquista Ibérica em 1927, a "Plataforma" não pode ser discutida mesmo estando na agenda, pois não haviam sido traduzidas suas propostas.  J. Manuel Molinas, à época Secretario dos Grupos Anarquista de fala hispanica na França, escreveu mais tarde a Casas: "A plataforma de Arshinov e outros anarquistas russos exerceu muito pouca influencia no movimento no exilio e dentro do pais... 'A Plataforma' foi uma tentativa de renovar, de dar mais caráter e capacidade ao movimento anarquista à luz da Revolução Russa. Hoje, ao longo de toda nossa experiencia, me parece que esse esforço não foi totalmente apreciado.".

A Guerra Mundial interrompeu o desenvolvimento das organizações anarquistas, mas a controversia sobre a "Plataforma" reapareceu com a fundação da Fédération Communiste Libertaire na França, e dos Gruppi Anarchici di Azione Proletaria na Italia no principio dos anos 50. Ambos usaram a "Plataforma" como ponto de referencia (houve também uma pequena Federación Comunista Libertaria de espanhois no exilio.) Isto foi seguido em finais dos anos 60 e começos dos anos 70 pelo surgimento de grupos tais como Organisation of Revolutionay Anarchists na  Inglaterra e a Organisation Revolutionnaire Anarchiste na França.

A "Plataforma" continua sendo uma valiosa referencia histórica para os anarquistas da luta de classes, na busca por maior efetividade e pela saida do isolamento político, da inatividade e da confusão, buscando respostas aos problemas que enfrentam.

Nick Heath, 1989

Tradução: Alvimar Bessa
mail: projetoperiferia -A- ig.com.br


Apresentação

 

É muito significante o fato de que, apesar da força e o caráter incontestavelmente positivo das idéias libertárias, e apesar da franqueza e integridade das posições anarquistas perante a revolução social, e finalmente o heroísmo e inúmeros sacrifícios suportados pelos anarquistas na luta pelo comunismo libertário, o movimento anarquista permanece fraco a despeito de tudo, e tem aparecido, frequentemente, na história de lutas da classe trabalhadora como um pequeno acontecimento, um episódio, e não um fator importante.



Esta contradição entre a positiva e incontestável substância das idéias libertárias, e a situação miserável na qual o movimento libertário vegeta, tem sua explicação em um número de causas, das quais a mais importante, a principal é a falta de princípios e práticas organizacionais no movimento anarquista.

Em todos os países, o movimento anarquista é representado por várias organizações locais que advogam teorias e práticas contraditórias, ficando, assim, sem perspectivas para o futuro, nem uma continuidade no trabalho militante, e habitualmente desaparecendo, dificilmente deixando o menor vestígio de existência em seu lugar.

Considerando-o como um todo, tal estado de anarquismo revolucionário só pode ser descrito como "desorganização geral crônica" .

Como a febre amarela, esta doença de desorganização se introduziu no organismo do movimento anarquista e o tem abalado por dezenas de anos,

No entanto, sem sombra de dúvidas, esta desorganização se origina de alguns defeitos de teoria: notavelmente de uma falsa interpretação do princípio de individualidade no anarquismo: sendo esta teoria freqüentemente confundida com a total falta de responsabilidade, Os amantes da asserção 'eu', com o interesse voltado unicamente para o prazer particular, agarram-se obstinadamente ao estado caótico do movimento anarquista e citam em sua defesa os princípios imutáveis do anarquismo e seus professores.

Mas os princípios imutáveis e os professores têm mostrado exatamente o contrário.

Dispersão e quebra de unidade são arruinantes: uma união bem suturada é um sinal de vida e desenvolvimento. Esta negligência de luta social aplica-se tanto às classes quanto às organizações.

Anarquismo não é uma utopia bonita, nem uma idéia filosófica abstrata, é um movimento social das massas trabalhadoras. Por esta razão, deve unir forças em uma organização, agitando constantemente, como é exigido pela realidade e estratégia de luta de classe.



"Nós estamos convictos" afirma Kropotkin, "de que a formação de uma organização anarquista na Rússia, longe de ser prejudicial à tarefa revolucionária comum, é, pelo contrário, desejável e útil no mais alto grau." (Prefácio para The Paris Comune ("A Comuna Parisiense") de Bakunin, edição de 1892.)

Bakunin nunca se opôs ao conceito de uma organização anarquista geral. Pelo contrário, suas aspirações a respeito de organizações, assim como sua participação na primeira Internacional nos oferece razões para vê-lo justamente como um guerrilheiro ativo de uma organização como tal.

Em geral, praticamente todos os militantes anarquistas ativos lutaram contra qualquer tipo de atividade dispersiva, e desejaram um movimento anarquista soldado pelo unidade em meios e fins.

Foi durante a Revolução Russa de 1917 que se sentiu mais profundamente e urgentemente a necessidade de uma organização geral. Foi durante esta revolução que o movimento libertário mostrou o maior grau de fragmentação e confusão. A falta de uma organização geral levou muitos militantes anarquistas ativos a tomar parte de postos dos bolchevistas. Esta falha é também a causa de muitos outros militantes atuais permanecerem passivos, impedindo qualquer uso de suas forças, que é freqüentemente bem considerável.

Nós temos grande necessidade de uma organização que, tendo reunido a maioria dos participantes do movimento anarquista, estabeleça no anarquismo uma linha política geral e tática a qual deve servir como um guia para o movimento inteiro.

Está na hora do anarquismo sair do pântano da desorganização, pôr um fim às infinitas vacilações das questões táticas e teóricas mais importantes, mover-se definitivamente em direção a um ideal claramente reconhecido, e operar uma prática coletiva e organizada.

No entanto, não é o bastante reconhecer a necessidade vital de tal organização: é também necessário estabelecer o método para sua criação.

Nós rejeitamos como teoricamente e praticamente inapta a idéia de criar uma organização baseada na receita da 'síntese' , que está reunindo os representantes de diferentes tendências anarquistas. Tal organização, tendo incorporado elementos teóricos e práticos heterogêneos, seria apenas uma reunião mecânica de indivíduos, cada qual possuindo um conceito diferente das questões do movimento anarquista, uma reunião que eventualmente se desintegraria ao entrar em contato com a realidade.

O método anarco-sindicalista não resolve o problema da organização anarquista, pois ele não dá prioridade a este problema, interessando-se somente pela penetração e aumento de forças no proletariado industrial.

Entretanto, muito coisa não pode ser realizada nesta área, até mesmo em adquirindo igualdade, a menos que haja uma organização anarquista geral.

O único método que leva à solução do problema de organização geral é, do nosso ponto de vista, reorganizar militantes anarquistas ativos baseando-se em posições precisas: teórica, tática e organizacional, a base mais ou menos perfeita de um programa homogêneo.

A elaboração de tal programa é uma das principais tarefas imposta aos anarquistas pela luta social dos últimos anos. É nesta tarefa que o grupo de anarquistas russos em exílio dedica uma parte importante de seus esforços.

A Plataforma Organizacional publicada abaixo representa os esboços, o esqueleto de tal programa. Deve servir como o primeiro passo em direção a um reagrupamento de forças libertárias em um único coletivo revolucionário ativo capaz de lutar, a União Geral dos Anarquistas.

Não temos dúvidas de que há falhas na presente plataforma. Tem falhas, assim como todos os passos novos e básicos que tenham qualquer importância. É possível que algumas posições importantes tenham sido deixadas de fora, ou que outras tenham sido tratadas de forma inadequada, ou ainda que outras tenham sido muito detalhadas ou repetitivas. Tudo isso é possível, mas não de relevância vital. O que é importante é fixar as fundações de uma organização geral, e é este propósito que é atingido, em certo grau de necessidade, pela plataforma presente.

Depende do coletivo como um todo, a União Geral dos Anarquistas, em ampliá-la, para depois dá-la profundidade, transformá-la em uma plataforma definitiva para todo o movimento anarquista.

Em outro aspecto também temos dúvidas. Nós prevemos que vários representantes de um estilo próprio individualista e anarquismo caótico irão nos atacar, espumando pela boca, e nos acusar de quebrar princípios anarquistas. Contudo, sabemos que os elementos individualistas e caóticos entendem pelo título 'princípios anarquistas' indiferença política, negligência e total falta de responsabilidade, o que tem causado em nosso movimento separações quase incuráveis, e contra as quais estamos lutando com toda nossa energia e paixão. Esta é a razão pela qual podemos calmamente ignorar os ataques provindos deste campo.

Baseamos nossa esperança em outros militantes: naqueles que permanecem fiéis ao anarquismo, tendo experimentado e sofrido a tragédia do movimento anarquista, e estão dolorosamente procurando por uma solução.

Mais ainda, colocamos grandes esperanças nos jovens anarquistas que, nascidos na respiração da Revolução Russa, e posicionados desde o início no meio de problemas construtivos, irão certamente exigir a realização de princípios positivos e organizacionais no anarquismo.

Convidamos todas as organizações anarquistas russas espalhadas em vários países do mundo, e também militantes isolados, a unir-se baseados em uma plataforma organizacional comum.

Deixem esta plataforma servir como a espinha dorsal revolucionária, o ponto de unificação de todos os militantes do movimento anarquista russo! Deixem-na formar as fundações para o União Geral dos Anarquistas! 

Vida longa para a Revolução Social dos Trabalhadores do Mundo!

GRUPO DIELO TROUDA

Paris, 20 Junho1926



Translation by FAG - Federação Anarquista Gaucha
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