A presença dos imigrantes árabes nas ruas e na memória de uberlândia-mg



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A PRESENÇA DOS IMIGRANTES ÁRABES NAS RUAS E NA

MEMÓRIA DE UBERLÂNDIA-MG
Nayara Cristina Rosa Amorim

Graduanda em Arquitetura e Urbanismo

Universidade Federal de Uberlândia

Orientadora Dra. Marili Peres Junqueira

Universidade Federal de Uberlândia



  1. INTRODUÇÃO

Este artigo é baseado nos resultados obtidos pela pesquisa: O Impacto do Imigrante no Ambiente Urbano: Uberlândia (1970-2000)1, desenvolvido junto a Universidade Federal de Uberlândia. Assim busca-se recuperar parte da memória do cotidiano da cidade, construída pelos imigrantes sírios e libaneses, sua influencia cultural e urbana, por meio de pesquisas documentais em fontes primárias como jornais, Processos e Atas da Câmara Municipal de Uberlândia, além de depoimentos e entrevistas, e da bibliografia pertinente.

Segundo Argan (1992), o fenômeno urbano é o acumulo de bens culturais, processos econômicos e sociais. Toda a análise de impactos das imigrações confere parte significativa de um arsenal de contribuições e desvendamentos das transformações econômicas, sociais, políticas, demográficas e culturais. Isso observa-se particularizado e em andamento na história da urbanização de Uberlândia.

A memória da cidade é uma faceta da vida das pessoas, que fazem parte dela. Segundo Abreu (1998), a memória individual pode contribuir para recuperação da memória das cidades. A partir dela, ou de seus registros, pode-se atingir momentos urbanos que já passaram e formas espaciais que já desapareceram. Assim, as entrevistas buscam desvendar parte do cotidiano da cidade, desvelando e analisando a influência dos imigrantes especificamente descendentes árabes, sobre os quais quase não se tem estudos específicos apesar de sua significativa presença. Segundo Nasser (2008), a análise das interpretações revela as tensões das relações de ocupação do espaço. Assim, pretende-se por meio da memória do acontecer social dos imigrantes sírios e libaneses de Uberlândia desvendar suas contribuições na construção e transformação do cenário urbano alem de contribuir para afirmação identitária desse grupo social.

A busca pela legitimação da memória e do resgate do acontecer social é um meio do arquiteto e urbanista construírem e modificarem o cenário urbano sem desconsiderar a população para a qual se constrói, essa é uma importante premissa projetual, este trabalho é uma interação das áreas de estudo Arquitetura e Urbanismo, Sociologia e História.




  1. IMIGRAÇÃO SÍRIO-LIBANESA NO BRASIL

Para melhor compreender os impactos da imigração árabe no cenário urbano de Uberlândia antes é preciso analisar as características sociais e histórias de imigração sírio libanesa. Segundo Singer (s.d., p. 1), "encontrar os limites da configuração histórica que dão sentido a um determinado fluxo migratório é o primeiro passo para seu estudo". A imigração do século XX está relacionada com as conseqüências provocadas pela globalização e pelas guerras e dificuldades econômicas nos países de origem. A grande imigração do século XIX foi um fenômeno com proporções atlânticas, muito semelhantes às conseqüências provocadas pela globalização. Rearranjos e novas inserções das economias no mercado internacional global, e condições específicas das regiões e países vão abrir caminhos para deslocamentos populacionais entre os continentes.

Por determinantes outras que não a étnica em stricto senso, no Brasil se utiliza muitas vezes a referência dos imigrantes sírios e dos imigrantes libaneses como sendo um único grupo designado como sírios-libaneses. Não cabe aqui a discussão teórica sobre essa separação e aglomeração das etnias, mas em decorrência das relações e das individualizações nesse trabalho ora os grupos virão separados, ora juntos. Outra freqüente confusão é denominar os sírios ou libaneses como turcos, isso se deve ao fato de no início do século XX imigrarem com passaportes emitidos pelo Império Turco-Otomano, pois seus atuais países eram províncias e não podiam emitir passaportes na época; segundo Truzzi (1997) essa denominação é também uma forma de preconceito.

Segundo Gattaz (2001), a imigração árabe a rigor engloba outras nacionalidades, como egípcios, palestinos, sauditas, iraquianos e outros, porém os libaneses respondem por cerca de 70% dos imigrantes árabes no Brasil.

De acordo com Knowlton (1961), a maior parte dos imigrantes que vieram à América provenientes da Síria, no final do século XIX, eram agricultores e tiveram como motivo a precária situação econômica e problemas políticos da terra de origem. A mobilidade territorial da força de trabalho foi uma variável determinante, frente a uma nova organização do capital e do trabalho em termos internacionais Segundo Rago (1984), essa motivação ou desmotivação “psicoeconômica” para imigração influenciou o processo de qualificação e desqualificação dos trabalhadores.

A Síria é uma estreita faixa de terra de 185.180 km², limitada pelo mar Mediterrâneo a oeste e pelo deserto a leste. O Líbano é uma faixa de terra de 10.400 km2 que correspondia à Fenícia. Em razão da situação geográfica das terras libanesas, cercada por mar e montanhas, os fenícios desenvolveram o comércio em lugar da agricultura. Começava assim uma tradição secular comercial que foi uma das referências em o seu estabelecimento no Brasil.

Segundo Ellis Jr. (1934), essa “vocação comercial” significou mais que uma inserção urbana, não devendo ser confundida com essa condição mais ampla por dois motivos: porque a zona rural constituiu uma base importante para as atividades do mascate e em também porque eles não aderiram a outras ocupações tipicamente urbanas, fora do comércio. “Os sírios e os libaneses adotaram desde o início o sistema de vender barato para vender muito e, por outro lado, exerciam o máximo de economia, conseguindo assim acumular capitais apreciáveis.” (DUOUN, 1944, p.115).

Os imigrantes sírios e libaneses que vieram para o Brasil no século XX, se deparam com uma realidade um pouco diferente, grande concorrência no comércio do centro de São Paulo e maior dificuldade de se estabelecerem e fazerem dinheiro.
Para uns poucos, geralmente beneficiados por relações de parentesco ou conterraneidade com patrícios já há mais tempo estabelecidos, a prosperidade, cada fez mais fugidia, pode ainda ter sorrido. Mas muitos tiveram que tentar a sorte em lugares distantes, longe ou do centro, ou da capital, ou muitas vezes do próprio estado, construindo a popularidade dos “turcos” Brasil afora. (TRUZZI, 1995, p. 92).
Esses imigrantes adentraram o interior do país mascateando e posteriormente estabelecendo lojas em cidades do interior de São Paulo e Minas Gerais, como no caso da cidade de Uberlândia- MG, longe das grandes cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.
3. OS PRIMEIROS IMIGRANTES ÁRABES EM UBERLÂNDIA
O processo de urbanização de Uberlândia atraiu diversos imigrantes, que por sua vez impulsionaram ainda mais a industrialização e urbanização da cidade. O índice de urbanização de Uberlândia passou de 14.819 habitantes vivendo no perímetro urbano em 1927 para 22.616 em 1941 (SOARES, 1998). Nos anos seguintes esse número viria quase a dobrar de tamanho, quando no ano de 1950, esse município alcança 36.467 habitantes (SOARES, 1998).

Os primeiros imigrantes sírios e libaneses a chegarem a Uberlândia, segundo Gassani (2001), foram Miguel Antônio e José Jacob Saad, no início do século XX. Miguel Antônio foi lançado como contribuinte do imposto de Indústrias e Produções em 1907. José Jacob Saad teve uma loja na Av. Afonso Pena, conforme observado nos anúncios de jornais de 1914. Enquanto o Antonio Carneiro (SECRETARIA Municipal de Cultura, 1988-2000) menciona em entrevista que o primeiro imigrante árabe da cidade foi Osório Turco. Segundo Abud Andraus (SECRETARIA Municipal de Cultura, 1988-2000), os primeiros sírios e libaneses que vieram pra cá eram católicos. Depois da Segunda Guerra, começavam a chegar os muçulmanos e os xiitas.

A partir da década de 1940, segundo Gassani(2001), migraram para a cidade pessoas que se estabeleceram em diversos setores da economia, entre eles: Nicolau Feres, distribuidor de sal; Zacarias Jorge Gomes e José Zacarias, no setor da pecuária e agricultura; Morum Bernardino na indústria de calçados; Adib Chueiri no setor de comunicação; João Jorge Cury na arquitetura; os irmãos Simão na Eletrônica; Calixto Milken, no comércio de tecidos e selaria, e José Ayud como jornalista.

A vinda de imigrantes árabes para a cidade incentivou mais imigrantes a optar por Uberlândia para se estabelecerem, uma forma de união e fortalecimento da colônia sírio-libanesa.

Sempre quando vem alguém antes, já facilita a vinda de outros parentes, então, facilitou, chamou “não,cunhado, vem pra cá, é um grande país, é promissor” e tal, e meu pai veio com a cara e a coragem como todos imigrantes(...). A nossa cidade ainda era São Pedro de Uberabinha, poucos recursos, quase sem vibração comercial nenhuma, era uma cidade que tinha talvez só uma rua, no antigo Fundinho (...), a única igreja da cidade era a N. Sra. do Carmo, onde é a biblioteca hoje. (Badue Morum, Entrevista realizada em agosto de 2000 por GASSANI, 2001, Pág.41)
Os imigrantes sírios e libaneses participaram do crescimento da cidade de Uberlândia, muitos chegaram quando a cidade ainda nem tinha o atual nome, como cita Badue Morum na entrevista a cima.


  1. A INFLUENCIAS DA CULTURA ÁRABE EM UBERLÂNDIA

4.1 Vocação comercial: Mascateação, Comércio e Indústria

A concentração dos imigrantes árabes no setor urbano e mais precisamente na área de comércio e indústria se dá desde o início da imigração para a cidade, essa concentração tem origens culturais, se manteve e foi uma das principais contribuições para o crescimento da economia da cidade, gerando empregos e contribuições fiscais, como exposto nas palavras de Sergio Pedreiro, descendente árabe e um dos principais produtores de cereais do cenário brasileiro no final do século XX.

O árabe, principalmente em Uberlândia, sempre se situou mais no comércio de secos e molhados. A participação é muito grande, muito influente, gera muito emprego, principalmente em Uberlândia na parte de cereais, no atacado de cereais, promovendo grandes recolhimentos de impostos, promovendo um elevado número de empregos. (SECRETARIA Municipal de Cultura, 1988-2000, Sergio Pedreiro).
Podemos perceber que os imigrantes tiveram grande aceitação e influência no comércio e indústria da cidade. Tal aceitação gerou uma participação no cenário urbano, com a construção de indústrias e pontos comerciais que modificaram não só as relações comerciais como também a paisagem urbana.
O trabalho iniciado aqui pelos sírio-libaneses, deve ser lembrado pelos historiadores como parte do sucesso alcançado por Uberlândia. Com suas atividades, eles contribuíram em muito para que Uberlândia chegasse a esta sua performance de grandeza e progresso. Falando de uma cidade que tem liderança comercial e que importa e exporta mercadorias para todos os quadrantes do País, cito pessoas pioneiras como Romenes Simão, Cecílio Jorge, Alípio Abrão, Farid Cury, José Tachian, Isac - Jorge - Henegildo e Said Chacur; Afonso Saião, José Abdulmassih, Carlos Zacharias, Ubirajara Zacharias, Nassim Ascar, Felício Yamim, João Miguel, João Calixto, Jorge e José Cahui, Antônio Hubaide, João Jorge Saad; Miguel João, José, Abud, Isaac e Rezeck Andraus; Alcides Helou, João Daher, Abalem Moruta, Abílio Mameri, Taufic Mameri, Gabriel Mameri, Messias Pedreiro, Nicolau Féres, Elias Simão, João Antônio, Morum Bernardino, Nicolau Daud, João Sabbag, José Saieg, Abrão Abalém, Tuffi Themer, Mário Attiê; famílias Nasser, Kheed, David Thomaz, Natalino, Waldemar Silva, Jorge Abrão Rassi, Taufic Haik e João Elias. (CORREIO DE UBERLÂNDIA, 25 out. 2009).
Segundo Bourdieu (1987), o processo de acumulação de capital nas mãos dos comerciantes, gera um ganho econômico a acumulação de capital político, social e simbólico. Ou seja, a inserção dos imigrantes árabes no comercio e indústria teve mais desdobramentos além do acumulo de capital, alterou a dinâmica social da cidade, essa ascensão econômica culminou em uma participação política ativa na cidade como forma de defesa dos interesses econômicos da colônia.
4.2 Associações Comerciais e Sociais
Um dos traços da vida dos imigrantes no Brasil foi a propensão de criar associações de todos os tipos: musicais, caritativas, esportivas ou políticas, refletindo as várias correntes dentro da imigração. Além das escolas e das igrejas, as associações recreativas, culturais, beneficentes, assistencialistas. Segundo Seyferth (1986), as associações são importantes para a etnicidade, e tem como objetivo a atualização e afirmação da identidade étnica.
4.2.1 Associações Comerciais: o caso da ACIUB

As famílias árabes foram determinantes no processo de industrialização de Uberlândia no início do século XX. A Associação Comercial e Industrial de Uberlândia (ACIUB), fundada em 1933, que nesse momento tinha o nome de Associação Comercial, Industrial e Agropecuária de Uberlândia, instituição influente na vida econômica e política da cidade, que tem entre seus objetivos o crescimento econômico da cidade, teve entre seus fundadores e primeiro diretor José Andraus Gassani, membro da colônia sírio-libanesa Muitos descendentes árabes participaram da diretoria da ACIUB, como podemos constatar pelo quadro 1.


Quadro 1: Imigrantes e descendentes árabes que participaram da diretoria da ACIUB (1933-1982).

Nome

Ano

José Andraus Gassani

1933/35, 37/38, 41/42, 46/47, 47/48.

Said Chacur

43/44, 57/58

Alcides Helou

42/43

Nicolau Feres

43/44

Isaac Chacur

44/46, 48/49

Fued Abib Altux

47/48, 49/50, 50/51, 53/54, 54/55, 57/58

Abdala Haddad

49/50, 60/63

Mario Mansur

49/50, 50/51

Jayme Tannus

57/58, 66/67

Surrel Attie

59/60

Manen Muchail

60/61, 61/62

Antonio Jorge Hubaide

60/61, 61/62

Abalem Moruta

61/62, 64/65, 65/66

Ibraim Hajjar

61/62

Regis Elias Simão

62/63

Nady Attuch

62/63

David Messias Pedreiro

63/64

João Pedro Gustin

67/68

Antônio Jorge Tannus

68/69

Farah Salamão

73/74, 74/75, 75/76

Taufik Abib Calil

76/77, 77/78

Sergio Pedreiro

77/78

Libanez Gustin

78/79, 81/82

Fonte: Associação Comercial e Industrial de Uberlândia (ACIUB).
Segundo Machado(1998), a ACIUB é um dos fios condutores que alinhavam projetos e práticas políticas, recriando o imaginário social a partir do ideal de “progresso e ordem”, ideologia essa defendida pela classe dominante como forma de disciplinar a classe trabalhadora. Podemos constatar que representantes da colônia sírio-libanesa estavam presentes na classe dominante e nas decisões político-econômicas da cidade
4.2.2 Associações Sociais

Um forte exemplo das associações de caráter social é o aparecimento de clubes sociais. Os clubes sociais são: o Clube Sírio Libanês criado em 1946 que se localizava na Rua Tenente Virmontes esquina com a Av. Afonso Pena, no prédio do Abdulmassih (descendente libanês), e o Monte Líbano. Os dois clubes desapareceram na década de 1960 devido a conflitos existentes entre os próprios imigrantes. No final da década de 1970 foi fundado o Clube Brasil Líbano que funcionou no Edifício Chams, mas também deixou de funcionar pouco depois.

Existiam conflitos entre as famílias árabes de Uberlândia que se revelaram através de disputa de diretoria dos clubes sociais.Alguns exemplos:
Houve um probleminha de falte de dialogo no Clube Sírio Libanês, num houve um consenso, aí criaram um outro clube, criaram o Monte Líbano, aqui na praça, Uberlândia ficou uma cidade de interior com dois clubes de patrício, Monte Líbano aqui na praça, que é onde demoliu, aquele terreno ali em frente a Drogasil, aquela esquina...(Badue Morum, Entrevista realizada em agosto de 2000 por GASSANI, 2001, Pág.47)
Os clubes libaneses para mim foi uma decepção tão grande!Porque foi muito bom a inauguração, algumas diretorias foram boas, outras foram um vexame. No outro também. Não devia ficar traçando de diretoria.( Nazira, Entrevista realizada em agosto de 2000 por GASSANI, 2001, Pág.77
Como podemos perceber pelas entrevistas citadas existiam conflitos internos na colônia sírio –libanesa, que dificultaram a permanecia dos clubes sociais na cidade.

Segundo Figoli e Vilela (2004), a relação que se estabelece entre grupos que se vêem e são vistos pelos outros como étnica e culturalmente distintos, se dá no interior de uma sociedade pluriétnica. É, portanto, nessa intensa interação, que constitui o contexto em que os imigrantes lutam por inserir-se nos sistemas organizativos nacionais, sem perder suas respectivas identidades.


Uma nota no jornal da cidade exemplifica a união da colônia na cidade:

Na residência do casal Refi e Nagat, jogamos algumas partidas de canastra com Ibrahim Khoury, Tannus Koussa, Pedro Gustin, Malek Rassi e José Américo. O Rafi segurou o Ibrahim com a sua oração ao Sapo Seco e o bom libanês não conseguiu fazer uma canastra real em varias rodadas. Resultado: apanhamos pra valer. (CORREIO, 16 de dez. de 1980, p.3)


Em entrevista Carla Ceclio2 fala sobre a união da colônia sírio libanesa no final do século XX e início do século XXI, período final dessa pesquisa.

A colônia de Uberlândia não é mais tão unida. Porque os mais velhos já faleceram, sobraram pouquíssimos. Por exemplo, o Clube Brasil Líbano que eles fizeram, existe ainda, mas não tem mais a mesma finalidade, eles não se encontram. Ele se localiza em cima do Edifício Chams, virou rádio lá agora, radio evangélica. Eles não se encontram mais, não tem festas mais com organização, não fazem mais shows, eles até traziam artistas de fora, não trazem mais. (Carla Cecílio, entrevista realizada em 24 de março de 2011)


Segundo Gassani (2001) e Carla Cecílio(2011), hoje a integração da colônia limita-se a encontros sociais familiares nas próprias casas ou em locais públicos locados para um evento específico.
4.3 Importância dada à educação
Vários autores, sobretudo os do interior da etnia, ressaltaram a compreensão que os sírios e libaneses sempre tiveram da importância de uma educação de seus filhos em escolas de nível superior, um traço da cultura árabe. A educação, segundo os autores Truzzi (1995) e Gassani (2001), é importante na cultura destes povos, sobretudo para os libaneses que a vê como forma de ascensão social.

As escolas e a educação são tratadas de forma diferente, com maior importância, em entrevista Carla Cecílio descreve as escolas do Líbano:

O país inteiro é bilíngüe, do mais pobre ao mais rico. Falam o árabe e o francês fluentemente. As escolas começam a sete da manhã e vão até as nove da noite, aprende-se tudo que tem para aprender na escola: cozinhar, bordar, esportes. As escolas geralmente são para homens ou para mulheres, agora têm algumas que são mistas, mas as salas são separadas para homens e pra mulheres, eles se encontram só em algumas aulas especificas. Os livros na maioria são em inglês ou em francês. ( Carla Cecílio, entrevista realizada em 24 de março de 2011)
Em Uberlândia, podemos constatar que parte do capital acumulado pelos imigrantes provenientes da indústria e comércio foi investida em educação, com a construção de escolas e formação de profissionais qualificados.
Embora então tivessem esta visão de empreendedores, e necessitassem dos parcos recursos de então rapidamente, procuraram, de todas as formas, fazer com que os filhos buscassem seguir carreiras universitárias. Daí o grande número de profissionais liberais descendentes de árabes que vemos até hoje em todos os setores da vida nacional.(Entrevista com Ibraim Andraus Gassani, GASSANI, 2001, pág.67)
Os imigrantes e descendentes contribuíram muito para construção de escolas na cidade. O Grupo escolar Messias Pedreiro foi construído em 1976 com dinheiro doado pela família síria Pedreiro.
Nós doamos uma verba para ser construída uma escola com determinado número de salas, dentro de um padrão, na ocasião, adequado, né, o terreno já pertencia a prefeitura. Onde está situado o Grupo Escolar Messias Pedreiro antes era uma caixa-d’água, uma, um tratamento de água de Uberlândia. Isso foi, é, desativado, então existia esse terreno, e o prefeito nos mostrou o terreno, perguntou se o terreno era adequado, nós concordamos com o local e fizemos a doação em dinheiro para que fosse construída uma escola com determinado número de aprendizes por sala, com ampliação para área de esportes [...] (SECRETARIA Municipal de Cultura, 1988-2000, Sergio Pedreiro)
Eduardo Andraus Gassani e Ibrahim Andraus Gassani criaram o Colégio Galileu Galilei de Uberlândia, localizado na av. Fernando Vilela. Alguns imigrantes árabes atuaram na cidade como educadores, entre eles Rezek Andraus Gassani, nascido em 1904 no Líbano. Esteve no grupo de professores pioneiros da Faculdade de Engenharia Elétrica de Uberlândia, além de ter criado a Retifica dos Andraus e a Usina de Laticínios Bom Pastor. Outro exemplo, o professor Chafi Ayub Jacob que ministrou aulas no Colégio Brasil Central na década de 1970. Somente para destacar as figuras mais conhecidas e pioneiras da educação em Uberlândia.

A educação e formação superior resultaram na inserção dos imigrantes nas profissões liberais, essa inserção é uma alternativa para ascensão econômica e contribuiu para diversificar a influência dos imigrantes nos diversos setores da economia e da sociedade em geral.

Segundo Truzzi(1997), as mulheres da colônia sírio libanesa no Brasil, sempre foram incentivadas a estudar a principal barreira era a profissionalizarão. Pois o objetivo de estudar para as mulheres nunca foi o exercício de uma profissão, mas tão somente se tornarem educadas.


4.4 A questão feminina
A maioria dos árabes que vinham para o Brasil eram homens que deixavam suas famílias no Líbano ou Síria e vinham para o novo país na expectativa de acumular capital. Segundo Truzzi(1997), o recenseamento de 1920 aponta os sírios como o grupo que acumulava a maior desproporção entre homens e mulheres(67% e 32% respectivamente) em relação aos outros principais grupos de estrangeiros no estado: italianos (54% e 46%), portugueses (61% e 39%), espanhóis(54% e 46%) e japoneses (58% e 42%).Esse fenômeno gerou uma escassez de mulheres da colônia nos primórdios da imigração.

A colônia sírio-libanesa aprovava o casamento dentro da própria colônia, com a escassez de moças no inicio da imigração muitos patrícios voltavam até seus paises para casarem com parentes ou conhecidos.


De fato, culturalmente, os sírios e libaneses foram educados a casarem entre”patrícios”, numa longa tradição patriarcal em que os mais velhos sempre procuravam determinar o casamento de seus filhos.(TRUZZI, 1997, pág.74)
Alguns patrícios imigravam para o Brasil e deixavam suas famílias nos países de origem, prometendo busca-la ou retornar ao país depois de conseguir estabilidade econômica.
Meu avó quando veio, veio sozinho, deixou minha avó com meus tios e meu pai, para trás. Depois, muito levado, ele estava até ficando noivo por aqui. Aí a colônia disse para ele se você não for buscar sua esposa e filhos vamos contar para ela o que está acontecendo(...).Minha avó chegou no Porto de Santos, sem falar uma palavra em português, com os filhos, eram sete, e procurando ele. Como ninguém entendia o que ela falava, chamaram um árabe, a sorte é que ele sabia que meu avó tinha vindo para Uberlândia, aí deram um jeito de trazer ela pra cá. (Entrevista com Carla Cecílio, março de 2011)
Quando a mulher se casa ela recebe o sobrenome do marido, geralmente perde até o sobrenome do pai, e não recebe o sobrenome da mãe. Essa questão cultural dificulta a identificação e quantificação da colônia na cidade.


  1. PRESENÇA DOS IMIGRANTES ÁRABES NAS RUAS DA CIDADE

Não se sabe ao certo o tamanho da colônia sírio-libanesa em Uberlândia, através do levantamento dos jornais da cidade foi detectada uma certa invisibilidade desse grupo social, as referencias feitas aos imigrantes árabes são pontais, pouco se fala da colônia como todo.



A partir do levantamento das Atas da Câmara Municipal de Uberlândia, disponíveis no Arquivo Público de Uberlândia, a partir da década de 1970, período inicial dessa pesquisa, foram encontrados patrícios que receberam o título de cidadão Uberlandense.
Quadro 2- Imigrantes árabes que receberam o título de Cidadão Uberlandense (1970-2000).

Data

Patrício

Processo

Projeto

Vereador responsável

05-07-74

Prof. Adib Domingues Jatene

3578

3533

--------------------

19-09-75

Sr. Mário Ibraim

3693

3631

Amir Cherulli

19-09-75

Dr. Badue Morum Berbardino

3698

3636

Loureval Berger Filho

19-09-75

Celso Abrão

3715

3653

Amir Cherulli

22-09-76

Prof. José Mamede Moreira

3845

3765

Dorivaldo Alves do Nascimento

08-03-78

Prof. Ayub Jacob

4076

3971

Orestes C. Fernandes

21-12-78

Altamirando Dantas Ruas

4320

4194

Orestes C. Fernandes

25-06-80

Sr. Francisco Rubens Calil

4594

4466

José A. Martins

24-02-81

Eng. Rezek Andraus Gassani

4803

4663

Marcelino Tavares Mamede

13-05-92

Ragi Wadih Mansur

7941




Irani Gonsalves

23-11-93

Edson “Bolinha” Cury

019

017

Vereadores

12-09-95

Dr. Abdalla Miguel

067

068

Luiz Carlos de Souza

12-05-95

Jaime Moisés

071

069

Luiz Carlos de Souza

10-06-96

Dr. João Luiz Alves Mamede

126

121

José Humberto Lemes

28-08-96

Dr. Carmo Domingos Jatene

133

127

Adalberto Duarte

Fonte: Atas da Câmara Municipal de Uberlândia, Arquivo Público de Uberlândia, 2010.
Vale ressaltar que o título de cidadão uberlandense é uma forma de reconhecimento de serviços prestados a cidade, o que está diretamente ligado as atividades profissionais exercidas pelos patrícios, em geral: grandes comerciantes, professores, médicos e engenheiros. De acordo com Jenkins (1997), a etnicidade pode funcionar como uma vantagem econômica que está entrelaçada com outros princípios de identificação social, como religião e classe social. Ou seja, esse reconhecimento dos patrícios na sociedade uberlandense está intimamente ligado a uma ascensão econômica, e posterior participação da burguesia local, o que contribuiu para afirmação identitária do grupo social em questão.

O crescimento da cidade provocou a expansão da malha urbana, diversas novas ruas foram criadas. Uberlândia, a parir da década de 1970, causou uma grande atração populacional, o que afetou diretamente no crescimento da cidade, desenvolvimento e diversificação na economia e ampliação da malha urbana. A cidade sofreu primeiramente um crescimento horizontal, ou seja, tivemos uma expansão do perímetro urbano.

Nos processos de Lei da Câmara Municipal podemos encontrar diversos nomes de descendentes e imigrantes árabes nas ruas, uma forma de reconhecimento indireta da presença da colônia síria libanesa na memória da cidade.
Quadro 4- Patrícios homenageados com nomes de logradouros da cidade 1970-2000.


Data

Rua/ Praça/ Avenida/ Alameda

Bairro

Pro-cesso

Pro-

jeto

Vereador

responsável

4-02-70

Trav. Eng. João

Jorge Coury



-----------

2878

2448

Adriano Barloni Jr.

16-06-70

Pr. Nicolau Feres

-------------

2923

2484

Prefeito Renato de Freitas

21-03-72

Salin Suaid

Santa Maria

3209

3188

Adriano Barloni Jr.

05-04-72

José Andraus Gassani

Santa Helena

3226

3203

Virgilio Galassi

21-11-72

Jamil Tannus

Jardim Altamira

3292

3265

Agelino Pavan

01-11-73

Said Chacur

Santa Mônica

3470

3394

J.Jairo Fonseca

07-11-73

Salomão Abrahão

Santa Mônica

3486

3450

J.Jairo Fonseca

07-11-73

Espir Abib Attuch

Santa Mônica

3477

3441

J.Jairo Fonseca

08-03-78

José Abdulmassih

Santa Mônica

4089

3984

Adriano Barloni Jr.

20-09-79

Abdalla Haddad

-----------

4487

4358

Eudecio Cassandra Pereira

17-02-81

Calil Abrão

Luizote de Freitas

4982

4838

Adriano Barloni Jr.

17-02-81

Abrão Calil

Vigilato Pereira

4785

4645

Adriano Barloni Jr

19-03-81

José Abdulmassiif

Vigilato Pereira

4813

4672

Adriano Barloni Jr

18-05-81

R. Jocó Faina

Vigilato Pereira

4871

4729

Adriano Barloni Jr

01-06-81

Beirute

Luizote de Freitas

4906

4764

Jeová Abrahão

26-11-81

Chafia Miguel Abrahão

Luizote de Freitas

5049

4905

Antônio Jorge Neto

09-12-81

Praça Prof. Rezek

Andraus Gassani



Martins

5060

4916

Adriano Barloni Jr

04-03-82

José Mamede Júnior

Luizote de Freitas

5105

4961

Eurípedes Barsanulfo de Barros

16-04-82

Av. Farid Ibrahim Cury

Eduardo Rezende

5153

5009

Eurípedes Barsanulfo de Barros

17-08-82

Felipe Attie

Roosevelt

5236

5092

Adriano Barloni Jr

03-12-82

Adib Chueiry

Jardim Karaiba

5217

5073

Adriano Barloni Jr

22-10-82

R. Mamede José Beiker

Aclimação

5329

5185

Adriano Barloni Jr

27-10-82

Nilton Daibert

Luizote de Freitas

5333

5189

Marcelino Tavares Mamede

07-12-82

Av. Geraldo Abrão

Santa Luzia

5393

5249

Alceu Santos

07-12-82

Av. Jaime de Barros

Santa Luzia

5394

5250

Alceu Santos

07-12-82

Av. Alípio Abrão

Santa Luzia

5395

5251

Alceu Santos

07-12-82

Av. Najla Alípio Abrão

Santa Luzia

5396

5252

Alceu Santos

15-10-85

Jorge Cauhy

Planalto

6018

5973

Waldeck Luis Gomes

28-12-85

R. Alfredo Simão

Segismundo Pereira

------

------

Antônio Jorge Neto

01-09-87

R. Jayme Tannus

S. Mônica

------

------

Antônio Jorge Neto

15-10-87

R. Professor Chafi

Ayub Jacob



Patrimônio

6571

6526

Olga Helena da Costa

05-04-88

R. José Zacharias

Junqueira



Altamira

6676

6631

Adriano Barloni Jr

01-08-89

Praça João Jorge Coury

Roosevelt

7080

7037

Antônio Queiroz Barreto

13-05-91

Av. Juhen Cecílio Jorge

Jardim Patrícia

7561

7516

Luizote de Freitas

12-11-91

R. Fuad Abib Attuch

-------------

7780

7735

Cacir José Pereira

08-12-92

Viaduto Jayme Tannus

---------------

8159

8114

Aristides de Freitas

04-03-94

Jaime Agostinho

Res. Gramado

288

7973

Jabbur

03-08-94

Ailton Felix Rodrigues

Marta Helena

410

6068

Antonio Carrijo

09-09-94

Balbino Medeiros

Tocantins

435

6099

Misac Lacerda

09-09-94

Alfredo Nasser Jr.

Santa Luzia

453

6103

José Humberto Lemes

19-09-94

Abadio Abdala Tannus

Tocantins

465

6119

José Humberto Lemes

07-12-94

V. Tereza Jabbur Braga

Segismundo Pereira

563

6199

Adalberto Duarte

21-12-94

Geny Sabbag Saad

Jardim Patrícia

543

6198

Bauer Dias

15-05-95

Dr. Salim Tannus

Pacaembu

688

6316

Luiz Carlos Souza

12-06-95

Maria Abrão Calil

Dom Almir

681

6333

Waldeck Luiz Gomes

03-10-95

Fádua Barcha Gustin

Tubalina

769

6389

Fabio Araujo Filho

01-04-96

Dr. João Patrus de Souza

Sta. Mônica

1001

876

Luiz Carlos Souza

08-04-96

Pra. Adélia Miguel Abraão

Vigilato Pereira

1011

883

Custodio Gonsalves

02-05-96

R. Calil Abrão

Luizote

1034

911

Geraldo Magela

06-05-96

R. Fabio Felice

Luizote

1031

919

Geraldo Magela

05-12-96


R. Edson Bernardino Silva

Jardim

América II



1217

1100

Bauir Dias

08-08-97

R. Farid Jorge

Residencial Jardim

069

6979




03-10-97

R. Adélia Miguel Abraão

Alto Umuarama

121

7071

João Bittar

28-11-97

R. Namen Muchail

Maria Rezende

161

134

Luiz Carlos Souza

21-12-98

R. Edson Bolinha Cury

Parque Primavera

328

7232

Geraldo Rezende

04-05-99


R. Altamirando

Dantas Ruas



Morada da

Colina


108

7305

Aristides de Freitas

10-02-00

R. José Abdulmassih

Shopping Park

711

7477

Felipe Attie

11-02-00

R. Aziza Nicolau Daud

Shopping Park

712

7498

Geraldo Jabbur

02-05-00

R. Alvino Simão da Silva

Jardim Ipanema II

772

7222

Joaquim Vitor

Fonte: Atas da Câmara Municipal de Uberlândia, Arquivo Público de Uberlândia, 2010.
Neste levantamento foram encontradas cinqüenta e nove denominações que continham sobrenomes árabes, dentre eles mais de trinta famílias diferentes presentes neste quadro.

De acordo com Santos (1998), a paisagem humana de uma cidade é tão ou mais complexa que a sua estrutura física e arquitetônica. A memória e cultura de uma cidade é formada pelos grupos que a compõem. Os documentos oficiais de Uberlândia Atas e Processos da Câmara Municipal demonstram e comprovam a presença da colônia sírio-libanesa na cidade.




  1. CONSIDERAÇOES FINAIS

A memória do acontecer social dos imigrantes sírios e libaneses na cidade de Uberlândia desvendar suas contribuições na construção e transformação no cenário urbano. Este processo pode-se dar por meio de alterações na economia, sobretudo no processo de industrialização e diversificação do comercio; no campo da política, e nas influencias culturais exercidas por este grupo social.

A atração populacional exercida pela cidade de Uberlândia, sobretudo a partir de 1970, contribuiu para formação de colônias de imigrantes, a maior delas é a de italianos, apesar disso essa pesquisa foca a colônia sírio-libanesa, como forma de tentar desvendar as peculiaridades e encaixamento social desse grupo no cenário urbano. A invisibilidade desse grupo social está intimamente ligada a sua difícil quantificação, como foi demonstrado ao longo da pesquisa. Entretanto, em termos qualitativos a colônia sírio-libanesa contribuiu consideravelmente para diversificação e crescimento da economia da cidade, inseriu a cultura árabe no cotidiano urbano, gerou investimentos na educação, além de contribuir para a formação do mosaico multi-étnico que compõe Uberlândia.

Os conflitos sociais vividos pelos imigrantes, com os locais e com outras etnias, ou entre si mesmos, são reveladores do impacto da chegada e das dificuldades que envolvem o processo de integração do estrangeiro a uma terra desconhecida e a própria formação de identidade contrastiva.

A busca pela legitimação da memória e resgate do acontecer social é um meio do arquiteto e urbanista construir e modificar o cenário urbano sem desconsiderar a população para qual se constrói, uma importante premissa projetual com já mencionado. A Sociologia vem contribuir no processo de reconhecimento e entendimento dos grupos que compõem o ambiente urbano, desvendando a invisibilidade de algumas partes que compõem o todo. Este estudo é o primeiro passo para o reconhecimento das influências que os imigrantes árabes exerceram no cotidiano, nas ruas e na memória de Uberlândia.



  1. REFERENCIAS

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DUOUN, T. A imigração sírio-libanesa às terras da promissão. São Paulo: Árabe, 1944

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GASSANI, N. M. A. Os cedros do cerrado: uma história da imigração síria-libanesa em Uberlândia. 2001. Monografia (Graduação)-Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2001.

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TRUZZI, O. M. S. Patrícios: Sírio e libaneses em São Paulo. São Paulo: Hucitec, 1995.



1 Com bolsa CNPq de Iniciação Científica pelo Edital 007/2010 da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação, referente ao Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica - PIBIC/CNPq/UFU.


2 Entrevista realizada para esta pesquisa em mar. 2011.


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