A propaganda Nazista no filme “o judeu Eterno” de 1940



Baixar 18.4 Kb.
Encontro29.07.2016
Tamanho18.4 Kb.




A Propaganda Nazista no filme “O Judeu Eterno” de 1940
Raquel de Medeiros Deliberador (PIBIC/CNPq-UEL), José Miguel Arias Neto (Orientador), e-mail: jneto@uel.br.
Universidade Estadual de Londrina / Departamento de História.
História - 70500002 e História Moderna e Contemporânea - 70503001.
Palavras-chave: Nazismo, Propaganda, Cinema.
Resumo:
As inovações técnicas possibilitaram diferentes produções artísticas. E com alcance cada vez maior, sobretudo às massas. Essas produções não devem ter seu valor subestimado no âmbito da política. Como todo regime político para alcançar o poder, foi necessária uma proposta ideológica que gerasse e atendesse aos anseios da população. Os regimes totalitários, como o Nazismo, se utilizaram da propaganda, difundindo amplamente seus ideais através de literaturas, panfletos, imagens e filmes. Este projeto propõe refletir sobre como a produção cinematográfica em especifico o filme O Judeu Eterno, de Fritz Hippler (1940) foi parte de uma estratégia de propaganda dos nazistas. Através de considerações acerca dos estudos da imagem e do cinema como fonte histórica.

Introdução
Vivemos em um mundo em que o dinamismo está presente nas mais diferentes formas de comunicação; a mídia, cada vez mais acessível, se expande através de uma saturação de imagens, e propagação de ideias todas carregadas de um discurso, uma intencionalidade, visto serem produzidas ligadas ao seu contexto histórico, social, político e econômico. As inovações técnicas possibilitaram diferentes produções artísticas, as quais, apresentam um alcance cada vez maior, sobretudo às massas. Essas produções não devem ter seu valor subestimado no âmbito da política. Como todo regime político para alcançar o poder, foi necessária uma proposta ideológica que gerasse e atendesse aos anseios da população. Os regimes totalitários, como o Nazismo, se utilizaram da propaganda para difundir amplamente seus ideias através de literaturas, panfletos, cartazes, charges, imagens e filmes. A partir de considerações acerca dos estudos sobre a linguagem e as representações, e da imagem e do cinema como fonte histórica, este subprojeto de iniciação científica se propõe a aprofundar os conhecimentos acerca da linguagem e propaganda nazista para poder refletir sobre como a produção cinematográfica em específico o filme com estrutura documental “O Judeu Eterno” de 1940, do diretor Fritz Hippler foi parte de uma estratégia de propaganda da ideologia antissemita do partido nazista.
Materiais e métodos
Foi realizado um levantamento de materiais de propaganda nazista como: cartazes, caricaturas, panfletos, linguagem nazista e produções cinematográficas. As propagandas podem ser divididas entre as que enaltecem o partido, o líder e os arianos e as que representam o inimigo de forma pejorativa. É nessa segunda forma que esse projeto se aprofunda. Para isso apresentaremos uma abordagem geral dos meios de propaganda e depois afunilaremos nas produções cinematográficas nazistas.

Os nazistas foram grandes desenvolvedores do cinema e se utilizaram muito dessa linguagem para suas propagandas, propagações de ideias, entre elas a do antissemitismo. Como o filme transmite uma grande noção de veracidade e suas imagens apresentam um significado cadenciado - além do público, em geral, assistir aos filmes distraído - ele se torna uma mídia com um potencial muito forte de discurso. No III Reich o ministério da propaganda - chefiado por Joseph Goebbels que escreveu: “estamos convencidos que o cinema constitui um dos meios mais modernos e científicos de influenciar as massas. Um governo não pode, portanto, menosprezá-lo (FURHAMMAR e ISAKSSON, 1976) - não só censurava o cinema como encomendava e realizava suas próprias produções cinematográficas. Dentre elas nos debruçaremos na produção com formato de documentário “O Judeu Eterno”, 1940 de Fritz Hippler. De acordo com Norman Davies (2009), que classifica alguns filmes de guerra, esta fonte que utilizaremos trata-se de um filme de propaganda ideológica.

O cinema é um documento relativamente novo para os historiadores, devemos considerar e sobretudo compreender os filmes no jogo de forças políticas e sociais de produção de sentidos sobre a história, o que o torna de acordo com Souza (2012) um agente da história, portanto um documento importante a ser analisado, nessa etapa consideraremos a metodologia do historiador e cineasta Marc Ferro.

Para Ferro (2010), as imagens cinematográficas devem estar associadas ao mundo que a produz, já que o filme sempre - independente de se propor a ser documento ou ficção – é História, pois o que não aconteceu, ou seja, as invenções e o imaginário do homem, possuem o mesmo valor histórico que a História. Robert Rosenstone (cf. COSTA, DIAS, 2010, p.3) dialoga com essa ideia ao considerar que os filmes, por estarem muito presentes no cotidiano contemporâneo, afetam as produções de conhecimento sobre o passado “os filmes históricos, mesmo quando sabemos que são representações fantasiosas ou ideológicas, afetam a maneira como vemos o passado” (ROSENSTONE apud COSTA, DIAS, 2010, p.3). Desta forma, o filme deve ser considerado como um produto, uma imagem objeto1, que possui significações além das cinematográficas. Levando em conta mais do que o tema abordado (aquilo que testemunha), tem de se considerar a abordagem sócio histórica que seu discurso autoriza (como aborda, o ponto de vista). Conforme Ferro (2010) essa análise não precisa ser necessariamente sobre a obra em sua totalidade, pode ser em cima de recortes, pesquisa de “séries” (comparação), composição de conjuntos. E a crítica também não se limita ao filme, ela se integra ao mundo que o rodeia e com o qual se comunica, necessariamente.


Resultados e Discussão
Este projeto pretende abordar como o cinema possui potencial para propagar uma ideologia, visto como um documento histórico qualquer, ou seja, considerando que possui um discurso e que este deve ser analisado, e que cabe ao historiador tirar maior proveito desse tipo de fonte partindo de analises especificas às linguagens cinematográficas. Trata-se de uma etapa em desenvolvimento que considerará, ainda, conceitos sobre a propaganda política e as representações que os nazistas realizavam do inimigo, em âmbito geral. Para posteriormente se afunilar em uma das produções do cinema nazista, o filme “O Judeu Eterno”, 1940, de Fritz Hippler

A propaganda nazista assim como a linguagem do Terceiro Reich se utilizava do resgate e ressignificação de crenças religiosas, mitologia nórdica, cultura, pensamentos científicos e filosóficos e linguagens pré-existentes para construção de símbolos e representações, e discursos próprios - mas que não possuíam nada radicalmente novo - que influenciavam o comportamento das pessoas a colaborarem com seus objetivos. Esses mecanismos eram vinculados aos diversos suportes de propaganda, de forma que um reforçava a ideia do outro.


Conclusões

Em primeiras considerações, percebe-se que o partido Nazista soube se apropriar muito bem do potencial e caráter de “verdade” que um filme no formato clássico de documentário oferece para disseminar seu discurso antissemita. E mais do que isso, preparar o povo para as propostas que o governo pretendia pôr em prática como a “solução final”, além de pretender o apoio à outras medidas referentes ao “problema” dos judeus. Para que esta análise possa ser melhor desenvolvida é necessário se aprofundar no conhecimento sobre o cinema e é esta etapa, essencial para este projeto, em desenvolvimento que foi apresentada.


Agradecimentos
Agradeço ao CNPQ, ao meu orientador Prof. Dr. José Miguel Arias Neto, e à organização do XXII EAIC pela oportunidade e apoio.
Referências
BASCHET, Jérôme. Introdução a imagem-objeto. In: SCHMITT, Jean-Claude et BASCHET, Jérôme. L`image. Fonctions et usages dans l`Occidente médiéval. Paris: Le Léopard d`Or, 1996. p. 7-26 (tradução: Maria Cristina C. L. Pereira).

BENJAMIN, Walter, A Obra de Arte na Época de Sua Reprodutibilidade Técnica. In: CAPISRRANO, Tadeu (org.) Benjamin e a obra de arte: técnica, imagem, percepção. Rio de Janeiro: Contraponto, 2012. pp. 9-40.

DAVIES, Norman. Representações – A Segunda Guerra Mundial em imagens, literatura e história. In: Europa na guerra. Rio de Janeiro: Record, 2009. pp. 467-517

FERRO, Marc. História da Segunda Guerra Mundial. São Paulo: Ática. 1995.

______ Cinema e história. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2010.

ROSENSTONE, Robert A. A história nos filmes, os filmes na história. Tradução de Marcello Lino. São Paulo: Paz e Terra, 2010.

SOUZA, Éder Cristiano. O uso do cinema do ensino de história: propostas recorrentes, dimensões teóricas e perspectivas da educação histórica. In: Revista Escritas, v. 4, 2002, p. 70-93. Disponível em http://revistahistoriauft.files.wordpress.com/2013/02/artigo25.pdf



1 Considera-se a noção de “imagem-objeto” do historiador Jérôme Baschet (1996), na qual as imagens possuem usos e funções e que sofrem ressignificação.





©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal