A psicologia e a Teosofia



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A Psicologia e a Teosofia
Por Que a “Ciência da Alma” Deve

Estudar e Compreender a Alma Imortal

Dois Estudantes de Teosofia

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O texto a seguir é resultado de um diálogo

no E-grupo SerAtento, de YahooGrupos


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1. A Psicologia Asiática.

Quero dizer, para começar, que a teosofia é uma psicologia, uma “ciência da alma”, embora ela não seja só isso. Ela pode ser chamada de psicologia asiática.

A teosofia é científica. Ela segue o método experimental, ainda que use também outros métodos. Ela se baseia em fatos. Ela segue a tradição da  Raja Ioga, que lida com realidades e despreza as crenças não examinadas e não-verificadas.  Muito antes de Sigmund Freud, a psicologia entendida como conhecimento da alma e como conhecimento do caminho para o contato ampliado com a alma imortal  sempre foi (e continua sendo) uma parte da filosofia. Inclusive no Ocidente − na antiguidade, na idade média e na modernidade.

Tanto a filosofia clássica ocidental como a teosofia clássica sabem disso e mostram o caminho. O ensinamento está muito claro em Platão,  Epicteto, Cícero, Sêneca, Porfírio, Plotino, Schopenhauer, Montaigne  e tantos outros − apesar das diferenças culturais e de nomenclatura.

Os setores dominantes da psicologia convencional, por sua vez,  ignoram que existe uma alma imortal e não sabem como seria ter contato com ela.  

Para a psicologia convencional e “especializada” (isto é, “fragmentada”),  o importante é o cidadão pagar por uma muleta, por um alívio momentâneo,  e ficar na dependência emocional − quando não química − da chamada terapia. Ao mesmo tempo, o profissional permanece na dependência financeira do prosseguimento da angústia e do problema do  seu paciente.  

Há, felizmente, exceções numerosas a esta dominação do campo de pensamento psicológico por parte da Psicologia mercantil.  Mas, no campo das boas exceções,  Erich Fromm “saiu da moda”, e Viktor Frankl, Karen Horney e Rollo May nem chegaram a estar na moda. Estes nomes e outros devem ser resgatados.

Há muitos exemplos de pensadores recentes da Psicologia que pertencem ao campo da Psicologia Ética. Mais frequentes, porém, são aqueles que abordam nominalmente o tema espiritual − como Carl Jung e vários dos seus seguidores − mas se negam a apontar e diagnosticar a psicopatologia da sociedade mercantil que hoje asfixia o espírito humano.  Jung despreza ativamente a ética.

Os pensadores pseudo-espirituais da psicologia talvez sejam mais nocivos que o materialismo puro e simples, porque desorientam aqueles que estão aptos para uma busca mais profunda. Porém, a responsabilidade por isso é também do movimento esotérico autêntico. Ele foi incapaz − até aqui − de ter um maior vigor cultural no Ocidente, e mesmo nos países do Oriente sua influência é limitada.   

Com algumas exceções, portanto, toda  e qualquer preocupação espiritual intensa é vista e explicada pela psicologia mercantil dominante como psicopatologia, como doença, e como algo a ser extirpado.


A história de Jesus, do ponto de vista destas “psicologias”, é, provavelmente, a história de um narcisista com graves delírios de grandeza. Um caso típico de messianismo. Provavelmente uma compensação neurótica, ou talvez pior que neurótica,  diante do problema do Pai ausente e desconhecido,  da perseguição sofrida na primeira infância, e da relação “conflitiva” com o pai adotivo, José. 

E assim por diante. 

Já Gautama Buddha abandonou sua mulher e o primeiro filho recém-nascido.  Isso é um prato feito para qualquer psicólogo de plantão, que poderá enumerar  à vontade as “patologias” de alguém   que larga sua linda mulher, amável e amada, e uma criança recém-nascida, para ir viver no mato e  meditar em busca de uma suposta “libertação interior”. Eis alguém que,  ao invés de assumir a paternidade e cumprir seus deveres profissionais e familiares, opta por “salvar a humanidade”.  É claro que, em um enfoque psicológico convencional, a atitude de Buddha na lenda da sua vida não é “normal”. Sua teoria sobre o Vazio (Sunya) deve ser apenas a racionalização de um sentimento depressivo. Nestes casos é preciso passar numa farmácia.

O que dizer de Giordano Bruno, Paracelso e os outros místicos de todos os tempos e países?  São Francisco de Assis foi literalmente catalogado por seus contemporâneos como  louco e doido varrido.

Tudo o que foge à mediocridade míope é visto como “anormal”.  Todo ser “normal” renuncia à ética para ficar rigorosamente neutro e “a favor do status quo” diante das questões éticas, espirituais e filosóficas. Esta é a denúncia de Erich Fromm,  em seus textos sobre ética e psicanálise. E esta era a denúncia do pensador José Ingenieros, autor do best-seller do século 20  “El Hombre Mediocre”. 

Fromm, psicanalista e autor de renome mundial, mostra que a psicoterapia mercantil  de hoje apenas adapta cidadãos à mediocridade. E ele  demonstra que adaptação à ignorância coletivamente organizada não é saúde.


O objetivo de muitos “bons” psicólogos e psiquiatras  parece ser amputar e cortar fora antahkarana − a ponte entre a alma mortal e a parte imortal − e assim  "normalizar" o sujeito, inclusive com pesados antidepressivos, etc. 

Evidentemente, é preciso admitir que a psicologia mercantilizada  não é totalmente inútil.  


Uma  curta terapia pode ser importante  em inúmeras  situações. Em outros casos, terapias mais demoradas se justificam e dão bons resultados.  Sabemos que há muitos bons profissionais da psicologia que não dão um caráter de fetiche ao dinheiro, mas recebem um valor adequado pelo bom trabalho realizado, apoiando almas que enfrentam o desespero. Estas exceções são freqüentes. São numerosas. Mas, ainda assim, são exceções.  Quantos psicoterapeutas estudam filosofia ocidental clássica, filosofias orientais e teosofia?

O bom terapeuta profissional deve transmitir independência ao paciente. Todos os processos de crescimento psicológico que dispensam a terapia profissionalizada devem ser reforçados. Como estratégia de longo prazo, o correto, segundo a filosofia clássica, é o caminho do autoconhecimento, do auto-respeito, do autodomínio e da autolibertação. Com solidariedade, mas com independência.  

2. A Psicologia e a Alma Imortal

Certo. O seu comentário sobre a psicologia comumente ignorar a existência da alma imortal é certeiro. A psicologia fala da alma, estuda a alma, mas  a subordina à existência física, o que  funciona como um calcanhar de Aquiles. Faz constatações e elaborações verdadeiras sobre a psique humana que, no entanto, são incompletas, e não conseguem se encadear em um todo efetivamente curativo porque lhes faltam elos fundamentais, como a imortalidade, a reencarnação, o carma, os ciclos, e a incessante evolução consciencial que permeia tudo isso.

A psicologia é incoerente quando quer estudar a alma evitando abordar abertamente o tema da imortalidade, da continuidade incessante da consciência individual. Isto é como um muro de pedra, perante o qual a psicologia freia para não bater. Ela não avança além dessa barreira conceitual da atual civilização. Talvez para não perder a credibilidade e o seu nicho no cenário das ciências oficiais, que sem dúvida oferece benesses para quem o ocupa.

Ao tratar primordialmente da alma imortal, a psicologia asiática continua naturalmente a investigação inicial da alma humana, feita pela psicologia ocidental: quando superados os ajustes dos acontecimentos cármicos do início da vida, que determinaram a formação da personalidade nesta encarnação, o indivíduo chega ao denominador comum da existência humana: de onde vim, para onde vou, que faço aqui, o que realmente importa na vida, para quê vivo, quem sou eu de fato? São esses os problemas psicológicos reais que alimentam a angústia humana, e aos quais a teosofia responde satisfatoriamente, enquanto a psicologia ocidental apenas ensaia responder, em sua timidez (ou desinteresse) em fazer afirmações nesse campo.

Acredito que parte da resistência da psicologia em avançar oficialmente no estudo da alma imortal tem raízes na separação entre religião e ciência, ocorrida há alguns séculos. Percebemos essa dificuldade também no estudo do cérebro, mente e consciência por parte da ciência médica. Sempre que um cientista se aventura nesse terreno, e toca na cerca divisória entre “espírito” e “matéria”, é de alguma forma desqualificado pelos seus pares e pelo establishment médico. Com isso, ainda são as igrejas, com seus dogmas e revelações divinas, que se colocam como guardiãs oficiais da fronteira entre a vida e a morte física e das incursões pelo território da imortalidade. Mas estas questões são tratadas como objetos de crença, e não como fatos. Nesse pequeno e crucial detalhe a teosofia faz a diferença, e, como ela se baseia na investigação experimental da realidade, o que não depende de se acreditar ou não, ela incomoda aquela divisão estabelecida.

3. A Ação Correta em Grande Escala
Exatamente. E também é necessário avaliar outro aspecto da saúde da alma.
A nossa sociedade gera injustiça social em grande escala, e depois dá esmola para alguns dos marginalizados, em escala muito menor. Gera-se injustiça social em grande escala, e depois é preciso combater a criminalidade que avança por todo lado. Estilos de vida equivocados produzem doença física em grande escala, e depois há uma medicina que corre atrás da doença, precariamente. A sociedade destrói o meio ambiente no atacado, e depois corre atrás da destruição no varejo, com paliativos menores.

Através disso tudo, a sociedade destrói as pessoas, emocional e psiquicamente, em grande escala. E depois vende remédios controlados aproveitando a desgraça e o sofrimento de milhões. A intenção é adaptar o comportamento externo dos eus inferiores às exigências da chamada convivência social, e do mercado capitalista. A lógica aponta para alimentar a indústria da saúde, cuja máquina, para manter-se de pé, necessita milhões de novos doentes a cada ano.

A teosofia sai deste círculo vicioso e propõe um enfoque global, em que se pense o conjunto da civilização e o conjunto da vida de cada ser humano, e em que se produza saúde e bem-estar a partir do autoconhecimento do indivíduo, sem criar o problema, para depois ganhar dinheiro explorando a solução paliativa do problema.

Há, como vimos, psicoterapeutas que possuem uma visão global e ética, e eles devem ser incentivados e estimulados. Mas, de um modo geral, a psicologia convencional é uma sub-ciência do eu inferior, fragmentada, como outras ciências, enquanto que a filosofia clássica amplia a visão de vida e de universo do indivíduo, e assim o cura de uma forma muito mais abrangente.

Na verdade toda cura é uma auto-cura, e a autonomia de cada ser deve ser sempre estimulada pelas terapias que quiserem ser legítimas.

A visão teosófica apóia mais a justiça social do que a esmola. Ela aplaude a preservação do meio ambiente e não tanto as medidas de mera regulamentação da destruição ambiental. Ela propõe a homeopatia e outras formas suaves de medicina − assim como os hábitos saudáveis de vida − e não tanto a medicina agressiva. A teosofia original apóia todos os enfoques preventivos, assim como o plantio do que é saudável e o contato de cada um com a sua própria consciência interior, mas guarda uma certa distância das formas agressivas de psicoterapia, geradoras de dependência emocional ou química.



Evitar o erro e plantar o correto é mais eficaz do que apenas tratar de limitar o errado depois que ele já é uma dinâmica estabelecida. Devemos fazer as duas coisas, mas é recomendável saber onde está a maior eficácia. A filosofia esotérica tem uma posição clara a respeito.

4. Uma Psicologia Personalista − Com Um Verniz Espiritual
Correto. Pensando bem, abordar o espiritual sem se referir claramente aos preceitos milenares da filosofia clássica, tanto ocidental como oriental, é uma espécie de apropriação indevida. Há alguns psicólogos que estudam filosofia mais a fundo e podem assim constatar que sempre houve uma sabedoria universal, espalhada pelo mundo, falando as mesmas verdades sobre o mesmo espírito humano. Porém, o reconhecimento público disso não é comum, pois como foi dito acima, há também os mesmos antigos interesses materiais e pessoais se interpondo entre o ser humano e sua dimensão divina.
O psicólogo que chega a essa constatação deveria perceber que o método mais eficiente de progresso consciencial passa pela autonomia do indivíduo, que deve ser estimulada. Quando o objetivo da psicologia se restringe a remendar as dores aparentes, sem valorizar a origem básica do sofrimento, não há chance de real libertação do sujeito. A consciência dos princípios superiores e imortais traz confiança e ética. Evitá-la faz com que a esfera psíquica permaneça fragmentada, dissociada da fonte real que a alimenta , sofrendo de um relativismo que termina por fazer mais mal do que bem. É como se alguém acendesse o fogo da busca espiritual, só para frustrá-lo logo adiante, gerando mais ansiedade e necessidade de compensação. Para tratar desse sofrimento da personalidade, existem abordagens psicológicas superficiais, de efeitos rápidos e aparentes, que não curam a dor profunda.
Pode-se pensar que, ao falar nominalmente sobre o espiritual, correntes da psicologia ditas transcendentais abririam caminho para a busca da verdade. A pessoa seria “tocada” inicialmente por aquele ponto de vista psicológico e desenvolveria interesse, avançando até a fonte original da sabedoria, a dimensão imortal. Mas usualmente não acontece assim. Algo que parece espiritual, mas fica apenas orbitando as emoções do eu inferior, pode na verdade atrapalhar mais do que ajudar... Essa situação ocorre porque não há dois caminhos, ou duas verdades. Ao constatar a existência de seu eu imortal, o indivíduo que vive na dimensão do eu inferior, ou aceita o fato e se submete aos preceitos éticos que fortalecem e alargam seu antahkarana, aumentando o contato com o eu superior, ou rejeita essa verdade, arrumando desculpas, saídas colaterais, justificativas para manter o eu inferior como prioridade. Entre essas duas atitudes há diversos graus, mas isso não muda a constatação de que a cura para o sofrimento humano passa por colocar a personalidade a serviço do Eu imortal.
5. Persona e Personalidade: A Vida Como Um Teatro Inferior
Sim, este ponto é fundamental. Em setembro de 2009, fizemos uma avaliação do testemunho de um profissional da psicologia superficial, publicado na Internet.

Tratava-se de um consultor de empresas para assuntos comportamentais, um profissional daquela psicologia que visa fazer o operário e o empregado produzirem mais e criarem menos problemas para os patrões. Claro que, sendo uma boa pessoa, o psicólogo vai também tratar de ajudar as pessoas para que elas ajudem a si mesmas e à empresa. Todos ganham com um pouco mais de inteligência emocional.  Disso não há dúvida. Em determinado momento, o psicólogo especialista em comportamento externo definiu da seguinte maneira o seu oficio:



"O verdadeiro processo terapêutico é bem consistente. Tentamos preencher os buracos da personalidade para torná-la novamente inteira e completa."

Evidentemente, o psicólogo está falando aqui da fachada de um prédio, que não está boa. Está examinando a cortina feita para ocultar algo e que agora tem buracos que precisam ser fechados. Ele define sua profissão como a arte de preencher buracos na “totalidade” da personalidade, da fachada. O ser que existe atrás da fachada não é mencionado. Ele esquece que personalidade, persona-alidade, é a máscara externa. “Persona” significa literalmente “máscara". As “personas” eram as máscaras usadas pelos atores no teatro grego antigo. Assim, cabe lembrar que “personalidade” se relaciona com “teatro”. Para a psicologia superficial, a “grande tarefa” é consertar a fachada.  Em teosofia, porém, a casca externa deve mesmo ter "buracos" e janelas pelos quais a alma imortal possa ter contato com a realidade humana. O Jesus do Novo Testamento foi bastante franco ao dizer o que pensava dos Sepulcros Caiados, isto é, das pessoas que usam máscaras demasiado aperfeiçoadas. Todos sabem que o nome disso é hipocrisia, e que atrás da fachada artificial está a falta de uma auto-estima profunda. São Francisco de Assis descrevia a si mesmo como cheio de erros e não priorizava pintar e retocar a fachada. Francisco ensinava a buscar o que é supremo. É claro que um tipo franciscano de ser humano não será sempre um bom negócio para a o jogo teatral do consumismo.

É recomendável, pois, parar e examinar as coisas em profundidade.  Para a mística cristã clássica, “Deus” era um símbolo de Atma e do Eu Superior, e as austeridades serviam (como servem hoje) para levar o foco de consciência do terrestre para o celestial. A mística cristã clássica é uma boa forma de psicologia profunda e ética, enquanto que os rituais, missas e outros mecanismos clericais eram a “psicologia comportamental” da época. E existe até hoje.

As coisas mudam de nome e de aparência, mas o desafio de buscar a verdade − que sempre está além da letra e da forma − se renova todos os dias e a cada século, também.
6. Aceitar Que Somos Incompletos
Esse ponto de vista traz outra constatação: erradicar artificialmente os "buracos" da personalidade é algo impossível. O caráter incompleto da personalidade é um fato.
Sempre surgirão outros buracos, a cada nova fase da vida. Eles são necessários para o contato com a alma imortal. Mas ao retirar o foco da atenção do eu transitório e voltá-lo para a essência imortal, surge paradoxalmente a possibilidade de cura psicológica.
7. Somos Seres em Construção.
Exato. Este realismo básico permite que a gente tenha a dose de humildade que é necessária para enxergar a verdade. A palavra “Iniciado”, por exemplo, é muito usada em filosofia esotérica, mas tem pelo menos dois sentidos.
Um significado serve para indicar aquele ser humano sábio que teve um real acesso à consciência do universo, e que possui uma residência fixa consciente nos planos superiores de consciência, mesmo enquanto visita o plano físico, durante uma encarnação dedicada ao serviço altruísta.
O outro sentido da palavra “Iniciado” significa que o ser humano é um ser em construção. Mesmo os maiores sábios da nossa humanidade são seres em construção, assim como cada um de nós. A construção é permanente e onipresente no universo. A evolução ocorre sem cessar − seguindo a lei do carma e a lei dos ciclos − em cada ser do universo e em cada galáxia.
Paulo Freire, cuja filosofia pedagógica é correta do ponto de vista teosófico, escreveu:
Gosto de ser gente porque, inacabado, sei que sou um ser inacabado mas, consciente do inacabamento, sei que posso ir mais além dele.” [1]
NOTA:
[1] “Pedagogia da Autonomia”, P. Freire, Ed. Paz e Terra, várias edições, Cap. 2, item 2.

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Para ter acesso a um estudo diário da teosofia original, escreva para lutbr@terra.com.br e pergunte o que se deve fazer para acompanhar o trabalho do e-grupo SerAtento.
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