A questão da ética na cobertura dos jornais de Arcos (MG) na implantação da puc minas na cidade



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A questão da ética na cobertura dos jornais de Arcos (MG) na implantação da PUC Minas na cidade
Clícia Alves Ribeiro Roque, jornalista, PUC Minas Arcos. MG
Resumo: Este artigo trata de como os jornais de Arcos (MG) cobriram a implantação da PUC Minas na cidade. Analisa-se se houve ética por parte dos jornais na cobertura do fato. O texto também enfoca o tipo de discurso usado pelos jornais na veiculação das notícias. A intencionalidade dos discursos, o não-discurso e a ironia foram estudados para se entender a mensagem que os jornais quiseram passar ao leitor arcoense. As ideologias político-partidárias foram observadas, como meio de perceber as diversas formas de cobertura da implantação da universidade. O artigo analisa os cinco jornais existentes em Arcos à época da vinda da PUC: Cidade de Arcos, Jornal de Arcos, Jornal da Cidade, Tribuna Arcoense e Correio do Centro-oeste. O resultado da análise mostra que os jornais não agiram dentro da ética jornalística.

Palavras-chave: jornalismo regional, política, ética

Alberto Dines1 ¹ (1986, p.27) diz que o “jornal é o fragmento da história e da memória de um país”. Dentro desta visão, este artigo mostrará algo do passado recente de Arcos. Optou-se por resgatar o processo de implantação da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais na cidade vista pelos jornais, ao mesmo tempo em que foram analisadas as questões éticas da cobertura.

A implantação da PUC Minas Arcos, foi registrada por jornais de Belo Horizonte e da região centro-oeste de Minas Gerais, mas só será estudada a cobertura feita pelos jornais da cidade de Arcos.

O presente artigo justifica-se por tratar de estudo de caso relativo ao jornalismo regional, tema estudado no curso de jornalismo da PUC Minas Arcos e que ainda possui poucos registros. Além disso, o jornalismo local tem uma empatia maior com o leitor da sua cidade e é interesse que se esclareça as relações estabelecidas entre o jornal e seu público.

O jornalismo regional retrata a realidade da localidade onde está inserido, registra os fatos que falam da realidade da população local, por isso há uma maior identificação dos leitores com os jornais de sua região ou cidade.

O leitor procura uma visão mais localizada dos fatos que têm a ver com sua realidade, daí o interesse deste artigo em mostrar se os jornais refletiram realmente a realidade dos fatos ou distorceram os fatos segundo seus interesses ou ideologias político-partidárias.

Em Arcos, não há um registro sistematizado sobre a história da imprensa. Entende-se que esta análise poderá preencher uma lacuna, pelo menos no que diz respeito a fatos mais recentes, como é o caso da implantação da universidade no município.

É também do interesse da comunidade de Arcos ter sua história registrada e analisada. Segundo dados da Biblioteca Municipal Jarbas Ferreira Pires, a maior dificuldade de pesquisa histórica que têm os usuários, é em relação à história de Arcos, que apresenta uma deficiência muito grande de registros.

Mas não é somente em Arcos que não há registros históricos da imprensa. A realidade não é diferente em outras localidades.

Recentemente as acadêmicas estiveram na cidade de Corumbá fazendo uma pesquisa do material sobre a imprensa da região. Infelizmente os dados são parcos e muitos se perderam no tempo. A falta de memória é um fato que atinge todo o estado.” (www2.ucdb.br/~gmartins/artigos/jornalismo_regional.htm)


A deficiência na publicação de obras de referência que possam vir a contribuir na fundamentação teórica sobre o assunto, jornalismo regional, pede um pouco mais de esclarecimentos sobre a questão.

Em 1983 o jornalista Gastão Tomás Almeida, percebeu esta lacuna:

Praticamente tudo está para ser estudado sobre o assunto. Trabalhos esparsos, locais e regionais, existem alguns, mas poucos, o que impede uma visão e uma análise gerais do que foi, do que é e do que se espera do jornalismo voltado para suas cidades e regiões”.

(ALMEIDA, 1983, p. 15).


Hoje, já há mais informações a respeito de jornalismo regional, mas não quanto seria de se esperar. Estão sendo tomadas boas iniciativas para minimizar esta deficiência de informações, como é o caso do curso de jornalismo da PUC Minas Arcos que adotou em sua grade curricular, a disciplina de jornalismo comparado, onde se tem dado ênfase ao estudo do jornalismo regional.

As virtudes e deficiências dos jornais interioranos, representados aqui pelos jornais de Arcos, serão analisadas à medida que se apresentarem dentro da metodologia de trabalho adotada, que é analisar todos os números de jornais que se referiram à implantação da universidade nesta cidade, no período já citado.

O objeto central deste estudo é a análise da ética dos jornais que cobriram a implantação da PUC. Houve ética ou somente interesses pessoais ou de grupos foram contemplados? É o que se responderá ao final das análises.

As seguintes hipóteses serão analisadas e poderão ser confirmadas ou descartadas:

*O jornalismo regional é muito influenciado pela política local.

*O jornal “institucional” reflete somente o interesse pessoal do governante.

A observação dos dados que levarão às conclusões será feita através de todas as matérias publicadas relacionadas ao evento em questão, desde a assinatura do convênio PUC/Prefeitura em 1997 até 2003. Será importante analisar a forma como estas matérias foram conduzidas. Até o pouco espaço dedicado à PUC em alguns jornais é importante para este estudo, porque até isso é sintomático.

Para se ter uma idéia de como eram os jornais da cidade de Arcos à época da implantação da PUC no município, será traçado o perfil dos mesmos.

O jornal “Cidade de Arcos” era o órgão informativo da Prefeitura Municipal de Arcos durante a gestão 1997/2000 da prefeita Hilda Borges de Andrade. Fez uma cobertura detalhada da implantação, desde a cerimônia de assinatura do convênio até a instalação de novos cursos, inauguração do auditório, agenda cultural da PUC Arcos e tudo que se referia à universidade. Isto até a saída da prefeita Hilda Borges de Andrade, pois o prefeito eleito na sequência, Lécio Rodrigues de Souza, extinguiu o jornal.

Segundo o assessor de comunicação do ex-prefeito Lécio Aurélio Tadeu Nunes, o “Cidade de Arcos”, foi desativado porque publicar os informativos da prefeitura por outros veículos de imprensa, é mais econômico, além de que o jornal era usado para promoção pessoal da prefeita Hilda Borges, o que é inconstitucional.

O artigo 37 da Constituição Federal, inciso 1o proíbe este tipo de prática. O texto constitucional diz o seguinte:

A publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas de órgãos públicos deverá ter caráter educativo, informativo ou de orientação social, dela não podendo constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos”.
Já a jornalista responsável pelo jornal “Cidade de Arcos”, Marisa Freitas (de acordo com entrevista dada à pesquisadora), refuta esta explicação. Ela diz ser o mais barato que a prefeitura possua o seu próprio jornal, como acontecia na gestão de Hilda Borges de Andrade.

No jornal “Correio do Centro Oeste” do dia 06 de outubro de 1997, o articulista José Sabiá, escreve que “o jornal da prefeitura – Cidade de Arcos – virou instrumento de promoção da prefeita, com abundância de fotografias e ausência de biografia”.

O “Cidade de Arcos” tinha como jornalista responsável, Marisa Freitas Campos. A presença de uma jornalista formada num jornal em Arcos àquela época, era incomum.

O jornal era um semanário, tablóide de 8 páginas, com fotos, que registrava os feitos da prefeita, os decretos municipais e acontecimentos diversos ocorridos na cidade, inclusive esportivos.

O “Tribuna Arcoense” era um tablóide de 8 páginas, quinzenal, com distribuição gratuita e tiragem de 3000 exemplares. Circulou somente de outubro de 1999 a março de 2000. No expediente consta que o jornal era de propriedade da Empresa Santos e Gontijo S.C. Ltda. O nome do editor não é mencionado, somente o dos colaboradores.

Tinha anunciantes e apoiava a prefeita Hilda Borges de Andrade. No primeiro número do jornal, na primeira página, e também no editorial, colocou-se abertamente a tendência que predominaria no periódico: combater a “imprensa de oposição” que denegria a imagem da prefeita e ressaltar os “grandes” feitos da administração. Essa imprensa a que o Tribuna se referia, era o jornal Correio do Centro Oeste.

O “Jornal de Arcos” é o mais antigo jornal de Arcos ainda em circulação, hoje com 28 anos de fundação. O fundador do “Jornal de Arcos”, Hermenegildo Castro, já é falecido, mas quando da implantação da universidade, era o responsável pelo jornal.

Segundo seu filho Belarmino Castro, editor do jornal hoje, seu pai divergia politicamente da prefeita Hilda Borges de Andrade. Além desta divergência, pelo fato da prefeitura ter o seu próprio órgão informativo, o “Cidade de Arcos”, nenhuma publicação institucional era feita em outros jornais. Este foi um dos motivos que levou o “Jornal de Arcos” a passar por sérias dificuldades financeiras. O jornal ficou sem ser publicado de fevereiro a julho de 1999, porque o editor não tinha condições financeiras para bancar a impressão.

É um tablóide, de 8 páginas e de periodicidade incerta. Hoje é distribuído gratuitamente e sobrevive através de anúncios, inclusive da Prefeitura Municipal de Arcos.

O “Correio do Centro-Oeste” é um tablóide, bissemanal, saindo todas as quintas e domingos. Tem 16 anos de fundação. É distribuído por assinaturas e também vendido em bancas. Circula hoje com cerca de 40 páginas, com várias sessões e cadernos.

O jornal criticava sistematicamente a prefeita Hilda Borges de Andrade na gestão 1997/2000, mas não foi sempre assim. Na edição do “Correio” de 27 de dezembro de 1992, durante a primeira gestão da prefeita, a manchete de primeira página era: “D. Hilda: maior administradora da história de Arcos”.

Inquirido sobre o porquê da mudança de posição do jornal, seu editor, Gumercindo Cruz, disse que durante o primeiro mandato da prefeita Hilda Borges de Andrade, o editor do “Correio do Centro-Oeste” era Leocádio Teixeira, seu sócio, e o jornal à época, expressava a ideologia dele. Cruz também era um dos donos do jornal, mas não tinha participação editorial. Cuidava nessa época de jornais de outras cidades. Só mais tarde, ele compraria as partes dos sócios no jornal. Ele elogia a atuação da prefeita no seu primeiro mandato.

O que ocorreu, segundo o editor, é que depois da eleição de Hilda Borges para o segundo mandato, José Maurício de Andrade, marido da prefeita e chefe de governo, fez uma reunião com correligionários e disse que ia acabar com o “Correio”. “Se me declararam guerra, eu também declarei a eles”, afirmou Cruz.

O “Jornal da Cidade”, ainda circula, mas é de periodicidade duvidosa. É um tablóide, de 12 páginas. Seu editor é o professor de matemática Sigismundo Silva. Possui anunciantes e é distribuído gratuitamente.

Tem um perfil mais social, cobrindo eventos e festas em Arcos, e nas cidades vizinhas de Japaraíba e Lagoa da Prata. A política também é tratada, mais de forma superficial.

O editor disse que à época da administração de Hilda Borges de Andrade, o Jornal da Cidade não dava muita cobertura às realizações da prefeitura, pois a prefeita por sua vez não “prestigiava” a imprensa local. Por prestigiar, leia-se financiar. A prefeitura não publicava nada nos jornais da cidade, visto que ela tinha o seu jornal, o Cidade de Arcos.

É importante no contexto deste estudo a análise dos discursos.

Orlandi (2000, p. 58, 60) trabalha algo muito importante para o marco teórico deste estudo:

De acordo com a análise do discurso, o sentido não existe em si, mas é determinado pelas posições ideológicas colocadas em jogo no processo sócio-histórico em que as palavras são produzidas. A formação discursiva é o lugar da constituição do sentido e da identificação do sujeito.(...) Um discurso jornalístico é constituído de uma pluralidade de textos efetivos que, por sua vez são marcados por formações discursivas diferentes. Pela vocação totalizante do sujeito (autor) estabelece-se uma relação de dominância de uma formação discursiva sobre as outras, na constituição do texto.”

(ORLANDI, 2000, p.58,60)
Orlandi (2001, p.54) diz que o que interessa à análise do discurso é que são as formas de assujeitamento ideológicas que governam os mecanismos enunciativos. A autora observa que:

Na perspectiva da análise do discurso não há liberdade e as marcas que atestam a relação entre o sujeito e a linguagem, no texto, não são detectáveis mecânica e empiricamente. Os mecanismos enunciativos não são unívocos nem auto-evidentes. São construções discursivas com seus efeitos de caráter ideológico.”

(ORLANDI, 1988, p.54)
Segundo Baccega (1998, p.90), “o discurso é o lugar do encontro entre o lingüístico e as condições sócio-históricas constitutivas das significações, e a análise do discurso se constrói nesse encontro”. Ela explica que:

O significado de uma palavra não está mais no sistema da língua, entendida enquanto estrutura, mas na sociedade que a criou, que reelaborou seu significado, que a utilizou num determinado contexto, numa determinada formação ideológica, formação discursiva. No lugar dos referenciais do sistema da língua – paralelismos, oposições, inversões, proposições, caminhos abertos e fechados, etc – entram as condições de produção e o sujeito, nelas imerso.”



(BACCEGA, 1998, p.90)

Para entender os discursos explícitos e os não explícitos nos jornais de Arcos, a análise do contexto político é necessária.

A análise do discurso facilita este processo de entendimento, porque não somente tira do texto o seu sentido, mas também apreende a sua historicidade, o que significa entender toda relação de confronto de sentidos.

Nilson Lage (2001, p.38) coloca que a primeira coisa que é informada num jornal é sua ideologia. E isto não é feito somente através dos editoriais, onde normalmente é expresso o pensamento do jornal, mas também através de relatos imperfeitos, de artigos opinativos, de deficiência de espaço dado à questão ou simplesmente pela não publicação de certos fatos.

De acordo com Koch (2000, p. 24) todo enunciado diz algo, mas diz de certo modo, e o modo como é dito que representa o sentido. E no jornalismo isto é altamente significativo, pois o que está impresso tem por trás um sentido que se quer que o leitor assimile.

Para esta autora, quando interagimos através da linguagem, temos um objetivo, um fim a ser atingido, relações que desejamos estabelecer, efeitos que queremos causar ou comportamentos que queremos provocar. Pretendemos atuar sobre o outro, obter dele determinadas reações. “É por isso que se pode afirmar que o uso da linguagem é essencialmente argumentativo”.

Koch (2000, p. 25) estabelece as seguintes diferenças no discurso:

A distinção entre dizer e mostrar permite penetrar nas relações entre linguagem, homem e mundo: é sob esse aspecto que se torna possível falar de ideologia na linguagem. A enunciação faz-se presente no enunciado através de uma série de marcas. É por meio delas – marcas lingüísticas que são – que se poderá chegar à macrossintaxe do discurso...”

(KOCH, 2000, p.25)
A análise da ideologia inseridas nos enunciados, é importante para este estudo e até a falta destes enunciados em determinados momentos. Quando se percebe a pouca cobertura dada à chegada da PUC em Arcos por parte de alguns jornais analisados, percebe-se uma mensagem subliminar: o fato não teve muita importância ou ignorando o fato, se ignorava os responsáveis pelo fato. É o não-discurso a que se refere Eni Orlandi.

Orlandi (1992, p.70) ressalta que:

A hipótese de que partimos é que o silêncio é a própria condição da produção de sentido. Assim, ele aparece como o espaço “diferencial” da significação: “lugar” que permite à linguagem significar. O silêncio não é o vazio, o sem-sentido; ao contrário, ele é o indício de uma totalidade significativa. Isso nos leva à compreensão do “vazio” da linguagem como um horizonte, e não como falta.”

(ORLANDI, 1992, p.70)


Pode-se perceber o “vazio” de espaço dado à cobertura da implantação da PUC em Arcos por alguns jornais, como uma posição política. Por isso, para este estudo, os “silêncios” são considerados, pois se entende que estes se configuram como discursos persuasivos

De acordo com Baccega (1998, p. 21) “a persuasão, que é da natureza do ato da fala, poderá ocorrer em graus diferenciados: do nível mais próximo a referencialidade – o chamado discurso científico – ao mais próximo ao convencimento propriamente dito – o discurso político, o discurso religioso”. Para esta análise, interessa o discurso mais próximo ao convencimento, neste caso, o discurso político.

A intencionalidade refere-se ao modo como os emissores (na análise em questão, os jornais) usam textos para perseguir e realizar suas intenções. A aceitabilidade constitui a contraparte da intencionalidade; isto será determinado pelo leitor, que incorporará ou não os enunciados contidos intencionalmente no texto.

As ideologias passadas pela mídia muitas vezes se fixam de forma significativa nas pessoas. Acontece a incorporação destas ideologias pelo receptor. Baccega ( 1998, p. 116) mostra como os discursos podem se incorporar aos modos de ser e de pensar dos leitores. As ideologias, intencionalmente passadas, se tornam idiossincrasias.

A comunicação só se estabelece quando é incorporada pelo enunciatário. Consideramos apropriação os modismos que os meios de comunicação, em qualquer de seus gêneros, influenciam. São comportamentos passageiros que, no mais das vezes, desaparecem sem deixar vestígios. Já a incorporação se constitui das permanências, das mudanças efetivas de comportamento, que se traduzem no cotidiano dos indivíduos/sujeitos.”

(BACCEGA, 1998, p.116)


Uma questão interessante na análise dos jornais que cobriram a implantação da PUC em Arcos, foi o uso da ironia por parte de alguns jornais.

Quando a ironia é utilizada num discurso é que se quer mostrar a falsidade de uma tese, utilizando em seu favor argumentos absurdos atribuídos aos defensores desta tese.

De acordo com Koch (2000, p.154) normalmente as ironias têm um alvo determinado; quando se trata de um alvo distante e vago, elas não visam a um alvo determinado; quando, porém, o eco é próximo e precisável, o alvo são as pessoas às quais elas fazem eco. “Se o locutor faz eco a si mesmo, tem-se a auto-ironia; se faz eco ao destinatário, tem-se o sarcasmo”, afirma Koch.

Nos jornais analisados, percebe-se então, de acordo com a definição acima, que o sarcasmo foi utilizado em alguns artigos e em coluna fixa. O articulista em questão era José Sabiá e a coluna referida, era a de Anísio dos Reis, ambos do Correio do Centro Oeste. Estes discursos irônicos do “Correio”, era rebatido com outros também irônicos pelo jornal “Tribuna Arcoense”

Fairclough (2001, p. 158) diz que os estudos tradicionais da ironia a descrevem em termos de “dizer uma coisa e significar outra”, mas o autor acha que esta explicação é de utilidade limitada. Na verdade o que interessa na ironia é que o enunciado irônico “ecoar” o enunciado de um outro.

Ë interessante notar que a ironia depende que o significado de um texto ecoado não é o significado aparente do produtor do texto, e os intérpretes precisam ser capazes de compreender isto.

No caso da análise dos discursos dos jornais de Arcos, é necessário promover um entendimento da história política e social do município.

A relação do poder, da política com a imprensa, sempre foi algo evidente. Nos grandes centros ou no interior, percebe-se a influência destes dois fatores no jornalismo. Umberto Eco (1997, p. 58) diz que:

... os jornais são instrumentos de poder, administrados por partidos ou grupos econômicos que usam uma linguagem voluntariamente críptica, pois sua verdadeira função não é dar notícias aos cidadãos, mas enviar mensagens cifradas a um outro grupo passando por cima da cabeça dos leitores”.
Baccega (1998, p. 81) diz que a semiótica trabalha prioritariamente os mecanismos intradiscursivos dos quais resulta a constituição de sentidos. Na verificação dos sentidos, várias questões precisam ser levadas em conta, tais como as condições sócio-históricas, e com a análise do discurso pode se conseguir explicações interessantes.

A história recente de Arcos foi marcada por divergências político-partidárias entre duas famílias influentes e poderosas, que se revezaram no poder durante muito tempo, como é o caso dos Andrade e Ribeiro. Hilda Borges de Andrade, a prefeita que trouxe a PUC para Arcos e seu marido, José Maurício de Andrade, são inimigos (ou talvez seja melhor dizer adversários) do ex-prefeito Plácido Ribeiro Vaz.

Tanto Hilda Borges como Plácido, haviam governado a cidade por duas vezes (Plácido, nas últimas eleições de 3 de outubro de 2004, consegue novamente ser eleito prefeito de Arcos, agora pela terceira vez). José Maurício de Andrade, marido da prefeita, ex-deputado federal já era “cacique” na área política há muitos anos na cidade, como também o pai de Plácido Ribeiro Vaz, o ex-deputado estadual e prefeito de Arcos por quatro vezes, João Vaz Sobrinho. Estes foram aliados em algumas ocasiões.

Em 1982 os partidos políticos podiam lançar mais de um candidato à prefeitura, e o PMDB colocou três nomes à apreciação dos eleitores: Francisco Roque, Hilda Borges de Andrade e Plácido Ribeiro Vaz. Plácido venceu as eleições municipais. A partir daí, a animosidade se instalou entre as duas famílias, originando duas facções políticas diferentes.

E os jornais locais sempre mostraram estas facções, alguns criticando tudo ou elogiando tudo que fizessem Plácido ou Hilda. O “Correio” sempre foi ligado a Vaz, chamando-o de “campeão de obras”. O “Tribuna” e o “Cidade de Arcos” eram ligados a Hilda Borges. O “Jornal da Cidade” e o “Jornal de Arcos”, também eram contrários à ex-prefeita.

A análise dos jornais de Arcos, à época da implantação da PUC na cidade, leva a crer que a ética não foi observada pela imprensa local. A imparcialidade, premissa básica do bom jornalismo, não foi contemplada.

O que se percebe, é que a cobertura da instalação da PUC em Arcos, foi feita observando-se os interesses pessoais, financeiros e as ideologias político-partidárias. Confundiu-se jornalismo com propaganda política. Animou os jornais, não a objetividade, veracidade dos fatos, mas interesses diversos que estavam em jogo.

O pragmatismo foi o que se observou na conduta dos jornalistas e donos de jornais locais. Uma forma utilitarista de ver o jornalismo, foi o que se mostrou na cobertura do evento em questão.

Também o jornal institucional da prefeitura municipal, serviu a interesses pessoais, de promoção de pessoas, mais que da promoção do fato em si.

Tudo isto, leva à confirmação das duas hipóteses formuladas na introdução deste artigo:

*O jornalismo regional é muito influenciado pela política local.

*O jornal institucional reflete somente o interesse pessoal do governante.

O que se percebe é que os interesses pessoais e de grupos foram colocados à frente das legítimas propostas do jornalismo sério, quais sejam a informação correta, a consulta a várias fontes, a objetividade, a postura ética, a imparcialidade. Todas estas questões foram menosprezadas neste episódio em Arcos.

É significativo que o modo com que alguns jornais já estabelecidos no mercado acolheram a PUC em Arcos, transformou-se em “incorporação” de comportamentos. A forma negativa como a universidade foi recebida por alguns jornais, fixou-se na mente de uma parcela dos arcoenses.

Ainda hoje é visível que há uma rejeição por parte da população para com a universidade. Isso se depreende de artigos recentes publicados no jornal Correio do Centro Oeste, onde se associa o aumento da violência na cidade com a chegada da PUC ou o que cobra da universidade uma postura mais “católica”.

Apesar da pouca receptividade dada pela imprensa à PUC, o ganho com a vinda da universidade é inquestionável. Ganha o comércio, ganha o setor imobiliário, ganha o setor de serviços, mas principalmente ganham a educação e a cultura do município.

Com a implantação do curso de jornalismo na PUC Arcos, espera-se que o nível do jornalismo local melhore, pois a universidade é o lugar onde se constrói os saberes e as competências.

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Vestibular da PUC/Arcos será realizado em junho. Cidade de Arcos. Arcos. 12 mar. 1999. p. 4 e 5.

Vestibular PUC/Arcos – 99. Cidade de Arcos. Arcos. 12 mar. 1999. p. 4.

Professor Janer Faria: um lutador pela implantação da PUC em Arcos. Cidade de Arcos. Arcos. 12 mar. 1999. p. 4.

Jornal da PUC Minas informa que campus de Arcos oferecerá 5 cursos de graduação até 2000. Cidade de Arcos. Arcos. 11 jun. 1999. p. 6.

Professor da PUC Arcos fala do prazer de trabalhar aqui e dos projetos para a cidade. Cidade de Arcos. Arcos. 28 ago.. 1999. p. 3.

Empenho da prefeita Hilda Andrade em instalar a PUC/Minas em Arcos continua repercutindo bem na região. Cidade de Arcos. Arcos. 02 out.. 1999. p. 2.

PUC Minas promove a primeira Semana Cultural e inaugura auditório do campus de Arcos. Cidade de Arcos. Arcos. 20 nov. 1999. p. 7.

Lei aprovada pela câmara autoriza executivo a doar prédio e terreno para PUC/Arcos. Cidade de Arcos. Arcos. 27 nov. 1999. p. 1.

PUC/Minas prevê criação de mais três cursos para o início do ano 2000. Cidade de Arcos. Arcos. 27 nov. 1999. p. 4 e 5.

Região reconhece Arcos como cidade universitária. Cidade de Arcos. Arcos. 18 mar. 2000. p. 1.

O futuro já chegou em Arcos. Cidade de Arcos. Arcos. 18 mar. 2000. p. 3.

PUC/Arcos anuncia criação de cursos de direito e publicidade no período da manhã para agosto. Cidade de Arcos. Arcos. 18 mar. 2000. p. 4 e 5.

CONSELHEIRO. A. Saúde para todos! Correio do Centro Oeste. Arcos.11 ago. 1997. p.5.

NUNES. A. “Pato Fu”. Correio do Centro Oeste. Arcos.7 jun. 1999. p.2.

Prefeitura investe milhares de reais na PUC. Correio do Centro Oeste. Arcos.7 jun. 1999. p.15.

Prefeita e Dom Serafim inauguram PUC/Arcos. Correio do Centro Oeste. Arcos.12 jul. 1999. p.1.

NUNES. A. Acabou a festa e .... Correio do Centro Oeste. Arcos.19 jul. 1999. p.2.

Presenças ilustres e muita festa marcaram a inauguração da PUC em Arcos. Correio do Centro Oeste. Arcos.19 jul. 1999. p.6.

Diretora da PUC/Arcos: “Nossa identidade é fazer ciência dentro dos preceitos éticos e morais”. Correio do Centro Oeste. Arcos.19 jul. 1999. p.13.

CONSELHEIRO. A.hino de louvor. Correio do Centro Oeste. Arcos.2 ago. 1999. p.5.

O que pensam os arcoenses sobre a doação do imóvel. Correio do Centro Oeste. Arcos. 21 nov. 1999. p.21.

Doação de imóvel à PUC causa controvérsias. Correio do Centro Oeste. Arcos.21 nov. 1999. p.20.

NUNES. A. Ficou só na conversa. Correio do Centro Oeste. Arcos. 26 dez. 1999. p.2.

PIRES. J. G. PUC: um belo ideal e seu triste desvirtuamento. Correio do Centro Oeste. Arcos. 21 dez. 2003. p. 10.

SILVA. S. C. da. Inferno arcoense. Correio do Centro Oeste. Arcos. 28 mar. 2004. p. 4.

PUC Arcos já é realidade. Jornal da Cidade. Arcos. Jul. 1999. p. 4.

PUC Minas chega em Arcos. Jornal de Arcos. Arcos. Jul. 1999. p. 1.

Arcos e flechas. Jornal de Arcos. Arcos. Jul. 1999. p. 2.

Arcos inicia novo ciclo com a presença da universidade. Jornal de Arcos. Arcos. ago. 1999. p. 3.

PUC traz para Arcos mais quatro cursos em 2000: jornalismo, direito, ciência da computação e psicologia. Tribuna Arcoense. Arcos. Nov. 1999. p.6.

Arcos: cidade universitária. Tribuna Arcoense. Arcos. fev. 2000. p.1.

Assustando. Tribuna Arcoense. Arcos. fev. 2000. p.3.

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Desperdício de dinheiro público: nunca mais! Tribuna Arcoense. Arcos. Mar.. 2000. p.8.



1 DINES, Alberto. O papel do jornal. São Paulo, Summus: 1986.


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