A relaçÃo do ensinar e aprender nas comunidades indígenas



Baixar 10.67 Kb.
Encontro18.07.2016
Tamanho10.67 Kb.
A RELAÇÃO DO ENSINAR E APRENDER NAS COMUNIDADES INDÍGENAS

Magda Elaine Sayão Capute Cabral

Universidade Severino Sombra – Vassouras/RJ

Este trabalho de pesquisa, tem como princípio orientador o PROGRAMA ALFABETIZAÇÃO SOLIDÁRIA, do qual nossa Universidade entre outras do Brasil é parceria junto ao MEC e as ONGS.

Partindo da premissa de que as questões relativas ao processo de Alfabetização em nosso País necessitam de reflexões mais profundas e contextuais, assim como um entendimento filosófico, político educacional urgente no atendimento população jovem e adulta excluída do direito à escolaridade, tomamos como desafio aprofundarmos academicamente as concepções teóricas / práticas sobre a importância da formação de professores de educação de jovens e adultos; do processo de alfabetização e letramento; da relação do ensinar / aprender sobretudo em comunidades indígenas.

Instigante, enriquecedor... enfim, uma grande oportunidade.

Desta forma, nossa Universidade se viu convidada a trabalhar no Estado de Roraima que traz na formação de seu povo, a contribuição de nordestinos, sulistas e índios com diferentes etnias, tais como: Macuxi, Ingaricó, Patamona, Wapixana, Wai Wai.

Esta verdadeira “mistura” resultou em um Estado rico pelas suas manifestações culturais, ambientais e sociais, servindo-nos com um grande campo de pesquisa - ação - reflexão - educação, tendo como desafio maior o trabalho pedagógico desenvolvido no município de Uiramutã, que possui cerca de 5.793 habitantes,sendo que 5.268 deles vivem em zona rural.

A experiência do projeto de pesquisa neste município essencialmente indígena, diferencia-se ao olhar de um professor / alfabetizador / leitor / pesquisador, sobre todos os aspectos culturais, visuais e até mesmo ao estudo mais aprofundado sobre o sistema de linguagem / língua falada pelas comunidades indígenas.

Através desta linha de pensamento que tem como valor, ampliar o espaço de formação lingüística concomitantemente a estrutura da língua mãe - pátria e seus falares regionais e os idiomas dos Macuxis e Ingaricós é que serão também apresentados e estudados à coesão lingüística e as experiências das diferentes culturas.



....descobrindo e experimentado caminhos

O analfabetismo que afeta cada homem e mulher como indivíduo e membro de uma sociedade, constitui um entrave no desenvolvimento pessoal e social, representando uma violação do direito fundamental à educação, pois segundo a constituição, “a educação é um direito de todos“. Esses milhões de cidadãos encontram-se impossibilitados de participar efetivamente do progresso das sociedades da qual fazem parte, ou seja, do direito de decidir seu próprio destino.

Entendemos que na relação do ensinar/ aprender, as dimensões sociais, étnicas e políticas devem ser consideradas, permeadas de conteúdo técnico-pedagógicos que influenciem a atuação consciente dos alfabetizadores como agentes transformadores.

Mediante estas e outras concepções estudadas, percebemos o Ensino de Jovens e Adultos, como hoje é entendida as suas características, requer um perfil profissional que a maioria de seus professores não apresenta, uma vez que seus cursos de formação não incluem estudos nesta área. Sensibilizados com este contexto, a Universidade Severino Sombra através do Curso de Pedagogia criou uma disciplina voltada para este assunto o que constitui uma excelente oportunidade para a Universidade promover reflexões a respeito de diversas concepções teórico-metodológicas sobre o EJA, construídas nas suas experiências/vivências acadêmicas, que podem ser confrontadas com uma realidade multifacetada,constituída pelos espaços de experiências proporcionados pelo Programa Alfabetização Solidária nas visitas mensais realizadas pela Universidade Severino Sombra de acompanhamento pedagógico,observando-se, intervindo nas relações didáticas e conhecendo as regiões e culturas heterogêneas e diversificadas pertinentes a Região Norte do País,onde nos encontramos através destes múltiplos olhares.



...enfim ensinando e aprendendo

Gostaríamos de concluir que temos não só o cuidado e o bom senso,como também a clareza que a partir de discussões junto ao Governo do Estado de Roraima, Governo Municipal, Associações e Conselhos Regionais Indígenas representados por seus “TUCHAUAS”, que, por meio da educação, as comunidades indígenas passarão a tomar consciência dos seus direitos e de sua história, tendo com isto maior propriedade para formular suas reivindicações que podem se traduzir em benefício para a melhoria da qualidade de vida das comunidades,sem que isso represente perda de sua identidade cultural.

Acreditamos também que as parcerias sinalizam para perspectiva de uma desejável mudança que faça o País avançar em seu processo de transformação.Também a Universidade articulada à comunidade, é responsável pela busca de respostas aos problemas enfrentados pela população.

Embora avançamos na direção de soluções, existe consciência de que os limites de tempo para o desenvolvimento do processo de alfabetização, fazem da continuidade uma condição para o letramento e o exercício da cidadania.



Este tem sido o nosso desafio!


©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal