A religião tradicional africana bantu e a sua repercussão na evangelizaçÃo em moçambique



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ão à Abraão, devido a Aliança que fez com Deus; Gn 32, 29: a mudança do nome de Jacó à Israel, depois de Jacó ter se mostrado forte contra Deus e contra os homens.

120 Cf. R. RUIZ DE ASÚA ALTUNA, op. cit., p. 270; F. LERMA MARTÍNEZ, Religiões...op. cit., pp. 107-108.

121 Povo Tewe é um grupo etno-linguístico que habita na região Centro-Este da província moçambicana de Manica. Pertence ao grupo étnico Shona (povo do Zimbabwe) que por sua natureza é de origem Bantu. Segundo os estudos etnológicos, indicam que os Shonas constituem o primeiro grupo bantu que se instalou nas comarcas meridionais do Zambeze, procedentes das imediações do lago Tanganhica.

122 Para o povo Bantu e para os demais povos africanos, a «vida humana» é entendida numa perspectiva de um «processo contínuo», caracterizado por quatro momentos críticos: nascimento, iniciação, casamento e a morte.

123 Cf. J. MBITI, op. cit., pp. 162-163.

124 Cf. Ibid., p. 162; IMBISA, op. cit., pp. 25-26.

125 J. MBITI, op. cit., p. 169.

126 M. COMBARROS, op. cit., p. 45.

127 Nas celebrações do matrimónio dos povos bantus podemos distinguir três tipos de celebrações: celebração tradicional segundo costumes; celebração segundo a lei civil e celebração religiosa (cristã, muçulmana e outras). Devido a esta triplicidade celebrativa e com seus custos financeiros, obviamente, muitos preferem seguir apenas a celebração tradicional, como a mais legítima segundo a tradição. Assim, muitos cristãos chegam a casar-se pela Igreja já com muitos filhos e até com netos e bisnetos.

128 Não é fácil definir, exaustivamente, o conceito de dote/ lobolo, debido as ambiguidades que leva consigo na hora de entender-lo. Porém, podemos dizer que o dote/ lobolo é um “signo” da alinaça ou da legitimidade do matrimónio tradicional africano bantu no sistema social patrilineal; “o acto jurídico” que regula o matrimónio africano bantu. Assim, a fixação do «dote/lobolo» constitui o acto definitivo ou “jurídico” do compromisso matrimonial africano bantu. O problema do dote/ lobolo surge quando é entendido e interpretado a partir da concepção ocidental, quando reduzem este “acto jurídico” em puro e simplemente um sistema comercial de “compra-venda” da mulher. Nas culturas dos paises ocidentais, o dote/ lobolo costuma ser pensado como uma proporção dos bens do marido entregados a mulher para o uso desta na sua viudez, porque, em geral, a mulher vive mais que o homem. No contexto africano bantu, por conseguinte, o dote/ lobolo tem a função de “consagrar” o matrimónio, de modo que sem o dote/ lobolo, a união entre um homem e uma mulher é ilegal, e se considera como uma “união livre” e, portanto, um “concubinato”. Outrora, o dote/ lobolo era um serviço laboral que o noivo costuma prestar em casa de seus sogros. Mas actualmente, o dote/ lobolo se tem convertido num “preço económico” que o noivo tem de pagar por sua noiva, condição «sine qua non» para que o matrimónio seja reconhecido legalmente. Na verdade, a conversão do dote/ lobolo em preço económico tem convertido, por sua vez, em um triste escândalo, ao converter a mulher africana em uma “mercancia”. Nesta forma de converter o dote/ lobolo em “sistema de comércio”, o dote/ lobolo chega a ser um problema pastoral candente, porque “impede” a muitos jovens de contrairem um matrimónio legítimo. Que fazer, então? Temos que re-examinar o sentido originário do dote/ lobolo e aplicá-lo devidamente, sem confundi-lo com o sistema de negócio.

129 Cf. R. RUIZ DE ASÚA ALTUNA, op. cit., p. 303; J. MBITI, op. cit., p. 177.

130 Cf. E. GWEMBE, “O casamento na tradição africana”, em: AA. VV., O matrimónio: actas da 5ª semana teológica, Ed. Centro de Formação de Nazaré, pro-manuscrito, Arquidiocese da Beira, Junho 2000, p. 107.

131 E. MVENG, op. cit., p. 21.

132 O nascimento do primeiro filho constitui o elemento fundamental para a celebração “jurídica” do matrimónio; a prova capital da aliança celebrada; um eixo de consolidação do casamento africano bantu. Ainda, em certas etnias africanas, dizem que ‘o primeiro filho fecha o candeado dos esposos’, ou seja, que a união está no ar até que os esposos não são pai e mãe. Assim, o homem e a mulher só adquirem plenitude social e religiosa por sua fecundidade, porque viver é criar e continuar a vida, dom de Deus, que se recebe através das gerações de antepassados fiéis a esse tesouro divino. Neste contexto, a família africana bantu chega a ter como finalidade social: a procriação.

133 Convém aclarar, desde agora, que na presente disssertação usaremos o conceito de “poligamia” no sentido preciso de “poliginia” (forma de matrimónio em que o varão está unido a várias mulheres reconhecidas socialmente). Isto porque na sociedade africana “tradicional” bantu, é absurdo falar de matrimónio poliândrico (estado da mulher casada simultaneamente com dois ou mais homens). O mesmo equivale falar de matrimonios gays ou homossexuais (matrimónio ou relações sexuais com pessoas do mesmo sexo).

134 Cf. B. BUJO, “Vicente Mulago: um apaixonado pela Teologia Africana”, em: B. BUJO - J. ILUGA MAYA (coords.), Teologia africana I, Ed. Paulinas, Prior Velho (Portugal) 2008, p. 25.

135 Cf. A. DANOZ FERNÁNDEZ, op. cit., p. 40.

136 Cf. E. MVENG, op. cit., p. 23.

137 Cf. Ibidem.

138 Cf. Ibidem.

139 Cf. M. FERNÁNDEZ “El matrimonio bantu”, em: AA. VV., Cultura africana y cristianismo. I encuentro de antropología y misión, Ed. Mundo Negro, Madrid 1988, p. 144.

140 Cf. A. DANOZ FERNÁNDEZ, op. cit., p. 71.

141 Balubas são povos que habitam a porção sul da República Democrática de Congo (antigo Zaire). Tais povos possuem uma organização monárquica, vivendo em pequenas aldeias, onde as mulheres praticam a agricultura.

142 Cf. R. RUIZ DE ASÚA ALTUNA, op. cit., p. 428.

143 Cf. H. JUNOD, Usos e costumes dos bantu, Ed. Arquivo Histórico de Moçambique, Maputo 1996, 3ª ed., t. II, p. 297; R. RUIZ DE ASÚA ALTUNA, op. cit., p. 429.

144 Dagombas são povos que habitam na região Norte da República de Ghana.

145 Cf. R. RUIZ DE ASÚA ALTUNA, op. cit., p. 429.

146 Cf. W. O. PIAZZA, Religiões da humanidade, Ed. Loyola, São Paulo 1991, 2ª ed., p. 64.

147 Cf. Ibidem.

148 Cf. Ibidem.

149 J. MBITI, op. cit., p. 216.

150 Cf. R. RUIZ DE ASÚA ALTUNA, op. cit., pp. 431-433; J. MBITI, op. cit., p. 205.

151 Cf. C. BOUCHER, “Os antepassados na visão bantu”, em: AA. VV., Os antepassados e sua veneração: actas da 2ª Semana teológica, Ed. Centro de Formação de Nazaré, Pro-manuscrito, Arquidiocese da Beira, Fevereiro 1997, p. 81.

152 Cf. P. A. KALILOMBE, “La espiritualidad desde una perspectiva africana”, em: R. GIBELLINI (ed.), Itinerarios de la teología africana, Ed. Verbo Divino, Estella (Navarra) 2001, p. 182.

153 Cf. P. A. KALILOMBE, op. cit., p. 183.

154 Segundo esse povo Tewe, quando se diz de alguém: «u-unhu» (os actos humanos), quer referir que o indivíduo se comporta como deve, ou seja, ele mostra que sua vida e sua relação com os outros são regrados pelas suas melhores características essenciais. Ao contrário, quando a pessoa obra o que não é digno da moral social, é posta em causa a sua essência; é «negada» a sua pessoa, chegando mesmo a dizer: «Hai munhupi» (Ele não é uma pessoa). Isso significa que a pessoa é socialmente indigna e, consequentemente, não está apta a ser chamada de «pessoa», embora tenha aparência de pessoa.

155 Cf. W. O. PIAZZA, op. cit., p. 61.

156 Cf. L. S. SENGHOR, O espírito...op. cit., p. 128, citado por: S. E. NGOENHA, O retorno ... op. cit., p. 22.

157 Segundo o teólogo camaronês, E. Mveng, considera que a “Responsabilidade” é, antes de tudo, um exercício de autogestão. É a opção fundamental em favor da vida e contra a morte. E um dos objectivos da iniciação era, precisamente, proporcionar ao iniciando a ocasião de aceder a esta opção responsavelmente. Cf. E. MVENG, Identidad africana y cristianismo ... op. cit., p. 22.

158 Cf. B. BUJO, “Vicente Mulago: um apaixonado pela teologia africana” ... op. cit., p. 26.

159 No contexto africano bantu, entendemos por ancião, não apenas os homens e mulheres mais avançados em idade, mas também toda a pessoa sábia que enriquece a comunidade pela qualidade da sua vida. Do mesmo modo, os antepassados são apenas aquelas pessoas que viveram no temor de Deus e contribuíram no bem para a eclosão da vida na comunidade, de maneira que a sua conduta, as suas experiências de vida e o seu exemplo não estão em contradição com a força vital como a quis Deus Criador. Cf. J. ILUNGA MUYA, “Bénézet Bujo: o despertar de um pensamento sistemático e autenticamente africano”, B. BUJO – J. ILUNGA MUYA (coords.), op. cit., p. 110.

160 Cf. B. BURGOS, op. cit., p. 323

161 Cf. P. NEGRE – J. NEGRE, “Descolonización. Desarrollo del Tercer Mundo e Iglesias cristianas”, em: F. J. CARMONA FERNÁNDEZ (coord.), Historia del cristianismo. El mundo contemporáneo, vol. IV, Ed. Trotta, Madrid 2010, pp. 350-351.

162 Cf. R. GIBELLINI, La teología del siglo XX, Ed. Sal Terrae, Santander 1998, 2ª ed., p. 415; C. MARQUEZ BEUZA, “Las teologías africanas de la liberación”, em: AA. VV., Teologías del Tercer Mundo, Ed. PPC, Madrid 2008, p. 181.

163 Cf. W. O. PIAZZA, Religiões da humanidade, Ed. Loyola, São Paulo 1991, 2ª ed., p. 63.

164 Ibidem.

165 Cf. M. A ODUYOYE, “Mujeres y ritual en África”, em: M. A. ODUYOYE – M. R. A. KANYORO (eds.), Mujeres, tradición e Iglesia en África, Ed. Verbo Divino, Estella (Navarra) 2003, p. 17.

166 Cf. P. NEGRE – J. NEGRE, “Descolonización. Desarrollo del Tercer Mundo e Iglesias cristianas” ... op. cit., p. 352.

167 Cf. R. GIBELLINI (ed.), Itinerarios de la teología africana, Ed. Verbo Divino, Estella (Navarra) 2001, p. 12.

168 Cf. J. BAUR, 2000 años del cristianismo en África, Ed. Mundo Negro, Madrid 1996, p. 295.

169 Cf. BENTO XVI, Exortação apost. pós-sinodal Africae munus, Ouidah (Benim) 2011, nº 9: AAS 104 (2012), p. 242.

170 Cf. BENTO XVI, Africae munus ... op. cit., nº 9: AAS 104 (2012), p. 242; G. GONZÁLEZ CALVO, África: la tercera colonización, Ed. Mundo Negro, Madrid 2008, p. 42.

171 Cf. BENTO XVI, Africae munus ... op. cit., nn. 11-12: AAS 104 (2012), pp. 243-244.

172 Cf. K. KOSCHORKE – F. LUDWIG – M. DELGADO (eds.), Historia del cristianismo en sus fuentes. Asia, África, América Latina (1450 - 1990), Ed. Trotta, Madrid 2012, p. 280.

173 PAULO VI, “Discurso de 31 de Julho de 1969 em Uganda”, citado por: B. CHENU, Teologías cristianas de los terceros mundos, Ed. Herder, Barcelona 1989, p. 156.

174 BENTO XVI, Africae munus ... op. cit., nº 13: AAS 104 (2012), p. 244.

175 Cf. E. PEDRO GWEMBE, “O problema da inculturação”, em: Rumo Novo, nº 23 (Dezembro 1998), Beira 1998, p. 19.

176 JOÃO PAULO II, Exortação apost. pós-sinodal Ecclesia in Africa, Yaoundé (Camarões) 14-IX-1995, nº 66: AAS 88 (1996), p. 42.

177 Cf. BENTO XVI, Africae munus ... op. cit., nº 8: AAS 104 (2012), p. 242.

178 Cf. R. GIBELLINI, La teología del siglo XX, Ed. Sal Terrae, Santander 1998, 2ª ed., p. 18.

179 Cf. JOÃO PAULO II, Ecclesia in Africa ... op. cit., nº 63: AAS 88 (1996), pp. 39-40.


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