A renovaçÃo carismática católica e o Ministério de Formação



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Encontro29.07.2016
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A RENOVAÇÃO CARISMÁTICA CATÓLICA e o Ministério de Formação


“A uns ele constituiu apóstolos, a outros, profetas;

a outros, evangelistas, pastores e docentes”

(cf. Ef 4,11)


  1. Considerações:

“Como líderes da Renovação Carismática Católica, uma de suas primeiras tarefas é a de preservar a identidade das comunidades carismáticas espalhadas pelo mundo inteiro, incentivando-as sempre a manter uma ligação estreita e hierárquica com os Bispos e o Papa. Vocês pertencem a um movimento eclesial; a palavra eclesial implica numa tarefa precisa de formação cristã, envolvendo uma profunda convergência de fé e vida. A fé entusiástica que dá vida às suas comunidades deve ser acompanhada por uma formação cristã que seja abrangente e fiel ao ensinamento da Igreja. De uma formação sólida surgirá uma espiritualidade profundamente enraizada nas fontes da vida cristã e capaz de responder às perguntas cruciais colocadas pela cultura de nossos dias. Em minha recente encíclica “Fé e Razão”, faço uma advertência contra o fideísmo que não reconhece a importância do trabalho da razão não apenas por compreensão de fé, mas até por um ato de fé em si mesmo”.


Papa João Paulo II aos líderes da RCC em Fiuggi – Encontro Internacional 1998
A formação é uma grande necessidade em nossos tempos. Tempos marcados pela pluralidade e diversidade de opções, caminhos, visões, valores. Também no nível religioso e espiritual é necessária uma formação. O testemunho desta necessidade é dado pela Igreja que, a partir da grande crise religiosa da Idade Média, dá uma grande atenção à formação de seus ministros ordenados.
Buscamos tratar aqui, de maneira resumida, a formação na Renovação Carismática Católica que tem como grande motivação e objetivo:
“…por os santos em condições de cumprir o ministério (serviço) para edificar o corpo de Cristo, até que cheguemos todos juntos à unidade na fé e no conhecimento do Filho de Deus, ao estado de adultos, à estatura de Cristo em sua plenitude” (Ef 4,13).
A falta de compreensão dos objetivos da formação cristã tem causado desvios que aparecem no serviço e nos momentos de crise.
Sendo o serviço religioso eminentemente espiritual, esta deve ser a área de maior insistência na formação, embora não se dispense outros conteúdos e práticas, já que o ser humano não é constituído somente de espírito. Mas, há necessidade de insistir em que a formação cristã é realizada em vista dos objetivos prioritariamente espirituais e que os outros conteúdos são dados nesta perspectiva, como complemento necessário e indispensável para uma formação plena.
A palavra de São Paulo a respeito do caminho de formação é fundamental: chegar “ao estado de adultos, à estatura de Cristo em sua plenitude”.

  1. A formação cristã

Toda a caminhada cristã parte da conversão que deflagra um processo de formação. Na medida em que avançamos na vida espiritual algumas coisas mudam em nós, outras são consolidadas e ainda algumas são abandonadas. Acontece um amadurecimento em todos os sentidos. Estas transformações são o resultado do processo de formação.


Sem estabelecer critérios rígidos e conceitos definitivos, podemos dizer que caminha-se “sem formação e “com formação”.
A santidade é a vocação universal de todo cristão, portanto, ela deve ser o termo final de toda a formação, ou seja, deve ajudá-lo a buscar a santidade no seu próprio estado de vida. O itinerário ou o programa de formação há de ser necessariamente o seguimento de Jesus.
Por levar em consideração a vocação e o carisma de cada um, existem diversos caminhos de formação: o de cada comunidade de vida evangélica, o de cada congregação, ordem e instituto religioso que tem sua formação voltada para o carisma do fundador do qual todos os que estão naquele caminho devem “beber” e se edificar.


  1. A formação na Renovação Carismática Católica

A formação na Renovação carismática se faz a partir da experiência do batismo no Espírito Santo, sendo a formação um serviço para que esta mesma experiência seja preservada.


Como se trata de uma experiência, ao paralelo da instrução e formação teológica, bíblica e catequética, deve-se privilegiar os aspectos experienciais.
O “conhecer” supõe um “experimentar”. Experiência seria um conhecimento adquirido no contato proporcionado pelos sentido, sendo assim um conhecimento original e pessoal, posto que não advém de uma leitura – aprendizado que expõe a experiência de outros.
Na RCC, a formação encontra dificuldades exatamente por não ter um “fundador” e, portanto, um “carisma particular” onde todos seus membros podem ser edificados. É o próprio Espírito Santo o fundador e o “carisma fundamental” da RCC, possibilitando assim uma infinidade de experiências autênticas da vida no Espírito.
Esta realidade da RCC gera a dificuldade de se estabelecer uma única formação para todos os membros, pois a experiência do Espírito é original onde ela acontece. Mas podemos falar de critérios e parâmetros que dão autenticidade à experiência do Espírito e de Igreja que se faz na RCC, e é em torno deles que podemos estabelecer um caminho de formação para a Renovação Carismática Católica.
4. Pressupostos da formação:
Antes de tratar dos aspectos mais importantes da formação, devemos apresentar alguns requisitos que envolvem todo o conjunto:

  1. A formação não deve apenas preparar intelectualmente, mas também deve ser uma iniciação à vida espiritual, procurando responder aos desafios da vida atual. Por isso, não se trata apenas de acumular conhecimentos que um dia poderão ser úteis, mas de ir se introduzindo nas vivências de uma experiência de Deus autêntica.




  1. É preciso abordar todos os aspectos importantes da formação de maneira equilibrada. Não podemos deixar de lado um aspecto para acentuar outro. Não se pode deixar de lado a formação para a missão e dar prioridade exclusiva à formação intelectual, como também não se pode descuidar da formação intelectual para acentuar os aspectos da vivência comunitária. É perfeitamente normal que em alguns momentos da formação um aspecto seja mais acentuado que outro respondendo às necessidades que se apresentam.




  1. O ponto fundamental da formação na RCC: batismo no Espírito Santo

Quando se pensa ou se fala na formação de alguém para uma atividade, imediatamente se imagina todo um conjunto de temas sistematizados, mestres e alunos, sala equipada, onde se ministram seminários e cursos e se acompanham os estágios.


Embora tudo isso possa, e em alguns momentos seja obrigatório, fazer parte da formação como momentos fortes, não podemos ignorar que os tempos que atravessamos exigem criatividade no sentido de evitar que os líderes saiam muito, tenham seu tempo “congestionado” por atividades, custos elevados que prejudicam um acompanhamento.
Temos que descobrir meios e maneiras de aproveitar e valorizar ao máximo as oportunidades ordinárias que possibilitam a formação, como por exemplo: uma hora antes ou depois do Grupo de Oração, as reuniões das Equipes de Serviço, Ministério e Secretarias.
Com efeito, tanto pela dificuldade de se ausentar do trabalho, do lar e da família, como pelos custos das inscrições e das viagens, a participação em cursos intensivos ou encontros em centros de formação, casas de retiro, está se tornando cada vez mais difícil para as pessoas e comunidades, diminuindo, a cada dia, o número de privilegiados que o podem fazer. Corremos o risco de criar uma “elite” que tem acesso ao conhecimento e à formação, causando uma desmotivação ou mesmo um desvio na caminhada da grande maioria dos fiéis.
Batismo no Espírito Santo
O objetivo da formação é introduzir o formando no conhecimento e na vivência desta experiência pentecostal que é a identidade da RCC. Deve buscar a integração da fé e a vida, evitando o intimismo e o iluminismo, produzindo um verdadeiro engajamento na missão evangelizadora da Igreja.
Neste aspecto deve-se unir a formação teórica e a prática, evitando só o conhecimento ‘intelectualista’.
A realidade dos carismas e seu uso na missão evangelizadora tem um lugar privilegiado na formação neste momento e a experiência das manifestações carismáticas deve ser promovida.

Um outro ponto importante é o conhecimento do Espírito Santo como terceira Pessoa da Santíssima Trindade, com a qual podemos e devemos nos relacionar, evitando assim reduzi-Lo a uma “força” ou “energia divina” somente.


Outro objetivo neste ponto é lançar sólidos alicerces para a vida no Espírito e para a missão. Não apenas estar preparado para o apostolado, mas também para dar profundidade e firmeza à vida espiritual.
Não buscamos a formação de pessoas “de uma piedade emotiva e intimista”. É indispensável que haja uma base teológico-escriturística desde o início, na qual se ofereça um conhecimento sobre Jesus Cristo, a Igreja, os Sacramentos, etc. Conhecimentos que serão sempre aprofundados na medida em que a formação transcorre.


  1. A formação da pessoa (integração da personalidade)

Como já afirmamos, a formação é dada a pessoas. Assim, seus aspectos individuais, personalidade, temperamento, devem ser levados em conta.


Podemos falar de três pontos importantes nesta formação, que deve acompanhar a formação espiritual, ou melhor, deve estar integrada a formação espiritual-teológica:


  • a formação do espírito crítico

  • a formação para a liberdade

  • a formação da afetividade.




  1. A formação do espírito crítico

É preciso habituar o formando a avaliar a sociedade em que vive: situação cultural, sócio-econômica, política, religiosa, etc. Da mesma forma, a realidade da Igreja, da própria comunidade e, sobretudo, saber avaliar as próprias atitudes e ações. Esta avaliação, feita à luz da fé e com a intenção de buscar a vontade de Deus, transforma-se em discernimento.


Existem dois extremos que devem ser evitados:
- o conformismo que acha que tudo está bem e que não é preciso opinar porque nada vai mudar.

- o criticismo que arrasa tudo sem piedade, gerando um pessimismo - tudo e todos como errados.


É preciso criar um espírito crítico construtivo, equilibrado, que leva o formando a assumir atitudes coerentes coma a fé e com os fatos, sempre com a intenção de melhorar e progredir, transformando pela força do Evangelho, quando necessário, a realidade que se apresenta.

  1. A formação para a liberdade

Este é o ponto mais importante e mais difícil. Por isso é mais fácil buscar refúgio nas estruturas rígidas, que não permitem ao formando pensar ou decidir, tudo já está determinado. Isto causa boa impressão e uma falsa segurança, mas não cria convicções e nem gera responsabilidades.


Quando a formação não leva ao exercício da liberdade, os formandos na primeira crise, na primeira vez que são chamados a assumir algum ministério ou responsabilidade, sentem-se perdidos e fracassam.
É preciso encontrar um meio termo. De um lado é necessário que existam estruturas para que se possa atingir os objetivos fundamentais da formação. Por outro lado, deve haver flexibilidade e abertura necessárias para que os formandos sejam levados a pensar e a decidir por si mesmos. Estando bem claros e arraigados os princípios, que eles mesmos tirem as conclusões.
As reuniões comunitárias, os cursos e retiros, os seminários, quando dirigidos neste espírito de liberdade, são instrumentos eficazes na formação.


  1. A formação da afetividade

Uma dificuldade cada vez maior na formação é ajudar o formando a amadurecer afetivamente. Isto vale tanto para jovens como adultos. Aqui está englobado tudo o que se refere às relações pessoais e, sobretudo, ao relacionamento com pessoas de outro sexo. Portanto, engloba sentimentos, afetos, sexualidade, simpatias e antipatias.


Positivamente deve-se valorizar a vivência comunitária que é uma verdadeira escola para a formação da afetividade. Ela requer que se esteja sempre atento e, ao mesmo tempo, fornece uma saída para o desenvolvimento da capacidade de amar e ser amado. Na comunidade, todos têm a possibilidade de travar amizade com todos, superar o acanhamento, acolher os antipáticos, não criar grupinhos isolados, não se exceder com quem se tem mais afinidade, não desanimar com a rejeição e indiferença de alguns, estar sempre disponível…
Em tudo o que diz respeito à afetividade, é preciso insistir muito na transparência que deve haver entre formandos e formadores. A formação da afetividade é uma tarefa longa e nada simples.
7. Conclusão
Ao terminar estas considerações que buscam ser uma contribuição para a organização do Ministério de Formação e para os formadores de um modo geral, alguns pontos devem ser tratados em separado.
As considerações que se seguem já foram publicadas anteriormente, mas acredito que são pertinentes ao momento.

a) O formador:


  • Deve contar com os imprevistos, estando preparado para se adequar às diversas, variadas e possíveis situações que podem surgir. Deve estar atento às transformações dos formandos, pois o objetivo da formação é levar o Homem à “estatura de Cristo em sua plenitude”.

  • Provoca o despertar de um processo no formando, acompanhando-o sem gerar dependência, para que o formando cresça e se realize no seu ministério.

  • Precisa ter seu coração junto do coração de Jesus para levar os formandos a terem um coração semelhante.

  • Necessita criar vínculos com seus formandos, em geral vínculo de amizade, que com o tempo é plasmado em um vínculo espiritual.

  • Deve ter uma atenção especial e particular com cada formando,buscando conhecê-lo, saber de sua realidade, de sua atual situação.

  • Não dita regras, nem impõe nada. Propõe e acompanha aqueles que aceitarem a formação.

  • A modelo de Jesus, deve ter em seu coração o senso de urgência de Deus para as pessoas e sensibilidade para perceber as necessidades do formando.

  • O formador acompanha o formando para ajudá-lo a discernir o que o Espírito está realizando e quais são as exigências do momento. Nunca precede o Espírito, mas acompanha os caminhos originais que Ele tem para cada um. (Mais pode a Graça – Ed. Santuário)



b) Conteúdo básico

Tendo em vista os objetivos da formação na RCC, o “conteúdo” básico é a Pessoa do Espírito Santo e a experiência que se faz Dele, nas Escrituras, na história da Igreja e, sobretudo na história das comunidades e indivíduos.


Outros conteúdos podem e devem ser acrescentados na medida em que concorrem para uma melhor compreensão e vivência do Evangelho.
Conteúdos a respeito da maturidade afetiva, vocação, sexualidade, compreensão do próprio interior, responsabilidade e participação social, são conteúdos importantes na medida em que ajudam a assumir as exigências do Evangelho.
O conteúdo não pode minimizar nem esconder o sofrimento que é inerente à vida cristã.

c) O Espírito Santo

Toda formação supõe a ação do Espírito Santo, pois é Ele que forma o Cristo em nós.


O Espírito Santo é a força interior que molda nossos corações, purifica nossas intenções, convence nossa inteligência e fortalece nossa vontade.
São Paulo insiste neste ensinamento: viver pelo Espírito, deixar-se guiar pelo Espírito. (Gal 5,25; Rm 5,9;14-15;17).
Não tenhamos ilusões a este respeito: quem forma é o Espírito Santo, o formador é um servo que não deve esperar nenhum tipo de recompensa ou reconhecimento. Aquilo que for do Espírito ficará e o que não for, passará.
O Espírito Santo possui uma pedagogia própria para cada um e cabe aos formadores acompanhar e indicar aos formando os sinais da ação do Espírito de Deus.







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