A senhora Zelinda Novaes (pfl/BA) pronuncia o seguinte discurso sobre a tomada de reféns em uma escola russa



Baixar 5.93 Kb.
Encontro19.07.2016
Tamanho5.93 Kb.
A senhora Zelinda Novaes (PFL/BA) pronuncia o seguinte discurso sobre a tomada de reféns em uma escola russa.

Senhor presidente, senhoras e senhores parlamentares,

Queremos manifestar nossa tristeza com os fatos corridos na Rússia no último dia 3 de setembro quando uma ação com tomada de reféns terminou em tragédia com a morte de quase 400 pessoas além de outras centenas de feridos. Com a indefinição dos números é provável que mais de 200 crianças tenham sido mortas.

A invasão de uma escola na cidade de Beslan, quando quase 2.000 pessoas participavam de uma solenidade, ocorreu no dia 1º de setembro e em pouco tempo cerca de 30 criminosos que aparentemente lutavam por questões políticas envolvendo a república russa da Chechenia conseguiram retratar a impiedade com que trataram suas vítimas montando explosivos, impedindo as crianças e adultos de beberem água forçando algumas delas a beberem da própria urina na tentativa de saciar a sede. Mas o pior foi a descrição de vítimas e de testemunhas de que os criminosos atiraram nas costas das crianças que fugiam durante o confronto.

Nosso pronunciamento não se reporta à questão separatista chechena, mas sim à brutalidade dos terroristas, à dureza das forças russas e ao desfecho da ação que mancha mais um setembro na história mundial. Os fatos nos constrangem à tristeza pelas vítimas mas também nos move a um nível de preocupação com a inexistência de limites daqueles que radicalizam para conseguir seus intentos, sejam por motivos religiosos, políticos, étnicos ou financeiros. As causas permanecem quase que as mesmas, mas a impaciência e a intolerância humanas vão exigindo cada vez mais, ações mais ousadas, maior radicalismo e maior intransigência.

O mais perigoso dessa realidade é o fato de estarmos nos acostumando com ela. A violência fictícia ou real que salta aos nossos olhos nos filmes e noticiários da mídia ajudam a aplacar nossa indignação e a nos vacinar contra fatos que ocorreram na Rússia ou às mais de 100.000 pessoas que morreram somente este ano no Sudão.

Em todo o mundo, crianças são recrutadas para combaterem impiedosamente movidas pelo ódio ao seu semelhante e em troca de promessas reais ou imaginárias. Mas não combatem essas crianças pelos seus ideais, mas sim pelos ideais dos adultos que os aliciam e os usam desenvolvendo nelas o ódio, o rancor e a violência como únicas armas para alcançarem o objetivo. Isso ocorre diariamente tanto em países dominados pelo fundamentalismo religioso quanto nas favelas brasileiras dominadas pelo tráfico de drogas ou mesmo em algumas escolas rurais dominadas pelo radicalismo. Todos esses fatos ocorrem sem que se perceba o desenvolvimento de ações eficazes para minimizar seus efeitos. É como se a cada capítulo que a humanidade escrevesse de sua própria história, estivesse preparando os espectadores-vítimas para mais um capítulo pior no dia seguinte. É como se assistíssemos o cumprimento da profecia bíblica do livro de Isaías: “a terra cambaleia como um bêbado”.

Senhor presidente, senhoras e senhores parlamentares, ao manifestar nossa tristeza e indignação não somente coma tragédia russa mas com todas as tragédias diárias, principalmente as que envolvem crianças, esperamos que nós, parlamentares brasileiros possamos, ao longo de nosso mandato, dar uma contribuição corajosa e eficaz para uma convivência pacífica sem os perigos do radicalismo que inclusive pode estender seus tentáculos na política.



Muito obrigada.



©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal