A tecnologia da informaçÃo pode ser considerada um substituto para o “GÊnio militar”, segundo o conceito clausewitz ?



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Encontro19.07.2016
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Tema 8


A TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO PODE SER CONSIDERADA UM SUBSTITUTO PARA O “GÊNIO MILITAR”, SEGUNDO O CONCEITO CLAUSEWITZ ?

Contribuição José Renato/Biasoli
Clausewitz foi um dos maiores teóricos da guerra de todos os tempos. Para ele, não existia a estratégia vencedora, nem um único caminho para a vitória, nem uma estratégia que sempre levasse à vitória. Ao contrário, ele salientava em sua obra a possibilidade, e mesmo o valor, para a condução da guerra, daquilo que ele chamava de “gênio militar”, e que se caracterizava pelos seguintes atributos:

  1. coup d’oil, ou seja, a capacidade de avaliar correta, intuitiva e instantaneamente a situação;

  2. coragem para tomar decisões difíceis;

  3. perseverança para prosseguir em situações desfavoráveis; e

  4. liderança para conduzir e restaurar forças com moral baixo.

A obra de Clausewitz, “Da Guerra”, foi publicada postumamente em 1832. Desde então a tecnologia vem influenciando muito a forma de fazer a guerra. A pergunta que se faz é: “a tecnologia tornou obsoletos os conceitos clausewitziano?”.

A influência da tecnologia na forma de condução da guerra é um fato comprovado pela História.

A Revolução Industrial estabeleceu um novo conceito de guerra: a guerra industrial ou a guerra da segunda onda. Foi o advento da produção em massa, do armamento padronizado, dos soldados profissionais em tempo integral. A guerra deixou de ser sazonal e seus objetivos materializavam o conflito dos interesses político-econômico-industrial reinantes.

Recentemente, as grandes potências detentoras do conhecimento e da tecnologia desembocaram em uma nova era: a idade da informação. Tais mudanças se refletiram no campo militar, onde as forças armadas passaram a empregar armas inteligentes. Fica, assim estabelecida, a guerra na era da informação, ou de terceira onda, a qual se apoia em comunicação sofisticada e ciclo de decisão em tempo real.

Atualmente, fotos de satélite e aviões podem ser enviadas para unidades interessadas, facilitando a compilação do quadro tático.

A informática permite a visualização em tempo real da situação que está se desenvolvendo em determinada área.

Observa-se, ainda, a existência da possibilidade de sistemas computadorizados mostrarem, em telas e visores, dados em regime contínuo e tempo real, assinalando mudanças na situação tática.

A Guerra do Golfo, por exemplo, criou uma demanda exarcebada na área de inteligência e C3IC (comando, controle, comunicação, inteligência e computação). Numa imagem simples, se o armamento adquiriu uma precisão em que é possível atingir uma sala através de uma janela, faz-se imperioso saber em que janela atirar.

Em minha opinião, as mudanças na forma de guerra, em decorrência do “upgrade” tecnológico, tornou, mais capacitada para o combate, a força que melhor souber explorar essa evolução. Sendo assim, creio não haver dúvidas de que o advento da tecnologia mudou a natureza da forma de guerrear.

Observo que, apesar da evolução tecnológica, o gênio militar de Clausewitz continua atual, embora tenha sido alterado o contexto em que o mesmo é aplicado, ou seja, dos campos de batalha para os centros de comando e controle.



Pelos exposto, concluo que a tecnologia de informação não é capaz de substituir o “gênio militar” conforme conceituado por Clausewitz. Ela serve, sim, como um valioso auxílio à decisão; pois, caraterísticas como coragem, perseverança e liderança não podem ser incorporadas a sistemas de informação.


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