A verdadeira história dos três porquinhos



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Encontro02.08.2016
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A VERDADEIRA HISTÓRIA DOS TRÊS PORQUINHOS

Eu sou o lobo. Alexandre T. Lobo. Não sei como começou todo esse papo de Lobo Mau, mas está completamente errado. Talvez seja por causa de nossa alimentação. Olha, não é culpa minha se os lobos comem bichos engraçadinhos como coelhos e porquinhos. É apenas nosso jeito de ser.

Mas, como eu estava dizendo, todo esse papo de Lobo Mau está errado. A verdadeira história é sobre um espirro e uma xícara de açúcar.

No tempo do Era uma vez, eu estava fazendo um bolo de aniversário para minha querida e amada vovozinha.

Eu estava com um resfriado terrível, espirrando muito.

Fiquei sem açúcar. Então, resolvi pedir uma xícara de açúcar emprestada para o meu vizinho. Agora, esse vizinho era um porco. E não muito inteligente também. Ele tinha construído a sua casa toda de palha. Dá para acreditar?



É claro que, assim que bati, a porta caiu. Eu não sou de ir entrando assim na casa dos outros. Então chamei: “Porquinho, Porquinho, você está aí?” Ninguém respondeu.

Eu já estava a ponto de voltar para casa sem o açúcar para o bolo de aniversário da minha querida e amada vovozinha. Foi quando meu nariz começou a coçar. Senti o espirro vindo. Então inflei. E bufei. E soltei um grande espirro.

Sabe o que aconteceu? Aquela maldita casa de palha desmoronou inteirinha. E bem no meio do monte de palha estava o primeiro porquinho — mortinho da silva. Seria um desperdício deixar um presunto em excelente estado no meio daquela palha toda. Então eu o comi. Se você achasse um Big Mac embrulhadinho no meio do caminho, ia deixar sem comer? Pois é...(...)

Eu estava me sentindo um pouco melhor. Mas ainda não tinha minha xícara de açúcar. Então, fui até a casa do próximo vizinho. Esse vizinho era irmão do primeiro porquinho. Ele era um pouco mais esperto, mas não muito. Tinha construído a sua casa com lenha.

Toquei a campainha da casa de lenha. Ninguém respondeu. Chamei: “Senhor Porco, senhor Porco, está em casa?”

Ele gritou de volta: “—Vá embora, Lobo. Você não pode entrar. Estou fazendo a barba de minhas bochechas rechonchudas.”

Eu tinha acabado de pegar na maçaneta, quando senti outro espirro vindo. Eu inflei. Eu bufei. E tentei cobrir minha boca, mas soltei um grande espirro. Você não vai acreditar, mas a casa desse sujeito desmoronou igualzinho à do irmão dele. Quando a poeira baixou, lá estava o segundo porquinho — mortinho da silva. Palavra de honra. Na certa você sabe que a comida estraga, se ficar abandonada ao relento. Então fiz a única coisa que tinha de ser feita. Jantei de novo.

E eu ainda não conseguira aquela xícara de açúcar para o bolo de aniversário da minha querida e amada vovozinha.

Então fui até a casa do próximo vizinho. Esse sujeito era irmão do primeiro e do segundo porquinho. Devia ser o crânio da família. A casa dele era de tijolos.

Bati na casa de tijolos. Ninguém respondeu. Eu chamei:

“—Senhor Porco, o senhor está?”

E sabe o que aquele leitãozinho atrevido me respondeu?

“—Cai fora daqui, Lobo. Não me amole mais.

E venham me acusar de grosseria!(...)

Eu já estava quase indo embora para fazer um lindo cartão de aniversário em vez de um bolo, quando senti um espirro vindo. Eu inflei. E bufei. E espirrei de novo. Então o terceiro porquinho gritou:

“—E a sua velha vovozinha pode ir às favas.”

Sabe, sou um cara geralmente bem calmo. Mas, quando alguém fala desse jeito da minha vovozinha, eu perco a cabeça.

Quando a polícia chegou, é evidente que eu estava tentando arrebentar a porta daquele Porco. (...)



Tive um azar: os repórteres descobriram que eu tinha jantado os outros dois porcos. E acharam que a história de um sujeito doente pedindo açúcar emprestado não era muito emocionante. Então enfeitaram e exageraram a história com todo aquele negócio de “bufar, assoprar e derrubar sua casa”. E fizeram de mim o Lobo Mau.

É isso aí. Essa é a verdadeira história. Fui vítima de uma armação.

SCIESZVA, Jon. A verdadeiro história dos três porquinhos.São Paulo: Companhia das Letrinhas, 1995. p. 1-25.


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