A vida Cristã Católica



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A Vida Cristã Católica
Apetite das coisas de Deus

e amor à Igreja!
Pe. Alfeu Piso
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Somos cristãos. E somos cristãos católicos. O que faz a vida ser vida cristã e como ela se caracteriza como católica? E que sentido isso tem para a nossa vida como totalidade? O que o ser cristão acrescenta ao ser da própria vida? Que diferença faz no viver de cada dia o ser cristão católico e o não ser cristão católico?

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A vida cristã católica

não precisa ser inventada, mas precisa ser aprendida.

a. Para uma grande maioria o ser cristão católico passou a representar uma forma de ter uma religião, caracterizada por certas práticas religiosas ligadas à Igreja católica. Para essa maioria o ser cristão católico não significa, em primeiro lugar, um jeito de viver a totalidade da vida, orientada para Jesus Cristo, mas viver certos momentos da vida, ornamentando-a com certas práticas religiosas encontradas na cultura católica e estimuladas pela própria Igreja, como o batismo dos filhos, certas procissões, missas de falecidos da família, devoções aos santos e pouco mais. É a maioria caracterizada como católica, pelo fato de ter nascido dentro de um contexto católico: um país católico, uma família católica, com batismo cristão católico. A vida dessa maioria tem pouco a ver com Jesus Cristo e com a Igreja, e, pouco precisa do Evangelho para a vida. Vive aquilo que aprendeu a viver de forma espontânea e conciliada com a vida que leva.

b. Entre aqueles que vivem assim e não querem mais do que isso, existem aqueles que procuram por algo mais. Há, sim, aqueles que procuram por algo mais e, nessa procura, ficam com a primeira coisa quem encontram e aí fincam raízes. E existem aqueles que já chegaram a algo mais, isto é, pessoas e famílias que vivem intensamente sua vida cristã católica. Então é preciso orientar aqueles que procuram algo mais e sustentar aqueles que encontraram algo mais.
c. Daí vem a nossa reflexão. O ser cristão é ter sua vida configurada por Jesus Cristo. E o ser católico é ter a vida configurada por Cristo, na Igreja Católica e com a Igreja Católica. E a gente precisa aprender a ser cristão com aqueles que nos precederam na fé. Aprender a ser cristão católico com aqueles e com aquelas que aprenderam na fonte. Muitas e muitas gerações vieram antes de nós e trouxeram a vida cristã até nós. A história da Igreja católica, Igreja que tem longa história, está povoada, em todas as épocas e culturas, de grandes santos e santas, mestres da vida cristã católica. A vida cristã católica não precisa ser inventada; a vida cristã católica precisa ser aprendida!


Ser cristão

é ser discípulo e discípula de Jesus

a. Olhando os evangelhos, sentimos que o ser cristão começa quando Jesus surge na vida da pessoa com o seu olhar de eleição e com o seu chamado para o seguimento. (Mc 1,16-17). E a pessoa ouve o chamado de Jesus: “vinde após mim” (Mc 1,17); “segue-me” (Mt 9,9); “vinde e vede” (Jo 1,39). Ouve-se o chamado, nota-se a diferença de quem chama: é alguém que fascina à primeira vista e conquista o coração. Confia-se em quem chama e passa-se a “segui-lo”, como discípulo e discípula, isto é, como “aprendizes” de um novo modo de viver. Entra-se na “escola de Jesus” e aí se aprende, vendo como ele vive e com quem ele vive. Vendo com quem ele se relaciona e vendo o que ele faz. E aprende-se, ouvindo os seus ensinamentos, aos quais ele chama “Evangelho de Deus”, isto é, a boa nova, a boa notícia. A Palavra de Deus, Palavra de quem vê e de quem entende a vida como totalidade. A Sagrada Escritura e a Tradição da Igreja nos testemunham o Testemunho de Jesus.


b. Por aí vemos que ser cristão não é coisa banal, mas é graça concedida: Não é, em primeiro lugar, escolha de uma religião, mas é viver a vida em comunhão com uma pessoa: Jesus. “Sou cristão pela graça de Deus”, assim ensinava o antigo Catecismo da Doutrina Cristã. Sem nenhum mérito de nossa parte, recebemos a graça de ser discípulos de Jesus. Ninguém se faz cristão por seus próprios méritos e pelas suas qualidades, mas por eleição. E, gratuitamente, se é cristão. E o primeiro ponto de referência é Jesus. Jesus é o centro. Seguir Jesus, estar em comunhão confiante com ele. Fascinado por ele. Aceitar Jesus como “caminho, verdade e vida” (Jo14, 6). Com a convivência e com o tempo, se percebe que Ele é tudo o que Deus pode oferecer e é tudo o que a pessoa humana aspira.
c. Seguir Jesus é também aceitar como companheiros de caminhada todos aqueles e aquelas a quem Jesus chama e aceitá-los como irmãos e irmãs de caminhada. Ninguém está sozinho no caminho de Jesus. Desde os primeiros passos, os discípulos de Jesus fazem comunidade e vão aprendendo a fazer comunidade, superando a autosuficiência e todo egoísmo. E desde os primeiros passos, os discípulos são ouvintes atentos do Evangelho da vida. O Evangelho é a Palavra que faz viver, que orienta a vida para que a vida dê certo e para que a vida tome um caminho capaz de ir para além de todos os obstáculos e limites, superar o tempo e chegar á plenitude.

d. Não é banal nem secundário ser cristão para quem quer pensar e viver a vida como totalidade. A vida precisa dar certo. Mas é preciso aprender a ser cristão. Ninguém nasce sabendo ser cristão. Os primeiros cristãos aprenderam a ser cristãos com aqueles e aquelas que foram discípulos imediatos de Jesus, isto é, aqueles que convieram com ele durante a sua vida terrena e foram testemunhas de tudo o que ele fez e ensinou. E assim, como eles aprenderam de Jesus, eles nos ensinaram. Acolher Jesus, acolher sua Pessoa e seu Evangelho na fé. Acolher com plena confiança. Apostar a vida nele, sem reservas, e conduzir a vida de acordo com seu Evangelho. Só se tem a ganhar! Ser cristão católico é graça. É graça que se vive, não é sentença que se cumpre!




Hoje Jesus continua nos chamando

Ninguém dá conta de ser cristão sozinho.

a. O que aconteceu no princípio continua acontecendo hoje. Jesus vive, pois, Deus o ressuscitou dos mortos e ele está conosco até o fim dos tempos (Mt 28,20). Então, hoje, Jesus continua passando pela nossa vida e deixando seu chamado. Ele chega até nós por muitos caminhos, principalmente fazendo ouvir sua voz pela voz de outros discípulos seus, os quais podem estar em nossa casa ou em outros ambientes de nossa vida. E hoje respondemos ao chamado de Jesus e entramos na comunidade de seus discípulos e discípulas pelo batismo. A fé e o batismo nos levam a participar do mistério de Cristo na comunidade cristã. A vida cristã não é solitária e isolada. A vida cristã só pode dar certo na comunidade conduzida por Jesus. Ninguém dá conta de ser cristão sozinho.


b. Os discípulos de Jesus fazem comunidade. Os cristãos não vivem sempre em comunidade, mas não podem viver sem a comunidade. As reuniões de comunidade são os acampamentos dos discípulos e discípulas de Jesus juntos com ele. “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou no meio deles” (Mt 18, 20). Ele está no meio de nós! Na comunidade, Jesus continua alimentando a fé dos discípulos com sua Palavra. A Palavra dada na comunidade tem a garantia de ser ouvida e de ser entendida como Palavra de Deus: é a Palavra do Senhor, o Evangelho da Vida, Palavra da salvação. Além do mais, na comunidade, a Palavra é acolhida na profissão de fé da Igreja. A profissão de fé da Igreja é como momento de mastigar e ingerir o pão da Palavra de Deus. Sem a audição constante da Palavra de Deus, acolhida na fé da Igreja, a fé perde sua referência e sua resistência. Sem a Palavra, a fé perde seu conteúdo e corre o risco de ser contagiada por muitas falsas doutrinas. Na comunidade, Jesus continua irrigando a comunidade com sua caridade divina na Eucaristia e nos demais sacramentos. Na eucaristia a comunidade se faz corpo de Cristo e participa de sua caridade humana e divina. Os sacramentos são órgãos vitais do corpo da Igreja. São os contínuos gestos de amor pelos quais Jesus comunica sua graça para a Igreja. Mas sem a fé da Igreja, nutrida na mesa da Palavra, ninguém é capaz de reconhecer a qualidade do pão da mesa da eucaristia. E Jesus continua pneumatizando a comunidade com o Espírito de vida e de santificação, isto é, Jesus continua enviando o Espírito Santo para ser hóspede, defensor e Mestre da comunidade. Continua orando com a comunidade, oxigenando sua vida, educando-a na graça da filiação e da fraternidade e capacitando-a para a justiça no mundo. Não existe vida cristã sem vida de Igreja. Ninguém dá conta de ser cristão sozinho.
c. A vida cristã precisa da comunidade, assim como a vida como tal precisa estar no meio ambiente adequado para dar certo. Precisa ser alimentada para se desenvolver. Há certas plantas que existem e que só dão certo na lavoura. Fora da lavoura, definham, perdem sua finalidade de produção e passam a ser somente plantas ornamentais. Por exemplo, o café. Cada pé de café recebe seu valor e sua porção de cuidado e chega a acrescentar na produção, se estiver na lavoura. Assim, o cristão, fora da comunidade, junto à qual ele recebe a vida nova, ele definha. É assim também o tição na fogueira. Ele queima e acrescenta calor e luz, enquanto está com os outros tições e enquanto faz fogueira. Afastado da fogueira o tição se apaga. Afastado da comunidade, o cristão definha. O que a água é para o peixe, a comunidade o é para o cristão.


Da comunidade para o dia a dia

O beija flor se alimenta

do mel que encontra nas flores do caminho

a. A fé nutrida na comunidade, a vida eucaristizada e peneumatizada, isto é, habitada pelo Espírito, a alma oxigenada pela oração da comunidade, se volve para o quotidiano, volta ao caminho que deve ser feito. Elias, levanta-te, come, porque tens um longo caminho a percorrer (1Re 19,7). É o caminho de todos os dias. O cristão não tem mundo próprio, não tem atividades próprias. Ele vive e ele faz o que todos fazem para viver neste mundo. Mas ele tudo vive e tudo faz como cristão. O cristão está na sua família, no seu ambiente profissional, ele é cidadão de uma sociedade. O cristão não tem pátria e mundo próprio, ele “não faz condomínio”. Em Jesus, o caminho do Filho de Deus passou pelo mundo real, tal como está aí, “em tudo semelhante aos seus irmãos” (Hb 2,17), “menos no pecado” (Hb 4,15). E o cristão faz o caminho do mundo com Jesus. E, se é para ter preferência, siga Jesus e esteja entre os pobres que o cercam e a quem Ele constitui seus sacramentos (Mt 25,31ss).


b. A vida cristã, alimentada na comunidade, sustenta a vida de cada dia. A vida se torna cristã. Não existem apenas certas atividades e certos momentos configurados pela vida cristã. Nem é preciso fazer coisas diferentes, mas fazer diferentes as coisas. A vida cristã não tem dia e horário marcado. Não é um remédio ou pomada que administramos em certos dias e lugares da vida. O cristão se torna cristão e faz tudo tornar-se cristão, isto é, tudo se torna mais humano e mais divino, tudo se torna salvífico e santificante em sua vida. Ele bebe no próprio poço, ou, faz como o beija flor, que se alimenta do mel das flores que encontra no caminho. O cristão não precisa “inventar moda” para ser santo. O que ele celebra e recebe na comunidade é suficiente para santificar tudo o que faz. Tudo o que ele recebeu na comunidade agora ele derrama sobre a vida. A Palavra, ouvida e recebida na fé da comunidade, ilumina e orienta suas decisões. A força da eucaristia sustenta-o em suas fraquezas. A oração da comunidade oxigena a sua vida de oração pessoal. Aqueles que ele encontra na comunidade serão depois encontrados no quotidiano e são transfigurados em irmãos e irmãs. A vida passa a ser vivida dentro de um grande projeto, o projeto de Jesus, que visa transformar o mundo em Reino de Deus, para que todos tenham vida e para que a tenham em abundância (Jo10,10).
d. Assim a vida cristã católica vale a pena! Assim a vida cristã é vivida na medida de Jesus Cristo com a Igreja. Fazer da vida cristã apenas uma religião de escolha e reduzir a vida cristã somente a algumas atividades religiosas, é muito pouco e “não dá graça” nem vale a pena. A vida cristã traz o prazer e a alegria da totalidade da vida, quando vivida com intensidade, sem reservas, assim como Jesus nos ensinou.

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Viva com prazer e com alegria

a graça de ser cristão católico!



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