A visão universalista de sócrates



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1.2.3 A VISÃO UNIVERSALISTA DE SÓCRATES


  1. O HOMEM




  • Sócrates (470-399 A.C) era filho de um modesto escultor ateniense e de uma parteira.

  • Ele não pretendia ser um filosofo metafísico mas apenas fazer o homem feliz.

  • Como a felicidade verdadeira é impossível sem bondade, logo, ser bom é ser feliz e o supremo destino do homem seria esse ideal de “ser bom”.

  • Sócrates era simples, humilde. Ele não fazia discursos formais, mas em vez disso, se encontrava com os amigos (Platão, por exemplo) na Agorá (a feira) de Atenas para discutir sobre a ética da vida humana (o conceito de “ser bom”).

  • Ele não escreveu nada (apenas conversava), chegamos a conhecê-lo através das obras de outros intelectuais:

  • XENOFONTE, historiador, fala na sua obra “MEMORABILIA” de um homem de grande bondade que ajudava os outros com as suas conversas (às vezes muito irônicas...).

  • ARISTOFANES, outro historiador, achava que Sócrates era um sofista, mas um bom, não um charlatão. Aqueles que entendiam Sócrates declaravam que ele era único capaz de refutar os próprios sofistas. Quem falou mais dele foi Platão, que estabeleceu uma comparação impiedosa entre Sócrates e os Sofistas: “Se ser sofista fosse ser um sábio educador, Sócrates seria o único.”. (Rezende A., Curso de Filosofia, pág. 45).

  • Segundo a “PITONIZA” (oráculo, profetiza) de Delfos, o maior sábio da Grécia era Sócrates de Atenas. Tomando conhecimento dessas palavras, o próprio Sócrates, com a sua humildade característica, recusou o elogio com o argumento que ele não sabia de nada. Tentou em seguida aproximar-se daqueles que pareciam mais sábios, para confirmar a sua argumentação, mas só encontrou decepção. Concluiu então que a aceitação da sua própria ignorância fazia dele, de fato, o homem mais sábio da cidade.

  • Irônico e irreverente no seu questionamento de todos e tudo, Sócrates chegou a ridicularizar a retórica, a política e a poesia “Acho que Deus me colocou na cidade como esse mosquito que não para o dia todo, que pousa em todas as pessoas, picando-as e impelindo-as à ação persuadindo e criticando.” (Platão. Apologia. In Diálogos pág. 30)

  • Esse comportamento não tomou o popular entre os oradores, sofistas, políticos e poetas. Em 399 a.C.,acusado de impiedade e de corrupção da juventude ateniense, ele foi julgado e condenado a beber cicuta.



  1. O PENSAMENTO SOCRÁTICO




    • Segundo os sofistas, o justo, o certo, dependia das circunstancias.

    • Segundo Sócrates, o “ser bom” é agir em harmonia com a norma suprema de bondade, ou seja, a realidade absoluta (a causa de tudo, Deus). Existem, acima das circunstancias, princípios absolutos e imutáveis aos quais todo comportamento deve se conformar. Observamos uma influência indireta de Parmênides quando se fala de ordem ultima e imutável. Os princípios, mencionados pelo Sócrates não se encontram fora, mas dentro de nós: são idéias inatas que vem da nossa essência divina, da nossa alma. Elas são eternas sim, mais latentes e adormecidas. Sócrates, se lembrando da sua própria mãe, se apresenta como um “Parteiro” que ajuda a despertar essas idéias potencialmente vivas, a atualizá-las e torna-las conscientes.

    • A alma é, portanto, o ser potencialmente consciente que temos que despertar para nos tornamos sábios e bons. Ela é a nossa essência, nossa parte individual da divindade.

    • O corpo, (o existir) é uma coisa temporária.

    • A alma, (o ser) é eterna.

O homem, apenas como fenômeno humano, existe, logo é

mortal.


A alma, como ser divino é imortal.

A alma é a essência do homem, logo o homem é imortal.



    • Na véspera de ingerir o veneno, SÓCRATES teve oportunidade de fugir e se recusou a fazê-lo, argumentando que a morte corporal não era o fim da vida, pois o verdadeiro SÓCRATES não era o seu corpo mais sim sua alma. A partir de Sócrates e adiante, o propósito duplo da filosofia grega será convencer os humanos de:

      1. A existência da verdade

      2. Salvar as suas almas

    • Sócrates foi um pioneiro da idéia da imortalidade do homem, séculos antes do Cristo.

    • A respeito da ética, segundo os socráticos, ninguém age de propósito contra o que é certo, mas por ignorância. Logo, ninguém pode ser bom sem conhecimento.

A ignorância é o pecado

A sapiência é a virtude

O pecador é o ignorante

O sábio é o santo



  • Sabendo que a sabedoria não é apenas o conhecimento, podemos concordar que a ignorância (o pecado) pode co-existir com a erudição intelectual, mas não com a verdadeira sabedoria.



  • As palavras do Cristo na cruz poderiam se encaixar na linha do pensamento socrático: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que estão fazendo”. O homem peca porque ele não sabe, se soubesse, não pecaria.

3) O MÉTODO SOCRÁTICO



Exemplo:

“SÓCRATES: A ciência é a sensação?”.

TEETETO: sim

SÓCRATES: È o mesmo que diz Protágoras

“O homem é a media de todas as coisas”

Leste isto?

TEETETO: Muitas vezes.

SÓCRATES: Ele quer dizer: tais como me aparecem as coisas, tais ela são para mim, tais como te aparecem, tais são para ti?

Tu és homem e eu também.

TEETETO: É bem nesse sentido;

SÓCRATES: Seguindo nesse pensamento. Não há momentos em que o

mesmo sopro do vento é suave para um e para outro violento?

TEETETO: Certamente

SÓCRATES: Nesse momento, que será em si mesmo o vento?

Frio ou não frio? Ou então concordamos com Protágoras: o vento

é frio para aquele que se arrepia e para o outro não é?

TEETETO: é provável.

SÓCRATES: Aparece de um para um, de outro modo para outro?

TEETETO: Sim

SÓCRATES: Ora, esse “aparecer” significa

ser sentido?

TEETETO: Efetivamente

SÓCRATES: Logo aparência e sensação são idênticas

TEETETO: provavelmente

SÓCRATES: Não há, portanto, jamais sensação senão daquilo que é, e

Sempre sensação infalível, já que ela é ciência.

TEETETO: Aparentemente”“.
(Platão, diálogos, pág. 152)

Na época de condenação de Sócrates, as criticas contra ele diziam o seguinte: Ele torna absurdos os nossos mestres e nada coloca em lugar deles.

Uma frase de Hegel poderia refutar essas colocações: “Pensar não é errado mas pode ser insuficiente. Nesse caso, o que se deseja não é uma recusa a pensar e sim um melhor pensamento...”

(Lewis J.; historia da filosofia, pág. 36)

O método de SÓCRATES era a dialética (arte do dialogo):

Nas conversas, levava o interlocutor com ele por meio de admissão e consentimento temporário e comprovava que as idéias do outro levavam a algum absurdo (ou contradição). Convidava então o outro a voltar a ponto de partida e expor novamente o argumento de forma melhor.

O dialogo socrático desperta no outro a consciência de que ele não sabe o que pensava saber. Derrubando as opiniões inconsistentes, levava o outro para o caminho do conhecimento.

“Sócrates – O que é sagrado?”.

Eutifro – O sagrado é aquilo que todos os deuses amam e o seu oposto

é o que todos eles odeiam: o profano.

Sócrates – Então algo é sagrado porque os deuses o aprovam ou eles

aprovam algo porque é sagrado?” (Platão, Diálogos, pág. 10)


Isso parece uma argumentação de sofista, mas existe uma grande diferença:



  • A Erística (disputa verbal) dos sofistas servia apenas para ridicularizar o

adversário.

  • A Dialética (refutação socrático) tinha uma função catártica (purificadora): purificar o interlocutor das opiniões falsas.

A psicologia, a ética, a sociologia e a ciência política que derivam da concepção universalista fundamental são características dessa metafísica fundamental: Todos os homens possuem a mesma natureza: a ALMA. Logo, não há motivo para eles se odiarem.



O homem odeia geralmente o homem por ignorância da sua natureza própria. Nesse contexto, o ignorante confunde o seu ego individual (o corpo) com o eu universal (a alma) e julga dever prejudicar os outros para se dar bem.

Bibliografia
Irwin, W ., Matrix. Bem-vindo ao deserto real; São Paulo (Madras), 2003

Lewis, J., Historia da filosofia, são Paulo (Pioneira), 1966

Platão, Diálogos, São Paulo, (abril), 1972

Rezende, A., Curso de Filosofia, Rio de Janeiro (Jorge Zahar), 1986

Strathern,P .,SÓCRATES em 90 minutos, Rio de Janeiro(Jorge Zahar),1996

Watanabe, L.A, Platão: por mitos e hipóteses, São Paulo (Ed. Moderna), 1995


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