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Os Sofistas

Em que medida os Sofistas podem ser considerados filósofos na visão platônica?


Na visão platônica os Sofistas não passavam de vendedores de saber, suas criticas são tão intensas que nos leva a questionar, será que isso foi realmente verdade? Já que havia rivalidades entre eles, sabemos que foram contemporâneos, vamos tentar entender um pouco quais os motivos que levaram Platão a criticá-los.

A hostilidade de Platão em relação aos sofistas é óbvia e sempre foi reconhecida. Mas o que exatamente ele diz sobre eles nem sempre tem sido descrito com precisão. Em dois lugares, nos seus diálogos, encontramos o que pode ser tomado como exemplo desse tratamento. No Górgias, 462b3465e6, ele distingue entre, de um lado, uma série de atividades genuinamente cientificas, que chama de technai, cujos alvos ou objetivos são o mais alto grau de excelência em cada uma de suas próprias esferas, e, de outro lado, varias atividades empíricas. Estas não são cientificas, visto que não estão baseadas em princípios racionais e são incapazes de dar explicações; visam ao agradável, em vez da excelência, e fazem isso sendo complacentes com as expectativas e os desejos das pessoas. São imitações enganadoras de genuínas technai. Na área geral de preocupação com a alma humana, Platão inclui a declaração de normas de comportamento, e isso ele considera genuína techné. Corresponde a isso, contudo, uma atividade espúria, a investigação empírica conhecida como sofistica.

No dialogo sofista, a analise é mais elaborada e a hostilidade não menos marcante. Nada menos de sete diferentes definições do sofista, todas depreciativas, com uma única possível exceção, são discutidas uma por vez. Tem-se discutido se Platão as considerava todas descrições satisfatórias ou não, mas e claro, acho eu, que as concebia como expressando pelo menos aspectos particulares do movimento sofista. Elas definem o sofista (1) como o caçador assalariado de jovens ricos, (2) como um homem que vende “virtude”e, visto que vende bens que não lhe pertencem, como um homem que pode ser descrito como mercador do ensino, ou (3) que vende a varejo em pequenas quantidades, ou (4) como um homem que vende a seus fregueses bens fabricados sob encomenda. Numa outra visão, (5) o sofista é alguém que entretém controvérsias do tipo chamado eristica, a fim de ganhar dinheiro com a discussão do certo e do errado.(6) Um aspecto especial do sofisma é identificado, então, como um tipo de exame verbal chamado Elenchus (refutação lógica), que educa purgando a alma do vão conceito de sabedoria. O que, exatamente, Platão está tentando transmitir aqui tem sido tema de discussão, mas parece que ele considera essa função, essencialmente negativa, um dos menos indesejáveis resultados da atividade sofista, quando a rotula de “a sofistica que é de família nobre”, presumivelmente para distingui-la de outros aspectos das atividades dos sofistas. Finalmente, no final do dialogo, depois de uma longa digressão, chegamos ao ponto em que (7) o sofista é visto como o falsificador da filosofia, construindo, de maneira ignorante, contradições baseadas mais em aparências e opiniões do que na realidade.



Será necessário voltar, mais tarde, ao que Platão tem a dizer a respeito da eristica, do elenchus e da arte de inventar contradições. Mais fica claro que sua caracterização, no sofista, que podem ser posta ao lado de outra afirmação semelhantes em outros diálogos, constituem uma inequívoca condenação. Quando encontramos Aristóteles contando a mesma historia-a arte sofista, diz ele, consiste em aparente sabedoria que não é de fato, sabedoria, e o sofista é alguém que ganha dinheiro com “sabedoria aparente, não é real” (Sophistici Elenchi 165 a 22-23; metafísica, I, 1004 b25 ss.)- não é de surpreender que essa tenha permanecido a visão corrente nos dois mil anos seguintes. Por impossível que pareça, a reputação do sofista piorou ainda mais-eles forneceram o que parecia ser material prontinho para interpretações cristianizadoras e moralizadoras da historia chegaram a ser visto como impostores ostensivos, adulando e ludibriando a juventude rica em beneficio próprio, solapando a moralidade publica e privada de Atenas e encorajando seus discípulos na busca inescrupulosa de ambição e cupidez. Dizem até que conseguiram corromper a moralidade geral de modo que Atenas se tornou miseravelmente degenerada e viciosa nos últimos anos da guerra do Peloponeso, em comparação com o que era no tempo de Milciades e Aristides. O historiador Grote também escreve sobre este assunto ele declara que o caráter ateniense não era realmente corrupto entre 480 e 405 a.C. A visão antiga dos sofistas era a de que eles eram um bando de charlatões que surgiu na Grécia no século V e ganhou amplamente o seu sustento impondo-se à credulidade publica: professando ensinar a virtude, eles, na realidade, ensinavam a arte do discurso falacioso e, enquanto isso, propagavam doutrinas práticas imorais. Dirigiu-se para Atenas como ao Prythaneu (aqui=lugar central de assembléia) da Grécia; lá se encontram com Sócrates e foram derrotados por ele, que expôs a inanidade de sua retórica, revirou do avesso seus argumentos capciosos e vitoriosamente defendeu sólidos princípios éticos contra seus plausíveis sofismas perniciosos. Assim, eles, depois de um breve sucesso, caíram num bem merecido desprezo. E seu nome se tornou objeto de zombaria para as sucessivas gerações. Formuladas assim, as acusações realmente reduziam-se a duas: primeiro, que os sofistas não eram pensadores sérios e não tinham papel nenhum na historia da filosofia e, segundo, que seus ensinamentos eram profundamente imorais. Ambas as alegações tiveram de enfrentar um certo grau de reconsideração com o desenvolvimento de novas abordagens da historia na primeira metade do século XIX. Embora as duas acusações sejam inter-relacionadas, confim tratá-las, até certo ponto, em separado. Primeiro, a questão do lugar do movimento sofista na Historia da filosofia. A Historia do estudo da filosofia grega tem sido profundamente influenciada, nos tempos modernos, até inclusive o presente, pelo tratamento adotado por Hegel nas suas Conferencias sobre a Historia da filosofia. Hegel, na verdade, restaurou os sofistas a uma posição integrada na historia da filosofia grega, mas de tal maneira que seus sucessores puderam continuar, por mais cem anos, com apenas uma modificação parcial da visão previa profundamente hostil do movimento sofista, mas o aspecto mais importante de tudo isso é que Hegel reinseriu os sofistas na historia da filosofia e o fez tratando-os como subjetivistas. Para Hegel, o subjetivismo deles era uma etapa necessária na autodeterminação do pensamento, que é o que era a historia da filosofia. Era uma etapa necessária, apesar de seu caráter negativo, porque a negação era uma parte integral do movimento do Pensamento Universal. Mas, por todo o século XIX e no primeiro terço do século XX, a tradição da filosofia idealista continuou a dominar as mentes dos estudantes de filosofia grega. Em conseqüência disso, a caracterização dos sofistas como subjetivistas foi amplamente aceita. Mas quanto ao restabelecimento de sua reputação como filósofos o efeito foi o oposto. Parecia confirmar o julgamento hostil de Platão e Aristóteles. Verdade e realidade eram objetivas, não subjetivas. Todos os que negassem isso se opunham à verdade e à realidade é, como tais, alem de não serem filósofos, eram inimigos da filosofia; tais eram os sofistas. Paradoxalmente, a visão tradicional que se tinha dos sofistas parecia, dessa forma, ter sido confirmada. E isso se percebia principalmente na esfera da moral. Aqui, para muitos, parecia que defender o ponto de vista segundo o qual o certo e o errado eram subjetivamente determináveis significava, fundamentalmente, negar totalmente a validade dos valores morais. Os sofistas também foram reavaliados pelo historiador George grote e pelos utilitaristas Jeremy bentham e James Mill. Grote os via como os campeões do progresso intelectual e rejeitava aspectos cruciais da avaliação tradicional da obra deles. Argumentava de modo especial, acima de tudo, que não eram uma seita ou escola, mas uma profissão, e que não havia comunidade doutrinaria. De modo que, se uma doutrina promovida por um sofista individualmente era contestável, isso não constituía motivo para condenar o movimento como um todo. Em segundo lugar, em relação ao pretenso ensino de doutrinas imorais, nem mesmo Platão acusou disso os principais sofistas, A Protágoras, Pródigos, Hípias e Górias. Grote se recusava a crer que qualquer um deles, Trasímaco ou Cálicles, pudessem jamais ter ensinado publicamente as teorias anti-sociais sobre justiça atribuída a eles por Platão na República e no Górgias. Mesmo que o tivessem feito, seria errado concluir daí qualquer coisa em relação aos outros sofistas. Basicamente, Grote considerava os sofistas mestres que simplismente representavam as opiniões correntes na sua época.1

Etimologicamente, o termo sofista significa sábio. Entretanto, com o decorrer do tempo, ganhou o sentido de impostor, devido, sobretudo, às criticas de Platão.Os sofistas eram professores viajantes que, por determinado preço, vendiam ensinamentos práticos de filosofia. Sempre levando em consideração os interesses dos alunos pagantes, davam aulas de eloqüência e de habilidade mental, ensinando conhecimento útil para o sucesso dos negócios públicos e privados. As lições dos sofistas não tinham como objetivo o estabelecimento de uma verdade única, mas, sim, o desenvolvimento do poder de argumentação, da habilidade oratória, do conhecimento das doutrinas divergentes; enfim, todo um jogo de raciocínios que seria utilizado na arte de convencer as pessoas, driblando as teses dos adversários.

É preciso lembrar que o momento histórico vivido pela civilização grega favoreceu o desenvolvimento dos sofistas. Era uma época de lutas políticas e intenso conflito de opiniões nas assembléias democráticas, que, por isso, os cidadãos mais ambiciosos sentiam necessidade de aprender a arte de argumentar em publico para, manipulando as assembléias, fazerem prevalecer seus interesses individuais e de classe.2

No tempo de Sócrates, o ambiente intelectual Helênico era perturbado pela presença dos sofistas.

Por este termo, entendemos um grande número de pensadores gregos que passaram a comercializar a Filosofia. Assim como os filósofos anteriores preocupados com a busca da verdade representavam razão, os sofistas, a serviço de outros interesses, eram agentes da anti-razao. Para eles, o essencial, todo esforço intelectual tinha por fim algo lucro imediato; vencer um adversário, ganhar uma causa judicial, convencer um auditório. Para isto, tudo era válido. A única norma lógica e intelectual era o êxito.3

Os sofistas surgem exatamente nesse momento de passagem da tirania e da oligarquia para democracia. São os mestres de retórica e oratória, muitas vezes mestres itinerantes, que percorre as cidades-estados fornecendo seus ensinamentos, sua técnica, suas habilidades aos governantes e aos políticos em geral. Embora sem formar uma escola ou grupo homogêneo, o que caracteriza é muito mais uma pratica ou umas atitudes comuns do que uma doutrina única. Há, portanto uma Paidéia, um ensinamento, uma formação pela a qual os sofistas foram responsáveis, consistindo basicamente numa determinada forma de preparação do cidadão para a participação na vida política. Sua função nesse contexto foi importantíssima e sua influencia muito grande, o que se reflete na forte oposição que sofreram por parte de Sócrates, Platão e Aristóteles. Os sofistas foram, portanto filósofos e educadores, alem de mestres de retórica e de oratória, embora este papel lhes seja negado, p.ex. por Platão. É difícil por isso mesmo termos uma avaliação mais concreta de sua função e mesmo de sua concepção filosófica e pedagógica. Além de termos uma situação semelhante à dos pré-socráticos quanto aos textos dos sofistas, isto é, tudo o que nos resta são fragmentos, citações, testemunhos, esta dificuldade se agrava pelo fato de que, em grande parte, a maioria destas citações e testemunhos nos chegaram através de seus principais adversários, Platão e Aristóteles, que pintaram um retrato bastante negativo desses pensadores. Os próprios temas “sofista” e “sofisma” acabaram por adquirir uma conotação fortemente depreciativa, embora “sofista” inicialmente significasse tão-somente “sábio”. Apenas recentemente os interpretes e historiadores têm procurado revalorizar a contribuição dos sofistas, através de uma visão mais isenta e objetiva de suas doutrinas, bem como de seu papel, influencia e contribuição à filosofia e aos estudos da linguagem.4


Marco teórico
Kerferd: fala sobre a hostilidade de Platão, Sócrates e Aristóteles aos Sofistas e de alguns autores que os defendem: como Hegel, Jeremy Bentham, James Mill e George Grote.
Gilberto Cotrim: para ele os sofistas eram professores viajantes que por determinado preço, vendiam ensinamentos práticos de filosofia.
Antônio Xavier Teles: para ele, por esse termo entendia um grande número de pensadores gregos que passaram a comercializar a filosofia.
Danilo Marcondes: tem uma visão isenta e objetiva de suas doutrinas.
Objetivos: Mostrar aos leitores as razões que levaram os autores a discutir sobre a importância dos sofistas no contexto histórico da filosofia e dessas discussões tirarem suas próprias conclusões.
Problemas:

Quais os motivos que levaram Platão a criticar os sofistas?


Hipótese:
Os sofistas eram mestres que simplesmente representavam as opiniões correntes na sua época.

Bibliografia

KERFERD, G.B. O Movimento Sofista - Edições Loyola – São Paulo - 2003.

COTRIM, Gilberto. Fundamentos da Filosofia – Editora Saraiva – São Paulo - 1991

TELES, Antonio Xavier. Introdução ao Estudo de Filosofia – Ed. Ática – S. P. - 1981.

MARCONDES, Danilo. Iniciação à Historia da filosofia – CIP/Brasil – R.J - 2005

Fonte: Prof. Manoelito Antonio Soares Filho



1 Kerferd, G.B, O movimento sofista pág: (13 a 21)

2 Cotrim, Gilberto, Fundamentos da filosofia pág: (122).


3 Teles, Antonio Xavier, Introdução ao estudo de filosofia, pág (32).


4 Marcondes, Danilo, Iniciação a Historia da filosofia. Pág (42 e 43)


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