Acolhimento nas práticas de produçÃo de saúde implementação da Política Nacional de Humanização (pnh)



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ACOLHIMENTO NAS PRÁTICAS DE PRODUÇÃO DE SAÚDE
Implementação da Política Nacional de Humanização (PNH)

Muitas são as dimensões com as quais estamos comprometidos: prevenir, cuidar, proteger, tratar, recuperar, promover, enfim, produzir saúde. E na construção do Sistema Único de Saúde (SUS), acompanhamos avanços que nos alegram, outras questões que demandam novas respostas, e inclusive problemas ou desafios que persistem, impondo a urgência seja de aperfeiçoamento do sistema, seja de mudança de rumos.

O padrão de acolhida tanto aos usuários como aos trabalhadores da saúde, nos serviços de saúde, é um desses desafios.

A questão do acolhimento como postura e prática nas ações de atenção e gestão nas Unidades de Saúde implementa:


# A construção de uma relação de confiança e compromisso dos usuários com as equipes e os serviços > contribuindo para a promoção da cultura de solidariedade e > legitimação do sistema público de saúde.
# A possibilidade de avanços na aliança entre usuários, trabalhadores e gestores da saúde em defesa do SUS como uma política pública essencial da e para a população brasileira.

O QUE É O “acolhimento” ?
Acolher é dar acolhida, admitir, aceitar, dar ouvidos,dar crédito a, agasalhar, receber, atender,admitir (FERREIRA, 1975). Assim, acolhimento visto como ato ou efeito de acolher expressa, em suas várias definições, uma ação de aproximação, um “estar com” e um “estar perto de”, ou seja, uma atitude de inclusão. E é nesta ação que queremos afirmar o acolhimento como uma das diretrizes de maior relevância ética/estética/política da Política Nacional de Humanização do SUS:
• Ética quando se refere ao compromisso como reconhecimento do outro, na atitude de acolhê-lo em suas diferenças, suas dores, suas alegrias, seus modos de viver, sentir e estar na vida;

• Estética porque imprime nas relações e nos encontros do dia-a-dia estratégias que contribuem para a dignificação da vida e do viver, assim como para a organização de nossa própria humanidade;

• Política porque leva a um compromisso coletivo de envolver-se num “estar com”, potencializando protagonismos e vida nos diferentes encontros;
O acolhimento está presente nas várias relações e encontros que fazemos na vida, mesmo quando pouco cuidamos dele. Entretanto, temos de admitir que parece ter ficado difícil exercer e afirmar o acolhimento em nossas práticas cotidianas.
Qual é o sentido dessas Idéias FOCADAS Nas práticas de produção de saúde?
Nos seus dezesseis anos de existência observamos avanços e conquistas do SUS, porém, ainda existem grandes lacunas nos modelos de atenção e gestão dos serviços em relação ao acesso e ao modo como o usuário é acolhido nos serviços de saúde pública. É necessário restabelecer: o princípio da universalidade do acesso, pois todos os cidadãos devem ter direito de acesso aos serviços de saúde e com a responsabilidade das instâncias públicas pela saúde dos cidadãos, a partir da constituição de vínculos solidários entre os profissionais e a população, empenhados na construção coletiva de estratégias que promovam mudanças nas práticas dos serviços

Os processos de produção de saúde dizem respeito, necessariamente, a um trabalho coletivo e cooperativo, entre sujeitos, e se fazem numa rede de relações que exigem interação e diálogo permanentes. Cuidar dessa rede de relações, permeadas por assimetrias de saber e de poder, é uma exigência maior, um imperativo, no trabalho em saúde. O acolhimento é uma das diretrizes que contribui para alterar essa situação, na medida em que incorpora a análise e a revisão cotidiana das práticas de atenção e gestão implementadas nas unidades do SUS.



O acolhimento no SUS E SUA HISTÓRIA
A idéia de acolhimento nos serviços de saúde já acumula uma farta experiência em diversos serviços de saúde do SUS. Tal experiência é heterogênea como o próprio SUS e tem acúmulos positivos e negativos. Tradicionalmente, o termo acolhimento no campo da saúde identifica-se ou como uma dimensão espacial, que se traduz em recepção administrativa e ambiente confortável ou como uma ação de triagem administrativa e repasse de encaminhamentos para serviços especializados. O acolhimento como ação técnico-assistencial possibilita que se analise o processo de trabalho em saúde com foco nas relações, pressupõe a mudança da relação profissional/usuário e sua rede social, assim como profissional/profissional, mediante parâmetros técnicos, éticos, humanitários e de solidariedade, o que possibilita reconhecer o usuário como sujeito e participante ativo no processo de produção da saúde.


O acolhimento INTERFERINDO NOS processos de trabalho
Temos que olhar o acolhimento não como um espaço ou um local, mas como uma postura ética pois não pressupõe hora ou profissional específico para fazê-lo, assim como implica compartilhamento de saberes, angústias e invenções, tomando para si a responsabilidade de “abrigar e agasalhar” outrem em suas demandas, com responsabilidade e resolutividade sinalizada pelo caso em questão. Desse modo é que o diferenciamos de triagem, pois ele não se constitui como uma etapa do processo, mas como ação que deve ocorrer em todos os locais e momentos do serviço de saúde. Colocar em ação o acolhimento, como diretriz operacional, requer uma nova atitude de mudança no fazer em saúde requer que:
• Os sujeitos envolvidos no processo de produção de saúde sejam os protagonistas;

• Ocorra valorização e condição para a parceria entre o profissional de saúde, o usuário e sua rede social;

• Uma reformulação do serviço de saúde a partir da problematização dos processos de trabalho, de modo a possibilitar a intervenção de toda a equipe multiprofissional responsável pela escuta e resolutividade dos problemas dos usuários;

• Construção de projetos terapêuticos individuais e coletivos com equipes de referência em atenção diária que sejam responsáveis e gestoras desses projetos;

• Organização de espaços democráticos de discussão e decisão, de escuta, trocas e decisões em grupos;
O acolhimento é um modo de operar os processos de trabalho em saúde, de forma a atender a todos que procuram os serviços de saúde, ouvindo seus pedidos e assumindo no serviço uma postura capaz de acolher, escutar e dar respostas mais adequadas aos usuários. Requer um atendimento com resolutividade e responsabilização, orientando, quando for o caso, o paciente e a família em relação a outros serviços de saúde, para a continuidade da assistência, e estabelecendo articulações com esses serviços, para garantir a eficácia desses encaminhamentos. Uma postura acolhedora implica estar atento e poroso às diversidades cultural, racial e étnica.

Acolher com a intenção de resolver os problemas de saúde das pessoas que procuram uma unidade de saúde pressupõe que todas as pessoas que procuram a unidade, por demanda espontânea, deverão ser acolhidas por profissional da equipe técnica. O profissional deve escutar a queixa, os medos e as expectativas, identificar os riscos e a vulnerabilidade, acolhendo também a avaliação do próprio usuário, e se responsabilizar para dar uma resposta ao problema.




O acolhimento e as mudanças possíveis no trabalho da atenção e da produção de saúde
O acolhimento como dispositivo técnico-assistencial permite a reflexão e a mudança dos modos de operar a assistência, pois questiona as relações clínicas no trabalho em saúde, os modelos de atenção e gestão e as relações de acesso aos serviços. Na avaliação de risco e de vulnerabilidade, não podem ser desconsideradas as percepções do usuário (e de sua rede social) acerca do seu processo de adoecimento.

Avaliar os riscos e a vulnerabilidade implica estar atento tanto ao grau de sofrimento físico quanto psíquico, pois muitas vezes o usuário que chega andando, sem sinais visíveis de problemas físicos, mas muito angustiado, pode estar mais necessitado de atendimento e com maior grau de risco e vulnerabilidade do que outros pacientes aparentemente mais necessitados.

É importante acentuar que o conceito de acolhimento se concretiza no cotidiano das práticas de saúde por meio da escuta qualificada e da capacidade de pactuação entre a demanda do usuário e a possibilidade de resposta do serviço.
Algumas maneiras de ReALIZAR O ACOLHIMENTO
• Seleção de equipes multiprofissionais para mapear o fluxo dos usuários na unidade.

• Levantamento e análise, pelas equipes, dos processos de organização dos serviços nas unidades e dos principais problemas enfrentados no serviço.

• Organização de rodas de conversas com objetivo de pactuar a análise e a produção de estratégias conjuntas para enfrentamento dos problemas.

No decorrer do processo, ampliar as participações nas rodas dos diferentes segmentos da unidade.

• Identificar, entre os profissionais, os sensibilizados com a proposta.

• Articular parcerias com a rede de saúde para pactuar dos as resolutividades da atenção.


Referências bibliográficas:


BENEVIDES, R.; PASSOS, E. Humanização na saúde: um novomodismo? Interface – Comunicação, Saúde, Educação, São Paulo,v. 9, n. 17, p. 389-394, 2005.

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______. Ministério da Saúde. Política Nacional de Humanização(PNH): Humaniza SUS - Documento-Base. 3. ed. Brasília, 2006.

CAMPOS, G. W. S. Saúde Paidéia. São Paulo: Hucitec, 2003.


FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário Aurélio. Rio de Janeiro: NovaFronteira, 1975. p. 27.

FRANCO, T. B.; BUENO, W. S.; MERHY, E. E. O acolhimento e os processo de trabalho em saúde: o caso Betim-MG. Cadernos de



Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 15, n. 2, abr./jun., 1999.

FRANCO, T.; PANIZZI. M.; FOSCHIREA. M. O Acolher Chapecó e a mudança do processo de trabalho na rede básica de saúde.


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