Aconselhamento psicológico centrado na pessoa



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Aceitar manter-se no momento presente, centrado na vivência da problemática que emerge com sua ansiedade e força particulares no próprio momento de pedido de ajuda, acompanhando a variação da percepção de si e das circunstâncias pela direção que a clarificação a levar — eis a disponibilidade do psicólogo-conselheiro, que possibilita o atendimento em plantão psicológico. Assim, num horizonte novo, retomo as palavras do início deste capítulo: “Pelo conjunto destas características, plantão psicológico parece um desafio. E é!”.
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7 - Palavras sobre ética
Rachel Lea Rosenberg
Em toda a área de saúde mental, questionam-se hoje os objetivos e os efeitos verdadeiros do atendimento institucional. Trata-se de definir, para além dos limites explícitos, a quem, ou ao que, interessam os procedimentos que são oferecidos ao público para seu bem-estar. A uma análise cuidadosa, muitos fatos se revelam servindo antes à manutenção da própria instituição do que aos seus usuários. De maneira clara ou sutil, o atendimento psicológico se presta à discriminação, à valorização do profissional ou à força social predominante. Não nos referimos apenas ao uso indevido do poder outorgado pela sociedade e pelos diplomas, mas também à prática ingênua e muitas vezes bem intencionada do profissional competente. Desejamos aqui refletir sobre algumas implicações — ou, se preferirem, efeitos colaterais — de condutas do psicólogo na instituição ou no consultório. Para tanto, consideremos alguns exemplos do trabalho quotidiano. Nele, encontramos que facilmente se rotula o assustado como neurótico, o introspectivo como esquizóide, o criativo como desajustado, a mulher firme como masculina, a criança curiosa como hiperativa.
Cada indivíduo assim classificado se verá diminuído em sua credibilidade e em seus direitos. O aspecto aqui assinalado é o do efeito no cliente é no profissional. Este, ao usar conhecimentos para assim marcar o cliente, se verá com seu poder preservado enquanto autoridade constituída. £ o direito de definir, curar, impor, corrigir, tolher ou excluir aquilo que difere das condutas e idéias aceitáveis, ou a
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elas se opõe. O que é aceitável, no entanto, tem o caráter relativo de normas sociais que a família, a escola e outros interesses específ icos definem como tal, segundo sua ótica particular.
Se o profissional de saúde tem em mente para cada indivíduo a sua auto-realização pessoal, a possibilidade de seu desenvolvimento social, o crescimento pleno do seu potencial construtivo, e quiser buscar um caminho na ética, deverá estar atento a numerosas ciladas que lhe oferecem desde certos planos administrativos corruptos (mas bem apresentados), até esquemas teóricos atraentes (mas desligados do contexto).
Trazendo para o concreto este tipo de preocupação, citaremos alguns casos, simples e freqüentes, de momentos em que o psicólogo se questionaria quanto a seu papel, e em que convidamos o leitor a refletir sobre sua própria reação.
Mãe ou filha? No consultório, a mãe de uma adolescente vem pedir ajuda por causa da filha que não a respeita, se isola no quarto, prefere as amigas à família.
O diretor ou os empregados? No setor de relações humanas da empresa, o diretor chama o psicólogo para que realize um atendimento, individual ou em grupo, de certos funcionários problemáticos, com a finalidade de dissuadi-los de suas constantes reivindicações, de suas pichações nos elevadores e outros atos vandálicos.
Mulher ou marido? A cliente do serviço psiquiátrico hospitalar insiste em que seu marido seja orientado a lhe lar direitos e liberdade.
Atuno ou professor? O professor, na escola, pede medidas punitivas para o aluno que não presta atenção às aulas e contesta o que lhe ensinam...
Em cada um destes casos, o profissional deverá antes realizar uma avaliação do melhor caminho a seguir, que aceítar docilmente as sugestões de seus clientes, O psicólogo, ainda que apenas mentalmente, pode tender a concordar com a mãe aflita, o diretor preocupado, a esposa subjugada e o professor irritado e se inclinar a aceder a seus pedidos, visualizando uma adolescente “rebelde”, funcionários “desajustados”, um marido “machista” e um aluno “problemático”. Seu prévio julgamento poderá levá-lo a contribuir, ingenuamente, para manter ou exacerbar a restrição da autonomia e da expressividade pessoal daqueles indivíduos apontados como “errados” por seus superiores em idade, cargo, conhecimento, e até sexa. Mas nos casos citados, o psicólogo poderá estar aberto também ao reconhecimento
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de que seus consulentes talvez estejam despreparados para lidar com necessidades legítimas de uma jovem em processo de individuação, de trabalhadores empenhados em melhorar sua condição, do homem complementaK10 o papel dependente da esposa, do escolar carente de apoio ou estimulação. Isto significa, sobretudo, que não utilizará esquemas prontos, sem uma cuidadosa consideração da situação como um todo, dos indivíduos na relação. Nos casos em questão, a intervenção do conselheiro é buscada em situações interpessoais onde uma das partes deseja a mudança da outra quanto ao seu papel — de filha, empregado, marido, aluno, categorias que só existem na medida em que têm sua contrapartida nos pais, patrões, esposas e professores. . . A ajuda ética e efetiva será possível se o conselheiro se mantiver externo ao sistema de poder em jogo, não se constituindo em instrumento de coação de um lado ou outro do conjunto bipolar.
Em outras situações, a correspondência complementar não é tão óbvia ou concreta. Mas mantém-se viva a tentação de definir o certo e o errado a partir de um estreito ponto de vista teórico, religioso ou cultural, interesseiro ou preconceituoso.
A neutralidade do profissional de ajuda tem perturbado, com razão, os teóricos das mais diversas linhas. Relutando em confundir-se com missionários ou figuras autoritárias, os psicólogos conselheiros têm buscado refúgio em tecnologias ou omissões nem sempre suficientes para assegurar a isenção do fator persuasivo. A possibilidade de o profissional exercer uma influência indevida sobre seu cliente, transmitindo-lhe valores pessoais, tem sido alvo de muitas precauções, em diversas formas.
De fato, os adeptos da psicanálise preocuparam-se com os efeitos negativos da contratransferência, e os seguidores da linha comporta- mental denunciaram a influência indesejável de fatores pessoais no atendimento. Isto levava uns e outros a propor, aos psicoterapeutas e conselheiros, caminhos “saneadores” para o seu autoconhecimento ou autocontrole. Também em outras abordagens, a questão da interferência dos valores pessoais do conselheiro recebia atenção considerável, por razões éticas e práticas. O modelo fenomenológico de Rogers centrava a valorização no quadro de vivências do cliente e propunha ao psicólogo ou psicoterapeutas deixar seu próprio mundo de juízos de lado, suspenso entre parênteses, no contexto da relação de ajuda. Por sua vez, os existencialistas salientaram a responsabilidade do indivíduo por todos seus atos e escolhas e começaram a ressaltar a importância do encontro profundo e verdadeiro na relação terapêutica.
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Nesta questão, como em tantas outras, a experiência vivida, pessoal, originava o questionamento teórico, que o mundo acadêmico era o último a assimilar.
Sabe-se hoje que um processo de dilema e crescimento na pessoa pode ser beneficiado numa relação pessoal que se constitua num campo aberto à descoberta, à criatividade, à experiência. A presença do outro não poderá ser anulada, por neutralidade ou anonimato, pois suas reações serão percebidas na sensibilidade do cliente, mesmo que não explicitamente. Tampouco deverá esta presença de qualquer maneira desrespeitar a liberdade, ou o “espaço” que pertence de fato ao cliente. Assim, o delicado equilíbrio se coloca no profissional que está presente com sua disponibilidade e que, sem desejar conduzir ou mesmo julgar o seu interlocutor, é capaz de ouvi-lo e responder-lhe, tendo por critério sua busca de uma realização mais autêntica e, portanto, mais plena. Tal critério, de atualização e verdade, difere muito de objetivos como “felicidade”, “ajustamento”, “acomodação”, “normalidade”. Todos estes pressupõem, enquanto meta, a definição prévia do que o indivíduo deve buscar e isto pode desviá-lo de sua busca real. Se o psicólogo encara um problema do cliente como algo “a resolver”, tenderá a pensar e decidir por ele, em vez de acompanhá-lo em sua própria caminhada. Verifica-se, na verdade, que esta busca pessoalmente empreendida, a partir de necessidades daquele momento do indivíduo, traz alternativas mais satisfatórias para ele do que a solução comodista e lógica (vinda de fora) para qualquer problema.
Embora esta discussão esteja longe de uma resolução, cremo-la hoje mais claramente reconhecida, o que decorre em grande parte da atual concordância do profissional de ajuda em ser antes confrontado como um igual, que seguido como autoridade do saber. Na medida em que tendemos a depreciar o que desconhecemos, é fundamental a quem pretenda se dedicar à ajuda psicológica a maior abertura possível às mais variadas formas culturais, existenciais, filosóficas de vida. A literatura, o contato pessoal, o autoconhecimento, a experiência; são estas algumas fontes de tais aberturas. Trata-se menos de conhecer previamente aquela vivência trazida pelo cliente, do que de uma abertura à unicidade, à variedade, da vivência do outro. Se posso admitir sem medo a experiência de outra pessoa como diferente da minha, posso aceitar a entendê-la e, junto dela então, ajudar a integrá-la no seu eu. Neste sentido, o poder não é mais exercido senão sobre minha própria experiência e sobre o desenvolvi-
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mento de minha própria plenitude — que é, justamente, o que terei presente e disponível junto às pessoas em busca de ajuda. Poderei ouvi-las, quando me dizem:
“A vida me confunde”

“Os outros me assustam”

“Não sei quem realmente sou”

“Se ele fosse diferente”

“Se ela me compreendesse”
sem precisar mudá-las, sem querer afastar-me.
A conduta ética e condizente do psicólogo conselheiro é, mais uma vez, vista como resultante de sua postura pessoal básica e, além disto, como decorrência de uma reflexão informada sobre os seres humanos e seus modos de interagir.
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Carl R. Rogers

UM JEITO DE SER


167 p., formato 14 x 21 cm, ISBN 85-12-60250-3
Com o dom de sua linguagem fluente, simples e poderosa, Rogers desenha neste novo livro um panorama de suas teorias, propostas e reflexões, integrando suas idéias, depoimentos e vivências num todo em que o agir e o pensar são também um modo de ser. Expõe os fundamentos da abordagem centrada na pessoa e as suas aprendizagens experiências com o envelhecimento. Apresenta pessoas anônimas que se sentiram crescer e os desafios maiores que nos confrontam. Fala-nos de suas descobertas com grupos grandes e do filão de sabedoria que deles emerge quando acreditamos no ser humano.
Desde que encontre condições adequadas para sua realização plena, o ser humano tende a buscar caminhos de aprimoramento e colaboração favoráveis à sua evolução pessoal e social. Assim, Rogers contrapõe-se às relações autoritárias de poder na família, na escola e na sociedade, ao status quo enfim, mas não oferece como alternativa a ação revolucionária. O que Rogers propõe não é apenas um modelo diferente de solução às crises que assolam o planeta e suas instituições, mas sim uma mudança no enfoque aos dilemas individuais e sociais, um paradigma que inclua a compreensão da pessoa e do existir a partir da confiança.
Rogers é com freqüência denunciada como conformista, subversivo, liberal, anarquista, utópico, manipulador, sentimental, ingênuo. O caráter controvertido dessas acusações deve alertar o leitor para o seu encontro, ou reencontro, com este autor mundialmente famoso e influente nos campos da educação, da psicoterapia e das relações humanas em geral. O que parece tão ameaçador nas suas idéias, e ao mesmo tempo tão atraente ao leigo e ao profissional, é a sua proposta de que podemos confiar no ser humano e na sua capacidade de autodireção sábia.
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Paul Watzlawick
SEMPRE PODE PIORAR OU A ARTE DE SER (IN)FELIZ
112 p., formato 14 x 21 cm, ISBN 85-12-60350-X
Com fina ironia e muito humor, o famoso psicólogo Paul Watzlawick oferece uma verdadeira galeria de infelicidades “construídas e subjetivas”.
Todo mundo pode ser infeliz. Mas se tornar infeliz requer um aprendizado: um pouco de experiência, somada a alguns momentos pessoais de desgraça, uma boa técnica e pronto! Parece que é grande o número de pessoas com talento suficiente para criar seu próprio inferno.
Se você enxerga o passado através de um filtro cor-de-rosa que faz com que qualquer época anterior de sua vida apareça como um Paraíso Perdido;
se depois de livrar-se de um relacionamento amoroso insatisfatório, você encontra outro parceiro exatamente igual ao anterior,
REAJA. Não queira ser seu próprio pior inimigo!
Como dizia Dostoiévski, às vezes “o homem é infeliz porque não sabe que é feliz. Só por isto... “.
E.P.U – Editora Pedagógica e Universitária LTDA.
Praça D José Gaspar, 106— 3 sblj. n° 15 — 01047 São Paulo S.R Tal.: 269-9222 — Caixa Postal 7509 — 01051 São Paulo 59. Brasil
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Hili, Norman C.
COMO MELHORAR O DESEMPENHO DOS EMPREGADOS
160 p., formato 14 x 21 cm, ISBN 85-12-66030-9
Como tornar os colaboradores, os empregados ou os funcionários, pessoas mais produtivas.
• Um livro para os executivos!
• Um livro para os funcionários!
Este livro é basicamente um manual de mudanças. Descreve processos importantes no esforço para mudar: como orientar e aconselhar, como avaliar e desenvolver potencialidades para obter êxito na profissão e como melhorar o comportamento de. grupos de trabalho e de organização. Podemos aprimorar nossa competência — capacidade de executar nossas tarefas — e a competência dos outros se possuirmos know-how e estivermos dispostos e utilizá-lo.
Hersey, Paul e Blanchard, Kenneth H.
PSICOLOGIA PARA A VIDA FAMILIAR
Uma abordagem situacional
208 p., formato 14 x 21 cm,ISBN 85-12-61380-7
Oferece aos pais um referencial que pode ajudá-los a compreender e encontrar soluções práticas para os milhares de problemas com que se defrontam diariamente na educação de seus filhos.
O objetivo de Psicologia para a vida familiar é contribuir para a formação de filhos independentes e automotivados, capazes de assumir a responsabilidade de suas próprias vidas. Escrito especificamente para a família, auxiliará os pais a serem mais eficazes na importante tarefa de interagir com os filhos de maneira bem-sucedida. Propõe meios destinados a desenvolver alternativas para as tradicionais tarefas de planejar, organizar, controlar e motivar a vida dos filhos.
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Prank, Sue P.
TEMPO DE TENTAÇÃO
Uma antologia amorosa
208 p., formato 14 x 21 cm,ISBN 85-12-00310-3
Tomando como ponto de partida um amor infeliz, Sue P. Prank reine uma coleção de máximas clássicas de todos os tempos e reflexiona sobre a vida e a morte, o amor e o destino, a felicidade e a dor. Reflete também sobre o otimismo e a esperança, porque, embora o passado, cruel às vezes, seja imutável, o futuro nos pertence, e cada um de nós, como outra ave Fénix, pode renascer das cinzas para construir uma nova vida.
Cada página do livro é um pequeno ensaio que nos traz ressonâncias dos poetas e reminiscências dos filósofos, numa bela síntese de fundo e forma.
Todos os lemas e poemas, reproduzidos no idioma em que foram escritos (alemão, francês, espanhol, latim, grego etc.), foram traduzidos numa versão literal feita diretamente sobre os textos originais.
Uma obra primorosamente produzida, quase um livro de arte!
E.P.U – Editora Pedagógica e Universitária LTDA.
Praça D José Gaspar, 106— 3 sblj. n° 15 — 01047 São Paulo S.R Tal.: 269-9222 — Caixa Postal 7509 — 01051 São Paulo 59. Brasil


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