Acústica de salas de concerto



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G Observações Gerais


Como sugestão para melhorar a precisão dos atributos RT, Gmid e LFE4 e, conseqüentemente a predição de SP, deve-se corrigir os valores desses parâmetros a partir da equação de correlação entre valores experimentais de RT, Gmid e LFE4 da base de dados de [2] e valores calculados de RT, Gmid e LFE4 conforme os modelos de cálculo simplificados apresentados podem neste trabalho. Nos atributos acústicos cujos resultados são uma média espacial, além da média em um certo grupo de freqüências centrais de bandas de oitava, tal média deve ser calculada a partir de uma amostra, de no mínimo 24, pontos na audiência.

VII. ASPECTOS DA ARQUITETURA DAS SALAS DE CONCERTO INFLUENTES NOS SEIS ATRIBUTOS ACÚSTICOS BÁSICOS PARA PREDIÇÃO DA SP


Para Reverberação é necessário que o tratamento acústico distribua e determine a quantidade ótima de absorção sonora através de materiais e sistemas construtivos especiais para absorção sonora de forma a ajustar especificação de materiais de revestimento / acabamento interno às questões acústicas.

Para Calidez , a partir do ajuste do RTlow e do RTmid , o ajuste do BR vem naturalmente. O valor de BR aliado ao valor de Glow determinam, juntos, a percepção de presença forte dos sons graves. Para se evitar problemas causados pela falta e percepção nos baixos é conveniente: (a) evitar o uso de madeira com espessura inferior a 2,5 cm, sendo preferível acima de 3,8 cm, nas paredes laterais, no teto, limitando-se ao uso estritamente necessário deste material; (b) use camada de gesso com espessura acima e 2,5 cm, alvenaria de bloco de concreto pintada nas paredes laterais. Se a aparência de madeira é desejada, aplicar papel de parede direta sobre o gesso; (c) selecione poltronas que não absorva excessivamente nos baixos; (d) em ambientes mais vivos com baixa capacidade de absorção nas baixas freqüências, pode ser necessário introduzir sistemas especiais de absorção sonora nos graves para conter um excesso de energia sonora nas baixas freqüências.

Para Audibilidade, deve-se determinar o valor preferencial de G mid e RT para, então, definir sua audiência e conseqüentemente o volume da sala. É importante enfatizar que a audiência deve ser definida somente a partir de G mid.

Para Espaciosidade acústica, existem hoje quatro tipos de soluções disponíveis incrementar a percepção deste atributo pela audiência: (a) estreitar as paredes laterais mantendo a forma retangular do recinto; (b) construir grandes painéis refletores a partir das paredes laterais, para reflexão da energia sonora inicial em diversas partes da audiência; (c) explorar, caso seja viável, o uso de balcões laterais, cujos frontões possam difundir energia sonora inicial na audiência; (d) utilizar elementos/painéis refletores sobre a audiência aumentando a quantidade de energia sonora inicial que chega à audiência por cima desta, evitando excessiva ou baixa densidade destes painéis para que o efeito desejado seja atingido.

Para prover um bom Envolvimento, a regra, do ponto de vista da arquitetura, consiste em criar irregularidades em tantas superfícies quantas for possível, aumentando o coeficiente de difusividade das mesmas, assim como evitar áreas de focalização sonora dentro da sala. É conveniente evitar balcões profundos e incorporar ao teto, paredes laterais e frontões dos balcões o máximo de irregularidades. No projeto em questão seria conveniente distribuir o balcão pelas paredes laterais reduzindo a profundidade do balcão do fundo da sala e criando nova área de balcão de pequena profundidade.

Para Intimidade, é importante fazer com que o valor de t1 atinja, pelo menos, a ordem de grandeza de 20 ms que pode ser obtido locando as fontes sonoras naturais mais próximas da boca de cena, ou tornando a sala um pouco mais estreita.

Atenção deve ser dada ao desenho do palco. Evitar palco muito largo é aconselhável, evitando que os músicos ouçam em tempos diferenciados os diferentes setores da orquestra mais próximos e mais afastados de si, prejudicando na coesão. Neste caso o regente terá mais dificuldade de alcançar um bom conjunto da orquestra. Palco muito profundo também deve ser evitado de forma a evitar que o os ouvintes na audiência percebam diferenças temporais entre os instrumentos mais ao fundo em relação aos mais frontais no palco. Uma área da ordem de 205 m2 é considerada um valor ótimo, com 16,8 m de largura e 12,2 m de profundidade. As envoltórias do palco devem apresentar superfícies refletoras, sendo conveniente incluir a presença de difusores acústicos para auxiliar na mistura da energia sonora no palco, proporcionando a projeção da energia sonora para audiência. Também é necessária a presença de painéis superiores acima dos músicos, em certos casos, para proporcionar um melhor espalhamento da energia sonora entre os mesmos, assim como para auxiliar na projeção da energia sonora em direção à audiência [2].

No caso de salas de uso múltiplo, o volume de abrigo do palco também abriga os urdimentos de cenário. Se as superfícies internas deste volume adicional forem absorvedoras, uma grande parcela de energia acústica será absorvida, contribuindo para a diminuição da eficiência acústica da fonte sonora, principalmente quando esta se localizar exatamente abaixo dessa cavidade superior. Se tais superfícies passarem a ser mais reflexivas, esse volume extra irá proporcionar maior vividez à sala (aumento do tempo de reverberação nas médias e altas freqüências), e eliminar a dureza de textura da sala quando esta possui as envoltórias mais reflexivas. Porém, deve-se incorporar a este volume de palco painéis móveis com articulações fixadas nas paredes, para serem rebaixados acima dos músicos para lhes prover reflexões sonoras iniciais, melhorando as condições de balanço entre as seções da orquestra, por exemplo. A presença de cenários armazenados neste volume sobre o palco pode contribuir para tornar um ambiente muito seco, sendo conveniente poder isolá-lo do nível do palco através de uma estrutura de vedação da qual possam surgir os painéis refletores sobre o palco [2].


VIII. CONCLUSÃO

O presente trabalho procurou fazer uma síntese de termos descritores do ambiente acústico de salas de concerto a partir dos quais se originou atributos acústicos e respectivos parâmetros de quantificação que constituem em indicadores, critérios ou índices para avaliação da qualidade em acústica de sala de concerto para adequação acústica dos ambientes e conseqüente conforto acústico nos mesmos. A partir daí foi possível rever a teoria de predição da preferência subjetiva da qualidade acústica de salas de concerto, destacando seis atributos acústicos que devem ser quantificados no processo de avaliação de desempenho acústico de ambientes destinados a sediar eventos sinfônicos.

Especialmente para os atributos Gmid e LFE4 foram propostas equações simplificadas de estimativa de seus valores que, usualmente só eram possíveis de serem quantificados a partir de medições acústicas, em escala real ou reduzida, ou a partir de simulação computacional.

Espera-se que o resultado deste trabalho venha estimular a quantificação de SP em atividades de estudo e principalmente de novos projetos ou reformas de salas de concerto e ambientes correlatos.

Convém ressaltar, mais uma vez que o esforço de apresentar procedimentos simplificados de avaliação da acústica de salas de concerto não deve ser considerada como uma desvalorização da atividade experimental e mesmo teórica de desenvolvimento de rotinas de cálculo mais sofisticadas e precisas que são a base de programas computacionais para acústica de salas. Ambas são imprescindíveis ao avanço do conhecimento científico. O que está sendo proposto, no entanto, é tornar o conhecimento mais acessível aos estudantes e profissionais das áreas de arquitetura e engenheira, sendo a própria sociedade a maior beneficiada nesse processo.

Em breve o autor estará desenvolvendo no LABCON as sugestões apresentadas no sub-item G do item V, para avanço do estágio em que se encontra seu trabalho através da verificação da validade das equações de Gmid e LFE4 aqui propostas.


AGRADECIMENTOS
O autor agradece à comissão organizadora do 1o SEMEA pelo convite de participar desse promissor evento como palestrante. O autor também agradece a pessoa do Prof. Samir Niagi Yousri Gerges, do Laboratório de Acústica e Vibrações – LVA, no Centro Tecnológico da Universidade Federal de Santa Catarina – CTC / UFSC, através do qual teve à bibliografia principal que deu base a este trabalho.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
[1] BERANEK, Leo L. Music, Acoustic & Architecture. New York, John Wiley & Sons,1962.

[2] BERANEK, Leo L. How they sound concert and opera hall . New York, Acoustical Society of America, 1996.

[3] FERREIRA, Aurélio B. de Holanda. Novo Aurélio Século XXI: o dicionário da língua portuguesa. 3a. ed. – Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999.

[4] EGAN, M. David. Architectural Acoustics. New York, McGraw-Hill, 1988, 200p.

[5] CAVANAUGH, William J.;WILKES, Joseph A. Architectural acoustics: principles and practice. New York, John Wiley & Sons, 1999.

[6] ANDO, Y. Concert Hall Acoustics (Springer-Verlag, Berlin), 1985.

[7] GERGES, Samir N.Y. Ruido: fundamentos e Controle. Florianópolis, S.N.Y.Gerges, 1992. cap. 1, 7 e 8.

[8] REYNOLDS, Douglas D. Engineering principles of acoustics : noise and vibration control. Allyn & Bacon inc. Boston, 1981.



1 Entende-se por produção desde a composição ou obra sinfônica assim como o ato de gerar os sons mediante a regência do maestro. Ambas as formas de produção são influenciadas pela arquitetura.

2 O som inicial é definido como o som direto mais as primeiras reflexões de 0 a 80 mseg. Já o som reverberante é criado pelas reflexões que ocorrem após 80 mseg.


3 Este tipo de campo acústico pode ser gerado numa câmara reverberante.

4 Isto é válido para salas com ocupação igual ou superior a 1500 pessoas.

5 Nas médias freqüências, considerando o valor médio entre 500Hz e 1 kHz.

6 Por facilidade de se fazer medições acústicas nem ambientes vazios.
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