Administração Financeira MÓdulo 2: Objetivos do administrador financeiro



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Administração Financeira
MÓDULO 2: Objetivos do administrador financeiro
Com os rudimentos de informação reunidos até aqui, já pudemos observar que as funções do administrador financeiro de uma organização estão reunidas em algumas atividades básicas, quais sejam:


  • Análise e planejamento de todas as informações de cunho financeiro que possam se relacionar, direta ou indiretamente, com as operações da organização e mesmo com a expansão do negócio frente às oportunidades e mesmo com as ameaças derivadas ao ambiente externo, isto é, do macroambiente e, sobretudo, do ambiente setorial, no processo de administração estratégica do empreendimento, conforme sintetizado na Fig. 1.4 – Administração Estratégica, com destaque para a necessidade de análise dos recursos de que dispõe a organização;




  • Administração da estrutura dos ativos da empresa e de que forma tais ativos implicam obtenção de recursos financeiros para a sua aquisição e operacionalização, coerentemente com as possibilidades de geração de caixa destes ativos;




  • Administração da estrutura financeira da empresa, aí entendidos os aspectos relacionados com a composição mais adequada de financiamento a curto, médio e longo prazos, dadas as suas implicações com a liquidez e rentabilidade do negócio, e também na própria determinação das melhores fontes de financiamento a curto, médio e longo prazos para suprimento das necessidades de capital de giro e recursos financeiros destinados à composição do ativo fixo da empresa.



Administração Estratégica
Estas funções são desempenhadas com um primordial objetivo: a maximização do patrimônio líquido da organização.
Isto significa a ampliação da riqueza dos proprietários do empreendimento. Este é o fundamento de todos aqueles que investem seu capital em um empreendimento considerado de risco. Risco porque envolve a possibilidade de perda total ou parcial desses recursos. Assim, o risco é inerente a todos os empreendimentos e aplicações, podendo ser eficientemente avaliado, calculado, suportado ou mesmo eliminado, com base nas condições do macroambiente e ambiente setorial e, sobretudo, nas competências e habilidades desenvolvidas e aplicadas pelos gestores do empreendimento no planejamento, operacionalização, controle e condução do negócio. Neste sentido, é preciso considerar, neste estágio de nossa digressão, o que significa a maximização do patrimônio líquido do negócio ou a ampliação da riqueza dos seus donos. Em outras palavras, quanto vale o negócio? Existem várias formas para a medição do valor de um empreendimento. Vão desde o valor dos ativos, o valor da marca, o valor do patrimônio líquido e outros ativos tangíveis (ativo permanente) e intangíveis (marcas e patentes, licenças de produção etc.). Mas o que melhor reflete o valor de um empreendimento é a capacidade de geração de caixa deste empreendimento. Ou seja, a capacidade de gerar lucros, mediante o uso de seus ativos, o emprego de determinada tecnologia, sua competência gerencial e o seu próprio conceito junto a fornecedores, clientes e credores em geral. É sobre tais aspectos que deve se concentrar a atuação dos gestores do empreendimento, porque daí deriva o valor do negócio.
Maximização da riqueza dos acionistas não significa necessariamente maximização dos lucros. Enquanto este aspecto resulta de ações imediatas, por vezes inconstantes e esporádicas e de curto efeito no tempo, a maximização do valor das ações ou cotas dos acionistas ou proprietários é fruto de uma perspectiva de longo prazo, com investimentos que visem, além de outros aspectos, à perpetuidade do empreendimento. Também é preciso atentar para o valor do dinheiro no tempo, que implica uma análise de valor presente líquido dos retornos anuais esperados para o negócio, descontados a uma determinada taxa de atratividade para os investimentos que serão cotejados com outras aplicações financeiras. Em se tratando de uma empresa que possui ações no mercado de capitais, a valorização destas ações também é de extrema importância para a fundamentação da maximização da riqueza do acionista, bem como os dividendos proporcionados por esta fração do capital. Neste particular aspecto, a periodicidade dos recebimentos de dividendos pode ser um interessante apelo para a atração de investidores. Dentre eles, aqueles que preferem receber dividendos de uma forma regular, independentemente das flutuações dos lucros. Desta forma, a empresa estará minimizando os efeitos negativos que possam afetar as cotações das ações. Além disso, há que se considerar a relação entre risco e retorno do investimento. Sabidamente, quanto maior o risco, maior a exigência de retorno do investimento por aqueles que irão disponibilizar os recursos.

A interação da Administração Financeira com outras áreas do conhecimento
Feita esta distinção, vejamos de que maneira a função da administração financeira se relaciona com outras áreas do conhecimento. Esta relação se dá principalmente no âmbito da Economia e da Contabilidade.
A administração financeira se vale dos conceitos compreendidos tanto na macroeconomia quanto na microeconomia. São dois ramos teóricos da mesma ciência. A microeconomia estuda o comportamento dos consumidores e, por outro lado, certos aspectos relacionados ao funcionamento das empresas, no tocante a custos e produção de bens e serviços e, também, a receita e fatores produtivos. As teorias microeconômicas fornecem a base para a operação efi ciente da empresa, sobre a qual se assentam os estudos e conceitos da administração em suas várias funções empresariais. Os conceitos envolvidos nas relações de oferta e demanda e as estratégias de maximização do lucro são extraídas da teoria microeconômica. Questões relativas à composição de fatores produtivos, níveis ‘ótimos’ de vendas e estratégias de determinação de preço do produto são todas afetadas por teorias no nível microeconômico e, por isto, constituem um campo especial de atuação do administrador financeiro. A macroeconomia compreende o estudo dos agregados - a produção ou renda nacional, o consumo, o emprego, a moeda, o nível de preços, o comércio internacional. Estes são, pois, aspectos amplos e globais da realidade econômica, abordados de forma “macroscópica”. Esta mudança de enfoque – do micro para o macro – requer boa dose de abstração. Antes, no enfoque “microscópico”, podíamos observar de perto nossa participação na realidade econômica do país, ganhando e gastando, e economizando sempre que possível. Agora, ao tratarmos dos agregados, abordando aspectos como o custo de vida em contínua, imperceptível – até certo ponto – e persistente ascensão, o nível de emprego em volume inferior às necessidades, sentir-nos-emos alheios à própria evolução dos fatos, porque, aparentemente, as coisas fogem completamente do nosso controle pessoal. Vê-se, portanto, que a dúvida se deslocará de uma visão individualizada para uma visão da economia como um todo, na mudança de uma abordagem microeconômica para uma abordagem macroeconômica. Ambos os ramos teóricos são importantes para o administrador financeiro, dadas as implicações sobre sua atividade e seus objetivos em geral.
Em relação à Contabilidade, a administração financeira dela se utiliza para uma visão acurada da posição financeira da organização. O contador, utilizando certos princípios padronizados e geralmente aceitos, prepara as demonstrações financeiras com base na premissa de que as receitas devem ser reconhecidas por ocasião das vendas. Por sua vez, as despesas devem ser reconhecidas quando incorridas, isto é, na sua geração. Este método é geralmente chamado de regime de competência dos exercícios contábeis. Por este método, o valor da venda comprovado por uma nota fiscal de venda emitida hoje, que será recebido no mês seguinte, deve ser registrado já neste mês. Por seu turno, uma despesa comprovada por uma determinada nota fiscal de fornecimento ou prestação de serviço com data de hoje deve ser assumida hoje, independentemente de ter seu pagamento realizado, por exemplo, daqui a um mês. Mas, para o administrador financeiro, sua tarefa consiste em proporcionar os fluxos de caixa necessários para atingir as metas da empresa. Sua preocupação se relaciona à solvência da empresa, ou seja, à capacidade da empresa de gerar receita e efetuar pagamentos por conta de custos e despesas, investimentos e outros que tais. Assim sendo, ao invés de reconhecer receitas no ponto de vendas e despesas, quando incorridas, reconhece receitas e despesas somente com respeito a entradas e saídas de caixa.
Observa-se, portanto, que a partir dos registros contábeis são elaboradas as demonstrações financeiras, que irão proporcionar ao administrador financeiro uma avaliação, o desenvolvimento de dados adicionais e posteriores decisões com base em análises subseqüentes, com vistas ao equilíbrio entre as entradas e saídas de recursos e, sobretudo, com vistas à maximização do valor do empreendimento, conforme já visto.

Bibliografia
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LEITE, Helio de Paula – Introdução à Administração Financeira. São Paulo: Atlas, 1994.
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