AdministraçÃo geral sumário



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Vantagens da burocracia

Weber viu razões para explicar o avanço da burocracia sobre as outras formas de associação.

As vantagens da burocracia, para Weber, são:



1. Racionalidade em relação ao alcance dos objetivos da organização;

2. Precisão na definição do cargo e na operação, pelo conhecimento exato dos deveres;

3. Rapidez nas decisões, pois cada um conhece o que deve ser feito e por quem e as ordens e papéis tramitam através de canais preestabelecidos.
Disfunções (“defeitos”) da burocracia

1Internalização das regras e apego aos regulamentos - existe quando: cumprir as normas passa a ser mais importante que atingir os objetivos. A atividade-meio passa a ser o resultado a ser alcançado. O funcionário se torna um especialista em normas;

2 – Excesso de formalismo e papelório – a necessidade de documentar todas as comunicações conduz à tendência ao excesso de papelório;

3 – Resistência a mudanças – como tudo é padronizado e previsto com antecipação, o funcionário se acostuma a uma estabilidade, proporcionando-lhe segurança a respeito de seu trabalho. Qualquer mudança tende a ser interpretada como algo que desconhece, tornando-se indesejável.

4 – A base do processo decisorial – quem toma decisões é aquele que ocupa o posto hierárquico mais alto, mesmo que nada saiba sobre o tema. A “co-gestão” passa longe...

5 – Superconformidade às rotinas – com o tempo, as regras tendem a se tornar absolutas, sagradas, conduzindo a uma rigidez no comportamento do burocrata que restringe-se ao desempenho mínimo. Perde iniciativa, criatividade e inovação.

6 – Dificuldade no atendimento a clientes – todos os clientes são atendidos de forma padronizada, seguindo normas e rotinas internas, fazendo com que o público se irrite com a pouca atenção e o descaso. A burocracia fecha-se em si mesma.

Dica: As disfunções são muito cobradas em concursos. É importante que você lembre na hora da prova que não existe organização totalmente racional, que o homem não é totalmente previsível, que a burocracia gerou excesso de formalismo e papelório, gerou grande resistência às mudanças e conflitos com o público.



DIMENSÕES DA BUROCRACIA

Não há um único tipo de burocracia. Existem graus de burocratização, variando em um continuum que vai do excesso à escassez. O grau é determinado pelas dimensões da burocracia (divisão do trabalho, hierarquia etc...), conforme quadro abaixo:



Escassez de Burocratização Excesso de Burocratização


Seleção e promoção de pessoal


Apadrinhamento Excesso de

Exigências



Divisão do trabalho

Falta de especialização, Superespecialização

Bagunça, confusão Responsabilidade


Regras e regulamentos


Liberdade Ordem e

Excessiva disciplina

Ausência de Excesso de


Formalização das Comunicações
documentos papelório

Informalidade Formalismo



Impessoalidade
Ênfase nas Ênfase nos

pessoas cargos

Desordem Eficiência Rigidez

(Os graus da burocratização, retirada do livro do Prof. CHIAVENATO, Idalberto. Introdução à Teoria Geral da Administração).
CRÍTICAS

1- Indicada para situações que exigem pouca criatividade, rotineiras, pois devido à padronização das rotinas e à estrutura verticalizada, o funcionário dispõe de pouca liberdade;

2 - Aproxima-se do sistema fechado: na medida em que tenta eliminar a influência dos fatores extrínsecos, a burocracia tende a ser um sistema hermético, não os considerando;

3 - É uma teoria mecanicista, na medida em que considera a organização com um arranjo rígido e estatístico de peças, neglicenciando a organização informal.



SUMÁRIO

1 – A Teoria da Burocracia surgiu na Teoria Geral da Administração, por volta da década de 40, quando a Teoria Clássica e a Teoria das Relações Humanas lutavam entre si pela conquista de espaço na teoria administrativa e apresentavam sinais de obsolescência para sua época.

2 – Embora as origens da burocracia remontem à Antigüidade histórica, a burocracia, o capitalismo e a ciência moderna constituem três formas de racionalidade que surgiram a partir das mudanças religiosas (protestantismo). Dentre as três formas de dominação – a tradicional, a carismática e a burocrática -, esta última apresenta um aparato administrativo que corresponde à burocracia.

3 – O modelo burocrático de Max Weber foi estudado e analisado em todas as suas características, no sentido de se buscar a inspiração par uma nova teoria administrativa.

4 – O modelo weberiano oferece vantagens, já que o sucesso das burocracias em nossa sociedade se deve a inúmeras causas. Contudo, racionalidade burocrática, a omissão das pessoas que participam da organização e os dilemas da burocracia, apontados por Weber, constituem problemas que a burocracia não consegue resolver adequadamente.

5 – Merton definiu as disfunções do modelo burocrático weberiano e notou que, em vez da máxima eficiência, tais disfunções levam à ineficiência da organização.

6 – Selznick verificou a interação entre a burocracia e o seu ambiente, trazendo à tona a burocracia como um sistema em transações ambientais.

7 – Igualmente, Goudner verificou graus de burocratização nas organizações. Assim, o modelo proposto por Weber é um modelo ideal de burocracia e não o modelo absoluto.

8 – Uma apreciação crítica da burocracia leva-nos à conclusão de que, apesar de todas as suas limitações e restrições, a burocracia é uma das melhores alternativas de organização, provavelmente muito superior a várias outras alternativas tentadas no decorrer do século XX.
Dica: Comparando o que estudamos até agora, percebemos que Taylor procurava meios e métodos científicos para realizar o trabalho, e sua maior contribuição foi para a gerência; Fayol teve sua maior contribuição para a direção e Weber teve sua maior contribuição para a organização como um todo. Vemos que, todos os três se preocupavam com os componentes estruturais da organização.
Dica: Palavras-chaves importantes sobre o Modelo Burocrático: Max Weber, ênfase na estrutura, burocracia = organização por excelência, homem como ocupante de um cargo, rotinas e procedimentos, previsibilidade, hierarquização da autoridade.


4.2. Teoria Estruturalista

Já sabemos, então, que a Teoria das Relações Humanas tentou introduzir o comportamento na teoria administrativa, por meio de uma filosofia humanística a respeito da participação do homem na organização. Entretanto, se de um lado combateu a Teoria Clássica, por outro não proporcionou bases adequadas de uma nova teoria que a pudesse substituir, e a Teoria da Burocracia não teve condições de ultrapassar esse impasse.

A Teoria estruturalista representa um desdobramento da Teoria da Burocracia e uma leve aproximação à Teoria das Relações Humanas. Representa uma visão crítica da organização formal.


A Sociedade de Organizações
O estruturalismo ampliou o estudo das interações entre os grupos sociais para o das interações entre as organizações sociais. Da mesma forma como os grupos sociais interagem entre si, também interagem sobre si as organizações.
Etizioni visualiza uma revolução da organização com novas formas sociais que emergem, enquanto as antigas modificam suas formas e alteram suas funções adquirindo novos significados. Essa evolução traz uma variedade de organizações, das quais a sociedade passa a depender mais intensamente.
As organizações constituem a forma dominante de instituição da moderna sociedade: são a manifestação de uma sociedade altamente especializada e interdependente que se caracteriza por um crescente padrão de vida. Cada organização é limitada por recursos escassos e por isso não pode tirar vantagens de todas as oportunidades que surgem: daí o problema de determinar a melhor alocação de recursos. A eficiência é obtida quando a organização aplica seus recursos naquela alternativa que produz o melhor resultado.
As burocracias constituem um tipo específico de organização, que são as chamadas organizações formais. Dentre as formais, avultuam as chamadas organizações complexas. Elas são caracterizadas pelo alto grau de complexidade na estrutura e processo devido ao grande tamanho (proporções maiores) ou à natureza complicada das operações (como hospitais e universidades).

Os estruturalistas focalizam as organizações complexas por causa dos desafios que essas impõem à análise organizacional.


O homem organizacional
Enquanto a Teoria Clássica caracterizava o homo economicus e a Teoria das Relações Humanas o “homem social”, a Teoria Estruturalista focaliza o “homem organizacional”: o que desempenha diferentes papéis em várias organizações.

O homem moderno, ou seja, o homem organizacional, para ser bem-sucedido em todas as organizações precisa ter algumas características de personalidade, como permanente desejo de realização, capacidade de adiar as recompensas, flexibilidade e tolerância às frustrações.

As organizações sociais são conseqüência da necessidade que as pessoas têm de relacionar-se e juntar-se com outras pessoas a fim de poder realizar seus objetivos. Dentro da organização social as pessoas ocupam certos papéis3. Como cada pessoa pertence a vários grupos e organizações, ela desempenha diversos papéis, ocupa muitas posições e suporta grande número de normas e regras diferentes.
Análise das Organizações
Para estudar as organizações, os estruturalistas utilizaram uma análise organizacional mais ampla do que qualquer outra anterior. Assim, a análise das organizações do ponto de vista estruturalista é feita a partir de uma abordagem múltipla que leva em conta os fundamentos da Teoria Clássica, da Teoria das relações Humanas e da Teoria da Burocracia.

Essa abordagem múltipla envolve:

1. Tanto a organização formal como a informal;

2. Tanto as recompensas salariais e materiais como as recompensas sociais e simbólicas;

3. Todos os diferentes níveis hierárquicos de uma organização;

4. Todos os diferentes tipos de organizações;

5. A análise intra-organizacional e a análise interorganizacional.
Objetivos Organizacionais
As organizações são unidades sociais que procuram atingir objetivos específicos: a sua razão de ser é servir a esses objetivos. Um objetivo organizacional é uma situação desejada que a organização tenta atingir. É uma imagem que a organização pretende para o seu futuro. Se o objetivo é atingido, ele deixa de ser a imagem orientadora e é incorporado à organização como algo real e atual.
A eficiência de uma organização é medida pelo alcance dos objetivos propostos. A competência da organização é medida pelo volume de recursos utilizados para realizar a produção.
Algumas das funções dos objetivos organizacionais são a apresentação de uma situação futura, a constituição de uma fonte de legitimidade, servir como padrões e como unidades de medidas para verificação e comprovação da produtividade da organização.
Ambiente e Estratégia Organizacional
As organizações existem em um contexto que chamamos de ambiente. Ambiente é tudo o que envolve externamente uma organização. Para os estruturalistas, o ambiente é constituído pelas outras organizações que formam a sociedade.

A organização depende de outras organizações para seguir o seu caminho e atingir os seus objetivos. Assim, passam a se preocupar não somente com a análise organizacional, mas também com a análise interorganizacional. A análise interorganizacional está voltada para as relações externas entre uma organização e outras organizações no ambiente.




As organizações podem adaptar-se e mudar para cumprir requisitos ambientais ou podem alterar o ambiente de forma que esse fique adequado às capacidades delas. A primeira alternativa é adaptativa, enquanto a segunda constitui um processo político de influenciar ou negociar com o ambiente externo em vez de reagir ao mesmo.


O mercado recebe o nome de ambiente, como uma arena aberta para abrir a negociação a uma gama muito mais ampla de agentes e forças. A estratégia organizacional é a maneira deliberada de fazer manobras no sentido de administrar suas trocas e relações com os diversos interesses afetados por suas ações.

Para os estruturalistas essas estratégias podem ser de competição e de cooperação. No fundo, a estratégia permite mapear a estrutura de poder existente na organização.


Dica: A interação entre a organização e o ambiente torna-se fundamental para a compreensão do estruturalismo.
Conflitos
Conflito significa a existência de idéias, sentimentos, atitudes ou interesses antagônicos e colidentes que podem se chocar.

Para os estruturalistas, os conflitos, embora nem todos desejáveis, são elementos geradores das mudanças e da inovação na organização.



Conflito e cooperação são elementos integrantes da vida de uma organização. O propósito da administração deve ser o de obter cooperação e sanar conflitos, ou seja, criar condições em que o conflito possa ser controlado e dirigido para canais úteis e produtivos.
CRÍTICAS


  1. No estruturalismo coexistem duas tendências teóricas marcantes: a integrativa e a do conflito. O estruturalismo conduz a uma ampla visão de que os conflitos e os antagonismos não podem ser relegados à esfera de atritos interpessoais: sua compreensão exige uma atenção maior à sua base, que é a estrutura organizacional e societária.

  2. O estruturalismo trata sobretudo das organizações complexas e do estudo e da análise das organizações formais. O importante é que a análise organizacional pode ser feita no nível de sociedade (ou macronível) no nível intergrupal ou ainda no nível interpessoal (micronível). As organizações fazem parte de uma sociedade mais geral, interagindo com ela e intercambiando influências recíprocas.

  3. As tipologias das organizações utilizadas pelos estruturalistas são criticadas pelas suas limitações quanto à aplicação prática e pelo fato de se basearem em uma única variável ou aspecto básico. Sua aplicabilidade e validade são problemáticas. As tipologias usadas são simples e unidimensionais, reduzindo as organizações a uma única dimensão para poder comprá-las entre si.

  4. A Teoria Estruturalista é denominada “teoria da crise”, pois tem mais a dizer sobre os problemas e patologias das organizações complexas do que com sua normalidade. Os autores estruturalistas são críticos e revisionistas, procurando localizar nas organizações o núcleo de suas problemáticas.


SUMÁRIO


  1. A Teoria Estruturalista surgiu por volta da década de 1950, como um desdobramento das análises dos autores voltados para a Teoria da Burocracia que tentavam conciliar as teses propostas pela Teoria Clássica e pela de Relações Humanas.

  2. Os autores estruturalistas (mais voltados para a Sociologia Organizacional) procuram interelacionar as organizações com seu ambiente externo, que é a sociedade maior. Surge um novo conceito de sociedade e um novo conceito de homem: o homem organizacional que desempenha papéis simultâneos em diversas organizações diferentes.

  3. A análise das organizações é feita dentro de uma abordagem múltipla e globalizante, que é facilitada com a utilização de tipologias organizacionais, assunto em que os estruturalistas são mestres: Etizioni, Blau e Scot sugerem tipologias simples e unidimensionais para analisar e compreender as organizações.

  4. Para avaliar a realização das organizações, os estruturalistas estudam os objetivos organizacionais que representam as intenções das organizações. Seu alcance mostra até que ponto as organizações são eficazes e bem-sucedidas.

  5. A Teoria Estruturalista inaugura os estudos a respeito do ambiente dentro do conceito de que as organizações são sistemas abertos em constante interação com seu contexto externo.

  6. Existem conflitos e dilemas organizacionais que provocam tensões e antagonismos envolvendo aspectos positivos e negativos, mas cuja resolução conduz a organização à inovação e à mudança.

Dica: Palavras-chaves importantes sobre a Teoria Estruturalista: Etizioni, Blau e Scot, ênfase na estrutura organizacional, nas pessoas e no ambiente, “o todo é maior que a soma das partes”, homem organizacional, contexto ambiental e inclusão de variáveis externas, organizações como sistemas abertos.




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