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13. Processos gerenciais e as relações com os fatores humano, tecnológico e econômico. Estilos Gerenciais

Vivemos na era da globalização, da informação, da comunicação ultra veloz, da complexidade, instabilidade e imprevisibilidade. Assim, as empresas precisam se estruturar para aumentar a sua competitividade diante das demais empresas do país ou do exterior. Isso significa que elas devem utilizar os seus próprios recursos da maneira mais eficiente e eficaz possível, sempre lembrando que não vivem isoladamente no mercado e nem são sistemas fechados.

Para enfrentar a competição e a concorrência, a empresa precisa saber utilizar ao máximo os seus pontos fortes e desenvolver alianças com outras empresas, esquemas cooperativos com fornecedores e, sobretudo, utilizar plenamente sua força de trabalho, seja o pessoal que avalia situações e toma decisões, seja o pessoal que executa regularmente as tarefas.

Os novos tempos estão trazendo inovações sociais, culturais, econômicas, políticas e, principalmente, tecnológicas. Para adaptar-se a essa nova realidade e aproveitar suas oportunidades, a empresa deverá ser adaptativa, inovadora e totalmente aberta ao mundo exterior.


Os gerentes tem participação decisiva com esses fatores, uma vez que eles podem motivar sua equipe, conseguir bons resultados e conseqüentemente, competitividade para a organização.


Antes de entrarmos em estilos gerenciais, gostaria de fazer alguns comentários sobre liderança.

Liderança é a influência interpessoal exercida numa situação e dirigida por meio do processo de comunicação humana à consecução de um ou diversos objetivos específicos. È dada em função das necessidades existentes em uma determinada situação e consiste numa relação entre um indivíduo e um grupo. O líder (natural) corresponde ao indivíduo percebido pelo grupo como possuidor dos meios para a satisfação de suas necessidades (do grupo).


Tannenbaum define liderança como influência interpessoal numa situação, por intermédio do processo de comunicação, para que seja atingida uma meta, ou metas especificadas. A liderança sempre envolve influência por parte do líder (influenciador) para afetar (influenciar) o comportamento de um seguidor (influenciado) ou seguidores numa situação.

Temos, portanto, a importância de três elementos:


Líder (influenciador)

Seguidor

(influenciado)


Situação

E o processo:


Influência interpessoal por intermédio da comunicação



A liderança é um processo, uma função


A definição de liderança pode ser desdobrada, para fins de melhor esclarecimento da seguinte forma:

a) Liderança é um tipo de influenciação entre as pessoas: A influência é um conceito ligado ao conceito de poder e de autoridade, abrangendo todas as maneiras pelas quais se introduzem mudanças no comportamento de grupos ou pessoas. Poder é a capacidade de exercer influência, embora isso não signifique que essa influência seja realmente exercida.

Existem vários graus de influência, que vão desde a coação (forçar, constranger mediante pressão, coerção ou compulsão), a persuasão (com conselhos, argumentos ou induções), a sugestão (apresentar uma idéia para que seja ponderada) até a emulação (procurar imitar com vigor, para igualar ou ultrapassar, ou pelo menos chegar a ficar quase igual a alguém).

b) A Liderança acontece em uma determinada situação: Ocorre em uma dada estrutura social decorrente da distribuição de autoridade de tomar decisões. O grau em que uma pessoa demonstra qualidades de liderança depende não somente de suas próprias características individuais, mas também das características da situação na qual se encontra.

Dica: Essa é a chamada “Liderança Situacional” quando a Liderança é função das necessidades existentes em uma determinada situação e consiste em uma relação entre um indivíduo e um grupo. Trata-se de uma relação funcional.

A relação funcional somente existe quando um líder é percebido pelo grupo como possuidor ou controlador dos meios para a satisfação de suas necessidades. Assim, segui-lo pode constituir, para o grupo, um meio de aumentar a satisfação das suas necessidades ou de evitar sus diminuição.

c) A Liderança é realizada pelo processo da comunicação humana: É a capacidade de induzir as pessoas a cumprir suas obrigações com zelo e correção. O Líder exerce influência sobre as pessoas conduzindo duas percepções de objetivos em direção a suas metas.

d) A Liderança visa a consecução de um ou mais objetivos específicos: O líder surge como um meio para o alcance de objetivos desejados pelo grupo. O comportamento de liderança deve ajudar o grupo a atingir objetivos ou a satisfazer às necessidades. O líder deve ser capaz; os seguidores devem ter vontade.

Dica: Para ser bem sucedido como líder, o gestor deve saber lidar com aspectos relativos à motivação, à comunicação, às relações interpessoais, ao trabalho em equipe e à dinâmica de grupo.


Estilos Gerais (ou Estilos de liderança)

Em um estudo pioneiro sobre liderança, Kurt Lewin, White e Lippitt fizeram uma pesquisa para verificar o impacto causado por três estilos de liderança e os climas sociais resultantes. Para esses autores existem três estilos básicos de liderança:



Liderança autocrática (ou autoritária) – o comportamento dos grupos mostrou forte tensão, frustração e agressividade, de um lado, e nenhuma espontaneidade, iniciativa, ou formação de grupos de amizade. Não demonstraram satisfação com relação à situação. O trabalho somente se desenvolvia com a presença física do líder. Quando este se ausentava, as atividades paravam e os grupos expandiam seus sentimentos reprimidos, chegando a explosões de indisciplina e de agressividade.

No ambiente autocrático, o líder designado para a chefia do grupo por alguma autoridade, atua como dirigente e toma decisões em nome do grupo. Não permite ao grupo participação alguma nas decisões.

Nas frustrações, os grupos com líder autoritário tendem a se dissolver, através de recriminações e acusações pessoais.

Liderança liberal (ou permissiva) – Também denominada laissez-faire por Kurt Lewin. As tarefas se desenvolviam ao acaso, com muitas oscilações, perdendo-se muito tempo com discussões mais voltadas para motivos pessoais do que relacionadas com o trabalho em si. O trabalho progride desordenadamente e pouco. Embora houvesse considerável atividade, a maior parte dela era improdutiva. Notou-se forte individualismo agressivo e pouco respeito com relação ao líder.

Liderança democrática (ou participativa) – houve formação de grupos de amizade e de relacionamentos cordiais. Líder e subordinados passaram a desenvolver comunicações espontâneas, francas e cordiais. O trabalho mostrou ritmo suave e seguro, sem alterações, mesmo quando o líder se ausentava. Houve um nítido sentido de responsabilidade e de comprometimento pessoal além de integração grupal, dentro de um clima de satisfação.

A partir dessa pesquisa, passou-se a defender intensamente o papel da liderança democrática, extremamente comunicativa, que encoraja a participação das pessoas, que é justa e não arbitrária e que se preocupa igualmente com os problemas das tarefas e das pessoas.

Dica: Na prática, o líder utiliza os três estilos de acordo com a situação, com as pessoas e com a tarefa a ser executada. O líder tanto manda cumprir ordens, como sugere aos subordinados a realização de certas tarefas, como ainda consulta aos subordinados antes de tomar alguma decisão.

A sabedoria da liderança está em saber quando usar tal e qual método. Seu problema é, pois, aprender a variar de técnica de acordo com as diferentes condições e pessoas com as quais se defronta em seu trabalho.


A sabedoria em aplicar as três armas básicas da liderança – autocrática, democrática e permissiva – determinará seu sucesso pessoal como líder.

O sucesso do líder está em saber ser autocrático, democrático ou permissivo de acordo com a situação.



Os três estilos gerenciais.

Autocrática

Democrática

Liberal (Laisses-fare)

* Apenas o líder fixa as diretrizes

* As diretrizes são debatidas e decididas pelo grupo, estimulado e assistido pelo líder

* Há liberdade completa para as decisões grupais ou individuais, com participação mínima do líder.

* O líder determina as providências e técnicas para execução das tarefas, cada uma por vez, na medida em que se tornam necessárias e de modo imprevisível para o grupo.

* O próprio grupo esboça providências e técnicas para atingir o alvo, solicitando aconselhamento técnico ao líder quando necessário. As tarefas ganham novas perspectivas com os debates.

* A participação do líder no debate é limitada, apresentando materiais variados ao grupo, esclarecendo e fornecendo informações quando solicitados.

* O líder determina qual a tarefa que cada um deve executar e qual o seu companheiro de trabalho.

* A divisão das tarefas fica a critério do grupo e cada membro tem liberdade de escolher seus companheiros de trabalho.

* Tanto a divisão das tarefas como a escolha dos companheiros fica totalmente a cargo do grupo. Absoluta falta de participação do líder.

* O líder é dominador e é “pessoal” nos elogios e nas críticas ao trabalho de cada membro.

* O líder procura ser um membro normal do grupo, sem encarregar-se de tarefas. O líder é “objetivo”e limita-se aos “fatos” em suas críticas e elogios.

* O líder não tenta avaliar ou regular o curso dos acontecimentos. O líder faz comentários irregulares sobre as atividades dos membros quando perguntado.

Figura 4. Os três estilos de liderança, pág. 99 – retirada do livro do Prof. CHIAVENATO, Idalberto. Introdução à Teoria Geral da Administração.




  • Visão Bidimensional de Liderança

A liderança orientada para a tarefa (trabalho) e a liderança orientada para as pessoas, a princípio, foram consideradas estilos em oposição, mutuamente excludentes. Todavia, à medida que a pesquisa sobre a liderança avançou, verificou-se que a tarefa e as pessoas não são pólos opostos da mesma dimensão, mas limites do mesmo território.

Essa é a visão bidimensional da liderança, segundo a qual o líder pode combinar os dois estilos em seu comportamento, ou enfatizá-los simultaneamente. Essa idéia proporcionou grande avanço para o estudo da liderança.

O modelo tarefa-pessoas revela que a liderança é processo social complexo, que abrange múltiplos comportamentos e que depende tanto do líder quanto dos liderados, entre outros fatores. Além disso, o líder pode ser eficaz ou ineficaz tanto na dimensão da tarefa quanto na dimensão das pessoas.

Certos comportamentos, nas duas dimensões, produziam satisfação e desempenho. Ao mesmo tempo, outros comportamentos, nas duas dimensões, produziam insatisfação e prejudicavam o desempenho.
A visão bidimensional da liderança permitiu oferecer uma explicação para conciliar a eficácia do líder com as duas orientações.

Blake e Mouton, uma dupla de pesquisadores da liderança, desenvolveram a idéia da grade gerencial (managerial grid) que veremos na questão seguinte.

De acordo com esse modelo explicativo de liderança, o líder pode dar muita ou pouca ênfase para a tarefa e, ao mesmo tempo, muita ou pouca ênfase para as pessoas.


Assim, vemos que a grade baseia-se na visão bidimensional da liderança, atribuindo valores aos dois estilos.





  • Managerial Grid

O managerial grid (grade gerencial) pressupõe que o administrador está sempre voltado para dois assuntos: produção, ou seja, os resultados dos esforços, e pessoas, ou sejam os colegas ou pessoas cujo trabalho ele dirige. É uma grade de dois eixos:



  • Eixo horizontal do grid: Representa a preocupação com a produção. É uma série contínua de nove pontos, na qual 9 significa elevada preocupação com a produção e 1 baixa.

  • Eixo vertical do grip: Representa a preocupação com as pessoas. Também é uma série contínua de nove pontos, onde 9 significa um grau elevado e 1 é um baixo de preocupação com as pessoas.





Managerial Grid
Estilo 1.9 – Atenção concentrada nas necessidades das pessoas, pois relacionamentos satisfatórios conduzem a uma atmosfera confortadora e a um ritmo de trabalho de organização cordial.

Estilo de participação: As pessoas procuram não criticar para não serem mal-interpretadas ou com receio de não receberem apoio imediato. As soluções são do “mínimo denominador comum” e o comportamento é superficial e efêmero.


Estilo 9.1. A eficiência nas operações resulta de se fazer um arranjo das condições de trabalho de tal modo que os elementos humanos interfiram num grau mínimo.

Estilo de participação: Não há muita oportunidade de participar. As pessoas sentem que, embora tenham contribuições a fazer, essas não são procuradas e provavelmente serão rejeitadas se apresentadas voluntariamente.


Estilo 1.1 A aplicação de um esforço mínimo para se conseguir que o trabalho necessário seja executado é adequada e suficiente para se conservar a prerrogativa de membro da organização.

Estilo de participação: Há pouco envolvimento e pouco comprometimento. As pessoas podem estar fisicamente presentes, mas mentalmente ausentes.


Estilo 5.5 Um adequado desempenho organizacional torna-se possível através do equilíbrio entre a necessidade de se conseguir que o trabalho seja executado e a manutenção do moral das pessoas num nível satisfatório.

Estilo de participação: A tomada de decisão é do tipo acomodativo ou do meio-do-caminho, que deixa todos descontentes.


Estilo 9.9 A realização do trabalho é conseguida da parte das pessoas comprometidas: a interdependência através de um “interesse comum” no objetivo da organização conduz a relacionamentos de confiança e de respeito.

Estilo de participação: A participação faz-se necessária para alcançar melhor resposta. A solução do problema dá-se pela participação e pelo comprometimento. Todavia, a situação 9.9, para ser efetiva, deve basear-se em pessoas que tenham conhecimento e competência, sem o que poderá levar a soluções errôneas.




  • Teoria X e Y de Liderança

Mc Gregor apresentou uma teoria de liderança que denominou Teoria X e Y de Liderança.

O princípio geral que se deriva da teoria X é o da direção e controle do comprometimento humano, através do exercício da autoridade e o da liderança Y é o da criação de condições tais que levem os membros da organização a conquistar melhor seus objetivos, dirigindo os seus esforços no sucesso da empresa.
A teoria X levanta as seguintes suposições sobre o comportamento humano:

1. Os seres humanos, em geral, não gostam de trabalho e procuram evitá-lo.

2. Em razão disso, as pessoas devem ser coagidas, controladas, dirigidas e ameaçadas até com punições. Só assim a empresa conseguirá das pessoas os esforços adequados a fim de alcançar produtividade.

3. Por outro lado, as pessoas, em geral, preferem ser dirigidas, desejam evitar responsabilidades, possuem pouca ambição e querem, acima de tudo, segurança.

4. O ser humano é, pela sua própria natureza, resistente à mudança.

5. As pessoas, em geral, são simplórias, não muito brilhantes, ingênuas, charlatãs e demagogas.


Sobre a teoria Y, a gerência faz as seguintes suposições sobre o comportamento humano:

1. O controle externo e a ameaça de punição não são os únicos meios de se conseguir esforços dirigidos para objetivos da empresa. O homem exercerá autodireção e autocontrole a serviços de objetivos a que ele se dedica.

2. O ser humano, de maneira geral, aprende, sob condições próprias não só a aceitar, mas também a solicitar responsabilidades.

3. Sob as condições da moderna vida industrial, as potencialidades intelectuais do ser humano em geral são utilizadas só parcialmente.

4. A tarefa fundamental da liderança é atingir condições organizacionais e métodos de operação tais que as pessoas possam conquistar melhor seus objetivos.


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