AdministraçÃo geral sumário



Baixar 1 Mb.
Página25/34
Encontro18.07.2016
Tamanho1 Mb.
1   ...   21   22   23   24   25   26   27   28   ...   34

17. Criatividade e inovação



Para a efetiva compreensão das práticas gerenciais relacionadas à Gestão do Conhecimento é fundamental levar em consideração os principais conceitos sobre aprendizado e criatividade individual e conhecimento humano, pois estes, embora não levassem necessariamente ao aprendizado, à inovação8 e ao conhecimento organizacional, certamente o antecedem.


Vejamos algumas definições de criatividade:

"criatividade é o processo que resulta em um produto novo, que é aceito como útil, e/ou satisfatório por um número significativo de pessoas em algum ponto no tempo" Stein

"é o processo de mudança, de desenvolvimento, de evolução na organização da vida subjetiva". Ghiselin

, "manipulamos símbolos ou objetos externos para produzir um evento incomum para nós ou para nosso meio". Segundo Flieger



"criatividade representa a emergência de algo único e original" (Anderson, 1965)

  • "criatividade é o processo de tornar-se sensível a problemas, deficiências, lacunas no conhecimento, desarmonia; identificar a dificuldade, buscar soluções, formulando hipóteses a respeito das deficiências; testar e retestar estas hipóteses; e, finalmente, comunicar os resultados" (Torrance, 1965)

  • "um produto ou resposta serão julgados como criativos na extensão em que a) são novos e apropriados, úteis ou de valor para uma tarefa e b) a tarefa é heurística e não algorística" (Amabile, 1983)

Todo ser humano possui criatividade em diferentes habilidades. Acredita-se que a habilidade criativa das pessoas estejam de certa forma ligadas a seus talentos.

As abordagens mais tradicionais sobre aprendizagem e criatividade nas organizações advêm da psicologia e dos estudos sobre inovação.


A criatividade é uma possibilidade de gerar conhecimento, funciona melhor se vinculada à emoção. Daí a importância da emoção. O papel da emoção é proporcionar condição para alcance dos objetivos individuais, para que o indivíduo se sinta motivado.

Tereza Amabile, provavelmente uma das autoras que há mais tempo se preocupa com a criatividade organizacional, resumiu, recentemente, suas conclusões a respeito desse assunto. Para ela a criatividade individual9 depende de três elementos:




  • Expertise (conhecimento técnico ou intelectual específico): que define o campo de exploração intelectual;

  • Habilidade de pensamento criativo

  • Motivação: emoção dedicada ao tema, desafio ou problema.

Os dois primeiros elementos, segundo as conclusões dessa autora, referem-se à “matéria-prima” que cada indivíduo possui, enquanto o terceiro elemento é o que determina o que de fato cada indivíduo realiza.

As organizações interessadas em aumentar a criatividade deveriam focar sua atenção no terceiro elemento. Os dois primeiros podem ser melhorados mediante treinamentos específicos (ex: seminários técnicos, no primeiro caso e cursos sobre metodologia de resolução de problemas ou brainstorming, no segundo), mas não tem o mesmo impacto que o terceiro elemento.
Um trabalho clássico, mas ainda relevante, principalmente em virtude de seu impacto na teoria organizacional, é o princípio da “pirâmide das necessidades” de Maslow. Segundo esse princípio, a criatividade está associada ao último estágio de desenvolvimento de uma pessoa, o de auto-realização, que só é possível com o atendimento das quatro necessidades anteriores, ou seja, necessidades fisiológicas, de segurança, sociais e de estima.

Neste último estágio, as pessoas se caracterizam, entre outras coisas, por: espontaneidade no comportamento e na vida interior, maior concentração nos problemas do que no “eu”, capacidade de ser imparcial, independência e autocontrole, originalidade na apreciação de coisas e pessoas, criação e resistência ao conformismo cultural.


Potencial criativo

Acredita-se que o potencial criativo humano tenha início na infância. Quando as crianças têm suas iniciativas criativas elogiadas e incentivadas pelos pais, tendem a ser adultos ousados, propensos a agir de forma inovadora. O inverso também parece ser verdadeiro.

Quando as pessoas sabem que suas ações serão valorizadas, parecem tender a criar mais. O medo do novo, o apego aos paradigmas são formas de consolidar o status quo. Quando sentem que não estão sob ameaça (de perder o emprego ou de cair no ridículo, por exemplo), as pessoas perdem o medo de inovar e revelam suas habilidades criativas.


Algumas pessoas acreditam que ver a criatividade como habilidade passível de desenvolvimento é um grande passo para o desenvolvimento humano, enquanto outras têm a visão de que a criatividade é uma habilidade inata, ligada a fatores genético/hereditários e, portanto, determinista.

Certas pessoas também admitem que a criatividade não tem necessariamente ligação com o quociente de inteligência (QI), que ela tem mais afinidade com motivação do que com inteligência. Outras pessoas, por outro lado, confirmam uma forte correlação entre QI e potencial criativo, especialmente para QIs abaixo de 120 e com uma correlação positiva leve acima de QI 120.



Processo criativo


Durante o processo criativo, frequentemente distinguem-se os seguintes estágios:

  • Percepção do problema. É o primeiro passo no processo criativo e envolve o "sentir" do problema ou desafio.

  • Teorização do problema. Depois da observação do problema, o próximo passo é convertê-lo em um modelo teórico ou mental.

  • Considerar/ver a solução. Este passo caracteriza-se geralmente pelo súbito insight da solução; é o impacto do tipo "eureka!". Muitos destes momentos surgem após o estudo exaustivo do problema.

  • Produzir a solução. A última fase é converter a idéia mental em idéia prática. É considerada a parte mais difícil, no estilo "1% de inspiração e 99% de transpiração".

Vários autores definem soluções criativas como uma liberação de energia necessária à eliminação de angústias. Acreditam também, entretanto, que o que parece um ato inexplicável e dependente do trabalho inconsciente é impossível, se não for precedido do trabalho consciente e árduo.

Peter Senge, um dos gurus do aprendizado organizacional, em vez do termo “angústia” adota o termo “tensão criativa”: uma força resultante da tendência natural dos indivíduos em buscar uma solução para as tensões encontradas, que surgem em razão da discrepância entre a realidade percebida e a realidade desejada.

Nesse sentido ele acredita que os indivíduos podem escolher dois caminhos para resolver a “tensão criativa”:

1) Diminuir o “gap” percebido (ou as expectativas) em razão da capacidade dos indivíduos em resolver sua “tensão emocional”, que normalmente está associada à “tensão criativa”; ou

2) resolver a “tensão criativa” pela persistência, paciência, compromisso ferrenho com a verdade e utilização da força do subconsciente desenvolvido ou “treinado” pelo esforço consciente em se visualizar e caminhar até o resultado esperado.

O segundo caminho é, pois, o que levaria ao aprendizado individual ou, em suas palavras, ao domínio pessoal.

É preciso, portanto, manter um permanente estado de “tensão criativa” como forma de alavancar nosso crescimento e aprendizado pela criação de um intenso rapport entre nosso consciente e nossa intuição e subconsciente. O aprendizado consciente e intencional representa apenas uma pequena parte do processo de criação e domínio de coisas complexas. Já o aprendizado pelo subconsciente ao se torna eficaz à medida que temos uma clara visão de aonde queremos chegar e, também, uma real percepção da realidade.

Nesse sentido, o caminho para o domínio pessoal passa pelo uso de técnicas como meditação, criação de imagens e visualização.

Finalmente, o processo criativo nos ambientes organizacionais também tem sido associado ao conceito emocional da sublimação de Freud, ou seja, o mecanismo pelo qual os impulsos instintivos são desviados da expressão direta e transformados em algo aceitável para a sociedade. Essa associação se torna mais relevante, é claro, uma vez que as organizações representam o único lugar na sociedade contemporânea em que os indivíduos podem realizar seus projetos pessoais e desejos e, assim, dar vazão à grande parte de suas necessidades instintivas.



1   ...   21   22   23   24   25   26   27   28   ...   34


©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal