Africanidades Escola Notre Dame 5ª sériesAeB 2011



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Canto Das Três Raças

Clara Nunes


Ninguém ouviu
Um soluçar de dor
No canto do Brasil


Um lamento triste
Sempre ecoou
Desde que o índio guerreiro
Foi pro cativeiro
E de lá cantou


Negro entoou
Um canto de revolta pelos ares
No Quilombo dos Palmares
Onde se refugiou


Fora a luta dos Inconfidentes
Pela quebra das correntes
Nada adiantou


E de guerra em paz
De paz em guerra
Todo o povo dessa terra
Quando pode cantar
Canta de dor


ô, ô, ô, ô, ô, ô
ô, ô, ô, ô, ô, ô


ô, ô, ô, ô, ô, ô
ô, ô, ô, ô, ô, ô


E ecoa noite e dia
É ensurdecedor
Ai, mas que agonia
O canto do trabalhador


Esse canto que devia
Ser um canto de alegria
Soa apenas 
Como um soluçar de dor


Levante do Borel (Taiguara)

Olha palma, palma, palma...
Olha pé, pé, pé...
Roda, roda, roda, menina
Que veio lá da Guiné
Mas existe... {Refrão}

Existe um povo que a bandeira empresta
Pra cobrir tanta infâmia e covardia
Assim gritou a fúria do poeta
Com a dor do negro escravo que tanto sofria...

E hoje, relembrando Castro Alves
O povo desce sambando e cruza os mares
E um afro canto banto nos devolve...
A luta que nasceu com Zumbi dos Palmares

Oiá, Zumbi... bravo irmão
Deste a própria vida para não trair
Aqueles que lá no Quilombo
Palmaram teus ombros
De um congo fiel

Morto sim!
Escravo não!
Canta tua memória lá da Chácara do Céu
Que a voz operária é a do Borel

Olha a palma, palma, palma...
Olha pé, pé, pé...
Roda, roda, roda, menina
Que veio lá da Guiné
Mas existe...

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Brasil Mestiço Santuário Da Fé

Clara Nunes


Vem desde o tempo da senzala
Do batuque e da cabala
O som que a todo povo embala 2x
E quanto mais forte o chicote estala
E o povo se encurrala
O som mais forte se propala 2x
E é o samba
E é o ponto de umbanda
E o tambor de Luanda
é o maculelê e o lundu
É o jogo do caxambu
É o cateretê, é o cõco e é o maracatu
O atabaque do caboco, o agogô de afoxé.
É a curimba do batucajé
É a capoeira e o candomblé
É a festa do Brasil mestiço, santuario da fé.
E aos sons a palavra do poeta se juntou
E nasceram as canções e os mais belos poemas de
amor.
Os cantos de guerra e os lamentos de dor
E pro povo não desesperar
Nós não deixaremos de cantar
Pois esse é o único alento do trabalhador


Desde a senzala....


Aquarela do Brasil

Compositor: Ary Barroso

Gal Costa


Brasil!
Meu Brasil brasileiro
Meu mulato inzoneiro
Vou cantar-te nos meus versos
O Brasil, samba que dá
Bamboleio, que faz gingar
O Brasil, do meu amor
Terra de Nosso Senhor
Brasil! Pra mim! Pra mim, pra mim


Ah! abre a cortina do passado
Tira a mãe preta do cerrado
Bota o rei congo no congado
Brasil! Pra mim!


Deixa cantar de novo o trovador
A merencória luz da lua
Toda canção do meu amor


Quero ver a sá dona caminhando
Pelos salões arrastando
O seu vestido rendado
Brasil! Pra mim, pra mim, pra mim!


Brasil!
Terra boa e gostosa
Da morena sestrosa
De olhar indiscreto
O Brasil, samba que dá
bamboleio que faz gingar
O Brasil, do meu amor
Terra de Nosso Senhor
Brasil! Pra mim, pra mim, pra mim


Oh esse coqueiro que dá coco
Onde eu amarro a minha rede
Nas noites claras de luar
Brasil! Pra mim


Ah! ouve estas fontes murmurantes
Aonde eu mato a minha sede
E onde a lua vem brincar
Ah! esse Brasil lindo e trigueiro
É o meu Brasil brasileiro
Terra de samba e pandeiro
Brasil! Pra mim, pra mim! Brasil!
Brasil! Pra mim, pra mim! Brasil!, Brasil!

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Cordel: Um Herói Chamado Zumbi

 Autor: Antônio Héliton de Santana


- Você conhece Zumbi?
Zumbi, o grande guerreiro
Liderança de Palmares
Comandante derradeiro
Defensor da liberdade
Herói negro brasileiro?
Zumbi herói nasceu livre
No Quilombo dos Palmares
Como pássaro na mata
Como golfinho nos mares
Como a voz que livre voa
Atingindo céu e ares



Num ataque ao Quilombo
O menino foi levado
Para o lugar Porto Calvo
A um padre foi doado
Ao padre Antônio Melo
Que o criou com cuidado



Batizou logo o menino
Com o nome de Francisco
Conto a história ligeiro
Nem pestanejo, nem pisco
Se penetrar nos meus olhos
Qualquer poeira ou cisco



Zumbi aprendeu a ler
Tornou-se até coroinha
O Português e o latim
Na memória ele tinha
Menino inteligente

Tirava até ladainha
Ao completar quinze anos
Retornou para o seu povo
Voltando para o Quilombo
Quebrou a casca do ovo
Pra lutar por liberdade
Construir um mundo novo


Ele foi reconhecido
Francisco, era Zumbi
Menino, há muitos anos
Levado longe daqui
A esperança voltou

Olha o menino aí.
O fato de ter voltado 
Para a sua comunidade
Em nada atrapalhou
A relação de amizade
Com o tal de padre Melo
Seu amigo de verdade
Zumbi tornou-se guerreiro
Defensor da liberdade
Por isso ele foi morto
Esta é a pura verdade
Porém, continua vivo
Em todo que tem vontade



Que tem vontade e luta
Pelo bem desta nação 
Para que haja justiça,
Emprego, casa e pão;
Terra para quem trabalha
Pra ter fim a servidão



O primeiro passo é
Com o povo se juntar
Se uma mão lava a outra
Comece a organizar
Mesmo o sal quando é pouco
Ajuda a temperar
O exemplo de Zumbi
Não é só pra ser lembrado
Ele continua vivo
Se você tem o cuidado
De defender bem a vida
Já lhe dei o meu recado



Comunique-se com grupos
Procure informação
Leia o que for possível
Importante a formação
Quem tem boca vai à Roma
Diga-me se é ou não
14
Agora é começar
Você é novo Zumbi 
Essa ideia não morreu
Vive mexendo aqui
Dentro do meu coração
E mexe no seu aí.

Culinária 

É impossível falar da influência dos africanos sem lembrar a herança que eles deixaram para a nossa alimentação. Acarajé, mungunzá, quibebe, farofa, vatapá são pratos originalmente usados como comidas de santo, ou seja, comidas que eram oferecidas às divindades religiosas cultuadas pelos negros. Hoje, porém, são dignos representantes da culinária brasileira. 






As negras africanas começaram a trabalhar nas cozinhas dos Senhores de Engenho e introduziram novas técnicas de preparo e tempero dos alimentos. Também adaptaram seus hábitos culinários aos ingredientes do Brasil. Assim, foram incorporados aos hábitos alimentares dos brasileiros o angu, o cuscuz, a pamonha e a feijoada, nascida nas senzalas e feita a partir das sobras de carnes das refeições que alimentavam os senhores; o uso do azeite de dendê, leite de coco, temperos e pimentas e de panelas de barro e de colheres de pau. Você sabia que os traficantes de escravos também trouxeram para o Brasil ingredientes africanos? É o caso da banana, ícone de brasilidade mundo afora e da palmeira de onde se extrai o azeite de dendê. 





Feijoada

Enfim... todos os pratos vindos do continente africano foram reelaborados, recriados, no Brasil, com os elementos locais. E haja criatividade e capacidade de improvisação! O dendê trazido pelos portugueses para queimar em lamparinas e iluminar as noites escuras do novo continente logo foi parar na panela das mucamas. "Desde a África elas já sabiam que o azeite podia ser usado nas comidas". 

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A INFLUÊNCIA AFRICANA NO PORTUGUÊS DO BRASIL




  • Do século XVI ao século XIX, o tráfico transatlântico trouxe em cativeiro para o Brasil quatro a cinco milhões de falantes africanos originários de duas regiões da África subsaariana: a região banto, situada ao longo da extensão sul da linha do equador, e a região oesteafricana ou “sudanesa”, que abrange territórios que vão do Senegal à Nigéria.

  • Depois de quatro séculos de contato direto e permanente de falantes africanos com a língua portuguesa no Brasil, o português do Brasil, naquilo em que ele se afastou do português de Portugal, descontada a matriz indígena menos extensa e mais localizada, é, em grande parte, o resultado de um movimento implícito de africanização do português e, em sentido inverso, de aportuguesamento do africano.

ALIMENTAÇÃO: abará, acarajé, angu, bobó, cachaça, canjica, caruru, dendê, fubá, inhame, jiló, maxixe, mocotó, mungunzá, muxiba, quiabo, quibebe, quitute, vatapá, chuchu.


RELIGIÃO: babá, babalaô, babalorixá, candomblé, Exu, Iansã, Iemanjá, macumba, mandinga, Oxum , Olorum, Ogum, orixá, Obatalá, Oxossi, patuá, Xangô.
SENTIMENTOS: banzeiro, dengoso, fulo, macambúzio, cafuné, muxoxo, quizila, quindim.
AÇÕES: cochilar, desbundar, engambelar, xingar, batucar, sambar.
MÚSICA: agogô, maracatu, atabaque, batuque, berimbau, bumbo, caxambu, congada, jongo, lundu, samba, xequerê, zabumba.
CARACTERÍSTICAS FÍSICAS: banguela, cangote, corcunda, careca.
LAZER: coringa, dunga, empate.
REINO ANIMAL: búzio, camundongo, bugio, gambá, caxinguelê, marimbondo, minhoca, papagaio, zebra.
OBJETOS: bengala, carimbo, cachimbo, gongá, miçanga, cacimba.
DOENÇAS: banzo, caxumba, calombo.
TERMOS DE USO SOCIAL: caçula, moleque, dengo, iaiá, ioiô, mucama, senzala, sinhá.
OUTROS TERMOS: banzé, cambada, muamba, mulambo, catinga, quitanda.
Professor Renato Machado “Influência africana no Português do Brasil”.
Atividades organizadas pelos alunos
Segundo Nei Lopes, no seu dicionário Banto do Brasil (1996), para se constatar palavras de origem banta (Africana) em nossa língua, basta buscar as seguintes características:
1) Presença de sílabas iniciais como Ba, Ca, Cu, Fu, Ma, Mo, Um, Qui, etc... Exemplos: Caçula-cadango-cachimbo Curinga-cuca Fubá-fuleiro-fulo Macunba-maxixe-magé-mala-mafuá Quitanda-quizila-quitute-quilombo-quiabo
2) Presença, no interior dos vocábulos dos grupos consonantais: mb, nd, ng. Etc. exemplos Banda, samba, mambo, lambada. Bunda, umbanda, dendê, quengo, camundongo, ginga, tanga, sunga.
3) Presença de terminações como aça, ila, ita, ixe, ute, uca, etc. Exemplos: Macaca-quizila-catita-maxixe Bazuca-muvuca
a) Procure 13 palavras de origem banta no caça palavras:


F

U

B

A

J

C

U

C

A

L

Q

E

Q

G

J

P

D

E

N

D

E

A

I

A

P

A

Q

U

U

E

M

W

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M

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O

S

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B

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H

M

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L

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V

A

Z

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B

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A

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D

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B

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V

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D

O

A

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O

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I

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G

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B

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Z

U

C

A

Y

R

R

Q

U

I

T

A

N

D

A

H

G

M

A

M

B

O


b) Adivinha
O que o saci-pererê usa?
Que a mamãe faz e eu gosto?
É necessário para fazer polenta?
Vai no tempero do peixe?
Como chama o alojamento dos escravos?
O que muitos trazem do Paraguai?
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Paródias
Africanidades e você - Giordano e Rafael (5ª B)
Música: Balada boa - Gustavo Lima
Eu já comi meu bobó

Tomei minha cachaça

Eu já vou cochilar

Isso é muito bom


Vou tocar meu agogô, maracatu e bumbo

Eu falo mais tarde, vou acertar vamos nessa

Você é banguela, careca e corcunda

Usa bengala, caximbo e gongá

Fuma, xinga, mas sabe batuca

Você é banguela, careca e corcunda

Usa bengala , caximbo e gongá

Fuma, xinga mas hoje vai sambar com o:


Xe xererexexe xererexexe xererexexe xererexexe xe xe xe xe

Africanidades e você


Xe xererexexe xererexexe xererexexe xererexexe xe xe xe xe

Africanidades e você


Se você, macumba, vai ficar com caxumba

E depois um gamba, vai feder, bem perto de você

Você é banguela, careca e corcunda

Usa bengala, caximbo e gongá

Fuma, xinga mas sabe batuca

Você é banguela, careca e corcunda

Usa bengala, caximbo e gongá

Fuma, xinga , mas hoje vai sambar com o:


Xe xererexexe xererexexe xererexexe xererexexe xe xe xe xe

Africanidades e você



Africanidades pra toda vida - Giordano e Rafael Sagrillo (5ªB)
Música: Se intrometeu - Michel Teló
Quero um quitute e ninguém deixa

Acho que vale comer um vatapá


Quero cachimbo, bebe cerveja

Para depois comer um acará


E além de tudo, quero um

Batuque para pode fazer você mexer


O teu agogô e o berimbau

Da até pra fazer um bangulê

Mas lá na minha terra é tudo diferente

Nosso passado vem dos afro-descendentes

E essa energia do axé eu quero te passar
É africanidade, é africanidade

O povo aprendeu pra toda vida

É africanidade, é africanidade

E a cultura preferida!


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A África está em nós – Gustavo Merino e Vinicius Araújo (5ªA)


Música: Meteoro - Luan Santana

Tem Angola


Tem a Gana
E também tem a Nigéria
E além de todas essas também tem a grande Argélia
Sua dança é uma bagunça
E seu som é um banzé

AAAAAHHHHHHH como é bom esse axé

Depois que eu te conheci fui mais feliz
Sua comida é exatamente o que eu sempre quis,
Ela é maravilhosa para mim
Não quero que ela tenha fim

Tudo é feito com dendê


Todo mundo vai querer
Pois só quem sonha
Consegue comer

Tem Angola


Tem a Gana
E também tem a Nigéria
E além de todas essas também tem a grande Argélia
Sua dança é uma bagunça
E seu som é um banzé

AAAAAHHHHHHH como é bom esse axé

Depois que eu te conheci fui mais feliz
Sua comida é exatamente o que eu sempre quis,
Ela é maravilhosa para mim
Não quero que ela tenha fim

Tudo é feito com dendê


Todo mundo vai querer
Pois só quem sonha
Consegue comer

Tem Angola


Tem a Gana
E também tem a Nigéria
E além de todas essas também tem a grande Argélia
Sua dança é uma bagunça
E seu som é um banzé

AAAAAHHHHHHH como é bom esse axé

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