Agostinho Neto morre aos 56 anos, de câncer, em Moscou



Baixar 29.69 Kb.
Encontro27.07.2016
Tamanho29.69 Kb.

Jornal: O GLOBO

Data/pg: 12/09/1979 p. 17.

Manchete: “Agostinho Neto morre aos 56 anos, de câncer, em Moscou”

Fonte: O GLOBO

Assunto: A matéria informa que o Presidente de Angola, Agostinho Neto, havia falecido, aos 56 anos, após uma operação no Hospital das Clínicas de Moscou, que revelara a existência de um câncer em seu pâncreas. Ressalta que uma delegação angolana seguiu imediatamente para Moscou, a fim de que fosse providenciado o translado do corpo de Neto para Angola, onde foi decretado luto de 45 dias.

Afirma que o Presidente Leonid Brejnev, havia lamentado a “prematura morte” do dirigente angolano, “um grande e leal amigo da União Soviética”, “destacado homem de Estado e político africano” e “proeminente dirigente do movimento revolucionário internacional” em telegrama enviado à viúva de Neto, Marie Eugène.



Enfatiza que Neto havia chegado à Moscou, no dia 06 de setembro, “em visita de amizade”, tendo sido imediatamente hospitalizado e em seguida operado, todavia, os meios soviéticos preferiram não noticiar sua chegada.




Jornal: O GLOBO

Data/pg: 12/09/1979 p. 17.

Manchete: “Lúcio Lara deverá assumir o Governo”

Fonte: O GLOBO

Assunto: A pequena matéria trata do rumor que começara a circular após a morte do Presidente Neto, de que Lúcio Lara “o número dois de Angola”, assumiria o poder. Ressalta que desde que Angola tornara-se independente, ele era tido como verdadeiro homem forte de Luanda, embora publicamente se mantivesse em segundo plano.




Jornal: O GLOBO

Data/pg: 12/09/1979 p. 17.

Manchete: “Presidente já chegou em estado grave ao hospital”

Fonte: O GLOBO

Assunto: A matéria cita o boletim médico divulgado anteriormente pela TASS, no qual informa que Agostinho Neto já chegara ao hospital em estado grave. Ele sofria de “hepatite progressiva crônica”, que alterara as funções do fígado, degenerado em cirrose, situação agravada por uma oclusão biliar e icterícia mecânica. Ressalta que a operação, feita com o consentimento de Neto, só confirmou a profunda lesão no fígado e que o conduto biliar estava obstruído por um tumor no pâncreas inoperável. Acrescenta que, segundo os médicos, em conseqüência da cirurgia, os problemas de funcionamento do fígado e dos rins provocaram “aumento da intoxicação, que originou graves alterações no sistema nervoso central, coração e vasos sanguíneos”, tendo levado o paciente à morte.




Jornal: O GLOBO

Data/pg: 12/09/1979 p. 17.

Manchete: “Relações de Angola com a URSS não serão alteradas”

Fonte: O GLOBO

Assunto: A matéria é sobre a mensagem dirigida pelo Presidente Leonid Brejnev “ao povo angolano”, de que a morte do Presidente Neto, não afetaria as boas relações da URSS com Angola, e que continuaria a ser “amiga fiel”, já que a amizade entre os dois países respondia aos interesses da luta de todos os povos pela paz.

Ressalta que depois que Neto, tornara-se Presidente havia estado em Moscou três vezes. A primeira visita foi em 1976, quando assinou importante acordo de amizade e cooperação, “de grande significado”, tanto para o MPLA como para que fosse assegurada a influência soviética na África. A segunda foi em 1977, quando Neto foi com seus Ministros da Defesa e das Relações Exteriores, para comemorar o primeiro aniversário do acordo. A terceira, em caráter particular, Neto teria ido para fazer um tratamento em um hospital na Criméia, perto da casa de veraneio de Brejnev.






Jornal: O GLOBO

Data/pg: 12/09/1979 p. 17.

Manchete: “Guerreiro: Ele era um herói para seu povo”

Fonte: O GLOBO

Assunto: A matéria ressalta a declaração do Ministro do Exterior, Saraiva Guerreiro, na qual lamentou a morte de Agostinho Neto, tendo afirmado que ele era um líder, um herói de seu povo e, um significativo poeta da língua portuguesa. Destacou a grande capacidade e sabedoria de Neto na condução dos destinos de seu povo e o importante papel no desenvolvimento das excelentes relações entre Brasil e Angola. Quanto a este último ponto, a matéria enfatiza, que o chanceler brasileiro acreditava que qualquer que fosse o sucessor de Neto, os princípios de cooperação, baseados na reciprocidade e respeito mútuos, continuariam. Contudo, quanto a quem seria o sucessor de Neto, Guerreiro afirmou não ter condições de realizar previsões, mas que esperava alguém com as mesmas qualidades de Neto, que pudesse assumir com as mesmas responsabilidades.




Jornal: O GLOBO

Data/pg: 12/09/1979 p. 17.

Manchete: “Dos Cárceres da PIDE à Presidência de Angola”

Fonte: O GLOBO

Assunto: Como o próprio título sugere, a matéria traça uma pequena biografia de Agostinho Neto, ressaltando que era filho de um pastor metodista e de uma professora e que nascera em 17 de setembro de 1922, nos arredores de Launda. Fora um “aluno brilhante”, trabalhou para o Serviço de Saúde de Angola até conseguir, aos 25 anos, uma bolsa para estudar medicina em Portugal. Trabalhou como médico apenas durante um período de exílio em Cabo Verde. Em Angola, praticamente não exerceu a medicina, tendo dedicado-se, cada vez mais, às atividades políticas. Foi preso , pela primeira vez, pela extinta PIDE em 1951, quando recolhia assinaturas em Lisboa para levar “o problema de Angola à Conferencia Mundial da Paz que se realizaria em Estocolmo. De volta a Angola, em 1959, Agostinho Neto voltou a ser preso pelas autoridades portuguesas um ano depois e cumpriu pena em Cabo Verde e Liasboa até ser liberado, em 1962, após uma campanha mundial. Diversos intelectuais europeus se manifestaram a favor do líder nacionalista angolano, a quem chamavam de ‘Senghor português’ por seus dotes de poeta. Em 1963, Neto substituiu Viriato da Cruz como presidente do MPLA, formado em 1956 como resultado da fusão de vários grupos nacionalistas. Desde então, passou a dirigir, do exterior, a luta que o MPLA travava principalmente no enclave de Cabinda e na região de Luanda (...) Em 15 de janeiro de 1975, os três movimentos nacionalistas assinaram, em Alvor, um acordo sobre a independência de Angola e a co-participação no poder. Em 4 de fevereiro de 1975, após 14 anos de exílio, Agostinho Neto regressou triunfante a Luanda. Mas a partir de julho, a luta entre os três movimentos nacionalistas intensificou-se até que, em novembro, o MPLA, apoiado pela URSS e por Cuba, venceu a FNLA e a UNITA. No dia 11 de novembro de 1975, Agostinho Neto foi proclamado primeiro presidente da República Popular de Angola, adotando uma política de caráter marxista-leninista tendendo à instauração de uma ‘democracia popular’. Bastante introspectivo, o Dr. Agostinho Neto – casado e pai de três filhos – deu poucas entrevistas, preferindo, aparentemente, revelar seu gosto e seus sentimentos através da poesia. Seus poemas, publicados pela primeira vez em 1955, foram traduzidos para vários idiomas. Em 1970, a IV Conferência dos Escritores Afro-Asiáticos concedeu a Agostinho Neto o Premio Lótus, consagrando como poeta aquele que em 1957 fora escolhido ‘Político do Ano’ pela Anistia Internacional”.




Jornal: O GLOBO

Data/pg: 13/09/1979 p. 18.

Manchete: “Angola pede união após morte de Agostinho Neto”

Fonte: O GLOBO

Assunto: A matéria informa que a liderança do MPLA pediu ao povo que se mantivesse em ordem e vigilante, após a morte de Neto, classificado como “guia da Revolução, militante número um e mais ativo do país”. Ressalta que o presidente Leonid Brejnev e demais autoridades soviéticas foram à Embaixada angolana para assinar o livro de condolências e prestar a última homenagem ao presidente de Angola. Enfatiza que o Presidente de Portugal Ramalho Eanes, havia decretado luto oficial de três dias e considerado a morte de Neto “um rude golpe para todos os que tiveram o privilégio de privar de sua amizade”, salientou também, a coragem e a clarividência, um “estadista excepcional”. Afirma que Neto fora homenageado pelo novo Embaixador dos EUA na ONU, Donald McHenry, para quem o chefe de Estado havia sido “um verdadeiro nacionalista”, interessado no desenvolvimento de seu país e na solução pacífica para os complexos problemas da África Meridional e Central. Já o jornal Granma, segundo a reportagem, havia dedicado toda a primeira página de sua edição do dia 12/09 à morte de Neto. Acrescenta que Fidel Castro enviara mensagem ao MPLA, tendo afirmado que naquele momento de grande dor para a nação angolana, assegurou que poderiam contar, “mais do que nunca, com a firme solidariedade do Partido, do Governo e do povo de Cuba”.

Por fim, informa que Zâmbia e Tanzânia estavam entre os países que tinham decretado luto oficial.






Jornal: O GLOBO

Data/pg: 14/09/1979 p. 15.

Manchete: “Angola recebe corpo de Agostinho Neto”

Fonte: O GLOBO

Assunto: A matéria informa que os restos mortais do Presidente Agostinho Neto eram aguardados naquele dia em Luanda para o sepultamento.




Jornal: O GLOBO

Data/pg: 15/09/1979 p. 17.

Manchete: “Funerais de Agostinho Neto devem ser na segunda-feira”

Fonte: O GLOBO

Assunto: A matéria afirma que centenas de milhares de angolanos, a maioria em lágrimas, haviam prostrado-se ao longo das estradas e ruas que se ligavam ao aeroporto de Luanda à Câmara Municipal, num percurso de 7 quilômetros, para assistir à passagem dos restos mortais do Presidente Agostinho Neto. A data do funeral ainda não tinha sido definida, mas acreditava-se que seria na segunda-feira, dia 17/09.

Ressalta que no avião das Linhas Aéreas de Angola, que trouxera os despojos do Presidente viajaram sua viúva, sua irmã e vários dirigentes do MPLA e, que entre as personalidades presentes no aeroporto estava o Presidente de São Tomé e Príncipe, Pinto da Costa.






Jornal: O GLOBO

Data/pg: 16/09/1979 p. 26.

Manchete: “Alemães orientais ocupam postos de cubanos em Angola”

Fonte: O GLOBO

Assunto: A matéria denúncia, com base em fontes “responsáveis” do jornal Die Vaderland, da África do Sul, que era cada vez maior o número de alemães orientais a ocupar em Angola e Moçambique postos de direção anteriormente reservados aos cubanos. Estes, por sua vez, vinham sendo deslocados para atividades militares.

No que diz respeito ao sepultamento do Presidente Agostinho Neto, a matéria afirma que fora marcado para o dia seguinte (17/09), data em que ele completaria 57 anos. A partir daquele momento, no dia 17/09 seria feriado nacional em Angola. Acrescenta que os restos mortais de Neto, estavam expostos na Prefeitura de Luanda, mesmo local onde foi proclamada a independência do país.






Jornal: O GLOBO

Data/pg: 17/09/1979 p. 17

Manchete: “Funeral de Agostinho Neto pára Angola hoje”

Fonte: O GLOBO

Assunto: A matéria informa o pedido das autoridades angolanas, para que a população tivesse algumas horas de recolhimento em frente às sedes do MPLA em todo o país, a fim de que pudessem acompanhar pela Rádio Nacional as cerimônias fúnebres do Presidente Agostinho Neto.

Ressalta que em Luanda continuavam a chegar delegações de vários países para participar das exéquias. Todas as nações de língua portuguesa, exceto o Brasil, estariam representadas por seus presidentes.

Enfatiza que o corpo de Neto seria levado para o Palácio do Povo, onde seria velado por algumas horas antes do enterro.





Jornal: O GLOBO

Data/pg: 18/09/1979 p. 18

Manchete: “Corpo de Neto ficará exposto em mausoléu”

Fonte: O GLOBO

Assunto: A matéria informa que o corpo de Neto, provisoriamente depositado em uma urna de vidro e mármore no salão principal do Palácio do Povo, em Luanda, seria embalsamado e transferido para um mausoléu a ser construído com a ajuda de especialistas soviéticos. No novo local o cadáver de Neto ficaria exposto permanentemente à visitação pública, como o de Lênin, em Moscou e o de Mao Tse-Tung, em Pequim.

Ressalta que nas cerimônias fúnebres no palácio, haviam discursado os principais líderes do MPLA, que juraram continuar o combate pela democracia popular e pelo socialismo em Angola, e o Presidente da Libéria, William Tolbert, que falou em nome da OUA e das nações africanas.

Enfatiza que estiveram presentes dez chefes de Estados, inclusive o de Portugal, General Ramalho Eanes e representantes de numerosos países.

Afirma que a Delegação Brasileira integrada pelo Ministro da Educação e da Cultura, Eduardo Portela e do Chefe da Divisão Africana do Ministério das Relações Exteriores, Afonso Celso de Ouro Preto e o Embaixador em Angola, Rudolpho de Souza Dantas, “era pouco representativa” se comparada com o volume de interesses comerciais entre os dois países.





Jornal: O GLOBO

Data/pg: 19/09/1979 p. 16

Manchete: “Ex-Ministro de Neto é presidente provisório”

Fonte: O GLOBO

Assunto: A matéria informa que o Ex-Ministro do Planejamento, José Eduardo dos Santos, “um dos poucos negros do gabinete de Agostinho Neto”, havia sido nomeado Presidente provisório da República, tendo tornado-se o favorito na disputa pelo poder.




Jornal: O GLOBO

Data/pg: 20/09/1979 p. 16

Manchete: “José Santos confirmado na presidência de Angola”

Fonte: O GLOBO

Assunto: A matéria informa que José Eduardo dos Santos fora confirmado no cargo de Presidente da República e eleito também, presidente do MPLA, em reunião extraordinária do Comitê Central.

Catálogo: nec -> sites -> default -> files
files -> Declaração de Direitos do Homem e do Cidadão (Revolução Francesa) França, 26 de agosto de 1789
files -> A África através das imagens de Fortier
files -> Primeira Revolução Industrial: aspectos sociais, econômicos e políticos
files -> Neto anuncia prisão de centenas de rebeldes
files -> As Vanguardas Artísticas Européias Tatiane Amorim Vasconcelos e Ana Beatriz Domingues a "Os comedores de batatas"
files -> Da miséria camponesa à Revolução Francesa a força camponesa no início da revolução
files -> Os miseráveis do século XIX: cotidiano e condiçÕes de trabalho da classe operária na revoluçÃo industrial
files -> Universidade federal fluminense a guerra de Independência de Espanha, a Guerrilha e Goya: o nascimento do Sentimento de Nacionalismo Espanhol e os Retratos da Guerra – 1808-1814. Ana Cristina Zecchinelli Alves e Maurício Cunha Ferreira
files -> Vorster exorta Ocidente à resistência em Angola
files -> Angola se torna membro da onu por unanimidade


Compartilhe com seus amigos:


©principo.org 2019
enviar mensagem

    Página principal