Ainda Casados! The tycoon takes a wife



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Ainda Casados!

THE TYCOON TAKES A WIFE

Catherine Mann



OS IRMÃOS LANDIS
Eu os declaro... Ainda casados!

Aquilo tinha sido um erro... Pelo menos para a noiva de Jonah Landis. Tanto que ela o deixou na manhã seguinte ao casamento relâmpago. Jonah jamais a perdoou, e entrou com o pedido de anulação tão rapidamente quanto havia trocado alianças com Eloisa. Ele jurou esquecê-la, mas, um ano depois, por uma questão técnica, continuam casados. Se sua “mulher” quer se ver livre, antes terá de proporcionar a Jonah a lua de mel que ele esperou por tanto tempo...


Digitalização: Simone R.

Revisão: Cláudia

Tradução Ligia Chabú

PUBLICADO SOB O ACORDO COM HARLEQUIN ENTERPRISES II B.V./S.à.r.l.

Todos os direitos reservados. Proibidos a reprodução, o armazenamento ou a transmissão, no todo ou em parte.

Todos os personagens desta obra são fictícios. Qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas é mera coincidência.
Título original: RICH MAN’S FAKE FIANCEE

Copyright © 2008 by Catherine Mann

Originalmente publicado em 2008 por Silhouette Desire
Título original: HIS EXPECTANT EX

Copyright © 2008 by Catherine Mann

Originalmente publicado em 2008 por Silhouette Desire
Título original: THE TYCOON TAKES A WIFE

Copyright © 2010 by Catherine Mann

Originalmente publicado em 2010 por Silhouette Desire
Projeto gráfico de capa:

Nucleo i designers associados

Arte—final de capa:

Ô de Casa

Editoração eletrônica:

EDITORIARTE

Impressão:

RR DONNELLEY

www.rrdonnelley.com.br
Distribuição para bancas de jornais e revistas de todo o Brasil:

FC Comercial Distribuidora S.A.

Editora HR Ltda.

Rua Argentina, 171,4° andar.

São Cristóvão, Rio de Janeiro, RJ – 20921-380.

Contato:


virginia.rivera@harlequinbooks.com.br

virginia.rivera@harlequinbooks.com.br


PRÓLOGO
Madri, Espanha: um ano atrás.

Ele queria cobri-la de joias.

Jonah Landis deslizou os dedos ao longo do braço desnudo da mulher dormindo ao seu lado, e imaginou qual das relíquias da família combinaria mais com o cabelo escuro dela. Rubis? Esmeraldas? Ou talvez um colar de pérolas de rio? Seus dedos roçaram do ombro até o colo dela, sua barba por fazer tendo deixado uma leve aspereza ao longo da pele alva.

Ele geralmente não mexia no tesouro da família. Preferia viver do dinheiro que ganhava com seus próprios investimentos. Mas por Eloisa, faria uma exceção.

A luz do início da manhã se infiltrava através das grades de ferro da janela na mansão do século XVII que ele tinha alugado para o verão. Uma brisa gentil movia o lençol de linho sobre a cama. No começo, ele nem sequer percebera que ela era americana, uma vez que Eloisa parecera tão à vontade entre as ruínas do castelo espanhol. E exótica. E muito ardente. Enquanto ela andava pelos andaimes, tomando notas, ele perdera o fio da meada na conversa com os investidores.

A maioria de seus conhecidos o rotulavam como o impulsivo da família, não que Jonah se importasse muito com o que os outros pensassem a seu respeito. Certamente, corria riscos em seu trabalho e na vida privada, mas sempre tinha um plano. E sempre valera a pena.

Até agora.

Na noite anterior, pela primeira vez não planejara nada. Simplesmente mergulhara de cabeça num envolvimento com essa mulher intrigante. Não tinha certeza no que resultaria tal decisão a longo prazo, mas sabia que eles teriam um verão maravilhoso.

O resto? Jonah podia viver um dia de cada vez.

— Humm — suspirou ela, rolando para o lado e passando um braço sobre o quadril dele. — Eu dormi demais?

Os olhos de Eloisa ainda estavam fechados, mas sua cor rica e escura havia mascarado a arrogância de uma imperatriz turca. Ele passara muito tempo perguntando-se sobre a mulher atrás deles, durante reuniões de reconstrução histórica.

Jonah consultou o relógio digital, sobre uma mesa de madeira entalhada.

— Ainda são 6h. Nós ainda temos algumas horas antes do café da manhã.

Eloisa enterrou mais a cabeça no travesseiro de penas, o cabelo preto formando um contraste tentador com a fronha branca.

— Eu ainda estou tão sonolenta.

Ela devia estar. Eles tinham passado a maior parte da noite fazendo sexo... Cochilando... Tomando banho... E fazendo sexo de novo. O fato de que haviam tomado alguns drinques não ajudava.

Jonah se limitara a dois, mas aqueles dois pareciam ter feito mais efeito em Eloisa do que nele. Acariciou-lhe o longo cabelo preto, tão sedoso que deslizava através de seus dedos agora, como tinha feito quando ela estivera em cima dele, embaixo dele.

Jonah pulsava por querê-la novamente, quando deveria estar sem forças, por um tempo pelo menos. Ela precisava descansar mais.

Ele saiu da cama, o ar fresco da manhã que vinha do lado de fora, sussurrando sobre sua pele.

— Eu vou ligar lá para baixo e pedir que alguém da cozinha traga-nos o café da manhã aqui. Se você tem alguma preferência, fale agora.

Ela rolou sobre as costas, os olhos ainda fechados enquanto se espreguiçava; os seios perfeitamente arredondados, sendo revelados quando o edredom escorregou para sua cintura.

— Humm, qualquer coisa está boa para mim. — A voz era sonolenta. — Eu estou tendo um sonho tão maravilhoso... — Eloisa pausou franzindo a testa. Espiou através de cílios pintados mal abertos. — Jonah?

— Sim, sou eu. — Ele vestiu a cueca de seda e pegou o telefone.

Ela percorreu os olhos pelo quarto rapidamente, orientando-se. Agarrou o edredom e puxou-o para cima, levando a mão para mais perto do rosto. Subitamente, ficou imóvel e franziu o cenho.

— Qual é o problema?

Não era possível que Eloisa estivesse tímida depois da noite anterior. Não era como se eles tivessem deixado às luzes apagadas.

— Uh, Jonah? — O tom de voz aumentou um pouco de volume.

Ele se sentou na beira da cama e esperou, já pensando em pelo menos cinco maneiras diferentes de distraí-la durante o verão.

Ela estendeu o braço, abrindo os dedos. A luz do sol que se infiltrava pela janela brilhou na simples aliança de ouro que ele pusera ali na noite anterior. Eloisa piscou rapidamente, os olhos se arregalando com horror.

— Oh, meu Deus — exclamou ela, girando a nova aliança no dedo com o polegar. — O que nós fizemos?



CAPÍTULO UM


Pensacola, Flórida: dia atual.
— Parabéns para a futura noiva, minha princesinha!

O brinde do pai da noiva veio do deque do barco, carregado pela brisa úmida de Pensacola, para Eloisa Taylor que estava no cais. Eloisa estava sentada, mergulhando seus pés doloridos nas águas do Golfo da Flórida, exausta por ajudar a planejar a festa de noivado de sua meia-irmã. Seu padrasto faria uma grande festa para Audrey, muito mais do que um coletor de impostos que vivia em um cubículo tinha condições, mas nada era bom o bastante para sua “princesinha”. Ele ainda tivera de se contentar em agendar para uma segunda-feira à noite, a fim de conseguir pagar pela festa.

O eco de cálices batendo num brinde misturou-se com o barulho das ondas contra seus pés. O jantar já tinha acabado; os convidados estavam tão bem alimentados, que não sentiriam a sua falta. Eloisa era boa nisso... Ajudar pessoas sem ser notada.

Organizar essa festa de noivado havia sido triste em parte, forçando-a a pensar sobre seus próprios votos. Não celebrados. Desconhecidos até mesmo para sua família. Graças a Deus pelo divórcio que a libertara de seu casamento impulsivo à meia-noite, quase com a mesma rapidez com que ela entrara nele.

Geralmente, conseguia reprimir tais lembranças, mas como poderia não pensar naquilo agora, quando tudo que a cercava nos últimos tempos era a felicidade de Audrey no amor? Sem mencionar a mensagem de voz enigmática que recebera esta manhã, com a voz dele. Jonah. Mesmo depois de um ano sem ouvi-lo, ela ainda reconhecia a voz sexy.

Eloisa. Sou eu. Nós precisamos conversar.

Ela afastou o rabo de cavalo que o vento levara para seu rosto, tremendo diante da sensação imaginária da mão dele acariciando-lhe a face. Um ano atrás, Eloisa decidira descobrir a herança de seu pai verdadeiro. Um capricho de verão a levara a um homem totalmente errado, com uma vida muito conhecida pelo público, que ameaçava seu mundo cuidadosamente protegido. Ameaçava seus segredos.

Eloisa piscou contra as memórias de Jonah, e eram muitas, considerando o pouco tempo que passaram juntos. Eles eram história agora, desde que ela se divorciara dele. Não que o casamento de 24 horas contasse em sua mente. Ela deveria ignorar o telefonema e bloquear o número de Jonah. Ou, pelo menos, esperar passar o casamento de sua irmã antes de contatá-lo novamente.

Um peixe mergulhou a distância, barcos batiam contra mastros. Os sons familiares a acalmavam. Eloisa prestou atenção aos outros sons de sua cidade, reunindo todo conforto que pudesse encontrar. A água verde-esmeralda refletia uma lua cheia. O vento sussurrava através das palmeiras.

Um motor suave foi ouvido à distância.

Pelo jeito seu momento de solidão acabara. Ela balançou um dos pés para secá-lo, depois o outro então olhou para trás. Uma limusine se aproximava. Convidados chegando atrasados? Pouco provável, uma vez que já estava acontecendo à dança após o jantar.

Pegando suas sandálias, ela observou o veículo preto elegante. Janelas escuras escondiam os passageiros do lado de dentro, mas a faziam se sentir em evidência. A área privada devia ser segura. Todavia, alguém estava totalmente seguro, principalmente no escuro?

Um calafrio a percorreu e sua boca secou. Eloisa calçou as sandálias, criticando-se por ser tola. Entretanto, o noivo de Audrey era famoso por ter algumas conexões suspeitas. Seu padrasto só via poder e sinais de dólares, aparentemente despreocupado com o caminho usado para obter tal dinheiro.

Não que aqueles contatos questionáveis tivessem motivo para machucá-la. De qualquer forma, era melhor voltar para a festa no barco.

Eloisa levantou-se.

A limusine acelerou.

Ela engoliu em seco, desejando que tivesse feito aulas de autodefesa, enquanto estudava para conseguir seu diploma como bibliotecária.

Certo, não havia necessidade para ela ficar paranoica. Então começou a andar. Aproximadamente 30m à frente, poderia alertar o membro da tripulação na prancha de embarque e desembarque. Então ela se perderia dentro da multidão de dançarinos, sob as fileiras de luzes brancas. O barulho do motor aumentou, indicando aproximação. Eloisa apressou os passos.

Cada respiração parecia mais pesada, o sal no ar causando ardor em seus poros sensíveis. O salto baixo de sua sandália prendeu entre as tábuas no chão. Ela libertou o pé no instante em que o carro parou à sua frente.

Uma porta traseira se abriu... Nem mesmo esperando o chofer... E bloqueou sua fuga. Eloisa não podia andar em frente, somente para o lado, para dentro do carro ou para dentro da água. Ou poderia andar para trás, o que a levaria para mais longe do barco. Freneticamente, procurou ajuda. Algum dos 75 convidados da festa a notaria ou a ouviria?

Uma perna coberta por uma calça preta saiu da limusine, o resto do homem ainda escondido. Todavia, aquele sapato italiano fino, foi o bastante para fazer seu coração disparar. Ela só conhecera um homem que os usava, e detestava que ainda se lembrasse da aparência e da marca dos sapatos.

Ela recuou uma tábua de cada vez, acessando o homem enquanto ele saía do veículo. Rezou por algum sinal de que estivesse enganada. Cabelo grisalho? Uma barriga de cerveja?

Não teve essa sorte. O homem musculoso estava de terno preto, o botão superior da camisa aberto e a gravata afrouxada. O cabelo castanho batia quase no ombro, e estava penteado para trás do rosto, revelando um maxilar forte.

Um maxilar muito mais familiar que qualquer sapato. O nervosismo fez Elisa tremer por dentro.

Ele se virou, encarando-a de frente, a luz da lua brilhando no cabelo castanho ondulado. Óculos escuros escondiam-lhe os olhos. Óculos escuros à noite? Para não ser reconhecido ou por vaidade?

Independentemente disso, seu ex-marido não ficara contente apenas em telefonar e deixar um recado. Não, não Jonah. O homem poderoso de quem ela se divorciara um ano atrás tinha voltado.

Jonah Landis removeu os óculos, olhou para o relógio e sorriu.

— Desculpe pelo atraso. Nós perdemos a festa?

Jonah Landis não estava interessado em festa alguma. Queria descobrir por que Eloisa não lhe contara toda a verdade quando exigira o divórcio, um ano atrás. Também queria saber por que sua amante apaixonada o dispensara de forma tão fria.

A expressão atônita no rosto de Eloisa quando ela parou no cais, teria sido inestimável se ele não estivesse tão furioso sobre o segredo que ela escondera; um segredo que ele acabara de descobrir, que estava impedindo a finalização do processo de divórcio deles.

É claro que, quando ele a conhecera em Madri há um ano, ficara distraído pela química instantânea e explosiva entre eles. E olhando-a agora, vendo-lhe a elegância, percebeu que perdera alguns detalhes que poderiam ter lhe dado algumas dicas... Como, por exemplo, o quanto ela combinava com sua ascendência espanhola.

A mulher era uma distração ambulante.

O vento moldava o vestido de seda cor de canela ao redor do corpo de Eloisa. A luz parca da noite pregava peças em sua visão, até que ela parecesse quase nua, vestida apenas em sombras que mudavam de lugar. Ela soubera disso quando escolhera o vestido? Eloisa parecia não perceber os próprios atrativos, um fato que apenas realçava sua beleza.

O cabelo liso escuro estava preso num rabo de cavalo severo que puxava os olhos castanhos, tornando-os ainda mais exóticos do que já eram. Sem ao menos um batom nos lábios, ela relegaria a maioria das modelos às sombras.

Uma vez que tivesse o nome dela na linha pontilhada dos papéis do divórcio; papéis oficiais, desta vez, Jonah nunca mais teria nada a ver com Eloisa. Esse tinha sido o plano, pelo menos. Ele não precisava de uma segunda dose do tratamento quente-frio dela. Então, interpretara os sinais erroneamente, não percebendo que ela estava bêbada quando dissera “sim” durante a troca dos votos matrimoniais. Isso não significava que ela precisava lhe dar uma bofetada e sumir do planeta. Ele não queria mais nada com Eloisa.

Ou assim acreditara. Então ele a vira e sentira aquele impacto todo de novo, um impacto que pensara que tivesse sido exagerado por sua memória.

Jonah reprimiu a atração e focou-se em resolver aquilo. Precisava da assinatura de Eloisa, e por algum motivo, recusava-se a deixar o assunto com os advogados. Talvez tivesse alguma coisa a ver com dar um fechamento àquilo tudo.

Eloisa ergueu o queixo delicado.

— O que você está fazendo aqui?

— Eu vim para acompanhá-la à festa de noivado de sua irmã. — Ele apoiou um cotovelo sobre a porta aberta da limusine, o chofer esperando na frente, como tinha sido instruído mais cedo. — Não posso deixar minha esposa ir sozinha.

— Shhh! — Inclinando-se em direção a ele, Eloisa bateu no ar na frente do rosto de Jonah, quase lhe tocando a boca. — Eu não sou sua esposa.

Ele lhe capturou a mão, o polegar roçando o dedo do anel vazio.

— Eu devo ter sonhado com toda aquela cerimônia de casamento, em Madri.

Eloisa recolheu a mão e esfregou a palma contra a perna.

— Você está discutindo semântica.

— Se você prefere pular a festa, nós podemos comprar alguma coisa para comer e conversar sobre essas semânticas.

Ela o olhou.

— Você está brincando, certo?

— Suba no carro e veja.

Eloisa olhou para o barco, então para ele novamente, o longo rabo de cavalo balançando antes de descansar sobre um ombro.

— Eu não tenho certeza se essa é uma boa ideia.

— Com medo de que eu sequestre você?

— Não seja ridículo. — Ela deu uma risada nervosa, como se tivesse considerado exatamente isso.

— Então, o que a está prendendo? A menos que você queira continuar a conversa aqui. — Ele gesticulou a cabeça em direção ao barco repleto de gente. — Pensei que quisesse que eu ficasse em silêncio.

Ela olhou por sobre o ombro, e apesar de parecer que ninguém os notara; quem sabia quanto tempo aquilo duraria? Não que Jonah se importasse com o que os outros pensavam; diferentemente de sua enigmática esposa. Ele aprender muito tempo atrás, que tinha duas escolhas na vida: deixar os outros regrarem sua vida ou assumir o controle.

A segunda opção vencera.

Ele arqueou uma sobrancelha e esperou.

— Tudo bem — concordou ela, entre dentes cerrados.

Eloisa olhou-o com expressão zangada antes de entrar no carro, sem sequer roçar contra ele, e se acomodar no banco de couro.

Jonah entrou ao seu lado, fechou a porta e bateu no vidro entre eles e o chofer, sinalizando para ele dirigir. Apenas dirigir. Ele decidiria um destino mais tarde.

— Para onde vamos? — Perguntou ela, quando a limusine entrou em movimento, os vidros escuros fechando-os em sua própria cápsula privada.

— Aonde você quer ir? Eu tenho uma suíte na Praia Pensacola.

— É claro que você tem. — O olhar de Eloisa percorreu o pequeno espaço, demorando-se um pouco em seu computador, à esquerda dela, antes de mover-se para o minibar e a televisão de plasma.

— Eu vejo que você não mudou. — Ele esquecera como ela podia ser implicante sobre dinheiro. Entretanto, isso tinha sido revigorante. Muitas mulheres o perseguiam por causa da riqueza e influência política dos Landis.

Uma mulher nunca o dispensara por causa disso. Obviamente, na época, Jonah não soubera que a família de Eloisa era ainda mais rica e mais influente que a própria família. Algo impressionante.

E confuso, uma vez que ela não lhe contara aquilo, nem mesmo depois que eles haviam se casado.

Jonah suprimiu a onda de raiva, uma emoção perigosa, considerando o desejo que percorria seu corpo. Para provar a si mesmo que podia manter o controle, ele deslizou dois dedos pela extensão de uma mecha de cabelo preto dela.

Eloisa afastou a cabeça de seu toque.

— Pare com isto. — Nervosamente, ela ajustou o ventilador do ar-condicionado, até que a rajada de ar movesse fios de seu cabelo. — Chega de brincadeira, embora você pareça ser especialista em recreação. Eu só quero saber por que está aqui, agora.

Com tudo que Jonah sabia sobre ela, Eloisa ainda o conhecia muito pouco.

— O que há de errado em querer ver minha esposa?

— Ex-esposa. Nós nos embriagamos e acabamos casados. — Ela deu de ombros. — Isso acontece com muita gente, desde astros da música até as pessoas mais comuns. Apenas veja os registros de casamento em Las Vegas. Nós cometemos um erro, mas agimos para consertá-lo na manhã seguinte.

— Você considera que foi tudo um erro? Mesmo a parte entre o “sim” falado no casamento e a ressaca ao acordar? — Ele não pôde resistir relembrá-la.

Os olhos escuros de Eloisa brilharam.

— Eu não me lembro.

— Você ficou vermelha — ele notou, com mais do que um pouco de satisfação. — Você lembra muito bem das partes boas.

— Sexo é irrelevante. — Ela fungou.

— Sexo? Eu estava falando sobre a comida — murmurou Jonah apreciando o jogo de gato e rato deles. — A mariscada en salsa verde estava incrível. — E rapidamente, ele podia quase sentir o gosto dos mariscos em molho verde, o jantar que compartilhara com Eloisa, antes que eles tomassem os drinques. Casassem-se. Ficassem nus.

Ele podia ver a mesma memória refletida nos olhos de Eloisa. Então ela comprimiu os lábios.

— Você é um tolo, Jonah.

— Mas sou todo seu. — Por enquanto, pelo menos.

— Não mais. Lembra-se do “conserto” na manhã seguinte? Você é meu ex-tolo.

Como se fosse simples colocar essa mulher em seu passado! Deus sabia que ele tentara arduamente esquecer Eloisa Taylor Landis durante o último ano.

Ou melhor, Eloisa Medina Landis?

Ele se deparara com o erro num registro de igreja, um “detalhe” tecnicamente, que ela se esquecera de mencionar, mas um que travara a papelada deles na Espanha. A sensação de choque, e sim, até mesmo de traição amarga, abalou-o novamente.

Sem dúvida, Jonah precisava colocar essa mulher no passado, mas desta vez, seria ele quem iria embora.

— Você está enganada, Eloisa. Este “conserto” foi quebrado ao longo do caminho. — Ele lhe pegou uma mecha de cabelo novamente, sem lhe tocar o ombro.

Puxou o cabelo de leve, fazendo-a sentir sua presença. Um brilho de consciência surgiu nos olhos dela, causando uma onda de calor em Jonah. Olhou para a corrente simples de ouro ao redor do pescoço elegante, e lembrou-se das joias que uma vez imaginara ali, enquanto ela dormia. Então Eloisa tinha acordado e deixado claro que não haveria verão juntos para ambos. Ela não podia ter saído mais rapidamente de sua vida.

Ela arfou, lembrando-o de por que ele estava lá. Para terminar as coisas e partir.

Agora, imaginou se seria ainda mais satisfatório ter uma última noite com Eloisa, para se assegurar de que ela se recordasse de tudo que eles poderiam ter tido, se ela tivesse sido sincera com ele, como Jonah havia sido com ela.

Ele soltou o rabo de cavalo para lhe acariciar o rosto, gentilmente incentivando-a a encará-lo de frente.

— A papelada nunca saiu. Alguma coisa a ver com você mentir sobre seu nome.

Eloisa desviou os olhos.

— Eu nunca menti sobre meu nome... — Ela se sentou mais ereta, voltando a fitá-lo. — Como assim, a papelada nunca saiu?

Ela parecia genuinamente surpresa, mas Jonah aprendera a não confiar em Eloisa. Todavia, faria aquele jogo, a fim de alcançar seu maior objetivo... Uma última noite na cama dela, antes de partir para sempre.

— O divórcio não foi finalizado. Você minha querida, ainda é a senhora Jonah Landis.


CAPÍTULO DOIS

Ele só podia estar brincando.

Eloisa enterrou os dedos no assento de couro, considerando seriamente fazer uso da garrafa de conhaque no bar da limusine. Exceto que exagerar em drinques alcoólicos a colocara nessa confusão, em primeiro lugar.

Ela se esforçara para cobrir seus rastros. Sua mãe lhe avisara da importância de ser cuidadosa. De nunca estar em evidência. De não fazer nada pelo que pudesse ser censurada. De nunca, jamais, chamar atenção.

Eloisa olhou para fora da janela, a fim de ver para onde eles estavam indo. Passaram por salões de beleza e lojas de roupas ao longo da avenida da praia, a vida noturna agitada com seus restaurantes e bares com mesas ao ar livre. O chofer parecia estar apenas dando voltas, não dirigindo para nenhum lugar específico... Como o hotel de Jonah.

Ela não podia pagar o preço de ser impulsiva novamente.

— Nós assinamos a papelada do divórcio.

Os olhos azuis de Jonah se estreitaram.

— Aparentemente, há alguma coisa que você deixou de me contar, um segredo que manteve bem guardado.

Eloisa mordeu o lábio para conter as palavras impulsivas, enquanto reunia os pensamentos e lembrava a si mesma de ser grata por ele não descobrir seu segredo mais recente. Seu estômago vazio se contorcia de nervoso. Ela tentou respirar fundo e se acalmar, mas tinha de enfrentar uma verdade descoberta muito tempo atrás. Somente quando estava trabalhando na biblioteca conseguia relaxar.

Pelo que podia ver, não havia livros escondidos naquele carro luxuoso, embora a parte de trás contivesse tecnologia suficiente para proporcionar um comando central para um pequeno exército. Aparentemente, Jonah preferia ter o mundo ao alcance de seus dedos. Estranho, mas Eloisa não tinha tempo para distrações agora.

— Que segredo? — Perguntou ela, tendo aperfeiçoado há muito tempo o hábito da negação. Até hoje ninguém insistiu na questão, portanto a estratégia não a decepcionara. — Eu não tenho ideia do que você está falando.

O maxilar dele enrijeceu com irritação.

— É assim que você quer jogar? Tudo bem. — Ele se inclinou para mais perto, e ela sentiu o aroma almiscarado de Jonah, misturado com o perfume ainda familiar da colônia pós-barba. — Você se esqueceu de mencionar seu pai.

Seu peito se apertou mais que suas mãos se contorcendo na saia do vestido.

— Meu pai é um coletor de impostos, em Pensacola, Flórida. Falando nisso, por que você não está na sua casa, em Hilton Head, Carolina do Sul?

Ele lhe agarrou os pulsos a fim de parar seus movimentos nervosos.

— Não seu padrasto, seu pai biológico.

Aparentemente, não estava fácil distrair Jonah esta noite. Um tremor a percorreu apenas com a menção do homem que destruíra a vida de sua mãe, o homem sobre quem ela mentia em bases regulares.

— Minha mãe era mãe solteira quando eu nasci. Meu pai verdadeiro era um vagabundo que não queria fazer parte da minha vida.

Seu pai; não mais que um doador de esperma em sua opinião, tinha despedaçado o coração de sua mãe, então a deixado para criar a filha deles, sozinha. Seu padrasto podia não ter sido um príncipe encantado, mas pelo menos, estivera presente para ela e para sua mãe.

— Um vagabundo? Um vagabundo da realeza. — Jonah estendeu uma perna, o sapato polido brilhando na luz acesa no teto do carro. — Dicotomia interessante.

Eloisa fechou os olhos, desejando que fosse tão fácil fechar as repercussões do que ele descobrira. Sua mãe havia sido enfática sobre a segurança pessoal. Seu pai biológico ainda tinha inimigos em San Rinaldo. Ela fora tola em tentar o destino, indo para a Espanha, na esperança de descobrir sobre metade de sua herança na pequena ilha. Ora, medo era uma coisa boa quando mantinha uma pessoa segura.

Ela suspirou.

— Por favor, você pode não falar sobre isso?

— Falar sobre o quê?

— Sobre a coisa toda da realeza. — Embora seu padrasto frequentemente chamasse Audrey de “princesinha”, ele e o resto do mundo não sabiam que Eloisa era aquela que tinha sangue real correndo nas veias, graças ao seu pai biológico.

Ninguém sabia, exceto Eloisa, sua mãe falecida e um advogado que conduzia qualquer comunicação com o rei deposto. O pai verdadeiro de Eloisa. Um homem perseguido até hoje pela facção de rebeldes que lhe tomara o reinado de sua pequena ilha de San Rinaldo, na costa da Espanha.

Como Jonah descobrira?

Ele lhe inclinou o queixo com um dedo.

— Você pode ter conseguido enganar o mundo por anos, mas eu descobri seu segredo. Você é a filha ilegítima do rei deposto, Enrique Medina.

Ela enrijeceu na defensiva, então se forçou a relaxar.

— Isso é ridículo. — Apesar de ser verdade. Se ele tinha descoberto, quanto tempo levaria até que seu segredo fosse revalado para os outros? Eloisa precisava saber; encontrar alguma maneira de não deixar aquilo vazar, e de convencê-lo de que ele estava errado. — O que o faz acreditar numa coisa tão estranha?

— Eu descobri a verdade quando voltei à Europa, recentemente. Meu irmão e a esposa decidiram renovar seus votos de casamento, e enquanto eu estava na área, passei na capela onde nós nos casamos.

Uma onda de surpresa a preencheu, e ela não pôde evitar pensar naquela noite. Estivera emocionalmente abalada pela morte de sua mãe, e tinha acabado de voltar para terminar seus estudos na Europa. Compartilhara alguns drinques com o homem por quem tinha uma paixão secreta, e quando se dera conta, eles estavam procurando um padre ou um juiz de paz, com as luzes ainda acesas.

Visitar o lugar onde eles haviam trocado votos parecia sentimental. Como se aquele dia tivesse significado mais para Jonah, do que um erro causado pela embriaguez.

Eloisa não foi capaz de evitar perguntar:

— Você voltou lá?

— Eu estava no bairro — repetiu ele, enrijecendo o maxilar, o primeiro sinal de que o episódio inteiro poderia tê-lo aborrecido tanto quanto a aborrecera.

Ele a deixara ir tão facilmente, concordando que eles tinham cometido um erro impulsivo, em vez de lhe pedir que voltasse para a cama e discutisse aquilo mais tarde. Uma grande parte de Eloisa quisera que Jonah lhe tirasse as preocupações racionais. Mas ele a deixara partir, assim como seu pai nunca reivindicara sua mãe.

Ou ela.

Eloisa desviou os olhos da boca tentadora que lhe dera tanto prazer, quando ele explorara cada centímetro de seu corpo na noite do casamento deles.



— Todo mundo sabe que o rei Enrique não mora mais em San Rinaldo. Ninguém sabe para onde ele e os filhos fugiram depois que partiram. Há apenas rumores.

— Rumores dizem que ele está na Argentina. — Jonah recostou-se no banco, parecendo relaxado, exceto pelos músculos que ela podia ver se agrupando sob o paletó preto.

Eloisa sabia que ele ganhara aqueles músculos honestamente. Sua primeira lembrança de Jonah estava gravada em seu cérebro, o dia que ela se unira à equipe de restauração para ajudar com a pesquisa. Jonah estivera estudando plantas com outro homem, no local da construção. Ela enganosamente pensara que ele fizesse parte da equipe de trabalhadores braçais, pelas roupas casuais e botas enlameadas. Na verdade, o homem não era apenas arquiteto, mas era um pouco artista também.

Aquilo a seduzira.

Somente mais tarde, tarde demais para o próprio bem, Eloisa tinha descoberto quem ele era. Um Landis, um membro da dinastia política e financeira.

Eloisa abaixou a cabeça, desviando a atenção dos olhos muito perceptivos que a observavam.

— Eu não sei nada sobre isso.

Mentir era tão fácil, depois de tanto tempo fazendo aquilo.

— Também parece que nem você nem sua mãe estiveram na Argentina, mas este não é meu ponto. — Ele a encarou, até que ela o olhasse. — Eu não ligo a mínima para onde seu pai da realeza vive. Estou apenas preocupado com o fato de que você mentiu para mim, o que impediu a finalização do nosso divórcio.

— Certo, então. — Ela lhe encontrou o olhar, de maneira desafiadora. — Se o que você diz é verdade, talvez isso signifique que o casamento não tem validade, de modo que não precisamos de um divórcio.

Ele meneou a cabeça.

— Não tivemos tal sorte. Eu chequei isso, acredite. Nós ainda somos marido e mulher.

Jonah deslizou os dedos pela extensão do cabelo dela até o quadril, a palma quente descansando ali. Eloisa lutou para não se contorcer... Ou se aninhar mais a ele.

Segurando-lhe o pulso, levou a mão grande de volta ao joelho dele.

— Alegue abandono de lar. Ou eu alegarei. Eu não me importo, contanto que esta situação seja resolvida rapidamente. Ninguém aqui sabe sobre minha... Impetuosidade.

— Você não quer discutir quem fica com a porcelana chinesa e quem fica com as toalhas com as iniciais de nossos nomes?

Argh! Eloisa bateu na divisória de vidro.

— Motorista? Motorista? — Ela continuou batendo, até que a janela se abriu. — Leve-me de volta, por favor.

O chofer olhou para Jonah, que assentiu com a cabeça.

O comportamento autocrático dele fez Eloisa querer gritar de frustração, mas não causaria uma cena. Por que esse homem tinha o poder de fazer seu sangue ferver? Ela era tão calma. Todos diziam isso, desde os membros enfadonhos do quadro da diretoria da biblioteca, até o professor de atletismo, que jamais conseguira convencê-la a correr a toda velocidade.

Ela esperou até que a janela se fechasse, antes de se voltar para ele novamente.

— Você pode ter tudo do nada que eu lhe devo, se parar com essa loucura, agora. Discutir não vai resolver coisa alguma. Eu pedirei que meu advogado cuide do assunto do divórcio.

Esse era o mais perto que Eloisa chegaria de admitir que ele descobrira a verdade. Ela não confirmaria aquilo, sem ver a prova que Jonah possuía, e esperançosamente, ter tempo de levar a questão ao seu advogado. Muitas vidas estavam em risco. Ainda havia pessoas lá fora unidas ao grupo que tentara assassinar Enrique Medina, que na verdade, tinham conseguido matar a esposa dele, a mãe dos três herdeiros legítimos do rei.

Enrique era viúvo quando conhecera a mãe de Eloisa na Flórida, entretanto eles não haviam se casado. Sua mãe jurara que não quisera participar do estilo de vida da realeza, mas seu queixo costumava tremer quando ela falava aquilo. Eloisa entendia muito bem sua mãe. Relacionamentos eram complicados... E dolorosos.

Graças a Deus, a limusine aproximou-se do barco novamente, porque ela não sabia quanto mais poderia suportar esta noite. O carro parou ao longo do cais.

— Jonah, se isso é tudo que você tem a dizer, eu preciso voltar para a festa. Meu advogado entrará em contato com você no começo da próxima semana.

Eloisa estendeu o braço para abrir a porta.

A mão dele cobriu a sua, o corpo poderoso pressionando-a intimamente quando ele se esticou.

— Espere um minuto. Acha mesmo que eu vou perdê-la de vista de novo, assim facilmente? Da última vez que fiz isso, você sumiu antes do almoço. Eu não perderei outro ano procurando-a, se você decidir fugir.

— Eu não fugi. Vim para casa, em Pensacola. — Ela tentou se libertar, mas ele lhe segurou as mãos. — É aqui que você pode me encontrar.

Onde ele poderia tê-la encontrado a qualquer momento durante os últimos 12 meses, se tivesse se importado em procurá-la. Nas primeiras semanas, ela tivera esperança de que ele aparecesse.

Agora, eles não tinham motivo para conversar.

— Eu estou aqui agora. — O polegar de Jonah massageou o interior de seu pulso. — E nós consertaremos esta confusão pessoalmente, em vez de confiar no sistema.

— Não! — A pele dela formigava em reação ao toque dele.

Eloisa amaldiçoou seu corpo traidor.

— Sim — insistiu ele, estendendo-se mais e abrindo a porta.

Ele a estava deixando ir, afinal de contas? Mas não acabara de dizer que eles confrontariam a situação pessoalmente?

Todavia, ela não questionaria por que ele mudara de ideia. Saiu de modo apressado da limusine, e virou no último segundo para dizer adeus a Jonah. Por que subitamente sentia-se triste diante da ideia de que nunca mais o veria?

Ela se virou apenas para colidir com o peito largo. Aparentemente, ele também saíra do veículo. Vozes distantes da festa de sua irmã chegavam com o vento, algo que Eloisa mal podia registrar, uma vez que o rosto bronzeado de Jonah baixara em direção ao seu.

Antes que ela pudesse protestar, aquela boca sensual cobriu a sua. Os olhos azuis estavam abertos, o que a fez perceber que os seus também estavam. Exatamente como um ano atrás, Eloisa fitou o tipo de olhos azuis sobre o qual os poetas escreviam.

E então seus próprios cílios se fecharam, enquanto ela saboreava o gosto dele em seus lábios, em sua língua novamente. Eloisa abriu as mãos no peito largo, músculos poderosos se ondulando sob seus dedos.

Então uma estranha agitação a envolveu. Alguma coisa estava errada sobre aquele beijo. Ela lembrava como era ser beijada por Jonah, como era ser pressionada contra ele, inalar seu aroma. Isso não estava certo.

A mão grande moveu-se ao longo de sua cintura, de leve, de maneira rítmica.

Totalmente no controle.

Onde todos podiam ver.

Ele estava dando um show para os convidados do barco. Indignação, raiva e uma ponta de mágoa a envolveram, espantando o desejo. Eloisa começou a se afastar, então reconsiderou. O dano já estava feito. Todos na festa tinham visto os dois se beijarem. Eles assumiriam o pior. Ela aproveitaria a oportunidade e surpreenderia Jonah, para variar. E sim, até mesmo para se vingar um pouquinho pela forma que ele provocara aquele encontro esta noite, a fim de tirá-la do equilíbrio, em vez de notificá-la através dos advogados deles.

Eloisa envolveu-lhe a cintura com os braços, ainda que ninguém pudesse ver atrás dele. Mas o que ela se via fazer não era para o público.

Era tudo para Jonah.

Eloisa apertou as nádegas dele.

Jonah piscou em surpresa, a mão dela quase queimando através de sua calça. Ele começou a se afastar... Então a sensação o dominou. Esse beijo não estava saindo do jeito que planejara. Certamente, não esperara que ela tomasse o controle do jogo que ele começara.

E agora que ela fizera isso? Hora de virar o jogo, mais uma vez.

Em meio aos suspiros de surpresa vindos do barco, Jonah segurou-lhe o pescoço e traçou-lhe os lábios com a língua, apenas uma vez, mas o suficiente, se a respiração ofegante de Eloisa fosse uma indicação. O corpo dela tornou-se flexível quando ele a pressionou contra si. As mãos delicadas subiram de suas costas para seus ombros. Então ela entrelaçou os dedos em seu cabelo, fazendo sua pulsação acelerar e seu autocontrole vacilar.

Sem dúvida, ele queria levar aquele encontro adiante, mas não ali. Não em público. E sabia que se eles voltassem a entrar na limusine, a razão a faria fugir de novo. Então, lamentando profundamente, ele acabou o beijo.

Jonah afastou-se, ainda mantendo as mãos frouxas atrás das costas de Eloisa, caso ela decidisse fugir... Ou esbofeteá-lo.

— Nós terminaremos mais tarde princesa, quando não tivermos uma audiência.

Quando ele pudesse levar aquilo para o fim natural que seu corpo demandava. E quando ela estivesse totalmente disposta, em vez de agindo por impulso. O beijo podia ter começado com o objetivo de informar a família de Eloisa da conexão deles, mas Jonah logo percebera que seus instintos estavam certos.

Não podia ir embora sem uma última vez na cama dela.

As mãos de Eloisa tremeram quando ela as levou para o rosto dele. Jonah observou quando um pequeno grupo saiu do barco e veio na direção deles, um trio liderando os outros. Graças às fotos de um investigador, Jonah identificou os três, imediatamente. O padrasto dela, Harry Taylor. A meia-irmã, Audrey Taylor. E o noivo de Audrey, Joey.

Eloisa inclinou-se para frente e sussurrou entre dentes cerrados:

— Você vai pagar por ter feito isso.

— Shhh. — Ele lhe deu um beijo na testa, apreciando o gosto de sua vingança, até agora. Quanto mais ficava perto de Eloisa, mais seu apetite por ela aumentava. — Nós não queremos que eles nos ouçam brigando, queremos querida?

Jonah passou o braço ao redor dos ombros delgados e aconchegou-a ao seu lado.

Ela enrijeceu.

— Você não pode estar planejando contar a todos eles...

— Sobre seu pai?

Os olhos castanhos de Eloisa brilharam com um misto de raiva e medo.

— Sobre suas teorias. Sobre você e eu.

— Meus lábios estão selados, princesa.

— Pare de me chamar assim — disse ela, enquanto os passos se tornavam mais altos e mais próximos.

— Nós dois sabemos que isso é verdade; não há como negar. A única questão é quão longe você chegará para me manter calado?

Ela arfou.

— Você não pode estar falando...

— Tarde demais para falar, Eloisa querida. — Ele a apertou de leve quando o grupo chegou, a família dela liderando. — Confie em mim ou não confie.

O homem mais velho passou a mão sobre o cabelo loiro e ralo. A filha dele... A futura noiva... Era uma versão ainda mais pálida do pai. O cabelo parecia desbotado pelo sol, todavia a pele não era nem um pouco bronzeada. O noivo estava com as mãos enfiadas nos bolsos e parecia impaciente. O pequeno grupo estava reunido atrás, enquanto outros assistiam do parapeito do deque.

Jonah estendeu a mão para o pai de Eloisa.

— Desculpe-me pelo atraso, senhor. Eu sou o par de Eloisa para a festa desta noite. Sou Jonah Landis.

Ela não conseguiria dispensá-lo tão facilmente desta vez.

Os olhos de Harry Taylor se arregalaram.

— Landis? Da família de Hilton Head, Carolina do Sul?

— Sim, senhor, esta é minha família.

— Uh, eu sou Harry Taylor. Pai de Eloisa.

Sinais de dólares praticamente brilhavam nas pupilas do homem, como em alguns personagens de desenho animado.

Jonah reprimiu a irritação por causa de Eloisa. Apreciava as vantagens que o dinheiro de sua família lhe trazia, mas preferia encontrar seu próprio caminho no mundo.

Enquanto isso, entretanto, sabia como lidar com interesseiros como aquele. Ficava alerta com eles desde o jardim da infância. Crianças percebiam rapidamente o pai de quem era o mais rico.

Um fotógrafo saiu do fundo do grupo, erguendo a lente para seus olhos. Eloisa encolheu-se atrás do ombro de Jonah, quando flashes brilharam na noite.

Sorrindo amplamente, Harry abriu o caminho para que o fotógrafo tivesse um ângulo melhor.

Audrey enganchou o braço no do noivo, que bocejava, e aproximou-se um pouco mais.

— Quando você e Eloisa se conheceram, Senhor Landis? Tenho certeza de que nossa convidada... A editora da seção de eventos locais de nosso ilustre jornal... Irá querer muitos detalhes para sua coluna.

— Chame-me de Jonah. — Ele podia sentir o coração de Eloisa disparado contra sua lateral. — Eu conheci Eloisa durante o programa de estudo dela no exterior, no ano passado. Achei impossível esquecê-la, e aqui estou eu.

Aquilo era pura verdade.

Ele sentiu o suspiro de alívio de Eloisa contra si.

Audrey soltou o braço do noivo, a fim de colocar-se ao lado da irmã para a próxima sessão de fotos.

— Você não é cheia de surpresas?

— Não por escolha. — Eloisa deu um sorriso tenso. — Além do mais, esta é sua noite. Eu não gostaria de fazer nada para diminuir a importância disso.

A meia-irmã piscou, olhando Jonah de cima a baixo.

— Ei, se ele fosse meu namorado, eu estaria chamando a atenção de toda a mídia.

Que tipo de família era aquela?

Jonah puxou Eloisa mais para seu lado, enviando uma mensagem clara de “recue” para Audrey. Ela simplesmente sorriu em retorno, jogando o cabelo sobre os ombros. O noivo parecia não notar nada. Pobre tolo!

Eloisa enterrou o rosto contra o ombro de Jonah, e ele começou a tranquilizá-la... Até que percebeu que ela não estava chateada, e sim, apenas se escondendo da câmera.

Audrey estendeu o braço para tocar a irmã.

— Vamos, sorria para a câmera. Você se escondeu aqui a noite inteira, e eu gostaria de fotos divertidas e interessantes para adicionar ao meu álbum de casamento.

Eloisa tirou a fita que prendia seu rabo de cavalo. O cabelo caía como um lençol de seda sobre seus ombros e ao longo de suas costas. Ela nunca lhe parecera vaidosa, mas então, a maioria das mulheres se arrumava para a câmera. Mesmo suas três cunhadas costumavam passar batom antes de uma conferência à imprensa.

Exceto que, quando ele a observou mais de perto, percebeu que Eloisa usava o cabelo como uma cortina. O homem podia estar tirando fotos, negá-las teria causado uma cena com Audrey, mas não haveria uma imagem clara do rosto de Eloisa.

Jonah percebeu que havia um problema maior entre os dois do que antecipara. Sabia que ela queria manter a herança real um segredo. Isso era óbvio, e ele respeitava o direito de Eloisa de viver como bem entendesse. Mas até este momento, ele não tinha entendido quanto ela chegaria para proteger o anonimato. Um problema inconveniente.

Porque, como um Landis, ele sempre estava em evidência. Apenas sua presença ali já a colocara sob a atenção da mídia.

Ele queria vingança, mas não precisava desvendar o segredo de Eloisa para fazê-la pagar pela traição. Jonah tinha meios muito mais excitantes para tirá-la de sua cabeça.



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