Albert de Rochas As Vidas Sucessivas Traduzido do Francês Les Vies successives


Segunda Parte Experiências magnéticas



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Segunda Parte

Experiências magnéticas

Capítulo I

O sono magnético e o corpo fluídico

1 – Os estados da hipnose


Antes de expor minhas experiências sobre a regressão da memória e a precognição, farei um rápido resumo de como o magnetismo age habitualmente sobre os sensitivos que estudei.

Sob a influência de passes longitudinais exercidos de cima para baixo e combinados com a imposição da mão direita sobre a cabeça do sujet 11 sentado diante de mim, produz-se uma série de estados semelhantes à vigília, mas apresentando cada uma das características específicas que servem para denominá-los,12 e que se sucedem sempre na mesma ordem.

Esses estados são separados por fases de letargia com a aparência do sono habitual que permitem distingui-los nitidamente uns dos outros quando o sujet bastante envolvido não queima as etapas.

Eis, sumariamente, a enumeração dessas características específicas e sua sucessão:

1º estado: vigília.

I: fase de letargia.

2º estado: sonambulismo. O sujet parece uma pessoa desperta gozando de todas as suas faculdades, no entanto é bastante sugestionável e apresenta o fenômeno da insensibilidade cutânea, que persiste em todos os estados seguintes. A memória é normal.

II: letargia.

3º estado: rapport.13 O sujet não percebe ninguém além do magnetizador e das pessoas que este coloca em relação com aquele, seja por um contato ou mesmo por um simples olhar. Apresenta sensação de bem-estar bastante pronunciada, diminuição da memória normal e da sugestibilidade. A sensibilidade começa a exteriorizar-se em uma camada paralela ao corpo e situada a cerca de trinta e cinco milímetros da pele.14 O sujet vê os eflúvios exteriores dos corpos organizados e dos cristais.

III: letargia.

4º estado: simpatia ao contato. A sensibilidade continua a exteriorizar-se e pode-se constatar uma segunda camada sensível a seis ou sete centímetros da primeira e de menor sensibilidade. O sujet experimenta as sensações do magnetizador quando este se coloca em contato com ele. A sensibilidade cutânea desaparece, assim como a memória dos fatos; elas não reaparecem nos estados seguintes, mas a memória da linguagem subsiste nesses estados, já que o sujet pode conversar com o magnetizador.

IV: letargia.

5º estado: simpatia à distância. O sujet percebe todas as sensações do magnetizador, mesmo sem contato, desde que a distância não seja muito grande. Ele não mais vê os eflúvios exteriores dos corpos, mas vê os órgãos internos dos seres vivos. Não é mais sugestionável e perde totalmente a memória de sua vida; não conhece mais do que duas pessoas, o magnetizador e ele próprio, no entanto não sabe seus nomes.

Em geral, a partir desse estado, um pouco mais cedo ou um pouco mais tarde, de acordo com o sujet, a sensibilidade que até esse momento exteriorizava-se em camadas concêntricas à periferia do corpo, condensa-se para formar, primeiramente a cerca de um metro à sua direita, uma coluna nebulosa azul mais ou menos de seu tamanho e, em seguida, à sua esquerda, uma outra coluna análoga vermelha;15 enfim, as duas colunas reúnem-se para formar uma única coluna cuja forma precisa-se cada vez mais para constituir o fantasma do sujet. Esse fantasma, ligado ao corpo físico por um liame luminoso e sensível, que é como seu cordão umbilical, torna-se cada vez mais móvel e obediente à vontade. Tem uma tendência bem pronunciada a elevar-se até uma altura que ele não pode ultrapassar; isso parece depender do grau de evolução intelectual e moral dos sujets, que vêem flutuar a seu redor seres apresentando uma cabeça com um corpo terminado em ponta como uma vírgula. Ficam felizes por terem saído de seu envoltório físico, de seus andrajos, segundo uma expressão que utilizam com freqüência, e repugna-lhes para aí voltarem. Todos estes fenômenos desenvolvem-se e precisam-se através de uma série de estados separados por fases de letargia que se sucedem como os dias e as noites.

Passes transversais reconduzem o sujet ao estado de vigília, fazendo-o passar, em ordem inversa, por todos os estados e todas as letargias pelos quais passou ao adormecer.

Em 1895, publiquei nos Annales des Sciences Psychiques um artigo intitulado “Fantasmas dos Vivos”, no qual expus com detalhes minhas primeiras experiências sobre essa espécie de fenômenos, onde pude levar os sujets até um décimo terceiro estado, graças à eletricidade.

Durville as retomou e as completou, expondo suas próprias experiências num livro publicado em 1909 sob esse mesmo título: Fantômes des vivants.16

2 – O corpo fluídico pode modelar-se sob a influência da vontade, assim como a argila modifica-se sob as mãos do escultor


Eis aí um fato habitual entre os ocultistas, e ouvi dizer que, numa sessão, há quarenta anos, com um médium de Paris, célebre por suas materializações, havia-se evocado Molière, e que se viu aparecer, entre as cortinas da cabine, primeiro um fantasma parecido com o médium e, a seguir, esse fantasma tomou pouco a pouco a aparência e as vestes da personagem evocada.

Tendo lido que em muitas manifestações psíquicas viam-se aparecer globos luminosos, perguntei-me se não seriam corpos fluídicos, e então realizei com a Sra. Lambert a seguinte experiência:

Exteriorizei seu corpo fluídico; em seguida ordenei-lhe que se curvasse como uma bola; apesar de sua resistência, determinei o fenômeno; ela se viu sob essa forma, o que constatei eu próprio por beliscadas no espaço. Recoloquei-a em seguida, por sugestão, na sua forma primitiva e pedi-lhe que voltasse dali a dois dias para nova sessão. No dia marcado, não a vendo, dirigi-me à sua casa e encontrei-a deitada, o corpo em arco; disse-me ela que não podia estirar-se e que isso muito a incomodava. Exteriorizei então novamente seu corpo fluídico, endireitando-o por sugestão, e o fiz voltar; ela estava curada.

Alguns meses mais tarde, fiz voltar a meu gabinete a Sra. Lambert para mostrar suas faculdades à Sra. d’Espérance, de passagem em Paris. Quando seu corpo fluídico foi exteriorizado, ordenei à Sra. Lambert que lhe desse minha forma, o que fez, não sem resistência. Ela viu a transformação operar-se sobre seu corpo fluídico e sobre sua imagem refletida num espelho. A Sra. d’Espérance, que é vidente, confirmou as palavras da Sra. Lambert, apesar de, ignorando o francês, não compreender nossa conversação. Aksakof assistiu à sessão.

Repeti essa experiência, em 23 de novembro de 1903, em Voiron, com o Sr. Col..., patrão de Joséphine Louise. Eis a passagem de meu diário que se refere ao fato.

“Louise diz que pode, mesmo acordada, exteriorizar à vontade seu corpo astral e dar-lhe a forma que deseja. Pede-se a ela que, sem que Joséphine o saiba, dê minha forma a seu corpo astral; em seguida ela é levada de volta ao quarto de Joséphine, a qual é colocada no estado em que consegue perceber os fluidos. Joséphine vê primeiro o corpo astral de Louise normal, depois nele vê, com espanto, crescerem bigode e barbicha; enfim diz rindo: “Mas é o coronel!”

“Alguns instantes mais tarde, diz-se a Louise, sempre sem que Joséphine o saiba, para dar a seu corpo astral a forma do filho do dono da casa, que ela conhece e que é alfaiate em Java, há dois anos. Joséphine, que jamais o viu, vê, no lugar onde Louise diz haver projetado seu duplo, a imagem de um homem com bigode; diz já ter visto esse rosto em alguma parte, mas não sabe onde. Desperto-a depois de ter-lhe dado a sugestão de lembrar-se do rosto que viu, e são apresentadas diante de seus olhos vinte fotografias que ela não reconhece. Quando avista a do filho de Col..., diz: “Este parece com quem vi, no entanto, a imagem que vi era bastante vaga.” É necessário ressaltar que Louise havia modelado seu corpo astral de acordo com lembranças bastante longínquas.”

Numa sessão realizada na Escola de Medicina de Grenoble, em 28 de março de 1904, em presença do Dr. Bordier, diretor da Escola, com Louise e Eugénie como médiuns, procurei reproduzir essa experiência.

O Dr. Bordier indica apenas a Louise a personagem a representar. Era o Dr. Lépine, ausente à sessão e que Louise conhecia. Esta exteriorizou-se e, quando disse que havia dado a seu corpo a forma desejada, interroguei Eugénie adormecida; respondeu-me que via um homem; procurou reconhecê-lo, depois disse: “É o homem que me fotografou.” Ora, isto havia se passado dois dias antes.

Poder-se-ia encontrar nesses fenômenos a explicação de certas aparições que se produzem diante das jovens no momento da puberdade. Constatou-se, com efeito, que nesse momento seu corpo astral exterioriza-se espontaneamente! Elas o percebem então sob uma forma vagamente humana e luminosa. Imbuídas de idéias religiosas, imaginam ver a Virgem Santa ou alguma outra santa cuja imagem as impressionou em sua igreja e dão, pelo pensamento, essa forma a seu corpo astral, que chega mesmo a poder ser percebido por outros sensitivos.


3 – O corpo astral é normalmente a
reprodução exata do corpo físico


Numa sessão realizada no dia 1º de abril de 1904, na Escola de Medicina de Grenoble, com Eugénie, em presença do Dr. Bordier, exteriorizei o corpo fluídico da sensitiva. Quando o fantasma azul formou-se à sua esquerda, ela o via, mas nós não experimentávamos nenhuma sensação ao tocá-lo. Eugénie, ao contrário, sentia os contatos, não apenas sobre sua pele, como também no interior de seu corpo, quando nossas mãos penetravam seu duplo. O Dr. Bordier, tendo colocado sucessivamente e com precaução seu dedo indicador em diferentes pontos do interior do duplo, perguntou a Eugénie em que ponto ela se sentia tocada. Eugénie, que tinha os olhos fechados, designou exatamente, e sem hesitação, os órgãos que o Dr. Bordier tinha a intenção de tocar, baseando-se em suas posições respectivas.

Encontrar-se-á no primeiro capítulo da terceira parte uma certa quantidade de documentos que mostram que a existência do corpo astral foi admitida em todos os tempos pelos filósofos e iniciados.





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