Algumas consideraçÕes sobre o estudo do pensamento de um autor numa perspectiva materialista histórica



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Encontro27.07.2016
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ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE O ESTUDO DO PENSAMENTO DE UM AUTOR NUMA PERSPECTIVA MATERIALISTA HISTÓRICA
Michelle Fernandes Lima (UNICENTRO-PR), Mailde Adélia Casagrande (UNICENTRO-PR), Cláudia Maria Petchak Zanlorenzi (UNICENTRO-PR).
Palavras - chave: pesquisa, materialismo histórico, pensadores.
Resumo: A partir da experiência docente na disciplina de Metodologia da Pesquisa verificou-se a necessidade de apontar alguns encaminhamentos para a realização de pesquisas que tenham como objeto o estudo, o pensamento de autores no campo das ciências humanas. Tendo como pressuposto o materialismo histórico, este texto se propõe refletir sobre a realização de pesquisas que tenham por objeto de estudo o pensamento de um determinado autor pontuando algumas questões essenciais para o desenvolvimento da pesquisa.
Introdução

Comecemos a nossa reflexão por uma citação de Karl Marx, que nos mostra os homens como produtores de suas representações e idéias, afirmando que:


(.....) não se parte daquilo que os homens dizem, imaginam ou representam, e tampouco dos homens pensados, imaginados e representados para, a partir daí, chegar aos homens de carne e osso; parte-se dos homens realmente ativos e, a partir de seu processo de vida real, expõe-se também o desenvolvimento dos reflexos ideológicos e dos ecos desse processo de vida. E mesmos as formações nebulosas no cérebros dos homens são sublimações necessárias do seu processo de vida material, empiricamente constatáveis e ligado a pressupostos materiais. A moral, a religião, a metafísica e qualquer outra ideologia, assim como as formas de consciência que a elas correspondem perdem toda a aparência de autonomia. Não tem história, nem desenvolvimento, mas os homens, ao desenvolverem sua produção material e seu intercâmbio material, transformam também, com esta sua realidade, seu pensar e os produtos do seu pensar” (....) ( 1986 p.37)
A partir dessa premissa, podemos pensar na realização de pesquisas que tenham por objeto de estudo o pensamento de um dado autor num determinado momento histórico, para apreendermos de fato este objeto de estudo, não basta conhecer a vida e obra do autor, mas sim apreender o objeto nas suas múltiplas determinações. Como o próprio Marx, nos mostra devemos partir de homens ativos que fazem parte e modificam o processo histórico.

Vale lembrar, que uma pesquisa fundamentada no materialismo histórico, deverá se opor a explicações mecanicistas que, por apresentarem os homens como meras vitimas de forças históricas incontroláveis, acabam por isentá-los de qualquer responsabilidade.

O estudo do pensamento de um determinado autor só ganha sentido quando entendemos ser este pensamento como expressão de uma época e, nesta época, de uma tendência através das quais esta época foi interpretada. Além disso, é importante salientar que nem sempre o que os homens de um determinado período histórico disseram e pensaram de si mesmos, corresponde à realidade efetiva desse período. É preciso confrontar essa formulações teóricas e ou ideológicas, com a concretude da vida material e social desses homens.
Métodos
Gramsci nos dá orientações metodológicas para a realização de uma pesquisa que tenha por objeto o pensamento de um determinado autor, ele nos auxilia pontuando que o primeiro passo seria a reconstrução do processo de desenvolvimento intelectual do referido pensador, com o objetivo de pontuar elementos estáveis que foram assumidos como pensamento próprio e também elementos provisórios que influenciaram o pensador durante um determinado período. Uma vez estabelecidas estas premissas, deve-se seguir estas linhas: 1. A reconstrução da biografia, não apenas no que diz respeito as atividade prática, mas principalmente no que toca à atividade intelectual; 2. O registro de todas as obras, em ordem cronológica, estabelecido segundo motivos intrínsecos: de formação intelectual, de maturidade, de domínio e aplicação do novo modo de pensar e de conceber a vida e o mundo. A pesquisa do ritmo do pensamento deve ser mais importante do que as afirmações singulares e causais e do que os aforismos isolados.(1981, p.95 e 96)

A partir destas premissas, é possível realizar toda a pesquisa posterior. É importante que se observe a distinção entre as obras que foram concluídas e as que não foram publicadas, ou incompletas. Neste processo é fundamental o estudo e análise do trabalho realizado pelo autor, este estudo possibilitará critérios para a valorização e criticas das obras póstumas, compiladas por outros.

Um alerta se faz necessário para não se cometer interpretações equivocadas, o uso de fontes secundárias (aquelas que discutem o autor pesquisado) não poderá ser super valorizado, por isso é mais seguro que se busque principalmente nas obras autênticas, ou seja, nas obras do próprio pensador.

A partir da citação de Marx, do início do texto podemos inferir que a pesquisa de um determinado objeto de estudo só é apreendido na sua totalidade, se observarmos e analisarmos as múltiplas determinações deste objeto.


Conclusões
Neste sentido, o estudo de qualquer fenômeno da realidade implica compreendê-lo a partir de e na realidade concreta de que é parte, e não compreendê-lo abstraindo da realidade. O desvendar de um objeto inserido numa totalidade é tarefa que não se cumpre simplesmente, implica num árduo trabalho de pesquisa. O conhecimento não existe, não é construído a despeito da realidade, já que dela depende como ponto de partida e a ela retorna e deve nesta medida, ser representativo do real.

Nesta perspectiva o homem é produtor das relações sociais, do conhecimento enfim produtor de si mesmo. Sendo assim, não se pretende produzir conhecimento neutro e sim um conhecimento que possa interferir na realidade de forma critica e desvelada.

Desta forma podemos dizer, que não há um caminho fechado que deva ser seguido, mas há pressupostos teóricos metodológicos que vão possibilitar a investigação e a apreensão do objeto nas suas múltiplas determinações que vai permitir com um olhar comprometido com o desvelamento do real, no qual o critério de verdade é a prática social dos homens de um determinado momento histórico.

Referências

GRAMSCI, Antonio. Concepção dialética da história. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1981.


MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. A ideologia alemã (Feurbach). 5.ed. Tradução de José Carlos Bruni e Marco Aurélio Nogueira. São Paulo: Hucitec, 1986.
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