Aline brites leque



Baixar 275.7 Kb.
Página1/2
Encontro21.07.2016
Tamanho275.7 Kb.
  1   2



ANHANGUERA/UNIDERP

CURSO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL/JORNALISMO
ALINE BRITES LEQUE

ASSESSORIA DE IMPRENSA PARA O GABINETE PARLAMENTAR DA VEREADORA PROFESSORA ROSE (PSDB), DE CAMPO GRANDE-MS, 2011: COMO FAZER?


CAMPO GRANDE, MS

2010

ALINE BRITES LEQUE



ASSESSORIA DE IMPRENSA PARA O GABINETE PARLAMENTAR DA VEREADORA PROFESSORA ROSE (PSDB), DE CAMPO GRANDE-MS, 2011: COMO FAZER?

Trabalho de Conclusão de Curso, sob a orientação do Prof. Esp. Mário Márcio da Rocha Cabreira, apresentado como exigência para obtenção do grau de bacharel em Comunicação Social – Jornalismo, à Banca Examinadora da Anhanguera/UNIDERP.

CAMPO GRANDE–MS

2010


A Monografia intitulada ASSESSORIA DE IMPRENSA PARA O GABINETE PARLAMENTAR DA VEREADORA PROFESSORA ROSE (PSDB), DE CAMPO GRANDE-MS, 2011: COMO FAZER? apresentada pelo acadêmica ALINE BRITES LEQUE, como exigência parcial para obtenção do grau de bacharel em Comunicação Social – Jornalismo à banca examinadora da Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da Região do Pantanal – UNIDERP, Campo Grande de Mato Grosso do Sul, MS, obteve o conceito ________, para aprovação.





banca examinadora

_________________________________________

Orientador – Mario Marcio Cabreira Professor Especialista

 
___________________________________________________

Examinador Clayton Sales Professor Mestre

_________________________________________________

Convidadada-Fabiana Sato Jornalista Convidada

Campo Grande MS, DIA de de 2010.



DEDICATÓRIA

A quem iniciou na arte de encarar desafios, Elis Regina, samurai da minha vida, minha mãe.




AGRADECIMENTOS

O meu eterno agradecimento àqueles que contribuíram de maneira relevante para a elaboração deste trabalho, em especial:


Ao meu companheiro de idéias, sonhos e sentimentos, Danilo.
Ao meu orientador Cabreira, pela compreensão, paciência e orientação firme ao longo da realização deste trabalho.
Ao meu Professor Alexandre Maciel, pelo espetáculo de suas aulas de Teoria da Comunicação, que despertaram em mim a paixão pelo Jornalismo.
A vereadora Professora Rose, por toda a sua colaboração com este trabalho, com quem eu pude trabalhar e compartilhar idéias e propostas para o desenvolvimento de uma assessoria de imprensa.
Aos Assessores de Imprensa da Câmara Municipal de Vereadores que contribuíram para a elaboração desta pesquisa, e outros assessores desprovidos de vaidades que entenderam a importância deste trabalho.
Ás caronas amigas, aos companheiros de trabalhos em grupo, que tornaram minha faculdade muito mais interessante.

A estratégia de informação de uma empresa configura não só políticas de comunicação,mas também responsabilidade social”.



Juarez Bahia

RESUMO

Não é mais novidade para muitas empresas, muitos órgãos públicos, políticos, grupos corporativos, que a mistura de uma redação com uma agência de Publicidade, com uma leve fachada de escritório, é uma Assessoria de Imprensa. O setor profissional dinâmico, com profissionais capazes de fazer várias coisas ao mesmo tempo é fundamental para construir uma imagem com credibilidade do assessorado perante a sociedade. Entender como funciona uma Assessoria de Imprensa é pesquisar, planejar, produzir conteúdo jornalístico sério, gerenciar crises e, no caso deste trabalho, propor uma assessoria para o gabinete parlamentar da vereadora Rose Modesto (PSDB), de Campo Grande-MS. Em virtude da representatividade da vereadora Rose Modesto, o gabinete parlamentar necessita de uma assessoria atuante e eficiente, para que a população que a elegeu saiba de todas as ações, projetos de leis e a atuação da vereadora junto ao município. Hoje, não basta ser um ótimo jornalista em um importante jornal para tornar-se um assessor completo. O jogo e as regras são outros, a atuação na base da cultura, nos interesses e nos objetivos institucionais, a educação interna para a valorização do compromisso social da instituição, a necessidade de formação de opinião e interesse publico. Uma grande dificuldade enfrentada no ambiente de comunicação política é que muitos políticos detentores de mandatos não compreendem as potencialidades de se organizar uma assessoria de imprensa. E isso, faz com que os próprios assessores não aplicam de forma correta as ferramentas de comunicação (relises, press kits, mailing, redes sociais e bom relacionamento com a mídia) que um AI possui para que seu trabalho seja reconhecido. O objetivo deste trabalho não é identificar uma nova Assessoria, e sim propor um estudo específico para um gabinete parlamentar. Porém, este projeto pode ser um ponto de partida para o estudo nas Assessorias de Imprensa de parlamentares.


PALAVRAS-CHAVE: Assessoria de Imprensa, Jornalismo, Política, vereadora Rose Modesto, Campo Grande-MS.



SUMÁRIO

INTRODUÇÃO...........................................................................................................09

1.0 ASSESORIA DE IMPRENSA..............................................................................12

1.1 Histórico no Brasil ...............................................................................................15

1.2 Jornalista ou Relações Públicas? .......................................................................16

1.3 O Publicitário na assessoria de imprensa............................................................19



2.0 GABINETE PARLAMENTAR............................................................................. 21

2.1 Mandato de Vereador..........................................................................................23

2.2 Mandato da Vereadora Rose Modesto................................................................24

2.3 Ações Parlamentares ..........................................................................................24



3.0 FERRAMENTAS DE COMUNICAÇÃO...............................................................27

3.1 Os primeiros passos ........................................................................................... 29

3.2 O lado de cá e o lado de lá ................................................................................. 32

3.3 Comunicação Interna – House Organ..................................................................34

3.4 Comunicação Externa – Internet ........................................................................ 35

3.4.1. Redes Sociais.......................................................................................... 37

3.4.1.1 Orkut …………………………………………………………………………..40

3.4.1.2 Twitter ……………………………………………………………….…….… 40

3.4.1.3 Facebook …………………………………………………………………..…41

3.4.1.4 Formspring …………………………………………………………….….... 42

3.4.1.5 Flickr …………………………………………………………………………..43

3.5 Mailing e press kit .............................................................................................43

3.6 Relise e Press Relise...........................................................................................44

3.7 Clipping ………………………………………………………………………..............46

3.8 Media Training.....................................................................................................47

3.9 Gerenciamento de Crises....................................................................................48



4.0 MENSURANDO RESULTADOS..........................................................................51

5.0 PLANO DE COMUNICAÇÃO PARA O CABINETE DA VEREADORA ROSE MODESTO.................................................................................................................53

CONSIDERAÇÕES FINAIS.......................................................................................57

BIBLIOGRÁFIAS.......................................................................................................59

ANEXOS....................................................................................................................61

INTRODUÇÃO

O significado de qualquer comunicação não é o que você pensa que ela significa; é a resposta que ela elicia. Se você tenta elogiar alguém, e a pessoa sente-se insultada, o significado de sua comunicação é um insulto. Se você disser que ela se sentiu insultada porque não o entendeu, isso é uma justificativa de sua incapacidade de comunicar-se.

Sabe-se que o termo "comunicação" vem do latim "communis", que significa "comum". Portanto, para que se possa estabelecer comunicação, diálogo com alguém, deve-se estabelecer o máximo de pontos em comum com a pessoa que é nossa interlocutora. Os diversos segmentos sociais, órgãos públicos, grupos corporativos e as múltiplas empresas do setor privado têm interesses semelhantes, apesar das características próprias.

Transmitir informação é fundamental para o desenvolvimento de uma empresa, instituição ou credibilidade de um político. Tudo que precise do respaldo da opinião pública é necessário ser analisado e planejado com cuidado e inteligência.

As atividades de um AI não devem ser realizadas de improviso, e sim, ter uma organização e a constante avaliação dos resultados. O planejamento assume desta forma, uma importância fundamental, evitando que as situações mais inesperadas peguem o assessor desprevenido.

É preciso planejar, investigar, pesquisar. Planejamento, segundo Raça e Barbosa (in dicionário da comunicação, São Paulo, Ática, 1987), é o ato de relacionar e avaliar informações e atividades – de forma ordenada e com lógico encadeamento entre elas – a serem executados num prazo definido, visando à consecução de objetivos, público-alvos da instituição e, acima de tudo, as políticas de comunicação a serem adotadas. De acordo com Raça e Barbosa (1987, p. 468) estas políticas podem ser definidas como “conjunto de normas em que se fundamenta a atividade de comunicação institucional”.

No entanto, para compreender a importância e a influência dos serviços de assessoria de imprensa na sociedade brasileira, é necessário analisar a estrutura social capitalista, o meio em que nós vivemos. Para o filósofo alemão Karl Max, ao interagir no meio social e natural, o ser humano vai provocando o surgimento de diferenciações (entre elas, a divisão de classes).

Na sociedade onde as funções são distribuídas nos setores respectivos, as atividades de um assessor de imprensa, que de Acordo Elisa Koplin e Ferraretto, podem ser descritas como: “Relacionamento com os veículos de Comunicação Social, abastecendo-os com informações relativas ao assessorado (por meio de relises¹, press kits, sugestões de pautas e outros produtos) intermediando as relações de ambos e atendendo as solicitações dos jornalistas de quaisquer órgãos de imprensa”.

Este trabalho mostra um estudo de caso, uma assessoria de imprensa para o gabinete parlamentar da vereadora Rose Modesto (PSDB), de Campo Grande-MS. Ao longo das páginas, discute-se um entendimento do que é AI, e todas suas atribuições.

A pesquisa é dividida em cinco capítulos, seguindo uma ordem crescente de conceitos que irão ajudar a entender o que é uma assessoria de imprensa e como administrá-la. No primeiro capítulo é apresentado o conceito de assessoria de comunicação, assim como seu surgimento, história e os diferentes papéis dos profissionais que nela atuam: as relações públicas, publicitário e o jornalista.

Como o trabalho refere-se a planejar e implantar uma assessoria de imprensa, depois de entender os conceitos e as funções de um assessor de imprensa, é preciso conhecer seu assessorado, portanto no segundo capítulo, um esclarecimento sobre política, funções de um vereador, gabinete, e o histórico da assessorada em questão, a vereadora Rose Modesto (PSDB), de Campo Grande-MS.

Quando um político é eleito, acaba de sair de uma campanha eleitoral e começa uma campanha política durante seu mandato. Cumprir a sua função de representante público é seu dever, e saber como esse cargo é preenchido é um direito da população. E, como essa informação chega até a população é um trabalho diário de uma Assessoria de Imprensa efetiva, que deve preparar a notícia e o meio onde ela será inserida.

O terceiro capítulo trata das ferramentas de comunicação que cada assessor deve compreender e de que forma usá-las. Não adianta inventar uma fórmula mirabolante e esperar que em um curto espaço de tempo seu assessorado ganhará as primeiras páginas dos jornais. O sucesso do trabalho do assessor é fruto do seu bom relacionamento com as mídias. Esta parte do trabalho, procura explicar da melhor forma o conceito de cada uma das atividades de um assessor, incluindo as ferramentas digitais, como sites e redes sociais.

O quarto capítulo trata de mensurar os resultados. Como saber se seu trabalho está correto? Como identificar pontos positivos e negativos? Assessoria de imprensa externa é mais eficaz? Enxergar além do clipping é uma forma de buscar mais resultados, sem esperar apenas as congratulações do chefe. E sim, fortalecer a marca e o nome de seu assessorado.

Não adianta agir no improviso é preciso planejar para colher resultados.

E no último capítulo, é apresentado um plano de comunicação para o gabinete parlamentar. Com planejamentos e sugestões como: criação de site, redes sociais e um house organ (jornal institucional).

O representante público deve ter uma assessoria específica e mais objetiva possível; pois, diferentemente de uma empresa, o vereador está em contato constante com a população. Portanto, todo cuidado com as informações é pouco.

O presente trabalho analisa como a Assessoria de Imprensa para a vereadora Rose Modesto (PSDB), de Campo Grande-MS, pode ajudá-la em sua campanha política e seu mandato.

Por fim, são apresentadas as considerações finais do trabalho, o anexo e a bibliografia utilizada para o desenvolvimento da pesquisa

________________________

¹ Forma aportuguesada de release, vocábulo inglês que significa “soltar” (cf. The Randon House Dictionary. New York: Random House 1991. p. 350).

1 ASSESSORIA DE IMPRENSA



Não é possível ser jornalista sem se entender a sociedade.


  1. F. STONE

Pilhas de jornais amontoados, o rádio transmitindo boletins eletrônicos, telefone tocando, chefes estressados porque este ou aquele evento não foi noticiado, ou pior, saiu uma nota em um jornal fazendo duras críticas. Tudo sobre uma mesa, onde está a pessoa encarregada de cuidar disso, com funções específicas a todo o momento: O Assessor de Imprensa.

Essa mistura de agência de publicidade, redação e escritório é uma Assessoria de Imprensa, ou Assessoria de Comunicação. A diferença básica entre as duas é que a AI tem foco jornalístico, produção de releases, e a AC é composta por uma relação pública e um publicitário. Porém, o que é fato, hoje, é que as empresas, instituições, os órgãos públicos, políticos, famosos, grupos corporativos procuram profissionais completos para exercerem esta função. Um profissional de comunicação.

Segundo Manhanelli (2001):

“Um simples jornalista não é necessariamente um bom assessor de imprensa, mas um bom assessor de imprensa é necessariamente um jornalista. Essa função exige trabalho obstinado, inteligência, astúcia, humildade, personalidade e principalmente perseverança.” (MANHANELLI, 2001 p. 3).


O importante não é como vamos nos referir a uma Assessoria de Imprensa que, com o tempo, passou por grandes mudanças, profissionais que deixavam suas firmas, seus jornais, para montarem seu próprio negócio, surgindo, também, o: Jornalismo Empresarial. Como, no início, esse foi o nome que dado a esse setor, o grande “boom”, vamos nos referir assim, ao longo deste trabalho.

Mas, afinal, o que é uma Assessoria de Imprensa? Na era da Informação, rápida e precisa, das redes de relacionamentos, da modernização da sociedade, na busca do saber, o quê, ao longo do tempo, permitiu a construção dos veículos de comunicação em massa?

Esse momento fez que com que indivíduos e corporações passassem a vislumbrar noticiários, jornais, revistas, internet como uma mídia “gratuita, de qualidade e credibilidade”. Essa globalização da informação permitiu a interação entre indivíduos e corporações com a sociedade.

Segundo Manoel Chaparro (2002):

Nos rumos da democracia, e da globalização, o mundo mudou, bem como interesses, as ações e as próprias pessoas. Globalizaram-se os processos, as emoções e sobre tudo os fluxos e circuitos de informação. E nesse mundo novo, as instituições, incluindo empresas, agem pelo que dizem, em especial, pelos acontecimentos significantes que produzem com os quais interferem na realidade, ao usarem a eficácia difusora do jornalismo. (CHAPARRO, 2002 p 34).

As AIs se transformaram em um setor profissional dinâmico e fundamental, com alta capacidade de atender a demandas e de fornecer informações adaptadas aos interesses dos veículos de comunicação e da própria organização.

Para uma administração que enfrenta problemas, uma solução a ser proposta é divulgar-se. Aí, surge a necessidade de se procurar um profissional da imprensa. As assessorias de imprensa inserem-se num conjunto mais amplo de atividades; geralmente, chamado Comunicação Organizacional, que envolve as várias áreas, que se cruzam, como Relações Públicas, Publicidade, Comunicação Interna, Relacionamento com o Cliente, Marketing, Internet, entre outras que marcam essas atividades.

Portanto, o conceito de Assessoria de Imprensa, segundo Kopplin e Ferrareto, está associado a dois aspectos fundamentais: a necessidade de divulgar opiniões e realizações de um indivíduo ou grupo de pessoas, e a existência de um conjunto de instituições conhecido como meios de comunicação.

Administrar a informação a ser vinculada nas diversas mídias, intermediar o contato, assessorado com a mídia, criar uma imagem de credibilidade e forte na imprensa, promover entrevistas coletivas, gerenciar crises, produzir conteúdo jornalístico para jornais, revistas, internet, obter espaço nos canais de comunicação, é umas das muitas atribuições de um bom assessor de imprensa.

Esta prática não é privilégio do mundo atual, globalizado, multipolar e on-line 24 horas. Alguns registros apontam como as cartas circulares da dinastia Han (fundada por Lui Pang, na China, no ano de 202 a.C.) como os precursores da atividade. E o segundo já pode ser notado a partir do século XV, com a prensa de tipos móveis, idealizada por Gutenberg. No entanto, as primeiras publicações empresariais surgem no século XIX, na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos, com o objetivo de atenuar o descontentamento interno em diversas corporações, já que o acesso do proletariado à grande imprensa era praticamente nulo.

Já o crédito de serem os primeiros a criar de fato uma Assessoria de Imprensa é dado aos estadunidenses. Isso aconteceu durante o governo de Andrew Jackson, em 1829, quando surgiu o primeiro House Organ (o jornal da casa, informativo interno).

Mas, durante a pesquisa bibliográfica para este trabalho, verificou-se que os estudiosos concordam em uma coisa: o surgimento da Assessoria de Imprensa coincide com o surgimento das Relações Públicas. Ivy Lee, percussor das Relações Públicas, foi o responsável pela implantação oficial da atividade. Vale citar que, em todas as explicações sobre AI, Ivy Lee e Relações Públicas aparecem juntos.

No ano de 1873, surge Ivy Lee, dizendo: “O público precisa ser informado”. Assim sendo, em 1906, Jhon Rockfeller, vai procurá-lo pessoalmente para entregar aos seus cuidados profissionais, os problemas de Relações Públicas de sua empresa (...) Lembremos que Rockfeller era um dos mais odiados e odiosos homens da história dos negócios norte americanos. (ZODGI, 1987, p. 15).

Outro dado importante sobre o surgimento de Assessoria de Imprensa é que elas nasceram, cresceram e vivem até hoje, fundamentadas no conceito de que servem para amenizar as situações de crise e recompor a imagem degradada do assessorado, recuperando, assim, a credibilidade dele.

Sobre o crescimento, reconhecimento, e a importância das AIs na segunda década do século passado, Luiz Amaral aponta o fato de que, segundo o jornalista, Silas Bent “pelo menos 147 das 255 matérias publicadas pelo New York Times no dia 29 de setembro de 1926 foram por eles (assessores de imprensa) originada”. (apud DUARTE, 2003, p. 58).

O mundo atravessava um grande conflito: A segunda Guerra mundial. Neste período, as AIs continuaram com o dever de atenuar a realidade trágica das nações envolvidas e “humanizar” as imagens dos comandantes. De 1945 aos dias atuais, houve grande desenvolvimento e sofisticação dessa nova ciência (Zodgi, 1987, p.16). Em meados do século XX, começou a se espalhar pelo resto do mundo, chegando ao Brasil a partir de 1950.

1.1 Histórico no Brasil

O Autor Jorge Duarte (2003, p. 82), aponta que o primeiro indício da atuação dos jornalistas no relacionamento com a imprensa e na comunicação institucional foi a criação da Secção de Publicações e Biblioteca, ao organizar-se o Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio, em 1909, sob o comando do presidente Nilo Peçanha.

Em 1915, QUEM passa a se chamar Serviço de Informações e tinha responsabilidade de divulgar, em notas concisas e mais completas – para a imprensa, informações que impulsionassem o desenvolvimento da produção nacional. Logo, as repartições públicas ganham redatores, que produziam e distribuíam textos à imprensa.

Em 1931, o governo Getúlio Vargas, cria o Departamento Oficial de Publicidade (DOP), para “controlar” as informações oficiais. Passando a se chamar, Departamento de Propaganda e Difusão Cultural (DPDC). E, por fim, Departamento Nacional de Propaganda (DNP).

O controle ideológico via comunicação consolida-se por uma política pública de origem fascista (...) O governo estabelece uma superestrutura de manipulação da opinião pública por meio da censura, fiscalização, controle legal, e distribuição em larga escala de noticiário laudatório. Em 1944, a Agência Nacional, ligada ao DIP. Atuava com 220 funcionários e (...) um sistema de difusão de material jornalístico para todo o Brasil. (DUARTE, 2003, p. 82).

Com o golpe militar de 1964, e a censura assolando os veículos de comunicação, o acesso de jornalistas aos ministérios e às secretarias era vedado. As notícias passaram a ser veiculadas por porta-vozes, notas oficiais ou press-releases.

De certo modo, isso ajudou a aumentar as AIs em todos os ministérios, secretariados e no alto escalão do governo. Melo (apud LIMA, 1985, p. 10) explica que, com a crise política da época, os dirigentes governamentais e as lideranças empresariais substituíram o diálogo periódico com os jornalistas – o que permitia a proximidade com os políticos – pelo press release, mantendo a “distância necessária”.

No setor privado, a primeira empresa a estruturar uma AI foi a Volks, atividade lá comandada pelos jornalistas Alaor Gomes e Reginaldo Finotti.

O objetivo não era, necessariamente, obter a citação do nome dos produtos ou da empresa, até porque isso era difícil. A estratégia era tornar o tema transportes de interesse da empresa, valendo-se de uma divulgação baseada e prestação de serviços que criasse credibilidade, para que a Volks se tornasse fonte dos veículos de comunicação. (DUARTE, 2003, p. 86).

Hoje, o assessor de imprensa cresceu, tornou-se indispensável em corporações, sindicatos, empresas e órgãos públicos. Segundo Torquato (2002), “nos últimos anos, as assessorias de imprensa, chamadas ainda de assessorias de comunicação, designação mais ampla, tiveram um crescimento extraordinário em todo o país”.

1.2 Jornalista ou Relações Públicas?

E o que é um assessor de imprensa afinal? Quais suas atribuições, e qual a diferença básica entre essas três profissões, que, mesmo regulamentadas por lei, misturam-se em meio ao crescimento das assessorias de imprensa por todo país?

A rotina da informação é uma corrida sem trégua contra o relógio. O assessor de imprensa precisa saber e respeitar o dead line (a hora do fechamento nas redações) de cada veículo, entender a prioridade e disponibilidade de cada repórter, que está sempre de agenda cheia, ávido pelo furo. É ser o intermediário da notícia, entre assessorado e veículo, estabelecer contatos com as mídias, o que, muitas vezes, leva o assessor de imprensa a ser chamado de “plantador de notícias”.

Diante do moderno mercado, afinal, os profissionais que trabalham, em uma Assessoria de Imprensa, deixam de ser jornalistas? De ser publicitários, porque não estão em uma agência de publicidade?

Segundo CHINEM (2003, p. 13), essa dúvida existencial paira sobre a cabeça desses profissionais. Tudo é uma questão de se aceitar como tal. Se o próprio jornalista não se sente jornalista, não dá para fazer nada por ele. E, assim, nas outras profissões.

No entanto, apesar dos diferentes papéis exercidos por cada profissional, Kopplin e Ferrareto (2001, p.12) destacam que, “são freqüentes as confusões criadas pelos assessorados e até por muitos profissionais da área de comunicação social, que não fazem distinção entre as atividades de uns e outros”.

A função de um assessor de imprensa vai muito além, porque a tarefa atribuída a ele é muito mais complexa. O ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso do Sul, professor Mestre Clayton Sales, disse durante uma entrevista no programa Roda Viva, da TVE Regional (veiculado no dia 3 de maio de 2005, às 20h30min), que, em 1989, foi assinada uma lei que dizia que o assessor de comunicação (onde a AI está inserida) poderia ser um profissional habilitado em três áreas de Comunicação Social – Jornalismo, Publicidade e Relações Públicas. Entretanto, Sales afirmou que, na prática, o mais bem capacitado é o jornalista.

Apuração de dados, texto, relacionamento com a mídia, mailing atualizado, enfoque jornalístico (que geraria a credibilidade), sabedoria para orientar o assessorado, são muitas das funções mais bem desempenhadas por um jornalista.

Jaurês Dalma (1994, p. 80) afirma que, para um relacionamento com a imprensa, é indispensável que o serviço de relações públicas conte com os profissionais conhecedores da atividade jornalística.

Na definição da Associação Brasileira de Relações Públicas (ABRP), RP é “a atividade e o esforço deliberado, planejado e contínuo que visa estabelecer e manter a compreensão mútua entre uma instituição pública ou privada e os públicos aos quais esteja direta ou indiretamente ligada” (ZODGI, 1987, p.21).

Apesar de constar como marco inicial das relações públicas, no Brasil, a criação do Departamento de Relações Públicas da ‘The São Paulo Traway Ligth and Power CO. Limited’, em 1914, foi a partir de meados dos anos 50 que as atividades se profissionalizaram. (WEY, 1983, p. 34).

O ‘Acordo México’, de 1978, (1987, p.22) elaborou uma definição geral, de consenso entre as Associações de RP, dizendo que “a prática de RP é a arte e ciência social de: a) analisar as tendências; b) predizer suas conseqüências; c) aconselhar as lideranças organizacionais; d) implementar programas planejados que servirão tanto aos interesses da organização como a de seus públicos”.

Em nenhuma dessas funções, há atribuições jornalísticas. Portanto, o RP está apto ao relacionamento com a mídia e a sociedade, mas, quando o assunto é texto e busca de veículos, cabe ao jornalista fazê-lo.

Entretanto, há autores, como Gérson Lima, que defendem a prática de assessoria de imprensa também por RP, no sentido de textos; pois, hoje, na grade curricular de Relações Públicas, há disciplinas como redação.

(...) Não é de hoje que as associações profissionais de jornalistas e relações públicas vêm reivindicando o direito de atuar nas assessorias de imprensa, acusando-se mutuamente de estarem pisando na seara alheia. Essa briga, aliás, se de um lado tem os RPs e suas entidades representativas empunhando a mesma bandeira, no outro setor não vem recebendo apoio total dos jornalistas, apesar da previsão do Sindicato de que sem a unidade da categoria os profissionais do Jornalismo, perderão direito a um vastíssimo campo de trabalho opcional. (LIMA, 1985, p. 43).

A falta de clareza quanto às atribuições de cada profissional não é exclusividade do Brasil. Há países mais radicais, como Portugal, onde, se um jornalista decide ser assessor, ele perde o direito de exercer a profissão de jornalista.

Na história da Assessoria de Imprensa no Brasil, os personagens sempre foram jornalistas. Em 1985, a ocupação das AIs por jornalistas era incentivada pelos editores, a fim de facilitar o diálogo e, devido às críticas, à competência dos relações públicas para exercerem a função.

Repórteres e editores preferem contato com pessoas que atendam com eficiência suas necessidades – sejam eles relações públicas, jornalistas ou secretárias -, mas a manutenção de um relacionamento duradouro e eficiente com jornalistas exige especialização, e só quem passou por redação sabe exatamente o que é fechar uma matéria ou como raciocina um editor. (DUARTE, 2003, p. 93).

Os conflitos relacionados às profissões da área de comunicação continuam a existirem na medida em que todas são guiadas pelo mesmo objetivo: trabalhar a imagem do assessorado de forma positiva, organizada e sistematizada, trazendo benefícios a ele.

1.3 O publicitário na Assessoria de Imprensa

O publicitário dentro da Assessoria de Comunicação tem a função de realizar diretamente a criação e a execução de peças publicitárias e de propaganda, para incentivar o consumo de produtos ou o uso de serviços oferecidos pela empresa assessorada. O profissional é ainda responsável também por escolher os veículos mais adequados para a divulgação dos mesmos.

Em geral, ele deve planejar administrar, organizar e coordenar a publicidade e as campanhas. Kopplin e Ferrareto (2001 p. 15) definem basicamente como sendo atribuições do publicitário: a) Criar e executar peças publicitárias e de propaganda; b) Escolher os veículos adequados para a veiculação das mesmas, assim como as agencias intermediárias; c) Planejar, coordenar e administrar a publicidade, propaganda, campanhas promocionais e estudos mercadológicos; d) Participar na definição das estratégias de comunicação.

Para melhor compreensão, comparando a PP com a atividade de AI, pode-se atribuir duas diferenças básicas: a primeira tem clara intenção de venda de um produto, serviço ou imagem, a um público-alvo específico; já a notícia, produto jornalístico de uma AI, deve ser um relato o mais imparcial e fiel possível, de um fato de interesse da coletividade.

Além disso, para veicular seu produto, a PP reserva espaços nos veículos e paga por eles. Já com notícia, isso não acontece; o aproveitamento ou não do produto da AI fica a critério de um responsável, no caso um editor de um veículo, sendo um esforço não pago. A PP refere-se à divulgação da empresa, enquanto a AI refere-se à construção da credibilidade do assessorado.



2.0 GABINETE PARLAMENTAR


A política não é um fim em si mesma. É um sistema-meio para administrar as necessidades de um povo. Sendo assim, não deve ser escalada para promover pessoas, nem meio para facilitar negócios”.



Gaudêncio Torquato
O Brasil possui três poderes: Legislativo, Judiciário e Executivo. No livro “O Espírito das Leis”, Montesquieu (1748), visou moderar o poder de um Estado, dividindo-o em funções e dando-lhe competências diferentes do Estado. Poder legislativo (também legislatura) é o poder do Estado ao qual, segundo o princípio da separação dos poderes, é atribuída a função legislativa.
  1   2


©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal