Aliviando a Bagagem Max Lucado



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17 - A Amorosa Perseguição de Deus

O Fardo da Dúvida


Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida.

Salmos 23.6

Eric Hill tinha tudo o que é preciso para um futuro brilhante. Ele tinha vinte e oito anos, era recém-formado na universidade, possuía um corpo atlético e um sorriso agradável. Sua família o amava, as garotas o notavam, e as companhias o tinham contatado para trabalhar para elas. Embora Eric parecesse sereno por fora, era atormentado por dentro.

Atormentado por vozes que ele não podia calar. Incomodado por imagens que não podia evitar. Então, esperando escapar delas, ele fugiu de tudo. Num cinzento dia chuvoso de fevereiro, de 1982, Eric Hill saiu pela porta dos fundos de sua casa na Flórida, e nunca mais voltou.

Sua irmã Debbie recorda tê-lo visto descendo vagarosamente a interestadual. Ela supôs que ele voltaria. Ele não voltou. Ela esperou que ele telefonasse. Ele não telefonou. Ela pensou que pudesse achá-lo. Não pôde. Para onde Eric viajou apenas ele e Deus sabem, e nem um dos dois decidiu-se a contar.

Só o que sabemos é que Eric ouviu uma voz. E naquela voz havia uma "designação". E aquela designação era catar lixo ao longo da rodovia em San Antonio, Texas.

Para os usuários da Interestadual 10, a sua forma magricela e a sua face barbuda tornaram-se uma visão familiar. De um buraco num terreno baldio, ele fez uma moradia. De umas calças rasgadas e um casaco furado, fez um guarda-roupa. Um chapéu velho protelava o sol de verão. Um saco plástico em seus ombros amenizava o frio do inverno. Sua pele gasta pelas intempéries e os seus ombros encurvados faziam-no parecer ter duas vezes os seus quarenta e quatro anos. Dezesseis anos ao longo da rodovia fariam o mesmo com você.

Era quanto tempo se passara desde que Debbie vira seu irmão. Ela poderia nunca tê-lo visto outra vez, se não fosse por dois eventos. O primeiro foi a construção de uma revendedora de automóveis no terreno baldio de Eric. O segundo foi a violenta dor em seu abdome. A revendedora levou-lhe a casa. A dor quase levou-lhe a vida.

Ele foi encontrado ao lado da rodovia, contorcendo-se e apertando o estômago. O hospital fez alguns exames e descobriu-se que Eric estava com câncer. Câncer terminal.

Mais alguns meses e ele teria morrido. E sem família ou parentes conhecidos, teria morrido sozinho.

O advogado designado para ele pela justiça não podia controlar este pensamento: "Certamente, alguém está procurando por Eric". Então o advogado varreu a internet buscando por alguém que estivesse a procura de um homem adulto, de cabelos castanhos e sobrenome Hill. Foi assim que ele achou Debbie.

A descrição pareceu igualar-se à sua lembrança, mas ela precisava ter certeza.

Então Debbie veio para o Texas. Ela, o marido e dois filhos alugaram um quarto de hotel e partiram para encontrar Eric. Entrementes, ele havia recebido alta do hospital, mas o capelão sabia onde ele estava. Eles o acharam sentado, encostado num prédio, não muito longe da interestadual. Quando se aproximaram, ele se levantou. Eles ofereceram frutas; ele recusou. Eles ofereceram suco; ele declinou. Ele era polido, mas indiferente para com a família que reivindicava ser a dele.

Seu interesse recobrou-se, no entanto, quando Debbie ofereceu-lhe um broche. Um broche de anjo. Ele disse sim. A primeira vez que ela tocou o irmão em dezesseis anos foi no momento em que ele permitiu-lhe prender o anjo em sua camisa.

Debbie pretendia ficar uma semana. Porém uma semana se passou, e ela permaneceu. Seu marido voltou para casa, e ela ficou. A primavera tornou-se verão, e Eric melhorou, e ela ainda lá.

Debbie alugou um apartamento, e começou a ensinar os filhos em casa e a aproximar-se do irmão.

Não foi fácil. Ele não a reconheceu. Ele não a conhecia. Um dia, ele a xingou. Ele não queria dormir em seu apartamento. Ele não queria a sua comida. Ele não queria conversar. Ele queria o seu terreno baldio. Ele queria o seu "trabalho". Quem era aquela mulher, afinal?

Contudo, Debbie não desistiu de Eric. Ela percebeu que ele não compreendia. E então ela ficou. Eu a conheci num domingo, quando visitou a nossa congregação. Quando ela partilhou sua história, indaguei o que você gostaria de indagar: "Como você se impede de desistir?"

"Simples", respondeu ela. "Ele é meu irmão".

Eu lhe disse, então, que a sua busca me recordava outra busca - que o seu coração me recordava outro coração.

Outro bondoso coração que deixara o lar para ir à procura do perdido. Outra alma compassiva que não podia admitir a idéia de um irmão ou irmã em sofrimento. Então, como Debbie, Ele deixou o lar. Como Debbie, Ele achou seu irmão.

E quando Jesus nos achou, agimos como Eric. Nossas limitações impediam-nos de reconhecer aquEle que viera salvar-nos. Até duvidamos de sua presença - e às vezes ainda o fazemos.

Como Ele lida com as nossas dúvidas? Ele nos persegue.

Como Debbie perseguiu Eric, Deus nos persegue. Ele vai atrás de nós até que finalmente o vemos como nosso Pai, mesmo que isto leve todos os dias de nossa vida.

"Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida; e habitarei na Casa do Senhor para todo o sempre" (Sl 23.6).

Esta deve ser uma das frases mais doces já escritas.

Podemos lê-la em algumas outras versões?

"Certamente a tua bondade e o teu amor ficarão comigo enquanto eu viver. E na tua casa, ó Senhor, morarei todos os dias da minha vida" (NTLH).

"Sei que a bondade e a fidelidade me acompanharão todos os dias da minha vida, e voltarei à casa do senhor enquanto eu viver" (NVI).

"Eu tenho absoluta certeza de que a tua bondade e o teu amor cuidadoso me acompanharão todos os dias da minha vida. Sim, eu viverei na presença do Senhor para sempre!" (Bíblia Viva).

Ler o versículo é abrir uma caixa de jóias. Cada palavra cintila e implora para ser examinada diante de nossas dúvidas: bondade, misericórdia, todos os dias, habitar na casa do Senhor, para sempre. Elas devastam nossas incertezas como uma equipe da SWAT faz com um terrorista.

Olhe para a primeira palavra: certamente. Davi não disse, "Talvez a bondade e a misericórdia me seguirão". Ou "Possivelmente a bondade e a misericórdia me seguirão". Ou "Tenho um pressentimento de que a bondade e a misericórdia me seguirão". Davi poderia ter empregado uma dessas frases. Mas não o fez. Ele acreditava em um Deus seguro, que faz promessas seguras e oferece uma base segura. Davi teria amado as palavras de um de seus descendentes, o apóstolo Tiago. Ele descreveu Deus como aquEle "em quem não há mudança, nem sombra de variação" (Tg 1.17).

Nosso humor pode se alterar, mas o de Deus não. Nossa mente pode mudar, mas a de Deus não. Nossa devoção pode vacilar, mas a de Deus nunca. Ainda que sejamos infiéis, Ele é fiel, pois não pode trair a si mesmo (2 Tm 2.13).

Ele é um Deus seguro. E porque Ele é uni Deus seguro, podemos declarar confiantemente: "Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida".

E o que vem depois da palavra certamente? "Bondade e misericórdia". Se o Senhor é o pastor que guia o rebanho, bondade e misericórdia são os dois cães pastores que guardam a retaguarda do rebanho. Bondade e misericórdia. Não apenas bondade, porque somos pecadores necessitados de misericórdia. Não apenas misericórdia, porque somos frágeis, necessitados de bondade. Precisamos de ambas. Como escreveu certo homem, "Bondade para suprir toda carência. Misericórdia para perdoar todo pecado. Bondade para prover. Misericórdia para perdoar".

Bondade e misericórdia - a escolta celestial do rebanho de Deus. Se esta dupla não reforça a sua fé, tente esta frase: "todos os dias da minha vida".

Que imensa declaração. Olhe a magnitude dela! Bondade e misericórdia seguem os filhos de Deus a cada dia, e todos os dias! Pense nos dias que ainda virão. O que você vê?

Dias em casa, com crianças apenas? Deus estará ao seu lado. Dias em um beco sem saída? Ele o conduzirá através dele. Dias de solidão? Ele segurará a sua mão. Certamente bondade e misericórdia me seguirão - não alguns, não a maioria, não quase todos - mas todos os dias da minha vida.

E o que Ele fará durante esses dias? (Aqui está a minha palavra favorita). Ele ira "seguir" você.

Que modo surpreendente de descrever Deus! Estamos acostumados a um Deus que permanece num lugar. Um Deus que está entronizado nos céus, e governa e ordena. Davi, no entanto, visiona um Deus móvel e ativo. Atrevemo-nos a fazer o mesmo? Ousamos visionar um Deus que nos segue?

Que nos persegue? Que nos caça? Que vem em nosso rastro e nos conquista? Que nos segue com "bondade e misericórdia" todos os dias de nossa vida?

Não é este o tipo de Deus descrito na Bíblia? Um Deus que nos segue? Há muitas passagens nas Escrituras que nos diriam sim. Você não precisa ir além do terceiro capítulo do primeiro livro para encontrar Deus no papel de um investigador. Adão e Eva estão escondidos nos arbustos, em parte para cobrir seus corpos, em parte para cobrir seu pecado. Mas Deus esperou que viessem a Ele? Não. As palavras soaram no jardim: "Onde está você?" (Gn 3.9).

Com esta indagação, Deus iniciou uma busca do coração da humanidade que continua até o momento em que você lê estas palavras.

Moisés pode contar-lhe a respeito. Ele estava no deserto havia quarenta anos, quando olhou por cima do ombro e viu um arbusto em chamas. Deus o havia seguido no deserto.

Jonas pode contar-lhe também. Ele era um fugitivo num barco, quando olhou por cima do ombro e viu nuvens se formando. Deus o havia seguido no oceano.

Os discípulos de Jesus conheciam o sentimento de ser seguido por Deus. Eles estavam encharcados de chuva e tremendo, quando olharam por cima do ombro e avistaram Jesus andando em sua direção. Deus os havia seguido dentro da tempestade.

Uma samaritana sem nome sentiu o mesmo. Ela estava sozinha na vida, e sozinha no poço, quando olhou por cima do ombro e ouviu o Messias falar. Deus a havia seguido através de sua dor.

João, o apóstolo, achava-se exilado na ilha de Patmos, quando olhou por cima do ombro e viu o céu começar a se abrir. Deus o havia seguido para o exílio.

Lázaro estava morto havia três dias, num túmulo fechado, quando ouviu uma voz, levantou a cabeça, olhou por cima do ombro e contemplou Jesus de pé. Deus o havia seguido na morte.

Pedro havia negado o seu Senhor e voltado a pescar, quando ouviu o seu nome, olhou por cima do ombro e enxergou Jesus preparando o café da manhã. Deus o havia seguido apesar de seu fracasso.

Deus é o Deus que segue. Me pergunto... você já o sentiu seguindo você? Freqüentemente não o notamos. Como Eric, não reconhecemos nosso Ajudador quando Ele está perto.

Mas Ele vem.

Através da bondade de um desconhecido. A majestade de um pôr-do-sol. O mistério de um romance. Através da pergunta de uma criança ou da confiança de um cônjuge.

Através de uma palavra beta dita ou de um toque na hora certa.Você já sentiu a sua presença?

Se assim é, livre-se de suas dúvidas. Deponha-as no chão. Não mais se sobrecarregue com elas. Você não é candidato a insegurança. Você não é mais cliente da timidez. Você pode confiar em Deus. Ele lhe tem dado o seu amor. Por que você não lhe dá as suas dúvidas?

Não é fácil confiar, você diz? Talvez não, mas também não é tão difícil quanto você pensa. Tente estas idéias:

Confie em sua fé e não em seus sentimentos. Você não se sente espiritual todos os dias? Claro que não. Mas os seus sentimentos não têm impacto sobre a presença de Deus. Nos dias em que não se sentir perto de Deus, fie-se na sua fé, não nos seus sentimentos. A bondade e a misericórdia seguirão você todos os dias de sua vida.

Meça o seu valor através dos olhos de Deus, não dos seus. Para os demais, Eric Hill era um vagabundo sem lar. Mas para Debbie, ele era um irmão. Há ocasiões em nossa vida em que somos andarilhos - sem lar, desorientados, difíceis de se ajudar e difíceis de se amar. Em épocas como estas, recorde este simples fato: Deus ama você.

Ele segue você. Por quê? Porque você é da família, e Ele seguirá você todos os dias da sua vida.

Veja o quadro grande, não o pequeno. O lar de Eric foi tirado. A sua saúde foi tirada. Devido à tragédia, porém, a sua família havia retornado para ele. Talvez o seu lar e a sua saúde estejam ameaçados também. O resultado imediato pode ser o sofrimento. Contudo, o resultado a longo prazo pode ser achar um Pai que você nunca conheceu. Um Pai que seguirá você por todos os dias da sua vida.

A propósito, o último capítulo da vida de Eric Hill é o melhor. Dias antes de morrer, ele reconheceu Debbie como sua irmã. E, ao fazê-lo, descobriu o seu lar.

Nós também o faremos. Igual a Eric, temos duvidado de nosso Ajudador. Mas igual a Debbie, Deus é tardio em irar-se e determinado a ficar. Como Eric, não aceitamos as dádivas de Deus.

Mas como Debbie, Deus assim mesmo as oferece. Ele nos dá seus anjos, não apenas espetados numa lapela, mas postados em nosso caminho.

E acima de tudo, Deus nos dá a si próprio. Mesmo quando preferimos nossa choupana à sua casa, ou lixo à sua graça, Ele ainda nos segue. Nunca nos força. Nunca nos deixa. Pacientemente persistente. Fielmente presente. Usando todo o seu poder para convencer-nos de que Ele é quem é, e que podemos confiar nEle para nos guiar ao lar.

A sua bondade e misericórdia seguir-nos-ão todos os dias de nossas vidas.


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