Aliviando a Bagagem Max Lucado



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3 - Vou Fazer do Meu Jeito

O Fardo da Autoconfiança


O SENHOR é o meu pastor

Salmos 23.1

Você acha que pode freqüentar um clube como o Tiger Woods? Isso é falar demais. Você espera fazer tantos gols quanto Joe Montaria? Você terá de trabalhar duro.

E você, moça? Aspira ser a próxima Mia Hamm? Bom para você.

Quanto a mim? Bem, na verdade há um companheiro que me prendeu a atenção. Ele me faz lembrar de mim.

Provavelmente você nunca ouviu falar dele. Você viu o Aberto Britânico em 1999? Sim, aquele em Carnoustie, Escócia? Lembra-se do jogador que teve sete tacadas para o último buraco?

Isto mesmo, o francês, Jean Van de Velde. Ele estava a seis tacadas e 480 jardas do campeonato, de um maço de dinheiro e de um lugar na história. Tudo o que ele precisava fazer era marcar um seis numa média de quatro.

Eu podia acertar um seis. Minha mãe podia fazer um seis. Esse rapaz podia marcar um seis com um pé nas costas. Diga para o gravador de troféu aquecer a pena e praticar seus Vs. Ele precisará de dois para escrever "Jean Van de Velde".

Admito que o buraco não era fácil. Separado três vezes por uma "wee burn", termo escocês para enseada pantanosa.

Sem problemas. Faça três pequenos lances... três tacadas, se for preciso.

Apenas faça um seis, alcance o buraco, e sorria para as câmeras. A não ser que esteja ventando e a "wee burn" seja um bocado profunda. Não flerte com a jogada.

Oh, mas o francês adora flertar. Van de Velde tira seu driver, em algum lugar de Des Moines, um desportista de poltrona, que fora atraído pelo sono perto da sétima tacada, abre um olho. Ele está pegando um driver?

O rapaz que levava os tacos de Van de Velde era um parisiense de trinta e seis anos, chamado Christopher, com um inglês desordenado, uma barbicha no queixo e cabelos descorados sob o chapéu. "Penso que ele e eu", confessou este mais tarde, "queremos espetáculo demais".

Van de Velde impulsionou sua tacada meio caminho para a Eiffel. Agora ele tinha 240 jardas para o green vazio, mas um gramado espesso e angústia no meio. Certamente ele ama tacada curta de volta, na parte lisa do campo, entre os buracos.

A lógica diz: "Não vá para o green".

O Golf 101 fala: "Não vá para o green".

Cada escocês na platéia alerta: "Hei, rapaz, não vá para o green".

Van de Velde teima: "Eu vou para o green".

Ele puxa uma dupla de "ferros", e o "golfista de poltrona" em Moines abre o outro olho. Unia dupla de ferros? Só se você estiver no tee na praia, e for bater a bola tentando alcançar o Mar dos Caaríbas! Os espectadores estão em silêncio. Total respeito. Alguns em oração. O par de ferros de Van de Velde torna-se um FORE!

Pam. Zuum. Ploft. A bola falseia longe dos espectadores parece no pântano, alto o suficiente para ocultar um anão.

Sua mentira teria feito crescer o nariz de Pinóquio. A próxima tacada na água, e a seguinte na areia. Registre o prejuízo, e você tem quatro tacadas mais um pênalti. Ele está mentindo cinco e não no green. Tanto para acertar o buraco. Agora ele está orando por um sete e um empate. Para grande alívio do mundo civilizado, Van de Velde faz o sete. Você deve estar se perguntando se ele se recobrou do "wee burn". Ele perdeu o lance decisivo.

Golfe, como shorts de náilon para correr, revela muito de uma pessoa. O que o décimo oitavo buraco revelou de Van de Velde faz-me lembrar de mim mesmo.

Eu fiz a mesma coisa. A mesma coisa detestável. Tudo o que ele precisava era de um ferro, mas tinha de pegar o driver. Ou, em meu caso:

Tudo o que eu precisava era desculpar-me, mas tinha de discutir.

Tudo o que eu precisava fazer era ouvir, mas tinha de abrir minha boca grande.

Tudo o que eu precisava fazer era ser paciente, mas tinha de tomar o controle.

Tudo o que eu tinha de fazer era entregar a Deus, mas tentei consertar eu mesmo.

Por que não deixei o driver na sacola? Sei como Christopher, o carregador, responderia: "Acho que ele, eu e Max queremos espetáculo demais".

Cabeçudos demais. Independência demais. Autoconfiança demais.

Não preciso de conselhos - Pam.

Posso me virar sozinho - Zum.

Não preciso de um pastor - Ploft.

Você pode relacionar? Será que Jean e eu somos os únicos a fazer coro com a letra da canção de Sinatra "Fiz do meu jeito"? Somos os únicos com o peito de ferro da autoconfiança? Penso que não.

Nós humanos gostamos de fazer as coisas do nosso modo.

Esqueça o modo fácil. Esqueça o modo comum. Esqueça o modo melhor. Esqueça o modo de Deus. Queremos fazer as coisas do nosso jeito.

E, de acordo com a Bíblia, é exatamente este o nosso problema. "Todos nós andamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu próprio caminho" (Is 53.6).

Você não pensaria que ovelhas são obstinadas. De todos os animais de Deus, a ovelha é a menos capaz de cuidar de si própria.

Ovelhas são tolas! Você já conheceu um treinador de ovelhas?

Já viu ovelhas fazerem truques? Conhece alguém que ensinou sua ovelha a dar cambalhotas? Já assistiu a um show de circo apresentando "Mazadon e sua ovelha saltadora"? Não. Ovelhas são simplesmente tolas demais.

E indefesas. Elas não possuem presas ou garras. Elas não podem mordê-lo nem correr mais que você. É por isto que você nunca vê ovelhas como mascotes de time. Já ouvi falar do St. Louis Rams (Aries de St. Louis), do Chicago Bulls (Touros de Chicago), e Seattle Seahawks (Falcões Marinhos de Seattle), porém Ovelhas de Nova York? Quem quer ser uma ovelha? Você não poderia nem mesmo inventar um grito decente para as líderes de torcida.

Nós somos as ovelhas.

Não damos um pio.

É problema seu a vitória conseguir.

Mas conte conosco se você quiser dormir.

Além do mais, as ovelhas são sujas. Um gato pode limpar-se. Um cachorro também. Vemos pássaros no banho e ursos no rio.

Mas ovelhas? Elas se sujam e ficam assim mesmo.

Davi não poderia ter pensado numa metáfora melhor?

Claro que podia. Afinal, ele superou Saul e venceu Golias. Por que ele não escolheu outra coisa que não ovelha?

Como, por exemplo:

"O Senhor é o meu comandante-em-chefe, e eu sou o seu soldado". Viu só? Preferimos isto. Um soldado ganha um uniforme e uma arma, talvez até uma medalha.

Ou, "O Senhor é a minha inspiração, e eu sou o seu cantor".

Estamos no coral de Deus; que atribuição lisonjeira.

Ou, "O Senhor é o meu rei, e eu sou o seu embaixador".

Quem não gostaria de ser um porta-voz de Deus?

Todos param quando o embaixador fala. Todos escutam quando o menestrel de Deus canta. Todos aplaudem quando o soldado de Deus passa.

Entretanto, quem percebe quando a ovelha de Deus aparece? Quem nota quando a ovelha canta, fala, ou atua?

Apenas uma pessoa percebe. O pastor. E para Davi, é precisamente este o ponto principal.

Quando Davi, que era um soldado, um menestrel e um embaixador de Deus, buscou uma ilustração de Deus, veio-lhe à mente os seus dias como pastor. Recordou-se de como dispensava atenção às ovelhas dia e noite. Ele dormia com elas e por elas velava.

E o modo como ele cuidava das ovelhas lembrou-lhe o modo como Deus cuida de nós. Davi regozijou-se ao dizer:

"O Senhor é o meu Pastor", e ao fazê-lo, orgulhosamente deu a entender, "Eu sou sua ovelha".

Ainda se sente desconfortável em ser uma ovelha? Você condescenderia comigo e faria um teste oral simples? Veja se você possui autoconfiança. Levante a mão se alguma das seguintes declarações descrevem você.

Você pode controlar o seu ânimo. Você nunca fica amuado ou mau-humorado. Você não pode relacionar-se com o Sr. Pessimista e a Deprimida. Você está sempre otimista e aprumado. Isto descreve você? Não? Bem, vamos tentar novamente.

Você vive em paz com todos. Todos os relacionamentos são doces e saudáveis. Até seu antigo namorado (namorada) fala bem de você. Você ama a todos e é amado por todos.

Este é você? Se não, que tal esta descrição?

Você não tem temores. Você é chamado de Teflon valente.

Wall Street afundou - não tem problema. A saúde precária do coração é descoberta - bocejo. Começa a terceira guerra mundial - o que tem para o jantar? Isto descreve você?

Você não precisa de perdão. Nunca fez nada errado. É totalmente honesto. Tão limpo quanto a cozinha da vovó.

Nunca trapaceou, nunca mentiu, nunca mentiu sobre trapacear.

Este é você? Não?

Vamos avaliar isto. Você não pode controlar o seu ânimo. Alguns de seus relacionamentos são instáveis. Você tem temores e faltas. Hmmm. Você quer realmente estufar o peito de autoconfiança? Parece-me que você poderia utilizar um pastor. Caso contrário, você poderá terminar com um Salmo 23 como este:

Eu sou o meu próprio pastor; estou sempre em necessidade.

Eu cambaleio de shopping em shopping, de psiquiatra em psiquiatria, buscando alívio mas nunca o encontro.

Eu me arrasto pelo vale da sombra da morte e caio em pedaços.

Eu temo qualquer coisa, desde pesticidas a fio elétrico, e estou começando a agir como a minha mãe.

Vou às reuniões semanais do grupo e acho-me cercado de inimigos.

Vou para casa, e até peixe-dourado me faz carranca.

Unjo a minha cabeça com uma dose extra de Tilenol.

E o aquário do meu peixinho transborda.

Certamente que a miséria e o infortúnio me seguirão, e eu viverei em autodesconfiança pelo resto de minha vida solitária.

Por que será que aquele que mais precisa de um pastor, mais o resiste? Ah, eis uma questão para os Van de Veldes da vida. As Escrituras dizem, "Faça do modo de Deus". A experiência aconselha, "Faça do modo de Deus". Cada escocês no céu suplica,"Hei, rapaz, faça do modo de Deus".

E de vez em quando nós fazemos. E quando o fazemos, quando seguimos o guia de Notre Dieu, e deixamos o driver na sacola, de algum modo a bola fica na parte lisa do campo.

Bem, Van de Veldes faz-me lembrar de mim.

Após perder o lance decisivo, ele manteve a compostura diante da multidão. Contudo, assim que se sentou na tenda, enterrou o rosto nas mãos. "Na próxima vez, baterei com o taco de cunha", soluçou ele. "Você dirá que sou um covarde, mas da próxima vez, baterei com o taco de cunha".

Você e eu, Jean.

Nota da Tradutora:

Driver - no golfe, dentre os tacos de madeira, empregados para lançamentos altos e longos, o driver é o mais característico.

Greeti - pequena área sem obstáculo, onde ficam os buracos.

Ferros - Tacos de ferro usados para o jogo intermediário e de aproximação.

Tee - ponto de partida.

Fore - Expressão de alerta ao golfista a caminho de uma bola.


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