Amf presta homenagem a Sabin Viúva de cientista inaugura placa comemorativa



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história
AMF presta homenagem a Sabin

Viúva de cientista inaugura placa comemorativa


Alcir Vicente Visela Chácar*

Heloísa Sabin foi recebida por Alkamir Issa, ex-presidentes da AMF e acadêmicos da AFM


A Dama e o Cientista

Chovia muito no Rio de Janeiro quando Albert Sabin esteve no Brasil pela primeira vez. Uma repórter se aproximou do cientista e perguntou-lhe sobre seus sentimentos pela cidade. Inspirado, ele respondeu que quando chovia, esta cidade lhe fazia pensar em uma linda mulher em lágrimas. Mais tarde, em uma recepção, foi apresentado à Heloísa, sobrinha de sua anfitriã, a niteroiense Condessa Pereira Carneiro. Ela disse-lhe seu nome, o qual não entendeu muito bem. Pediu várias vezes que o repetisse – estava querendo um pretexto para conversar um pouco mais. Havia sido apresentado a muitas pessoas, cujos nomes também não entendera, mas só se interessara pelo dela, o tempo todo... Fôra como se o sol tivesse aparecido novamente e pudesse finalmente ver a beleza do Rio de Janeiro. Esta dama que tanto encantou o cientista tornou-se mais tarde sua esposa e maior incentivadora de seu trabalho por toda uma vida.

Em sua visita à sede da Associação Médica Fluminense, em 21 de março de 2005, Heloísa Sabin, viúva do cientista, foi homenageada pelo presidente Alkamir Issa e pelos ex-presidentes Waldenyr de Bragança, José Hermínio Guasti e Alcir Vicente Visela Chácar. Com a presença de autoridades e médicos, foi inaugurada uma placa comemorativa relembrando os importantes momentos vividos pelo ilustre cientista durante sua visita àquela Casa, em 14 de agosto de 1979.
O Resgate de uma História

Em sua Conferência Magna realizada durante o XVIII Congresso da Associação Médica Fluminense intitulada “Problemas de Imunização na Infância em Diferentes Partes do Mundo”, Albert Sabin afirmava que o sistema de vacinação adotado no Brasil até então não impediria o aparecimento de novos casos da doença, fato que lhe causava grande temor.

Cinco meses depois, chegava às mãos do presidente da AMF boletim epidemiológico comunicando que só no Estado do Rio de Janeiro já havia um aumento de 300% nos casos de poliomielite, onde dos 200 casos diagnosticados, 13 óbitos foram registrados. Preocupado, ele escreveu a Sabin, dando-lhe conhecimento dos fatos, sendo prontamente correspondido: “Li sua carta e recomendo imediata administração de uma dose oral de poliovacina a todas as crianças abaixo de cinco anos de idade, independente de história prévia de vacinação, como medida antiepidêmica, em todas as regiões do Brasil. Segue carta.” Assinado: Albert B. Sabin - MD Distinguished Research Professor.

A carta de Sabin, imediatamente encaminhada às autoridades médicas federais, estaduais e municipais, não mereceu, entretanto, qualquer atenção.

Os dias se passavam e, diante da gravidade da situação, Sabin, atendendo a um convite da AMF, chegava ao Brasil pelas mãos de seu amigo particular, o jornalista Adolpho Bloch, editor da revista Manchete, que já vinha cobrindo a troca de correspondências. Com certa relutância, foi recebido pelo então Ministro da Saúde, mas não encontrou qualquer facilidade para a implementação de seu esquema de vacinação.

Desiludido, queria voltar ao seu país mas antes decidiu escrever ao Presidente João Batista Figueiredo, desabafando: “Guardo grata recordação do meu afetuoso relacionamento com o povo brasileiro, torna-se desnecessário declarar-lhe quanto gostaria de prosseguir, ajudando-o a eliminar o sofrimento e a morte. Há muito que pode ser feito, deve ser feito, e que não está sendo feito.”


O Desagravo

Em apoio a Sabin, a Associação Médica Fluminense promoveu uma grande manifestação popular diante da Casa do Médico, marcando definitivamente a data de 28 de março de 1980 na história da AMF. As janelas dos apartamentos da Avenida Roberto Silveira enfeitadas com toalhas e bandeiras, o desfile de crianças de escolas de Niterói, o povo aplaudindo e gritando o nome do benfeitor em sua passagem foram registrados pela imprensa presente ao desagravo. A sede da AMF estava lotada. A classe médica, unida ao clamor popular e com o apoio dos órgãos de comunicação, conseguia, então, sensibilizar o ilustre cientista, que decidiu ficar no Brasil e, apesar das precárias condições de trabalho oferecidas, implementar o seu projeto. Em 14 de junho, o Brasil passa a ter o seu Dia Nacional de Vacinação.

Em 1979, segundo o Anuário Estatístico do Brasil e a Secretaria Na-

cional de Ações Básicas de Saúde do Ministério da Saúde, existiam 2.564 casos de poliomielite no Brasil. Após a implementação do esquema criado por Sabin, um ano depois a estatística caiu para 122 casos. Em 1983, 45 casos foram registrados e, finalmente, em 12 de outubro de 1994, o país recebia da Organização Mundial de Saúde o Certificado de Erradicação da Transmissão do Poliovirus Selvagem em território brasileiro.



Ironicamente, em março de 1993, morria Albert Sabin vitimado por uma doença que o consumia há vários anos e cujas conseqüências em muito se assemelham as da paralisia infantil.

* Presidente da AMF, 1977 – 1981


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