AMÁlia xavier de oliveira e sua contribuiçÃo para a educaçÃo no município de juazeiro do norte



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AMÁLIA XAVIER DE OLIVEIRA E SUA CONTRIBUIÇÃO PARA A EDUCAÇÃO NO MUNICÍPIO DE JUAZEIRO DO NORTE

Jusciane Lima de Morais Melo

(Graduanda em Pedagogia pela URCA- juscianemorais@gmail.com)

Renata de Lima Pimentel

(Graduanda em Pedagogia pela URCA- renata_drew@hotmail.com)

Zuleide Fernandes de Queiroz

(Professora da URCA, zfqueiroz@yahoo.com.br)
Introdução
[...] os conteúdos das memórias sempre será avaliado com os recursos e olhos (imagens e ideias) do presente.” (REGO, 2003)

Este artigo tem como objetivo apresentar a história de vida de uma profissional que tanto contribuiu para a educação no município de Juazeiro do Norte, Amália Xavier de Oliveira, nasceu na referida cidade no dia 05 de abril de 1904, filha de José Xavier de Oliveira e Umbelina Xavier de Oliveira. Amália Xavier dedicou a sua vida à educação.

Realizando os estudos da disciplina de História da Educação Brasileira no período de 2013.1 no curso de Pedagogia da Universidade Regional do Cariri (URCA) e baseando-se nos conteúdos de História do Ceará e do Cariri, sentimos a necessidade de resgatar a memória de vida da educadora Amália Xavier de Oliveira. Esta pesquisa é de caráter qualitativo e tem por base fonte bibliográficas e estudo documental.

O propósito é conhecer e expor a sua trajetória profissional e contribuição para a formação de alunos e professores do meio rural. A análise do conteúdo possibilitou a extração de importantes informações sobre o objeto pesquisado.

Cada vez mais se tem visto estudos de narrativas sobre memória de vida de professores. Segundo Écléa Bosi (apud REGO, 2003, p.81) “lembrar não é reviver, mas re-fazer, reconstruir e re-elaborar as experiências do passado e que nesse trabalho de recuperar a memória de uma vida, ‘fica o que significa.” Justifica-se a importância de resgatar a memória de vida de uma educadora que idealizou e tornou concretos projetos e ações destinadas a melhoria da educação juazeirense.


História da Educação no Ceará
O Ceará é um estado brasileiro localizado na região Nordeste do Brasil, fazendo limites com o Oceano Atlântico ao Norte, com o Estado de Pernambuco ao Sul, com os Estados do Rio Grande do Norte e Paraíba ao Leste e com o Estado do Piauí a Oeste, o qual possui uma área total de 148.825,6 km², tem a quarta extensão territorial da região Nordeste e é o 17º entre os estados brasileiros em termos de superfície territorial.

O Estado é composto por 184 municípios e 806 distritos. O mesmo adotou o sistema de regionalização dos municípios feita pela Secretaria do Planejamento e Gestão (SEPLAG) compondo-se de 8 microrregiões e macrorregiões de planejamento e 20 regiões administrativas. O Ceará possui uma população de mais de oito milhões de pessoas, sendo que 75% delas vivem em áreas urbanas. O Estado contém a segunda maior economia da Região Nordeste do Brasil, com fortes atrativos turísticos, sendo estes os maiores geradores de riqueza no Ceará: 70,91%.

Começa-se a registrar a história desse estado com a criação da "Capitania do Siará", doada em 1535 a Antonio Cardoso de Barros. Em 1603, uma expedição comandada pelo açoriano Pêro Coelho de Souza fundou na região a colônia denominada Nova Luzitânia. O Ceará fez parte do Estado do Maranhão e Grão-Pará em 1621 e em 1824, da Confederação do Equador, juntamente com os Estados de Pernambuco, Rio Grande do Norte e Paraíba. A Confederação do Equador, cujo nome se dá ao fato de estar próxima à linha do Equador, foi um movimento político-revolucionário ocorrido no Nordeste brasileiro em 1824 contra a centralização do poder imperial. Em meados do século XIX, com a chegada da navegação a vapor, das estradas de ferro, da iluminação a gás e do telefone, o Estado avança em desenvolvimento.

Com relação ao nome, para alguns, vem de ciará (canto de jandoin), no dizer dos índios. Outros veem a formação da palavra em ceuro (canto forte) e zara (pequena arara), e há quem veja no nome Saara, a origem, pois os primeiros exploradores da terra viram notável semelhança da região com o deserto africano1.



Referente a história da educação cearense, alguns registros relatam a precariedade do ensino e a falta de incentivo por parte do poder público em relação à instrução no período do Império. De acordo com Pinto (apud, VIERA E FARIAS, 2002, p.94) “no regime monárquico, conforme consta da totalidade dos relatórios dos vários presidentes da província, a instrução pública primária no Ceará, era indicada pelo seguinte mote: tudo está por fazer, desde a escola aos métodos de ensino”. Segundo Girão (apud idem, ibidem, p.95), o motivo dessa falta de incentivo por parte do governo se deve ao fato de existirem poucos professores habilitados para ensinar e da apatia dos pais em relação à escola. Além disso, havia um enfraquecimento financeiro diante das fiscalizações escolares. O que se observava era uma simples reprodução da educação deixada pelos jesuítas no período colonial, na qual se baseava em “catequizar e instruir os nativos assim como a população que para cá se transferira ou fora transferida, nas quatro décadas que já se haviam passado desde o descobrimento” (Xavier, Ribeiro e Noronha, 1994). Segundo as autoras, a tarefa educativa dos jesuítas era essencialmente converter os nativos e adaptá-los a uma nova cultura. Cabia aos missionários à tarefa de ensiná-los a ler, escrever e contar, sendo que essas instruções eram exercidas em lugares isolados. Essa forma de ensino ainda repercutia no período imperial, pois de acordo com Girão (apud, Viera e Farias 2002, p.95) “penetravam os meninos o impecilhoso labirinto do abecedário frequentando raras escolas avulsas, montadas rudimentarmente, sem nada que os atraísse e encantasse”. O autor afirma ainda que em 1927, foi enviado a Câmara Geral o projeto de criação de um Liceu na vila de Viçosa, no qual seria aproveitado “como sede o antigo colégio dos jesuítas”. Este projeto de lei não foi sancionado, assim como outras tentativas que vieram posteriormente. “Se não fosse pelo relato dos historiadores seria impossível imaginar que nos primeiros anos dos séculos XIX o Ceará tivesse tão poucas escolas e professores, constituindo-se solo fértil para a proliferação da ignorância.” (VIEIRA E FARIAS, 2002, p.96).


História da Educação no Cariri
A região do Cariri, situada ao Sul do Estado do Ceará é considerada um tipo de oásis no Sertão devido ao seu clima, sua hidrografia e suas riquezas naturais. Também é conhecida como uma região especial que se diferencia dos outros ambientes sertanejos. O Cariri ocupa uma área de 6.342,3km². Segundo pesquisa realizada pela Revista Itaytera, No. 15, 1971, p. 84, Irineu Pinheiro afirma que:
O Cariri é a zona que compreende, in totum, ou em parte, os seguintes Municípios no extremo sul do Ceará: Crato, Barbalha, Juazeiro do Norte, Missão Velha, Milagres, Mauriti, Brejo Santo, Jardim, Santanópolis, São Pedro, hoje, Caririaçu, Quixadá. É assim que o povo caririense entende a região em que mora, sem dar – lhes limites exatos de rios, relevos geográficos, etc. (apud QUEIROZ, 2012, p.03).
Esta região recebe este nome devido ao fato de que seus primeiros habitantes foram os índios cariris (kariris), e estes, segundo estudos de Brígido (2001)2 “[...] viviam em constante conflito com outras tribos indígenas da região, como os cariús, calabaças e inhamuns, que queriam roubar-lhes as terras férteis e cheias de belezas naturais. Os primeiros povoadores e descobridores da região do Cariri cearense foram os baianos vindos do rio São Francisco entre os anos de 1660 a 1680.”

Quanto à educação caririense, o desenvolvimento da instrução se deu principalmente nos municípios de Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha. A cidade do Crato caracterizou-se como o polo educacional de maior referência no interior do nordeste por esta possuir inúmeras instituições de ensino. Dentre essas instituições, destacam-se o Seminário São José, fundado por D. Luís Antônio dos Santos, cuja finalidade era a formação humanística e eclesiástica de jovens sertanejos provenientes de alguns estados do Nordeste e a Escola de Comércio, instalada em 1918, que funcionava no turno da noite para aqueles que buscavam formação política, econômica e educacional.

Além destes, ressalta-se o Seminário da Sagrada Família, o Colégio Diocesano, o Colégio Santa Tereza de Jesus, o Colégio Estadual, os Ginásios Pio X e D. Bosco, o Liceu de Artes e Ofícios e as Faculdades de Filosofia e de Ciências Econômicas, ambas ligadas à Universidade Federal do Ceará.

O setor educacional do município de Juazeiro do Norte tem se intensificado ano após ano graças aos programas em prol da erradicação do analfabetismo e melhoria da qualidade de ensino das séries iniciais. Dos institutos de educação da época, destacam-se a Escola Técnica de Comércio, o Ginásio Salesiano, a Escola Normal Rural, o Instituto Padre Anchieta e os Grupos Escolares conservados pela administração local.

Na cidade de Barbalha, há várias fundações de ensino, como o Ginásio Santo, Antônio, dirigido pelos Padres Salvatorianos e o Ginásio N. S. de Fátima, administrado pelas Irmãs Beneditinas. Além dessas, havia grupos municipais, institutos e escolas rurais, referentes ao ensino primário e secundário.


História da educação em juazeiro do norte

Juazeiro do Norte localiza-se ao sul do Estado do Ceará, a 600 km da capital Fortaleza. Sua área corresponde a 248,558 km². Sua população é estimada em 240.638 habitantes. É considerada o maior centro de religiosidade popular da América Latina, atraindo milhões de romeiros e turistas todos os anos3. Antigamente era apenas um distrito da cidade do Crato, chamado Tabuleiro Grande, o qual possuía poucas casas e uma simples capela. Porém com a chegada do Padre Cícero Romão Batista, tudo mudou, tanto no setor religioso, quanto no setor econômico, político, cultural e educacional. Em relação à essas transformações, Walker advoga que foi o Padre Cícero:

[...] quem trouxe para Juazeiro as Ordens dos Salesianos e dos Capuchinhos; doou os terrenos para construção do primeiro campo de futebol e do aeroporto; construiu as capelas do Socorro, de São Vicente, de São Miguel e a Igreja de Nª Sª das Dores, incentivou a fundação do primeiro jornal local ( O Rebate); fundou a Associação dos Empregados do Comércio e o Apostolado da Oração; realizou a primeira exposição da arte juazeirense no Rio de Janeiro; incentivou e dinamizou o artesanato artístico e utilitário como fonte de renda; incentivou a instalação do ramo de ourivesaria; estimulou a expansão da agricultura, introduzindo o plantio de novas culturas; contribuiu para a instalação de muitas escolas, inclusive a famosa Escola Normal Rural e o Orfanato Jesus Maria José;

socorreu a população durante as secas e epidemias , prestando-lhe toda assistência e finalmente, projetou Juazeiro no cenário político nacional, transformando um pequeno lugarejo na maior e mais importante cidade do interior cearense. (WALKER, 1994, p.14-15)


A educação em Juazeiro do Norte é estudada em dois momentos, um antes e outro depois da Escola Normal Rural, tornando-se um marco no desenvolvimento cultural. No primeiro momento, segundo Souza (s/d, 26), em 1872, com a chegada do Padre Cícero já existia uma escola régia, que tinha como diretor o professor Semeão Correia de Macêdo. Neste período, o ensino sofre benéficas transformações, com o estimulo e cooperação por parte deste padre, um grande incentivador da educação dos jovens caririenses. “Em 1880 foi criada a segunda escola regida pela professora D. Naninha [...]. Na década de 1890 o Padre Cícero localizou quatro escolas particulares”. Nas primeiras décadas do século XX surgiram várias outras escolas: uma pública em 1912, algumas municipais em 1916 e 1920, a fundação do Orfanato Jesus Maria José em 1825, mais três escolas particulares em 1929 e a Escola Normal Rural em 1934.

No segundo momento, foi criado o Colégio São João Bosco em 1942. A partir daí houve um crescimento significativo em relação ao ensino universitário. As principais instituições de ensino superior encontradas, atualmente, em Juazeiro do Norte são: Universidade Federal do Ceará (UFC); Universidade Regional do Cariri (URCA); Instituto Federal do Ceará (IFCE); Faculdade Tecnológica do Ceará (FATEC); Faculdade de Medicina de Juazeiro do Norte (FMJ); Faculdade Leão Sampaio (FALS); Faculdade Paraíso (FAP); Faculdade de Juazeiro do Norte (FJN) e Universidade Vale do Acaraú (UVA).

Portanto, o fato de Juazeiro do Norte ser hoje uma cidade de grande destaque nacional e por ter se tornado um grande celeiro de desenvolvimento industrial, econômico, político, educacional e cultural, se deve, sem dúvida alguma, a imensa contribuição do Padre Cícero, um mártir na história desse inegável prodígio que é Juazeiro.

Formação e Trajetória Profissional de uma Notável Educadora
Segundo Araújo (2004, p.27) “Amália Xavier de Oliveira estudou ‘aqui’, em Juazeiro do Norte, na Escola da famosa Professora Isabel da Luz, e em Fortaleza no Colégio Sagrado Coração de Jesus (Colégio das Dorotéias) de 1º de maio de 1922, até 22 de novembro de 1927, data em que concluiu o curso de Professora”.

Em 25 do mesmo mês e ano, Amália Xavier retornou, definitivamente, para a cidade de Juazeiro do Norte e em 06 de fevereiro de 1928, foi nomeada professora substituta efetiva para o Grupo Escolar Padre Cícero. Em 06 de janeiro de 1929 recebeu o título de Professora da 4ª série do Grupo Escolar de Juazeiro, a primeira instituição de ensino público dessa cidade. Em 13 de dezembro do mesmo ano foi nomeada Professora Estadual do Grupo Escolar Padre Cícero e em 19 de fevereiro de 1932 se tornou Diretora da mesma. Em 11 de janeiro de 1937 é nomeada Diretora oficial da Escola Normal Rural, na qual exercia as funções de Professora de Canto Orfeônico, de Educação Física, de Orientadora Pedagógica e de Tesoureira, além de tornar-se Professora de Metodologia e Psicologia Educacional da referida escola em 06 de fevereiro do mesmo ano. Também foi membro integrante do Centro Cultural Juazeirense em 1971; em 21 de julho de 1977 esteve à disposição do Gabinete Estadual do secretário de Educação e assumiu em 16 de fevereiro de 1974 a diretoria do Centro Educacional Professor Moreira de Sousa, nome substituto da Escola Normal Rural.

É importante ressaltar que “a Escola Normal Rural de Juazeiro do Norte tornou-se possível devido o empenho de Joaquim Moreira de Sousa, Plácido Aderaldo Castelo e Amália Xavier de Oliveira” (SOUSA, 1994, p.29) e “foi fundada no mesmo ano da morte de Padre Cícero - contando inclusive com o apoio dele - (1934), este homem polêmico, venerado e respeitado pelos moradores de Juazeiro, porque trata-se de uma cidade cuja fundação está intimamente a ele associada” (SILVA, 2011, p.33). Quanto ao surgimento e papel da ENRJN, Silva ressalta que:
A Escola Normal Rural de Juazeiro do Norte destaca-se na historiografia educacional como o primeiro estabelecimento de ensino voltado para a formação de professores especializados para as escolas rurais no Brasil. Esta Escola surgiu com o objetivo de oferecer aos seus alunos uma formação alicerçada em uma educação que valoriza o meio rural, em um momento histórico em que o Brasil via na agricultura um meio indispensável para a conquista do progresso. (SILVA, 2011, p. 35).
Segundo Araújo (2004, p.29) em 03 de março de 1933, Amália Xavier é contemplada com uma bolsa de estudo, a qual lhe dar o direito de ir à cidade do Rio de Janeiro para se especializar em Conhecimentos Gerais, Canto Orfeônico e Recreação. De acordo com Oliveira (apud Nogueira, 2011, p.140) “conta Amália que esse foi um curso ‘muito bom, de muita importância no Rio de Janeiro para o professor do interior’. Nesse momento, além de aprofundar conhecimentos gerais, ela se especializou em Educação Física [...]”. Isso mostra a importância que ela dava às oportunidades, quando estas lhe possibilitava um enriquecimento intelectual.

Esta ilustre educadora não mediu esforços para contribuir ao ensino de Juazeiro do Norte, ao contrário não teria fundado em 05 de maio de 1935 o Pensionato Santa Terezinha para hospedar as jovens residentes nas cidades vizinhas que vinham estudar na referida cidade; o curso de Economia Doméstica agregado ao Externato Santa Terezinha em 15 de maio de 1943 para as jovens que quisessem se especializar em serviços domésticos; e o Ginásio Santa Terezinha em 02 de março de 1948 exclusivo ao sexo feminino.

Aconteceram alguns acontecimentos importantes durante os anos de sua atuação na educação, pois segundo Araújo (2004, p.29) em 23 de março de 1953 esta educadora pede demissão das cadeiras de Psicologia Educacional e Metodologia por perceber o acúmulo de tarefas devido às funções que exercia de professora e diretora. Em 20 de fevereiro de 1957, por conta de problemas relacionados à sua saúde, Amália vende o Ginásio Santa Terezinha para as Irmãs Missionárias de Jesus Crucificado, o qual passou a chamar-se Colégio Monsenhor Macedo, e no dia 30 de dezembro de 1959 oficializa o seu afastamento da administração da Escola Normal Rural, cujo motivo não se sabe, porém o que ainda se comenta é que pode ter sido uma causa política.

Por ser uma profissional comprometida com a produção de conhecimentos, Amália Xavier não temeu em deixar registros de sua autoria, os quais são de grande importância não só para a história de sua cidade, mas também para a região do Cariri como um todo. Segundo Araújo (2004, p.28, 29-30), são eles: um texto de sua conferência intitulado por: “Juazeiro, seus aspectos variados e sua Escola Normal” publicado em 02 de fevereiro de 1936 no Jornal do Comércio do Rio de Janeiro; o seu primeiro livro “O Padre Cícero que eu Conheci”, publicado em 14 de julho de 1969; o opúsculo “Dados que Marcam a Vida de Padre Cícero Romão Batista” de 08 de setembro de 1973; a plaqueta “Conheça o Cariri” de 23 de novembro de 1976; o livro “História da Escola Normal Rural de Juazeiro do Norte” de 05 de abril de 1984 escrito em homenagem ao Cinquentenário desta cidade; e como não fosse suficiente, escreve o inédito “Juazeiro e suas Memórias”, além de publicar monografias e lembranças de viagens à Europa nos anos de 1950 e 1958.

Ainda de acordo com o mesmo autor (2004, p.31), “Dona Amália faleceu em Juazeiro do Norte, mais precisamente no Pronto Socorro, no dia 05 de dezembro de 1984, vítima de infecção generalizada. Seu corpo está sepultado no velho e tradicional Cemitério de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro”. Como uma forma de homenageá-la existe a “Rua Professora Amália Xavier de Oliveira” e a “Escola de Ensino Fundamental Amália Xavier”.

Esta educadora destacou-se pela prática pedagógica diferenciada que exercia no âmbito escolar tendo desenvolvido papel fundamental na formação de um novo modelo de ser educador. Fortalecendo essa concepção, Nogueira (2011, p.154) afirma que “rigidez, autoritarismo, coragem, determinação, eficiência e sabedoria são algumas das marcas remetidas à Educadora”. Em relação ao seu imenso interesse pela educação, Araújo salienta que:


Dona Amália foi educadora por vocação, por idealismo e por amor. Deu tudo de si em prol da nobre causa que abraçou. Por isto, seu nome jamais será olvidado. Jamais será ostracisado. Jamais será sepultado. Seu nome extrapolou as raias da fama. Dona Amália foi um dos grandes valores de nossa terra. [...] foi uma figuras singular que cruzou os caminhos de Juazeiro do Norte, deixando como legado as digitais do seu talento de mestra notável, de escritora consagrada e de uma exímia educadora, a de maior expressão que já tivemos. (ARAÚJO, 2004, p.31-32).

Este trabalho nos proporcionou conhecer a história de vida de um personagem de grande importância para a história da Educação do Cariri. Dona Amália Xavier assim como tantas outras mulheres deram um passo a frente do seu tempo quando, dedicam as suas vidas a educação, demarcando assim, o papel da mulher na sociedade e consequentemente no mercado de trabalho.

Resgatar a historia destas mulheres nos faz perceber que a história é construída através das relações estabelecidas na sociedade, onde envolvam o processo sócio - educativo e cultural, como alunas e futuras professoras não podemos deixar de resaltar que são pessoas como esta mulher que nos instigar a desenvolver o nosso trabalho educacional, o que passamos a perceber após conhecer a história desta grande educadora.


Referências

ARAÚJO, Raimundo. Mulheres de Juazeiro. Juazeiro do Norte: Gráfica e Editora Royal, 2004.

CAVALCANTE, Maria Juraci Maia et al. História da Educação Comparada: Discursos, Ritos e Símbolos da Educação Popular, Cívica e Religiosa. Fortaleza: UFC, 2011.

MARTINS Filho, Antônio. GIRÃO, Raimundo. O Ceará. Fortaleza: Instituto do Ceará, s/d.

NOGUEIRA, Delane Lima. Amália Xavier e a Escola Normal Rural de Juazeiro do Norte: Registros sobre a Constituição de uma Cultura Docente para a Educação no Campo. 1ª Ed. Fortaleza: Editora IMEPH, 2011.

REGO, Tereza Cristina. Memórias de Escola: Cultura Escolar e Constituição de Singularidades. Petrópolis, RJ: Editora Vozes, 2003.

SILVA, Mirelle Araújo da. O Lavrador: A Função do Jornal na Formação do Professor Ruralista de Juazeiro do Norte. 1ªed. Fortaleza: Editora IMEPH, 2011.

SOUZA, José Boaventura de. Escola Normal Rural de Juazeiro do Norte: Uma Experiência Pioneira. Juazeiro do Norte: Edições IPESC, 1994.

VIEIRA, Sofia Lerch. FARIAS, Isabel S. Histórias da Educação no Ceará. “Sobre Promessas e Feitos”. Fortaleza: Edições Demócrito Rocha, 2002.

WALKER, Daniel. Pequena Biografia de Padre Cícero - “O cearense do século”. Juazeiro do Norte: CEDIC, 1994.



Fonte:http://sbhe.org.br/novo/congressos/cbhe7/pdf/03


1Fonte: www.sppert.com.br/Brasil/Ceará


2 Fonte: http://familiavasqueslandim.blogspot.com.br/2013

3 Fonte:http://sbhe.org.br/novo/congressos/cbhe7/pdf/03




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