Amor gera amor



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Encontro31.07.2016
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Testemunhas do Amor

AMOR GERA AMOR

Na Liturgia, a Igreja dirige a Deus esta prece: “Abri os olhos do nosso coração às necessidades e aos sofrimentos dos irmãos; inspirai as nossas palavras e obras para confortarmos os que andam cansados e oprimidos; e ensinai-nos a servi-los de coração sincero, segundo o exemplo e o mandamento de Cristo”. Uma experiência de amor que um casal me relatou parece-me exemplar como modo de concretizar o que se pede na oração. E mais, mostra-nos como o amor gera ou aviva a mesma atitude e relação nos outros. Ninguém fica indiferente quando é verdadeiramente amado: abre-se, reanima-se, confia, renasce nele a esperança... Encontra nova vida. Eis a história:

Um homem portador de deficiência visual bate à porta de uma família da sua aldeia. No seu coração traz amargura não tanto pela sua doença mas mais pela sua esposa. Foi-lhe descoberta uma doença que lhe causou apreensão, medo e angústia. Também ele, o marido, não sabe como ajudar a esposa naquela situação difícil. Sabia que na família vizinha também a esposa e mãe passou por uma situação semelhante. Por isso vem pedir ajuda, para poder por sua vez ajudar aquela a quem ama.

O casal escuta o homem longamente, sem pressa. Assume como sua a dor que o atormenta. Marido e esposa sentem compaixão para com o seu vizinho e respectiva família. E a partir da experiência por que passam falam-lhe da doença, dos exames, dos seus medos e das esperanças que os animam, fortalecem e levam a lutar pela cura. As suas palavras dão ânimo ao invisual e fazem-no sentir-se melhor, quase à sua vontade ali naquela casa, com as pessoas que o acolheram. Sente-se encorajado a acompanhar a sua esposa e a ter esperança de que a doença possa ser vencida ou pelo menos controlada.

Sentindo-se escutado, compreendido e amado, o homem vai mais longe no seu desabafo. Conta então a sua história da cegueira e as humilhações que sofreu desde que sentiu as limitações crescentes na sua capacidade de visão. Quando ia na rua, de vez em quando, inadvertidamente, chocava com outras pessoas. Estas insultavam-no, pois não imaginavam que era por deficiência de visão que isso acontecia. E para ele era difícil admitir e explicar a razão desses incidentes.

Apesar de tudo, nunca se deixou vencer por tais embaraços e feridas. Pouco a pouco, foi aceitando as limitações e adaptando-se à sua nova situação. Teve que aprender um novo trabalho e superar as incompreensões alheias. Agora, ao contar tudo o que passara, apresentava-se com um homem pacificado. As feridas do passado estavam saradas. Tem gosto de viver e exprime-o mesmo com certo humor. Diz que mais vale viver com deficiência visual do que estar morto. E sente-se um homem corajoso e capaz de enfrentar a vida. É pessoa para não se deter diante de qualquer obstáculo. Por isso, veio pedir ajuda.

E encontrou-a quer para a sua esposa, motivo da sua preocupação, quer para si próprio. Contando a sua história, fez o casal conhecer e compreender por que motivo esse seu vizinho deixara de os saudar, quando passava em frente da sua casa e eles andavam a trabalhar no jardim. A deficiência visual impedia que os visse. A partir de agora poderiam estes vizinhos tomar a iniciativa de falar ao seu conterrâneo sempre que o encontrassem. Irão certamente relacionar-se com ele de modo diferente com compaixão, empatia e simpatia. A disponibilidade para ajudar e apoiar a sua esposa seria também gesto de fraternidade e caridade para com eles. As duas famílias ficaram mais cúmplices e solidárias uma com a outra. A dor e o amor juntamente com a caridade cristã unira-as.

P. Jorge Guarda


Este artigo pode ser encontrado também no meu blog, no seguinte endereço: http://padrejorgeguarda.cancaonova.pt


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