Anais VII encontro fluminense de educaçÃo física escolar VII enfefe dificuldades e Possibilidades da Educação Física Escolar no Atual Momento Histórico



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Temas

-Prática de atividades físicas, importância do idoso, formas de envelhecimento (hábitos, costumes, envelhecimento ativo), conseqüências do envelhecimento;

-A morte como uma ordem natural da vida;

- Prevenção de acidentes: informações que irão ajudar a criança a ter atitudes preventivas e seguras no meio em que vive em todas as faixas etárias;

- Visão da sociedade sobre o idoso;

- A importância da escola considerar as especificidades da educação dos idosos.

Os autores, Prof. Ms. Silvio Telles é da UGF e a Profa. Kristine Wagner de Souza é mestranda em Educação na UERJ

Referências bibliográficas

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A INFLUÊNCIA DO CLIMA MOTIVACIONAL NA PARTICIPAÇÃO

DOS ALUNOS NAS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA.

Walmer Monteiro Chaves

Nilza Magalhães Macário,



Resumo: O presente trabalho objetiva estudar a influência do clima motivacional nas aulas de Educação Física, sob a fundamentação da Teoria Social Cognitiva da Abordagem por Metas (Nicholls, 1984 e Duda, 1989). A questão central está pautada na não-participação dos alunos nas atividades de aula. O instrumento, “Task and Ego Orientation in Sport Questionnaire”, foi aplicado aos alunos (n=104) da quinta série do ensino fundamental de uma escola municipal em Itaboraí-RJ. Os resultados apontaram para uma redução da meta ego e aumento da meta tarefa, o que representou uma mudança positiva em relação à participação dos alunos nas aulas.

Palavras-chave: Clima motivacional; Teoria Social Cognitiva da Abordagem por Metas; Meta tarefa; Meta ego.

Introdução

O objetivo do presente trabalho é estudar a influência do clima motivacional na participação dos alunos nas aulas de Educação Física escolar. Baseado na Teoria Social Cognitiva da Abordagem por Objetivos/Metas (Nicholls,1984; Duda,1989) existem duas metas denominadas de tarefa e ego, que estão relacionadas à composição desse clima nas aulas.

A hipótese norteadora baseia-se na afirmação de que o desenvolvimento de procedimentos didático-pedagógicos voltados para a meta tarefa, influencia o clima motivacional das aulas provocando mudanças comportamentais nos alunos, que irão contribuir para a participação dos mesmos nas atividades de aula.

A questão central desse estudo está pautada na não-participação dos alunos nas aulas de Educação Física. A preocupação, pois, com o tema motivação relacionado à participação surge justamente na compreensão de que todo indivíduo deve ser respeitado em todos os espaços sociais, sobretudo nos espaços educativos. Criando-se oportunidades para que todos possam participar das atividades propostas nas aulas e desfrutar de seus benefícios, valorizam-se as diferenças individuais e as diversas formas de participação.

O professor exerce uma forte influência no processo de criação do ambiente nas aulas em função de determinadas práticas ou ações pedagógicas que utiliza, contribuindo para a determinação da meta tarefa ou para a meta ego nas aulas. Portanto, esse trabalho tem como pressuposto considerar que o professor ao estabelecer o clima motivacional de suas aulas deve priorizar a meta tarefa, ao invés da meta ego, uma vez que a primeira é pedagogicamente mais desejável no contexto escolar, conforme Bzuneck (1999).

Teoria social cognitiva da abordagem por objetivos / metas

Essa teoria apresentada por Chaves (2002) no VI EnFEFE, fundamenta-se em duas metas denominadas por Nicholls (1984) e Duda (1989) de tarefa e ego, que são qualitativamente diferentes entre si e fornecem explicações específicas dos comportamentos de realização, característicos das situações de aprendizagem escolar. Cada uma das metas representa um propósito ou razão para o aluno aplicar esforço e obter sucesso numa determinada atividade, seja de natureza cognitiva, psicomotora, afetiva ou comportamental.

Um indivíduo que possui um envolvimento denominado de tarefa nas atividades, apresenta as seguintes características (DUDA,1993/1994; STEPHENS,1998; RASCLE et al.,1998; PAPAIOANNOU e KOULI,1999; BZUNECK,1999; TRESURE e ROBERTS, 2001): o sentimento de sucesso na realização de atividades depende de si mesmo; possui uma auto-referência em relação às suas habilidades; sente grande prazer e satisfação em participar, jogar e atribui o sucesso à equipe; não está preocupado com a performance para o rendimento, mas para a aprendizagem; sucesso associado ao duro esforço, persistência e utilização das habilidades para a realização das atividades; compromisso social, compreensão e cooperação com os colegas; não se utiliza do esporte como meio de status social e promove atitudes éticas e lícitas para obter sucesso na realização das tarefas; boa concentração e atenção nas atividades não desistindo frente às dificuldades; inovação, criatividade e aprendizagem; considera o erro como informativo e parte do processo de crescimento; fracasso considerado como falta de esforço e o resultado é visto como consequência do esforço pessoal; sentimento de orgulho e satisfação após sucesso conquistado com esforço e de culpa, associado à falta de esforço, e finalmente, escolha de tarefas mais desafiadoras e de risco, implicando em níveis mais altos de desempenho.

Por outro lado, uma pessoa que possui um ego envolvimento apresenta as seguintes características (ibid): sucesso associado à superior habilidade e sensação de competência; preocupação em derrotar os adversários; maior competitividade e individualismo; utilização do esporte para aumentar a popularidade, status social e sua auto-estima; atenção voltada para o rendimento e performance; valoriza a vitória e, se possível, com o menor esforço; capaz de utilizar meios ilícitos para vencer (fraudes, doping, técnicas e táticas enganosas, agressividade, deslealdade,...); importa-se com a opinião de outras pessoas sobre o seu desempenho; são menos persistentes, desistindo de certas atividades; frente a um desempenho negativo reage justificando a falta de interesse na atividade, uso inadequado de estratégias e equipamentos, fatores externos (arbitragem, azar, pressões da torcida, clima,...); busca menor grau de dificuldade nas atividades para obter sucesso mais facilmente; maior nível de ansiedade e tensão frente à competições; utiliza medidas padronizadas para obter sucesso; constante comparação com outras pessoas no que tange ao rendimento; fracasso atribuído a falta de capacidade, despertando sentimentos negativos e escolha de tarefas mais fáceis, com menos riscos, implicando em níveis mais baixos de desempenho.



Metodologia

O presente trabalho trata de um estudo de caso, que utilizou na pesquisa cento e quatro alunos de três turmas da quinta série do ensino fundamental, da Escola Municipal Cecília Augusta dos Santos / Itaboraí-RJ. As turmas são compostas de alunos de ambos os sexos, dentro de uma faixa etária entre doze e dezoito anos.

O instrumento utilizado foi o “Task and Ego Orientation in Sport Questionnaire”, criado por Duda (1989) e Duda e Nicholls (1992), conforme Chi e Duda (1995).

Durante os seis meses de pesquisa, foram adotados procedimentos didático-pedagógicos voltados para o estabelecimento de um clima motivacional pautado nos princípios da meta tarefa.



Resultados

Para melhor entendermos os resultados das aplicações do questionário, a predominância de metas é analisada dentro de uma escala geral de sete a trinta e cinco pontos. Os resultados próximos ao índice sete refletem uma fraca predominância e próximos ao índice trinta e cinco refletem uma forte predominância da meta analisada.

Com relação aos valores apurados (média aritmética por turma) na aplicação dos testes, obtivemos os seguintes resultados:





META TAREFA

META EGO
















TURMAS

TESTE 1

TESTE 2

TESTE 1

TESTE 2

505

25,33

31,91

20,72

19,09

506

24,30

32,75

18,32

15,36

507

25,87

32,13

21,00

17,01

Podemos observar que os valores referentes à meta tarefa aumentaram nas três turmas, bem como, os relacionados à meta ego diminuíram, resultado positivo e de acordo com a hipótese inicial desse estudo.

Conclusões do estudo

Com base nos resultados dessa pesquisa, pudemos observar que os procedimentos didático-pedagógicos voltados para a meta tarefa, utilizados durante as aulas de Educação Física, influenciaram no clima motivacional e na participação dos alunos.

Durante as aulas realizadas a cobrança por rendimento e performance entre os alunos diminuiu, aumentando a aceitação das diferenças entre os indivíduos do grupo, o que estimulou uma maior participação dos alunos, reduzindo, assim, possíveis situações de exclusão ou marginalização.

Num ambiente baseado na meta tarefa os alunos se sentiram mais seguros e satisfeitos com suas experiências nas aulas, pois foram destacados o esforço e o aperfeiçoamento pessoal, que são fatores sobre os quais eles podem ter controle.

O nível de satisfação dos participantes nas aulas também aumentou, pois os alunos não estavam preocupados com o seu desempenho atlético, mas com a sua forma individual de participar, traduzindo-se na auto-expressão.

Na questão de gênero também ocorreram mudanças comportamentais, pois de início, os meninos queriam participar nas aulas durante um tempo maior do que as meninas. No decorrer da pesquisa, os meninos passaram a entender e respeitar a divisão igualitária do tempo de realização das atividades, bem como, as meninas passaram a reivindicar mais os seus direitos. As atividades realizadas em conjunto propiciaram um melhor entrosamento entre os meninos e as meninas.

O índice de faltas não justificadas nas aulas foi mínimo, o que expressou a intenção e o interesse dos alunos em participar efetivamente das atividades propostas e não apenas pela obrigatoriedade legal.

As atitudes de cooperação e solidariedade entre os alunos aumentaram, proporcionando uma maior integração entre os alunos que apresentavam uma melhor performance e os que não apresentavam muita habilidade na execução das atividades. Com isso, o grau de união entre os integrantes das turmas aumentou, reforçando os laços afetivos / relacionais e auxiliando na eliminação de possíveis exclusões nas aulas.

A avaliação feita com critérios pautados na meta tarefa, proporcionou aos alunos que, a princípio, julgavam-se incapazes ou com rendimentos técnicos inferiores aos demais, a possibilidade de obterem boas notas, baseadas no empenho, esforço e potencial de cada um. Este estímulo incentivou-os a participarem mais das atividades, bem como, influenciou positivamente na autoconfiança e na auto-estima dos mesmos.

As atividades desenvolvidas a partir de brincadeiras e jogos que fazem parte do conhecimento dos alunos, reduziram a tensão, a ansiedade e o medo em relação às novas atividades e esportes a serem realizados. Considerando-se que essas turmas nunca tiveram aulas de Educação Física anteriormente, a redução do clima de tensão facilitou a participação de alguns alunos que mostravam-se inseguros inicialmente.

Os jogos e atividades lúdicas proporcionaram um ambiente descontraído que estimulava a participação dos alunos de forma espontânea e prazerosa, envolvendo-os num clima saudável e de alegria.

A utilização de jogos cooperativos contribuiu muito para a participação dos alunos, pois o sucesso nessas atividades depende do envolvimento de todos. Sendo assim, os alunos passaram a conhecer e valorizar mais seus colegas, visando a inclusão nas atividades e o destaque coletivo.

Na realização das atividades competitivas alguns alunos apresentaram, inicialmente, dificuldades em relação à vitória ou à derrota. Os alunos “derrotados” saíam reclamando, insatisfeitos e, por vezes, se tornavam agressivos e os alunos “vitoriosos” não respeitavam os primeiros, vangloriando-se e zombando destes.

Conforme o trabalho foi se desenvolvendo, pudemos perceber que os alunos, de uma forma geral, passaram a encarar a vitória / acerto e a derrota / erro como sendo situações naturais e presentes no processo de aprendizagem. Com essa tomada de consciência suas atitudes mudaram, gerando um clima mais fraterno e acolhedor durante as atividades competitivas.

O problema deste trabalho estava centrado na não-participação dos alunos nas aulas de Educação Física. Dessa forma, podemos afirmar que, nesse estudo de caso, esta questão foi superada, pois, através da utilização de procedimentos didático-pedagógicos, voltados para a meta tarefa, conseguimos garantir a todos os alunos, sem exclusões, a participação efetiva nas atividades propostas. De acordo com os resultados da pesquisa, em termos numéricos ou subjetivos, podemos afirmar que não houve contradição em relação à hipótese norteadora desse estudo.

Os autores: Walmer Monteiro Chaves, mestre em Ciência da Motricidade Humana (UCB); professor das redes municipais de Itaboraí e São Gonçalo e particular de Niterói , a Dra. Nilza Magalhães Macário, orientadora deste trabalho, do Programa de Mestrado em “Ciência da Motricidade Humana” da UCB



Referências bibliográficas

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A LEGITIMIDADE DA EDUCAÇAO FISICA ESCOLAR:

CONFRONTOS E DESAFIOS

Maria Cecília de Paula Silva



Resumo: Este artigo visa discutir o processo de construção de um programa de Educação Física escolar para o Município de Juiz de Fora/ MG, realizado durante o ano de 1999. Neste processo, a disciplina Educação Física foi debatida com o conjunto de docentes desta rede publica, na tentativa de buscar saídas para a atual crise e para os questionamentos presentes no cotidiano escolar, principalmente as questões relativas ao que ensinar, como ensinar, e ainda a especificação do trabalho nas series/ciclos escolares e perspectivas avaliativas e de sequenciação a serem adotadas por esta rede de ensino.

O presente artigo refere-se ao processo de construção do ‘Programa Municipal de Educação Física: diretriz curricular, empreendida pelo conjunto de professores da rede publica municipal de Juiz de Fora/MG, durante o ano de 1999. Neste processo, a disciplina Educação Física foi debatida com o conjunto de docentes desta rede publica, que disponibilizaram tempo para tal, na tentativa de buscar saídas que amenizassem não só “as angustias pessoais de se ter aulas significativas e de melhor qualidade, mas também a ausência de uma linguagem comum que pudesse mediatizar o dialogo entre os professores e a comunidade escolar” (Paula Silva; Zacarias et alli, 2000, p. 11).

Isto porque, apesar de a educação física já constar no curriculo há bastante tempo (desde a década de 70), não havia um eixo norteador de sua pratica pedagógica no município, o que acarretava diversos problemas relacionados a indefinição de princípios e mínimos curriculares para orientar o trabalho nas escolas.

A pertinência e a relevância deste problema para a analise das possibilidades escolares da educação física e das discussões a respeito das dificuldades da educação brasileira, se reafirmam cada vez com mais força na medida em que avançamos no inicio deste novo século, com questões como a da formação básica para a classe que vive do trabalho, como a construção da escola publica unitária, entre outros.

Na educação física, estamos diante da discussão a respeito da sua legitimidade pedagógica na escola, ou a reflexão/práxis deste conhecimento/conteúdo escolar, há muito já presente no debate da área, como por exemplo, através dos estudos realizados por Carvalho (1991), Coletivo de Autores (1993), Oliveira (1994), CBCE (1997), Castellani Filho (1998), entre outros. Mais ainda, nestes tempos de hegemonia neoliberal na América Latina e da possibilidade de mudanças com o novo governo brasileiro em curso.

Esta articulação com a educação se destacou no chão da escola em Juiz de Fora/MG, e, no presente texto, no campo da Educação Física. A cidade, além de possuir uma trajetória histórica de lutas no campo educacional, possui um sindicato de professores forte e um grupo significativo de professores de educação física que se colocavam explicitamente insatisfeitos com as diretrizes da educação física escolar publica. Esta insatisfação era debatida principalmente nas obrigatórias reuniões mensais do então departamento de Educação Física e inúmeras soluções foram propostas para tentar afinar a pratica pedagógica ao espaço escolar e a proposta política-pedagógica deste grupo.

Com o acirramento do embate e a busca de solução coletiva, optamos por realizar um período de estudos, pesquisas, discussões temáticas e cursos de atualização, relacionados com o espaço de atuação, políticas educacionais, conteúdos, metodologias, objetivos e avaliação da educação física escolar durante o ano de 1999. Para tal, utilizamos estas obrigatórias reuniões departamentais, anteriormente tidas como momento de relatar e/ou programar as atividades do departamento, para estas discussões, retirando-se das mesmas o caráter obrigatório (conquista da luta sindical) e acentuando sua importância fundamental para este empreendimento.

Pretendíamos inicialmente traçar um eixo norteador da pratica pedagógica de educação física que orientasse todos os professores na elaboração dos planejamentos e na organização desta disciplina no espaço escolar, que ate o momento era realizada de forma difusa e individual, apesar de tentativas de planejamento coletivo semestral.

Apoiados pela Divisão de Educação Física Escolar, estas solicitações se transformaram em um projeto - ação do município e, através do conhecimento historicamente construído e sistematizado da Educação Física, elaboramos um programa municipal de Educação Física, visando sanar algumas necessidades prementes dos professores e entendendo-o como um ponto inicial para novas discussões, reflexões e sistematizações do conhecimento.

Tínhamos ciência que as dificuldades de sistematização de um programa de educação física para as diversas series/ciclos do ensino fundamental faziam parte do contexto particular desta área de conhecimento, que vem passando por um período de criticas, desconstrução e reconstrução de sua práxis no espaço escolar. A este respeito, já na década de oitenta, Medina (1989) ressaltava que esta área estava em crise de seus paradigmas, em ebulição de novas propostas que poderiam traçar avanços na perspectiva escolar.

Considerando-se a perspectiva coletiva, elaborada pelos professores da Rede Municipal, optou-se por uma dinâmica de trabalho baseada em reuniões mensais com todo o grupo de professores da Rede Municipal para a discussão e elaboração coletiva da proposta; palestras sobre temas específicos que foram levantados pelo grupo no decorrer da elaboração do programa; levantamento da cultura corporal de movimento das comunidades/bairros da cidade de Juiz de Fora; cursos sobre questões que necessitassem de aprofundamento; organização de temas para serem discutidos e aprofundados pelos grupos, organizando posteriormente grupos de estudo e de pesquisa; síntese das discussões e resoluções elaboradas nos grupos.

A manutenção posterior dos grupos de estudo a respeito das temáticas consideradas mais polêmicas (opções por série/ciclo; questão do conhecimento/avaliação; ensino noturno) foi um dos itens mais enfatizados por todo o grupo, bem como a busca de intercâmbio com Instituições/ Municípios/ Estados que estariam realizando trabalhos semelhantes e, finalmente, na realização de Seminários com Trabalhos de Pesquisa e Relatos de Experiência dos professores da Rede Municipal de Educação; através da sistematização das ações empreendidas durante a elaboração do programa, a partir da sistematização inicial.

Traçamos como objetivos da primeira parte do presente projeto:

- Sistematizar um programa de Educação Física de Pré a 8ª séries na rede Municipal de ensino; - Estabelecer um eixo norteador de ação para os professores de Ed. Física, considerando um mínimo de conhecimento a ser desenvolvido no ensino fundamental;

- Justificar (respaldar) a prática pedagógica dos professores da Ed. Física na sua ação cotidiana, nas relações com a escola e a comunidade;

Para a realização da primeira parte destas proposições, foi proposto um cronograma de atividades, realizadas durante aquele ano letivo, tendo a participação de todos os professores que se dispuseram e se disponibilizaram a estar refletindo, estudando e apontando caminhos para a sistematização do programa municipal. Algumas das atividades do projeto realizadas durante o ano de 1999, foram:

- Projeto - Apresentação da dinâmica e das entrevistas para a confecção do ‘estado da arte da cultura corporal de movimento da cidade;

- Discussão sobre o conhecimento (cultura, criança, sociedade), através de textos(e palestras).

- Discussão dos objetivos da disciplina, através de textos e definição dos objetivos da educação física escolar [Jornada - Curso com Profs. {convidados}];

- Discussão sobre série/ciclo, elaboração de uma propostas{selecionar textos, palestras, propostas de outros locais para o debate};

- Sistematização do volume de trabalho do 1º semestre;

- Tema dos conteúdos - tratamento por conhecimentos, especificações e especializações ;

- Metodologia(s) - Explanação sobre as possibilidades metodológicas e debate/escolha de uma (palestra/ convidados);

- Avaliação (discussões e opção de uma possibilidade avaliava);

- Questões especiais(corpo, gênero, saúde, sexualidade, meio-ambiente, pluriculturalismo);

Organização das discussões e redação final. (Paula Silva, 1999,p. 2).

Para um conhecimento da cultura corporal de movimento da cidade, através das comunidades/ bairros, realizei uma pesquisa investigativa, havendo a participação de todos professores da rede municipal na busca de informações/ações realizadas pelas comunidades relacionadas com a cultura corporal. Foram sugeridos uma entrevista/questionário com os alunos, funcionários e moradores das localidades, tendo como referência questões relacionadas com os jogos e brincadeiras praticadas pela comunidade (Jogos populares, folclóricos, de salão, adivinhas, brincadeiras cantadas, competitivos, jogos realizados nas ruas, praças, escolas, etc.); com os brinquedos utilizados nos jogos/brincadeiras (objetos construídos ou adquiridos).

Os movimentos sistematizados da cultura corporal mais explorado pelas comunidades e a forma/nível de envolvimento da mesma, foram também pesquisados como, por exemplo, o correr, subir e descer em morros e árvores, trepar, escorregar, saltar, rolar, girar, dependurar-se, etc.; os esportes conhecidos, explorados e apreciados. A existência ou não de organização de times, treinos, competições e torneios esportivos e em quais modalidades; a participação das representações políticas/esportivas comunitárias nestes eventos; a participação destas comunidades nos torneios municipais e/ou estaduais, bem como a influencia da mídia nestes eventos/manifestações.

Outro ponto de destacado neste mapeamento panorâmico da cultura corporal nas comunidades foram a presença, freqüência e forma de utilização das lutas, danças, ginásticas, festas e atividades de lazer pelas comunidades/bairros. Quais eram as mais conhecidas, apreciadas, praticadas e/ou consideradas nas respectivas comunidades e o local em que eram realizados tais eventos e qual era o impacto de tais realizações nas comunidades ou nas imediações; quem as promovia e como eram aceitas tais atividades; alem da influencia da mídia televisiva, falada e escrita nestas manifestações da cultura corporal.

A participação da escola e dos professores (entre eles, os professores de educação física) em tais atividades foi outra questão explorada neste diagnostico da realidade urbana e rural da infância/juventude local. Esta participação foi registrada com as seguintes características: ocorria-se ou não esta participação e, em caso afirmativo, em que níveis ocorriam. Finalmente, questões relacionadas com os espaços comunitários para a prática de atividades lúdicas e esportivas (praças, quadras, etc...); a política comunitária e/ou municipal de incentivo a tais atividades e o envolvimento da comunidade nas mesmas foram questões presentes neste item do projeto.

Sugestões como essas nos auxiliaram na confecção do “Estado da Arte” das comunidades, no que diz respeito às manifestações da cultura corporal de movimento. Com esta pesquisa exploratória inicial, pudemos caracterizar a realidade da cultura corporal da cidade em geral e das comunidades, em particular, alem de apontar para uma riqueza das expressões corporais e dos sentidos/significados estabelecidos pelas comunidades (por exemplo, da zona rural e da zona urbana), muitas vezes desconsideradas no ensino desta disciplina.

Esta pesquisa também auxiliou-nos na sistematização dos conhecimentos a serem trabalhados no espaço escolar, de forma a tomarmos consciência, da forma mais ampla possível, desta realidade histórica para que ela se constituísse em um elemento de ação pedagógica e de ação política, principalmente.

Este quadro poderá, posteriormente, ser mais bem especificado e explorado, por outros estudos e de acordo com temas específicos, pontuais. Pode contemplar outras indagações importantes das práticas da cultura corporal, lúdicas e esportivas, de Juiz de Fora na construção de uma escola publica e unitária, uma escola que atenda a classe que vive do trabalho nas bases propostas por Marx e Engels, de uma educação omnilateral, onde se consiga alcançar uma totalidade de capacidades, ao mesmo tempo em que oportunize a possibilidade de usufruto destes bens materiais e dos bens espirituais.

Neste projeto ora apresentado, considerou-se o indivíduo inserido no meio histórico-cultural, procurando trabalhar no intuito de trazer o conhecimento da realidade do aluno e indo alem, para formas mais elaboradas de conhecimento, compreendendo-o de sujeito histórico, construtor de seu tempo e sua historia para assim possibilitar uma melhor intervenção social.

Não uma intervenção qualquer, mas em prol do desenvolvimento de uma escola unitária, construída no chão da escola e na luta contra-hegemônica, partindo “de uma construção molecular, orgânica, pari passu com a construção da própria sociedade no conjunto das praticas sociais” (Frigotto, 1996, p.176).

Neste sentido o projeto foi proposto e desenvolvido no município durante o ano de 1999. O resultado da primeira parte deste projeto, expressa a ação coletiva de um grupo de professores, bem como a dinâmica complexa e contraditória da sociedade, expressa o contexto de embates que se travam hoje na sociedade brasileira na busca de romper com todas as formas de exclusão social e na perspectiva de promoção humana. Este projeto significa, por fim, o ponto de inicio para a reflexão constante em torno do conhecimento na escola, compreendendo a educação física como parte integrante do processo educacional escolar, indispensável para a formação do ser humano e para o entendimento e intervenção na/da realidade em sua totalidade.

A autora, Dra. Maria Cecília de Paula Silva é professora da Prefeitura de Juiz de Fora

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