Anais VII encontro fluminense de educaçÃo física escolar VII enfefe dificuldades e Possibilidades da Educação Física Escolar no Atual Momento Histórico



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Conclusão

Concluímos inicialmente com este trabalho, que há um verdadeiro abismo entre a teoria e a prática da educação e uma barreira intransponível ao redor das escolas, cerceando o direito do aluno de adquirir conhecimentos que o torne cidadão. Cidadão este, consciente da sua importância como indivíduo transformador da realidade em que vive.

Além disso, a maioria das instituições de ensino promove a desigualdade social, através do poder da avaliação e da sua má utilização, a serviço da competição, seleção e exclusão.

A avaliação deve ser encarada não como um “fim”, mas como um “meio” do processo de ensino-aprendizagem. Como confirma Freire (1997), não basta medir para avaliar, pois isso não leva em conta os meios que o aluno utiliza para chegar aos resultados, meios esses que são os elementos mais indicativos do progresso de seu conhecimento.

É importante não homogeneizar a classe. As crianças são diferentes no início e serão diferentes no final do processo educativo. Não adianta querer transformá-las em iguais, segundo padrões estabelecidos. Quem é igual não tem o que trocar; por isso, é necessário conservar-se diferente. As relações, os direitos, as oportunidades, é que têm de ser iguais, não os gestos, os comportamentos, os pensamentos, as opiniões” (Freire, 1997)

Constatamos posteriormente, que a avaliação em educação física se torna ainda mais complexa, pois sabemos que o termo “avaliar” requer umas complexidades tamanhas, que muitas vezes não é mensurável ao tratamos da atividade humana.

Deixaremos os questionamentos a seguir em aberto, para uma maior reflexão sobre o assunto:

ONDE AVALIAR? Na sala de aula ou em quadra?

O QUÊ AVALIAR? A importância da educação física dentro de um contexto social, hábitos saudáveis, habilidades físicas, técnicas desportivas, ou os conhecimentos sobre as regras?

COMO AVALIAR? Através de provas orais e escritas, em relação ao comportamento, ao uniforme, ou o seu desempenho motor, em relação aos seus “acertos” e “erros” em quadra?

PARA QUÊ AVALIAR? Para libertar ou para selecionar? Para unir ou excluir?

QUEM AVALIAR? Educandos ou cidadãos?

Os autores, Erickson dos Santos Souza, Mauricio Barbosa de Paula e Marcio Lannes e Silva são do UNILASALLE - Instituto Superior de Educação La Salle

Referências bibliográficas

BARBOSA, C. L. D de A. Educação Física Escolar: da alienação a libertação. Petrópolis, RJ: Vozes, 1997;

COLL, C. Psicologia e Currículo. SP: Cortez, 1995;

FERREIRA, A. B. de H. Minidicionário da Língua portuguesa. 1a ed. RJ: Nova Fronteira, 1977;

FREIRE, J.B. Educação de Corpo Inteiro: teoria e prática da educação física. SP:

Scipione, 1997;

PERRENOUD, P. Avaliação: da excelência à regulação das aprendizagens: entre duas Lógicas. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 1999;

SECRETARIA DE EDUCAÇÃO FUNDAMENTAL. Parâmetros Curriculares Nacionais: 3o e 4o ciclos do ensino fundamental: introdução aos PCNs. Brasília: MEC/SEF, 1998;

SECRETARIA DE EDUCAÇÃO FUNDAMENTAL. Parâmetros Curriculares Nacionais: Educação física. Brasília: MEC/SEF, 1998;

AVALIAÇÃO NA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR:

O DEBATE ACADÊMICO EM PERIÓDICOS

Wagner dos Santos

Amarílio Ferreira Neto

Resumo: Objetiva realizar o estado da arte sobre avaliação veiculado em periódicos da Educação Física, bem como identificar e problematizar os principais referenciais teóricos que nortearam essas produções e refletir sobre eles. A fonte principal foi o Catálogo de periódicos de educação física e esporte (1930-2000). Para alcançar os objetivos traçados, a pesquisa foi dividida em dois momentos: a) a seleção e análise de alguns aspectos formais dos periódicos como objeto de estudo; b) o estudo dos periódicos como núcleos informativos.

Introdução

Este trabalho é fruto do estudo monográfico Avaliação na Educação Física Escolar: análise de periódicos do século XX, que objetivou realizar um panorama do estado da arte sobre avaliação veiculado nos periódicos da Educação Física brasileira, bem como refletir acerca do debate acadêmico dessa produção.

Catani e Souza (2001) ao sistematizarem a produção do conhecimento sobre a Imprensa Periódica Educacional Paulista (1890 – 1996), sublinham a possibilidade de desenvolver o trabalho com e a partir da imprensa periódica, indicando duas diretrizes: uma delas é o estudo interno do próprio periódico, denominado de estudos dos periódicos como objeto; a outra é o estudo do periódico como núcleos informativos ou como fonte.

Utilizamos como eixo central a segundo diretriz norteada por Catani e Souza (1999), já que, de modo geral, usamos os periódicos como fonte de estudo. Entretanto, para entendermos os condicionantes históricos que influenciaram a produção/sistematização dos trabalhos sobre avaliação na Educação Física Escolar, foi necessária a análise de alguns aspectos formais do periódico como objeto.



Análise de aspectos formais dos periódicos como objeto de estudo

Para a seleção do corpus documental geral foram considerados os trabalhos que já demonstravam em seu título uma preocupação central com a questão da avaliação. Posteriormente foi realizada uma primeira leitura a fim de identificar quais dos artigos constituiriam efetivamente o corpus da pesquisa.

Nesse sentido, dos 36 periódicos encontrados no Catálogo de Periódicos de Educação Física e Esportes (1930-2000), foram selecionados 57 artigos distribuídos em 16 periódicos. Após a leitura desses artigos, o corpus documental ficou definido em 33 artigos distribuídos em 11 periódicos.

No que tange à distribuição dos artigos, a análise demonstrou que grande parte das publicações concentravam-se na Revista Artus, responsável por 34% dos artigos, o que equivale a onze deles. Desses onze artigos, oito estão na revista de número 9/11 do ano de 1981. É mister salientar que essa revista divulgou os trabalhos apresentados no XIV Congresso Internacional da Associação Internacional das Escolas Superiores de Educação Física (AIESEP), realizado na Universidade Gama Filho, cujo tema foi “Avaliação no Ensino de Educação Física”.

Os periódicos, na seqüência, com maior publicação foram: Revista Brasileira de Ciência do Esporte e Revista Brasileira de Educação Física e Desportos, ambas com 15%, o que equivale a cinco artigos; Revista Pensar a Prática com 12%, correspondendo a quatro artigos; Revista Kinesis responsável por 6%, equivalendo a dois artigos; e a Revista da Fundação de Esporte e Turismo, Educação Física/UEM, Revista Brasileira de Ciência e Movimento, Revista Motus Corporis, Revista Comunidade Esportiva e Revista Esporte e Educação publicaram um artigo cada uma, o que corresponde a 3%.

No que diz respeito ao período analisado, verificamos que o primeiro artigo encontrado é datado do ano de 1976, embora o levantamento bibliográfico tenha correspondido ao período de 1930 a 2000. Ao analisar esses dados, observamos que a produção expressa na década de 1970 se distribui de forma homogênea, situando-se em torno de 15% das publicações totais, o que corresponde a cinco artigos. A década de 1980 concentrava a maior parte da produção de artigos sobre avaliação, correspondendo a 45% das publicações, o que equivale a quinze artigos. Esses, por sua vez, distribuíram-se de forma heterogênea, concentrados, sobretudo, no ano de 1981. Já a década de 1990 é responsável por 40% das publicações, correspondendo a treze artigos. Sua forma de distribuição é homogênea, variando de um a dois artigos publicados por ano.

Os dados evidenciaram, uma descontinuidade temática nas políticas editoriais dos periódicos, provavelmente provocada pela ausência de núcleos de pesquisadores consolidados trabalhando com essa temática. Desse modo, indicamos aqui a necessidade de se investigar outras fontes bibliográficas, como dissertações e teses produzidas na área, a fim de fornecer um aprofundamento do estado da arte sobre avaliação na Educação Física Escolar.

Estudo dos periódicos como núcleos informativos: o debate sobre avaliação na educação física

Tendo em vista a produção científica ora mencionada, buscamos identificar, problematizar e discutir os principais referenciais teóricos que nortearam os estudos sobre avaliação veiculados nos periódicos da Educação Física brasileira.

A análise dos dados indicaram que a produção da década de 1970 teve como referencial teórico os estudos de Popham (1977). O estudo desse autor (1977) está circunscrito na necessidade de estabelecer objetivos comportamentais centralizados nas formas de planejar a seqüência de ensino e o avaliar.

Outro autor que influenciou consideravelmente na produção/sistematização dos estudos sobre avaliação veiculado nos periódicos da Educação Física foi Tyler (1969). Sacristán (1999) afirma que a proposta tyleriana, conhecida como “avaliação por objetivos”, fortaleceu-se mais pela contribuição da Psicologia Educativa Cognitiva de orientação condutivista, cujo método postulava a necessidade de dispor de planos de seqüência de instrução muito estruturados que explicitassem a concatenação dos passos de aprendizagem seguidos para o domínio de uma determinada unidade de conteúdo, de modo a comprovar os progressos e as falhas concretas do ensino.

Para os autores dessa proposta, a definição vaga de objetivos se constitui como um importante entrave para a efetivação da avaliação educacional. Segundo eles, faz-se necessário que os professores de Educação Física conscientizem-se de que a avaliação do rendimento escolar está intrinsecamente relacionada com objetivos claros, mensuráveis e fidedignos, pois, como afirmam Singer e Dick (1985, p. 10),

As escolas devem evidenciar que estão modificando satisfatoriamente comportamentos do aluno e que estes comportamentos podem, de fato, ser medidos. Competências que se pretende atingir são expressas em termos avaliáveis, enfatizando a habilidade do aluno em demonstrar os comportamentos aprendidos, muito embora, nem todos os alunos sejam necessariamente avaliados seguindo os mesmos critérios. Por sua vez, o professor deve prestar conta de seus objetivos que devem ser a) razoavelmente altos, b) expressos claramente sem ambigüidades, c) mensuráveis e d) atingíveis.”

Não se pode desconsiderar, como afirma Resende (1995), que há avanços nessa perspectiva em comparação com a proposta de Popham (1977), porque, ainda que ela se reduza ao caráter quantitativo e se limite à avaliação dos comportamentos observáveis e passíveis de serem mensurados, a proposta avança quando passa a considerar a individualidade, propõe referências de comparação baseadas em critérios e não nas normas e possibilita a avaliação de outras dimensões do comportamento humano, para além do motor, com a inclusão da avaliação do domínio cognitivo, afetivo e social.

Ao final dessa década e até o final da década de 1980, observamos uma mudança de referencial na base das discussões referentes ao estudo da avaliação em Educação Física, influenciada pelos estudos de Stufflebeam (1976), cujo modelo é a avaliação como tomada de decisão, para ele a avaliação é o processo de delinear, obter e prover informações úteis para julgar as decisões alternativas, no qual os avaliadores buscam coletar e apresentar informações com o objetivo de auxiliar a tomada de decisão, que será feita por uma outra pessoa à qual caberá a determinação do mérito das informações coletadas.

Encontramos também nessa década a classificação, de dois tipos de testes avaliativos de aprendizagem. O primeiro deles remete-se aos testes referentes as normas, cujo o objetivo é averiguar o desempenho de um indivíduo em relação ao de outros considerado o mesmo mecanismo de medida, o outro, é o teste com referência aos critérios cuja finalidade é averiguar o status de um indivíduo com respeito a algum critério ou desempenho padrão.

Já a década de 1990 é marcada pelo aumento da produção/sistematização dos referenciais teóricos brasileiros, tanto no campo da Educação como no da Educação Física. Essa produção contribuiu de modo significativo para se fazer avançar no debate sobre avaliação. Nesse âmbito, os principais teóricos utilizados do campo da Educação foram: Demo (1992), Freire (1980), Hoffmann (1993), Luckesi (1995), Libâneo (1994), Saul (1988), Saviani (1980, 1983) e Vasconcelos (1995). E da Educação Física brasileira foram: Bracht (1992), Castelani Filho (1988), Silva (1993); Soares (1992) e Kunz (1991).

O final da década de 1980 e toda a década de 1990 caracterizaram-se pela tentativa de superar as práticas avaliativas difundidas na avaliação educacional, voltadas, especificamente na Educação Física, para seus aspectos motores e fisiológicos. Os autores argumentam a necessidade de uma prática avaliativa formativa, contínua e diagnóstica, com base no reconhecimento de que os testes padronizados de rendimento não ofereciam as informações necessárias para compreender o que os professores ensinam e o que os alunos aprendem. Nesse sentido, a avaliação do processo de ensino-aprendizagem na Educação Física deve considerar a observação, análise e conceituação de elementos que compõem a totalidade da conduta humana, ou seja, deve estar voltada para a aquisição de conhecimentos, habilidades e atitude dos alunos. Essa prática resultará num constante processo de ação/reflexão/ação do contexto estudado.

A análise de estudos no campo da Educação, como os de Barreto e Pinto (2001) e Gatti (2002), fornece-nos indícios para destacarmos que a produção/sistematização dos estudos da avaliação na Educação Física acompanhou, ao longo de sua história, o que havia de mais recente no campo da Educação. Essa aproximação está associada, em grande medida, pela vinculação dos profissionais de Educação Física aos programas de Pós-Graduação em Educação, em busca de novos referenciais teóricos para responder à chamada crise de legitimidade da Educação Física.

Tal estudo evidenciou uma lacuna no conhecimento sobre o que está sendo praticado no interior da escola, haja vista que, de um corpus documental de trinta e três artigos, cinco investigaram a prática avaliativa do professor de Educação Física, sendo eles: Capinussú (1984), Santos e Gonçalves (1996), Rombaldi e Canfield (1999), Batista (1999/2000), Rodrigues Filho et al. (1999). Nesse sentido, estamos agora procurando investigar como os professores de Educação Física expressam essa prática avaliativa em seu fazer pedagógico.

Os autores, Wagner dos Santos é mestrando do Programa de Pós-Graduação em Educação na UFMG e Bolsista CAPES Amarílio Ferreira Neto é Professor na Universidade Federal do Espírito Santos – Departamento de Desporto, ambos Membros do Instituto de Pesquisa em Educação e Educação Física



Referências bibliográficas

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BATISTA, Marco Antonio Medeiros. Avaliação: um intervir sobre a população do conhecimento. Pensar a Prática: Revista da Pós-Graduação em Educação Física Escolar, Goiás, v. 3, [s. n.], p. 65-71, jul./jun. 1999/2000.

CATANI, Denice Bárbara; SOUSA, Cynthia Pereira de. A geração de instrumentos de pesquisa em história da educação: estudos sobre revistas de ensino. In: VIDAL, Diana Gonçalves; HILSDORF, Maria Lúcia Spedo (Org.). Brasil 500 anos: tópicos em história da educação. São Paulo: Edusp, 2001. cap. 11, p. 241-254.

CAPINUSSÚ, José Maurício. Organização de competição como forma de avaliação. ARTUS/Revista de Educação Física e Desportos, Rio de Janeiro, ano 3, n. 12/14, p. 14-15, [s. m.] 1984.

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FERREIRA, Vera Lúcia Costa. Aspectos atuais da avaliação educacional. ARTUS/Revista de Educação Física e Desportos, Rio de Janeiro, [s. a.], n. 9/11, p. 25-27, [s. m.] 1981. Número especial.

GATTI, Bernadete. Avaliação educacional no Brasil: pontuando uma história de ações. Revista Científica Centro Universitário Nove de Julho, São Paulo, v. 4, n. 1, p. 17-41, jun. 2002.

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POPHAN, W. James. Manual de avaliação: regras práticas para o avaliador educacional. Tradução de Cicília L. da Rocha Bastos. Petrópolis: Vozes, 1977.

RESENDE, Helder Guerra de. Princípios gerais da ação didático-pedagógica para avaliação do ensino-aprendizagem em educação física escolar. Motus Corporis: Revista Científica do Mestrado e Doutorado em Educação Física, Rio de Janeiro, ano II, n. 4, p. 4-15, [s. m.] 1995.

RODRIGUES FILHO, Antônio Machado et al. A prática avaliativa dos professores de educação física nos 3º e 4º ciclos do ensino fundamental da rede municipal de ensino de Goiânia. Revista Brasileira de Ciência do Esporte, Florianópolis, v. 21, n. 1, p. 531-536, set. 1999.

ROMBALDI, Rosiane de Magalhães; CANFIELD, Marta de Salles. A formação profissional em educação física e o ensino da avaliação. Revista Kinesis, Santa Maria, n. 21, p. 31-46, [s. m.] 1999.

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SINGER, R. N.; DICK, W. Ensinando educação física. Porto Alegre: Globo, 1980.

Stufflebeam, D. E. Tipos de evaluación y modelos de avaluación. Seminário Interamericano de Investigação sobre Sistemas Educativos. San José. 1976.

TYLER, R. W. Educational evaluation: new roles new means. Chicago: National Society for the Study of Education, 1969.

BRINQUEDOTECA – CRIANÇA BRINCANDO, CRIANÇA FELIZ.

Eduardo de Oliveira Gaudard

Simone Ferreira do Nascimento

Resumo: O objetivo do nosso trabalho é relatar as experiências exitosas na implantação e implementação do “Projeto Brinquedoteca – Criança Brincando, Criança Feliz”, nas Creches Municipais de Belford Roxo, considerando as contribuições da Educação Física Escolar na Educação Infantil do município. A concepção do trabalho na Educação Infantil tinha um cunho assistencialista, haja vista, as condições sócio-econômicas da clientela atendida. Portanto, não existia a preocupação no desenvolvimento de uma prática pedagógica que estimulasse experiências diárias, principalmente o movimento, o lúdico e o imaginário infantil.

Mediante este quadro, observou-se à necessidade de elaborar um trabalho que valorizasse o brincar como aspecto fundamental na promoção do desenvolvimento da criança, redimensionando a visão da Educação Infantil enquanto espaço de aprendizagens significativas e construção de conhecimentos acerca do meio, a relação com o outro e a si próprio.

Durante o trabalho estaremos apresentando este projeto desde a sua organização até a sua efetivação em todas as Creches Municipais de Belford Roxo.

O movimento, a curiosidade e o lúdico são instrumentos fundamentais no desenvolvimento e integração do conhecimento com as relações estabelecidas na primeira infância, segundo o referencial Brinquedoteca nas creches: Criança brincando, criança feliz citando Carvalho, Salles e Guimarães (2002) “no brincar o sujeito se expressa plenamente, em um processo rico de sujeito-sujeito e sujeito-objeto”. Nessa perspectiva, a criança se reconhece e constitue enquanto sujeito participante de um meio social e/ou ambiental.

Partindo desse princípio, o primeiro passo foi sensibilizar e envolver os professores das Creches Municipais de Belford Roxo, através de encontros para reflexão, acerca da necessidade de compreender segundo Eneida Feix, (2000: 23) que “a natureza da criança é lúdica de movimento, de curiosidade, de espontaneidade. Negar esta natureza é negar a própria criança”. Reflexão esta, que redimensionou o olhar dado ao fazer pedagógico, valorizando o lúdico e criando condições para que as crianças brinquem em um ambiente de liberdade, flexibilidade tanto de espaço quanto nas estruturas de auto-realização e afirmação.

Portanto, foi sugerida a implantação do “Projeto Brinquedoteca”, efetivando assim, um espaço específico para esse brincar livre, mas, orientado e organizado de forma que os objetivos da Educação Infantil como construção da identidade e desenvolvimento da autonomia, fossem alcançados.

Assim, o projeto da Brinquedoteca visa valorizar a importância do brincar e do lúdico no espaço coletivo na Educação Infantil, pois entendemos que fomentar o jogo simbólico é propiciar a busca de hipóteses acerca desse universo.

Para garantir o propósito da “Brinquedoteca, como um ambiente lúdico onde o convite à exploração, à descoberta é uma constante” (Oliveira, 2000). Elaboramos um referencial teórico que norteasse a construção, a utilização e o melhor aproveitamento desse espaço, como ponte para o planejamento do trabalho pedagógico do professor.

Neste sentido, enfatizamos nesse documento que a necessidade de descobrir, aprender coisas novas é inerente ao ser humano. O homem nasce sedento de experiências, quer conhecer, apropriar-se do conhecimento, e é essa aprendizagem ocorridas em todas as fases de sua vida que o mantém vivo, torna integrante de uma sociedade e lhe permite participar, criar e transformar sua história e a história do seu tempo.

Foram também planejadas situações didáticas com os professores, através de oficinas periódicas, proporcionando a compreensão relacionada à sua postura enquanto mediador neste processo, a vivência de brincadeiras, a construção de materiais com sucatas (brinquedos) e a organização do ambiente. Ressaltando a importância dessa relação dialética entre o adulto, a criança, o brincar e o brinquedo.

Desta forma, podemos comparar a Brinquedoteca a um ambiente instigador à pesquisa, o qual, auxiliará na avaliação e (re) organização dos momentos lúdicos, através dos interesses demonstrados pelas crianças durante a brincadeira.

Ou seja, a Brinquedoteca é o espaço para experiência, o brinquedo promove o experimento na criança pesquisadora (aprovando mesmo que indiretamente) e o professor é o mediador do processo de construção do conhecimento e pesquisador do fenômeno dialético que ocorre na brincadeira.

A introdução da Brinquedoteca na rotina das creches municipais atingiu o objetivo de (re) elaboração constante de um fazer pedagógico focado na criança, respeitando seu tempo e sua história, sendo atualmente o norteador de todas as ações que circundam o processo pedagógico na Educação Infantil de Belford Roxo.

Conclusão

Conforme relato das professoras da Creche Municipal Amor e Esperança, o fato das crianças estarem num espaço livre, onde a autonomia é privilegiada, assim como a escolha das brincadeiras de interesse, perceberam que as relações interpessoais se intensificaram, ampliando o reconhecimento e o convívio com as diferenças entre o eu e o outro, exercitando assim, a conduta ética e moral, e o equilíbrio nessas relações através da imitação das ações cotidianas tanto das vivências de seu mundo particular quanto do convívio.

Foi observado também, que as brincadeiras com roupas, acessórios e maquiagens tem sido a preferência de todas as turmas que têm feito uso dessa atividade com muita criatividade.

Da mesma forma que esta prática colaborou com o desenvolvimento do raciocínio lógico, ampliando as múltiplas linguagens e a apropriação dos conhecimentos socialmente construídos pela humanidade.

Assim, o objetivo de desmistificar a brincadeira na Educação Infantil enquanto processo pedagógico de aprendizagem significativa está sendo atingido de forma dialógica entre os profissionais envolvidos, trazendo um novo olhar para o brincar.

Notas: O projeto Brinquedoteca foi desenvolvido nas seis Creches Municipais de Belford Roxo.

Os autores, Eduardo de Oliveira Gaudard atualmente desempenha o papel de implementados na Divisão de Educação Física Escolar da Secretaria Municipal de Educação de Belford Roxo. e Simone Ferreira do Nascimento é responsável pelo Serviço de Atendimento à Educação Infantil da Secretaria Municipal de Educação de Belford Roxo, cursando atualmente a graduação de Educação Física na UNIABEU.

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