Anais VII encontro fluminense de educaçÃo física escolar VII enfefe dificuldades e Possibilidades da Educação Física Escolar no Atual Momento Histórico



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Referências bibliográficas:

CRAIDY, Carmem e KAERCHER, Gládis. (Educação Infantil pra que te quero?). Porto Alegre: Artmed, 2001.

TELES, Maria Luiza Silveira. (Socorro! É proibido brincar!). Petrópolis: Vozes, 2000.

BORGES, Célio José. (Educação Física para o pré-escolar). Rio de Janeiro: Sprint, 1998.

SANTOS, Santa Marli Pires. Brinquedoteca: (A criança, o adulto e o lúdico). Petrópolis: Vozes, 2000.

RODRIGUES, Rejane Penna (organizadora). (Brincalhão: Uma Brinquedoteca Itinerante). Petrópolis: Vozes, 2000.

OLIVEIRA, Ana Cristina Olmedo de. O brincar, a criança e o adulto. In: RODRIGUES, Rejane Penna (organizadora). (Brincalhão: Uma Brinquedoteca Itinerante). Petrópolis: Vozes, 2000.

FEIX, Eneida. Reflexões sobre o lúdico. In: RODRIGUES, Rejane Penna (organizadora). (Brincalhão: Uma Brinquedoteca Itinerante). Petrópolis: Vozes, 2000.

FREIRE, João Batista. Educação de Corpo Inteiro. São Paulo. Scipione. 1994.

CENTRRO EDUCACIONAL DE NITERÓI. (Crescer, Série, Recreação e Educação Física: o movimento em movimento).Rio de Janeiro. CENTRO EDUCACIONAL DE NITERÓI E FUNDAÇÃO BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO, 1995.

SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO. Divisão de Educação Física Escolar. Serviço de Atendimento à Educação Infantil. (Brinquedoteca nas creches: Criança Brincando, Criança Feliz). Belford Roxo, Rio de Janeiro: SEMED, 2002.

CAÇANDO O TESOURO:

UMA EXPERIÊNCIA LÚDICA NAS DEPENDÊNCIAS DO ESPAÇO ESCOLAR.

Ingrid Ferreira Fonseca.



Resumo: Este trabalho é um relato de experiência da realização do jogo “Caça ao tesouro” nas dependências da Escola Estadual Nilo Peçanha - São Gonçalo- R.J referente a disciplina de educação física no 1º ano do ensino médio. Na “Caça ao tesouro” os participantes estarão divididos em grupos e estes devem seguir as pistas que os levem ao encontro de um tesouro. O jogo foi realizado dentro da perspectiva da cultura corporal de movimento, utilizando-se de jogos como conteúdo escolar, valorizando a transmissão e perpetuação destes para a faixa etária entre 13-16 anos e o debate da cultura dos mesmos; a vivência da ludicidade no espaço escolar; a desmistificação do espaço escolar; a prática da convivência; a integração entre os mesmos e a possibilidade da reflexão sobre os valores como ajuda mútua, corrupção, desejos, ganância, fraternidade, etc. O trabalho pedagógico desenvolvido com os alunos foi organizado baseando-se em cinco fases: 1ª fase: Confecção do material; 2ª fase: Escolha dos grupos e apresentação do jogo; 3ª fase: Aplicação do jogo; 4ª fase: Confecção da “ caça ao tesouro” pelos alunos e 5ª fase: aplicação do jogo pelo grupo que o criou. Pudemos, através desta experiência, dar mais uma possibilidade dos adolescentes perceberem que a liberdade pode ser desejada e conquistada, se houver a prática da responsabilidade e do respeito entre todos. Além disso, a escola pode experimentar uma prática, que movimentou todo o seu espaço, não invadindo as suas particularidades.

Introdução

Este trabalho é um relato de experiência de um jogo realizado nas dependências da Escola Estadual Nilo Peçanha - São Gonçalo- R.J referente a disciplina de educação física no 1º ano do ensino médio, horário matinal, com uma turma de 40 alunos.

O jogo é comumente conhecido como “Caça ao Tesouro” e por suas características internas, como a necessidade de grande espaço de execução e liberdade de movimentação, ele é geralmente praticado em momentos de lazer.

Neste sentido, este jogo só pode ter sido realizado com total apoio da direção da escola que permitiu a movimentação dos alunos, em horário de aula, pelas dependências da escola, como: biblioteca, refeitório, sala da direção, sala da banda, corredores de outras turmas, etc.

O jogo foi realizado dentro da perspectiva da cultura corporal de movimento, utilizando-se a prática de jogos como conteúdo escolar valorizando a transmissão e perpetuação destes jogos para a faixa etária entre 13-16 anos e o debate da cultura dos mesmos; a vivência da ludicidade no espaço escolar; a desmistificação do espaço escolar; a prática da convivência; a integração entre os mesmos e a possibilidade da reflexão sobre os valores como ajuda mútua, corrupção, desejos, ganância, fraternidade, etc.

Destacaremos na seção abaixo destacaremos a relação do jogo com a cultura corporal de movimento.



O jogo no contexto da educação física

Na perspectiva da cultura corporal de movimento, um dos objetos de saber da educação física, se faz mister que a educação física escolar desenvolva suas aulas baseadas em determinados conteúdos culturais, historicamente construídos, influenciados pelo tempo e pelas pessoas, como o jogo, a brincadeira, o esporte, a luta, a dança e a ginástica. (COLETIVO DE AUTORES, 1990).

Um dos pontos importantes desta perspectiva é contribuir para a formação de um cidadão autônomo, crítico e criativo, dando-lhe ferramentas para que possa participar, intervir e comprometer-se com a construção de uma sociedade mais justa, igualitária e democrática, valorizando sentimentos de solidariedade, como: lealdade, trabalho em equipe e criatividade.

Dentro deste universo de práticas culturais, nos baseamos no uso do jogo como conteúdo da educação física escolar

Os jogos são manifestações culturais que são construídos e reconstruídos pelos diferentes povos dentro de suas dinâmicas internas e que sofrem metamorfoses provenientes dos contatos estabelecidos com outras culturas.

Estes são uma forma de comunicação com o mundo, construtor e constituinte da cultura. (BRACHT, 1997). O jogo é uma linguaguem simbólica que possibilita o partilhar de experiências, de crenças e de concepções construídas em contextos e processos sócio-históricos específicos. Quando se joga cria-se um espaço social regado de símbolos provenientes do entendimento que as pessoas possuem do seu mundo real. Joga-se com os objetos que só possuirão sentidos dados à eles dentre deste tempo e espaço diferente da realidade.

Neste contexto, o jogo é um modo lúdico de dialogar com as possibilidades do cotidiano dentro do plano da fantasia, estabelecendo pontes de contato entre o que se pensa e o que se pode fazer, estimulando a prática das condutas sociais e a reflexão de suas visões de mundo.

A partir de um número grande de jogos, escolhemos um que pudesse ser realizado fora da quadra ( a nossa estava em obra) e que possibilitasse a vivência da reflexão deste conteúdo da cultura corporal de movimento: O jogo caça ao tesouro.

Como fora realizado o jogo? É o que veremos a seguir.

O caça ao tesouro: sua construção pedagógica e aplicação na turma

A idéia de aplicar este tipo de atividade dentro do espaço físico escolar veio através da realização de um jogo anterior, com a mesma turma, chamado: pique esconde. Vimos que houve sucesso, os alunos participaram, de maneira alegre, com certa liberdade e muito a vontade nas dependências da escola. Dias depois, veio-nos a idéia de proporcioná-los a prática de um jogo não muito comum nas escolas e que poderia ser de alcance dos adolescentes, estimulando a criatividade, o trabalho em grupo, a ludicidade, etc.

Ao lançar a proposta para a turma, sobre este tipo de atividade, eles à princípio não entenderam como iria funcionar, se seria divertido ou não ficar correndo pelas dependências da escola, na hora, por exemplo do recreio de outras turmas, com a preocupação, de como eles dizem, de “pagar mico”. Através do diálogo, a turma aceitou o desafio e partimos para a realização da “Caça ao tesouro” . Mas o que significa este jogo?

Na “Caça ao tesouro” os participantes estarão divididos em grupos. Cada grupo receberá uma primeira pista que conterá um enigma.

Esse enigma indicará um próximo local onde estará escondida a próxima pista. Depois de decifrada o primeiro enigma, os participantes irão em busca da próxima e assim sucessivamente, até que último enigma levará ao local do tesouro. O tesouro, por sua vez, também deverá estar escondido nos parâmetros do local indicado pelas pistas. O vencedor será o grupo que encontrar o tesouro e o prêmio será o próprio tesouro, que poderá ser formado por balas, bombons, pequenos brindes, etc. (CAVALLARI e ZACHARIAS, 2001)

O trabalho pedagógico desenvolvido com os alunos foi organizado baseando-se em cinco fases:

1ª fase: Confecção do material

Compramos o material para a confecção das pistas (cartolina das cores amarelo, verde, azul, branco, rosa, envelopes ( 9 para cada grupo) e cola; montamos as pistas (em torno de 9), baseando-nos em fatos atuais e de conhecimento dos adolescentes e que passo a passo levasse a descoberta da palavra que era o enigma, e as colocamos dentro do envelopes. Na frente de cada envelope havia um círculo feito de cartolina com a cor do grupo. Ex: o grupo amarelo teria 9 envelopes com as suas pistas.

2ª fase: Escolha dos grupos e apresentação do jogo

Escolha dos grupos e suas cores; escolha dos alunos ajudantes que ficariam em cada estação onde estariam as pistas escondidas por eles próprios e a explicação para a turma do que seria o jogo “Caça ao tesouro”.

Dividimos os alunos em cinco grupos, cada qual designado por uma cor: amarelo, azul, verde, rosa e branco. A escolha dos membros do grupo foi realizada entre eles, provavelmente por afinidade, mistos ou de mesmo sexo. Foi dado aos ajudantes as pistas que eles deveriam esconder, o lugar onde eles deveriam esconder e orientações com relação a organização da atividade e de que maneira eles poderiam ajudar para o bom andamento do jogo. Ex: O aluno X ficara com as pistas nº oito de todos os grupos, escondendo-as no refeitório de maneira que os grupos tivessem que procurar. Caso algum grupo demorasse muito para achar, instruímo-los de ajudarem dizendo: “tá quente, tá frio”. Não poderiam entregar a pista ao grupo e nem ajudar mais ou menos um determinado grupo.

3ª fase: Aplicação do jogo.

Cada grupo procurou na sala de aula a primeira pista que já fora previamente escondida. A pista deveria possuir uma pergunta e a resposta desta indicava uma das letras da palavra do enigma. As letras conseguidas com as respostas poderiam ser anotadas pelo grupo ou memorizadas. Além das perguntas, também poderia-se fazer, em cada envelope, uma tarefa que o grupo deveria cumprir, para ter permissão de ir à procura de outra pista. EX: jogo dos sete erros.

Ao encontrar todas as pistas, responder as perguntas, participar das tarefas, o grupo chegou a sala de aula com a palavra enigma, e por último deveria fazer a tarefa final “ cantar com todo o grupo uma música na qual a palavra aparecesse, e por fim encontrar o seu tesouro.

Todos os grupos tiveram tesouros a encontrar (balas e bombons que deveriam ser repartidos), do primeiro ao último colocado.

4ª fase: Confecção da “ caça ao tesouro” pelos alunos

Em outro dia de aula, houve continuidade do jogo, comentando os aspectos positivos e negativos que aconteceram no decorrer do jogo, como por exemplo: as fraudes, as tarefas mais complexas, o trabalho dos grupos. Solicitamos que cada grupo criasse o seu “Caça ao tesouro” e posteriormente, faríamos uma avaliação para escolher o jogo mais criativo e adequado à faixa etária deles, com tarefas e perguntas nos quais todos pudessem ter acesso.

Convidamos um aluno de cada equipe para fazer parte da comissão que iria escolher o jogo mais criativo e interessante a ser desenvolvido.

5ª fase: aplicação do jogo pelo grupo que o criou.

Apresentamos à turma o grupo vencedor e comentamos os “caça ao tesouro” de todos os grupos, indicando os erros e os acertos. Foi dado a incumbência da organização e aplicação do jogo ao grupo que fora escolhido. Todos participaram do jogo promovido pelo grupo de alunos, com nosso apoio.



Considerações finais

Foi uma experiência inovadora para nós e acreditamos que para muitos professores de educação física, por isso nos incentivou a mostrar-lhes um pouco da nossa prática profissional. Há uma imagem historicamente construída de que o professor deve majoritariamente dar aulas em quadras e também a dificuldade que as escolas possuem de aceitar o barulho que fazemos, achando que quase tudo é “bagunça”.

Felizmente encontramos uma direção que apoiou o barulho e uma certa liberdade de movimentação dos alunos na escola ( fato não muito comum) e pudemos dar mais uma possibilidade dos jovens perceberem que a liberdade pode ser desejada e conquistada, se houver a prática da responsabilidade e do respeito entre todos.

A autora, Ingrid Ferreira Fonseca é Mestre em Educação Física



Referências bibliográficas

BRACHT, Valter. Educação física: conhecimento e especificidade. In: VAGO, Tarcísio Mauro e SOUSA, Eustáquia Salvadora. Trilhas e partilhas- educação física na cultura escolar e nas práticas sociais. Belo Horizonte: Editora cultura, 1997.

CAVALLARI, Vinícius Ricardo e ZACHARIAS, Vany. Trabalhando com a recreação. São Paulo: Ícone, 2001.

COLETIVO DE AUTORES. Metodologia do ensino de educação física. São Paulo: Cortez, 1990.



CIEPS E ANIMAÇÃO CULTURAL: O PAPEL DO PROFESSOR DE

EDUCAÇÃO FÍSICA EM UM PROJETO POLÍTICO

Bruno Adriano Rodrigues da Silva

A animação cultural é desenvolvida nos CIEPs

como um processo conscientizador,

que resgata o mais autêntico

papel político e social da escola”

Darcy Ribeiro

Apresentação

O trabalho de animação cultural desenvolvido nos CIEPs, é uma proposta do educador Darcy Ribeiro (Ex- secretário de Estado Ciência e Cultura do governo de Leonel Brizola, 1986, Rio de Janeiro). Esta proposta possui como finalidade interagir a cultura da comunidade com o sistema formal de ensino, “procurando criar uma ponte de mão dupla entre a escola e a vida comunitária” (Ribeiro, 1986, p.134). Com isso, visa incentivar através das manifestações locais, o uso da escola como espaço democrático onde o processo educacional e a vida comunitária possam interagir, possibilitando o que vou chamar de “pensar social”.

Tendo em vista a iniciativa deste projeto em falar de animação cultural como um elo de ligação entre os produtos culturais da comunidade e a escola, faz-se uso desta produção como um dos eixos educacionais, enfatizando e abrindo espaço para que essas manifestações culturais locais se situem de maneira sistemática no âmbito da Escola Pública. Nesta proposta onde a cultura e seus desdobramentos, são tratados como agentes de um processo educativo, principalmente através do tempo de lazer, é que aparece a figura do animador cultural, assim definido pelo educador Darcy Ribeiro (1986) como “pessoas comprometidas permanentemente com o fazer cultural: inquietas e instigadoras, elas são egressas de grupos de teatro, música, de poesia, de movimentos criados espontaneamente ou de associações comunitárias.” (pág. 134). Essa maneira diferenciada de discutirmos o conhecimento para além dos conteúdos programáticos das disciplinas escolares e dos eventos comemorativos, aponta para uma possível ampliação da discussão em torno do assunto cultura, envolvendo nessa dinâmica educacional, a comunidade e os atores da escola (professores, alunos e agentes administrativos).

Portanto pesquisar esta forma de atuação, avaliando as suas soluções, seus percalços e seus resultados parecem ser uma forma de ampliarmos o conhecimento a respeito de animação cultural, aplicada em um espaço público formal pelo professor de Educação Física, onde temos através da cultura corporal (manifestada na dança, no esporte, no jogo, na arte dentre outras atividades) um variado acúmulo de informações que nos possibilita essa intervenção, como afirma ESCOBAR (1990) citada por SOARES et al. “A Educação Física, então, será a disciplina curricular que tratará, pedagogicamente , temas dessa cultura corporal, tendo como objeto de estudo a expressão corporal como linguagem” , voltada para um projeto de sociedade que favorecerá o papel fundamental da integração dos alunos ao seu meio social, sendo, como afirma SOARES:

“Através da prática pedagógica, dimensionada por uma teoria pedagógica calcada num projeto histórico revolucionário, que poderemos abordar com maiores possibilidades de sucesso, comteúdos, métodos e avaliação de uma educação física projetada para exigências do século XXI.” ( pág. 223, 1992)

Objetivos

Logo, compreendendo a proposta teórica de animação cultural dos CIEPs do Rio de Janeiro, e suas relações pedagógicas, objetivamos: a) Realizar um levantamento das atividades desenvolvidas pelo animador cultural, e as interfaces com a Educação Física. b) Analisar os reflexos das atividades desenvolvidas pelo animador cultural na escola e na comunidade. c) Analisar a influência da animação cultural, implementada na escola, sobre o lazer comunitário e o papel do professor de Educação Física neste processo.

Enfim, procuraremos neste projeto, buscar uma relação entre as contribuições culturais da comunidade, vivenciadas em seu momento de lazer, e o processo pedagógico dos CIEP’s através do professor de Educação Física, utilizando-se das manifestações do dia-dia comunitário, como prática de educação informal, segundo CARRANO (2003) ‘’caracterizada por não se ajustar as formas institucionalmente determinadas e que de maneira geral, o seu processo educativo não se revela de forma explícita’’ (pág.17). Assim acreditamos ser, a Educação Física Escolar um dos pontos norteadores para entendermos esse processo iniciado por Darcy Ribeiro, visto todas as possibilidades contra-hegemônicas que permeiam esse componente curricular.

Metodologia

Por se tratar essa pesquisa de uma análise de um espaço educacional (CIEPs) com todos os seus desdobramentos socio-culturais, pensamos no olhar antropológico como viés, tendo na etnografia, o amparo para o que DAUSTER (1996) esclarece como sendo as “Considerações em torno do conceito de cultura, da “leitura” das relações sociais concretas e do significado delas emergente.” (pág. 65).

Posteriormente teremos através do trabalho de campo (momento esse, destinado pelo pesquisador para uma maior abordagem em seu espaço geográfico de trabalho) notadamente nas caminhadas, termo esse assim definido por Magnani e citado por Melo et al (2003) como “uma atitude de deslocamento lento e atento às características e peculiaridades do espaço.” (pág. 254), a possibilidade de uma análise do ambiente que estamos nos propondo a pesquisar. Seguindo esse processo, utilizaremos um questionário orientador para as entrevistas, onde analisaremos sistematicamente todos os dados coletados anteriormente fundamentados em nossa revisão literária. Vislumbramos com isso, potencializar as contribuições da proposta pedagógica de animação cultural e suas repercussões na escola e na comunidade. Procurando compreender a influência desta proposta e entendendo a relação entre o lazer e a educação.

Referências bibliográficas

CARRANO, Paulo, Cezar, Rodrigues. Juventudes e Cidades Educadoras. Petrópolis-RJ: Editora Vozes (2003)

DAUSTER, Tânia. In DAYRELL, Juarez. Múltiplos Olhares Sobre Educação e Cultura. Belo Horizonte, MG: Ed. UFMG, 1996

MELO, Victor, Andrade de, et al... Lazer e Prostituição: A Vila Mimosa Como Espaço de lazer na Cidade do Rio de Janeiro - Dados de uma Observação Coletânea do IV Seminário “o Lazer em Debate”. Belo Horizonte MG: UFMG / DEF / CELAR (2003)

RIBEIRO, Darcy. O livro dos CIEPs. Rio de Janeiro. Bloch Editores S.A: (1986)

SOARES, Carmen, Lúcia, et al... In. MOREIRA, Wagner, Wey (org.) Educação Física e Esportes: perspectivas para o século XXI. Campinas, SP. Papirus, 1992


CIRCO EDUCAÇÃO: A METODOLOGIA DO CIRCO

NO DESENVOLVIMENTO DA CULTURA CORPORAL DE MOVIMENTO

Sérgio Henrique Cardoso da Silva.

A história da educação vem registrando, ao longo das últimas décadas, as preocupações da humanidade relativas à educação das classes populares, mais especificamente naquilo que se refere à aquisição do conhecimento sistematizado. O paradigma dominante entre os educadores do terceiro mundo aponta para algumas prioridades, dentre elas, a de que a educação das classes populares seja estruturada a partir de currículos que tragam, em seu bojo, a produção local fruto de distintas realidades.

Apesar disso e de termos clareza de que as iniciativas para o avanço da educação popular sempre trouxeram propostas muito próximas do que preconiza os tais paradigmas, nem sempre, podemos comemorar o sucesso dos resultados, principalmente, quando a discussão gira em torno de sua eficácia. Uma boa proposta escrita nem sempre se traduz em bons resultados e quase sempre são incapazes de despertar a curiosidade ou o interesse de alunos para a pesquisa ou à busca de novas descobertas.

No Brasil, um dos responsáveis pelos sucessivos fracassos no que se refere à aplicação de novos programas é o poder público. Tal constatação deve-se ao fato de a educação vir ao longo da história política nacional recebendo, pelo menos no discurso, um tratamento prioritário, mas não precisamos de muito tempo para perceber o quanto é falaciosa esta preocupação. Basta que olhemos para o número de professores leigos que ainda atuam na periferia das grandes cidades e para a falta de bancos escolares para todos.

Por essas razões é fácil entender as falsas preocupações do poder para com a Instituição. A política nunca abandonou a educação. Os interesses dos dirigentes políticos fizeram da política educacional um motivo para aprovar projetos questionáveis em relação às necessidades populares de uma região em situação de exclusão.

Nos últimos anos percebemos que a educação física tem recebido contribuição de diversas áreas, com seus diversos saberes. O que tem nos chamado atenção é o leque de atuação para os profissionais, em relação ao mercado de trabalho, que se abre em relação à crise social e conjuntural estabelecida no país.

A educação física tem por característica estabelecer e ampliar relações entre jovens, crianças, adultos; pobres, ricos; homens, mulheres; povos distintos de todas as raças. Nem a diferença de idiomas pode impedir o desenvolvimento das ramificações das culturas corporais que são sugeridas pela educação física.

Em 1997 começamos a desenvolver as atividades circenses como forma de promover a cultura corporal de jovens do CIEP Pres João Goulart, em Ipanema, precisamente no Morro do Cantagalo. Esta atividade era mantida por uma organização não governamental denominada Grupo Cultural Afro Reggae. Em seguida, esta experiência foi levada a duas escolas da prefeitura de Angra dos Reis: Prefeito Toscano de Brito e Benedito dos Santos Barbosa.

As atividades circenses surgiram com propostas de sistematizar uma metodologia de intervenção educativa e artística, utilizando-as como ferramenta sócio-educativa a fim de encurtar a distância entre a favela e o asfalto, diminuir a prostituição infantil, o recrutamento do narcotráfico e, fundamentalmente, oferecer aos jovens uma alternativa de atividade física além dos esportes com bola. Apesar da ludicidade e da plasticidade do circo, conseguimos quebrar a concepção de que a educação física trabalha apenas como desporto ou preparação física.

Percebemos que a educação física assume, através da cultura corporal, uma função mais fundamental na formação holística dos jovens. Nas relações socio-esportivas e culturais, que sustentam as atividades circenses, apresentadas em nossa sociedade, não pode haver humanização na exata proporção em que se despreza a realidade da formação sócio-econômica de uma classe dominante em relação às causas determinantes da desumanização de um segmento da sociedade que cresce a cada dia: as favelas, a população de rua, as classes populares (lotadas nas escolas públicas), que precisam ser reinseridas na sociedade através das artes, da atividade física, da cidadania, da cultura e de tantas outras quão forem necessárias.

Ao desenvolvermos esta prática junto aos jovens destas comunidades escolares, percebemos que a educação física manteve seu cerne, mas também abriu possibilidades para uma ação interdisciplinar e criou uma perspectiva para o mercado de trabalho para esses jovens no futuro. Assim conseguimos criar uma cultura disciplinar motivando a reflexão da importância da educação física, pois neste momento fazia-se necessário conhecer mais e melhor sobre o assunto para fazer as diversas apresentações no trapézio, malabarismo, acrobacia de solo e aéreas, equilibrismo, perna de pau, monociclos e contorção.

Ao conceber esta atividade, os jovens passaram a perceber a pertinência das valências físicas na aplicabilidade do cotidiano. Obviamente, a motivação girava em torno da solidariedade e da democracia. Esta se fazia porque a atividade é um elemento agregador, pois todos podem se encontrar em alguma modalidade e aquela mostra que ninguém é capaz de elaborar, preparar e executar seu número sozinho.

Há algum tempo a educação física era área de domínio militar em que os jovens eram desenvolvidos cartesianamente, estabelecendo os limites corporais, enfatizando a profilaxia e valorizando o moral dentro de um positivismo clássico.

Nós percebemos que as atividades circenses, dentro de um programa de educação física, podem romper com este positivismo e fazer com que nossos jovens tenham uma ascensão social. Por este motivo, estamos na contra-mão do chavão: é preciso por limites. Acreditamos que os jovens precisam ter seus limites ampliados, precisam ser conscientizados de suas responsabilidades pessoais no grupo que fazem parte.

Em um artigo da FASE (Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional) Iza Locatelli disse que "desenvolvemos a pedagogia do prazer". Isto é muito parecido com o que Paulo Freire dizia em relação ao amor creditado à educação. Então, começamos a sistematizar nosso trabalho aproveitando a visão da fenomenologia do materialismo histórico e a contribuição de autores modernos da educação mundial a fim de prover os jovens de análise de informações, experiências vividas e sensibilidade para tomada de decisões conscientes. Conseguimos desenvolver nossas ações metodológicas dentro de um corte epistemológico em que contamos com a experiência de: Piaget para explicar a relação do ser humano com o meio onde vive e oferecer aos jovens o melhor exercício/atividade de acordo com o seu desenvolvimento; Vygotsky que, com a visão de interatividade, nos orienta na formação dos jovens apoiado nas relações interpessoais e nas experiências para o desenvolvimento potencial; Paulo Freire - ideais políticos através do diálogo; e Frienet - aulas passeios e consideração do cotidiano dos jovens que envolvem o ambiente onde vivem e convivem com familiares.

A aplicação desta metodologia na educação física escolar nos remete a uma abordagem construtivista-interacionista que propõe uma integração entre os jovens e o meio ambiente com o objetivo de formular e resolver problemas. Segundo Rubem Alves a mente só registra o conhecimento se houver prazer ou se puder ser usado como instrumento operacional, Anísio Teixeira concorda e completa: "só se aprende o que sucede ou o que satisfaz". Por isso criamos diversas situações simuladas de resolução de problemas que envolvem tráfico de drogas, saneamento básico, prostituição infantil e cidadania.

A educação física continua com muito crédito na sociedade, seja como uma grande atração desportiva, seja como lazer. Porém é na escola que precisamos melhorar a credibilidade, pois a LDB determina que não há mais uma carga horária definida. Neste caso, os professores desenvolverão suas atividades dentro de um projeto pedagógico elaborado pela escola. Conseqüentemente cabe aos professores de educação física defender e argumentar as suas atividades.

A educação física, em última análise, precisa apresentar argumentos fortes e inovadores - com a finalidade de desenvolver as potencialidades pré-existentes nos jovens alunos - por parte dos professores, e para isso é necessário um investimento pessoal para criar, adaptar, executar e defender a importância da disciplina na escola junto à direção, aos pais e aos alunos.

O autor, Sérgio Henrique Cardoso da Silva é professor do Colégio Estadual Prof Murilo Braga


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