Anais VII encontro fluminense de educaçÃo física escolar VII enfefe dificuldades e Possibilidades da Educação Física Escolar no Atual Momento Histórico



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Referências bibliográficas

COLETIVO DE AUTORES. Metodologia do ensino de educação física. São Paulo: Cortez, 1992.

HELLER, Agnes. O cotidiano e a historia. São Paulo: Paz e terra, 2001.

TANI, Go et all. Educação física escolar: fundamentos uma abordagem desenvolvimentista. São Paulo: E.P.U., 1988.



EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR:

DESATANDO NÓS, ESTABELECENDO LAÇOS.

Gilbert Coutinho Costa



Resumo: A Educação Física escolar representa um poderoso agente de desenvolvimento de competências e habilidades trabalhadas tanto numa perspectiva ontológica quanto social. É comum ouvirmos de professores, discursos inflamados de que “A Educação Física deve estar incorporada a um projeto de educação emancipatória comprometida com a formação de uma cidadania crítica e responsável, consciente e envolvida com a humanização do homem... etc”. Sem abdicarmos de nosso ideal de educador deixando de acreditar no poder transformador da educação; no cotidiano de nossas aulas muitas vezes deixamos a nossa prática trair o nosso discurso pela incompetência do não saber-fazer. Além disto poder ser observado cotidianamente na maioria dos espaços onde haja um professor de Educação Física diante de uma turma, vários autores já alertaram para a crise pela qual passa a Educação Física, mas poucas são as iniciativas que propõem mudanças. Consideramos que, para isso, necessitamos desatar alguns nós, estabelecermos laços e delimitarmos ações da Educação Física contextualizada com a nossa realidade, materializada em práticas realmente educativas.

Os anos oitenta foram férteis de questionamentos, críticas e denúncias ao que vinha sendo praticado com o nome e em nome da Educação Física. A exatos vinte anos, Oliveira já se perguntava se Educação Física era Ginástica? Medicina? Cultura? Jogo? Esporte? Política? Ciência? O capítulo onde ele faz estes questionamentos chama-se “O Labirinto” (1983, p.62), e aponta para um leque de categorias pela qual pretende explicar “O Que É Educação Física”. O capítulo seguinte, “Afinal, o que é Educação Física” (Ibid, p.86), termina sem responder a questão a que se propõe e que dá título ao livro. Carmo no capítulo intitulado “Educação Física: Uma desordem para manter a ordem” (In Oliveira, 1987) denuncia o caráter inconseqüente desta prática que independente da série ou grau de ensino, o conteúdo tem sido invariavelmente o mesmo.Nesta mesma referência, Bracht escreveu o capítulo “A Criança Que Pratica Esporte Respeita as Regras do Jogo... Capitalista”, evidenciando a utilização do esporte como uma forma de controle social na medida em que adapta o praticante aos valores e normas dominantes. Medina (1987) dedica um capítulo inteiro, o primeiro, a esta temática: “A Educação Física precisa entrar em crise urgentemente. Precisa questionar criticamente seus valores. Precisa ser capaz de justificar-se a si mesma. Precisa procurar a sua identidade” (p.35). Anos mais tarde, Lovisolo (1995) demonstrou este fato em uma pesquisa de campo com mais de quinhentos alunos do segundo segmento do ensino fundamental da rede pública municipal do Rio de janeiro: Perguntados sobre qual a disciplina que eles mais gostavam, a Educação Física aparece em primeiro lugar, entre dez disciplinas. Porém, quando perguntados sobre qual seria a disciplina mais importante da escola, a Educação Física aparece em sétimo lugar, só sendo mais significativa do que Francês, Química e Educação Musical, segundo os alunos. Temos a impressão de que se esta pesquisa fosse repetida em qualquer outro local, os resultados não seriam muito diferentes. Este mesmo professor que dá uma aula-show que os alunos adoram, não tem sido capaz de mostrar para estes mesmos alunos a importância destas atividades. Os autores destes textos e os professores que conseguem enxergar acima da mediocridade a qual a Educação Física está imersa, “enquadram-se perfeitamente no sentido da letra da música do compositor cearense Belchior, de que ‘minha dor é perceber, que apesar de termos feito tudo que fizemos, ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais’” (Costa, 1995, p.232)

O estereótipo negativo que a Educação Física acumulou ao longo da sua existência deve-se mais ao inconsistente trabalho desenvolvido pela maioria de seus profissionais do que pela concepção cartesiana de homem a que comumente vem sendo responsabilizada: O dualismo corpo/mente onde a segunda (e as questões relacionadas a ela), historicamente vem sendo considerada mais importante em detrimento das diferentes manifestações corporais. Encontramos em Gramsci os fundamentos de nossa hipótese: “Não existe trabalho puramente físico e em qualquer trabalho físico, mesmo no mais mecânico e degradado, existe um mínimo de qualificação técnica, isto é, um mínimo de atividade intelectual criadora” (1968, p. 7), e continua, “não se pode separar o Homo faber do Homo sapiens” (Ibid). Embora possamos absolver Gramsci porque estas idéias, quando escritas, não diziam respeito à educação, a história da Educação Física está repleta de práticas que parecem completamente acéfalas.

Vejamos por exemplo, a ginástica: historicamente a educação física sempre esteve atrelada ao conceito de ginástica, cuja palavra é anterior ao conceito de “educação física”. A sua inserção na escola em finais do século XIX justificou-se pelo discurso higienista de garantir a aquisição e a manutenção da saúde através de exercícios ginásticos. Estes exercícios conduzidos através do estilo de ensino por comando, o conhecido “1, 2, 3, 4”, tais como hoje são aplicados nas academias de ginástica e nas instituições militares, onde o professor à frente da turma repete movimentos geométricos estereotipados que são imitados pelos alunos, privilegia o trabalho muscular e articular em nada contribuindo para o desenvolvimento integral do ser humano. Sob o ponto de vista cognitivo a ação é praticamente nula, pois o aluno não precisa pensar ao repetir mecanicamente o gesto do professor. Isto é educação? Nesta perspectiva, a ginástica calistênica não atende aos nossos anseios didático-pedagógicos; ela não nos serve por limitar a intervenção do professor de educação física apenas à ação muscular.

O esporte é outra instituição pela qual podemos exemplificar: em meados do século XX o fenômeno esportivo explodiu no cenário mundial, conquistando adeptos e espectadores, tornando-se um elemento de cultura de massa. Os pedagogos da Educação Física logo perceberam que o esporte seria um elemento fundamental para o alcance dos objetivos de uma verdadeira educação, contribuindo para o “desenvolvimento das potencialidades afetivas, cognitivas e psicomotoras , ao mesmo tempo e em uma mesma atividade” (Costa, 1991, p.13), anseio maior da educação. Lamentavelmente, em todo o mundo, o esporte subjugou a educação física e passou a definir os seus objetivos: a competição, a vitória, a técnica, a perfeição, o rendimento máximo, o treinamento. O tecnicismo e o alto competitivismo dentro das aulas de Educação Física levaram os alunos a realizarem movimentos repetitivos e a obedecerem regras desportivas sem a consciência daquilo que estavam fazendo. O esporte que era um meio, desvirtuado, passou a ser um fim em si mesmo, e com ele, o fim da educação física.

O discurso “competente” muitas vezes também se apresenta de forma falaciosa: muitos professores tentam justificar o seu trabalho com um jargão higienista de fazer inveja às idéias desenvolvidas por Rui Barbosa em 1882 ! Também historicamente a Educação Física sempre esteve atrelada ao conceito de saúde e vem sendo ao longo dos anos (séculos) justificada de uma forma simplista como se fosse uma relação de causa e efeito. A saúde humana é muito mais dependente dos fatores sociais (educação, habitação, alimentação, transporte, emprego, lazer, renda, trabalho, meio ambiente, acesso e posse da terra e acesso aos serviços de saúde, como preconizou a VIII Conferência Nacional de Saúde, 1986) do que biológicos. Além disso, a Educação Física e o esporte só podem garantir a saúde de quem já dispõe das condições mínimas de saúde para praticar alguma atividade física. Além de já ser fisiologicamente comprovado que isso só ocorre se esta prática for realizada no mínimo três vezes por semana. E o que pode a Educação Física fazer pela saúde e qualidade de vida de nossos alunos, onde na maioria das vezes faltam todas as demais condições?

E a educação? Pode parecer paradoxal, mas a concepção de educação física ao longo do tempo e no meio social, tem sido atrelada muito mais à saúde, ao esporte, à ginástica, à aptidão física, à estética, do que à educação, primeira palavra do seu nome. O adjetivo “Física” parece ter ocupado todo o imaginário das pessoas, inclusive de muitos professores da área, não sobrando “memória” para “salvar” o substantivo “EDUCAÇÃO”. Os elementos da cultura corporal (a ginástica, o jogo, o esporte, as danças e as lutas) não são fins em si mesmos. O professor de educação física não vai para a escola ensinar os alunos a fazerem ginástica, participar de alguns jogos, praticar algumas modalidades desportivas e algumas formas de danças ou lutas. Esses elementos são poderosos meios de estímulo ao crescimento e desenvolvimento de todas as potencialidades humanas. Por serem meios e não fins, durante a sua prática, os alunos vivenciam experiências motoras e relacionais, situações que exercitam a sua criatividade, a capacidade de abstração, de se comunicar, de se expressar, de resolver problemas, de trabalhar em equipe, vivenciam intensamente uma experiência em Educação Física que contribua no seu processo integral de humanização.

Esperando ter desatado alguns nós (ou levantado algumas considerações para que outros o façam) consideramos pertinente, com as “pontas” que sobraram, estabelecer alguns laços que nos permitam legitimar o nosso campo de intervenção profissional, no sentido existencialista emprestado por Sartre “do que faremos com aquilo que fizeram de nós”. Considerando que é nas ações que o pensamento e os ideais se materializam; faz se necessário apresentarmos um elenco de estratégias que deverão ser selecionadas por cada professor em seu planejamento e, trabalhados no intuito de desenvolver as competências e habilidades prescritas para a Educação Física em cada contexto. Esta seleção deverá ser por série, faixa etária, espaço físico e condições materiais da escola para desenvolver tais estratégias, além de estarem ligados de forma indissociável ao projeto pedagógico da escola. Considerando o movimento humano como o principal objeto de estudo e campo de intervenção da Educação Física, apresentamos os elementos da cultura corporal de movimento como uma diretriz norteadora do processo que intencionamos desenvolver:

A perspectiva de ginástica que podemos e devemos utilizar refere-se ao conhecimento e domínio do corpo e do movimento através de atividades com movimentos naturais e construídos, posturas corporais básicas no cotidiano e no esporte, vícios posturais, orientação na forma de execução do exercício, importância do aquecimento e alongamento nas atividades físicas intensas, elementos e princípios de ginástica, movimentos articulares do corpo (flexão, extensão, rotação, circundução, adução, abdução etc) movimentos básicos e simplificados de ginástica artística e ginástica rítmica (saltos, rolamentos, giros, paradas de vários apoios, balanceios, atividades de equilíbrio etc) descoberta dos movimentos que o corpo pode fazer, ginástica recreativa, ginástica historiada etc.

O esporte como elemento da cultura corporal, assim como as danças, as lutas a recreação e os jogos (além da já citada ginástica), devem ser trabalhados nos seus múltiplos aspectos: individuais e coletivos com ênfase aos esportes mais populares (atletismo, futebol, voleibol, basquetebol e handebol), origem, história e evolução, conhecimento, adaptação/simplificação de regras básicas, fundamentos esportivos e habilidades específicas, exercícios educativos recreativos e técnicos, aspectos técnicos e táticos, dimensões do esporte como competição, educação e participação etc. Nas danças: Atividades rítmicas e de relaxamento, brinquedos cantados, expressão corporal, danças folclóricas, danças urbanas (rap, funk, break, pagode etc), ritmo pessoal/ritmo grupal, percepção espaço-temporal, montagem de coreografias, comunicação não-verbal, aspectos históricos-culturais das danças etc. Nas lutas: Lutas recreativas e competitivas, posições do corpo em situações de ataque e defesa, uso de braços e pernas, posições básicas, uso da força X uso da técnica, lutas e violência, aspetos básicos das lutas capoeira, judô, caratê, jiu-jitsu (gingas, saltos, rolamentos, quedas, imobilizações, jogo de corpo no solo, aspectos históricos-culturais das lutas etc. Na recreação e jogos: Jogos individuais e coletivos, jogos pré-desportivos e desportivos, jogos recreativos, competitivos e cooperativos, jogos sensoriais, afetivos e motores, gincanas, jogos populares, criação de jogos, modificações de regras, improvisações de materiais e adaptação ao espaço físico, confecção de brinquedos com utilização de sucatas, conceitos de competição e cooperação (jogar com o parceiro X jogar contra o adversário) etc.

Em relação à saúde, acreditamos que esta intervenção se daria través da educação, do conhecimento, e não da simples prática: O conhecimento sobre crescimento e desenvolvimento corporal, funcionamento do corpo em repouso e em esforço, higiene corporal, alimentação e meio ambiente, benefícios, riscos, indicações e contra-indicações da prática de esportes e atividades físicas, transmitido através das aulas levariam a um autoconhecimento que conduziriam a um autocuidado, através de conhecimentos, atitudes, aptidões, comportamentos e práticas que promovam a saúde.

Nos meios acadêmicos, o debate sobre as múltiplas tendências da Educação Física costuma ser marcado por críticas contundentes entre si, que, embora contribua para o avanço do conhecimento, em nada colabora para a superação das práticas estereotipadas, do tecnicismo, do competitivismo, da alienação que reina no cotidiano das aulas de Educação Física no ambiente escolar. Para isso, propomos que a nossa educação física seja humanista (voltada para o respeito, as características, os interesses e necessidades do homem) (Oliveira, 1985), desenvolvimentista (com o objetivo de promover o desenvolvimento de todas as potencialidades humanas) (Tani et al, 1988) e crítico-superadora (comprometida com alunos reais, historicamente situados e condutora de práticas corporais culturalmente construídas) (Bracht et al, 1992). Acreditamos que a partir da seleção crítica das estratégias propostas, o compromisso político de desenvolvê-las na perspectiva das tendências selecionadas e nossa consciência de classe, estaremos através desta pedagogia do movimento humano conduzindo os nossos alunos a níveis mais altos de consciência corporal, crítica, política, econômica, administrativa e social, conforme preconizou Costa (1991).

Consideramos que, a partir deste referencial, poderemos construir coletivamente, na prática, uma educação física diferente da que historicamente vem se desenvolvendo na maioria das escolas brasileiras.

O autor, Gilbert Coutinho Costa, é Mestre em Educação (UFF), Professor e Coordenador do Curso de Educação Física da Universidade Salgado de Oliveira – UNIVERSO-Niterói e Professor e Assessor Pedagógico da Rede Pública Municipal de Itaboraí-RJ.



Referências bibliográficas

BRACHT, Valter et alli. Metodologia do ensino de Educação Física. São Paulo: Cortez, 1992.

CARMO, Apolônio Abadio do. Educação Física: Uma desordem para manter a ordem. In: OLIVEIRA, Vitor Marinho de. Fundamentos Pedagógicos: Educação Física. Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico, 1987. p.41-47.

CASTELLANI FILHO, Lino. Educação Física no Brasil: A história que não se conta. 3 ed. Campinas,SP: Papirus, 1991.

CLARET, Martin (ed.). O pensamento vivo de Sartre. São Paulo: Martin Claret, 1991.

COSTA, Gilbert Coutinho. Educação Física: “Ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais”. In: RAMOS, J. R. S. (Org.). Novas perspectivas educacionais no ensino da Educação Física escolar – Questões em discussão. São Gonçalo-RJ: Editora Belarmino de Matos, 1997.

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__________. Interlocuções do discurso, conteúdo e prática da Educação Física escolar: Um estudo introdutório. In: V Encontro Fluminense de Educação Física Escolar, 2001, Niterói. Anais...Niterói: Universidade Federal Fluminense, 2001.

__________. Resgate à dignidade. Ciências da Educação Física. São Gonçalo, RJ, nº1, p. 12-13, 1991.

GRAMSCI, A. Os Intelectuais e a organização da cultura. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1968.

ITABORAÍ. Secretaria Municipal de Educação. Projeto político pedagógico. Departamento de Ensino. Itaboraí,RJ: SEME, 2003.

LOVISOLO, Hugo. Educação Física: A arte da mediação. Rio de Janeiro: Sprint, 1995.

OLIVEIRA, Vitor Marinho de. Educação Física humanista. Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico, 1985.

__________. O que é Educação Física. 11ed. São Paulo: Brasiliense, 1994.

MEDINA, João Paulo Subirá. A Educação Física cuida do corpo... e “mente”.7 ed. Campinas,SP: Papirus, 1987.

TANI, Go et al. Educação Física escolar: Fundamentos para uma abordagem desenvolvimentista. São Paulo: E.P.U., 1988.



EDUCAÇÃO FÍSICA MILITARISTA

José Tadeu Machado da Silva



Resumo: Este trabalho por objetivo dar uma visão panorâmica da Educação Física Militarista, desde o seu surgimento na Grécia Antiga, passando pela Europa do início do Século XX, bem como, sua trajetória no Brasil.

O fato de a Educação Física brasileira não ter ainda uma identidade formada, tem levado a efeito estudos no sentido de se redefinir – ou definir – o papel da Educação Física junto à sociedade brasileira.

Os pesquisadores constataram que de 1889 até os dias atuais, cinco tendências predominaram no Brasil. São elas:


  • Educação Física Higienista

  • Educação Física Militarista

  • Educação Física Pedagogicista

  • Educação Física Competitivista

  • Educação Física Popular

Das tendências citadas acima abordaremos apenas a Educação Física Militarista.

No entanto, não se pode efetivamente tecer comentários sobre ela sem que antes viajemos no tempo de volta à Europa do início do século XX e à Grécia Antiga.



O que é educação física militarista?

Segundo Paulo Ghiraldelli Júnior, Educação Física Militarista é a prática de uma doutrina que visa impor a toda a sociedade padrões militares de comportamento, cujo objetivo fundamental é a obtenção de uma juventude capaz de suportar o combate, a luta, a guerra. Além disso, tem como plataforma básica a coragem, a vitalidade, o heroísmo, a disciplina exacerbada.

Desta forma, o papel da Educação Física é de colaboração no “processo de Seleção Natural”, eliminando os fracos e premiando os fortes, no sentido de “depuração da raça”.

Portanto, seguindo este enfoque, a ginástica, o desporto, os jogos recreativos, somente têm utilidade se visarem a eliminação dos incapacitados físicos,contribuindo para uma maximização da força e poderio da população – tendo em vista que a prática da atividade militar requer além do controle emocional, a capacitação física.

Assim, percebemos que a Educação Física Militarista visa a formação do cidadão-soldado (natural quando se copia o modelo de um país beligerante), capaz de obedecer prontamente e de servir de exemplo para o restante da juventude pela sua bravura e coragem.

Onde tudo começou?

A Educação Física Militarista remonta a formação das Cidades-Estado, na Grécia Antiga, dentre elas: Esparta, Atenas, Tebas...

Em Esparta, por exemplo, os seus ideais totalitários levaram os cidadãos a um devotamento ao Estado e à uma subordinação absoluta a vontade dos superiores. A Educação tinha um caráter eminentemente militar (visava formar guerreiros, a disciplina era severa, o aprendizado era ministrado pelo Estado e estendia-se dos 7 aos 18 anos, mas até aos 60 anos os homens ficavam à disposição do mesmo), com um sensível desprezo pelo aspecto cultural, que era proposital, pois a cultura leva ao esclarecimento, que por sua vez leva ao questionamento, o que não é admissível em um regime totalitário.

Estado guerreiro – todos deveriam ser soldados – alimentavam uma política de Eugenismo (aperfeiçoamento físico e mental), que outorgava a uma comissão de anciãos o direito de condenar os nascidos raquíticos e disformes.

Suas mulheres eram robustas, enrijecidas moral e emocionalmente prontas para cumprirem o papel de reproduzir espécimes perfeitos em nome do melhoramento da raça.

Sua trajetória no Brasil


  • Em 1918, termina a 1ª Guerra Mundial na Europa.

  • Em 1919, Benito Mussolini torna-se I Ministro, e implanta o fascismo na Itália. Um de seus pensamentos sobre Educação Física é que corpo saudável é corpo combatente.

  • Em 1921, no governo do Presidente Epitácio Pessoa, o Brasil adotou como método oficial de Educação Física, o famoso regulamento no 7 ou “Método do Exército Francês”. Este foi obviamente um marco no sentido de romper com a hegemonia da concepção Higienista e dar impulso à Educação Física Militarista no país.

  • Em 1931, no governo Getúlio Vargas, o método francês foi estendido à rede escolar.

  • Em 1933, Adolf Hitler torna-se Chanceler na Alemanha, expande-se o nazismo, regime totalitário que defende a superioridade da raça ariana e o expansionismo.

Ainda naquele ano, foi fundada a Escola de Educação Física do Exército, primeira instituição voltada para a formação de professores de Educação Física, e que praticamente funcionou como pólo aglutinador e coordenador do pensamento sobre a Educação Física Brasileira durante as duas décadas seguintes. Antes disto, o mercado de trabalho nesta área era parcialmente suprido pelas escolas de Educação Física da Força Policial de São Paulo e pelo Centro de Esportes da Marinha.

Com o início do clima de belicosidade na Europa, a ascensão do fascismo e do nazismo e, principalmente, com o aumento das relações comerciais entre Brasil e Alemanha, estava aberto o canal de tráfego para vinculação do pensamento reacionário no país.

No interior desta conjuntura, a Educação Física brasileira, praticamente monopolizada pela Escola de Educação Física do Exército, incorporou facilmente a ideologia fascista.

No entanto, esse clima de entusiasmo pelo nazi-fascismo, em parte começou a ser contido nos anos 40, principalmente com a entrada do Brasil na 2ª Guerra Mundial ao lado dos aliados.

Logo a situação interna se tornava incoerente e insustentável. Como aceitar o derramamento de sangue brasileiro na Europa, na luta contra as ditaduras fascistas quando, internamente, sustentávamos um regime com princípios semelhantes?

Assim, pode-se dizer que, em certo sentido, o fim da guerra e a vitória dos aliados trouxe para o Brasil o término do Estado Novo, a queda do Governo Vargas e o fim da Educação Física Militarista.



Conclusão

Em face do exposto, percebemos que a Educação Física Militarista, não coloca de forma sistemática e contundente, a problemática da educação física como uma atividade propriamente educativa, e sim como uma prática capaz de promover a saúde e disciplinar a juventude.

Atualmente, porém, impõem-se uma tarefa importante aos profissionais desta área, que é demonstrar por meio da prática e do desenvolvimento de estudos científicos , a relevância da Educação Física para a formação integral do Homem.

Este desafio profissional exigirá empenho de todos no sentido de contribuir para o desenvolvimento de consciências que, redefinam (ou definam) o quadro teórico da Educação Física a partir de preocupações e compromissos com a realidade social, assumindo plenamente o papel de agente renovador e transformador da sociedade.

O autor é aluno do quinto período de Educação Física da UNIVERSO-Niteroi.

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