Anais VII encontro fluminense de educaçÃo física escolar VII enfefe dificuldades e Possibilidades da Educação Física Escolar no Atual Momento Histórico



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ENTRE A QUADRA E O SABER:

DESAFIOS, DÚVIDAS E NOVAS POSSIBILIDADES

Valner Pimentel Marins



Resumo: O atual momento tem sido gratificante para a Educação Física, que cada vez mais consolida no seu bojo, elementos educacionais-críticos-sociais aliados a força de uma prática que por si só inspira uma grande dose de prazer nas pessoas e têm sido a “mola mestre” que a tempos impulsiona gerações e apazigua até conflitos entre povos. É verdade que alguns setores da mídia também têm contribuído para esse crescimento da cultura corporal em prol de uma atividade física responsável e consciente, destacando a importância do profissional competente e “habilitado”, voltado para obtenção de uma boa qualidade de vida das pessoas. É óbvio que nem tudo são flores e há também uma grande dose de desprazer nessas ações, que por vezes também são excludentes e alienatórias em todos os segmentos. Neste contexto, este ensaio não tem a pretensão de legitimar discursos mirabolantes, mas de levantar dúvidas da “práxis” de uma profissão tomada pela angústia de realizar tanta coisa em circunstâncias tão adversas no cenário educacional. Feita as reflexões, resta uma certeza, e, entre muitas, uma opção, que pode ser um caminho. Cabe uma escolha. Desta forma, apresenta-se como contribuição, nesta linha de pensamento, que se faça uma troca profissional com bases na Psicomotricidade, onde o apoio pedagógico-científico qualificado aponte para uma libertadora “consciência competente” não só do corpo do educando, mas principalmente, do corpo do educador, que em muitas vezes é muito desprestigiado. Aqui justificado por vários argumentos: o advento dos PCN’s; angústias do trabalho e da vida; a simbiose entre a quadra (o professor-técnico) e o saber (o recreador-educador); regulamentação da profissão, e; o crescimento do espaço virtual (Internet). Logo, com esse serviço auxiliar de aperfeiçoamento e investimento profissional, cabe acompanhar os problemas e buscar soluções, que por hora, não há como negar que, boas ou não, estão colocando cada vez mais em “cheque” ou em confronto, os Paradigmas da Educação Física, embora comprove-se, a exemplo dessa discussão, que todos esses dilemas têm sido salutares e enriquecedoras para descobertas, desafios e novas possibilidades.

Às vezes é conveniente, não por malícia, mas por vontade de acertar, criticar uma situação nova ou velha, mas difícil é encontrar caminhos e alternativas que sejam significativas e revolucionárias no papel real, ou seja, firmar pressupostos dos modelos idealizados e julgados bons é fácil, o difícil é ter um ganho positivo comprometido com os objetivos desejáveis que podem ser aplicados na realidade da escola.



Em busca de um estilo

Há pouco tempo uma pesquisa direcionada a professores de Educação Física circulava na Internet, com a seguinte enquete:

Quem deve desenvolver os programas para o esporte da escola?

( ) O Ministério da Educação (MEC);

( ) O Ministério do Esporte (ME);

( ) O MEC e o ME juntos;

( ) A própria escola;

( ) O CONFEF.

O resultado divulgado até o dia 25 de Maio de 2.003 apontava os seguintes indicadores com o total de 164 votantes:

O MEC ............................. 17,07 %;

O ME ................................ 6,71 %;

O ME e o ME juntos ........ 35,98 %;

A própria escola ................ 24,39 %;

O CONFEF ....................... 15,85 %.

Afinal, se a classe luta pelas mesmas causas educacionais, por que ocorre esta divisão numérica numa simples pesquisa quanto aos fatores hierárquicos de saberes e operacionalidade da prática de ensino? Por que há tanta dúvida na aplicabilidade? Será que o empirismo rege a prática e confunde a ordem das hierarquias?

Da utopia a realidade

Se antes, o desejo de sair da utopia fortalecia discursos fervorosos de renomados educadores, em contrapartida, a respeito da gestão democrática, da diversidade de opiniões e práticas, das junções de fatores filosóficos contra tendências e estilos, fazem hoje, da construção coletiva, uma única “voz” capaz de atender às necessidades da realidade atual mais ampla e caracterizada pela pós-modernidade. É como destaca o Prof. Gadotti, que diz que esses pressupostos “... não se limitam à mera declaração de princípios consignados em algum documento...”, portanto, “... a gestão democrática deve estar impregnada por uma certa atmosfera que se respira na escola...”. Pode-se afirmar com essas considerações, que só sobreviverá na educação quem tiver um “comprometimento científico que passe do concreto ao afetivo”, ou vice e versa, em comunhão com a tríade que está em jogo: Escola-Aluno-Sociedade.



Construindo competências

A Professora Azoilda Trindade em entrevista ao jornal “O Dia”, explicando os por quês do seu livro “Multiculturalismo – Mil e uma Faces da Escola”, diz que “... os professores não são preparados para trabalhar com a diversidade, com a pluralidade e com as infinitas possibilidades de vida...”, pois a formação do professor é “eurocêntrica”, isto é, centrada em paradigmas “euro-norte-americanos”. Sem dúvida é uma questão polêmica, mas é inegável que a Formação em Educação Física também exerce “mil e uma possibilidades”, abrindo-se um leque também de dúvidas, principalmente, quando se está numa Escola Pública, com turmas em média de 40 alunos e o professor procura dar conta de atender as expectativas e cobranças por parte de pais, alunos, direção escolar e até colegas de trabalho, sobretudo quanto uma participação esportiva de destaque no âmbito escolar.

Celso Antunes no seu livro “Novas Maneiras de Ensinar – Novas Formas de Aprender”, por exemplo, apresenta brilhantemente, como os desafios educacionais estão num momento histórico irrevogável, que emerge aqui e agora numa instigante fonte de saber com idéias velhas, novas, revolucionárias e atraentes, não como fórmulas, mas como uma “Nova Ordem” de investigação-solução, apoiadas na tecnologia, nas neurociências e nas pesquisas educacionais conectadas as necessidades e capacidades dos alunos.

Desenvolver competências é o maior esforço da atualidade, mas isso só se processará à medida que o professor tente trabalhar e assimilar através do seu “corpo” as suas competências com o seu “EU”, para daí passá-las adiante, com o seu aluno. O trabalho com as competências pode também ser divido em:

Competência Pessoal (aprender a Ser);

Competência Relacional (aprender a conviver);

Competência Produtiva (aprender a fazer);

Competência Cognitiva (aprender a conhecer).

Neste contexto, a Psicomotricidade se encaixa novamente como um elo de ação com a Educação Física, visto que é uma ciência que estuda o homem e suas formas de motricidade na relação global consigo, com o outro e com o mundo. Logo, deve ser uma resposta considerável para o campo de ação.

Relato e proposta de uma experiência

Trabalhando com turmas do Ensino Fundamental da Rede Pública do Município de Teresópolis-RJ, fui convidado, informalmente, num bate papo, por um diretor do departamento de esportes da Secretaria de Esportes a participar dos JEEP’s de 2.003, visto que esta assumiria o transporte, uniformes e lanches. Entusiasmado com a facilidade, tratei de formar um grupo de atletismo que consumiria menos tempo para formação através das aulas. Arrumado o grupo, deparei com as primeiras dificuldades: o departamento de esportes repassou para a secretaria de educação suas atribuições assumidas verbalmente comigo; fiquei dividido entre o professor e o técnico durante as aulas; no conselho de classe me senti inoperante por não poder contribuir com a burocracia dos relatórios, deixando escapar algumas percepções e abordagens quanto ao olhar crítico sobre o desenvolvimento de alguns alunos, devido ao comprometimento com o evento e a diversidade de atividades nas aulas.

Refletindo bastante sobre a questão do esporte na escola, dado esses conflitos internos da profissão, destaco como importante, um posicionamento crítico-pedagógico repensado, pois antes de tudo o Professor de Educação Física tem uma marca registrada, que é o jogo. Este, motiva e impulsiona algumas ações que, às vezes, lamentavelmente, nos leva de encontro à incorporação de culpas. Mas culpa de quê? Por ter feito “isto” ou ter deixado de fazer “aquilo”? Será que a visão da Educação Física deveria ser redimensionada para uma “multi-atividade” e não como uma simples disciplina curricular? Cada vez mais fico convencido que sim. Não há nada mais importante do que uma experiência vivida com frutos que sejam proveitosos. Mas a vivência de cada situação do momento escolar, consciente, mesmo que seja ruim, também trará uma formatação de rumos em direção ao futuro, para não correr o risco do continuísmo da pseudoprática escolar em detrimento de objetivos puramente esportivos como fim em si mesmos. O jogo e a educação são perfeitos aliados da Educação Física Escolar, inseparáveis, mas não há de se esquecer que a Psicomotricidade pode ser o complemento ideal que buscará as bases científicas para o fortalecimento desta causa única. Concluindo, faço minha, as palavras de Alcides Scaglia ao comentar no livro de João Batista Freira “O Jogo: Entre o Riso e o Choro”, dizendo: a Escola “... deveria ensinar os alunos a jogar, criando o ambiente para o jogo e permitindo assim que o movimento e a alegria contaminassem as, quase sempre, gélidas, imóveis e cinzas escolas”.

O autor, Valner Pimentel Marins, é professor da Rede Pública da Prefeitura Municipal de Teresópolis–RJ e do Colégio Estadual Professora Alvina Valério da Silva (CEPAVS) de Guapimirim-RJ.



Referências bibliográficas:

TRINDADE, Azoilda. Entrevista ao Jornal “O Dia” publicado em 14/03/00;

ANTUNES, Celso. Novas Maneiras de Ensinar, Novas Formas de Aprender. Porto Alegre, Artmed, 2002;

MELLO, Alexandre Morães de. Psicomotricidade, Educação Física e Jogos Infantis São Paulo, Ibrasa, 1989;

GADOTTI, Moacir. Pressupostos do Projeto Pedagógico, MEC/Anais da Conferência de Educação para Todos. Brasília, 1994, p. 576-81;

FREIRE, João Batista. O Jogo: Entre O Riso e o Choro. São Paulo, Editora Autores Associados, 2002;

ALVES, Ricardo. O Corpo do Educador. Jornal “Ser”, p. 09, n. º 3, Niterói-RJ, 1997.

ESPORTES ECOLÓGICOS E EDUCAÇÃO AMBIENTAL:

CONSTRUINDO A ESCOLA CIDADÃ A PARTIR DA LINGUAGEM MOTRIZ

José Ricardo da Silva Ramos



Resumo: Os professores da Escola Municipal Brigadeiro Nóbrega motivados pela diretora e pela liderança da orientadora pedagógica que atribuía à questão ecológica na escola o eixo principal de um projeto pedagógico interdisciplinar, passaram a fazer encontros sobre temas diretamente ligados a realidade onde a escola está inserida e de leituras de competências que os professores deveriam adquirir para serem utilizadas na construção de uma proposta pedagógica. Nesse sentido, a Educação Física articulada com a natureza exuberante da Ilha Grande, passou a promover encontros a partir de atividades ligadas à natureza, procurando motivar os alunos a freqüentarem, defenderem e preservarem o seu ambiente em todas as atividades curriculares devidamente consideradas e refletidas pelo grupo de professores.
A Escola Municipal Brigadeiro Nóbrega está localizada na Vila do Abraão no município de Angra dos Reis – RJ. Conta com 20 professores que atendem 420 crianças e jovens da Educação Infantil à 8ª série. Trata-se, portanto, de uma escola de médio porte, situada em uma ilha, onde 80% de seus moradores estão inseridos no mercado de trabalho do turismo, da pesca e da Polícia Militar; os 20% restantes trabalham no comércio local.

Na busca de caminhos para organizarem um projeto interdisciplinar, o professor de Educação Física reconheceu que os alunos da escola necessitavam de uma aproximação maior com sua comunidade e que o grupo de professores poderiam identificar as causas dos problemas ambientais, explicá-las de acordo com sua visão de área e promover uma mudança pedagógica.

No caso da Educação Física, o nosso objetivo maior foi de compreender melhor a realidade da Ilha Grande e reconhecer os esportes que estão diretamente ligados à sua natureza. Desse modo, despertamos a necessidade dos alunos exercerem a sua cidadania de uma maneira corporal e vivencial, através da organização, da participação e da resolução de problemas sócio ambientais junto com outras disciplinas. Foi uma busca de construção da escola cidadã que propomos desenvolver os objetivos de formação capazes de: a) estimular a consciência ambiental dos alunos; b) sensibilizá-los, a partir de diferentes práticas corporais, o cuidado ambiental; c) procurar informações pertinentes sobre os problemas ambientais da comunidade; d) analisar situações concretas de agressões ao meio ambiente da Ilha Grande; e) vivenciar atividades corporais lúdicas como a natação, escaladas, rapel, ‘marski’, caminhadas nas trilhas, salvamentos, que seriam orientadas para preservação do patrimônio ambiental da Ilha Grande.

Assim procuramos formar competências diretamente relacionadas com a defesa do meio ambiente a partir do exercício pleno de cidadania construída através dos seus múltiplos saberes, aprendidos durante as nossas intervenções pedagógicas. São capacidades em que os alunos mobilizaram suas habilidades corporais no esporte, seus conhecimentos, a sua consciência ambiental, com atitudes de cooperação, solidariedade e união para resolver quaisquer problemas detectados ou que poderiam surgir no cotidiano da sua realidade social.

Partindo de conteúdos ligados aos esportes na natureza, pensamos nas praias, na cachoeira, no arqueduto, nas trilhas ecológicas, nos costões rochosos, nas ruas de barro da Vila do Abraão como um importante espaço para a conscientização e a preservação ambiental. Um lugar ecológico com um campo lúdico infinito de possibilidades vivenciais.

O que estávamos vivenciando era um aprendizado prático e corporal, lidando com as criações e as tensões dos alunos, com qualidades físicas como força, resistência, agilidade, fôlego, respiração, mudanças, alturas, manobras, marchas, corridas, flutuações, gritos, liberação de adrenalinas e satisfações emocionais.

Os conteúdos centrais foram os esportes da natureza que se desdobraram em outros conteúdos, formando novos saberes para os alunos. Conteúdos que implicaram, por exemplo, no conhecimento do significado de diferentes palavras de um determinado esporte, a leitura de textos e criação de poesias sobre o meio ambiente (Português); confecção de placas de sinalização nas trilhas ecológicas e a teatralização de fatos ecológicos (Artes); dados estatísticos a partir de um formulário de problemas ambientais (Matemática); a dinâmica das interações ocorridas na natureza, ecossistemas e as alterações na realidade local (Biologia e Meio Ambiente); elaborações de textos em inglês e francês para as nossas abordagens com os turistas (Turismo e Língua Estrangeira); mapas, visita a moradores, levantamento da origem dos moradores etc (Geografia e História).

“Que maravilha estamos fazendo esportes, e ao mesmo tempo, nos conscientizamos da importância de cuidar do nosso ambiente!” exclama uma aluna. Em todos os momentos pedagógicos, trabalhamos com as turmas do 2º segmento. Envolvidos em todas as atividades esportivas, propostas pelo professor de Educação Física, o projeto começou a partir da euforia dos alunos quando o professor expôs o desafio de vivenciarem uma Educação Física em contato permanente com a natureza da Ilha Grande e ao mesmo tempo incorporando uma compreensão mais profunda do que isso significa para eles.

Nos primeiros momentos do mês de fevereiro os alunos se debruçaram sobre os jornais da Vila Abraão e da observação sistemática procurando recortar, destacar e identificar os principais problemas ambientais da comunidade. O professor de Educação Física provocou encontros de “Marski” na praia que possibilitou aos alunos a surfar nas suas areias. Os alunos menos habilidosos aprenderam a surfar com os mais experientes. Esses tiveram assim a oportunidade de ajudar os seus colegas a aprenderem através da socialização da sua motricidade aquilo que hoje eles já fazem sozinhos. Mobilizamos o desejo dos alunos de conquistar pontos nas caminhadas ecológicas, tomar banhos de cachoeira, de ler a realidade, tirar fotos, apontar agressões ambientais; condição fundamental para que a consciência ambiental se estabelecesse.

A partir disso, as aulas no mês de março se tornaram mais ricas, a medida em que os alunos foram desafiados a escalar montanhas e a descer uma parede de pedra pendurados numa corda. O rapel, com o qual os alunos sentaram numa cadeirinha e pouco a pouco foram descendo rochas, provocou gritos de evasão e liberdade, os fez sentir desafiados, apreciando a natureza ao seu redor, e o professor alimentou o desejo de descrever a situação: “É muita adrenalina, é pura adrenalina” – relatou um aluno.

A aprendizagem da natação e o seu uso cotidiano marcou o segundo momento (abril a maio). Neste processo, os alunos aperfeiçoaram o nado crawl e aprenderam a nadar de costas tornando-se naturalmente usuários das praias da Vila Abraão. Esta prática esportiva levou o professor a ensinar o salvamento nas praias visando salvar os turistas ou moradores que usam as nossas praias e que estão expostas também a situações de afogamento. No sentido de encontrar formas de cuidar das praias, o professor promovia a limpeza da praia como aquecimento antes da entrada na água, onde a organização grupal marcou a interação mais profunda para a coleta de lixo que possibilitou uma compreensão mais ampla sobre a abrangência da Educação Ambiental.

As repercussões positivas do projeto pedagógico confirmou a realização do 1º Festival de Atletismo Ecológico da Ilha Grande no mês de junho. A realização de atividades como saltos, corridas, arremessos foi organizada pelos alunos que se envolveram na marcação da pista, na montagem das caixas de areias para os saltos, na criação de poesias ecológicas, propagandas, planejamento, arbitragem e passou a fazer parte da grade curricular da escola.

Na produção do nosso trabalho, durante todas as etapas, desde fevereiro, mês que lançamos a idéia da relação interdisciplinar até os dias de hoje, os alunos e professores utilizaram-se de computadores, mimeógrafos, os jornais da Ilha Grande, pranchinhas de natação, pranchas de madeira para o surf nas areias da praia (Marski), equipamento de escaladas e rapel, livros sobre a história da Ilha Grande, material de pintura, cronômetros, máquinas fotográficas, diários de campo, anedotários e sacos de lixo.

A Educação Física surge, cumprindo a sua função socializadora, possibilitando que os conceitos de diferentes disciplinas se integrassem dentro de uma concepção de Educação Ambiental interdisplinar. Os conceitos de técnicas, atitudes e habilidades que foram mobilizados e apreendidos pelos alunos durante o nosso projeto, garantiram bem o desenvolvimento dessas competências: vivências de regras e ações corporais em relação à natureza; a preservação como conduta humana; a produção de textos e poesias sobre o meio ambiente; leituras de jornais e revistas; contato com diferentes gêneros literários; noções ambientais; respeito ao meio físico e social; modificação de atitudes e práticas sociais diante do meio ambiente; técnicas de abordagem do turista; conjunto de populações; aproximação com o público; habilidades comunicativas; engajamento em outros discursos; amplitude do seu universo cultural; ecossistemas; alterações físicas produzidas por determinados grupos sociais; experiências com as cores da natureza; forma e conteúdo; desenhos geométricos; sentido estético; teatralização; linguagem corporal sem uso da voz; conceitos estatísticos; comparação de quantidade; escala temporal da Ilha Grande; questões pertinentes à origem da comunidade; as relações com os ciclos da natureza dentro da Ilha Grande. Os alunos foram apropriando-se dessas competências, através da utilização de diferentes habilidades, técnicas e atitudes corporais, orais, artísticas, escritas que os inseriram na sistematização científica interdisciplinar.

A avaliação como prática interdisciplinar trouxe mais alguns caminhos interessantes com os quais construímos um novo olhar sobre a avaliação. Esta forma paradigmática de avaliação explicitou a impossibilidade de uma avaliação técnica, neutra e classificatória.

Ao considerar as relações das atividades corporais com o conhecimento ambiental, ampliamos fontes de informações e os níveis dessas relações. Isto significa que, além do aluno ser educado para a questão ambiental, ele pôde apreender o conhecimento elaborado nas relações disciplinares.

Registrarmos a nossa avaliação em fichas, fotos, depoimentos dos alunos, experiências disciplinares durante todos os momentos pedagógicos do projeto, onde o professor e os alunos sistematizaram os conhecimentos ambientais coletando as informações em forma de erros e acertos no processo de conhecer o seu mundo, através do corpo, compondo o processo de aprendizagem e fazendo-se presente na construção do domínio de novos saberes, habilidades, atitudes e conhecimentos sistematizados.

Jamais poderemos passar para este trabalho coletivo uma descrição absolutamente fiel dos acontecimentos aqui esquematizados. Sabemos que qualquer relato é sempre parcial, omitindo muitas vezes a riqueza das relações e os bloqueios presentes em todas as interações pessoais comprometidas na busca de projetos alternativos ou motivos de ações pedagógicas interdisciplinares. Entretanto, avaliamos que mesmo ocorrendo esses entraves foi pertinente registrar a nossa prática pedagógica que vem ocorrendo em uma escola pública dentro de um ambiente ecológico, cuja disciplina Educação Física e outras disciplinas curriculares estiveram e estão empenhadas em construir, com a elaboração, de fato, de um projeto pedagógico para uma escola cidadã.

O autor: José Ricardo da Silva Ramos é Doutorando em Estudos da Linguagem. Bolsista da CAPES. PPG Letras - UFF

Referências bibliográficas

AQUINO, J. G. “Pela ritualização da sala de aula”. In: Revista Nova Escola, ano XVII, n. 149, Janeiro/ Fevereiro de 2002, p.14.

GARCIA, R.L. Educação Ambiental. Caderno Cedes 29, Campinas, 1993.

GODOY, Carlos Eduardo. “Lições da Natureza”. In: Revista Nova Escola, ano XVII, n. 150, março de 2002, p. 30 a 31.

PERRENOU. P. Dez novas competências para ensinar. Artmed, 2002.

UNESP. “A escola e o desafio da Educação Ambiental”. In: Revista Nova Escola, ano X, n. 85, junho de 1985, p. 8 a 11.

VIGOTSKY, L.S.A. A formação social da mente. Martins Fontes, São Paulo: 1989.
ESTERÓIDES E ANABOLIZANTES NA ESCOLA:

TECENDO UM PROJETO PEDAGÓGICO DA EDUCAÇÃO FÍSICA

Hélder Tavares

José Ricardo da Silva Ramos

Simone Chaves



Resumo: Discutir “Esteróides e Anabolizantes” na escola é pensar em um espaço onde os alunos, professores e orientação escolar possam se conscientizar e se preparar para os efeitos nocivos das drogas entre os praticantes de atividades físicas. O desejo de saber sobre o assunto é latente entre os alunos e a postura reivindicativa da Secretaria de Educação de São Gonçalo buscou uma parceria com a Escola de Educação Física da UNIPLI que se pautou na criação de espaços para discussão coletiva a partir de palestras interativas entre a universidade e escola que se mobilizaram na construção de conhecimentos que abordam os problemas das drogas para os que gostam das atividades físicas

1 – O contexto

São Gonçalo é uma das maiores cidades metropolitanas do Estado do Rio de Janeiro. Vem absorvendo também os efeitos da mídia para o mundo juvenil e para a sociedade de um modo geral nos últimos dias, entre as quais se destaca um razoável contingente de jovens que procuram as academias ou práticas desportivas atraídos por um corpo forte e saudável.

Dentro deste quadro, alguns jovens desorientados procuram garantir a qualidade física exuberante reforçando a sua atividade física com os esteróides anabolizantes integrando ativamente o rol de indivíduos desassistidos por uma educação e saúde integral, sob a pena de vermos aumentar a legião de pessoas doentes, sem condições de manter a sua saúde, abandonando as escolas, uma vez que seu corpo ficará deteriorado, funcionando precariamente para a realização dos estudos e das tarefas escolares.

Temos participado de discussões e acompanhado os problemas que versam sobre o uso de anabolizantes pelos jovens buscando combater a permanente destruição da juventude que se faz presente nos esportes e nas academias irresponsáveis. Os problemas gerados pelo uso de anabolizantes são imensos, e vêm exigindo de nós, educadores, uma intervenção educacional que organize um projeto pedagógico, que realize ações para incluir a apropriação desse assunto e a discussão desse tema que está dentro da escola, aumentando a qualidade do trabalho pedagógico, a escola com características de conexão sociedade e educação.


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