Anais VII encontro fluminense de educaçÃo física escolar VII enfefe dificuldades e Possibilidades da Educação Física Escolar no Atual Momento Histórico



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Futebol, gênero e educação física

Vários são os estudos que falam sobre o gênero, muitos de concepções distintas. Baseamo-nos aqui na teoria de Joan Scott (1995) que afirma o surgimento do gênero como uma “categoria útil de análise histórica”, sendo utilizado para fazer referência à organização social dos sexos, isto é, a construção social de padrões e comportamentos distintos a cada sexo. Podemos afirmar que o conceito de gênero tende a lutar contra as ideologias que incorporam as diferenças, construídas socialmente, como algo natural, promovendo assim um biologização do social (SAFFIOTTI, 2001; CUNHA JUNIOR, 1996; SCOTT, 1995; LOURO, 1996). Apesar de gênero e sexo não possuírem o mesmo significado, não podemos dissociar estes dois termos, pois,como afirma Saffiotti (2001): não existe uma sexualidade biológica independente do contexto social onde é exercida (p.09).

Para que possamos compreender as relações de gênero no futebol e na Educação Física precisamos entender o gênero como uma categoria relacional, que não é desvinculada de outra categoria como sexo, raça/etnia, idade, força, habilidades, etc.

A história da Educação Física nos mostra que desde seu início sempre foi discriminatória e (re)produtora de desigualdades entre mulheres e homens. Segundo Castellani Filho (1988), a Educação Física se desenvolveu de duas formas distintas, sempre regida por valores burgueses e capitalistas. De um lado visava a formação de homens fortes, sadios e competitivos para ingressarem no mundo do trabalho, de outro visava a saúde física e a maternidade, pois,pensava-se que as mulheres que praticassem atividades físicas, além de adquirirem padrões estéticos, gerariam filhos mais saudáveis.

Assim, visando o mundo do trabalho e apoiados nas ideologias patriarcais e sexistas, os meninos eram desde cedo direcionados às práticas que lhes possibilitassem força, independência, agressividade, competência, domínio e competitividade; enquanto as meninas ficavam condicionadas às práticas que não ferissem sua feminilidade social e sua condição de dependência e submissão (ROMERO,1992).

Apoiado nestas ideologias, o futebol apresenta-se como uma prática reservada, exclusivamente, para homens que só foi permitida às mulheres em 1986 pelo conselho nacional de Desportos Até então está proibição era justificada por preceitos médicos e estéticos que consideravam o futebol como uma ameaça a saúde reprodutiva e a beleza feminina da mulher (CASTELLANI, 1988).

Segundo Antônio Carlos Vaz (2003) a Educação Física é um ótimo campo para o desenvolvimento das práticas sociais, pois, ela permite a heterogeneidade de grupos – meninas e meninos, ricos e pobres, etc. – Apesar disso, o que vemos ainda hoje, são aulas diferenciadas para os sexos e à medida que meninas e meninos são estimulados de maneiras distintas também se desenvolvem de maneiras distintas:

Com relação ao futebol, alguém poderá dizer: mas os meninos são mais rápidos, têm mais habilidades, as meninas não sabem chutar, não têm força, correm todas atrás da bola ao mesmo tempo, etc. Evidentemente que isso não está longe de acontecer. Afinal desde cedo, criamos nossos filhos com a bola no pé e nossas filhas com a boneca na mão, Segregamos o mundo feminino do masculino, e a escola também, quando reafirma que o mundo do futebol é quase exclusivamente do homem”(GOELLNER, 2000, p. 92).

Uma vez que o futebol constitui-se em um campo masculino, tende a incorporar no jogo, estereótipos de masculinidade que são socialmente construídos, estimulando, assim, alguns comportamentos agressivos e competitivos que fazem parte da identidade social do homem. Talvez seja esta a principal dificuldade enfrentada pelas meninas nas aulas de Educação Física, ou seja, adentrar um campo cujo imperativo é masculino.

Mas os problemas não param aí, pois, não é somente uma questão de gênero, mas também de habilidades. A priori as meninas ou são excluídas ou se excluem por não terem a habilidade de jogar, mas quando mostram que também sabem jogar, já não são mais excluídas, passam a ser tratadas com respeito pelos meninos. (ALTMANN, 1998). A autora em sua pesquisa identificou que meninas que possuíam habilidades para o futebol eram chamadas pelos meninos para jogar, ao passo que alguns meninos que não tinham muita habilidade também eram excluídos do jogo. “Em síntese, meninos e meninas excluem e são excluídos nos jogos; as exclusões não acontecem somente entre gêneros diferentes, mas no mesmo gênero” (ALTMANN, 1998, P. 56). Neste sentido Vaz (2003) faz uma referência dizendo que todos aqueles, sejam homens ou mulheres, que não mostrem o jogo, tal como espera a lógica dominante, serão discriminados.

Outro grande problema pedagógico do futebol é desvincula-lo da imagem de um homem forte agressivo e campeão, geralmente quando as meninas adentram este universo acabam incorporando o discurso masculino, e nele o importante é vencer custe o que custar. Nas aulas de Educação Física isto se torna um grande problema, pois certamente aquelas(es) que não possuem muita habilidade não jogarão, pois quando o objetivo é vencer só há espaço para aqueles que realmente “entendem do assunto”.

Vale ressaltar ainda, a dicotomia que muitas vezes são valorizadas nas aulas, criando dois mundos esportivos e culturais: o feminino enfatizando a sensibilidade, o lúdico, a cooperação; e o masculino enfatizando a racionalidade, a seriedade, a produtividade, a competição e o confronto (KUNZ, 1992).

Vários são os conflitos, os quais os professores de Educação Física terão que enfrentar em busca de uma educação igualitária, não quero aqui, porém, esgotar as possibilidades de discussão desta problemática, que são muitas, mas alertar para os fatos que segundo a minha visão, mais causam empecilhos para uma prática que possibilite as mesmas vivências para os ambos os sexos. Afirmo ainda que sem a intervenção consciente do professor, meninas e meninos serão expostos a uma educação machista e discriminatória, que reproduz as ideologias que colocam a mulher em um plano secundário na sociedade, ampliando as possibilidades masculinas e restringindo as femininas, não contribuindo em nada para uma educação igualitária.

Consideracões finais

O papel da Educação Física na escola deveria ser o de educar e intermediar o conhecimento, porém, o que vemos hoje é uma educação para submissão, um conformismo social, uma educação alienada que colabora para a inculcação de valores e comportamentos hegemônicos sexistas. Uma educação que segrega o masculino do feminino como se um fosse dissociado do outro, como se ambos não se inter-relacionassem na mesma sociedade. Em especial no futebol observamos uma tradição de valores e regras dominantes que tendem a (re)afirmar o mito do homem: sexo forte e da mulher: sexo frágil.

Segundo Maria Costa & Rogério Silva (2001), é importante conscientizarmo-nos para a necessidade de um suporte pedagógico que auxilie meninas e meninos a enfrentarem problemas, que dizem respeito a estereótipos e discriminações, dialogando e escolhendo juntos os procedimentos mais adequados para a solução dos mesmos, pois o dever de todos os educadores é contribuir para uma educação que liberte mulheres e homens de padrões sexistas e práticas estereotipadas impostas pela sociedade. Não deve limitar as possibilidades de desenvolvimento em função do sexo, ao contrário a diferença deve ser entendida como um elogio, como uma nova possibilidade e jamais como fator de segregação.

A Educação Física deve se focar em outras possibilidades, ao invés de estimular a competitividade e o confronto, porque não trabalhar a solidariedade e a cooperação. No caso do futebol, o que menos deve importar é o número de vezes que a bola sacode a rede, não deve haver placar para medir quem fez mais gols, quem ganhou, quem foi o melhor, deve ser estimulado e preservado o aspecto lúdico, a vivência e a troca. Uma vez que os meninos, devido aos estímulos que receberam durante toda a vida, possuem mais habilidades com a bola, porquê não fazer disso uma possibilidade de integração ao invés de segregação? Porquê não estimular nos alunos a troca de experiências? Meninas e meninos podem trocar conhecimentos e vivenciar juntos, novas possibilidades, pois:

o mais importante é valorizar a diferença e a contribuição individual para todos os meninos e meninas, sendo oferecidas atividades físicas como direito, com recursos iguais para atividades femininas e masculinas (...) deve existir oportunidades de aprendizagem significativa, respeito pelo outro e possibilidade de realizar um trabalho compartilhado” (COSTA & SILVA, 2001, p. 5).

A Educação igualitária, que aqui buscamos, não é aquela pautada na premissa “todos iguais”, tratando meninas e meninos da mesma forma sem levar em conta suas diferenças biológicas, sua cultura, sua história, seus anseios e desejos; e sim a que vai proporcionar as mesmas experiências para ambos os sexos, levando em conta todas suas características particulares.

Essa busca não cessará aqui, ainda há muito a se buscar, não basta só mudar a metodologia com a qual vai se trabalhar na Educação Física escolar, é preciso que a sociedade mude, é preciso que a escolarização de um modo geral se transforme, pois, a verdadeira educação igualitária só será alcançada plenamente quando a sociedade não mais segregar o feminino do masculino, quando as estruturas de dominação masculina forem abaladas, facilitando o caminho para sua destruição.

O que podemos fazer agora é contribuir, através da Educação Física, para que homens não sejam exaltados enquanto mulheres são discriminadas, se ainda não estamos perto de alcançar a igualdade educacional para meninas e meninos, mulheres e homens, pelo menos podemos proporcionar em nossas aulas a igualdade de possibilidades para ambos os sexos

A autora, Isabella Alves Fagundes pertence à Universidade Cruzeiro do Sul (UNICSUL/SP)

Referências bibliograficas

ALTMANN, Helena. “Rompendo fronteiras de gênero: Marias (e) homens na educação física”. Dissertação de mestrado em educação. Belo Horizonte: UFMG, 1998.

BEAUVOIR, Simone. “O segundo sexo: fatos e mitos”. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1980.

CARNEIRO, Sueli. “Identidade Feminina”. In: SAFFIOTI, Heleieth I. B.; VARGAS, Mônica Munõz (org). Mulher brasileira é assim. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 1994.

CATELLANI FILHO, Lino. “Educação Física: a história que não se conta. Campinas: Papirus, 1988.

COSTA, Maria R.F. e SILVA, Rogério G. da. A Educação Física e a co-educação: igualdade ou diferença. In: “Anais do Congresso Brasileiro de Ciências do Esporte”. 12, 2001, Caxambu / MG.

CUNHA JUNIOR, Carlos F. F. da. As relações de gênero e o cotidiano do professor de Educação Física: em prol de uma pedagogia não sexista. In: Encontro Fluminense de Educação Física Escolar, 1, 1996, Niterói. “Anais...” Niterói: UFF, 1996.

CUNHA JUNIOR, Carlos F. F. da & PACHECO, Ana J. P. A mídia impressa e o futebol de saias do Brasil: uma análise dos jogos olímpicos de Atlanta 1996. In: Anais do Congresso Brasileiro de Ciências do Esporte, Goiânia, v. 1, p. 529-535, 1997.

GOELLNER, Silvana V. Pode a mulher jogar futebol? In: CARRANO, Paulo C. (org.). “Futebol: paixão e política”. Rio de Janeiro: DP&A, 2000, p. 79-93.

KUNZ, Maria do C. S. O gênero: confronto e cultura em aulas de Educação Física. “Revista Brasileira de Ciências do Esporte”. São Paulo, v. 14, n. 01, 1992.

LOURO, Guacira L. Nas redes do conceito de gênero. In: LOPES, Marta J. M. (org.) “Gênero e saúde”. Porto Alegre:Artes médicas, 1996, p. 6-18.

ROMERO, Elaine. Educação Física a serviço da ideologia sexista. “Revista Brasileira de Ciências do Esporte”. São Paulo, v. 14, n. 01, 1992.

SAFFIOTI, Heleieth. Gênero e o Patriarcado. 2001 (mimio).

SCOTT, Joan. Gênero: uma categoria útil de análise histórica. “Educação e Realidade”, v. 20, n. 02, jul/dez, 1995.

VAZ, Antônio Carlos. Futebol e masculinidade: um espaço pedagógico para ações afirmativas. In: Seminário Internacional de Educação Intercultural, Gênero e Movimentos Sociais, 2, 2003, Florianópolis / SC. Anais... Florianópolis: UFSC, 2003.

GINÁSTICA NA ACADEMIA:

AULA DE EDUCAÇÃO FÍSICA OU APENAS A VENDA DE UM SERVIÇO?

Ueberson Ribeiro Almeida



Resumo: Sugere, de forma geral, uma investigação sobre a “identidade profissional” do professor de ginástica de academia, considerando sua formação acadêmica em Educação Física, bem como a interface entre educação e o mercado das academias. O estudo tem como objetivos específicos os seguintes itens: a) levantar dados sobre a prática pedagógica adotada pelos profissionais de ginástica de academia; b) identificar dados acerca do desgaste físico dos profissionais de ginástica e possíveis lesões decorridas da prática excessiva de exercícios; c) verificar as exigências em termos de performance, conhecimentos e postura Ética que o mercado das academias faz aos profissionais de Educação Física. As inquietações problematizadas no corpo deste projeto de pesquisa relacionam-se diretamente com a Educação Física Escolar, pois o professor de ginástica de academia geralmente atua como professor de Educação Física nas escolas.

Introdução

O mercado de trabalho das academias apresenta-se em destaque na sociedade capitalista, já que, nesta, a boa aparência é status e cuidar da estética torna-se quase um padrão social. Há uma clara expansão desse mercado e, concomitantemente, dos cursos de Educação Física, pois é preciso garantir mão-de-obra para sustentar esse sistema de comércio. Pensando nisso, no âmbito profissional, resolvemos elaborar um projeto de pesquisa que possui os seguintes objetivos específicos: a) levantar dados sobre a prática pedagógica dos profissionais de ginástica de academia; b) levantar dados a respeito do desgaste físico desses profissionais e possíveis lesões decorridas da prática excessiva de exercícios; a) identificar as exigências em termos de performance, conhecimentos e postura ética que o mercado das academias fazem aos profissionais de Educação Física.



Problematização

Os estudos em andamento são excitantes e reveladores, pois, não encontramos, ainda, no Brasil, pesquisas ou estudos específicos que tenham como foco a preocupação com a integridade física dos professores de academia. Por outro lado, a pesquisa investiga também se a identidade pedagógica construída no âmbito da formação acadêmica em Educação Física (formação profissional) pode ser efetivada como prática nos espaços das academias ou se é reduzida ou anulada pelas “leis” que regem o mercado das academias.

As práticas corporais da atualidade trazem em seu bojo, fortes “marcas” das leis de mercado, pois de acordo com Silva (2001, p. 63), “O corpo, tanto como elemento de marketing quanto como objeto da indústria do remodelamento, extremamente produtiva, do ponto de vista financeiro, está no centro do interesse da economia de mercado e, portanto, profundamente marcado por seus fundamentos e por suas conseqüências. “

Sendo assim, indagamos se os “fundamentos de mercado” citados pela autora trazem algum tipo de benefício à prática dos profissionais de Educação Física nas academias ou se acabam por criar uma contradição entre o que o professor aprende em sua formação profissional em Educação Física e o que o mercado solicita como modelo de profissional.

A primeira vista, a problemática em questão parece ter pouca relação com a Educação Física escolar, porém não se pode esquecer que os profissionais que atuam nas academias de ginástica possuem, em sua maioria, formação acadêmica em Educação Física, estando também a escola dentro do seu campo de atuação profissional. Dessa forma, excita-nos saber qual é o perfil desse profissional, a sua personalidade e caráter pedagógico, tanto nas aulas de ginástica dentro das academias quanto diante de uma turma de crianças de escola pública. Visto sob esse prisma, a “teia” se emaranha mais ainda, pois será que os profissionais que atuam de acordo com as exigências do mercado das academias (se é que atuam dessa forma), quando chegam às escolas, atendem às necessidades educacionais/pedagógicas? Esses profissionais assumem posturas divergentes em relação ao ambiente e ao contexto no qual exercem seu trabalho?

Por outro lado, há possibilidade de que o estudo possa revelar profissionais que acreditam que ser educador, diante dos olhos do mercado, seja uma tarefa desafiadora, porém possível, e que não é preciso ter “dois pesos para duas medidas”, mas é indispensável manter um caráter interventor/crítico tanto nos espaços das academias como nas escolas. Infelizmente, também é possível que haja aqueles profissionais que obedecem exclusivamente aos códigos estabelecidos pelo mercado capitalista e acabam por nutrir uma “pedagogia de mercado”, que visa exclusivamente à obtenção de lucro, sendo, portanto, responsável pelo continuísmo de uma lógica política/social que acaba por reforçar a hegemonia de uma classe e a conseqüente exclusão de outras dentro da sociedade.

A prática de ginástica em academias vem crescendo e ganhando um espaço de destaque no contexto social atual, pois as pessoas acabam por preencher seu “tempo livre” com aulas de ginástica nas academias.

É notória a grande diversidade de “programas” de aulas de ginástica, mas basta que algum desses caia na monotonia para que surja um novo programa para substituí-lo. Será que essa diversidade de modelos de aulas de ginástica tem sua causa na evolução dos métodos que, por sua vez, visam a atender uma necessidade social no que diz respeito à oferta de programas de ginástica mais eficientes no âmbito da saúde ou essa questão está mais associada aos “interesses de mercado” (citados anteriormente), nas quais o que importa é consumir “o novo” cada vez mais? Como já foi dito, muitos programas de ginástica têm se desenvolvido prometendo sempre condicionar fisicamente e eliminar o sedentarismo. Sabe-se, no entanto, que para se adquirir condicionamento físico não é necessário freqüentar aulas de ginástica em academia. A crítica, de forma alguma condena ou discrimina a existência das aulas de ginástica em academias, muito pelo contrário, acreditamos que a academia pode ser um campo de trabalho realizador e promissor para o professor de Educação Física. O que questionamos são as formas pelas quais essas práticas vêm sendo efetivadas nos espaços privados (academias). Julgamos, porém, ser função da Educação Física escolar formar sujeitos cientes das armadilhas do sistema vigente e do consumismo que abrange as práticas corporais. Além disso, possibilitar, tomando como base uma matriz dialética, a formação de sujeitos autônomos.

Aproveitando o ensejo, não podemos de forma alguma nos esquecer de lembrar da questão metodológica, ou seja, dos métodos utilizados pelos profissionais de ginástica para garantirem o “sucesso” de suas aulas e o compromisso com princípios que garantam a ação educativa.A respeito da eficiência do método, Mattos, citado por Xavier (1986, p. 9), afirma o seguinte:

Um método é efetivo quando ele cumpre certos princípios que garantem a ação educativa, isto é, não instrui apenas os educandos desenvolvendo neles estruturas mentais definidas, mas os educa também, formando hábitos e atitudes proveitosas e ideais superiores, enriquecendo e visualizando sua personalidade. Abrindo-lhes dessa forma, novos horizontes mentais e novas possibilidades de vida.”

Em relação à questão abordada, esta pesquisa propõe um levantamento de dados objetivando lançar luzes sobre os modelos dos métodos aplicados nas aulas de ginástica e, dessa forma, compreender que tipo de prática pedagógica os profissionais das academias adotam. Sendo assim, a análise das práticas pedagógicas desses profissionais possibilitará esclarecer como eles se relacionam profissionalmente com os donos ou administradores das academias e com o seu público.

Com a intenção de melhor fundamentar a problemática, acreditamos que a citação abaixo refere-se à questão dos métodos de forma divergente da idéia de Mattos citada anteriormente. A fonte é de caráter prático (um manual de instruções para treinamento de profissionais da empresa Body Systens), na qual se encontram as seguintes afirmações para formação de profissionais de ginástica de academias:

Só para verdadeiros profissionais [...]

Treine individualmente cada parte até não precisar olhar mais na pasta de coreografia.

Parabéns, você já decorou o primeiro elemento–chave da instrução notável e agora pode ser um verdadeiro professor, cuidando de seus alunos sem precisar lembrar da rotina.”(BAKER. et al., 2001, p. 123).

Percebe-se na citação acima um adestramento do profissional: o decorar como “elemento-chave” para a realização de seu trabalho. Isso nos preocupa, pois sabemos que o “decorar” não participa da construção de conhecimentos e menos ainda de profissionais críticos e flexíveis a mudanças.



Metodologia

O tipo de pesquisa utilizado será a pesquisa descritiva, pois, segundo Cervo e Bervian (1983, p. 55),

“[...] a pesquisa descritiva observa e registra, analisa e correlaciona fatos ou fenômenos variáveis sem manipulá-los, isto é, sem a interferência do pesquisador. Procura descobrir, com a precisão possível, a freqüência com que um fenômeno ocorre, sua relação e conexão com outros, sua natureza e características.”

Uma das técnicas utilizada para a coleta dos dados será a entrevista, pois, segundo Marconi e Lakatos (1988), “[...] a entrevista oferece maior oportunidade para avaliar atitudes, condutas, podendo o entrevistado ser observado naquilo que diz e como diz: registro de reações, gestos etc”.

Fundamentado nisso, as entrevistas serão aplicadas aos professores de ginástica, aos donos ou responsáveis pelas academias e aos alunos das academias, inicialmente, com um roteiro de dez perguntas abertas para cada entrevistado (professores, donos de academias e alunos).

A outra técnica utilizada para a coleta de dados será a observação na vida real. Segundo Marconi e Lakatos (1988, p. 69), “[...] a melhor ocasião para o registro é o local onde o evento ocorre. Isto reduz as tendências seletivas e a deturpação na reevocação”.

A pesquisa terá como ambiente de estudo e coleta de dados vinte academias da Grande Vitória. Serão entrevistados vinte profissionais de ginástica, vinte donos ou responsáveis pelas academias e cinqüenta alunos, sendo os últimos 50% do sexo masculino e 50% do sexo feminino. Além disso, serão observadas cinco aulas de ginástica e, para maior segurança da interpretação dos dados, duas aulas serão filmadas em academias de bairros distintos.

Resultados esperados

Espera-se com esta pesquisa contribuir para a discussão acerca do papel da Educação Física como prática pedagógica adotada pelos profissionais de ginástica de academia e assim melhor compreender a interface entre educação e mercado no contexto sócio/político/econômico. Além disso, pretendemos apresentar em congressos científicos, simpósios e posteriormente publicar em revistas técnicas da área. A pesquisa, ainda contribuirá para a elaboração da monografia de conclusão de curso de graduação em Educação Física.

O autor, Ueberson Ribeiro Almeida é Graduando em Educação Física no CEFD/UFES e voluntário do LESEF/CEFD/UFES e foi orientado pelo professor Valter Bracht do CEFD/UFES

Referências bibliográficas

BAKER, M.et al. Body combat, les Mills body training systens. 2001.

CERVO, A.L.; BERVIAN, P. A. Metodologia científica, 3. ed. São Paulo: McGraw-Hill do Brasil, 1983.

MARCONI, M. A.; LAKATOS, E. M. Técnicas de pesquisa. São Paulo: Atlas, 1988.

SILVA, A. M. Corpo, ciência e mercado: reflexões acerca de um novo arquétipo da felicidade. Florianópolis: Autores Associados, 2001.

XAVIER, T. P. Métodos de ensino em educação física. São Paulo: Ed. Manole, 1986.


LINGUAGEM CORPORAL, ESTADOS EMOCIONAIS E EDUCAÇÃO FÍSICA

Walmer Monteiro Chaves



Resumo: O objetivo do presente trabalho é suscitar a reflexão acerca das contribuições que a prática de atividades físicas podem proporcionar, no que tange aos aspectos emocionais e psicológicos. O problema está centrado na valorização exacerbada dos benefícios biológicos e funcionais que a atividade física proporciona, em detrimento dos benefícios no âmbito emocional. A utilização do movimento humano como instrumento de diagnóstico para detectar possíveis dificuldades e necessidades dos alunos é de significativa relevância no sentido da superação e da formação plena dos mesmos.
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